Colégio de Nossa
Senhora da Guia, Liceu da Trindade, Colégio Daniel, Colégio São Carlos, Colégio do Padre Dias e outros
O texto da revista "O Tripeiro", que se segue, dá-nos informação sobre alguns outros colégios onde cursaram alunos que, mais tarde, se tornaram personalidades importantes da cidade.
Texto da revista "O Tripeiro", cortesia de Rui
Cunha
No texto acima é referido o colégio que seria conhecido como Colégio Daniel e que, por certo, seria o "Instituto Portuense" que tinha por um dos sócios um tal Daniel d'Almeida Navarro.
In "Jornal do Porto" de 3 de Outubro de 1859
No texto é ainda referido o Colégio de Nossa Senhora da Guia
que, c. 1859, esteve instalado no palacete do visconde de Veiros, às Águas
Férreas e que, segundo o autor do mesmo, teria passado pelo palacete dos Castro
Pereira, na Rua de Santa Catarina, onde só poderá ter estado até 1866, pois,
nesta data, o prédio é alugado ao Liceu Portuense.
In "Jornal do Porto" de 1 de Outubro de 1864
O Colégio de Nossa Senhora da Guia terá, então, passado para
a Rua de Fernandes Tomás, nº 62, para um prédio onde esteve o Colégio Daniel e onde
viria a instalar-se um outro colégio, que ficou famoso pela sua qualidade de ensino
– o Colégio São Carlos.
Neste local, anos mais tarde, instalar-se-iam os Bombeiros Voluntários Portuenses.
In "Jornal do Porto" de 1 de Outubro de 1870
Num outro texto de “O Tripeiro” série V - ano X, sabe-se
que, aquando da demolição da capela do convento das carmelitas em 1900, foi
procurada uma sepultura antiga de uma freira (incorrupta), numa área próxima à
capela, que antes tinha sido cemitério, sepultura que tinha sido descoberta,
quando aí tinha funcionado o Colégio da Guia.
Pelas informações recolhidas, parece que após a ida c. 1866,
para a Rua de Fernandes Tomás, o Colégio de Nossa Senhora da Guia teria passado
para as antigas instalações do convento das carmelitas.
Em 1901, o Colégio de Nossa Senhora da Guia, destinado à
educação de meninas, vai ocupar, na Rua de Santa Catarina, o palacete
do Castelo (entre a Rua Firmeza e a Rua Gonçalo Cristovão, bem perto do local
em que esteve a Fonte do Canavarro).
As novas instalações são inauguradas no dia 1 de Outubro, daquele ano, sob a direcção de D. Sancha Lagoa.
O colégio, alguns anos depois, passará para a Rua do Moreira, nº 178.
Bilhete-Postal do Colégio Nossa Senhora da Guia
Colégio de Nossa Senhora da Guia, no Palacete do Castelo, na
Rua de Santa Catarina, nº 703 – Anúncio publicado no jornal “A Voz Pública” de
15 de Setembro de 1909
Em 1939, O Colégio de Nossa Senhora da Guia mantinha-se na
Rua do Moreira, nº 178.
Por sua vez, o Colégio
São Carlos, para rapazes, ocuparia, após o abandono do Colégio de Nossa
Senhora da Guia, as instalações na Rua de Fernandes Tomás.
Em 1889, o Colégio de S. Carlos já estava na Rua de Fernandes Tomás, vindo da Rua da Ferraria (actual Rua Comércio do Porto) onde esteve na década de 1860.
O Colégio S. Carlos foi fundado por Carlos Brandão Vasconcelos, em 1860.
Em 1889, o Colégio de S. Carlos já estava na Rua de Fernandes Tomás, vindo da Rua da Ferraria (actual Rua Comércio do Porto) onde esteve na década de 1860.
O Colégio S. Carlos foi fundado por Carlos Brandão Vasconcelos, em 1860.
Colégio de S. Carlos, na Rua da Ferraria, nº 197 – Fonte:
“Jornal do Porto” em 30 de Setembro de 1870
Em 1874, informavam que o Colégio S. Carlos iria mudar para
instalações na Rua de Fernandes Tomás, onde tinha estado o Colégio da Guia.
“Jornal do Porto” de 30 de Setembro de 1874
Anúncio do Colégio São Carlos, no “Jornal do Porto”, em 29
de Setembro de 1889
Em 1908, o Colégio São Carlos estaria, de acordo com cópia
do documento abaixo, numa casa de que era proprietário José Soares Dias Simões,
situada na esquina da Rua de Fernandes Tomás e, daquela que é, hoje, a Rua
Comandante Rodolfo de Araújo, pois, é essa a conclusão a que se chega pela
leitura daquele documento.
Termo de responsabilidade do
mestre-de-obras a executar numa das casas ocupadas pelo Colégio São Carlos em
1908
No documento anterior, o Colégio de São Carlos ocuparia um
prédio com entrada pela Rua de Fernandes Tomás, de que faria parte ainda uma outra
casa, anexa, a intervencionar, que ficaria à face de um caminho que ia daquela
rua, até à Rua de S. Jerónimo (Rua de Santos Pousada).
Ora, como a moradia de Joaquim Soares da Silva Moreira que
também estava no gaveto da Rua de Fernandes Tomás e da Rua do Comandante
Rodolfo de Araújo e ainda da Rua da Duquesa de Bragança (Rua D. João IV),
começou a ser construída em 1904, o Colégio de São Carlos ocuparia uma área de um terreno anexo, àquele onde viria a instalar-se, a partir de 1933, o quartel dos Bombeiros Voluntários
Portuenses, mais propriamente, nas suas traseiras.
Em 1885, o corpo docente do Colégio São Carlos, sito na Rua
de Fernandes Tomás, era assim constituído:
Borges de Avelar e Jacob Bensabat (Professores da Cadeira de
Inglês), Alfredo Maia e Hamilton de Araújo (poesia), Francisco de Faro e
Oliveira (professor da cadeira de literatura), T. de Faria e Silva Dias
(Professores da Cadeira de Desenho), António Vitorino da Mota (Professor da
Cadeira de Introdução), Raposo Botelho (Professor da Cadeira de Geometria),
Augusto Luso (Professor da Cadeira de Geografia), entre outros.
Como alunos, nesse ano, contavam-se:
A. Rodrigues Monteiro, Joaquim Baptista Alves de Lemos, Sá
de Albergaria, Raul Brandão, Fernando Moutinho, José Saraiva, Alexandre Gomes,
Eugénio Teixeira, F. A. de Carvalho Lamas, entre outros.
O ano de 1885, foi aquele em que o colégio de São Carlos,
com a colaboração de alunos e professores, editou o jornal, de número único, “O
Andaluz”, que pretendeu angariar donativos para ocorrer às vítimas do terramoto
acontecido na Andaluzia em Dezembro de 1884.
Após o falecimento do seu fundador, O Colégio S. Carlos foi
dirigido por um tal mestre Aragão.
A ele se refere o escritor e antigo aluno Raul Brandão, na sua obra “Memórias”, vol II, pág. 228.
A ele se refere o escritor e antigo aluno Raul Brandão, na sua obra “Memórias”, vol II, pág. 228.
Raúl Brandão
Durante a segunda metade do século XIX, muitos outros
estabelecimentos de ensino proliferaram pela cidade.
O Liceu da Trindade situava-se junto da igreja da Trindade e viu a luz do dia em 1857, por proposta de Maio desse ano do visconde da Trindade, José António de Sousa Basto, um brasileiro de torna-viagem, que tinha sido presidente da Câmara, entre 2 de Janeiro de 1852 e 31 de Dezembro de 1855.
Sucedeu à inauguração, pela Ordem da Trindade, em 1851, duma escola primária.
O Liceu da Trindade situava-se junto da igreja da Trindade e viu a luz do dia em 1857, por proposta de Maio desse ano do visconde da Trindade, José António de Sousa Basto, um brasileiro de torna-viagem, que tinha sido presidente da Câmara, entre 2 de Janeiro de 1852 e 31 de Dezembro de 1855.
Sucedeu à inauguração, pela Ordem da Trindade, em 1851, duma escola primária.
Uma aula de música seria criada no Liceu da Trindade no seu
ano de fundação por Jacopo Carli, ficando como professor de canto e de piano
das alunas do liceu.
Em 1859, tornou-se Escola de Canto e Piano do Liceu da
Trindade e foi aberta iniciação musical a ambos os sexos.A 8 de Dezembro de 1859, o liceu seria notícia, aquando da inauguração nas suas instalações do retrato de D. Isabel Maria, priora perpéctua e protectora do Liceu.
In “Jornal do Porto”, 21 de Novembro de 1871, p. 2
Homenagem ao fundador do Liceu da Trindade - In “Jornal do
Porto”, 21 de Novembro de 1871, p. 2
O ponto alto ocorreu no Domingo, 24 de Abril de 1910, um grandioso cortejo em honra de Herculano com cerca de 20 mil pessoas, quase 200 bandeiras e estandartes e muitas bandas de música, além das autoridades, desfilam do Palácio à Biblioteca Municipal, onde foi inaugurado um busto em bronze, e foram proferidos alguns discursos.
Durante as comemorações houve sessões no Liceu da Trindade, na Sociedade de Instrução e Recreio Verdi, à Boavista, nas escolas feminina e masculina de Aldoar, onde foram descerrados retratos. À noite, como na véspera, festejos populares na Praça D. Pedro, com iluminações e concertos pelas bandas regimentais.
O Colégio de Nosso
Senhor do Bonfim ou Colégio do Padre Dias, já existia na década de 1860.
Começou por situar-se na Rua de Santo Ildefonso, n.º 408, entre o Largo do Padrão e a Rua do Bonfim, próximo das instalações, nessa rua, ocupadas pelo Liceu Alexandre Herculano.
Mais tarde, mudou-se para o outro lado da mesma rua, para o n.º 225, pegado à farmácia Brochado.
Começou por situar-se na Rua de Santo Ildefonso, n.º 408, entre o Largo do Padrão e a Rua do Bonfim, próximo das instalações, nessa rua, ocupadas pelo Liceu Alexandre Herculano.
Mais tarde, mudou-se para o outro lado da mesma rua, para o n.º 225, pegado à farmácia Brochado.
Daqui, mudou-se para a Rua Formosa, n.º 149, onde esteve o “Club Portuguez”.
Tinha como director o Padre José Loureiro Dias.
Um dos professores deste colégio, José Maria Guedes de Azevedo, saiu para fundar o Colégio de S. Lázaro.
Foram alunos do Colégio de Nosso Senhor do Bonfim, Bento Carqueja, Aurélio da Paz dos Reis, Augusto Gama, Constantino Malen e muitos mais.
Em 1856, pela Rua das Congostas, existia o Colégio de R. Russel.
Publicidade ao Colégio de Santa Maria, no “Jornal do Porto”,
em 01 de Outubro de 1859
Publicidade ao Colégio de Nossa Senhora dos Remédios, no
“Jornal do Porto” de 2 de Outubro de 1870
Publicidade ao Colégio Porto, no “Jornal do Porto”, em 01 de
Outubro de 1876
À Praça dos Poveiros, o Colégio Porto (dentro da elipse a
preto), na Rua de Santo André, nº 18, em planta da época
Publicidade ao Colégio de Santa Catarina, no jornal “A Voz Pública”,
em 30 de Setembro de 1897
Publicidade ao Externato Anselmo Gomes, no jornal “A Voz
Pública”, em 30 de Setembro de 1897
























