quarta-feira, 31 de outubro de 2018

25.18 Convento do Carmo dos Carmelitas Descalços e Guarda Nacional Republicana



Após 1833 e com a vitória dos liberais as ordens religiosas seriam extintas em 1834.
Foi o que aconteceu à Ordem do Carmelitas descalços que tinha o seu convento no Carmo, junto da sua igreja em estilo barroco, primitivo e que é monumento nacional desde 2013.
No início do século XVII, em 1622, os frades instalam-se no Carmo e para aqui vêm depois de terem vivido, provisoriamente, na Rua de S. Miguel.
A autorização para se instalarem foi de FIlipe II, e o convento foi começado a construir em 1619.
Era a época em que os carmelitas estavam numa transição e de reformulação da Ordem, pela qual os seus princípios, radicando até aí em formas de actuação peculiares, de tempos de D. Nuno Álvares Pereira, passaram, depois, a seguir os de Santa Teresa d’Ávila.
Entretanto, a igreja dos carmelitas, só alguns anos depois viria a ficar concluída, em 1628, se bem, que, o seu interior, demorasse ainda mais algumas décadas.

«Eu, El-Rey, faço saber aos que este meu alvará virem que, pela devoção que tenho ao hábito dos Carmelitas Descalços, hei por bem de lhes conceder licença para que neste Reino na Cidade do Porto, e nas Villas de Viana, e Thomar, possam fundar três Mosteiros da sua Ordem. Pelo que mando a todas as justiças, oficiais e pessoas a que o conhecimento deste pertencer, que lhes não impeçam de edificar, e fundar os ditos três Mosteiros, que o cumpram, e guardem, e façam inteiramente cumprir, e guardar, como nele se contém. Duarte Correia de Sousa, em Lisboa, 12 de Agosto de 1616»
Fonte: “carmelitas.pt”


Não se conhece qualquer ocorrência de factos relevantes nos anos que se seguiram à fundação do convento, até que, em 1809, o general Soult lá se instalou, servindo-se também do Hospital dos Terceiros, existente, bem perto, na Praça Carlos Alberto.
Depois de derrotado o exército francês pelas tropas portuguesas e inglesas o convento ficou num estado deplorável. Uma parte continuou ocupada pelo exército português e inglês até 19 de Agosto de 1814, e a outra parte pelos religiosos desde 13 de Junho de 1809.
Após a extinção das ordens religiosas em 1834 e 1835, as instalações do convento ficaram abandonadas.

“Em cumprimento do decreto emanado da Regência do Reino, a 9 de Agosto de 1833, a Junta da Reforma Geral Eclesiástica passou a investigar se este convento tinha 12 religiosos. Na verdade eram 18, mas o investigador, com manifesta má-fé, reduziu o número para 11 com o pretexto de que os outros 7 já não eram capazes de levar a vida regular. Deste modo, o convento foi abrangido pelos mandatos régios, que o extinguiram”.
Fonte: “carmelitas.pt”


Em Agosto de 1835 é formada a Guarda Municipal Portuense que se instalará no convento.

“A Guarda Real da Polícia de Lisboa foi criada em 1801 pelo Príncipe Regente D. João, sob proposta do Intendente-Geral da Polícia da Corte e do Reino, Pina Manique, seguindo o modelo da Gendarmerie francesa, que havia sido criada em 1791. De observar que, já em 1793, o Intendente Pina Manique tinha organizado, a título experimental, uma companhia militar de polícia, antecessora da GRP”.


Seguindo-se à Guarda Real de Polícia de Lisboa, foi criada a Guarda Real da Polícia do Porto em 1808.
Em 17/3/1824 foi organizado o Corpo de Cavalaria e Infantaria da Polícia do Porto que não sobreviverá muito tempo, pois, tendo-se colocado por alturas do cerco do Porto ao lado dos absolutistas, contra os liberais, acabaram por escolher o lado dos derrotados e, consequentemente, o caminho para a extinção.
É assim, que em 1835 surge a Guarda Municipal Portuense, com um contingente de 200 homens que, em 1837 é reforçado, de tal modo, que, passa a ser comandado por um oficial de alta patente e dotado com uma força de Cavalaria.


Guarda Municipal perfilada na Estação de S. Bento em 1907


Desde esses tempos, passando por Outubro de 1910 pela Guarda Republicana e, pela Guarda Nacional Republicana (GNR) formada em 3 de Maio de 1911, que a cavalaria jamais deixará de estar presente nas instalações do antigo convento.
Começará por ser o Batalhão nº 5, mas, logo, passará a Batalhão nº 4.
Estas forças militares instaladas no convento tem tido uma participação decisiva na vida da cidade.
Em 31 de Janeiro de 1891 estiveram contra os revoltosos e foram decisivos no abortar da implantação da República, naquela data.
Foi a Guarda Municipal do Porto, o principal responsável pelo sufocar dessa revolta.


Povo esperando em 1907 junto da Escola Médica e Convento do Carmo a chegada de João Franco


Em 1919, seria a força instalada no Carmo a ser o garante da manutenção da República, quando Paiva Couceiro instituiu, por cerca de um mês, a chamada Monarquia do Norte (Janeiro de 1919) que pretendia restabelecer a monarquia.
O comandante do Batalhão do Carmo era o capitão Sarmento Pimentel (14/12/1888 - Mirandela; 13/10/87 - Lisboa) que, mesmo doente, prendeu o oficial do quartel que o substituía e se tinha aliado aos monárquicos, e prenderia, depois, os oficiais revoltosos que se encontravam na Messe da Praça da Batalha.
Sarmento Pimentel estaria presente num outro momento, em 1927, lutando contra as forças que sairiam vitoriosas do golpe de 28 de Maio que conduziram à instalação do Estado Novo, mas, neste caso, sairia derrotado, sendo obrigado a exilar-se no estrangeiro, de onde só regressou, depois de 25 Abril de 1974.
Uma outra figura de relevo que passou por este quartel foi Francisco Costa Gomes que foi o 2º Presidente da República após o 25 de Abril.
Em 1939, seria colocado no quartel do Carmo, já que, pertencia ao ramo de cavalaria.
Em 1944, acabaria por se licenciar em Ciências Matemáticas, bem perto, no que é hoje o edifício da Reitoria e que à data, era Faculdade de Ciências.
Nesse ano seria nomeado capitão de Cavalaria.


Claustro e poço do Convento dos Carmelitas descalços no Carmo – Fonte: “Porto Canal”, In “Os Caminhos da História”


Nos dias de hoje, as instalações estão ocupadas com o Destacamento de Trânsito do Porto, Comando Territorial do Porto, Destacamento de Intervenção (incluindo o pelotão de Cavalaria), Centro Clínico e Instalações da Banda Marcial da GNR.


Nicho com Nossa Senhora do Carmo numa parede do quartel


Vista aérea do Quartel do Carmo com as anteriores instalações da Faculdade de Medicina, à esquerda – Fonte: “Porto Canal”


Na foto acima, à esquerda do que foi o convento, estão as instalações do Instituto de Ciências Bio-Médicas Abel Salazar, onde, presentemente, funciona um Curso Superior de Enfermagem.
Aquele instituto está sedeado na Rua Jorge Viterbo Ferreira, ao Palácio de Cristal.
Entretanto, voltando aos Carmelitas descalços, eles acabariam após a expulsão por regressar ao Porto, estando agora sedeados, na Foz velha.

“ (…) Vencidas não poucas dificuldades, entraram os Carmelitas na cidade do Porto a 6 de Agosto de 1936.
Os Padres Fr. Joaquim de S. Teresa e Fr. Jaime de S. José entraram definitivamente na Foz do Douro, ficando hospedados em casa do benemérito Dr. Sebastião Vasconcelos. Também estiveram alojados durante 2 meses na residência do Dr. Armando Vieira de Castro. Daqui passaram a residir na Rua do Alto de Vila, nº 182 e, a partir de Janeiro de 1943, na Rua de Gondarém, nº 508, freguesia de Nevogilde. «Os Padres, pelo menos o P. Jaime, tomaram conta da capelania de ‘Nossa Senhora de Lourdes’; e creio que foi até isso que motivou em parte o terem alugado a casa da Rua de Gondarém».
Eram capelães das Irmãs Teresianas de Ossó e das Missionárias do Santíssimo Sacramento e de Maria Imaculada (Rua da Cerca). Atendiam igualmente os Irmãos da Venerável Ordem Terceira do Porto (Igreja do Carmo), que tanto interesse haviam mostrado pelo regresso da Ordem a esta cidade, na esperança de que pudessem fixar-se na antiga Igreja dos Carmelitas, anexa ao seu sodalício. Apesar de todas as diligências realizadas neste sentido, não a conseguiu reaver, para restaurar nela a vida carmelitana.
A 16 de Maio de 1950. D. Agostinho de Jesus e Sousa concedeu a licença da fundação. O Definitório Geral deu o seu conhecimento no dia 23 de Junho do mesmo ano.
Em 1971, na casa do nº 508 da Rua de Gondarém, fazendo esquina com a Rua do Crasto, começou-se a construir um novo edifício de 4 andares. Durante a construção, a comunidade habitava um apartamento na Rua Dr. Jacinto Nunes. A parte subterrânea foi destinada à capela. Foi nesta residência que se instalou o Governo da Ordem em Portugal.
A Foz, sempre apetecida, vai crescendo. A Capela torna-se pequena. A necessidade de criar uma Comunidade formativa para os estudantes teólogos é cada vez mais apertada por parte da Ordem. Pensa-se o futuro. A Ordem adquire, mais ou menos a 400 metros, um terreno entalado entre as Ruas de Gondarém e Marechal Saldanha. Entre uma rua e outra construímos.
À face da Rua de Gondarém, com entrada pelo nº 274, construímos o Sector da Comunidade. À face da Rua Marechal Saldanha, o Sector Pastoral e Cultural. No meio dos dois prédios, com entrada pelas duas ruas, situa-se a nova igreja, com capacidade para 600 pessoas sentadas.
No dia 3 de Setembro de 1986 fez-se a inauguração das novas instalações.
O Sector Pastoral dinamiza a Catequese, encontros de formação, Grupo do «Carmo Jovem», Escola de Oração «Stella Maris» e Escola Teológica.
As instalações do Sector Cultural estão ao serviço de várias actividades: ATL dos Carmelitas, Escola de Música, Universidade Douro Sénior, International House, Escola de Bailado”.
Fonte: “carmelitas.pt”



Instalações dos Carmelitas Descalços na Rua de Gondarém

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

25.17 Rua do Breiner


A Rua do Breyner já estava rasgada, ainda que não inteiramente, em 1813, como se vê na planta redonda de George Balck, mas ainda então não tinha nome e estava escassamente urbanizada. Praticamente no mesmo estado se encontrava, em 1833, como mostra também uma consulta à planta de Clarke.
Esta rua deve o seu nome a  PEDRO MELO BREINER, senhor da Trofa, conselheiro de Estado, embaixador de Roma e Governador das Justiças do Porto, que foi executado por seguir as ideias liberais e o partido de D. Pedro IV.


Planta de George Balck de 1813 e Rua do Breiner identificada pelo trajecto AB




“Entre 1928 e 1931 no n.º 16 da rua do Breiner esteve instalada a primeira Faculdade de Letras da Universidade do Porto, escola fundada por Leonardo Coimbra. A proximidade ao edifício histórico da universidade, no qual funcionava a Faculdade de Ciências e os serviços da Reitoria, foi decisiva para a escolha da rua do Breiner para acolher as instalações da FLUP (n.d.r. - A transferência aconteceu a partir do palacete da Quinta Amarela).
A faculdade seria, no entanto, extinta em 1931 (só vindo a ser reativada em 1961, já noutro local).
Após a extinção da faculdade, o edifício foi ocupado pelo Instituto Industrial do Porto e, a partir de 1968, pela Escola Secundária de Fontes Pereira de Melo. Com a transferência da escola para novas instalações construídas de raiz nas imediações do Estádio do Bessa, em 1987, o edifício ficou devoluto.
No n.º 155 da rua do Breiner funciona há largas décadas British Council - Instituto Britânico do Porto.
Dada a proximidade da rua de Miguel Bombarda, nos últimos anos, o Breiner também tem vindo a experimentar uma expansão comercial e cultural, tornando-se local de fixação de artistas, de abertura de ateliês de conservação e restauro, restaurantes vegetarianos, lojas de estilistas, academias de música e de artes, etc.”
Fonte: Wikipédia


Edifício onde esteve a FLUP, o Instituto Industrial, a Escola Fontes Pereira de Melo e a Escola C+S Irene Lisboa – Fonte: Google maps


Uma importante unidade industrial do sector têxtil, a “Fábrica de Acabamentos e Branqueamentos Têxteis”, que já encerrou há alguns anos, esteve instalada na Rua do Breiner durante algumas décadas do século XX.
Hoje, nas instalações que lhe eram afectas está uma residência para idosos do Montepio Geral



“Fábrica de Acabamentos e Branqueamentos Têxteis” – Ed. EFP



“Fábrica de Acabamentos e Branqueamentos Têxteis” – Ed. Teo Dias


Um outro edifício da Rua do Breiner muito conhecido dos portuenses é o British Council, com actividade no nosso País desde 1938 e, que, aqui abriu portas, em 1943, situação que ainda se mantem.




British Council - Instituto Britânico do Porto – Fonte: Google maps


Já perto do Largo da Maternidade (antigo Campo Pequeno) destaca-se o edifício onde está sedeado um lar feminino.

“O lar feminino S. José de Cluny (nº 401) tem como autores do projecto (1954) os arquitectos Eduardo Iglésias e Francisco Pereira da Costa”.
Fonte: Teo Dias, “ruasdoporto.blogspot.com”

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

25.16 Prédio com Brasão na Avenida Rodrigues de Feitas


Prédio com brasão na Avenida Rodrigues de Freitas (à direita) vendo-se ao fundo a Rua de Entreparedes – Fonte: Google Maps


Brasão que ostenta o prédio da Avenida Rodrigues de Freitas - Ed. Carla de Sousa, In “solaresebrasoes.blogspot.com”

Segundo “solaresebrasoes.blogspot.com”, a pedra pode ser descrita:

Escudo francês em cartela, sob elmo e timbre.
Esquartelado: I e IV - Moreira.
II - Furtado de Mendonça.
III - Aranha.
CBA de 12/6/1827, em nome de Manuel Moreira Aranha de Leão Beça Freire e Silva (AH1980) 

As Cartas de Brasão de Armas (CBA) ou simplesmente Carta de Armas, eram diplomas manuscritos e ricamente iluminados, que concediam a um indivíduo o direito de usar as armas ou o brasão pintado nelas.
Manuel Cunha, um conceituado estudioso destes assuntos, informou-nos de que, a Casa da Igreja de Lever ostenta uma pedra com o mesmo brasão e que em Ordins, Lagares, Penafiel, existe uma casa com uma pedra semelhante.


Brasão da Casa da Igreja de Lever


Brasão em Ordins, Lagares

Todos aqueles locais se encontraram ligados, em determinado momento, à família Aranha, de Lever, que também são Moreira, pois existem registos escritos de emprazamento que dizem:

“Gaspar Moreira, filho de Pêro Gonçalves e sua mulher Antónia Moreira a quem o casal da igreja (de Lever) fora emprazado em 1584”.


Manuel Moreira Aranha (nascido antes de 1812, faleceu em 1866) casou em 1830, com Ermelinda de Assis Fortuna (nascida a 16-07-1810).
Manuel Moreira Aranha era filho de Domingos Pinto das Neves (Canedo) e de Ana Maria da Silva/Aranha (Lever).
Por sua vez, Ermelinda de Assis Fortuna era filha de José Ventura Fortuna e de Rosa Cândida de Beça Ferraz.
Do casal Ermelinda de Assis Fortuna e Manuel Moreira Aranha houve sete filhos: Violante, Maria, José, Rita, Ana, Carolina e Margarida Moreira de Assis Fortuna.
O prédio da Avenida Rodrigues de Freitas teria sido, assim, habitação do casal Moreira Aranha e Ermelinda Fortuna ou de algum dos seus descentes, quando constituíram família.

“O referido casal, Manuel Moreira Aranha e D. Ermelinda de Assis Fortuna, não residiu na referida casa mas em Serzedo, Gaia. Os pais de D. Ermelinda de Assis Fortuna, residentes no Porto, terão fugido por volta das invasões francesas para Serzedo, para a Quinta do Penedo ou do Outeiral, onde D. Ermelinda de Assis Fortuna veio a nascer em 1810, e onde sua mãe, D. Rosa Cándida de Beça Ferraz, acabou por falecer.
D. Rosa Cândida, casada com José Ventura Fortuna, filho de Ventura José Fortuna e de D. Ana Maria Joaquina de São Boaventura, era filha de João Lopes Ferraz e de D. Maria de Beça Teixeira, da Quinta da China.
Manuel Moreira Aranha, casado Com D. Ermelinda de Assis, era filho de Domingos Pinto das Neves e Ana Maria da Silva, neto paterno de José Pinto da Silva e de D. Jacinta de Freitas e materno de Manuel Moreira Aranha e de D. Ana Maria da Silva, da Casa da Igreja, em Lever.”
Cortesia de Rui Couto

terça-feira, 23 de outubro de 2018

25.15 Cartões Comerciais - Desventuras de um Chocolateiro


Os cartões comerciais funcionavam como um cartão-de-visita da empresa e existem desde o século XVII em Inglaterra.
Hoje conhecem-se alguns do século XVIII, mas foi no século XIX que mais se divulgaram. Apresentavam-se muitas vezes como colecções que contavam uma história ou tinham fins didácticos. Na realidade eram uma forma de publicidade que ajudava a divulgar o negócio.
Estas histórias costumam ter um final moral o que não é o caso do a seguir narrado, que é apenas lúdico e serve de publicidade à «Pharmacia e Drogaria Félix & Filho», no Porto, situada no Largo de S. Domingos, hoje denominada, «Farmácia Moreno».
Neste caso a história é contada em três cartões comerciais do final do século XIX e a história é bem perceptível.
No 1º cartão uma menina de ar doce aproxima-se de um menino chocolateiro que com a sua colher de pau mexe uma grande caçarola de cobre onde o chocolate borbulha. A chávena na mão da menina dos lacinhos azuis faz-nos compreender que deseja beber o doce néctar.
No 2º cartão se vê que não chegam a acordo e lutam em cima de um pequeno banco que facilita o acesso à bebida.
No 3º cartão desequilibram-se e fazem a chávena voar e o chocolateiro fica todo coberto com a bebida entornada, transformando-se num “chocolateiro de chocolate”, enquanto a menina foge a correr.



1º Cartão


2º Cartão


3º Cartão


«A Pharmacia e Drogaria Félix & Filho, situada no Largo de S. Domingos 42 a 44 vendia: Pastilhas digestivas de Moura para o sofrimento do estômago, Pastilhas vegetais de Mourapara os vermes, cápsulas antiténicas de Moura para a bicha solitária,Peitoral de Moura para a tosse, Balsamo e Licor anódino de Moura para as dores e o Licor de Barreswill de efeito certo no “fluxo diarrheico da hectasia tuberculosa”»
Fonte: “garfadasonline.blogspot.com”


Farmácia Moreno - Ed.“portugalio.com”

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

25.14 Hotel Monumental Palace


No edifício da Avenida dos Aliados (situado entre o chamado edifício Garantia e o edifício do Comércio do Porto) começado a construir em 1925, com risco do arquitecto Michelangelo Soá, onde esteve a “Pensão Monumental” e no rés-do-chão o “Café Monumental”, passou a estar, presentemente, após recuperação geral do mesmo, o “Hotel Monumental Palace”.
A recuperação mencionada ficou a cargo dos arquitectos portuenses Audemaro Rocha e Pilar Paiva de Sousa.
Sobre aquela “Pensão Monumental”, um anúncio publicitário de 1935, dizia:
“Magníficos quartos com água corrente quente e fria, telefone e chauffage, mobiliários modernos. Excelente serviço de mesa, salas próprias para casamentos e excursões, sala de televisão, etc.”
Por sua vez, o Café Monumental foi inaugurado em Novembro de 1930, e considerado um dos mais luxuosos da Península Ibérica, dotado, em meados dos anos 50, em permanência, de duas orquestras, uma de jazz e outra de música clássica.
Na cave, tinha serviço de restaurante e bar. Diferenciava-se dos demais pela enorme dimensão das suas salas, pela diversidade e beleza das suas decorações e por ser, na altura, dos poucos que possuíam uma esplanada com a originalidade de as cadeiras serem de palhinha.


À direita o edifício do Café Monumental


“O Monumental dispunha ainda de 24 mesas de bilhar e ficou famoso por causa do jogo do quino (tômbola, como lhe chamavam) que se jogava numa ampla sala do primeiro andar. Era frequentado por um público muito heterogéneo: jornalistas, arquitetos, médicos, funcionários da Banca e dos seguros, caixeiros, comerciantes, mas, sobretudo, pelos jovens que lá iam atraídos pelos famosos concertos do Monumental. O café tinha efetivamente uma ampla sala de concertos onde, diariamente, tocavam duas orquestras ao vivo. Foi num desses concertos que um dia, quando o “cinema mudo” estava a desaparecer e começava a surgir o “ falado”, ou “sonoro”, que se cantou aquela célebre canção: “ Teodoro não vás ao sonoro / Teodoro se tu fores eu choro”. Ainda há de haver por aí muita gente que trauteou esta cançoneta.”
Com o devido crédito a Germano Silva


Esplanada do Café Monumental observada do interior do mesmo


Esplanada do Café Monumental no passeio da Avenida dos Aliados


No espaço ocupado pelo café, chegou a estar mais tarde, um stand da Fiat.



“O Monumental Palace é um projeto de recuperação de um imóvel neoclássico datado de 1923, projetado por Michelangelo Soá para albergar um hotel. Atualmente com 76 quartos, spa (com saunas, piscina, ginásio), restaurante, bar e café, este último aberto à cidade, o novo hotel de cinco estrelas da cidade, localizado na Avenida dos Aliados (considerada a futura zona premium do Porto) procurou recuperar a monumentalidade perdida do edifício, apostando na qualidade e nobreza dos materiais reabilitando o espírito Art Déco e Art Nouveau da época”.
Fonte: “dinheirovivo.pt/”


Monumental Palace – Imagem extraída do projecto de recuperação do edifício


segunda-feira, 15 de outubro de 2018

25.13 Estalagem do Galo e Estalagem do Lidador


Estas duas estalagens que se situam no Concelho da Maia e que marcaram uma época no desenvolvimento turístico da região, no que concerne à hotelaria e à restauração, em termos arquitectónicos, apoiavam-se em filosofias e estéticas, de que António Ferro era o grande guardião e mentor.
António Ferro foi um escritor, jornalista e político português, e um dos principais ideólogos do Estado Novo, que orientava da sua tribuna – O Secretariado de Propaganda Nacional. Na vertente cultural nada se fazia sem o seu aval.
Todos os artistas que não alinhassem com as suas teses, eram afastados.
A sua política assentava na chamada «Campanha do Bom Gosto», que criou e orientou, e que tinha por um dos pilares a Revista Panorama.
Criticado por uns, exaltado por outros, personalidade sem dúvida controversa, sobre ele diz Vasco Rosa em 27 Abril de 2015, no “Observador”:

“António Ferro faleceu em Novembro de 1956, mas só 30 anos após a sua morte (15 dos quais passados desde a revolução de 1974) a sua extensa influência em meio século de vida portuguesa teve uma primeiríssima avaliação crítica, ainda que de âmbito parcial: o trabalho académico de António Rodrigues sobre o seu modernismo na idade do jazz band, que esperou 9 longos anos para sair em livro, muito ajudado pelo providencial centenário do nascimento, em 1995. Ernesto Castro Leal dedicou-lhe em 1988 uma tese de história contemporânea, também ela centrada num tema específico, o jornalista e activista político de 1918 a 1932, a qual aguardou 6 anos por um editor. Outras teses universitárias foram dedicadas a Ferro, como a de Cidalisa Guerra em 2002 e a de Jorge Campos em 2009 — mas acerca destas tudo o que vos posso dizer é que estoicamente me forcei a lê-las até ao fim, e sobrevivi… Quase duas décadas depois do livro de Castro Leal, Margarida Acciaiouli escreveu «A Vertigem da Palavra». Retórica, Política e Propaganda no Estado Novo (Maio de 2013), e há semanas saiu António Ferro, «Criador do Salazarismo de Orlando Raimundo»”.


António Ferro e o ditador Oliveira Salazar


Sobre as estalagens que existiram na Maia, no século XIX, é o artigo seguinte, que dá ainda conta e descreve, a Estalagem do Galo, situada no Lugar do Chiolo, EN 14 e a Estalagem do Lidador, situada no Lugar das Guardeiras, EN 13, que eram o reflexo da tal «Campanha do Bom Gosto» que, por lei, tinha normativo próprio para as pousadas, desde 1941, o que em consequência, foi aplicado àquelas duas estalagens.
No mapa abaixo, do início do séc. XIX, é-nos mostrada uma «fatia» do Concelho da Maia, de então, em que vemos que ao longo das principais estradas que o atravessam há algumas estalagens.
À esquerda, na estrada para Vila do Conde, a estalagem da Venda da Velha. Ao centro, na estrada para Barcelos, as estalagens do Padrão de Moreira e da Lameira. À direita, na estrada que vai para Famalicão e Braga, as estalagens da Pinta, do Castelo e da Carriça.


Mapa parcial do concelho da Maia mostrando vias e estalagens - Fonte: José Augusto Maia Marques sobre mapa de Custódio Vilas Boas


“Estas estalagens, algumas bem arranjadas, outras, verdadeiros tugúrios, estão muito presentes na literatura oitocentista. Camilo celebrizou-as, no mais das vezes pelas piores razões. A Estalagem do Casal do Pedro na Junqueira (Vila do Conde) foi batizada pelo escritor de «Estalagem das Pulgas». E o nome ficou. A Estalagem da Ponte da Pedra, onde se reuniam, depois dos espetáculos, as divas do Bel canto que atuavam no Porto, acompanhadas dos seus seguidores, e onde, muitas vezes, havia pancadaria «de criar bicho», merece bastas referências na obra camiliana.
Várias destas estalagens ficaram famosas pela sua cozinha, outras pelo seu vinho, uma por outra pela estalajadeira ou por alguma das moças que a auxiliava.
Também elas se situavam na maioria das vezes ao longo dos caminhos.
Neste mapa do início do séc. XIX que nos mostra uma «fatia» do Concelho da Maia de então, vemos que ao longo das principais estradas que o atravessam há estalagens. À esquerda, na estrada para Vila do Conde, a estalagem da Venda da Velha. Ao centro, na estrada para Barcelos, as estalagens do Padrão de Moreira e da Lameira. À direita, na estrada que vai para Famalicão e Braga, as estalagens da Pinta, do Castelo e da Carriça.
António Ferro definia-as: “Exceptuando os grandes centros, do que precisamos, do que a nossa paisagem precisa, é de simples pousadas, ou estalagens, muito claras, muito limpas, confortáveis, mas sem luxo, construídas e arranjadas ao gosto de cada região […]. Boas camas, boa comida, boas instalações higiénicas, bom serviço, bom-gosto, eis as condições indispensáveis dessas pousadas ou estalagens”.
Para além do «modelo» que aqui é definido, e que se repercutiu com certa frequência pelo País, quer em pousadas, quer em estalagens, quer mesmo em hotéis de pequena e média dimensão, percebemos, por este excerto que, no fundo, o que diferia pousadas de estalagens, era, à parte a monumentalidade de algumas das primeiras, o facto de que pousadas eram de iniciativa pública (da SPN ou do SNI) enquanto estalagens eram de iniciativa privada.
Uma das mais conhecidas na nossa zona era a Estalagem do Galo. Em termos arquitetónicos enquadrava-se perfeitamente no espírito do “Bom Gosto” de Ferro.
Desenhada por Moreira da Silva em 1953, procura captar um certo ar “rural”, onde se mistura uma visão “acastelada” com a “Casa Portuguesa” de Raúl Lino. É um misto cenográfico tão ao gosto da época.
Pontificava na Estrada nacional nº 14 e além de local de dormida era conhecida também pela boa mesa. A decoração interior era condizente com o exterior, como podemos admirar nestes dois postais.
O “ar rural” era conseguido graças à utilização de madeiras e ao aspeto “rústico” que, mais do que constituir um estilo, era, à época, sobretudo uma “imagem mitificada”, uma “representação” de um “estado de alma”.



Estalagem do Galo (postal) – Lugar do Chiolo – Maia


Interior da Estalagem do Galo (postal)


Estalagem do Galo


Outro estabelecimento hoteleiro bem conhecido na nossa zona era a Estalagem do Lidador.
Também ela do início dos anos 50, pautava-se por uma sobriedade de linhas, sobretudo em relação à anterior.
Estava dotada no piso térreo com receção, instalações sanitárias, duas salas de jantar, sala de estar, e as várias instalações para a confeção de refeições.
Num corpo que se prolongava para norte, um amplo salão de festas com
palco, que também servia de sala de banquetes e, ao fim de semana, de sala de refeições. No piso superior, 10 quartos com todos os cómodos. Na cave, um bar inspirado pelo trabalho e armazenagem do vinho.
Com uma decoração escorreita, baseada nos padrões que António Ferro definira alguns anos antes, mas depurados de exagerados «regionalismos», os espaços eram agradáveis, acolhedores, luminosos, à dimensão humana.
Contava já com várias inovações como casa de banho e telefone nos quartos, sendo que todos estes tinham acesso a um terraço.
E, claro, como era hábito, uma instalação de venda de gasolina e óleos, ainda hoje muito movimentada.
Ali estiveram e pernoitaram vários membros do governo, governadores civis, presidentes de câmaras, deputados da nação, etc. O próprio Presidente do Conselho, Dr. Salazar ali esteve.
O seu serviço de restauração era famoso pela sua qualidade, atraindo, mormente ao fim de semana, muitos visitantes. Os seus lanches de sábado e domingo eram famosos.
A sua proximidade da cidade do Porto, do Aeroporto (campo de aviação, como se chamava nos anos 50) e do porto de Leixões, bem como os (então) abundantes espaços verdes que a rodeavam, fizeram da Estalagem um ponto muito requisitado para estadias de descanso e para estágios desportivos”.
Fonte: José Augusto Maia Marques, In: Revista da Maia; Ano II, Nº 1, 2017


Estalagem do Lidador – Colecção de José Augusto Maia Marques


Estalagem Lidador (Interior) - Colecção de José Augusto Maia Marques



Estalagem Lidador nos nossos dias – Fonte: Google maps

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

(Conclusão) - Actualizado em 28/06/2019


Concessionários e oficinas de marcas com história


Garagem de Albino Moura



Aluguer de carruagens em 1905 – Ed. Aurélio Paz dos Reis



Na foto acima, uma garagem de aluguer de carruagens, junto ao jardim de S. Lázaro, onde viria a funcionar, mais tarde, a partir de 1908 (ano do lançamento do modelo T), o representante da Ford. 



À direita o local onde esteve, desde o início do século XX, a Garagem de Albino Moura, representante da FORD – Ed. JPortojo


Durante boa parte do século XX, no espaço outrora ocupado pelo representante da Ford, esteve a Garagem Galiza, que fazia viagens para a região do Douro.




Rampa da Corticeira - Ed. Aurélio da Paz dos Reis


A foto acima mostra um automóvel Ford (possivelmente da Garagem de Albino Moura em S. Lázaro), que subiu em 32 segundos, a rampa da Corticeira no Porto, que tem um declive de 29 % e uma extensão de 300 metros, façanha relatada na Ilustração Portuguesa, n.º 221 de 16 de Maio de 1910.



Super Serviço Ford


Este serviço de assistência às viaturas da marca “Ford”, no Porto, situava-se, pelos anos 30 do século XX, na Rua do Heroísmo, nº 291, a poucos metros do prédio onde se viria a instalar, mais tarde, a delegação da Polícia Política (PIDE), no Porto.



Sala de espera e Serviço de Expediente do Super Serviço da Ford



Pronto Socorro do Super Serviço da Ford



Garagem “Palhinhas”



Fernando Palhinhas ‘pai’ (1893-1971) com um Singer Porlock Sport foi o vencedor do 1º Circuito da Boavista em 1931. 



“A comemoração do 90º Aniversário da Garagem Palhinhas terá o seu ponto alto num momento protocolar onde Fernando Palhinhas ‘pai’, será homenageado a título póstumo, pela Câmara Municipal do Porto na pessoa do Dr. Rui Rio no dia 3 de Julho no Circuito da Boavista, e onde, simbolicamente será entregue uma réplica da Taça do 1º Circuito da Boavista ganha por Fernando Palhinhas ‘pai’ em 1931.



Taça do 1º Circuito da Boavista ganha por Fernando Palhinhas ‘pai’ em 1931 – Fonte: “facebook.com/fernando.palhinhaslda”


"A Garagem Palhinhas está ligada aos automóveis desde 1921 altura em que é fundada a empresa. Desde logo a ligação às corridas começa a ganhar forma, e, Fernando Palhinhas ‘pai’ passa a ser uma referência na cidade do Porto passando a prestar assistência às grandes marcas da época como a Adler, Pontiac-GMC, Jaguar, Ferrari, Volkswagen e Alfa Romeo. No final da década de 40 Fernando Palhinhas ‘pai’ depois de ter ganho já algumas provas passa a construir os seus próprios carros de corrida, os ‘FAP’ (automóveis Palhinhas com carroçaria Adler e motores Fiat) tendo produzido 12 carros todos modelos desportivos com cilindradas entre os 1100 aos 1500cc, carros que chegaram a atingir velocidades acima dos 180km/h, permitindo que os ‘FAP’ ficassem na história de Portugal como 1ª marca portuguesa pós guerra e uma das últimas a desaparecer, nesta altura já com a ajuda de Fernando Palhinhas ‘filho’ (1923-2009) que passa também a correr lado a lado com o seu pai em várias provas. Os ‘FAP’ chegaram a competir com as grandes marcas internacionais como a Denzel, Porsche, Alfa Romeu, Jaguar ou a Ferrari, tendo vencido importantes provas como o Grande Prémio Jubileu ACP em 1953, ou a Taça Cidade do Porto, conduzidos por Fernando Palhinhas ‘pai’ e ‘filho’. Fernando Palhinhas filho esteve à frente da Garagem Palhinhas desde 1971 a 2009”.
Fonte: “facebook.com/fernando.palhinhaslda”, 09/06/2011


Cartaz comemorativo dos 90 anos de “Palhinhas” – Fonte: “facebook.com/fernando.palhinhaslda”


Garagem Palhinhas na Rua do Campo Lindo, nº 328 – Fonte: Google maps



“Palhinhas foi um piloto versátil que se iniciou no incipiente automobilismo desportivo nacional ainda nos tempos conturbados da “república nova”. Venceu com autoridade o I Circuito de Trás-os-Montes, em 1925 ao volante de um Mercedes, venceria a categoria “sport” da I Rampa da Circunvalação, em 1927, ao volante de um Ariès e seria o vencedor absoluto do I Circuito da Boavista, a polémica prova que utilizou um sistema de “handicap” para, teoricamente, nivelar todos os concorrentes, conduzindo um Singer. No ano seguinte participaria uma vez mais na Boavista, com um raro Derby. Em 1938, Fernando Palhinhas inscreve-se no último Circuito de Vila Real antes do conflito aparecendo com um Adler e é a partir deste Adler que a aventura de conceber uma marca começa, mas só depois da guerra.
Um dos mais curiosos automóveis presentes na edição de 1950 do Circuito da Boavista foi o FAP, de Fernando Palhinhas. Não era a sua estreia, mas a presença num circuito internacional contribuiu para que se olhasse com mais detalhe para a obra de Palhinhas. Realizado com base num chassis de um Adler Trumpf Junior, o FAP estava equipado com um motor Fiat, o famoso 4 cilindros de 1089 cc que serviu de base ao renascimento de uma grande parte do automobilismo francês e italiano do pós-guerra.
(…) A FAP teve várias vitórias absolutas e na classe e contribuiu para o automobilismo desportivo nacional de uma forma importante e abnegada. Abílio de Barros foi, seguramente, o seu principal piloto e ficaram célebres os seus duelos com Corte Real Pereira no ano de 1953. Afinal, um reflexo claro de um homem que, de forma desinteressada, sempre revelou uma visão e um sentido crítico muito apurados com vista ao desenvolvimento da nossa competição automóvel”.
Cortesia José Barros Rodrigues



Automóvel FAP (1952)



Em 12 de Abril de 1953, era apresentado o novo automóvel português FAP-53 de Fernando Palhinhas, no Stand Hillman, na Rua de Sá da Bandeira.



Garagem Aurora


“Homem muito “batido” por inúmeros anos dedicados ao automobilismo de competição, com imensas histórias e “estórias” para contar, é uma delícia passar umas horas com esta autêntica “lenda viva” do automobilismo nacional, comparável a nomes míticos como Jeremias Acácio Leite, Fernando Palhinhas e os Palma, pai e filho”.
Fonte:directorioamarelo.pt”


A Garagem Aurora é uma das oficinas mais reconhecidas da cidade do Porto. Está nas mãos de Eduardo Santos desde a década de 1960, mas a ligação de “mestre” Eduardo (assim é conhecido no meio) à empresa, é anterior.
“Mestre” Eduardo é o dono da “Garagem Aurora”, do Porto e, com certeza, a nível nacional, quem mais percebe da marca Porshe.
A empresa sobreviveu a várias crises económicas do país e ao drama de um incêndio, que destruiu, as instalações originais, na Rua Corte Real (próximo do Mercado da Foz do Douro), em Julho de 1981.



Garagem Aurora na Rua Corte Real – Fonte: Google maps


Na foto acima, observa-se o edifício onde foi fundada a Garagem Aurora na Rua Corte Real, que alvo de um incêndio, ainda funcionaria ligado ao sector automóvel, até 2007, após as necessárias obras de recuperação do mesmo.
A Garagem Aurora, ainda hoje, presta assistência em viaturas contemporâneas, clássicas e de competição. Aliás, a fama da empresa como preparador de automóveis de corridas já ultrapassou fronteiras.
“Mestre Eduardo” conta hoje com a colaboração de Eduardo Santos, seu filho.
A actividade da empresa no que respeita ao sector da competição desportiva ocupa, presentemente, cerca de 35%.
A empresa foi fundada em 1953 por Manuel António Alves, antigo patrão de “Mestre” Eduardo. Aquele fundou a empresa e este, entrou como aprendiz de bate-chapas aos 12 anos.
Aos 18 anos, por decisão do patrão, passa a encarregado de oficina e, aos 21, é dono da oficina com mais cinco sócios, aos quais comprou, posteriormente, as quotas respectivas, até ficar como único proprietário da empresa.
Hoje, a Garagem Aurora está na Zona Industrial e não nas instalações originais, que foram alvo do tal incêndio, pelo facto, de que, a Câmara Municipal do Porto não o ter permitido, apesar de ter sido feita uma proposta nesse sentido, que incluía mesmo, a compra do espaço.
Tudo aconteceu quando apareceu um ante projecto de expansão do Mercado da Foz, que é contíguo às instalações da Garagem Aurora, na Rua Corte Real.
Por essa razão, ficou acordada a realização de uma troca.
Eduardo Santos entregaria o prédio na Rua Corte Real e a Câmara do Porto, daria por troca, um outro, na Rua de Diu.
Como é habitual nestas situações, esta operação demorou a ser realizada. Durante todo esse tempo (cerca de dez anos), o dono da Garagem Aurora acabou por se servir dos dois espaços, nos quais fez investimentos, para a melhoria das áreas respectivas.
Em 2007 a Câmara Municipal decide colocar em hasta pública o prédio da Rua Corte Real.
Eduardo Santos vende as instalações da Rua de Diu e muda-se para a Rua Manuel Pinto de Azevedo, achando mais razoável, proceder ao abandono de uma área mais residencial (que de futuro, poderia vir a criar constrangimentos) e passando a uma mais industrial.


Instalações da Garagem Aurora na Rua de Diu - Ed. josecarloscruz.com


Eduardo Santos (filho), o “motor” actual da Garagem Aurora, após todas as vicissitudes vividas pela empresa, nas últimas décadas, não se conforma com a apropriação por terceiros da marca “Garagem Aurora”.

“Infelizmente, agora, compraram o espaço em hasta pública e reconstruíram o edifício mantendo o nome Garagem Aurora na fachada, que é uma marca registada nossa, aproveitando-se do nome para chamarem clientes”.
Eduardo Santos (filho)


“Mestre” Eduardo, desde há muitos anos que é um conhecido “expert” ligado à competição automóvel, no que concerne aos Porshes, que conhece como ninguém, e uma referência marcante nesse universo.
Inúmeros pilotos que correm com aquela marca, têm com ele uma ligação muito forte.



Um Porshe da “Aurora”



C. Santos Lda


Em 20 de Dezembro de 1912 Carlos Santos fundou em Lisboa, na Rua Nova do Almada, a firma C. Santos Lda, que detinha as representações da americana “Studebaker” e a “Erskine” da Studebaker, com instalações também no Porto, na Praça da Liberdade, no edifício da Nacional.



 Publicidade ao “Studebaker” com C. Santos no edifício da Nacional em 1927 – Fonte: “restosdecoleccao.blogspot.com”


Publicidade ao “Erskine” com C. Santos no edifício da Nacional em 1927 – Fonte: “restosdecoleccao.blogspot.com”


C. Santos Lda, acabaria por obter a representação da Mercedes-Benz (fundada em 1926) em Portugal, a partir de 1936.
Esta representação começou por incluir apenas os automóveis, passando posteriormente a representar todos os veículos produzidos por esta empresa alemã. O relacionamento entre estas duas empresas foi sempre estreito, mesmo durante a 2ª Guerra Mundial, altura em que surgiram problemas graves devido à conjuntura que se vivia.
Mas, logo após o fim da guerra (1945), a venda de veículos aumentou significativamente não só a particulares, mas também para a frota de automóveis de aluguer (Táxis), veículos de carga, serviços públicos, sociais e exército.


Stand da “Sociedade Comercial C. Santos Lda” na Rua de Santa Catarina 160-168 – Fonte: “restosdecoleccao.blogspot.com”


Na foto acima é possível observar para além da C. Santos a Casa de gabardines Vieira (de que se vê apenas um pouco do toldo) e para montante a “Camisolândia” com o seu reclame visível.
Em 1946, é constituída a “Sociedade Comercial C. Santos Lda” que fez parte do grupo de empresas que, mais tarde, passou a ser detido pela “Holding” EMINCO que, em determinado momento, abrangia áreas tão diversas como importação e venda a retalho de produtos das marcas Mercedes-Benz, British-Leyland, Castrol e Massey-Fergusson, aluguer de viaturas (Avis Rent-A-Car), etc.
Assim, a 11 de Janeiro de 1946, a Sociedade Comercial C. Santos inicia a sua actividade tendo como sócios, entre outros, a “C. Santos Lda”, detentora da representação Mercedes-Benz, com sede em Lisboa e então detida, maioritariamente, pela família Mendes de Almeida, tendo o Conde de Caria (Bernardo Viana Machado Mendes de Almeida, 4.º Conde de Caria) outorgado a escritura de constituição da sociedade, em sua representação.


Publicidade da C. Santos, Lda em 1950 – Fonte: “restosdecoleccao.blogspot.com”


A sede social da empresa situou-se na Rua de Santa Catarina, com o capital social de 600.000$00, local onde permaneceu durante 42 anos, mais concretamente até 1988.
As oficinas funcionaram, então, na Rua de Santos Pousada, até 1958.


Local actual onde foi a sede da Sociedade Comercial C. Santos na Rua de Santa Catarina – Ed. JPortojo


No ano de 1958, inauguraram-se as oficinas principais na Via Rápida, local onde se mantiveram até 1984.
 Em 1982, são inauguradas as instalações da Maia.

“No ano de 1986 é adquirida a totalidade do capital social à Eminco, altura em que, nas instalações da Maia se concentram os escritórios centrais, a área de vendas de automóveis, comerciais ligeiros e pesados, o departamento de peças e a assistência técnica a viaturas turismo, comerciais ligeiros e pesados. Dois anos mais tarde, a sede social é transferida para a Maia. Em 1992, o Capital Social da empresa passa a ser de 400 000 000$00.
Em Abril de 1989, a representação da Mercedes-Benz em Portugal foi adquirida pela Mercedes-Benz AG e foi fundada a Mercedes-Benz Portugal.  A Mercedes-Benz Portugal é uma empresa pertencente ao grupo multinacional DaimlerChrysler AG e tem como actividade principal a importação e distribuição de veículos e comercialização de peças e acessórios.
Em 1990 é inaugurado o salão de exposição de veículos na Avenida da Boavista que se apresenta como um cartão de visita da empresa.
Em 1998, a Sociedade Comercial C. Santos abre mais um espaço na Estrada Exterior da Circunvalação para onde se deslocaram os serviços centrais. Além disso, foram abertos os serviços de Venda de Viaturas de Turismo; Assistência Técnica a Viaturas de Turismo, Peças e Acessórios
Em 2000 a Sociedade Comercial C. Santos certifica-se pela Norma NP ISO 9002.
Fonte: “soccsantos.pt/”


No ano de 2000, é também, inaugurado, o Salão de Exposição de Felgueiras.
O Capital Social é aumentado para 3.000.000 Euros em 2002 e as instalações da Maia são ampliadas com a inauguração do Salão de Exposição de Comerciais e a nova oficina de Comerciais Pesados.
Em 2003 inicia-se o funcionamento como oficina Autorizada da EVOBUS Portugal S.A., de acordo com a Norma Europeia EU 1400/2002.
A empresa viria a ser alvo de um processo de cisão-fusão deixando a unidade da Circunvalação de pertencer à mesma, tendo esta situação sido formalizada em 02/07/2007.
Em Janeiro de 2009 a Sociedade Comercial C. Santos inicia o negócio Smart (vendas, assistência e peças nas instalações da Maia e Boavista) passando a integrar a gama completa, e em 2010, a Sociedade Comercial C. Santos amplia a sua área de actuação também ao negócio Rent-a-Car, disponibilizando uma frota exclusiva Mercedes-Benz e smart.
Além da venda de veículos, a Sociedade Comercial C. Santos assiste toda a gama de viaturas comercializadas pela Mercedes-Benz – Automóveis Ligeiros, Comerciais Ligeiros e Pesados, Autocarros e Unimog, smart e Mercedes-Benz AMG, com salões de Exposição, na Avenida da Boavista, Maia e Felgueiras.


Mercedes-Benz na Estrada Exterior da Circunvalação (ao Monte dos Burgos) – Fonte Google maps


Fiat Portuguesa


Entre a Sociedade Comercial C. Santos e o café Majestic, na Rua de Santa Catarina, nº 122, esteve, nos anos 30 do século XX, a Fiat Portuguesa, SARL.



Publicidade ao Fiat 508