sexta-feira, 16 de novembro de 2018

25.22 Sociedade Clemente Meneres Lda - Real Companhia Vinícola Portugueza


“A Sociedade Clemente Menéres Lda. é uma sociedade agrícola familiar fundada em 1902.
Estabelecida desde 1874, produz vinho, azeite e cortiça na Quinta do Romeu, no concelho de Bragança, e detém no Porto, na marginal do rio Douro, zona Património Mundial, o extinto Convento de Monchique e edifícios anexos onde tem sede e armazéns desde o século XIX.
Pratica exclusivamente Agricultura Biológica certificada (olival e vinha).
Todos os sócios são descendentes directos do fundador e são gerentes João Pedro Menéres, Nuno Espregueira e João Menéres.
(…) Clemente da Fonseca Guimarães, nascido em 1843 na Vila da Feira, tinha uma energia enorme. Foi para o Rio de Janeiro aos 15 anos onde então residiam parentes seus. Regressou cinco anos depois, dedicou-se ao comércio e voltou lá mais tarde. Percorreu a Europa Central e de Leste e o Médio Oriente à procura de mercados. Tinha um caminho novo a percorrer. Talvez por isso, acrescentou um nome, Menéres, ao Guimarães, que já tinha. Não cabia no País nem na família.
Fundou imensas sociedades para exportar produtos portugueses, nomeadamente vinhos, conservas e cortiça. Criou a primeira fábrica de conservas e a primeira fábrica de rolhas em Portugal.
Aos 31 anos, em 1874, parte em carro de cavalos para Trás-os-Montes para comprar os sobreirais que ouviu dizer que por lá havia.
Cria uma propriedade, a Quinta do Romeu, dispersa por oito concelhos do distrito de Bragança. Refaz as vinhas que encontra dizimadas pela filoxera e alarga os olivais que existiam. Como a qualidade dos vinhos e o "terroir" o justificavam, na remodelação da Região do Douro de 1907 é autorizado a produzir Vinho do Porto.
Participou em muitas feiras na Europa e na América do Norte e do Sul. O diplomata Venceslau de Morais no seu livro "Cartas do Japão" refere, com elogios, a sua presença na Feira de Osaka de 1903.
Em 1902 funda, com os filhos, a actual Soc. Clemente Menéres Lda.
Depois de falecer, em 1916, sucedem-lhe os filhos, netos e bisnetos.
Um dos filhos, Manoel Menéres, na década de 60, pessoalmente restaura e renova três aldeias locais, cria infantários para as crianças e um restaurante para as sustentar com a sua receita, o Maria Rita, e faz também o Museu de Curiosidades.
Fonte: “quintadoromeu.com”



Sede actual da Sociedade Clemente Meneres Lda na Calçada de Monchique - Fonte: Google maps

Em 1876 Clemente Meneres faz a sua casa de habitação no Romeu por fases: durante muito tempo pernoitou no tasco de telha vã e térrea de um tal Carriço, que tinha a particularidade de ser seu conterrâneo da Vila da Feira; depois (1877) ergueu uma casa térrea, com grossas paredes e forrada a madeira, mas pequena, fiel ao ditado que tantas vezes citava - “casa que chegue e terra quanta vejas”.
No fim de 1876, Clemente Meneres já possuía 279 propriedades em Mirandela, Macedo de Cavaleiros, Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães e Vila Flor, dedicadas principalmente à exploração de sobreiro.
Em 1893, a propriedade fundiária de Clemente Meneres atingia uma área considerável, distribuindo-se, embora de forma dispersa, por uma extensão de 27 quilómetros.
Em 1902 funda a ‘Clemente Meneres Lda’, tendo como outorgantes:
- Clemente Joaquim da Fonseca Meneres, por si e na qualidade de procurador da esposa, Antónia Cândida de Araújo Meneres (nascida em 1865, com quem tinha casado em Vila Nova de Gaia a 13/08/1896 e da qual teve o filho, Clemente da Fonseca Araújo Meneres nascido a 18/05/1897 e falecido a 02/01/1917, e o Manuel da Fonseca Araújo Meneres nascido a 26/04/1898 e falecido a 24/03/1974);
- Leonor Meneres Barbosa e marido;
- Alfredo da Fonseca Meneres, por si e como procurador da irmã e cunhado, Maria da Glória da Fonseca Meneres Sampaio e marido;
- José da Fonseca Meneres;
- António Pinto de Oliveira (filho de Agostinho Meneres)

Alfredo da Fonseca Meneres, que já tinha feito parte da 'Clemente Meneres & Filhos'  com seu pai e seu irmão Agostinho da Fonseca Meneres, nasceu no Porto, em 29/8/1866 e faleceu em Lisboa, em 12/7/1917. Está sepultado em Carvalhais. Fez o curso de regente agrícola na Quinta Regional de Sintra, em 1884. Depois do curso radicou-se em Trás-os-Montes, como gestor das suas propriedades e aí passou a sua vida.
Em 1898, construiu em Carvalhais o edifício escolar e o cemitério paroquial. Chegou a ser vereador da Câmara do Porto, fez parte da Direcção da Associação Comercial do Porto, bem como da Associação Industrial Portuense, etc. Foi agraciado com a grã cruz de Mérito Industrial e em 1907 recebeu carta de conselho.
Foi elevado a conde de Carvalhais, título que recusou.


As diversas sociedades de que fez parte Clemente Menéres



Estalagem Maria Rita no Romeu – Ed. Manuel Rodrigues, Arq. Fotog. da Sociedade Clemente Menéres



A casa Meneres no Romeu destruída por um incêndio em 1941 – Ed Domingos Alvão, Arq. Fotog. da Sociedade Clemente Menéres, Lda, Porto



Sobre o texto anterior sobre a Quinta do Romeu e com fonte em “quintadoromeu.com” acrescente-se, que, José Meneres, filho mais novo do 1º casamento de Clemente Meneres, lhe sucedeu à frente da quinta, zelando pelo património dela e da região, criando, nesse âmbito, uma cooperativa e uma Casa do Povo com consultório médico, farmácia e biblioteca.
José Meneres tinha a sua vida organizada em torno dos negócios urbanos no Porto, tendo sido gerente durante muitos anos da Companhia Vinícola, criada por si e pelos outros irmãos a partir da Meneres & Cª, estabelecendo depois residência em Vila Nova de Gaia, construindo uma habitação junto à do pai (Quinta da Avenida, em Santa Marinha), onde chegou a ser presidente da Câmara Municipal.
À morte daquele, coube a seu irmão Manuel Meneres (filho do 2º casamento) a tarefa de dar novo impulso ao “Romeu” e às aldeias de Vale de Couço e Vila Verdinho, particularmente no campo da agricultura e da assistência social, com ajudas estatais (Junta de Colonização Interna e Ministério das Obras Públicas).
A Manuel Meneres se deve a criação do Restaurante Maria Rita e do Museu das Curiosidades, onde se guardam relíquias do passado, entre as quais alguns velhos exemplares de automóveis (isto devido ao seu relacionamento com Manuel Alves de Freitas, da Ford, do Porto, de quem se tornou genro).


(Continua)



terça-feira, 13 de novembro de 2018

(Conclusão)


A Companhia não teve só intervenção na área do vinho, fez, também, grandes empréstimos ao governo para obras importantes.
De 1789 a 1792 demoliu o Cachão da Valeira.
Interveio na reconstrução de Amarante muito destruída nas invasões francesas.


Amarante c. 1900

Procedeu à construção da estrada Porto-Mesão Frio-Régua e à construção/beneficiação de outras estradas no Alto Douro, nomeadamente Régua--Santa Marta-Cumieira-Vila Real e Pinhão-Provesende.
Teve, ainda, intervenção decisiva na construção dos cais que contiveram o rio Douro desde da Ribeira até à Foz.
Para isso cederam, dos seus cofres, inicialmente, 400 000 cruzados referentes a acções da Companhia de que se perdera o rasto dos titulares, e recolhendo e aplicando o imposto dos 100 réis por tonelada aplicado sobre as embarcações de comércio que entrassem na foz do Douro (1790-1834).
Com pedra na sua maior parte extraída da pedreira da Arrábida foram levantados os cais, das Padeiras, de Massarelos e a sua marginal, do Ouro e da Cantareira até ao Molhe de Felgueiras.
Foi ainda devido à sua iniciativa que se fundou, em 1803, a Academia Real da Marinha e Comércio da Cidade do Porto (onde hoje está a Reitoria, nos Leões).
Este estabelecimento bem como os que o antecederam nesse local (Aula de Náutica em 1762 e aula de Debuxo e Desenho em 1779) funcionaram debaixo da sua inspecção e administração económica, cabendo-lhe mesmo nomear os funcionários, com excepção dos lentes, professores e substitutos, que propunha sob consulta ao rei.
Em 1831 construiu a Real Casa do Asilo dos Náufragos, na Foz por ordem de D. Miguel I.


Real Casa do Asilo dos Náufragos no Passeio Alegre


A Companhia arrecadava ainda uma série de impostos, tarefa para a qual estava devidamente mandatada pelo Estado.

“Para se fazer uma ideia dos montantes arrecadados pela Companhia em nome do Estado, basta dizer que os rendimentos a cargo da Junta, em 1825, de acordo com os balanços da receita e despesa do Tesouro Público, atingiram 114 032$679 réis, mas, no ano seguinte, tal receita atingiu os 536 432$193 réis, a maior receita do Tesouro Público a seguir às receitas das alfândegas, décima e contribuição de defesa, e contrato do tabaco”.
Com o devido crédito de Fernando de Sousa - Professor Catedrático da Universidade do Porto


Instalações na Rua Azevedo Magalhães em V. N. de Gaia da Real Companhia Velha


A terminar, dá-se conta do que duas personalidades (que narraram um pouco da vida da cidade do Porto) disseram sobre a Companhia, em épocas distintas.







segunda-feira, 12 de novembro de 2018

25.21 Companhia Geral de Agricultura das Vinhas do Alto Douro ou Companhia Velha – Importância Económica


A Companhia Geral das Vinhas do Alto Douro surgiu de uma determinação régia de D. José I e de um sonho de três portuenses.
São eles: Dr. Luís Beleza de Andrade, D. Bartolomeu Pancorbo de Ayala e o dominicano padre mestre Dr. frei João de Mansilha.
Luís Beleza de Andrade convenceu o governador da cidade, ao tempo, António Bernardo Alves de Brito, a informar o ministro de D. José I, da enorme pobreza que grassava nas terras do Alto Douro, onde o pai possuía algumas propriedades e das inúmeras adulterações que o vinho sofria na sua qualidade.
Tendo levado a cabo reuniões com outros produtores daquela região vinhateira, na qual esteve presente o tal Mansilha, decidiram da necessidade de fazer a demarcação das terras onde o vinho era produzido.
Pancorbo seria escolhido para apresentar o projecto em Lisboa, o que foi feito, mas, aquele acabou por sugerir ao Dr. Beleza de Andrade que, dali por diante, fosse ele a dar, pessoalmente, seguimento ao caso.
Beleza de Andrade acabaria por incumbir frei João de Mansilha de proceder a diligências na capital para o que se comprometeu a custear-lhe as despesas que fizesse nesse sentido.
As diligências foram coroadas de êxito no dia 1 de Junho de 1756, chegava ao Porto a notícia da formação da Companhia de que veio a ser primeiro provedor o Dr. Luís Beleza de Andrade.
Eram privilégios da Companhia:





“A Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro recebeu a sua personalidade jurídica pelo Alvará de 10 de Setembro de 1756, formada com o capital de um milhão e duzentos mil cruzados repartido em acções de quatrocentos mil reis cada uma, e propunha-se restituir o bom nome ao vinho do Douro, garantindo a genuidade, elevar o nível de vida da região e sustentar o comércio de exportação do vinho que era um dos mais importantes do Reino.
As vantagens que da sua criação resultaram foram indiscutíveis, introduzindo o regime de demarcação que os franceses também adoptaram quase um século depois (§ XXIX dos Estatutos)”.
Com o devido crédito a “ruisaeguerra.blogspot.com”

Até às lutas ocorridas para estabelecer o liberalismo, de que ressalta como fundamental o Cerco do Porto, a Companhia foi cumprindo as funções para a qual foi destinada.
O rio Douro era sulcado por rabelos que traziam para os cais de V. N. de Gaia, e para os que a Companhia tinha também no Porto, os vinhos para a respectiva comercialização.

“O barco rabelo é uma embarcação portuguesa, típica do Rio Douro que tradicionalmente transportava as pipas de Vinho do Porto do Alto Douro, onde as vinhas se localizam, até Vila Nova de Gaia - Porto, onde o vinho era armazenado e, posteriormente, comercializado.
Sendo um barco de rio de montanha, o rabelo não tem quilha e é de fundo chato, com um comprimento entre os 19 e 23 metros e 4,5 metros de boca. A sua construção, de tábuas sobrepostas, tábua trincada, é nórdica, em comparação com a do Mediterrâneo.
Com uma vela quadrada, o rabelo era manejado normalmente por seis ou sete homens. Quanto aos mastros, os primeiros só usavam um, enquanto que os segundos usavam também um mastro à proa. Para governo, utiliza um remo longo à popa – a espadela. Quando necessário, os barcos eram puxados a partir de caminhos de sirga por homens ou por juntas de bois.
O barco rabelo passou a ter a sua identidade bem definida, a partir de 1792, quando a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, publicou os alvarás e mais documentos que se relacionavam com a notável instituição pombalina. Nessa publicação, conhecida vulgarmente por "Leis da Companhia", encontram-se preciosas informações referentes tanto ao barco como aos seus tripulantes, como ainda ao tráfego a que se destinavam”.
Fonte: “pt.wikipedia.org”


Barco rabelo na Régua


Em 16/8/1833, durante o cerco do Porto, a Companhia viu arder cerca de 16.000 pipas, algumas com vinho antiquíssimo, cujo prejuízo foi de 2.002.378$000, uma avultadíssima verba.
Durante aquele conflito tinha-se formado uma Comissão Administrativa da Companhia, sob a tutela das autoridades liberais, no Porto, que pouco depois deu lugar a uma Junta eleita. Passaria a existir, então, até 1834, um órgão de administração da Companhia, liberal, no Porto, e outro órgão de administração da mesma, miguelista, na Régua, que tinha como provedor Francisco de Sousa Cirne de Madureira.
Em 30/5/1834 saiu o decreto que abolia toda a legislação que lhe atribuía prerrogativas e atribuições, e a extinguia.
Publicou os seus novos estatutos em 4/11/1834 e renovou-os em 7/4/1838.
Com efeito, entre 1834-1838, adoptou a denominação de Companhia dos Vinhos do Porto.
Com dívidas ao Estado e a particulares de vários milhares de contos de reis, dada sua robusta constituição financeira conseguiu sobreviver.
Conseguiu adiar e reestruturar algumas das suas maiores dívidas e receber do estado vários créditos.
Conseguiu, após muitas dificuldades, acabar por pagar a todos os seus credores. 
António Barreto, na sua obra, “Douro”, irá concluir que "extinta" em 1834, "literalmente reorganizada em 1843, a Companhia será definitivamente dissolvida em 1863".
Outros afirmam que a Companhia "passa a desempenhar exclusivamente as funções próprias de qualquer firma comercial".
O certo é que a Companhia, "inoperante e desacreditada, atacada por forças poderosas, como a Associação Comercial do Porto, acabará por ser extinta definitivamente em 1865".
A antiga Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro passa, então, a utilizar o nome de Companhia Velha e resolveu continuar os seus negócios.
Precisando: dado que a Companhia sempre foi uma sociedade por acções ela funcionou sempre até aos nossos dias. Só podemos falar de extinção, renovação, reforço ou redução quanto aos privilégios e poderes concedidos ou delegados pelo Estado a esta Empresa.

(Continua)

terça-feira, 6 de novembro de 2018

25.20 Oficinas de construção de violas e comercialização de instrumentos musicais de cordas


A Guitarra Portuguesa tem uma extensa história no nosso País, na qual surgem, com grande realce, os nomes dos artesãos que, de geração em geração, ao longo de séculos, a têm fabricado. É o caso daqueles que as produziram em oficinas na cidade do Porto, com enorme sucesso.

“O instrumento a que damos hoje o nome, de Guitarra Portuguesa, foi conhecido até ao século XIX em toda a Europa sob os nomes de Cítara (Portugal e Espanha), Cetra e Cetera (Itália e Córsega), Cistre (França), Cittern (Ilhas Britânicas), Zither e Cithren (Alemanha e Países Baixos)”.
Fonte: Pedro Caldeira Cabral, 09/06/2007, Construtores da Guitarra Portuguesa


 “No século XIX já existiam em Portugal muitos mais construtores, instalados um pouco por todo o País e, em particular, na cidade do Porto, onde trabalhavam vários (os mais importantes eram a família Sanhudo) construindo instrumentos com características relativamente aproximadas, naquilo que poderia ser uma espécie de ‘escola’ local. Nesse período também houve estrangeiros na lutherie (construção de violas) nacional, como é o exemplo do francês Pierre Blaisot que aportuguesou o nome para Pedro Blaison e que tinha oficina em Lisboa. Ainda no final do século XIX, as Casas Duarte e Guimarães, duas lojas no Porto, vendem instrumentos feitos por construtores portugueses, mas utilizando etiquetas das próprias empresas, algumas vezes coladas por cima da marca dos verdadeiros autores”.
Fonte: “matriznet.dgpc.pt”


António Duarte foi o mais importante fabricante de guitarras do seu tempo, na cidade do Porto, tendo fundado em 1870 uma oficina na Rua da Bainharia.
Mudou-se depois para a Rua Mouzinho da Silveira, onde abriu uma loja de grande dimensão (do nº 159 ao nº167) e, paralelamente, uma oficina na Rua da Ponte Nova, na qual chegaram a trabalhar 40 homens.
Especialista em escalas, António Duarte construía guitarras (tendo criado o modelo da guitarra portuense), violas, violas braguesas, violões e bandolins. Esteve activo até cerca de 1919. O filho, António Carvalho Duarte, construía também rabecas chuleiras e violinos.
A Casa António Duarte, Sucessores teve o seu tempo áureo nas primeiras décadas do século XX, exportando inclusive para o Brasil.
Posteriormente, verificou-se um decréscimo progressivo nas encomendas. A oficina da Rua da Ponte Nova foi encerrada no final dos anos cinquenta e substituída por uma outra em frente à loja da Rua Mouzinho da Silveira. Em 1965 a loja sofreu uma redução de área, mantendo-se apenas nos números 165 e 167.
Esta grande casa comercial resistiu até final dos anos 90, altura em que foi vendida pelos herdeiros à Casa Castanheira.
O estabelecimento que foi de António Duarte, na Rua de Mouzinho da Silveira, nº 165, já não existe.


No prédio à esquerda, a cerca de uma dezena de metros da Rua da Ponte Nova, ficava o António Duarte, construtor de instrumentos musicais de corda



De entre dos construtores do Porto do início do século XX, salientam-se, José do Nascimento Lopes e António Pereira Cattão, “fabricantes de guitarras de boa qualidade, esmerado acabamento de verniz e decoração cuidada”.
Porém, já no século XIX outros artesãos se tinham evidenciado no fabrico de instrumentos de corda.
Assim:

No século XIX, no Porto

António Teixeira (Activo entre 1817-1820, R. Nova do Almada, guitarras);
Irmãos Antunes (Activos em 1850);
Custódio Cardoso Pereira & Cia (Activo desde 1861);
António J. da Cruz Moura (Activo em 1867, guitarras)
António Duarte (Activo desde 1870/1919, guitarras, violas, rabecas, etc.)
Joaquim da Cunha Mello (Activo de 1870 a 1895)
Júlio Thomaz da Silva (Activo entre 1890-1910, guitarras, violas, etc.)
A. Rodrigues do Amaral (Activo em 1890, guitarras, etc.)
Manuel da Silva Espírito Santo (Activo desde 1895)

Primeira metade do século XX, no Porto:

José do Nascimento Lopes (Entre 1890-1905, guitarras, violas, etc)
Júlio Teixeira (Rua Alexandre Herculano, 198, activo em 1920, guitarras, etc.)
José António Miranda (Viela do Anjo, nº 1, activo em 1955, guitarras)
Domingos Cerqueira da Silva (Rua Costa Cabral, 388, com actividade entre 1901-1980, guitarras, violas, etc.)
Júlio Thomaz da Silva (Activo entre 1890-1910, guitarras, violas, etc.)
A. Rodrigues do Amaral (Activo desde 1890, Porto, guitarras, etc.)
Luís da Cunha Mello (Activo de 1895 até 1912)
Manuel da Silva Espírito Santo (Activo desde 1895)



“António Duarte teve a primeira oficina na Rua da Bainharia, fundada em 1870 e mais tarde mudou-se para a Rua Mouzinho da Silveira nº 165/167 (cuja oficina ainda existe, actualmente gerida por António Couto).
Construia 3 modelos com comprimentos de corda vibrante de 470 mm, 440 mm e 420 mm e utilizava também medidas diferentes para os corpos (35 cm a 27 cm ) e ilhargas que podiam variar entre os 8,5 cm e os 7 cm (máximo) e os 5,5 cm e 4 cm (mínimo).
António Duarte é também conhecido como bom construtor de violinos, rabecas “chuleiras”, violas “braguesas” e bandolins, sendo justamente considerado o criador do “modelo” de Guitarra do Porto, o qual se distinguia do de Lisboa pela sua forma mais arcaica (próxima do perfil das cítaras italianas) e pela cabeça geralmente ornamentada com motivos fitomorficos.
Construiu entre muitas outras, a guitarra da célebre cantora e actriz Adelina Fernandes, onde se pode notar o esmerado fabrico em pau-santo, cercadura da boca com embutidos de madre-pérola e cravelhal em chapa de leque, encimado por escultura representando uma cabeça de bacante, com o cabelo envolto em cachos de uva.
Joaquim da Cunha Mello, também do Porto, foi contemporâneo do anterior, tendo sido sobretudo fornecedor dos estudantes de Coimbra, para os quais realizava guitarras em materiais baratos, fabricando segundo os modelos e medidas de António Duarte.
Criou uma firma, cuja gerência passou a seu filho Luis da Cunha Mello tendo este abandonado a actividade em 1910.
Ainda inserido na chamada “escola do Porto” encontramos Manuel Pereira dos Santos, com oficina em Alfena e mais tarde em Matosinhos, o qual foi premiado com medalha de prata na Expo Universal de Paris em 1889”.
Fonte: Pedro Caldeira Cabral, 09/06/2007, Construtores da Guitarra Portuguesa


O que distingue os três tipos de guitarras existentes em Portugal, ou seja, de Coimbra, de Lisboa e do Porto, reside principalmente, no acabamento da cabeça da mesma.
A de Coimbra possui uma lágrima incrustada, enquanto a de Lisboa, apresenta um caracol.
A do Porto goza de maior liberdade, podendo ter  um dragão esculpido ou uma flor
Os três estilos têm em comum as seis ordens duplas de cordas metálicas.


Guitarra do Porto com acabamento do braço em flor – Ed. “casadaguitarra.pt/”



sexta-feira, 2 de novembro de 2018

25.19 Clube Português de Cinematografia - Cine Clube do Porto (CPC-CCP)


O Clube Português de Cinematografia foi fundado em 1945 por Hipólito Duarte Cardoso de Carvalho (1927-2002), no Liceu Alexandre Herculano, quando ele tinha 17 anos e designado, a partir de 1948, como Cine Clube do Porto.
O clube arranca com 165 sócios, mas em Janeiro de 1947 já eram 216.
O embrião do que viria a ser o futuro Cineclube, que começa com sessões de projecção numa sala do Liceu Alexandre Herculano, passaria, depois, a contemplar um grupo de cinéfilos que em 1944 se passaram a intitular “A República dos Pardais”, e se quotizavam para verem em conjunto filmes de agrado de todos.
Aquele grupo acabaria em 13 de Abril de 1945, fruto de uma reunião acontecida na Rua de Santa Catarina, nº 1252, por dar existência ao Clube Português de Cinematografia.
Era assim extinta “A República dos Pardais”.

"Fundou-se no Porto, O Clube Português de Cinematografia, que tem delegações em Lisboa e Coimbra, e se destina a desenvolver o gosto pelos mais sérios problemas da cinematografia. É seu director, Hipólito Duarte".
In jornal “A Tarde” (Porto), 5 de Maio de 1945


Entre muitos outros intervenientes, destacaram-se no arranque do clube, para além de Hipólito Duarte, Fernando Lavrador, João David, Jorge Tavares, Manuel Ferraz e António Lopes Fernandes.
Impulsionado por Hipólito Duarte (pedagogo, fundador e Director da Escola Industrial de S. João da Madeira, e de 1975 a 1993, professor e presidente do Conselho Diretivo da Escola Secundária Oliveira Martins), em Janeiro de 1946, surge o primeiro Boletim Informativo do Clube Português de Cinematografia, que se denominava PROJECTOR.  Tinha na capa o "Rato Augusto", uma das personagens de um filme de animação de Jorge Tavares.
A 21 de Dezembro de 1946, pelas 21,30 h, iria para o ar o primeiro programa de rádio do Clube Português de Cinematografia que se chamou "VAMOS FALAR DE CINEMA".
Tal aconteceu na Rádio Porto (na Rua dos Clérigos) e foi coordenado por Hipólito Duarte e, posteriormente, também por Guilherme Ramos Pereira.
Os locutores eram, Manuela Delgado, Alfredo Pimentel (na foto abaixo) que era locutor profissional no Emissor Regional do Norte e Hipólito Duarte.
A emissão do programa radiofónico tinha lugar, semanalmente, aos Sábados, pelas 21,30 h.
Posteriormente, mudaria para os Domingos às 14,45 h e, muito mais tarde (1948), passaria a ter uma periodicidade quinzenal às quartas-feiras, às 19,45 h.
Por ele passaram grandes nomes do cinema português em entrevistas como, por exemplo, António Lopes Ribeiro.


Alfredo Pimentel na Rádio Porto


Direcção e Planificação do filme “O Porto Trabalha” - 1947


Na foto acima vemos Manuel Ferraz, Gonçalves Lavrador e Hipólito Duarte. 
Nos anos 50 e 60, é Henrique Alves Costa (1910 - 1988) o principal animador do Cine Clube então instalado no edifício Capitólio, responsável pela divulgação dos filmes, que por razões políticas, eram censurados pelo regime ou que as distribuidoras não consideravam rentáveis, em termos comerciais.


Edifício Capitólio do arquitecto Carlos Neves, na Avenida dos Aliados – Fonte: Google maps


«As finalidades do clube eram defender o cinema em geral e o cinema português em particular; publicar um boletim; realizar sessões exibindo filmes de interesse cine-clubista e tendentes a dar uma boa formação cinematográfica aos associados; e formar uma escola de cinema.
O clube não tinha fins religiosos ou políticos e cobrava uma quota mensal de 2$50 (considerando o efeito da inflação, equivaleria em 2007 a cerca de 0,94 €).»
Fonte: “pt.wikipedia.org”


“Após a fundação do que será o primeiro cineclube do país e um dos primeiros da Europa, o seu trajecto torna-se fulgurante com as suas sessões anti regime. Chega, a certa altura, ter mais sócios que o Futebol Clube do Porto. Após uma temporada sem actividade regular, retoma as suas sessões em 2010 com um filme-concerto no cinema Passos Manuel e sessões quinzenais. No Verão, organiza sessões de Cinema ao Ar livre com vários parceiros. Desde 2013, que mantem em parceria com a DRCN, o projecto de "Cinema na Casa das Artes" com duas sessões semanais”.
Fonte: “facebook.com”

José António Cunha, sócio há muitos anos, seria um dos responsáveis pelo renascimento do cineclube em 2010, depois de um período de inactividade devido a problemas financeiros.
Hoje, o cineclube está sedeado na Casa das Artes (Palacete Vilar d’Allen), na Rua António Cardoso, tendo transitado para aqui, da sua anterior sede na Rua do Rosário, onde os sócios assistiam aos filmes e reuniam em assembleia.


Antiga sede do Cineclube do Porto na Rua do Rosário – Fonte: Google maps


A utilização da nova casa, decorre de um acordo estabelecido com a Direção Regional da Cultura do Norte em 2013.
As sessões do CPC-CCP, após a sua fundação, que se realizaram na Rua Gonçalo Cristovão, no “Grupo dos Modestos”, passariam ainda por outras diversas salas, como sejam as dos cinemas, Passos Manuel e Batalha e ainda pelo Teatro do Campo Alegre, passam, presentemente, na Casa das Artes, integrada na Casa Allen, na Rua António Cardoso.
Aguarda-se a publicação de um livro sobre os 75 anos do CPC-CCP, em 2020.




Em cada sessão exibida, os espectadores levam um folheto personalizado sobre o filme que vão ver – Fonte: Ana Catarina Peixoto (“Observador”-Agosto 2018)

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

25.18 Convento do Carmo dos Carmelitas Descalços e Guarda Nacional Republicana



Após 1833 e com a vitória dos liberais as ordens religiosas seriam extintas em 1834.
Foi o que aconteceu à Ordem do Carmelitas descalços que tinha o seu convento no Carmo, junto da sua igreja em estilo barroco, primitivo e que é monumento nacional desde 2013.
No início do século XVII, em 1622, os frades instalam-se no Carmo e para aqui vêm depois de terem vivido, provisoriamente, na Rua de S. Miguel.
A autorização para se instalarem foi de FIlipe II, e o convento foi começado a construir em 1619.
Era a época em que os carmelitas estavam numa transição e de reformulação da Ordem, pela qual os seus princípios, radicando até aí em formas de actuação peculiares, de tempos de D. Nuno Álvares Pereira, passaram, depois, a seguir os de Santa Teresa d’Ávila.
Entretanto, a igreja dos carmelitas, só alguns anos depois viria a ficar concluída, em 1628, se bem, que, o seu interior, demorasse ainda mais algumas décadas.

«Eu, El-Rey, faço saber aos que este meu alvará virem que, pela devoção que tenho ao hábito dos Carmelitas Descalços, hei por bem de lhes conceder licença para que neste Reino na Cidade do Porto, e nas Villas de Viana, e Thomar, possam fundar três Mosteiros da sua Ordem. Pelo que mando a todas as justiças, oficiais e pessoas a que o conhecimento deste pertencer, que lhes não impeçam de edificar, e fundar os ditos três Mosteiros, que o cumpram, e guardem, e façam inteiramente cumprir, e guardar, como nele se contém. Duarte Correia de Sousa, em Lisboa, 12 de Agosto de 1616»
Fonte: “carmelitas.pt”


Não se conhece qualquer ocorrência de factos relevantes nos anos que se seguiram à fundação do convento, até que, em 1809, o general Soult lá se instalou, servindo-se também do Hospital dos Terceiros, existente, bem perto, na Praça Carlos Alberto.
Depois de derrotado o exército francês pelas tropas portuguesas e inglesas o convento ficou num estado deplorável. Uma parte continuou ocupada pelo exército português e inglês até 19 de Agosto de 1814, e a outra parte pelos religiosos desde 13 de Junho de 1809.
Após a extinção das ordens religiosas em 1834 e 1835, as instalações do convento ficaram abandonadas.

“Em cumprimento do decreto emanado da Regência do Reino, a 9 de Agosto de 1833, a Junta da Reforma Geral Eclesiástica passou a investigar se este convento tinha 12 religiosos. Na verdade eram 18, mas o investigador, com manifesta má-fé, reduziu o número para 11 com o pretexto de que os outros 7 já não eram capazes de levar a vida regular. Deste modo, o convento foi abrangido pelos mandatos régios, que o extinguiram”.
Fonte: “carmelitas.pt”


Em Agosto de 1835 é formada a Guarda Municipal Portuense que se instalará no convento.

“A Guarda Real da Polícia de Lisboa foi criada em 1801 pelo Príncipe Regente D. João, sob proposta do Intendente-Geral da Polícia da Corte e do Reino, Pina Manique, seguindo o modelo da Gendarmerie francesa, que havia sido criada em 1791. De observar que, já em 1793, o Intendente Pina Manique tinha organizado, a título experimental, uma companhia militar de polícia, antecessora da GRP”.


Seguindo-se à Guarda Real de Polícia de Lisboa, foi criada a Guarda Real da Polícia do Porto em 1808.
Em 17/3/1824 foi organizado o Corpo de Cavalaria e Infantaria da Polícia do Porto que não sobreviverá muito tempo, pois, tendo-se colocado por alturas do cerco do Porto ao lado dos absolutistas, contra os liberais, acabaram por escolher o lado dos derrotados e, consequentemente, o caminho para a extinção.
É assim, que em 1835 surge a Guarda Municipal Portuense, com um contingente de 200 homens que, em 1837 é reforçado, de tal modo, que, passa a ser comandado por um oficial de alta patente e dotado com uma força de Cavalaria.


Guarda Municipal perfilada na Estação de S. Bento em 1907


Desde esses tempos, passando por Outubro de 1910 pela Guarda Republicana e, pela Guarda Nacional Republicana (GNR) formada em 3 de Maio de 1911, que a cavalaria jamais deixará de estar presente nas instalações do antigo convento.
Começará por ser o Batalhão nº 5, mas, logo, passará a Batalhão nº 4.
Estas forças militares instaladas no convento tem tido uma participação decisiva na vida da cidade.
Em 31 de Janeiro de 1891 estiveram contra os revoltosos e foram decisivos no abortar da implantação da República, naquela data.
Foi a Guarda Municipal do Porto, o principal responsável pelo sufocar dessa revolta.


Povo esperando em 1907 junto da Escola Médica e Convento do Carmo a chegada de João Franco


Em 1919, seria a força instalada no Carmo a ser o garante da manutenção da República, quando Paiva Couceiro instituiu, por cerca de um mês, a chamada Monarquia do Norte (Janeiro de 1919) que pretendia restabelecer a monarquia.
O comandante do Batalhão do Carmo era o capitão Sarmento Pimentel (14/12/1888 - Mirandela; 13/10/87 - Lisboa) que, mesmo doente, prendeu o oficial do quartel que o substituía e se tinha aliado aos monárquicos, e prenderia, depois, os oficiais revoltosos que se encontravam na Messe da Praça da Batalha.
Sarmento Pimentel estaria presente num outro momento, em 1927, lutando contra as forças que sairiam vitoriosas do golpe de 28 de Maio que conduziram à instalação do Estado Novo, mas, neste caso, sairia derrotado, sendo obrigado a exilar-se no estrangeiro, de onde só regressou, depois de 25 Abril de 1974.
Uma outra figura de relevo que passou por este quartel foi Francisco Costa Gomes que foi o 2º Presidente da República após o 25 de Abril.
Em 1939, seria colocado no quartel do Carmo, já que, pertencia ao ramo de cavalaria.
Em 1944, acabaria por se licenciar em Ciências Matemáticas, bem perto, no que é hoje o edifício da Reitoria e que à data, era Faculdade de Ciências.
Nesse ano seria nomeado capitão de Cavalaria.


Claustro e poço do Convento dos Carmelitas descalços no Carmo – Fonte: “Porto Canal”, In “Os Caminhos da História”


Nos dias de hoje, as instalações estão ocupadas com o Destacamento de Trânsito do Porto, Comando Territorial do Porto, Destacamento de Intervenção (incluindo o pelotão de Cavalaria), Centro Clínico e Instalações da Banda Marcial da GNR.


Nicho com Nossa Senhora do Carmo numa parede do quartel


Vista aérea do Quartel do Carmo com as anteriores instalações da Faculdade de Medicina, à esquerda – Fonte: “Porto Canal”


Na foto acima, à esquerda do que foi o convento, estão as instalações do Instituto de Ciências Bio-Médicas Abel Salazar, onde, presentemente, funciona um Curso Superior de Enfermagem.
Aquele instituto está sedeado na Rua Jorge Viterbo Ferreira, ao Palácio de Cristal.
Entretanto, voltando aos Carmelitas descalços, eles acabariam após a expulsão por regressar ao Porto, estando agora sedeados, na Foz velha.

“ (…) Vencidas não poucas dificuldades, entraram os Carmelitas na cidade do Porto a 6 de Agosto de 1936.
Os Padres Fr. Joaquim de S. Teresa e Fr. Jaime de S. José entraram definitivamente na Foz do Douro, ficando hospedados em casa do benemérito Dr. Sebastião Vasconcelos. Também estiveram alojados durante 2 meses na residência do Dr. Armando Vieira de Castro. Daqui passaram a residir na Rua do Alto de Vila, nº 182 e, a partir de Janeiro de 1943, na Rua de Gondarém, nº 508, freguesia de Nevogilde. «Os Padres, pelo menos o P. Jaime, tomaram conta da capelania de ‘Nossa Senhora de Lourdes’; e creio que foi até isso que motivou em parte o terem alugado a casa da Rua de Gondarém».
Eram capelães das Irmãs Teresianas de Ossó e das Missionárias do Santíssimo Sacramento e de Maria Imaculada (Rua da Cerca). Atendiam igualmente os Irmãos da Venerável Ordem Terceira do Porto (Igreja do Carmo), que tanto interesse haviam mostrado pelo regresso da Ordem a esta cidade, na esperança de que pudessem fixar-se na antiga Igreja dos Carmelitas, anexa ao seu sodalício. Apesar de todas as diligências realizadas neste sentido, não a conseguiu reaver, para restaurar nela a vida carmelitana.
A 16 de Maio de 1950. D. Agostinho de Jesus e Sousa concedeu a licença da fundação. O Definitório Geral deu o seu conhecimento no dia 23 de Junho do mesmo ano.
Em 1971, na casa do nº 508 da Rua de Gondarém, fazendo esquina com a Rua do Crasto, começou-se a construir um novo edifício de 4 andares. Durante a construção, a comunidade habitava um apartamento na Rua Dr. Jacinto Nunes. A parte subterrânea foi destinada à capela. Foi nesta residência que se instalou o Governo da Ordem em Portugal.
A Foz, sempre apetecida, vai crescendo. A Capela torna-se pequena. A necessidade de criar uma Comunidade formativa para os estudantes teólogos é cada vez mais apertada por parte da Ordem. Pensa-se o futuro. A Ordem adquire, mais ou menos a 400 metros, um terreno entalado entre as Ruas de Gondarém e Marechal Saldanha. Entre uma rua e outra construímos.
À face da Rua de Gondarém, com entrada pelo nº 274, construímos o Sector da Comunidade. À face da Rua Marechal Saldanha, o Sector Pastoral e Cultural. No meio dos dois prédios, com entrada pelas duas ruas, situa-se a nova igreja, com capacidade para 600 pessoas sentadas.
No dia 3 de Setembro de 1986 fez-se a inauguração das novas instalações.
O Sector Pastoral dinamiza a Catequese, encontros de formação, Grupo do «Carmo Jovem», Escola de Oração «Stella Maris» e Escola Teológica.
As instalações do Sector Cultural estão ao serviço de várias actividades: ATL dos Carmelitas, Escola de Música, Universidade Douro Sénior, International House, Escola de Bailado”.
Fonte: “carmelitas.pt”



Instalações dos Carmelitas Descalços na Rua de Gondarém