quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

(Continuação 4)

Cartas do Barão de Forrester

As cartas que se seguem foram publicadas em 1854 no jornal “O Commercio”, futuro "O Comércio do Porto", que tinha sido fundado em Junho daquele ano, narrando uma viagem pelo rio Douro do Barão de Forrester, tendo sido extraídas do blogue “aportanobre.blogspot.pt.”
No fim de cada carta estão alguns comentários nossos.


Primeira Carta do Barão de Forrester - 11  de Setembro de 1854

Quem quer seguir viagem do Porto pelo rio Douro acima, deve lembrar-se que até Pé de Moura quase nunca no Verão os barcos carregados poderão passar sem maré, e ainda que a nossa barquinha não levava o que se pudesse chamar carga, contudo os arranjos de camas, baús e mais utensílios próprios ou necessários para uma longa viagem, bem como a tolda, os armários, beliches, mantimentos, etc. pesavam, pelo menos, metade da lotação do barco que era de nove pipas – escolhemos por conseguinte a hora da maré, que deitava das 3 para as 4 horas da tarde para a nossa saída de hoje. 
Também ainda que não somos astrólogos nem sabemos calcular bem as mudanças do tempo, temos tal ou qual fé nas diferentes fases da Lua – e como há 15 dias a esta parte sempre tivemos vento Leste fortíssimo, entendemos que este quarto de Lua crescente nos poderia favorecer, e com efeito assim aconteceu porque não somente podemos aproveitar a maré mas tivemos vento pela popa. 
Chegamos às 8 horas e meia a Carvoeiro, 3 léguas e meia da cidade, andando à razão de 3 quartos de légua por hora.
O leito do rio Douro até este ponto é uma pouca de areia – o canal para a navegação é estreitíssimo e actualmente na maré baixa apenas trás de 2 a 3 palmos de água. Estas areias depositam-se todos os anos com as enchentes do rio, e as marés de Verão concorrem para a sua conservação. Assim tem acontecido desde que os Fenícios se estabeleceram em Portugal – e pelo que se vê, a arte, a ciência, e o mecanismo não puderam remediar o mal! – ao menos pelo que vemos, não parece ter havido tentativa alguma para este fim. 
Pela margem esquerda notamos as pequenas povoações de Quebrantões – Oliveira – Espinhaça de Avintes – Arnelas – Crestuma e Carvoeiro, e pelo lado direito Campanhã, Valbom, Gramido, Atães, Sousa, Gibreiro, Esposar, Lixa e Pombal. 
Quebrantões é notável por ser o sítio onde na guerra peninsular, os exércitos luso-britânicos passaram, quando os franceses evacuaram o Porto. Agora é neste sítio a barreira por onde nenhum barco, por pequeno que seja, pode passar sem ser examinado. 
Defronte são as ruinas do grande Seminário que foi arruinado durante o cerco do Porto e logo ao pé, também se veem algumas paredes do palácio desmantelado do Bispo: tanto as belas árvores desta quinta como as do Convento da Serra foram cortadas em 1833. 
Oliveira, sempre tem sido célebre pelo seu antigo convento e por ser a sua cerca um recreio para os habitantes do Porto. 
Avintes, é a terra das padeiras que abastecem a cidade do Porto com excelente pão. 
Arnelas, notável por suas madeiras e lenha e pela sua feira de S. Miguel, em que as nozes abundam. 
Crestuma, pela abundância de águas e lenhas suficientes para fazer trabalhar imensas fábricas – porém onde por ora ainda não há nenhuma. Aqui no tempo da antiga Companhia havia o registo de todos os barcos com vinho que iam para o Porto. 
Carvoeiro, pela quantidade de lenhas e madeiras que manda para o Porto. 
Campanhã, pelas fábricas de curtume e pelo isolado palácio arruinado do Freixo, que tem as armas dos Lencastres sobre a porta. 
Valbom, por ser a terra dos pescadores, que nas suas belíssimas lanchas vão ao mar. 
Gramido, sítio onde o Sr. D. Miguel em 1833 estabeleceu uma ponte de barcos e onde em 1846 se fez a convenção entre as forças luso-espanholas e a Junta do Porto. 
Os povos desde Atães até Pombal sustentam-se do produto das suas terras mandando apenas de vez em quando algumas melancias, melões e hortaliças para o Porto. 
É para notar que em toda esta extensão do rio, em quanto que os homens se ocupam na agricultura, as mulheres conduzem os seus barcos com géneros ou passageiros para o Porto. Estas mulheres são muito hábeis na sua ocupação; a maneira como elas cantam suas modinhas, que geralmente são originais, faz crer com especialidade ao estrangeiro, que são as criaturas mais felizes do mundo e que ignoram inteiramente o que é a fome e a miséria. 
São muitos os dias que nem dois patacos ganham – porém continuam a cantar e parecem contentíssimas com a sua sorte. 
Chegados ao nosso ancoradouro, tratamos de fazer os arranjos necessários para ai passarmos a noite. 

Sou de VV. & c. 
J. J. Forrester 




Observações:

-Pé de Moura fica na actual freguesia de Lomba pertencente a Gondomar, mas na margem esquerda do rio Douro.
-Por Decreto de 2 de Maio de 1855 foi estabelecida a "légua métrica", equivalente a 5 000 metros.
- Carvoeiro situa-se entre Lever e Lomba

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

(Continuação 3)

O Rio Douro e a região demarcada dos vinhos do Douro


Desde que foi traçada a região demarcada dos vinhos do Douro, foi notória a influência da comunidade britânica neste sector económico e na vida económica e social da cidade do Porto.
A actividade não seria, porém, ausente de contra-tempos.
Primeiro foi o oídio, uma doença causada por um fungo ectoparasita, cujo micélio se desenvolve sobre todos os tecidos verdes (folhas, pâmpanos e cachos) e, cujo tratamento impõem a protecção da vinha desde a floração até ao fecho dos cachos. A doença é controlada desde 1854 com a aplicação de enxofre.
Depois foi o míldio, um fungo caracterizado como um endoparasita, ou seja, desenvolve-se no interior das folhas da videira e que hoje é evitada com a famosa “calda bordalesa” (mistura de sulfato de cobre, cal virgem e água).
Ambas as doenças têm hoje tratamento mas, no século XIX, provocaram grandes prejuízos no Douro vinhateiro, que se agravaram quando, após poucos anos, apareceu a praga da filoxera.


“No final da década de 1850 e início da década de 1860, especialistas em botânica e viticultores europeus tinham começado a importar da América do Norte videiras de castas indígenas. Estes estudiosos não estavam cientes de que, em muitos casos, estas videiras americanas traziam consigo pequenos insectos amarelos que se alimentavam das suas raízes, sugando a sua seiva.
As videiras americanas estavam habituadas ao ataque destes insectos quase invisíveis e tinham desenvolvido formas de lhe sobreviver. Contudo, as vinhas europeias de produção de vinho não tinham quaisquer defesas. Os insectos alimentavam-se pela raiz da videira, provocando inchaços tuberosos até que a raiz ficava tão deformada que não podia absorver água e nutrientes do solo.
Famintas e sedentas, as videiras murchavam e morriam. O primeiro surto significativo ocorreu em França no sul da região do Ródano em 1862 e a praga então rapidamente se espalhou a outras partes do país causando devastação generalizada nas vinhas. Quando a causa foi finalmente identificada, foi dado ao destrutivo insecto o nome de Phylloxera vastatrix, ou filoxera.
Crê-se que a filoxera chegou à região do Douro em 1868. Em primeiro lugar, desencadeou a sua destruição nas zonas mais a leste, a origem dos melhores vinhos do Porto e, em 1872, colocou de rastos muitas das mais conhecidas propriedades produtoras de vinho do Porto. Os rendimentos baixaram drasticamente, provocando escassez de vinho e uma subida do seu preço. Um dos mais dinâmicos campeões da batalha contra a filoxera foi John Fladgate, um dos sócios da Taylor’s. Ele viajara para França para saber que remédios estavam aí a ser usados e, em 1872, publicou os seus achados numa carta aberta aos agricultores do Douro.
Mais tarde viria a ser-lhe concedido o título de Barão da Roêda pelo seu trabalho. Passou algum tempo, porém, até que a solução definitiva fosse encontrada. Esta passava por enxertar as videiras europeias nas raízes resistentes das castas americanas, uma medida que acabou por fazer parar a destruição.
Fonte: site “Taylor’s”


Cachão da Valeira - Ed. Emílio Biel

Túnel de Caminho-de-Ferro da Valeira - Ed. Emílio Biel

Estação de Caminho-de-Ferro das Covellinhas - Ed. Emílio Biel

Estação de Caminho-de-Ferro de Moledo - Ed. Emílio Biel

Túnel de Caminho-de-Ferro do Loureiro e da Murta - Ed. Emílio Biel


Vista sobre a Barra do rio Douro – Fonte: “delcampe.net”

Nos anos de filoxera a cultura da vinha na região foi substituída pela do sumagre.
Desses tempos é possível ainda encontrar algumas atafonas, que são os moinhos onde se processava a redução da folhagem do sumagre a pó para posterior comercialização. 

Sumagre nas margens do rio Douro

Antigamente os Romanos usavam-no em vez do vinagre ou limão, que só chegou séculos mais tarde. Foi também muito usado como corante para couro.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

(Continuação 2)

O Rio Douro e a navegação

Sempre foi do conhecimento dos homens do mar das dificuldades na entrada da barra do Douro.
O respeito que os comandantes tinham por aquela barra está expresso no cais da meia laranja, no Passeio Alegre, onde está recordada a memória do Comandante John W. Cowie, veterano da Barra do Douro, que serviu desde oficial praticante a capitão em grande parte da frota de um armador de Glasgow, e que escalava os portos portugueses com regularidade e que legou as suas cinzas ao rio, onde foram lançadas em 19 de Julho de 1958 de bordo do navio-motor inglês Seamew, o seu último navio comandado.


Placa memorial - Ed. J. Portojo


Também o reverendo William Kimsey, num texto transcrito a seguir, nos dá conta duma entrada na barra do Douro e dos perigos subjacentes.


Descrição do reverendo William Kimsay


Muitas soluções foram propostas para eliminar muitos perigos que o vencer da barra oferecia.
Tendo em conta as soluções respectivas e que implicavam também uma alteração da fisionomia da margem direita junto da foz do rio, a construção de um cais (ou dique), começa com um projecto de Reynaldo Oudinot de 1789.

“Neste esquema da proposta de Oudinot pode descrever-se as seguintes obras:
1 - Construção de um cais desde a Capelinha da Cantareira até ao rochedo «Sopena» e, se possível, o seu prolongamento até às pedras «Felgueiras», para resistir ao entupimento da barra;
2 - E necessário fazer qualquer obra no Cabedelo, pois ele condiciona a corrente das águas, encanando o rio. Se se construísse outro cais na margem esquerda, este evitaria que as cheias alargassem a foz, aprofundando-a, embora não contrariasse a acumulação de areias durante o estio. Segundo Oudinot, as cheias atacavam o Cabedelo, podendo demolir aquela estrutura arenosa. As obras projectadas por Oudinot foram realizadas durante vários anos, até serem interrompidas, em 1805, com o desenrolar da Guerra Peninsular. Os resultados foram algum aprofundamento da barra, bem como o deslocamento do Cabedelo para sul, sofrendo a rota dos navios uma correcção”.
Fonte: A. LOUREIRO

Mais tarde em 1820 num projecto de Luiz Gomes de Carvalho, era proposto para a margem direita a construção de diques por lanços, desde as pedras «Eiras», passando pelo farol de S. Miguel-o-Anjo e continuando para montante.
O dique de Luiz Gomes de Carvalho atingiu 616 metros de comprimento; no entanto, não chegou a ser concluído e, em 1825, as obras limitavam-se à simples conservação das estruturas.
A partir daqui várias soluções seriam propostas para regularização da barra como o projecto de Andrea Sheerboon (de 1838), projecto de Joseph Gibbs (de 1840), projecto de Bigot (em 1843/1844), projecto de William Jates Freebody (em 1855) e projecto de Manuel Afonso Espregueira de 1866 que propõe, entre outras soluções, a conclusão do dique de Luiz Gomes de Carvalho e o seu prolongamento para o mar.
Muitos outros projectos e soluções se iriam suceder até aos nossos dias, culminando com o levantamento há cerca de 10 anos de novos molhes. 



Gravura de identificação das mais importantes construções, locais e rochas da barra do Douro – Ed. Teodoro de Sousa Maldonado (des.) e Manuel da Silva Godinho (grav.); Fonte: “gisaweb.cm-porto.pt”

Legenda:

2 – Castelo da Foz; 3 – Lage Davra; 4 – Aguião; 5 – Picão; 6 – Felgueiras;  10 – Cabedelo; 11 – Touro; 12 – Supena; 13 – Samagaio; 14 – Picoens;  15 – Olinda; 16 – Gamela; 17 – JOMBOI; 18 – Pilar da Cruz; 19 – O Ferro; 20 – Sul do Ferro; 21 – Pedras de Muge; 22 – Bunarceira; 23 – Arribadouros; 29 – Farol “O Anjo”; 30 – Praia


Observação: Entre a Lage Davra e o Cabedelo existem ainda do lado de Gaia as pedras conhecidas por “Foga Manadas” e “Filhas da Perlonga”.


Projecto de Andrea Sheerboon (de 1838); Fonte: LOUREIRO, A

 Andrea Sheerboon propunha, de acordo com gravura anterior:

1 - Um dique ou paredão de pedra solta desde a ponta do Cabedelo (pedras «Caranguejeiras») até às pedras «Perlongas». Esta margem artificial avançaria sensivelmente para o mar até igualar a margem direita;
2 - Completar, regularizar e reconstruir a margem direita através de outro paredão, unindo a ponta da «Galeota» com as pedras «Felgueiras»;
3 - Implementar um dique desde Sobreiras até ao penedo «Cruz de Ferro» (em frente ao Farol S. Miguel-o-Anjo);
4 - Remover artificialmente as areias do Cabedelo que permanecessem a norte do paredão e acima do nível da baixa-mar (volume avaliado de 16000 metros cúbicos);
5 - Aprofundar o canal da barra através de dragagens.


Este projecto é muito próximo do português Luiz Gomes de Carvalho, nomeadamente nos pontos 1, 2 e 3. 

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

(Continuação 1)

22.2 Rio Douro e a actividade comercial

Os Impostos na actividade fluvial

Durante mais de dois séculos, o rendimento das por­tagens era arrecadado exclusivamente pela Igreja portucalense, ou seja pelo bispo, a quem a cidade pertencia, desde a doação feita por D. Teresa em 1120 ao tal bispo D. Hugo. 
A partir do século XIV, com a cria­ção dos primeiros cargos de administração do burgo, ou seja, da câmara, esta começou a alcançar alguma eman­cipação e a usufruir do direito de cobrar rendas.
Em 1371, foi lançada uma sisa especial sobre o vinho, os panos, o sal e o pescado, cujo rendimento se destinava ao pagamen­to das obras de construção do muro da ci­dade, começada no reinado de D. Afonso IV e terminada no de D. Fernando.
Diversos im­postos existiram, alguns deles devidos ao Bispo, e muitos com nomes curiosos, como o das Colheres, das Canadas, da Malatesta, dos Milheiros, da Redizima e da Dízima do Pescado. 



“A Colher era uma medida que corres­pondia à quadragésima parte de um alquei­re. Este imposto que era cobrado junto de uma fonte, ainda existente, a Fonte da Co­lher, em Miragaia, tributava o pão (cereal), a farinha, nozes, castanhas, produtos que entravam na cidade pelo rio ou por terra. Por cada alqueire de um destes produtos, uma colher era para o bispo. 
O vinho que entrava no burgo por terra, pagava, por cada carro, seis canadas. Se viesse em carga cavalar ou muar, pagava canada e meia, porque a carga era menor. 
Malaposta era a designação dada a um tonel. Por cada tonel, recebia o bispo qua­renta e oito reais. 
Milheiro ou dez por mil, ou um por cen­to, era o que se pagava de imposto por todo o vinho vendido à prancha nos barcos”.
Germano Silva 

A fiscalização era efectuada em postos de cobrança em terra, e estendia-se igualmente pela beira-rio, onde havia vários postos como, por exemplo, à en­trada dos tabuleiros da Ponte de Luís I e no Cais da Estiva. Esta parte do rio, na época em que vigo­ravam as barreiras, estava circuitada por grades de ferro e possuía duas en­tradas - uma junto à Praça da Ribeira, outra do lado do Largo do Terreiro, do velho Terreiro da Alfânde­ga Velha. Era junto à porta do lado da Ribeira que se situava o posto da barrei­ra.
Era a Câmara que mandava construir os edifícios, como o do cais da Estiva, na foto abaixo.

Barreira da Estiva na Ribeira – Fonte: “JN”

Em diversas épocas os rendimentos extraídos do rio estiveram sob a alçada de diversas entidades como sejam as clarissas do mosteiro de Santa Clara ou os beneditinos de Cedofeita ou ainda o conde de Massarelos e de S. João da Foz, cujo condado não correspondia a um território sob a sua tutela mas, sim, a um imposto que era pago sobre o pescado que se retirava do rio Douro.


O rio Douro visto da Arrábida - In Ilustração Portugueza, nº16, 1867 

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

22. Diversos


João Allen foi o fundador deste museu, ao tempo conhe­cido como Museu Allen ou Museu da Restauração.
Fruto do seu vício de juntar coisas, João Allen foi apro­veitando as suas muitas viagens pela Europa, especialmente pela Itália, para enriquecer a sua colecção de armas, medalhas e louças.
Fruto da sua convivência com o pintor portuense Joaquim Rafael,  adquire-lhe algumas telas, a que junta quadros de Pillement. 
Como os salões da sua casa da Rua da Restauração nº 281, no gaveto da actual Rua Alberto Aires de Gouveia com a Rua da Restauração, começavam a estar mais que cheios, man­dou, em 1836, edificar nos terrenos contíguos uma nova casa, com três grandes salas e luz directa, onde colocou as suas colecções.
A casa de habitação tinha sido começada a construir c. 1831, pois é desse ano o pedido de construção à Câmara.
D. José de Urcullu, que viria a ligar-se à família, autor do "Tratado Ele­mentar de Geografia", no seu 2º volume, inclui uma ilustração e descrição da casa e do Museu Allen, tendo escrito:

“Só depois de concluído o pro­longado cerco desta cidade é que o sr. Allen se resolveu a fazer uma casa destinada exclusivamente ao Museu. Teve a fortuna de que os projecteis que lançaram os sitiadores não caíssem onde estavam guardados os objectos raros e precio­sos que em muitos anos tinham juntado. O edifício que serve de Museu e situado no fundo do jardim da casa em que mora o Sr. Allen; consta de três salões iguais de 22 pal­mos e meio de altura, 47 de comprimento e 26 e meio de largura. A luz entra em todos eles por clarabóias bem- dis­postas no tecto.
Todos os domingos, João Allen abria a porta do seu Museu a quem o desejasse visitar, servindo o proprietário, graciosamente, de cicerone.
E se tudo corria bem no aspecto da arte, enri­quecendo o seu Museu com peças que ia adquirindo ou lhe ofertavam, a verdade é que, a traição de um dos seus sócios, em Inglaterra, e a falta de amizade dos que lha deviam, em Portugal, acabaram por o obrigar a liquidar as suas casas comerciais”.

Como se lê acima, João Allen após ter sido obrigado a liquidar a sua actividade comercial, profundamente desgostoso, retirou-se para a sua Quinta de Campanhã (que ainda hoje existe na posse da família) e aí faleceu a 19 de Maio de 1848.
João Allen era um negociante portuense de ascendência britânica, tendo a sua actividade centrada na exportação de vinho do Porto. Foi membro da Feitoria Inglesa, tendo sido um dos fundadores do Banco Comercial do Porto e da Associação Comercial do Porto.
Dois anos após a sua morte resolveu o conselho de família vender o recheio do museu mas, um movimento gerado na cidade levou o município a adquiri-lo, ficando, no entanto, instalado nos mesmos edifícios, graciosamente, durante um ano. Segundo Alberto Pimentel a respectiva compra cifrou-se em 12 contos de reis.
A verdade é que só em 11 de Abril de 1852 abriu ao público com o nome de Museu Por­tuense, da Rua da Restauração, com a cooperação inteira e gratuita de Edmundo Augusto Allen, filho do fundador da Companhia do Palácio de Cristal, mais tarde honrado com o título de Visconde de Villar d’Allen.
O Museu abriu pela primeira vez em 11 de Abril de 1852, primeiro ao Domingo, depois duas vezes por semana, isto é, aos domingos e quintas-feiras (1856) e desde 1867 diariamente. Até ao falecimento de Augusto Allen, o museu seria beneficiado com várias obras de outros artistas, destacando-se as do pintor Alberto Aires de Gouveia, conhecido por Gouveia Portuense.

“Alberto Aires de Gouveia (Porto, 3 de Março de 1867 - Candal, Vila Nova de Gaia, 2 de Outubro de 1941) foi um pintor nascido no seio de uma família portuense ligada ao negócio dos vinhos. Teve uma educação esmerada, tendo frequentado o Instituto Minerva, o Colégio de S. Carlos e o Colégio Inglês de Nossa Senhora da Providência.
Exerceu actividade comercial na firma António Caetano Rodrigues & C.ª, onde esteve pouco tempo. A sua verdadeira paixão era a pintura, razão pela qual ingressa na Escola de Belas Artes do Porto e tem como professor o mestre da pintura naturalista Marques de Oliveira.
Participou em exposições coletivas e individuais.
Parte das suas obras podem ser vistas no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, no Museu Nacional de Arte Contemporânea de Lisboa e no Museu Grão-Vasco, em Viseu”.
Fonte: “pt.wikipedia.org”


Uma vez falecido em 1899 Augusto Allen, começou o Museu a ser conhecido como Museu Municipal do Porto, acabando por ser transferido em 1905 para o edifício onde funcionava a Biblioteca Pública Municipal do Porto, com a qual tantas vezes foi confundido, localizado no antigo Convento de Santo António da Cidade, tendo sido só reaberto ao público em 1912.
A residência e o museu Allen já não existem tendo sido demolidos em 1962 e, no local que anteriormente ocupavam, encontra-se hoje,  um moderno imóvel que, entre outras coisas, serve de cen­tro de escrutínio dos jogos da Santa Casa da Misericórdia.


Em destaque a casa de Vilar d’Allen e o museu na planta de 1865 de Perry Vidal


Casa e Museu de Vilar d’Allen na Rua da Restauração – Litografia de J. Villa Nova em 1839


Entrada do Museu da Restauração anexo à residência de Vilar d’Allen – Photo Guedes, AHMP

Entrada do Museu Municipal do Porto na Rua da Restauração – Fonte: AHMP (1902) 

O acervo do Museu Municipal do Porto viria a integrar o do Museu Nacional de Soares dos Reis, trazendo­-lhe, entre muitas maravilhas, o "Caim" e a "A Flor Agreste", de Teixeira Lopes, a "Crucificação", de Vieira Portuense, e "A Virgem e o Menino", de Frei Carlos, para além de uma sumptuosa colecção de numismática.


Interior do Museu Municipal do Porto (Museu Nacional de Soares dos Reis, desde 1911) em S. Lázaro; Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”



Museu Municipal Portuense nas instalações de S. Lázaro - Ed. Foto Guedes, negativo em vidro 13 x 18 cm, AHMP; Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”


No gaveto da foto ficava a Casa e Museu de João d’Allen – Fonte: Google maps


Defronte da esquina observável na foto anterior, ainda hoje existe uma casa que foi morada do Dr. Fernando Valente, um dos maiores coleccionadores filumenistas de Portugal e que é ocupada actualmente por um escritório de advogados.


Casa na esquina da Rua da Restauração e do Largo do Viriato – Ed. JPortojo


Em parte desta casa, esteve prevista a instalação de um museu de filumenismo, o que não se viria a concretizar, devido ao falecimento do Dr. Fernando Valente.
Sobre a instalação desse museu de filumenismo, que não se concretizou, narra o texto que se segue:

“Não fora a amizade que nos liga, há muitos anos, ao Dr. Fernando Valente, e isto seria quase uma indiscrição. E curioso que numa das mais pequenas freguesias do Porto se tenha concentrado uma tão grande gama de museus, mas este é muito especial, porque se trata de um museu dedicado a uma particular forma de coleccionismo.
Filumenismo é uma palavra composta que significa, simplificadamente, o amigo de coleccionar o que diga respeito às embalagens dos fósforos e de tudo o que se lhe refira. Fernando Valente desde sempre se dedicou à colecção do que podemos chamar pecas completas, ou seja, de caixas e carteiras com o seu rótulo e os fósforos que lhe dizem respeito. E são milhares de caixas, pequenas, medias e gran­des, simples ou duplas, com ou sem publicidade, que aqui estão alinhadas nas vitrinas para o efeito especialmente con­cebidas. Estão em fase de colocação e etiquetagem. E, para que o visitante tenha uma noção mais exacta de uma das fases do fabrico, exactamente a colagem da etiqueta nas antigas caixas de fósforos, o nosso amigo conseguiu adquirir um exemplar de uma dessas máquinas que serviu numa das grandes unidades fosforeiras da cidade. Depois de conve­nientemente restaurada na sua simplicidade original, aí está ela no Museu a mostrar como trabalhava ao serviço da fábrica.
Logo que concluída a instalação, o proprietário tem todo o prazer em facultar ao público a visita e quem quiser pode deliciar-se com a vista de caixas de fósforos, desde aquelas do tempo dos nossos avós ate as mais actuais.
A instalação e na cave do edifício que existe na esquina da Rua da Restauração com o Largo do Viriato, em frente ao antigo Museu Allen, e não deixa de ser curioso que o prédio ainda pertença a esta família a quem Fernando Valente está ligado; e o tal prédio onde durante algum tempo esteve ins­talado o famigerado Partido do Progresso... A entrada será pela porta do Largo do Viriato. Que em breve tenhamos mais um museu na freguesia ao serviço de quantos o quei­ram visitar. E se nos lembrarmos que em Portugal só conhe­cemos outro (em Tomar), já se poderá avaliar da importância deste nosso Museu”.
Fonte: j-f.org/miragaia/gentes.htm (2003)




quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

(Conclusão)



Situa-se na Rua D. Hugo data de finais do século XVII, princípios do XVIII. Tem dois pisos e possui o brasão dos Coutinhos, Pereiras, Andrades e Bandeiras.
No séc. XVIII o edifício sofreu algumas modificações. O portal que dá acesso ao átrio da casa é encimado por cartela com escudo esquartelado e sobrepujada por coroa. No andar nobre há seis janelas de peito três de cada lado do brasão.
Nesta casa está presentemente sedeada a Fundação Guerra Junqueiro.
É provável que a casa tenha pertencido primordialmente, ao arcediago Luís de Magalhães da Costa, instituidor do morgadio de Oliveira do Douro. António Mateus Freire de Andrade Coutinho Bandeira herdaria a casa do arcediago que foi seu avô, tendo mandado brasonar a fachada da mesma.
Na viragem do século XVIII para o XIX viveu nesta casa, António Mateus Freire de Andrade Coutinho Bandeira (1747-1820), com sua mulher D. Tomazia Joaquina de Mendonça Cardoso Figueira de Azevedo. 
A casa seria vendida à Câmara Municipal do Porto e alberga, hoje, o museu da Fundação Maria Isabel Guerra Junqueiro cuja primeira fase de instalação ocorreria em Abril de 2000, com a consequente abertura ao público, localizando-se mesmo em frente à Casa-Museu Guerra Junqueiro. 
O espólio do Museu da Fundação Maria Isabel Guerra Junqueiro é constituído por antiguidades de diversas origens, adquiridas por Guerra Junqueiro durante a sua vida, numa actividade que era uma verdadeira paixão.


Casa dos Freire de Andrade

Casa dos Freire de Andrade – Ed. IRSU, SIPA

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

(Continuação 57)



Edifício situado na Rua D. Hugo, antes chamada Rua de Trás-da-Sé, muito próximo da Catedral, construído no 2º quartel do século XVIII para habitação de um cónego da Sé, o Doutor Domingos Barbosa, e passaria por herança para o seu sobrinho Fernando Barbosa de Albuquerque, que mandaria construir o famigerado palacete da Quinta do Chantre em Leça do Balio.
De arquitectura barroca, com projecto de autor desconhecido, apresenta duas torres angulares largas e baixas, a recordar as casas quinhentistas portuguesas. Actualmente reúne as colecções de arte doadas à Câmara Municipal do Porto pelos herdeiros do poeta Guerra Junqueiro e passou a ser conhecido por Casa Museu Guerra Junqueiro.
Expostas no museu podemos ver uma colecção de arte sacra, faiança de Viana do Castelo, pratos de Nuremberga, cerâmicas e mobiliário.


Casa Museu Guerra Junqueiro


“A casa foi adquirida em 1934 pela filha do poeta Guerra Junqueiro e por ela doada à Câmara Municipal do Porto em 1940, juntamente com o espólio artístico do poeta. Inaugurada em 1942, foi requalificada pelo arquiteto Alcino Soutinho, reabrindo ao público em 1997, ampliada com áreas de exposições temporárias, de reservas e novas áreas de lazer: auditório, loja e cafetaria. 
Este museu de artes decorativas procura reconstituir o ambiente e a disposição original dos objetos na casa onde o poeta Guerra Junqueiro viveu no Porto, expondo coleções de cerâmica, metal, ourivesaria, escultura, mobiliário e têxteis de períodos compreendidos entre os séculos XV e XIX.”
Fonte: “cm-porto.pt/”

Cronologia da Casa-Museu

Em 1730 / 1746 ocorre a construção da casa por ordem de Domingos Barbosa, e após a sua morte torna-se proprietário Manuel Barbosa de Albuquerque, seu irmão, que nomeia seu herdeiro o sobrinho Fernando Barbosa de Albuquerque;
Na década 70 do século XIX, era sua proprietária D. Sancha Augusta de Lemos Barbosa e Albuquerque;
Em 1908 o proprietário era Francisco de Sales Pinto de Mesquita Carvalho, sobrinho de D. Sancha;
Em 1934 passaram a ser proprietários da casa os herdeiros de Francisco Sales Pinto de Mesquita a quem a D. Maria Isabel Guerra Junqueiro, viúva de Luís Augusto Pinto de Mesquita Carvalho, irmão de Francisco de Sales Pinto de Mesquita Carvalho, casado em primeiras núpcias com uma Senhora Catalá Amaral Osório, e em segunda com Maria Isabel Guerra Junqueiro, filha do poeta, que adquire a casa para instalar as colecções de seu pai, o poeta Guerra Junqueiro;
Em 1940, D. Maria Isabel Guerra Junqueiro, juntamente com sua mãe, Filomena Neves doam à Câmara Municipal, a casa e as colecções de Guerra Junqueiro para recheio do Museu que será inaugurado em 1942;
Em 1991 / 1992  é executado o projecto de remodelação e ampliação da Casa - Museu Guerra Junqueiro da autoria do Arquitecto Alcino Soutinho;
Em 1996 ainda decorriam as obras de adaptação a Museu, bem como escavações arqueológicas.

Casa Museu Guerra Junqueiro – Ed. Rui Duarte Silva


Estatuária na Casa Museu Guerra Junqueiro – Ed. Rui Duarte Silva


Sobre uma faceta menos conhecida do poeta Guerra Junqueiro, é o texto seguinte.

“Fez da vida uma permanente busca, em tudo quanto era sítio, de peças, obras de arte capazes de enriquecerem aquele que veio a tornar-se um importante espólio artístico e arqueológico.
Ganhou terreno, até, a caricatura de um Junqueiro, homem viajado, representado como um judeu sovina a atravessar a fronteira portuguesa acompanhado de um burro carregado de antiguidades. Casou rico, beneficiou da herança da mulher, em parte gasta na compra de peças de arte religiosa, quadros, louça portuguesa do século XVI, ou peças italianas ou hispano-árabes. Também negociou. Fez algumas vendas polémicas, como quando o aveirense Francisco Homem Cristo, político republicano, polemista, professor universitário, um dos militares envolvidos na Revolta de 31 de janeiro de 1891, o acusou de, ao rei Dom Carlos e à rainha Dona Amélia, ter vendido como preciosidades, objetos sem valor.
Ao escritor Raul Brandão queixava-se por vezes da atrapalhação da vida em resultado da míngua de fundos. Entre 1895 e 1903 vendeu mesmo uma parte substancial das suas coleções artísticas por precisar de dinheiro para as plantações de vinha nas suas propriedades”.
Fonte: Valdemar Cruz (Semanário Expresso em 28.08.2016) 

Entre 1502 e 1550 numa capela junto do claustro velho da Sé esteve a Misericórdia.
A Casa de Domingos Barbosa teria sido construída no local onde antes estavam três imóveis, incluído um que teria sido Casa de Despacho da Misericórdia e que tinham duas frentes: uma para a Rua dos Redemoinhos e outra para o adro daquela capela.

Casa Domingos Barbosa e Claustro Velho – Fonte: Google maps

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

(Continuação 56)


Situada na Rua de Passos Manuel, em frente ao Coliseu, esta garagem em altura tal como a Garagem do “Comércio do Porto” e o “Silo-Auto”, são edifícios icónicos da cidade.
O seu projecto é de 1930, elaborado pelo arquitecto Mário Abreu e 1938 é data de construção do edifício que seria inaugurado no ano seguinte.
Começou por ser propriedade da empresa do conhecido capitalista que também administrava o Teatro Sá da Bandeira, Arnaldo Rocha Brito.


Desenho da fachada da Garagem Passos Manuel Fonte: “doportoenaoso”


“É um edifício Art Déco, contando com 3 andares dedicados ao estacionamento; na sua fachada apresenta um mapa das estradas de Portugal em néon. No rés-do-chão do edifício funciona uma barbearia e, no quarto andar, o Maus Hábitos um espaço de intervenção cultural com galerias de arte, residências artísticas, um restaurante vegetariano e um bar com umas vistas muito bonitas da cidade. Actualmente as Catavino Story Nights têm decorrido neste local”.
Fonte (2014): thecitytailors.com


Garagem Passos Manuel – Fonte: “doportoenaoso”

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

(Continuação 55)


Um pouco abaixo do Edifício 4 Estações e ocupando todo um quarteirão (Rua das Carmelitas, Rua Conde de Vizela e Rua Cândido dos Reis) fica o, “Palácio do Conde de Vizela, construído para alojar os escritórios da Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela, lojas comerciais e o Clube Portuense. Inicialmente, foi mandado projetar a Émile Boutin por Diogo José Cabral (1864-1923), grande capitalista do Norte do país e primeiro conde de Vizela.
Entre 1920 e 1923, Marques da Silva assume a direcção da obra, introduzindo um aditamento ao projeto, ajustando-se a uma nova tipologia e imprimindo reformulações compositivas que valorizaram esteticamente o edifício e o quarteirão”.
Fonte: “portoby.livrarialello.pt”

O projecto do edifício é de 1905, tendo-se iniciado a obra em 1907 e a sua conclusão foi em 1932.

Palacete do Conde de Vizela na esquina das ruas das Carmelitas e Cândido dos Reis (pela esquerda) – Fonte: “fims.up.pt”

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

(Continuação 54)


Este edifício com início de projecto em 1905 fica na Rua das Carmelitas.

“O edifício das Quatro Estações, cujo nome deriva dos quatro relevos representativos que encimam as quatro pilastras que caracterizam o seu alçado, é uma obra exemplar das características formais que Marques da Silva introduz no desenho urbano do Porto. Construído na Rua das Carmelitas, onde no início do século XX se experimentavam diversíssimas formas e feitios transformadores das práticas construtivas convencionais (entre as quais a livraria Lello & Irmão, da autoria de Xavier Esteves, é o exemplo mais flagrante), Marques da Silva retoma a construção em granito evitando rupturas de textura com os seus vizinhos”.
Fonte: “fims.up.pt”


“A escassas dezenas de metros da Livraria Lello há dois edifícios que passam despercebidos ao transeunte mais apressado, mas que são bem emblemáticos da obra de um dos arquitetos mais profícuos da cidade do Porto. Referimo-nos ao edifício das Quatro Estações e ao chamado Palácio do Conde de Vizela, ambos do arquiteto José Marques da Silva (1869-1947).
O primeiro, no n.º 100 da Rua das Carmelitas, chegou mesmo a ser habitado pelo próprio Marques da Silva. Ostenta quatro relevos representativos das quatro estações do ano, encimando cada uma das pilastras que marcam o alçado. Trata-se de um projeto de 1905, com uma fachada “beaux-arts” – estilo arquitetónico clássico, também conhecido como academismo francês, combinando influências gregas e romanas com ideias renascentistas”.
Fonte: “portoby.livrarialello.pt”


Edifício 4 Estações – Fonte: “doportoenaoso”

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

(Continuação 53)


Sendo um exemplar da chamada «Casa Portuguesa», foi desenhada e construída em 1904, pelo seu primeiro proprietário, Ricardo Severo, importante arquitecto, engenheiro, arqueólogo, escritor e político e situa-se na Rua Ricardo Severo (a antiga  Rua do Conde), já próximo do Largo da Paz.
Essa moradia procurou fazer reviver a antiga casa solarenga e obstar ao aparecimento de modelos oriundos da Europa Central.
Actualmente encontra-se devoluta e à venda por 2.500.000€.


"... esta casa, com as suas magnificencias de interior e os confortos facilmente deprehensiveis, constitue um verdadeiro Museu de pormenores e de motivos que resume epochas, estylos e influencias atravez da capacidade e sentimentos nacionaes..."
Rocha Peixoto (1866-1909); Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”



“Um dos mais belos e ricos exemplares da Casa Portuguesa, do início do séc. XX, foi desenhada e construída por Ricardo Severo (arquitecto, engenheiro, arqueólogo, escritor, político). O palacete é um dos primeiros e mais importantes exemplares da época em todo o Norte do país. Moradia com cave, rés-do-chão, andar, sótão e torre. Implantação da casa isolada dentro de um lote, afastada dos limites do terreno. Disposição num patamar elevado em relação ao nível da rua. A moradia é envolvida por uma área de terreno arborizada e bastante aprazível, que lhe confere um ambiente de apreciável sossego. A casa organiza-se em torno de um pátio central. Toda a arquitectura da casa e jardins têm pormenores absolutamente únicos: vitrais pintados à mão, salões estilo colonial, painéis de azulejos de inspiração barroca, fogão de sala, brasão, alpendres, varandas, rótulas, arcarias, chaminés, azulejos, telhados com beirais, peças decorativas da arquitectura colonial brasileira, portas maciças trabalhadas, tecto sala de baile com pinturas decorativas, etc. A casa precisa de intervenção mas encontra-se estruturalmente em muito bom estado”.
Fonte: UMSEISUM - ARQUITECTURA, CONSTRUÇÃO E MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA, LDA


Ricardo Severo da Fonseca e Costa (Lisboa, 6 de Novembro de 1869 --- São Paulo, 3 de Abril de 1940) foi um engenheiro, arquitecto, arqueólogo e escritor que, por se ter envolvido num movimento revolucionário contra a monarquia portuguesa em 1891, foi obrigado, durante uns tempos, a exilar-se no Brasil.



Casa de Ricardo Severo - Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”



Casa de Ricardo Severo – Ed. Revista do Turismo Nº 13, 5 Jan. 1917



Sala de Jantar da Casa de Ricardo Severo – Ed. UMSEISUM - ARQUITECTURA, CONSTRUÇÃO E MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA, LDA


Interior da Casa de Ricardo Severo – Ed. UMSEISUM - ARQUITECTURA, CONSTRUÇÃO E MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA, LDA


Pátio interior da Casa de Ricardo Severo – Ed. UMSEISUM - ARQUITECTURA, CONSTRUÇÃO E MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA, LDA


Traseiras da Casa de Ricardo Severo – Ed. UMSEISUM - ARQUITECTURA, CONSTRUÇÃO E MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA, LDA


Vitral da Casa de Ricardo Severo – Ed. UMSEISUM - ARQUITECTURA, CONSTRUÇÃO E MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA, LDA