quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

25.78 Prédios antigos que ainda mantêm a traça inicial



Moradia na Rua de Alexandre Herculano, nº 289



Moradia na esquina da Rua de Alexandre Herculano e Rua Duque de Loulé – Fonte: Google maps



A moradia localizada na Rua Alexandre Herculano, nº 289 (teve o nº de polícia, 207), esteve durante muitos anos devoluta e em situação de degradação, entrou no ano 2020, em processo de recuperação.
O seu primeiro proprietário foi Joaquim José Dias Pereira, um grande capitalista, dono de uma vasta fortuna, que a mandou erguer em 1888.
Aí, primeiro enviuvou e, depois, faleceu em 1919.
Foi casado com Rita Augusta da Silva Pereira, casamento do qual resultaram 6 filhos (3 rapazes e 3 raparigas).
Em testamento, agindo sobre a sua quota disponível, o prédio foi deixado para as suas duas filhas, Ângela e Alcina.



A partir de 2023, o antigo palacete foi ocupado por uma unidade hoteleira – Hotel G. A Palace – Fonte: Google maps



Prédio a norte da Praça do Marquês



O prédio que se situa a norte da Praça do Marquês, e que faz esquina e tem entrada pela Rua de Costa Cabral, foi começado a construir em 1864.
Foi seu primeiro proprietário, Francisco Ferreira Zimbres, brasileiro de torna-viagem, negociante no Brasil em sal grosso, com várias casas comerciais e sede em Santos e que, em 28 de Abril de 1864, requeria a respectiva licença de construção, que ficou registada com o nº 8/1864.
À data, a Rua de Costa Cabral já tinha sido aberta desde 1851, e a Rua 27 de Janeiro, que havia depois de ser a Rua da Constituição, também.
Por outro lado, a actual Praça do Marquês era o Largo da Aguardente (já com a sua forma rectangular) e só o deixou de o ser, em 1867, quando passou a ser a Praça da Constituição e, alguns anos depois (1882), passou a ter o topónimo que hoje ostenta.
Ao longo dos anos, o prédio haveria de ter diversos inquilinos.



Prédio do Zimbres, na Praça Marquês de Pombal, em meados do século XX, tendo por inquilino uma firma de mobílias






Prédio de Francisco Ferreira Zimbres, na Praça Marquês de Pombal – Fonte: Google maps





Prédio na Rua Formosa, nº 201-203, de Joaquim Pinto da Fonseca


Este prédio, sito na Rua Formosa, 201-203, teve licença de construção em meados do ano de 1825.
Foi mandado construir por João Pereira Batista Vieira Soares, bacharel, advogado e juiz de direito criminal substituto, que é citado no processo do julgamento de Camilo Castelo Branco.
Foi esta personalidade, por decisão régia de 1822, nomeado como um dos responsáveis pelo Recolhimento da Porta do Sol / Recolhimento de Nossa Senhora das Dores e de S. José das Meninas Desamparadas.
No ano seguinte, estava sob escrutínio real e impedido de se associar a qualquer sociedade secreta.
Em 1846, o “Directorio Civil, Politico, Commercial, Historico, e Estatistico da cidade do Porto e Vila Nova de Gaia”, apresentava-o como advogado, na Rua Formosa.
Em 1857, depois do prédio ter passado pelas mãos dos herdeiros de João Pereira Batista Vieira Soares, passou a pertencer a Joaquim Pinto da Fonseca (1816-1897) que, naquele ano, solicitava à Câmara uma autorização para acrescentar mais um andar ao edifício.
Os Pinto da Fonseca tinham a sua casa, parque e jardins, que se estendiam por um pouco mais a montante da rua, em terreno onde, mais tarde, vieram dar os jardins do “Jardim Passos Manuel”.
Joaquim Pinto da Fonseca foi sócio fundador do Club Portuense e sócio gerente da Casa Bancária Fonsecas, Santos & Vianna.
Entre 1837 e 1851, esteve emigrado no Brasil, onde se dedicou ao negócio de tráfico de escravos, cuja abolição o faz retornar a Portugal.
Em 1861, funda a Casa Bancária Fonsecas, Santos & Vianna e torna-se seu sócio gerente até 1890.
A casa bancária Fonsecas, Santos & Viana foi constituída em 27 de Maio de 1861, pelos negociantes António Pinto da Fonseca, Joaquim Pinto da Fonseca, Carlos Ferreira dos Santos Silva e Francisco Isidoro Viana e tinha sede em Lisboa.
Esta casa bancária já em pleno século XX seria o embrião do banco “Fonsecas & Burnay”.
Em 1897, os dois filhos de Joaquim Pinto da Fonseca, Manuel e Joaquim, fundam a casa Bancária Pinto da Fonseca & Irmão, na Praça da Liberdade.





À direita, na Rua Formosa, 201-203, a casa que foi de João Pereira Batista Vieira Soares – Fonte: Google maps



A porta lateral, mais a montante, indicia ser a entrada para a cocheira, o lugar de garagem desses tempos.

Sem comentários:

Enviar um comentário