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quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

25.220 Farmácias com história

 
Farmácia Moreno
 
No Largo de S. Domingos, mesmo encostado ao local em que esteve a fonte encimada pelo brasão (a Fonte do Largo de S. Domingos) encontra-se, ainda hoje, um estabelecimento icónico. Trata-se da Farmácia Moreno.
 
“A Pharmácia e Drogaria Félix & Filhos começou a funcionar em 1804 no Largo de São Domingos, onde ainda hoje se mantém, como uma “botica” (designação comum no século XIX) que tratava maleitas através da produção e venda de produtos de origem vegetal e mineral, desde pós e ervas a extratos de plantas.
Quando há 210 anos abriu portas, farmácia ainda se escrevia com “ph” e a Moreno ainda não pertencia à família que lhe deu a designação. Em 1928, mais de um século após a fundação, o médico e farmacêutico António Moreno adquiriu o estabelecimento e a farmácia ganhou reputação através da produção de medicamentos e campanhas de publicidade nos jornais da cidade. Fórmulas exclusivas foram produzidas nos laboratórios dos pisos superiores do edifício de cinco andares no centro histórico do Porto, onde havia dezenas de técnicos especializados e onde ainda hoje se conservam em exposição artefactos de outros tempos, como máquinas de misturar pós e de encher pomadas e xaropes.
 
 

Fachada da Farmácia Moreno


 
O laxante Doce Alívio e o calicida Dr. Moreno resistiram aos tempos e hoje são comercializados por todo o País. Tal como noutros tempos o foram os pós indianos Dr. Moreno para a asma, ou as pastilhas vegetais de Moura para os “males de estômago” e outros medicamentos criados de propósito em tempos de guerra, por exemplo, quando havia surtos de doenças venéreas.
Por trás da bela fachada de ferro ao estilo Arte Nova, encimada pelo símbolo de Hígia (taça que representa a cura) com uma serpente (da sabedoria), surgiam fórmulas inovadoras ao longo de décadas. Porém, há cerca de 40 anos, a produção teve de mudar de instalações devido às exigências da legislação, “que obrigou a implementar métodos de fabrico e de controlo mais avançados”.
Com a devida vénia a Sérgio Pires, In Diário de Notícias


 

No fim do século XIX, a farmácia era conhecida por Pharmacia de S. Domingos

 
 
Na década de 80 do século XX a farmácia mudou de mãos, mas os novos donos mantiveram a designação da firma, como Farmácia Moreno que, na sua fachada, apresenta elementos de decoração de estilo arte-nova.
Embora a zona comercial de atendimento público esteja a nível térreo, antigamente a farmácia desenvolvia-se por todos os andares do prédio, pois neles eram confeccionadas as diversas drogas e remédios.
Como curiosidade, O Jornal “O Oriente” em 19 de Fevereiro de 1858 publica um anúncio a Chocolates Medicinais da Farmácia de Félix da Fonseca Moura na Rua de S. Domingos.
 
 
 
Farmácia Estácio
 

A Farmácia Estácio foi inaugurada em 1924 e encontrava-se na Rua de Sá da Bandeira, nº 120.


À esquerda, a Farmácia Estácio, em 1977



 
 

A Farmácia Estácio seria, mais tarde, uma agência bancária - Fonte: Google Maps


 
“A Farmácia Estácio, situada na Rua Sá da Bandeira no Porto, deve o seu nome a Emílio Faria Estácio (1854-1919), farmacêutico da Universidade de Coimbra.
Nos armários da farmácia, estão representados os bustos de ilustres farmacêuticos e químicos, que ocuparam cargos de destaque nas instituições do Porto, no início do século XX. No final dos anos 40, surgem anúncios à balança falante da Farmácia Estácio, tornando-se um ex-libris da baixa portuense dessa época, chegando mesmo a formarem-se filas à sua porta a fim de se pesarem. O cliente subia para a balança e o seu peso era-lhe transmitido por uma funcionária “escondida” no piso inferior. Nos anos 70, a afluência era de tal ordem que existia uma funcionária destacada unicamente para este serviço. Em 1975, um fogo de grandes proporções na Rua Sá da Bandeira, atingiu a Farmácia Estácio e destruiu grande parte do seu interior, incluindo a célebre balança”.
Fonte: portoarc.blogspot

 
Em 1883, Emílio Estácio funda a Farmácia Estácio no Rossio em Lisboa e, em 1888, a Fábrica a Vapor de Produtos Químicos e Farmacêuticos. Foi, ainda, fundador da Companhia Portuguesa de Higiene (CPH) em 1891, onde esteve até 1908 como director. Em 1913, a CPH passou a sociedade por quotas com novos sócios e Emílio Estácio seria afastado, tendo-se estabelecido com uma farmácia na Rua de Santa Marta com o nome de Estácio & Filhos.
Em 1924, a CPH abre uma sucursal no Porto denominada Farmácia Estácio cujo director-técnico é um dos sócios, João Augusto dos Santos.
Em 1926, a Farmácia Estácio do Porto deixa de pertencer à CPH e, em 1943, é feito o primeiro registo no grémio das Farmácias.
Em 1935, já existiam os Laboratórios Estácio do Porto, fabricando produtos “galénicos e injectáveis” sobre a direcção-técnica de Manoel Rodrigues Ferro, assistente da Faculdade de Farmácia do Porto.
Os armários Farmácia Estácio são encimados por medalhões com os bustos de farmacêuticos ou cientistas de destaque da cidade como, Agostinho da Silva Vieira, António Joaquim Ferreira da Silva, Moraes Caldas, Flores Loureiro, Manoel Nepumoceno e Raúl Frias.




Publicidade à balança falante
 
 
 

Reconstituição da Farmácia Estácio, no Museu da Farmácia
 
 
 
Farmácia Lemos
 
 

Farmácia Lemos

 
 

Interior da Farmácia Lemos


 
A Farmácia Lemos situa-se na Praça Carlos Alberto, 31.
A sua fundação data de 1780, pertencendo desde essa época até 1801, aos Frades Carmelitas do Carmo.
Em 1801 (data da fundação do Hospital do Carmo), passou a ser propriedade da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo.
Em 1862, adquiriu-a Joaquim Baptista de Lemos.
Em 1889, associou-se seus filhos António Baptista de Lemos e Joaquim Baptista A. de Lemos.
Em 1892, ficaram só os dois últimos (por falecimento do primeiro).
Em 1928, ficou a ser dirigida pelo sócio António Baptista Lemos e pelo Gerente Técnico J. J. Fernandes Pinto (farmacêutico).
Em 1931, por falecimento de António Baptista de Lemos, ficou seu director Augusto de Lemos.
Em 1963, por falecimento de Augusto de Lemos ficaram directores seus filhos D. Maria de Lurdes de Lemos Rodrigues e António de Lemos. A direcção técnica é exercida por Dr. A. Luís Moreira (Farmacêutico).
Em 1984, adquiriu-a a farmacêutica Maria Idília Gomes Alves de Oliveira como proprietária e Directora Técnica.
Primeiro, em 1991, depois em 2005, sob a mesma direcção, a farmácia é totalmente remodelada.
Pinho Leal refere a botica da ordem no seu Portugal Antigo e Moderno:
“No edificio que defronta com a praça de Carlos Alberto (Feira das Caixas) está o rico hospital da ordem terceira do Carmo, no pavimento superior. Nos baixos, está a botica da ordem, e ricas lojas de commercio”. 
 
Durante muitos anos, a Farmácia Lemos foi conhecida por publicitar e vender a Fosfiofoglicina.
 
 
 

Publicidade à Fosfiofoglicina


 
 
 Farmácia Birra
 
 
Esta farmácia localiza-se na Praça da Liberdade, 124, desde os finais do século XIX, vinda do Largo dos Lóios.

 
 

Farmácia Birra, c. 1933, entre o café Suíço (na esquina, a meio da foto) e o café Central, que estará pronto a encerrar para ser substituído pelo café Imperial

 
 
O edifício da Farmácia Birra, que alberga também o café Suíço, foi intervencionado a partir de 1928.
 
 
 

Anúncio à Farmácia Birra, no jornal República, de 31 de Janeiro de 1932



 

Farmácia Birra  junto ao café Imperial, em 1937, que substituiu o café Central – Fonte: AHMP

 
 
O edifício do café Imperial foi construído entre 1933 e 1936, sendo inaugurado em Maio deste ano.


 
 
Farmácia Vitália
 
 


Farmácia Vitália - Ed. Google Maps


Em 1919, já existia no Porto a “Empresa Vitália”, como laboratório farmacêutico, de acordo com o anúncio publicado no jornal lisboeta “A Imprensa”.
 
 
 

In “A Imprensa” de 2 de Julho de 1919
 
 
A Farmácia Vitália fica situada em plena baixa portuense no velho Palacete das Cardosas, na Praça da Liberdade, 34-37.
As instalações da Farmácia Vitália eram anteriormente ocupadas pelo Banco Pinto da Fonseca & Irmão, que viria a abrir falência em 1932.

 
 

Obras a decorrer no palacete das Cardosas, em 1920
 
 
Sobre a foto acima, diz o Arquivo Histórico Municipal do Porto:
 
“Edifício em obras, da empresa de operações bancárias Pinto da Fonseca & Irmão, na Casa das Cardosas, com outdoor, fazendo publicidade à «revista semanal ABC», produzido pelas Propagandas Caldevilla, vendo-se, ao cimo a Igreja e Torre dos Clérigos.”
 
 
A fachada da Farmácia Vitália é uma incrustação de ferro e vidro, do estilo art-déco, desenhada em 1932, pelos arquitectos Amoroso Lopes (1899-1953) e Manuel Marques (1890-1956).
Foi inaugurada a 25 de Fevereiro de 1933, pela “Sociedade Comercial Farmacêutica, Lda. Desde então, o nome da sociedade mantém-se, mas os sócios têm vindo a mudar.
A direcção técnica começou por ser exercida pelo sócio-gerente Ribeiro da Cunha.


 

Publicidade aos produtos “Vitália”, em 1943

 
 

Pasta dentífrica da Vitália


 

Vitália, em 1972

 
 
Actualmente, a farmácia é dirigida pelo Dr. Armindo Cosme, como director técnico e pelo Dr. Paulo Pinho.


Botica do Hospital Real de Santo António
 
 
 

Botica do Hospital de Santo António


 
“A Botica da foto acima faz parte do Museu do Centro Hospitalar do Porto, que está instalado no Hospital de Santo António
Era ali que funcionava a "Botica do Hospital Real de Santo António", onde se fabricavam os remédios para os pacientes do Hospital e também para venda ao público. Uma sala com um histórico de 200 anos. Onde podemos conhecer o seu desenho oitocentista com um raro conjunto de armários de botica.
Há ainda um espaço dedicado à Farmácia do Hospital Joaquim Urbano, um hospital dedicado à doenças infecciosas. E na sua farmácia eram manipuladas  inúmeros medicamentos destinados principalmente ao tratamento das diversas epidemias que foram surgindo no decorrer da história.
Ali encontramos diversos elementos ligados à produção de vários medicamentos para o tratamento hospitalar destas doenças infecciosas”.
Fonte: “oportoencanta”

 
 

Outras Farmácias e Similares
 
 
A Farmácia Antiga da Porta do Olival situa-se na freguesia da Vitória, no Campo Mártires da Pátria, 122.


 
Farmácia Antiga da Porta do Olival
 
 
 

Interior da Farmácia da Porta do Olival - Ed. “O Tripeiro”



«O primeiro registo referente à nossa farmácia data de 15 de Fevereiro de 1477 quando “um quarto de chão com casa” situado na Porta do Olival foi “emprazado” a um boticário, Afonso Pais, por um período perpétuo.
Posteriormente, em 1825, foi publicado um aviso, em Diário do Goberno do Império do Brasil, referenciando a nossa farmácia como “uma botica da rua de S. Pedro (…)no Porto, dentro da Porta do Olival” na qual “há hum surtimento das verdadeiras pirolas de família, da receita do falecido Boticário António Pereira de Mesquita (…) as quais vender-se-hão muito enconta.”
A farmácia passa ser da família Lemos Ferreira em 2011».
Fonte: farmaciaantiga.pt




A Farmácia Almeida Cunha, Lda - Antiga Farmácia do Bolhão situa-se na Rua Formosa nº 329.
 
 
 
Antiga Farmácia do Bolhão

 
 
“Frente ao Mercado do Bolhão no Porto, a Farmácia Almeida Cunha abriu portas em 1890. Desde logo, notável pela produção de fórmulas originais, a botica de Joaquim Almeida Cunha produzia entre outros alívios um penso gástrico elogiado pelas gentes. Mas, nem só pelo afamado produto a Farmácia do Bolhão se tornou conhecida...
No estabelecimento era possível adquirir curas para muitos outros males como, por exemplo, «a prodigiosa injecção anti-hemorrágica», ou ainda vaidades como a loção para o cabelo. Estas e muitas outras fórmulas alinhadas num verdadeiro tratado manuscrito pelo farmacêutico Almeida Cunha fazem parte do testemunho que constitui o espólio do centenário estabelecimento.
Adquirido em 1996 por Teresa Figueiras, directora e técnica responsável pela Farmácia do Bolhão, o estabelecimento possui importante acervo. Inapropriadas para as exigências actuais do estabelecimento, as vitrines embelezam agora a secção de ortopedia que, desde a data de abertura, foi uma das áreas onde a Farmácia Almeida Cunha mais se notabilizou tendo, de resto, ficado conhecida pelo seu engenho em pôr os «pés direitos» às gentes da Invicta.
Igualmente conhecida era a venda na Farmácia do Bolhão de argila com propriedades terapêuticas. A comercialização deste produto durou até meados dos anos 80 sempre com grande popularidade. No entanto, as normas impostas pela União Europeia e o reconhecimento da ausência de condições para manter esta venda levaram ao fim deste comércio.
Em termos de documentação escrita, a herança do estabelecimento conta com publicações várias do «Formulário e Guia Médico» editado na cidade do Porto, sendo o mais antigo datado de 1935. Aqui podemos ler fórmulas atribuídas à botica situada frente ao Bolhão. No entanto, não é este o livro mais vetusto entre os existentes na Farmácia Almeida Cunha... Essa honra cabe, pelo contrário, à sétima edição francesa do «Formullaire des Nouveaux Remèdes» de 1893, revista pelo Dr. G.Bardet e publicada por Octave Don Editeur”.
Cortesia de ”farmaciaalmeidacunha.com/”




A Farmácia Falcão situava-se na Rua de Santo Ildefonso nº 61, no antigo sítio da Pocinha.
 
 
 
Publicidade à Farmácia Falcão

 
 
Pasta Medicinal Couto, Restaurador OLEX, Petróleo OLEX e Fundação Couto
 

A firma, Flôres e Couto sedeada no Largo de S. Domingos nº 106/108, foi criada no Porto em 1918, pelo gerente de farmácia, Alberto Ferreira do Couto em colaboração com um amigo dentista, que o incentivou a fabricarem uma pasta de dentes.
Em 1931 Alberto Ferreira do Couto, casado com Maria da Conceição Couto, tornar-se-ia o único administrador, sendo a designação alterada para Couto Lda.

 
 

"Farmácia Couto", no Largo de S. Domingos (próximo à Rua Mouzinho da Silveira) - Fonte: Acervo fotográfico de "Couto, S.A"
 
 
 
A fórmula da "Pasta Medicinal Couto" foi registada em 13 de Junho de 1932, altura em que a sua administração da firma subjacente, passa a ser da exclusiva responsabilidade de Alberto Ferreira do Couto. Desde aí que a agora “Couto, Lda.” foi passando de geração em geração, mantendo a tradição e os valores familiares que sempre a caracterizaram.
O produto nasceu para lavar os dentes, visando evitar, nomeadamente, as infecções das gengivas, sendo também importante para combater os malefícios da sífilis, uma doença proveniente de relações sexuais, que “maltratava as gengivas e em consequência os dentes.”
A pasta Couto é elaborada com 15 ingredientes, como água, glicerina, sódio, cálcio, o eugenol (desinfectante com qualidades bactericidas), hortelã-pimenta, mentol ou cloreto de potássio e outros ingredientes.
Após a morte do único proprietário, o negócio manteve-se na família, sendo gerido pelo seu sobrinho Alberto Gomes da Silva, já que a única filha do casal Couto, faleceu ainda jovem.
Em Novembro de 1996, a firma Couto Lda, transforma-se em Sociedade Anónima, alterando o nome para Couto S.A..
Em 2001 a marca nacional “Couto - O dentífrico que evita afeções da boca”, teve um momento em que foi obrigada a alterar, por causa de regras da União Europeia, o nome “Pasta Medicinal Couto” para “Pasta Dentífrica Couto”.
Actualmente, mais de 500 mil bisnagas de pasta “Couto” são produzidas anualmente a partir de uma área da zona industrial da UTIC em Vila Nova de Gaia, sendo que 10 por cento dessa produção segue para exportação. Itália e EUA são os principais destinos estrangeiros do dentífrico.


 

Embalagem da Pasta Medicinal Couto



 

Publicidade à Pasta Medicinal Couto – Fonte: “couto.pt”

 
 
"Palavras para quê? É um artista português e só usa Pasta Medicinal Couto!" – Dizia o anúncio televisivo e das telas de cinema nos anos 70 do século passado, e que ficou na memória de muitos.
Por sua vez o “Restaurador Olex” e o “Petróleo Olex” são produtos para usar no tratamento do cabelo, e eram produzidos há uns largos anos, numa farmácia da Praça da República por um cidadão brasileiro.
Na década de 60 do século passado, Alberto Ferreira do Couto acaba por comprar a farmácia e passa a produzir aqueles produtos.
No que diz respeito ao restaurador, como primitivamente continha acetato de chumbo, foi entretanto proibido o seu uso, e teve que ser encontrada uma nova fórmula para o seu fabrico.

 
 

Embalagens do Olex Petróleo e do Restaurador Olex

 
 

Publicidade ao Petróleo OLEX e Restaurador OLEX – Fonte: “couto.pt”

 
 
Alberto Ferreira do Couto e Maria da Conceição Couto que habitavam desde 1921 até 1963, uma vivenda no nº 2223 da Avenida da República em Vila Nova de Gaia, acabariam por resolver colocar a moradia desabitada à disposição da freguesia de Mafamude para ser utilizada como creche e infantário, tendo-se inaugurado em 1967 o que foi inicialmente denominado “ Regaço de Maria “. O casal Couto decidiu, então, constituir, a 11 de Abril de 1974, uma fundação.

 
«Fundação sem fins lucrativos afectando desde logo à Instituição para além da sua vivenda implantada num terreno com cerca de 4.000 m2 na Avenida da República em Vila Nova de Gaia, um prédio com lojas e oito andares na Avenida de Roma em Lisboa, e um prédio de rés do chão e cinco andares na Rua Duque de Loulé no Porto, ambos totalmente arrendados e cujo proveito das rendas era suficiente para a Fundação cumprir o seu objectivo:  “prestar assistência a crianças pobres ou remediadas, sem olhar a ideias politicas ou confessionais, ou preconceitos de raça ou de cor das assistidas e seus familiares” .
Em 2 de Maio de 1975 é atribuída utilidade pública Administrativa à Fundação Couto, e em 21 de Setembro de 1982 a Fundação passa a estar registada na Direção Geral de Ação Social no Livro 1 das Fundações de Solidariedade social. Com a publicação do Decreto-Lei nº 119/83 de 25 de Fevereiro, a Fundação Couto passa a ter o estatuto de Instituição Particular de Solidariedade Social.
A Fundação Couto celebra então acordos de cooperação com a Segurança Social, inicialmente na valência de creche e Jardim de infância, e posteriormente na Valência de ATL. 
Em 1982 dá-se inicio à construção de dois novos edifícios que vão dotar a Fundação Couto com 9 salas de aulas, refeitório, Ginásio e Piscina.
Mais recentemente em 2005 procedeu-se a uma total remodelação quer dos espaços interiores quer dos espaços exteriores da Instituição, construindo-se de raiz um novo edifício destinado aos serviços administrativos, sala de professores e ludoteca,  sendo que a vivenda original foi objecto de uma reconstrução total que passou pela implosão do seu interior, dando lugar a uma creche para 66 crianças ultra moderna.»
Fonte: “fundaçãocouto.pt”


 

Vivenda na Avenida da República em V. N. de Gaia da Fundação Couto – Fonte: Google maps


 
A “Couto” abriu, em 2018, na Rua de Cedofeita, nº 330, uma loja, onde os portuenses podem adquirir os produtos que conhecem, desde há décadas e onde poderão, os mais jovens, tomar contacto com a história da firma que se encontra plasmada, em diversos “placards”.
Nas prateleiras, estão expostos os produtos que trouxeram fama à “Couto”, acabando por constituir, o conjunto, um autêntico museu da marca.



Drogaria Moura


A muito conhecida Drogaria Moura, sita ao Largo de S. Domingos, nºs 97-101, também comercializava alguns produtos farmacêuticos.
Fundada, em 1851, acabaria por fechar portas no início da 2ª década do século XXI.




Publicidade à Drogaria Moura, no jornal "O Comércio do Porto", em 22 de Abril de 1873





À esquerda, c. 1920, a Drogaria Moura. Visível a catedral e, entre as suas duas torres, a casa do sineiro, que seria demolida em 1927 



Comemoração dos 100 anos da Drogaria Moura



Desde 2009 até 2024, a loja do Largo de S. Domingos esteve ocupada pela Drogaria Moura, em 2014, já por lá estava uma sucursal da Papelaria Araújo & Sobrinho, em 2019, era um pronto-a-vestir e, actualmente, uma casa de artigos de beleza.







quinta-feira, 5 de outubro de 2017

(Continuação 18)

21.19 Palácio de S. João Novo ou Palacete do Costa Lima


Palácio de S. João Novo – Fonte: “gisaweb.cm-porto.pt”



Situado junto a um pano da antiga muralha da cidade, o palácio do Largo de S. João Novo foi mandado edificar, c.1727, por Pedro Costa Lima, casado em segundas núpcias com D. Maria Teresa de Melo e Alvim, fidalgo da Casa Real e administrador da Fábrica dos Galeões do Ouro do Porto, que para aqui veio residir para umas casas que comprou na então Rua de São João Novo, em 1676.
Mais tarde, mandaria construir neste mesmo local um edifício imponente, dentro do tradicional palacete de estilo barroco, com os seus jardins em socalcos e com tanques de água que viriam a ser alimentados pela mina de Arca d'Água.
No local onde se ergueu o palacete havia, em tempos remotos, pequenas casas pertencentes a António Bravo, contratador das enxarcias da cidade do Porto e feitor das ribeiras do Ouro.
Essas casas passaram para o domínio régio e o rei D. Afonso VI fez presente delas, em Julho de 1665, D. Gaspar Cy, natural de Sevilha como serviços prestados no norte de África, mais propriamente, em Marzagão, com a incumbência do pagamento ao Senado da Câmara do Porto, do foro anual de 40 réis.
Como não tinha interesse em fixar residência em Portugal, o sevilhano vendeu, em Outubro de 1665, as casas, a Domingos Antunes Portugal que, em 1676, as venderia a Pedro da Costa Lima.
O Palácio de S. João Novo é um típico exemplar de arquitectura urbana barroca, com os volumes desenvolvidos horizontalmente e fachada sumptuosa, evidenciando a entrada nobre do edifício.
O seu projecto foi durante muitos anos atribuído a Nicolau Nasoni, devido à exuberância dos elementos exteriores, nomeadamente os frontões interrompidos e as volutas. No entanto, actualmente, confirma-se que a traça do palácio foi elaborada pelo mestre António Pereira, vindo de Lisboa, plausivelmente em 1719, para refazer estuques da Catedral e que, haveria de ser chamado para executar o projecto no Recolhimento das Orfãs de Nossa Senhora da Esperança.
A intervenção em S. João Novo seria, então, o seu terceiro trabalho na cidade.



“Com planta em L, dividido interiormente em três pisos, o palácio apresenta uma fachada de dois registos, cujo ritmo é marcado pela repetição de janelas a espaços regulares em ambos os registos. No primeiro, abre-se ao centro o portal principal, de moldura rectangular encimada pela pedra de armas da família proprietária, ladeado por duas janelas com guarda de ferro e moldura em frontão invertido alternadas por porta rectilínea com óculo e frontão. O registo superior possui sete janelas de sacada, das quais seis são encimadas por frontões quebrados e a central, mais alta, é ladeada por volutas na parte inferior. Todas são precedidas por guarda de ferro forjado. À esquerda, foi edificado um corpo menor dividido em três registos, que possui no primeiro porta em arco pleno, no segundo janela semelhante às do primeiro registo do corpo principal e no último registo janela, também em arco de volta perfeita, com guarda de ferro.
Interiormente, o corpo principal possui escadaria central de dois lanços paralelos, que sobe até ao terceiro piso. As salas são cobertas por tecto de masseira”.
Catarina Oliveira, In “patrimoniocultural.pt”



O texto que se segue fala-nos sobre o primeiro responsável pela construção do palácio, Pedro Costa Lima, nascido em Viana do Castelo, na freguesia de Monserrate em 26 de Abril de 1648.


“Além de Administrador da Fábrica dos Galeões do Ouro do Porto, terá exercido igualmente: o cargo de Juíz de Fora e de Vereador da Câmara do Porto, Administrador da Casa da Moeda, Guarda-Mor dos Lastros e Tabacos, Governador da Cidade do Porto, Familiar do Santo Ofício, Cavaleiro na Ordem de Cristo e Fidalgo da Casa Real, por alvará de 13 de Novembro de 1710.
Apesar da escritura do casamento de Pedro da Costa Lima com D. Maria Teresa de Melo e Alvim registar que Pedro da Costa Lima já residia na rua de S. João Novo em 1693, desconhece-se porém, quando começou a residir nas casas sitas na rua de S. João Novo e como as adquiriu. O próprio contrato de obrigação da obra lavrado a 20 de março de 1725 indica que Pedro da Costa Lima pretendia inovar as casas em que residia, sem, contudo, especificar a que corresponderiam as pré-existências da Casa de S. João Novo. Inédita é, porém, uma provisão e petição de Pedro da Costa Lima à Câmara (...) do Porto e ao rei D. João V “sobre a serventia do muro que fica dentro do seu quintal” datada de 27 de setembro a 29 de outubro de 1710. Manuel Álvaro Bessa, um vizinho de Pedro da Costa Lima, pretendia construir umas casas e pretendia usar a muralha e uma das torres de que Pedro da Costa Lima detinha direito, possivelmente para a passagem de recursos materiais e de mão-de-obra. Pedro da Costa Lima, com o intuito de impedir que o seu quintal fosse devassado, pediu licença para tapar uma porta que detinha na muralha.
(…) Em 1725, Pedro da Costa Lima pretendia inovar as casas em que residia, na rua de S. João Novo. No contrato de obrigação da obra, redigido a 20 de março de 1725 – dois anos após a escritura para instituição de vínculo e de morgado – nas suas residências sitas na “rua de S. João Novo”, Pedro da Costa Lima encomenda a feitura da obra aos mestres pedreiros: António da Silva, mestre pedreiro de Perosinho em Gaia, Domingos Pinto e Pedro Pereira, ambos mestres pedreiros de Campanhã do Porto.
(…) Numa idade avançada, a 15 de outubro de 1723, Pedro da Costa Lima e sua mulher, D. Maria Teresa de Melo e Alvim mandaram lavrar uma escritura para instituição de vínculo e morgado de modo a que os seus bens inalienáveis e indivisíveis se conservassem na sua descendência. Devemos atentar no fato de esta escritura intitular-se “Instituição de vínculo, e morgado […]”. Juridicamente, vínculo será o “conjunto de bens constituídos em fundação para fazer face às despesas de uma capela e do respectivo culto.” Morgado corresponde ao “conjunto de bens inalienáveis e indivisíveis legados ao filho mais velho ou, na falta deste, a outras pessoas segundo uma ordem de sucessão estritamente estabelecida.” Contudo, facilmente se encontra a expressão morgadio associado a uma capela. Porém, este documento torna-se peculiar pelo fato de usar os dois termos vínculo e morgado, o que nos sugere que o casal instituidor pretendia distinguir os bens móveis e imóveis que transitariam como morgado pelos herdeiros da família e os bens que ficavam associados à administração de uma capela. Deste modo, aquela escritura, apesar de não descriminar os bens que estariam associados quer ao vínculo, quer ao morgado, impõe-nos uma questão relativa à provável existência de uma capela administrada por Pedro da Costa Lima e sua mulher D. Maria Teresa de Melo e Alvim.
(…) Segundo a escritura, a sucessão do vínculo e do morgado só ocorreria para o sexo feminino, quando não existissem descendentes do sexo masculino”.
Com a devida vénia a Catarina Sousa Couto Soares; In Dissertação realizada no âmbito do Mestrado em História da Arte Portuguesa, 2016


Falecidos que foram os dois filhos de Pedro Costa Lima, Pedro da Costa Lima e Melo, e depois o irmão deste, Miguel da Costa Lima e Melo, Reverendo e Tesoureiro-Mor da Sé do Porto, que terá estabelecido a sua residência na Casa de S. João Novo, uma vez que, ao registo da sua morte a 23 de Março de 1758, é dado como morador na Rua de S. João Novo, os bens existentes por herança, passaram para a sua irmã mais nova e quinta filha do casal instituidor do vínculo e morgado, D. Ana Casimira de Lima e Melo (1702-1792).
Esta havia casado a 8 de Novembro de 1726 com Diogo Francisco Leite Pereira (1698-1768), tendo o casal estabelecido residência no Palácio de S. João Novo.
Como curiosidade o facto de, a partir de 1792, ano do falecimento de D. Ana Casimira de lima e Melo, a Rua de S. João Novo já ser designada por “Largo de S. João Novo”.


Palácio de Álvaro Leite - Desenho de Joaquim Cardoso Vitória Vilanova em 1833



À data do desenho acima, Álvaro Leite Pereira de Melo e Alvim, quarto filho de seus pais, segundo filho varão do casal, sucedeu no vínculo e morgado de S. João Novo. É assim que estes Leite Pereira (que não são os ligados à Casa de Ramalde) entram na história desta casa.
Álvaro Leite Pereira casou com Maria Cristina Faria de quem teve uma filha, que morreu nova e solteira.
Na qualidade de vereador da Câmara, foi quem procedeu à quebra do “Terceiro escudo” no Largo da Feira, em frente da Rua do Loureiro, por ocasião da cerimónia da “Quebra dos Escudos”, realizada após o falecimento do rei D. João VI, ocorrido em 10 de Março de 1826.
O Regimento do Senado, feito na época de D. Manuel I, regulamentou esta cerimónia, que consistia em quebrar os escudos do rei falecido para os substituir pelos do novo monarca. Acabou com a morte de D. Pedro V, em 1861.
O palacete de S. João Novo acabaria por ir ter às mãos de uma sua sobrinha, Maria Helena Leite do Outeiro Pereira de Melo e Alvim, casada com o industrial, Vasco Ferreira Pinto Basto.
Deste casamento houve Joaquim Augusto Leite Ferreira Pinto Basto, casado com Maria das Dores Ribeiro de Faria.
O palacete passou, então, para a posse do filho deste casal, o engenheiro Álvaro Ferreira Pinto, que tendo fixado residência em Lisboa o alugou à Junta de Província do Douro Litoral.




Escadaria do Palácio de S. João Novo – Fonte: “gisaweb.cm-porto.pt”


Vestíbulo do Palácio de S. João Novo – Fonte: “gisaweb.cm-porto.pt”



Durante o Cerco do Porto, Pinho Leal refere que a propriedade tinha sido abandonada pelos seus proprietários e serviu como hospital militar, mas que teria sido devolvida e novamente ocupada pelos proprietários, findo que tinha sido o conflito.
No palacete, em meados da década de 1830, já estava instalada a Typographia Commercial Portuense, que por aqui se manteria por tempo impossível de precisar.
Muito depois, já em pleno século XX, o proprietário da Casa de S. João Novo em 12 de Dezembro de 1942, Álvaro Leite Pereira de Melo Ferreira Pinto, celebrou um contrato de arrendamento com a Junta de Província do Douro-Litoral, para sede e funcionamento, na Casa de S. João Novo, do “Museu Etnográfico do Douro-Litoral” que abriu portas em 1945.
O proprietário começou por recusar uma proposta de compra por 500 contos, acabando por fazer um arrendamento por 2500 escudos por mês. Em 1951, aquela renda foi revista, passando a 4500 escudos.
No primeiro semestre de 1992, o museu encerra, quando era dirigido pelo arquitecto Fernando Lanhas e, no início do novo século, é comprado pelo Estado.
Em 2023, é assinado um protocolo entre a Direcção de Cultura Regional do Norte e a Câmara Municipal do Porto para passar o imóvel para a alçada desta edilidade que, aí, vai instalar o Museu do Livro.



“Sofreu ampliações no século XIX, um incêndio em 1984 e obras de conservação em 2000. Arrendado à Junta distrital do Porto em 1941, em 1945 é inaugurado o Museu de Etnografia e História com peças regionais, originalmente organizado por Pedro Vitorino, permanecendo aberto ao público até 1992. É Imóvel de Interesse Público.”
In balcaovirtual.cm-porto



Sala de Medicina e Farmácia Popular do Museu de Etnografia e História da Província do Douro-Litoral – Fonte: “O Tripeiro”, VI série, ano IX, n.º 12 (Dez. 1969)



O acervo do Museu de Etnografia e História foi depositado em diversos museus com vista à sua protecção.
Diz-se que outra parte daquele espólio teria sido guardada no também desactivado quartel de S. Brás, à Rua da Constituição, ignorando-se o que lhe teria acontecido depois.
Este quartel à data das lutas liberais e do Cerco do Porto era uma fortaleza.
Seria, depois, em complemento ao quartel do Carmo, quartel da Guarda Municipal (por aqui estaria na década de 1870) e sede dos telegrafistas, tornando-se, mais tarde, em Casa da Reclusão da 1ª Região Militar, no ano de 1963.
Em 1993, o quartel foi desactivado pelo Estado-Maior do Exército. A partir desse ano, nunca mais foi dada função alguma ao quartel, quase tão esquecido quanto abandonado. 



Quartel de S. Brás, na esquina da Rua de S. Brás e Rua João Pedro Ribeiro