terça-feira, 24 de abril de 2018

(Continuação 18)


Visita da rainha D. Maria II ao Porto em 1852

Em 1852 D. Maria II encetaria uma visita ao Norte do País começada em 15 de Abril em Lisboa que, em 8 de Maio estava por Viana do Castelo e, que, por decisão da soberana, era esta cidade designada do Castelo, desde 1848.
Seguir-se-iam na visita, Braga, Guimarães e Barcelos. A vila do Gerês seria retirada do itinerário devido à má qualidade das estradas.
A passagem pela cidade do Porto deu-se entre 19 e 22 de Maio de 1852.
A rainha fazia-se acompanhar do rei consorte, D. Fernando II e dos príncipes que seriam mais tarde reis, D. Pedro e D. Luís.
O Presidente da Câmara do Porto era à data, José António de Sousa Basto.
A entrada na cidade do Porto foi antecedida por uma visita real ao Concelho de Valongo.

“O Diário do Governo, do dia 24 de maio de 1852, na primeira página, publica uma carta do Governador Civil do Porto, Visconde de Podentes, dirigida ao Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino, Rodrigo da Fonseca Magalhães, relativamente à visita que a Comitiva Real (Rainha D. Maria II, seu marido com o título de Rei, D. Fernando II, e os príncipes, que, mais tarde, viriam a ser reis de Portugal, D. Pedro e D. Luís) fez ao Norte do Reino, e onde se faz referência ao almoço que foi oferecido a Suas Majestades, nesta cidade, no lugar da Travagem, por parte da Câmara de Valongo em forma de gratidão pela criação do novo concelho de Valongo.”
“avozdeermesinde.com”

A seguir se dá conta de teor da carta do Governador Civil do Porto a propósito da passagem real por Valongo.

«Governo Civil do Districto do Porto / Ill.mo e Ex.mo Sr.
Tenho a honra de participar a V. Ex.ª, que tendo Suas Magestades e Altezas saído hoje de Santo Thyrso ás oito horas da manhã, e tendo-se dignado acceitar um bem servido almoço que tinha feito preparar, e lhes ofereceu na ponte da Travage a Camara de Vallango (sic), a sua entrada se verificou nesta cidade pelas duas horas da tarde, dirigindo-se Suas Magestades á Real capella de Nossa Senhora da Lapa, aonde assistiram a um solemne e pomposo Te-Deum, preparado e dirigido pela irmandade da mesma capella, no qual celebrou S. Ex.ª o Bispo da diocese. (...) / Deos guarde a V. Ex.ª / Porto 18 de Maio de 1852, ás quatro horas da tarde. = Ill.mo e Ex.mo Sr. Rodrigo da Fonseca Magalhães, Ministro e Secretario de Estado dos negocios do Reino. = Governador civil, Visconde de Podentes».

Durante a sua estadia no Porto a rainha ficou hospedada no Palácio do Bolhão, do 1º Barão e 1º Conde do Bolhão, este último título já outorgado pelo Rei Regente D. Fernando II, pois, tendo morrido a rainha em 1853, o príncipe D. Pedro ainda era menor de idade. Por certo a distinção ao anfitrião e Barão do Bolhão, de seu nome, António Alves de Sousa Guimarães, foi um reconhecimento pela hospedagem.
Sobre esta visita ao Porto, fala-nos também um texto inserido n’ O Tripeiro, Série 5, Ano 9, nº 12 com o título de  “As consequências de um dia de chu­va”, na qual é relatada uma festa que se realizou na Quinta das Águas Férreas.



“Em 1852, em honra da visita ao Porto da Rainha D. Maria II e de el-rei D. Fernando, a alta sociedade da cidade decide organizar uma festa elegante e original ao ar livre, sendo escolhido para tal efeito a Quinta das Águas Férreas, considerada na altura uma das mais belas do Porto. De modo a preparar tudo para a festa, terraplanou-se os terrenos e cobriu-se de saibro vermelho um campo para nele se improvisar uma esplanada. Foram contratados carpinteiros para construir barracas para os fornos e para as cozinhas ao longo dos muros de Cedofeita. Levan­taram-se vários tablados e construiu-se um imenso pavilhão quadrado, coberto com um toldo, para dançar e proteger do sol, sendo as mesas para o almoço colocadas debaixo das laranjeiras. Infelizmente a festa não terminou nas melhores condições, devido à intensa chuva que nes­se dia se fez sentir”. 


A Academia Politécnica viria também a receber a rainha D. Maria II, durante a qual, não perdeu a oportunidade, o professor de Matemática Joaquim Torcato Álvares Ribeiro, de lhe recordar a falta que faziam os laboratórios práticos e os prejuízos causados pela paragem das obras no edifico, decorrente da apropriação pelo Tesouro Nacional da dotação feita por D. João VI.
Na preparação da visita real à Academia tinha sido pela 1ª vez decidido pelo Conselho Académico, os lentes apresentarem-se de “casacas, coletes e calças pretas, Sapatos e meias de seda preta e lenço branco ao pescoço”.
Na sequência da visita real foi ainda projectado um obelisco a erigir na Praça de Dom Pedro da autoria de Luís Augusto de Parada e Silva Leitão.



Projecto de obelisco para a Praça D. Pedro - Fonte: “gisaweb.cm-porto.pt”

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