segunda-feira, 31 de julho de 2017

(Continuação 21) - Actualização em 14/03/2019



Igreja de S. Francisco à esquerda em meados do século XIX


A actual Rua do Infante D. Henrique foi inicialmente chamada Rua Formosa ou Fermosa por D. João I, Rua Nova, Rua Nova de S. Nicolau (em 1788), Rua Nova dos Ingleses (até 1883), Rua dos Ingleses (até 1890). Deixou de ser Rua dos Ingleses em 1890 como reacção de toda a cidade contra a nação inglesa pelo Ultimato.
Na gravura acima pode ver-se a saída do Viático (administração da comunhão aos moribundos, católicos) para assistir a um doente, e o povo ajoelhado, a capela do Senhor dos Passos ainda existente do lado Sul do Convento, o Paço Episcopal não totalmente recuperado das destruições provocadas pelos miguelistas durante o Cerco do Porto e, ainda, a Sé com o relógio entre as torres.



Rua do Infante D. Henrique


Eugénio Andreia da Cunha Freitas escreve: “Entre os anos 1395 e 1405, mandou El-Rei D. João I, o de Boa Memória, abrir uma nova artéria, para enobrecimento da cidade a que tanto queria e onde nascera seu filho Infante D. Henrique”.


Rua Formosa lhe chamou o monarca, “a minha Rua Formosa”… pouco depois começou a denominar-se Rua Nova, tirando o topónimo a outra Rua Nova que de então para cá se passou a chamar, Rua Escura.
Mas teve outros nomes, a Rua Escura. Chamou-se, por exemplo, Rua do Ferro e Rua de Nossa Senhora do Ferro, por aí ficar a capela de Nossa Senhora do Ferro.
A referência mais antiga à Rua Nova, que ficava junto à Sé, vem num documento do cabido portucalense de 1301: "no fim da Rua Escura que antes se chamava Rua Nova".
Durante muito tempo a rua conservou as duas designações de Rua Formosa e Rua Nova.
Concentrando-se em volta da Feitoria Inglesa, iniciada em 1785, o principal comércio portuense, realizado então com negociantes britânicos, passou a rua a denominar-se Rua Nova dos Ingleses, designação que tinha já em 1794, depois só Rua dos Ingleses.
Na Rua Nova de D. João I, ergueram-se as mais nobres casas da cidade daquele tem­po e nelas viveram as mais importantes fa­mílias do Porto.
Nesta rua funcionou no século XV a antiga Bolsa dos Comerciantes num edifício cedido aos mercadores por D. João I para aí ser instalada a primeira Bolsa do Comércio do Porto. Ainda hoje se podem ver as armas de Avis numa das suas paredes.
Reconstruída na época de D. Afonso V, dava também acesso à Casa da Moeda.
Esta Bolsa do comércio sucedeu a uma outra Bolsa de Mercadores instituída por D. Dinis para dar resposta à cidade do Porto e ao desenvolvimento verificado especialmente ao incremento comercial com o estrangeiro, ao longo dos séculos XIII e XIV.
A criação dessa Bolsa de Mercadores, no reinado de D. Dinis, é o mais elucidativo testemunho do desenvolvimento comercial da cidade.
A Bolsa começou por funcionar como uma espécie de seguro marítimo destinado a cobrir os riscos de naufrágio, incêndio ou acção da pirataria então muito activo, nos mares do Norte.



Bolsa dos Comerciantes


No século XVII, havia no começo da rua um cruzeiro, a que chama­vam o Padrão de S. Francisco, por ficar per­to do mosteiro dos franciscanos, à entrada da Rua das Congostas, já desaparecida.
O nome de Rua dos Ingleses prevaleceu até 1890, até ao Ultimato inglês.
A esta rua que era a de maior comércio no séc. XIX, convergiam duas importantes artérias do Porto antigo: a Rua da Alfânde­ga Velha (rua que desce da Rua do Infante para o cais e casa do Almazém) que é a co­nhecida Rua da Alfândega; e a Rua de S. João que começou por se chamar Rua Nova de S. João. O nome de S. João foi-lhe dado, segundo se crê, em homenagem a João de Almada.
Entretanto, muitas outras ruas desapareceram nas imediações, e al­gumas com nomes bem curiosos, como: Vale das Pegas, Calca Frades, Congostas, Oliveiras, Ourivesaria, Forno Velho, Ros­sio d'El Rei, e tantos outros.



Rua Nova dos Ingleses


Rua Nova dos Ingleses, gravura de 1834 do Barão de Forrester


Na gravura acima, pode ver-se que antes da construção do Palácio da Bolsa os negócios, com estrangeiros, especialmente ingleses, eram realizados a céu aberto.


Rua Nova dos Ingleses em 1861


Da gravura acima se conclui que o prédio ao fundo desalinhado ainda existe e, à esquerda, é visível a entrada da Rua das Congostas.


Gravura de T. M. Johnson de 1893, In “O Porto das luzes ao liberalismo”-  Francisco Ribeiro da Silva 

Na gravura acima a Rua do Infante D. Henrique, antes, Rua dos Ingleses, com S. Francisco ao fundo já comunica directamente com a Rua Nova da Alfândega.



Rua do Infante D. Henrique – Fonte: Arquivo Histórico Municipal


Na foto acima a Rua do Infante D. Henrique antes do levantamento da praça com o mesmo nome. De notar as fileiras laterais de árvores.
Nela se vê, também, que a rua se encontrava completamente ocupada por edifícios, alguns ao estilo dos que ainda lá se encontram, mas com uma notável diferença: os primeiros que estão à esquerda da foto foram demolidos c. 1883 para dar lugar ao Jardim do Infante.





Início da Rua das Congostas à esquerda (ampliação da foto anterior)


Na ampliação acima, à esquerda, após a primeira carruagem, vê-se o início da Rua das Congostas.


Vista actual das fotos anteriores já com Jardim do Infante - Fonte: Google Maps


Descarga na Ribeira da 1ª pedra vinda de Sagres para o monumento ao Infante D. Henrique


Lançamento da 1ª pedra do monumento ao Infante D. Henrique


Em 4 de Março de 1894, com a presença de D. Carlos e D. Amélia foi lançada a 1ª pedra do monumento ao Infante D. Henrique, após ter sido benzida pelo Cardeal D. Américo.
À cerimónia assistiram mais de 100.000 pessoas.





Praça do Infante D. Henrique


Na foto acima vê-se o pedestal do monumento ao Infante D. Henrique, mas, ainda sem todas as peças em bronze, pelo que deve ser de 1900 ou do ano anterior.
As palmeiras que se veem na foto, que chegaram a ser dezoito, e que rodeavam a estátua do Infante D. Henrique, seriam cortadas em 28 de Janeiro de 1957 para se poder observar melhor a estátua do Infante e o Mercado da Fruta, Ferreira Borges.


O Infante D. Henrique

O monumento ao Infante D. Henrique do escultor Tomás Costa foi inaugurado em Outubro de 1900 pelo Rei D. Carlos I e D. Amélia.


Carros de bois fazendo os transportes entre a Ribeira e a alta da cidade pela Rua de Mouzinho da Silveira



Rua do Infante D. Henrique

Na foto acima, os prédios ao fundo ao centro viriam a ser demolidos para a abertura do Túnel da Ribeira.


Vista actual da foto anterior – Fonte: Google maps


Rua do Infante D. Henrique – Fonte: Arquivo Histórico Municipal, CMP


Na foto acima de 1900 vê-se a entrada da Rua da Reboleira.

domingo, 30 de julho de 2017

(Continuação 20)



“Santos Pousada, de seu nome completo António José Santos Pousada (1854-1912), foi professor na Escola Industrial de Vila Nova de Gaia e tornou-se paladino de uma causa nobre: tornar acessível a toda a gente a instrução pública, que, nos finais do século XIX, ainda parecia algo utópico.
Envolveu-se também nos ideais republicanos, apesar de só ter vivido 2 anos sob o signo da República. Foi este envolvimento que fez com que, em 1913, o regime recém-vencedor quisesse perpetuar o seu nome na toponímia do Porto.
Num guia da cidade de 1896, podemos ver que esta artéria nascia na Rua do Poço das Patas que foi também Rua do Meio (actual Rua de Coelho Neto) e ia até ao Largo da Póvoa (actual Praça da Rainha D. Amélia), vindo só posteriormente a ser prolongada até à Praça Teixeira de Pascoais”.
Fonte: “manueljosecunha.blogspot.pt”


Santos Pousada “(…) considerado um homem culto e trabalhador, que muito se empenhou na causa da implantação da República, em especial na região do Porto. Em 1904, Santos Pousada pertencia à comissão municipal republicana do Porto. Participou de forma activa nas campanhas contra a Monarquia e na organização do movimento republicano.
Foi ainda um dos propagandistas da mutualidade no norte de Portugal, tendo participado em inúmeras realizações. Foi relator de teses que abordavam a contabilidade e a escrituração das associações de socorros mútuos, no Congresso Regional que se realizou no Porto em 1904. Participou também de forma activa no Congresso Nacional da Mutualidade que se realizou em 1911, na Sociedade de Geografia de Lisboa. Neste congresso foi eleito vogal do Conselho Central da Federação Nacional das Associações de Socorros Mútuos e foi vice-presidente da Comissão Oficial de Reforma do Mutualismo, competindo-lhe a organização dos modelos de escrita que deviam acompanhar o novo modelo de reforma. 
António José dos Santos Pousada destacou-se como jornalista. Colaborou em diversos órgãos da imprensa republicana como Vanguarda, Voz da Beira, Voz da Justiça, Voz de Angola, O Alarme e A Democracia. Era correspondente do jornal República, em Espinho, terra onde vivia e era muito respeitado pela população. Foi ainda o fundador da obra beneficência O Vintém das Escolas.
Pertenceu à Maçonaria, desde 1885(…)”.
In Almanaque Republicano; Fonte: ruasdoporto.blogspot.pt


A antiga Rua de S. Crispim, junto à Ponte de S. Domingos, nas proximidades do, ainda hoje, Largo de S. Domingos, desapareceu quando por meados do século XIX (1852), andava a ser aberta a Rua de Mouzinho da Silveira.
Na sequência desse arranjo urbanístico, foi demolida também a bonita capela de S. Crispim e S. Crispiniano onde a Confraria dos Sapateiros tinha a sua sede, bem como o anexo hospital e albergue de peregrinos existentes desde o século XIV e que se situavam na Rua das Congostas (actual Rua Mouzinho da Silveira, demolidos por ocasião (1874) para abertura daquela artéria. Assim, no ano de 1307, os irmãos, e cidadãos do Por­to, Martim Vicente Barreiros e João Anes Pal­meiro fundaram, "num largo acima da Rua das Congostas, junto ao rio da Vila", uma alberga­ria para peregrinos a que chamaram "dos Pal­meiras".

“A Capela de São Crispim e São Crispiniano, foi transferida e situa-se, desde então, ao cimo da Rua de Santos Pousada, no Bonfim, na cidade do Porto, pertença da mesma Confraria. Está dedicada a São Crispim e São Crispiniano e foi inaugurada em 1878 na Rua de S. Jerónimo, tendo esta, desde 1913, mudado para Rua de Santos Pousada.
S. Jerónimo deve a sua fama ao facto de, a pedido do Papa Dâmaso I, ter traduzido a Bíblia para latim, tradução essa que ainda hoje se usa, a chamada “Vulgata”. S. Jerónimo nasceu no norte de Itália em 374 e, ao longo da sua vida, foi um polemista notável e um opositor às diversas heterodoxias que iam surgindo.
O largo que fica diante da capela e que, na actualidade, tem a designação de Praça da Rainha D. Amélia, chamava-se, naquele tempo, Largo da Póvoa.
A palavra Póvoa, "popula" do latim, significa pequeno povoado. Como havia outra Póvoa, bem perto do actual Largo do Padrão, nas proximidades da Rua das Oliveirinhas, que antes se chamou Rua das Oliveiras, "junto à Póvoa de Baixo", lê-se num documento da paróquia de Santo Ildefonso do ano de 1757, a outra era designada por Póvoa de Cima para se diferenciar, naturalmente, da de baixo.
Quando se reconstruiu a capela de S. Crispim e S. Crispiniano no antiquíssimo Largo da Póvoa, a Municipalidade desse tempo resolveu mudar o nome ao largo que passou a chamar-se Largo de S. Crispim.
Recentemente, já nos nossos dias, voltaram a alterar a denominação ao dar ao largo em questão ao darem-lhe o nome da rainha D. Amélia de Orleães que foi a esposa de D. Carlos I.
A Rua Nova de S. Crispim anda, também, ligada à mudança da capela de junto de S. Domingos para o sítio onde agora está. Evoca o topónimo antigo que o urbanismo ribeirinho fez desaparecer.
Acerca deste assunto resta dizer que o topónimo Póvoa ainda subsiste naquela zona alta da cidade designando uma rua, uma travessa e uma calçada.
Uma confusão frequente é a que diz respeito à Rua da "Bateria", que por vezes é referida como "Rua da Bateria do Cativo". Essa Rua da Bateria, ou Bataria, como o povo diz, evoca uma bateria de artilharia que as tropas Liberais ali instalaram durante o Cerco do Porto (1832-1833).
Na planta das linhas (defensivas) elaborada pelo coronel de Engenharia, F.P.A. Moreira, mais conhecida pela "Planta de Arbués Moreira", esse local vem, efectivamente, designado como "Bateria do Cativo".
Ao contrário do que se chegou a pensar, esta designação nada tinha a ver com o sítio do Monte Cativo situado a uma considerável distância daquele local.
Aconteceu que a bateria foi colocada no ponto mais alto de uma quinta que, em tempos distantes, fora emprazada pela Câmara ao fidalgo Francisco de Sousa Cirne, cuja residência era o edifício onde hoje está a Junta de Freguesia do Bonfim. Este, por sua vez, em 30 de Agosto de 1730, sub emprazou a propriedade mais "uma parcela do prazo do Monte da Forca de Mijavelhas" a José Pereira e mulher.
Quando o terreno em causa começou a ser urbanizado estava na posse de Vicente Francisco Guimarães, por alcunha "o Cativo". Daí o nome dado à bateria da artilharia liberal que ali foi instalada durante o Cerco do Porto”.
Com a devida vénia a Germano Silva


Publicidade à Tipografia Peninsular na primitiva Rua de S. Crispim

A Tipografia e Papelaria Peninsular na Rua Mouzinho da Silveira – Fonte: Google maps


A Tipografia Peninsular como se vê na foto anterior estará bem próxima do seu lugar primitivo, na Rua de S. Crispim onde existiu a capela dedicada a S. Crispim. Ao cimo da Rua de S. João, e à entrada da Rua da Bainharia, pegado à capela ficava  o Hospital de S. Cris­pim, fundado em 1307 por Martim Vicen­te Barreiros e seu irmão João Anes Palmei­ro, ambos cidadãos do Porto. 
Funcionou, primeiro como albergaria para peregrinos e por isso se chamou dos Palmeiras, passando mais tarde a ser admi­nistrado pelos sapateiros, ficando depois disso a ser conhecido por Hospital de S. Cris­pim e S. Crispiniano, padroeiros dos fabri­cantes de calçado. Aliás, junto ao hospital havia uma capela dedicada aos santos protetores dos sapateiros. 
Quando se abriu a Rua de Mouzinho da Silveira (1877), o templo foi demolido e a irmandade de S. Crispim e S. Crispiniano reconstruiu-a no local onde agora se encontra. 


Capela de S. Crispim, actualmente


Hoje a capela está na Rua de Santos Pousada, paredes meias com a Praça Rainha D. Amélia.
Este último topónimo é o que resta da memória daquela personalidade.
Após a implantação da República a família real exilou-se no estrangeiro, e depois do casamento de D. Manuel II com Augusta Vitória Hohenzollern-Sigmaringen, D. Amélia, viúva de D. Carlos I, passou a viver no castelo de Bellevue perto de Versalhes. No fim da 2ª Grande Guerra, Salazar ofereceu-lhe asilo político em Portugal, mas ela permaneceu em França, embora com algumas visitas a Portugal.
Em 25 de Outubro de 1951 faleceu em França com 86 anos, mas, o seu corpo seria transladado para Portugal e, com funeral com Honras de Estado, seria sepultado na Igreja de S. Vicente de Fora no “Panteão Real da Dinastia de Bragança”.


D. Amélia em 1945 – Fonte: restosdecoleccao.blogspot.pt


Na foto acima D. Amélia numa visita ao Dispensário de Alcântara.
Para Norte e contíguo à Praça Rainha D. Amélia desenvolvia-se o sítio do Seixal, de que hoje resta o topónimo Rua do Seixal.


Praça Rainha D. Amélia em 1960 no gaveto da Rua de S. Crispim com a Rua Coutinho de Azevedo

sábado, 29 de julho de 2017

(Continuação 19) - Actualização em 08/01/2019

Revolta de 31 de Janeiro de 1891 e Revolta de Fevereiro de 1927

Em 1784, o presidente da Junta das Obras Públicas era João de Almada e Melo que morreu dois anos depois, não tendo chega­do a assistir ao começo das obras do levantamento desta rua, que só se iniciaram, efectivamente, em 1805.
O pró­prio filho de João de Almada, o Francisco de Almada e Mendonça, que deu continui­dade a muitas obras começadas no tempo do pai, não viu o início da construção da rua porque morreu prematuramente em 1804. 
A Junta das Obras Públicas tinha numa sessão de 1784, decidido, então, construir a Rua Nova de Santo António , em cuja acta se lia: 

“...entre o Bairro de Santo Ildefonso e o do Bonjardim, se deviam abrir duas ruas de comunicação entre estes dois bairros na forma da planta que se acha delineada sobre o plano extraído do terreno intermédio. Que a primeira dessas ruas deve principiar a sua abertura na frente do pátio da Igreja dos Congregados e seguir a sua direcção em linha recta a desembocar na frente da Igreja de Santo Ildefonso…cujo declive se suavizará alteando o seu pavimento do princípio dela, e rebaixando o que for necessário no seu fim”.

Por ter começado a ser construída "em frente ao pátio da igreja de Santo António dos Congregados" a rua começou por se chamar Rua de Santo António o Novo. Esta designação tinha razão de ser.
O “Novo” para não ser confundida com uma outra rua bem mais antiga, a de Rua de Santo António da Picaria.
A Rua de 31 de Janeiro (em homenagem à Revolução Republicana) que se chamou antes Rua de Santo António dos Congregados ou Rua de Santo António o Novo, nome pelo qual ainda é conhecida, resultou então duma decisão de 1784, e seria construída sobre um conjunto de estacas e arcos, para dar passagem à mina do Bolhão e, também, para vencer o declive do terreno.
Na parte mais baixa da rua, ou seja, junto da embocadura com a Rua de Sá da Bandeira que, antes, era o prolongamento da Rua do Bon­jardim, foi montado um sistema de estaca­ria para facilitar o escoamento de um cano de água que, proveniente da mina do Bolhão (que vai mais à frente dar origem ao rio da Vila) se destina­va ao abastecimento do entretanto demo­lido mosteiro das monjas beneditinas de S. Bento de Ave Maria que ficava, onde agora está, a estação ferroviária de S. Bento.
Como é fácil de imaginar, tendo em con­ta a topografia do terreno, a construção da nova rua não foi tarefa fácil.
Por exemplo, os prédios que se construíram nos dois la­dos da rua têm a curiosidade de serem mais altos nas traseiras do que na parte da fren­te, por causa da profundidade a que tiveram de ser cavados os alicerces, devido ao desnível do terreno. Daí deriva uma outra curiosidade que é a existência por baixo desta artéria de quatro túneis, hoje pratica­mente impercetíveis. Devido ao acentua­do desnível que o terreno apresentava, quando a rua foi delineada, houve necessi­dade de erguer também, muros de suporte, e de pro­ceder a aterros para tornar a encosta mais suave.
Com a construção daqueles túneis, possibilitou-se a ligação da parte do lado da Rua da Madeira com o lado oposto, que comunicava com as traseiras do edifí­cio do Teatro de Sá da Bandeira e, daqui, com a Rua de Passos Manuel.
Os túneis já não são visíveis, mas, é possí­vel, descendo a Rua da Madeira, aperceber-mo-nos dos sítios em que foram construí­dos.
Por exemplo: um desses locais serviu, durante muitos anos de depósito de máqui­nas industriais; noutro funcionou um ar­mazém de bananas; uma marca de águas minerais teve também o seu armazém num outro túnel; e
no túnel que ficava mais perto do fim da rua, para quem a desce des­de a Praça da Batalha, funcionou um restau­rante.
É fácil identificar as entradas desses anti­gos túneis, porque apresentam a forma ar­redondada na parte superior comum a to­dos os túneis que se conhecem.
Os túneis existentes debaixo da Rua de 31 de Janeiro, durante a revolução de Feverei­ro de 1927 serviram para algumas famílias escaparem à artilharia da serra do Pilar. Os ornamentos com que vistosamente se or­namentava a rua em dias festivos eram também neles guardados até voltarem a ser utilizados.
O projeto inicial da nova artéria previa, ainda, que sensivelmente a meio, se construísse uma praceta.
Aí por 1851 o espaço onde esse logradouro devia ser construído ainda não tinha casas. Na altura esse espaço tinha a forma de um quadrado e era guarnecido com parapeitos de pedra que permitiam ver, em baixo, de um lado, os quintais das casas da parte baixa da Rua de Sá da Bandei­ra e, do outro lado, a antiga Calçada da Te­resa, hoje Rua da Madeira e o pano da mu­ralha fernandina que descia da Batalha e li­mitava a cerca do convento das freiras.
A praceta não chegou a ser feita. 
A Rua Nova de Santo António passou a chamar-se finalmente, em 30 de Agosto de 1874, Rua de Santo António, dado o desaparecimento de Rua de Santo António da Picaria.
Em 1910 recordando a Revolta do Porto, passou a ser a  Rua 31 de Janeiro, mas, em 1940 a C.M.P. repôs o anterior topónimo de Rua de Santo António. Por fim, após a revolução de 25 de Abril, voltou a chamar-se Rua de 31 de Janeiro.
A Revolta de 31 de Janeiro de 1891 foi o primeiro movimento revolucionário que teve por objectivo a implantação do regime republicano em Portugal. A revolta teve lugar na cidade do Porto e teve esta rua em plano de destaque.
No dia 31 de Janeiro de 1891, na cidade do Porto, registou-se um levantamento militar contra as cedências do Governo (e da Coroa) ao ultimato britânico de 1890 por causa do Mapa Cor-de-Rosa, que pretendia ligar, por terra, Angola a Moçambique.
A 1 de Janeiro de 1891 reuniu-se o Partido Republicano em congresso, de onde saiu um directório eleito, constituído por: Teófilo Braga, Manuel de Arriaga, Homem Cristo, Jacinto Nunes, Azevedo e Silva, Bernardino Pinheiro e Magalhães Lima.
Estes homens apresentaram um plano de acção política a longo prazo, que não incluía a revolta que veio a acontecer, no entanto, a sua supremacia não era reconhecida por todos os republicanos, principalmente por aqueles que defendiam uma acção imediata. Estes, além de revoltados pelo desfecho do episódio do Ultimato, entusiasmaram-se com a recente proclamação da República no Brasil, a 15 de Novembro de 1889.
As figuras cimeiras da "Revolta do Porto", que sendo um movimento de descontentes grassando sobretudo entre sargentos e praças careceu do apoio de qualquer oficial de alta patente.
Assim, foram o capitão António Amaral Leitão, o alferes Rodolfo Malheiro, o tenente Coelho, além dos civis, o Dr. Alves da Veiga, o actor Miguel Verdial e Santos Cardoso, além de vultos eminentes da cultura como João Chagas, Aurélio da Paz dos Reis, Sampaio Bruno, Basílio Teles, entre outros, aqueles que tomaram as rédeas da revolta.
Esta tem início na madrugada do dia 31 de Janeiro, quando o Batalhão de Caçadores nº 9 (sedeado no convento de S. Bento da Vitória), liderados por sargentos, se dirigem para o Campo de Santo Ovídio, hoje Praça da República, onde se encontra o Regimento de Infantaria 18 (R.I.18). Ainda antes de chegarem, junta-se ao grupo, o alferes Malheiro, perto da Cadeia da Relação; o Regimento de Infantaria 10, liderado pelo tenente Coelho; e uma companhia da Guarda Fiscal. Embora revoltado, o R.I.18, fica retido pelo coronel Meneses de Lencastre, que assim, quis demonstrar a sua neutralidade no movimento revolucionário.
Os revoltosos descem a Rua do Almada, até à Praça de D. Pedro, (hoje Praça da Liberdade), onde, em frente ao antigo edifício da Câmara Municipal do Porto, ouviram Alves da Veiga proclamar da varanda a Implantação da República. Acompanhavam-no Felizardo Lima, o advogado António Claro, o Dr. Pais Pinto, Abade de São Nicolau, o Actor Verdial, o chapeleiro Santos Silva, e outras figuras.
Verdial leu a lista de nomes que comporiam o governo provisório da República e que incluíam: Rodrigues de Freitas, professor; Joaquim Bernardo Soares, desembargador; José Maria Correia da Silva, general de divisão; Joaquim d'Azevedo e Albuquerque, lente da Academia; Morais e Caldas, professor; Pinto Leite, banqueiro; e José Ventura Santos Reis, médico. 


Quartel de Infantaria nº 18 à Praça da República - Ed. Estrela vermelha


Foi hasteada uma bandeira vermelha e verde, pertencente a um Centro Democrático Federal. Com fanfarra, foguetes e vivas à República, a multidão decide subir a Rua de Santo António, em direcção à Praça da Batalha, com o objectivo de tomar a estação de Correios e Telégrafos.
No entanto, o festivo cortejo foi barrado por um forte destacamento da Guarda Municipal, posicionada na escadaria da igreja de Santo Ildefonso, no topo da rua. O capitão Leitão, que acompanhava os revoltosos e esperava convencer a guarda a juntar-se-lhes, viu-se ultrapassado pelos acontecimentos. Em resposta a dois tiros que se crê terem partido da multidão, a Guarda solta uma cerrada descarga de fuzilaria vitimando indistintamente militares revoltosos e simpatizantes civis. A multidão civil entrou em debandada e com ela, alguns soldados.
Os mais bravos tentaram ainda resistir. Cerca de trezentos barricaram-se na Câmara Municipal, mas por fim, a Guarda, ajudada por artilharia da serra do Pilar, por Cavalaria e pelo Regimento de Infantaria 18, sob as ordens do chefe do Estado Maior do Porto, General Fernando de Magalhães e Menezes força-os à rendição, às dez da manhã. Terão sido mortos 12 revoltosos e feridos 40.
Alguns dos implicados conseguiram fugir para o estrangeiro: Alves da Veiga iludiu a vigilância e foi viver para Paris: o jornalista Sampaio Bruno e o advogado António Claro alcançaram a Espanha, assim como o Alferes Augusto Malheiro, que daí emigrou para o Brasil.


Croquis de L. Freire sobre o bombardeamento dos Paços do Concelho no 31 de Janeiro de 1891 - Ed. “O Occidente n.º 437 11de Fevereiro de 1891


Os nomeados para o "Governo Provisório" trataram de esclarecer não terem dado autorização para o uso dos seus nomes. Dizia o prestigiado professor Rodrigues de Freitas, enquanto admitia ser democrata-republicano:
"mas não autorizei ninguém a incluir o meu nome na lista do governo provisório, lida nos Paços do Concelho, no dia 31 de Janeiro, e deploro que um errado modo de encarar os negócios da nossa infeliz pátria levasse tantas pessoas a tal movimento revolucionário."

A reacção oficial seria como de esperar, implacável, tendo os revoltosos sido julgados por Conselhos de Guerra, a bordo de navios, ao largo de Leixões: o paquete Moçambique, o transporte Índia e a corveta Bartolomeu Dias.
Para além de civis, foram julgados 505 militares. Seriam condenados a penas entre 18 meses e 15 anos de degredo em África cerca de duzentas e cinquenta pessoas. Em 1893 alguns seriam libertados em virtude da amnistia decretada para os então criminosos políticos da classe civil.
Em memória desta revolta, logo que a República foi implantada em Portugal, a então designada Rua de Santo António foi rebaptizada para Rua de 31 de Janeiro, passando a data a ser celebrada, dado que se tratava da primeira de três revoltas de cariz republicano efectuadas contra a monarquia constitucional (as outras seriam o Golpe do Elevador da Biblioteca, e o 5 de Outubro de 1910).


À esquerda está o Convento de S. Bento da Ave-Maria

Na foto acima ainda podemos ver um troço da muralha Fernandina.
Este tramo da muralha, a Norte do convento, foi destruído juntamente com ele. 
À sua direita ficava a Viela da Madeira e a Calçada da Teresa, personagem desconhecida e que desencadeia polémica entre os historiadores. Já vimos referidos os nomes de Calçada de Santa Teresa, de Calçada de D. Teresa e Calçada da Teresa. Era a ligação a Cima de Vila, antes da construção da Rua Nova de Santo António. Junto da muralha de frente para os Congregados, ficava o Botequim do Frutuoso, um dos primeiros do Porto.

Rua da Madeira

A actual Rua da Madeira, antigas Calçada da Teresa e Viela da Madeira, observada do lado Nascente, na foto acima.
Antes da construção da Rua Nova de Santo António, era por ali que se fazia o trânsito de pessoas entre Cima de Vila e a Porta dos Carros.


Projecto de fachadas


“A sua construção, como é fácil de imaginar, foi um tanto difícil devido à natureza ou topologia do local. Basta dizer que, os prédios nela erguidos têm mais andares para as traseiras do que para a frente, em vista da fundura em que os alicerces tiveram de ser cavados. Por esse motivo, foi a rua, em alguns pontos, assente em fortes arcadas de pedra que, por baixo, davam – e dão ainda- passagem de um para o outro lado. Na embocadura, teve de fazer-se uso de estacaria, por se espraiar até ali a chamada “mina do Bolhão” que abastecia de água o Convento de Ave-Maria”. 
O Tripeiro Série VI, Ano IV.

Devido a todas as dificuldades de construção a rua só foi concluída em 1805, já depois da morte de Francisco de Almada e Mendonça. 



Rua de Santo António antes de 1852



“Mais uma curiosidade da Rua de 31 de Ja­neiro. Na frontaria do prédio com o núme­ro 230 existiu até há relativamente pouco tempo uma argola de ferro. Para prender os cavalos dos clientes da casa, julgava muita boa gente. Mas não. Nos baixos do edifício funcionava, nos finais do século XIX, um estabelecimento do Miguel Toucinheiro que todas as manhãs trazia com ele "uma linda e asseada jumenta" que prendia na re­ferida argola e cujo leite era vendido ali ao público interessado”.
Autor desconhecido





Tabacaria Africana (antes de 1910) ao cimo da Rua de Santo António


Olhar sobre a Praça da Batalha após 1910, pois a placa toponímica fixada na Tabacaria Africana indica a Rua 31 de Janeiro – Ed. Alvão


Tabacaria Africana com perspectiva sobre a Rua de 31 de Janeiro



Tabacaria Africana após 1952 quando a fachada metálica foi substituída pela desta foto


Mesma perspectiva da foto anterior da Tabacaria Africana actualmente – Fonte: Google maps


“Tabacaria Africana – esquina da Rua de Santo António e Praça da Batalha – Pertenceu a António de Almeida Campos até 1902 e foi trespassada a Alberto Vieira da Cruz. Além de vender todos os artigos ligados ao tabaco, editava lindíssimos postais de costumes portugueses.
Infelizmente a rica frontaria foi destruída há poucos anos”.
In portoarc.blogspot.pt 




Pegado à Tabacaria Africana na direcção da Praça da Batalha esteve a “Casa Fígaro”.


Casa Fígaro e Tabacaria Trindade c. 1900 – Ed. Foto Guedes





Na foto acima, é observável a fachada do edifício da Casa Fígaro (cabeleireiro, calista e perfumaria de homem e mulher) e da Tabacaria de A. Trindade & C.ª Sucessores, na Praça da Batalha, 141-143. À direita aparecia a Tabacaria Africana.


Tabacaria Trindade




Rua de Santo António em 1907

Na foto acima de 1907, o edifício na esquina, à direita, ainda não tem a fachada característica da Ourivesaria Reis.


Rua 31 de Janeiro em 1905

Rua de Santo António - Ed. Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa

A foto acima é de 1925 e nela se vê que os veículos ainda circulam “à inglesa”, pois, a circulação pela direita só se verifica a partir de 1 de Junho de 1928.
A Rua de Santo António ficaria também ligada a outra revolta importante ocorrida na cidade e que seria votada ao insucesso.
Entre 3 e 9 de Fevereiro de 1927, o Porto foi palco de uma rebelião militar liderada pelo general Sousa Dias. Foi a primeira tentativa consequente de derrube da Ditadura Nacional que então se consolidava em Portugal, na sequência do golpe de 28 de Maio de 1926.
A intentona terminou com a rendição e prisão dos revoltosos e saldou-se em cerca de 80 mortos e 360 feridos no Porto e deu início ao período chamado “ O Reviralho”.


Revolta de 1927 na Rua de Santo António

A trincheira da morte ao cimo da Rua de Santo António na revolta de 1927 - Ed. monumentosdesaparecidos.blogspot


Trincheira na Sé no acesso à ponte Luís I  na revolta de 1927 - Ed. monumentosdesaparecidos.blogspot

Embarque junto da Estação das Devesas em V. N. de Gaia para o Porto a 5 de Fevereiro de 1927 - Ed. Ferreira da Cunha, Arquivo Municipal de Lisboa


Conjuntamente com a Rua dos Clérigos e a Praça de D. Pedro, depois, da Liberdade, a Rua de Santo António/31 de Janeiro, ganhou foros de excelência. Era a artéria onde imperavam os luveiros, as alfaiatarias e os cabeleireiros da moda.
O texto seguinte dá-nos uma ideia da vida comercial que se vivia na rua.

Nos meados do século XIX havia no Porto sete estabelecimentos que vendiam luvas, quando estas constituíam um adereço quase obrigatório do vestuário. Estavam todos na rua então chamada de Santo António. A avaliar pelos nomes dos proprietários, cinco dessas lojas pertenciam a franceses (Bernard, Fresquet, Loubié, Martel e Bénard), um espanhol, Vicent e uma portuguesa, Maria Martins.
Um dos mais célebres estabelecimentos que funcionaram nesta rua foi a Casa Prud'homme uma "mercearia fina" pertencente, claro, a um cidadão francês. Neste estabelecimento vendiam-se os melhores queijos do país de origem do dono, bem como os mais apreciados champanhes. Era frequentado pela melhor sociedade portuense daquele tempo, como o presidente da câmara Oliveira Monteiro, o médico Ricardo Jorge, ou o escritor Camilo Castelo Branco”.
Fonte: “pt.wikipedia.org”


Vicent (antes) uma loja emblemática



Vicent no nº 174 (depois) 

Antes do Vicent esteve aqui a Ourivesaria Miranda & Filhos


Casa de Banhos

Na Rua de Santo António, existiu uma famosa casa de banhos aberta em 1866, recebia água do manancial de Camões conduzida por mina construída propositadamente. Foi fechada em 27/9/1909. 
Era esta, uma rua tradicional neste ramo de negócio, pois, em 27 de julho de 1854 era feito o “Anúncio no jornal “O Porto e a Carta”:

 “…de banhos na R. de Santo António, que a partir do dia 15 vão ter “água do mar quente”.

A esta casa de Banhos se refere Camilo Castelo Branco no romance “A Brasileira de Prazins, nos seguintes termos:

“O autor teve relações muito saudosas com este venerando sacerdote, que em 1851 residia num antigo casarão da Rua de Santo António, que depois se transformou em casa de banhos. Por esse tempo, se congregavam ali os homens eminentes, por inteligência e haveres, do partido realista. Neste ano, padre Luís de Sousa passava os seus dias rodeado de pergaminhos, imobilizado numa poltrona, gemendo as dores da gota. Morreu muito pobre e muito desamparado”. 

Segundo Camilo em 1851 a casa aí existente era a morada do padre Luís de Sousa, que era correspondente no Porto do exilado D. Miguel.

Mesmo local da foto anterior - In site Monumentos Desaparecidos



Em fins do século XIX existia nesta rua uma chapelaria chamada “Chapéu Elegante” cujo dono, em 1895, começou a adoptar o sistema de preço fixo nos seus artigos.
No dia 2 de Março de 1905, abriu a “Joalharia Miranda, Filhos & Duarte”, cujas instalações se impunham pelo seu gosto artístico. A fachada que ainda hoje, felizmente, pode ser vista, é de ferro fundido estilo Luís XV.
O termo portuense  “isso é bera!” pretendendo depreciar alguém ou alguma coisa radica no facto de ter existido na Rua de Santo António, uma loja que vendia joias falsas e que se chamava “Bera Diamond Palace”. Durante alguns anos foi um sucesso comercial. Pertenceu a uma estrangeira chamada Bera.
Por fim uma referência à “Farmácia Central”.


Publicidade à Farmácia Central

O hipotético Mr. Lencart, “prestigioso farmaceutico parisiense”, não era senão o inteligente Sr. Álvaro Salgado, dono da Farmácia Central, no nº 203, e que LENCART era um anagrama de CENTRAL. A verdade é que deve ter vendido milhares e milhares de caixas de rebuçados e de pomitos, um creme para todas as ocasiões.




Ourivesaria Machado que antes esteve na Rua do Loureiro



O mesmo local, antes e depois da abertura da Rua Sá da Bandeira (à esquerda)


Em frente está a Rua Sá da Bandeira

Na foto anterior, a confeitaria Palace em 1930, no gaveto das Ruas de Sá da Bandeira e de Santo António.

Ourivesaria e Joalharia Âncora em 1960