terça-feira, 31 de outubro de 2017

(Continuação 32)

Edifício EMPORIUM

Este edifício fica localizado na esquina da Rua de Sá da Bandeira e Guedes de Azevedo.
Foi projectado pelo arquitecto Arthur de Almeida Júnior em 1939. 
No seu piso térreo alberga desde da década de 70 do século XX a histórica “Confeitaria Cunha”, fundada noutro local em 1906 como padaria, vindo ocupar aqui um espaço, onde anteriormente se encontrava instalado um Stand da Volvo.
A confeitaria estribada num restaurante anexo, tem contrato de arrendamento desde sempre, mas que não irá ser renovado pelo novo proprietário e, assim, a partir de Abril de 2018, a “Cunha” terá que deixar as instalações perdendo-se, deste modo, mais um estabelecimento comercial icónico da cidade, embora ainda esteja a ser tentado que venha a ser declarado pela autarquia como uma loja histórica, o que impediria o seu fecho.

“O restaurante foi projectado no início dos anos 70 pelos arquitectos Victor Palla e Bento d'Almeida, que introduziram em Portugal o conceito de snack-bar, ao desenhar, em Lisboa, o “Noite e Dia” e o “Galeto” (este inaugurado em 1966). Para a “Cunha”, foram importadas madeiras e granitos do Brasil e de África e, mais tarde, foi encomendado ao ceramista Francisco Relógio o painel de azulejos que decora uma das salas”.
Fonte: Isabel Peixoto, In JN


Edifício Emporium – Ed. J. Portojo 


Em 2019, a Confeitaria Cunha acabaria por não resistir e acabou por fechar, perdendo-se mais um pouco da memória colectiva.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

(Continuação 31)

Casa da Baronesa da Regaleira ou Palácio de São Bento da Vitória

Este palacete do século XIX conhecido também pela Casa da Baronesa da Regaleira, fica situado na Rua de S. Bento da Vitória, nº 12, onde esteve a sede do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) e onde antes, durante várias dezenas de anos, esteve a Polícia Judiciária.
Mandado construir c. 1830 por José Monteiro de Almeida, um comerciante abastado casado com Ermelinda Allen (1768-1858), a filha de E. W. Allen, cônsul britânico, foi vendido mais tarde a José Gaspar da Graça também comerciante.
A baronesa da Regaleira, Ermelinda Allen, seria mais tarde viscondessa da Regaleira, tendo adquirido aqueles títulos após a compra c. 1840 da Quinta da Regaleira em Sintra.
Numa óptica do contexto da época, diga-se que c. 1831 o irmão da baronesa, João Francisco Allen, começava a construção do seu solar na Rua da Restauração onde, mais tarde, em edifício anexo, iria fundar e gerir o chamado Museu da Restauração ou Museu Allen.
A partir da segunda metade do século XIX o palacete da baronesa seria, desde 3 de Setembro de 1853, sede do Colégio Podesta e, desde 1857, a sede da repartição dos Correios que, mais tarde, em 1880, seria transferida para o Palacete da Batalha, dos Guedes da Aveleda.
Albergou depois o Teatro Vitória e, a partir de 1887, o Liceu Central do Porto.
O edifício foi propriedade do Estado português de 1928 a 2014, tendo sido a sede da Polícia Judiciária do Porto entre 1950 e o ano 2000 e, posteriormente, do Tribunal de Instrução Criminal (TIC)  até 2014. No ano seguinte foi adquirido por uma promotora imobiliária que, actualmente, o pretende vender com projecto já licenciado para fins residenciais ou hoteleiros.
O edifício está integrado na área do Centro Histórico do Porto – Património da Humanidade desde 1996 – e situa-se ainda em zona especial de protecção da igreja e convento de São Bento da Vitória, classificados como monumentos nacionais.


“Edifício profundamente marcado pelo estilo neoclássico.
Na sua fachada podemos verificar a existência de frontões triangulares nas fachadas embora na fachada posterior tenha sido retirado após obras de recuperação (1950).
Fachada organizada segundo os cânones métricos do primeiro quartel do sec. XIX, entablamentos direitos, frisos lisos. Conjunto bastante formal e estrutural.
Notável embasamento, onde se evidência o pórtico principal em arco de volta perfeita, ladeado por pilastras; de discreta elegância.
No interior uma tradicional e formal organização geométrica dos espaços. Planta quadrada, com saguão central onde se encontrava a escadaria monumental (demolida), em granito lavrado e adornado e sobre o conjunto o característico zimbório que ilumina todo o conjunto.
Destaca-se no edifício, o vestíbulo de entrada do palácio, a menos adulterada das salas, com excelentes painéis de azulejos a decorar o conjunto e o monumental pórtico que dá acesso à escadaria. Todo o vestíbulo é flanqueado por varandas e janelas que se abrem do mezanino”.
Fonte: “pt.wikipedia.org/”


Casa da Baronesa da Regaleira

Interior do Palacete da Baronesa da Regaleira 

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

(Continuação 30)


Este palacete situava-se na Praça de Santa Teresa, que foi também Praça do Pão, hoje Praça Guilherme Gomes Fernandes, e era visitado frequentemente por Garrett.
Erguido em meados do século XVIII, c. 1750, segundo dizem sem confirmação, com projeto de Nicolau Nasoni, pertenceu a uma família de magistrados inseridos na pequena nobreza que lhe deu o nome.
Sobre o portal da entrada encontrava-se a sua pedra de armas: "um escudo partido de Pereiras e Barrosos, com o seu elmo e seu timbre".

«Esta família acabou por alienar o edifício em 21 de Maio de 1874, sendo que nas últimas décadas da sua existência esteve o mesmo subdividido em escritórios e lojas de comércio, ainda que sem perder "ao menos exteriormente, na fachada principal, o seu ar de nobreza setecentista".»
Fonte: “aportanobre.blogspot.pt”

O palacete foi demolido na década de 1960, para dar lugar a um prédio de apartamentos, onde durante muitos anos esteve instalada a Livraria do Estado.


Em frente na esquina o palacete dos Barroso Pereira em 1914


Palacete do Barroso Pereira


Praça de Santa Teresa e a feira do pão 

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

(Continuação 29)


Pela observação da foto abaixo a Casa da Pedra é constituída por 2 corpos, sendo, um deles situado mais a Sul de 2 pisos, e um outro mais a Norte, adossado àquele, de um só piso.
Esta casa segundo algumas opiniões terá começado a ser edificada no fim do século XVIII, e sofrido várias intervenções ao longo dos anos.
Até à 2ª metade do século XIX, estava inserida num ambiente tipicamente rural e, por aqueles tempos, teve junto de si a Fonte das Águas Férreas.


Casa da Pedra – Fonte: “gisaweb.cm-porto.pt”



Casa de Pedra nas Águas Férreas – Fonte: Planta de Teles Ferreira em 1892


Casa das Águas Férreas actualmente na esquina da Rua das Águas Férreas e a Travessa das Águas Férreas – Fonte: “pt.wikipedia.org”



“No último quartel do século XIX serviu de residência ao escritor e filósofo Oliveira Martins, durante a sua estada no Porto para dirigir a construção da via férrea do Porto à Póvoa de Varzim e a Vila Nova de Famalicão.
A casa celebrizou-se então por ser o local de encontro dos intelectuais da Geração de 70, em tertúlias dinamizadas por Antero de Quental, Eça de Queirós, Guerra Junqueiro e Ramalho Ortigão, os quais, com Oliveira Martins, compunham o célebre "Grupo dos Cinco". Foi nesta casa que Antero de Quental se tentou suicidar pela primeira vez.
Entre as décadas de 1960 e 1980, a Casa da Pedra foi residência da poetisa vianense Maria Manuela Couto Viana. A Casa da Pedra mantém-se, ainda hoje, como propriedade particular com função residencial”.
Fonte: “pt.wikipedia.org”


Aspecto do Jardim da Casa de Pedra em 1954 – Ed. Teófilo Rego; Fonte: AHMP


Chafariz do Jardim da Casa da Pedra em 1954 – Ed. Teófilo Rego; Fonte: AHMP

Casa das Águas Férreas - Fonte: “portoarc.blogspot.pt”

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

(Continuação 28)


Fica este palacete situado paredes meias com a Igreja de S. José das Taipas, na Cordoaria, onde funcionou também em tempos a Escola Industrial Infante D. Henrique e a Escola Filipa de Vilhena, identificada nessa altura como Escola Mouzinho da Silveira, e que hoje alberga uma funerária e algumas lojas de pequeno comércio.



Palacete dos barões de Sandeman. À esquerda a cadeia da Relação - Ed. MAC

A casa dos Sandeman foi mandada construir na década de 1830 por Tomás Glas Sandeman (1789-1870) num terreno que pertencia à sua mulher D. Ermelinda Júlia de Brito e Cunha (1805-1875). O dito terreno era nas traseiras da casa do seu pai, António Bernardo de Brito e Cunha (1780-1829), no actual nº 131 da Rua das Taipas.
Por morte de Tomás Glas Sandeman, em 1870, a casa com frente para a então chamada Alameda do Olival passou para os seus dois filhos Thomas e William (2º e 1º barões de Sandeman, respectivamente).
Foi Tomás Glas Sandeman quem em 1865 propôs à Câmara do Porto a transformação em jardim público do terreiro da Cordoaria em frente à sua casa.
A família Sandeman tinha a sua habitação original na Rua de Cedofeita num palacete, que mais tarde, teve várias ocupações e, entre elas, foi esquadra de polícia e Repartição do Arquivo de Identificação.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

(Continuação 27)

Palacete do Conde de Azevedo ou Palacete dos Azevedo aos Carvalhos do Monte (Largo 1º de Dezembro)


“Desconhece-se quando terá sido construído o Palácio do Conde de Azevedo – também conhecido como Casa de Santo António do Penedo –, mas o histórico imóvel, que agora está a ser reabilitado, foi casa de um visconde culto e Repartição da Fazenda.
Casa de Santo António do Penedo ou Palácio do Conde de Azevedo, casa nobre sita na Rua Saraiva de Carvalho (outrora Santo António do Penedo). Desconhece-se quando foi construída, mas terá pertencido aos Pereira de Sampayo.
Em 1771, foi concluída a escadaria, aquando do rebaixamento da rua.
Vendida ao 1º Visconde de Azevedo, Francisco Lopes de Azevedo Velho da Fonseca Barbosa Pinheiro Pereira e Sá Coelho (1809-1876), provavelmente por volta de 1858.
No mesmo ano, o visconde requereu à Câmara licença para remodelar o palácio e anexar-lhe um prédio contíguo.
(…) Em 1887, a casa foi vendida ao Estado que ali instalou a Repartição da Fazenda. Encontrava-se há vários anos desocupada, (…) ”.
Com a devida vénia a César Santos Silva


Palacete do Conde de Azevedo – Fonte: César Santos Silva, In “porto24.pt”



Este palacete há anos ao abandono acaba de ser recuperado com projecto do arquitecto Nuno Pinto Cardoso, dentro dum programa de  habitação colectiva com19 unidades de alojamento: 
5 apartamentos em Estúdio
9 Unidades com 1 Quarto Duplo
5 Unidades com 2 Quartos Duplos.


“O Palácio dos Condes de Azevedo é um edifício com elevado interesse patrimonial localizado no centro da cidade. Com efeito, o edifício encontra-se referenciado na história da arquitetura como uma das melhores obras de transição do século XVII para o século XVIII. Este edifício arquitectónico de traço neoclássico é constituído por um piso térreo e por um andar nobre. No alçado principal do andar nobre é possível visualizar que as sacadas apresentam grades do tipo seiscentista, com 11 janelas às quais estão associadas alternadamente entre frontões triangulares e semicirculares. O projecto de reabilitação levado a cabo, interpreta e incorpora o legado cultural, patrimonial e histórico do Palácio dos Condes de Azevedo, numa intervenção de reabilitação consentânea com o elevado valor patrimonial do edifício”.
Fonte: “premio.vidaimobiliaria.com”


Palacete do Conde de Azevedo antes da última intervenção


Traseiras do Palacete do Conde de Azevedo - Fonte: “premio.vidaimobiliaria.com”


Palácio dos Condes de Azevedo - Fonte: “premio.vidaimobiliaria.com”

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

(Continuação 26) - Actualização em 10/01/2019





Palacete na Avenida da Boavista, nº 2609


Manoel Alves Soares foi um capitalista ligado, entre muitos outros empreendimentos, ao Jornal “O Primeiro de Janeiro” e à Empresa Fabril do Norte.





Esta moradia (que praticamente já não existe) ficava na Avenida Marechal Gomes da Costa, nº 1103, na artéria que já foi Avenida do Gama.
Estava situada no gaveto daquela avenida e da Rua Fernão Lopes de Castanheda, tendo sido inspiração do mesmo arquitecto dos Armazéns Frigoríficos em Massarelos – Januário Godinho (Almeida).
Presentemente parte da moradia foi aproveitada para dar lugar a um projecto que contempla um condomínio habitacional de luxo, e no qual foram aproveitados alguns (poucos) elementos arquitectónicos da construção primitiva.
Daniel Maria Vieira Barbosa (Porto, 13 de Julho de 1908, Cascais, 12 de Maio de 1986), conhecido como Daniel Barbosa, licenciou-se em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto em 1935, onde foi professor.
Transfere-se, em 1952, para o Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa para chefiar, como professor catedrático, o ensino da Economia. Foi ainda ministro de Salazar em 1947-48 (Ministro da Economia apelidado do “Barbosa das Farturas”) e Ministro da Indústria e Energia (1974), no governo de Marcelo Caetano.



Casa Daniel Barbosa (obra de 1936) em 2015



A moradia pertenceu, portanto, ao Prof. Daniel Barbosa.
O primeiro registo de propriedade é de 1956.
Em 1967, passou para as mãos da Associação Rainha D. Beatriz - uma associação de solidariedade social.
Em 1979, por Portaria, o imóvel foi integrado no Centro Distrital da Segurança Social do Porto.
A partir do início dos anos 80 do século passado, a moradia ficou conhecida de inúmeros portuenses, pois, lá se apresentaram a “Juntas Médicas” do “Núcleo de Verificação de Incapacidade”.
Em 2014, ao abrigo do Decreto-Lei nº. 112/2004, de 13 de Maio, o imóvel transitou para o Património do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, IP.
Em 2015, através de “Concurso de Alienação de Imóveis”, o imóvel foi vendido.
Durante o ano de 2019, o condomínio de luxo que foi implantado no local da moradia, já deve estar concluído.
Diga-se, em complemento, que a Associação Rainha D. Beatriz foi constituída em 1964 e viu os seus primeiros estatutos aprovados por Despacho Ministerial de 15 de Junho de 1964, publicado no então Diário do Governo nº 150, 3ª Série, de 27/06/1964.
A Associação Rainha D. Beatriz, hoje sita na Rua da Cerca 388 (à Foz Velha), tem acordo de cooperação com o Instituto de Segurança Social, funcionando como um lar para 31 idosas.



Solar dos Correia Montenegro (demolido)



Solar dos Correia, já desaparecido da calçada de Vandoma, à Sé, que mais tarde seriam condes de Castelo de Paiva.




Solar dos Correia Montenegro



Solar dos Correia



Nas fotos anteriores está o Solar dos Correia em 1951, à entrada da Rua Chã. Numa delas ao fundo à direita, é possível observar as torres da Câmara e da igreja da Trindade.


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

(Continuação 25)



Edifício Parnaso

O Edifício Parnaso, no Porto, projectado pelo arquitecto José Carlos Loureiro em 1954, por iniciativa do seu proprietário, o compositor Fernando Corrêa de Oliveira, foi edificado em 1956 e está classificado como monumento de interesse público.
Viria a servir de modelo ao seu vizinho, onde está actualmente instalado o Museu Marta Ortigão Sampaio, sendo que esta era irmã de Feliciana, casada com Fernando Corrêa de Oliveira.
Situado na freguesia de Cedofeita, no gaveto das ruas de Oliveira Monteiro e Nossa Senhora de Fátima, este edifício de habitação, comércio e serviços, que deve o seu nome à Escola de Música Parnaso que aí funcionava (no rés-do-chão), é um importante exemplar da arquitectura moderna portuguesa.
Segundo a portaria de classificação publicada em Diário da República o Parnaso "é já uma referência na história da arquitectura portuguesa, concretizando com elevada qualidade artística e construtiva os princípios da arquitectura modernista, da Carta de Atenas e da Organização dos Arquitectos Modernos, de que o autor foi membro activo".
A mesma portaria destaca "o domínio das escalas, a utilização de volumes simples que se articulam de forma harmoniosa e a qualidade plástica global". Loureiro, que nasceu em 1925, conseguiu com "talento" que o edifício mantivesse "um generoso afastamento em relação à via pública", criando "um espaço de desafogo" e impondo simultaneamente "uma presença marcante no cenário urbano".
José Carlos Loureiro, natural da Covilhã, um dos decanos da arquitectura em Portugal, hoje com 92 anos, é também autor do Pavilhão Rosa Mota, nos Jardins do Palácio de Cristal e, entre muitos outros projectos seus de relevo, estão: a estação fronteiriça de Valença, a Capelinha das Aparições em Fátima, a Torre Hotel D. Henrique, etc.
Todo o seu acervo profissional foi por si doado, à Fundação Marques da Silva, à Praça do Marquês.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

(Continuação 24)



Palacete de Júlia Lopes Martins ao Marquês - Fonte: Google Maps


Acesso ao Pavilhão do Jardim do palacete – Fonte: “fims.up.pt”


“No início do século XX José Marques da Silva (1869-1947) habitava num andar do inovador Edifício plurifuncional (comércio, escritórios e habitação) que projectara para a Rua das Carmelitas, no Porto.
O casamento com Júlia Lopes Martins, o conforto material e a preservação da contiguidade patrimonial terão conduzido à decisão de projectar e construir a sua casa (1909) no terreno que a família da sua mulher dispunha ao lado do seu palacete, na Praça do Marquês de Pombal e adquirido pela família Lopes Martins, em 1886.
(…) Em 1914, Marques da Silva já se encontra definitivamente instalado na casa-atelier, sendo este o local onde se regista o nascimento da sua filha Maria José Marques da Silva. Para além de cumprir o desígnio de habitação familiar, a casa-atelier, acolherá muitos dos arquitectos das gerações seguintes não só como espaço de aprendizagem, mas também de cruzamento de distintas experiências profissionais. Os últimos anos de vida de Marques da Silva serão, no entanto, passados no palacete. Em 1943, com o falecimento da tia de D. Júlia, o casal assegura a posse da totalidade do terreno, evitando a fragmentação do conjunto habitacional. Para a casa-mãe, Marques da Silva concebera, entre 1906 a 1909, um projecto de remodelação da sala de jantar, fazendo executar, entre outras intervenções, um impressivo mobiliário, de gosto historicista, mas as características construtivas e funcionais do palacete serão mantidas desde o momento, em que ele é adquirido pela família Lopes Martins, em 1886, até à actualidade”.
Fonte: “fims.up.pt”


Casa-Atelier de Marques da Silva ao Marquês - Fonte: “fims.up.pt”



“A Fundação Instituto Arquitecto José Marques da Silva (FIMS) foi instituída pela Universidade do Porto e tem como missão a promoção científica, cultural, formativa e artística do património arquitectónico de José Marques da Silva, inserida no contexto do seu tempo e aberta à cultura moderna de que foi precursora.
Sedeada na própria Casa-Atelier do Arquitecto e no contíguo palacete da família Lopes Martins, e ocupando ainda um pavilhão existente no seu extenso jardim, a FIMS alberga um diversificado conjunto documental que inclui, para além do arquivo profissional do arquitecto Marques da Silva, os arquivos da sua filha e genro, os arquitectos Maria José Marques da Silva e David Moreira da Silva”.
Fonte: “fims.up.pt”

terça-feira, 10 de outubro de 2017

(Continuação 23) - Actualização em 23/01/2019


António Pimenta da Fonseca, industrial em Lever, e que seria em 1916 um dos responsáveis pela remodelação do teatro Sá da Bandeira, viria a iniciar nas primeiras décadas do século XX a construção deste edifício, na Rua de Santa Catarina, e que hoje alberga uma unidade hoteleira no nº 1347.
Em 1933 por portaria do Ministério da Instrução Pública assinada por Gustavo Cordeiro Ramos então ministro da Instrução Pública, António Pimenta da Fonseca, já comendador, veria o seu nome ser atribuído a uma escola de Lever por deliberação em Conselho de Ministros de 28 de Janeiro de 1933.

“ (…) tendo o comendador António Pimenta da Fonseca prestado relevantes serviços à escola de ensino primário elementar da freguesia de Lever, concelho de Vila Nova de Gaia”.
Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”


“A origem do Castelo Santa Catarina tem início com uma história que remonta ao ano de 1887, altura do seu primeiro registo predial, quando se dá início, numa primeira fase, à construção da capela privativa em honra de Nossa Senhora da Conceição, sendo o Torreão construído posteriormente.
Este edifício foi mandado edificar pelo Comendador António Pimenta da Fonseca, ilustre industrial têxtil de reconhecimento internacional.
O Comendador decidiu construir este espaço para habitação privada familiar, tendo também o intuito de receber os seus convidados e ostentar o seu poderio económico-social.
Rodeou-se dos melhores artífices da época de modo a que o produto final fosse de uma tal beleza que motivasse a admiração profunda de quem o visitasse. Nesta casa o Comendador viu nascer a sua filha e assistiu ao infortúnio da morte da sua esposa.
Continuou a habitar a sua residência e aqui casou pela segunda vez. Após o seu falecimento, a sua esposa e a filha do primeiro casamento não se entenderam em relação às partilhas e decidiram retirar todo o espólio existente, quer na Capela como no Torreão, deixando o Castelo de Santa Catarina vazio e abandonado durante longos anos.
Em 1969, Joaquim Teixeira Brás, empresário hoteleiro, vendo uma oportunidade única de exploração deste magnífico espaço e reconhecendo nele características ímpares para o tornar num hotel de 5 estrelas, decide adquiri-lo.
A transformação em hotel de 5 estrelas nunca viria a acontecer, por motivos que lhe foram alheios, nomeadamente os tempos conturbados da época da revolução de abril de 1974 e anos subsequentes. Não desistindo da ideia de abrir o Castelo à cidade, decidiu abrir o espaço como Residencial, chamando para seu lado o seu filho, João Brás.
Não foi fácil manter um espaço com tanta história, preservando-o e adaptando-o às exigências dos tempos modernos. Este esforço foi reconhecido pela Cidade do Porto, que classificou o Castelo de Santa Catarina como Edifício com Interesse Patrimonial e Arquitetónico.
Joaquim Teixeira Brás faleceu subitamente em 1999, deixando nas mãos do seu filho a tarefa de continuar o que seu pai tinha iniciado. Em 2008, João Brás tornou-se o legítimo proprietário do edifício”. 
Fonte: “castelosantacatarina.com.pt”



Aguarela - Fonte: “castelosantacatarina.com.pt”


Esta propriedade parece ter sido também pertença de Luciano Simões de Carvalho, que foi nos anos 30 do século XIX presidente da Câmara do Porto e tem o seu nome ligado ao cemitério do Prado do Repouso, pois, quando foi doado o respectivo terreno pelo bispo do Porto, ele desempenhava aquelas funções na edilidade portuense e, ainda, à abertura da Rua Álvares Cabral, de ligação do Campo de Santo Ovídio à Rua de Cedofeita.
Existem em documentos, referências a um portão vindo do convento das carmelitas, que foi aqui instalado, na então chamada Quinta do Castelo, sita na Rua Bela da Princesa, que tinha como proprietário Luciano Simões de Carvalho.
Esse portão, com gradaria de ferro, dava acesso a um pátio situado a Sul, à face da Rua das Carmelitas, de servidão geral, e teria sido retirado quando houve necessidade de fazer um novo alinhamento da Rua das Carmelitas, sendo vendido em hasta pública.



O Castelo de Santa Catarina em 2009 - Ed. arquitecto Nelson Miguel; Fonte: doportoenaoso.blogspot



O Castelo da Rua de Santa Catarina e a Torre de Belém - Ed. doportoenaoso.blogspot

“A Torre de Belém foi o modelo do Castelo da Rua de Santa Catarina, nas suas variações românticas e neomanuelinas do século XIX… “
Fonte: doportoenaoso.blogspot 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

(Continuação 22)



Este solar fica situado na Rua Azevedo Albuquerque, antiga Rua dos Fogueteiros, onde está actualmente a Cooperativa Árvore.
Trata-se de uma casa caracteristicamente nobre, que exibe por cima da porta uma pedra de armas identificadora da família proprietária e que foi seriamente atingida pelos bombardeamentos ocorridos durante o Cerco do Porto, obrigando a “Roda dos Expostos” que a ocupava na época, a trocá-la por outras instalações na Rua de Cedofeita.


Solar dos Albuquerques


“A Casa das Virtudes foi construída em 1767 pelo Capitão José Pinto de Meireles, Cavaleiro da Ordem de Cristo, Capitão-mor de Rebordães e senhor da Quinta de Manguela, próxima de Santo Tirso, de onde era natural.
José Pinto de Meireles vem para o Porto e adquire os terrenos onde hoje se localiza a casa e a quinta e, em 1756, casa-se com Dª Francisca Clara de Azevedo Pinto Aranha e Fonseca.
A monumental pedra de armas, que coroa a porta de entrada, é um sinal que aquela família era poderosa. A pedra de armas é barroca e o escudo partido apresenta os brasões dos Pintos (cinco crescentes) e dos Meireles (cruz de Avis), armas concedidas por D. José em 1758.
Entre 1826 e 1834 esteve aí instalada a “Roda dos Expostos”, vinda da Rua dos Caldeireiros, onde se encontrava desde 1685. 
Em 1839 nasce, nesta casa, a insigne figura do Professor Joaquim de Azevedo Sousa Vieira da Silva Albuquerque (1839-1912), Engenheiro de Pontes e Estradas, Professor do Liceu do Porto e da Escola Politécnica do Porto, bisneto de José Pinto de Meireles. Esteve ligado à revolta do 31 de Janeiro de 1891. A ele se deve o nome da Rua de Azevedo Albuquerque, antiga Rua dos Fogueteiros. A quinta pertenceu a esta família até 1965. Neste ano a CMP compra a quinta e a casa por 2400 contos a D. Margarida Helena Relvas Navarro de Azevedo Albuquerque, neta do eng  Azevedo Albuquerque. Foi alugada à Cooperativa Árvore, onde ainda se encontra. Os jardins são hoje o Parque das Virtudes que mantém o desenho antigo.”
Fonte: “portoarc.blogspot.pt”


Ao lado da entrada principal da casa (encimada por uma bela pedra de armas), havia uma capela, construída em 1767, da invocação de Nos­sa Senhora da Conceição e Jesus Maria e José. Ficava na esquina do edifício que fica mais perto do Passeio das Virtudes.
A quinta anexa ao palacete seria transformada num horto, o horto de Pedro Marques Rodrigues, o “Pedro das Virtudes” e, mais tarde, aquele horto, beneficiaria do excelente aproveita­mento que o horticultor Marques Loureiro fez dele, a partir de 1844, depois de o ter adquirido ao Pedro Rodrigues em troca do pagamento de um estipêndio (espécie de salário com isenção de trabalho) diário.


Parque da Quinta das Virtudes – Fonte: “visitporto.travel”


José Manuel Loureiro faleceu em 14/7/1898, aos 68 anos.
Gostava de ser tratado como o “Jardineiro das Virtudes” e ainda chegou a criar, com outros sócios, a “Real Companhia Horticolo-Agricola Portuense”, cujo catálogo continuaria a ser publicado para além do seu desaparecimento.
Hoje o solar alberga a Cooperativa Árvore e a quinta é o Parque Municipal das Virtudes.


Catálogo em 1908 da “Real Companhia Horticolo-Agricola Portuense” - Fonte: “portoarc.blogspot.pt”

domingo, 8 de outubro de 2017

(Continuação 21)



O Palacete Morais Alão Amorim

Este palacete da 1ª metade do século XVIII, tinha adossado a si, um outro da mesma época onde funcionava a Câmara, e que em 1864 seria também adquirido pela edilidade, para expansão das suas instalações.
Nos baixos deste novo edifício, que pertencia a D. Maria da Natividade Guedes de Por­tugal e Menezes, filha do 1.º Visconde da Costa, que morava em Coimbra, funcionava a drogaria de Custódio José de Passos, pai do malo­grado poeta do romantismo Soares de Passos. 
O Palacete de Morais Alão segundo Manuel José Cunha, “Serviu de apoio ao edifício da Câmara e o brasão deste palacete, sobre a sua porta de entrada, tem correspondência histórica com a casa de Bonjóia, dado que contemplam as mesmas armas de D. Lourenço Amorim Gama Lobo, que pela relação de casamento de seu filho com a família Portugal e Menezes, a sua sobrinha e herdeira foi detentora da venda desta casa, tendo sido demolida aquando da abertura da Avenida dos Aliados, em 1916.”


Palacete Morais Alão

sábado, 7 de outubro de 2017

(Continuação 20)


No terreno do gaveto da Rua Gonçalo Cristóvão e o Campo de Santo Ovídio instalou-se uma fábrica de cordas com dois cordoeiros que trabalhavam com quatro rodas, vindos da Praça da Cordoaria, de onde, a 4 e 5 de Outubro de 1852, haviam sido despejados com outros artífices por decisão da Câmara do Porto, que mandou arrasar todas as rodas, pias, caldeiras e mais apetrechos dos cordoeiros, tendo sido estes obrigados a procurar pelos vários sítios da cidade, em regime de aluguer, quintais, campos ou terrenos devolutos.
Tal como outros mesteres os cordoeiros tinham uma organização própria. A sua confraria com sede inicialmente em Miragaia, tinha como padroeiro São Pedro, apóstolo.
À medida que a classe foi crescendo estendeu-se a partir de Miragaia, encosta acima para a actual Rua Francisco da Rocha Soares, conhecida antes por Rua da Cordoaria Velha, até se instalar em força num terreno da Cordoaria junto ao que viria a ser o Mercado do Anjo e, depois, por intimação das autoridades, para o Campo de Santo Ovídio.
Foi para aquele terreno no Campo de Santo Ovídio que, em 5 de Novembro de 1856, João Eduardo de Oliveira Costa requereu à Câmara do Porto licença para construir “huma morada de Cazas na rua Gonçallo Christovão com frente também para o Campo da Regeneração”.
Entretanto, o edifício que acabaria por ser o Palacete das Águias passaria das mãos de Narciso José Gonçalves Maia, de acordo com o seu testamento, para D. Isabel Jacinta Moreira Maia, conhecida, na época, por «A Viúva das Águias». 
O palacete ganhou aquele nome devido ao facto de na platibanda ,em volta dele, ostentar diversas esculturas de águias.
Nos finais do século XIX, passava D. Isabel Maia, por ser a senhora que melhor e mais caro vestia no Porto – gastava cerca de 4.000$00 rs anuais na modista e possuía no seu guarda-roupa cerca de quatrocentos vestidos!
De destacar no interior do palacete, os trabalhos de molduras dos tectos em estuque da autoria da Oficina Baganha, de Manuel Enes Baganha e António Enes Baganha, de Afife.
Depois de ser durante anos residência de gente de destaque da cidade, o palacete viria a dar guarida ao colégio de Santa Emília, de que era directora D. Maria Emília Cândida da Silva Cervaens e que a 18 de Maio de 1916, encerraria as suas portas, transitando para uma quinta na zona das Antas.


“Segundo o anunciado em cartaz, o Palacete das Águias recebeu a 14 de Janeiro de 1925 uma “Sessão de Magia” em família, apresentada pelo amador Horácio Ramos, falecido em 1931.
Diga-se, entretanto, que este tipo de sessões dirigidas por Lino Nascimento no requintado Palacete das Águias repetia-se, regularmente, acolhendo “as melhores famílias do Porto” à época”.
A. Cardinal, In Jornal Tribuna de Macau

Hoje, o edifício está ocupado pelo Conselho Distrital da Ordem dos Advogados, tendo sido, durante parte do século XX, a sede da cooperativa “O Problema da Habitação”, fundada em 1926.


Palacete das Águias - Ed. Teófilo Rego, 1958; Fonte: “gisaweb.cm-porto.pt”


Palacete das Águias com algumas delas bem visíveis


Sala de reuniões do Palacete das Águias – Ed. “oa.pt”

Clarabóia e trabalho envolvente de molduras em estuque

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

(Continuação 19)


“Foi António Lobo de Barbosa Ferreira Teixeira Girão (1785-1863), 1º Visconde de Vilarinho de S. Romão, quem mandou edificar este magnífico edifício localizado na Travessa do Carregal.
Por sua morte, sem descendência, passou o título para seu sobrinho, Álvaro Ferreira Girão, casado com D. Júlia Clamowse Brown, filha da poetisa por­tuense Maria da Felicidade do Couto Brown (1797 -1861), que aqui viveram muito tempo e onde lhes nasceram os seus quatro filhos.
Faziam gala do uso da sua capela dedicada a Santo António do Carregal, que ficava (e fica) logo a seguir ao portão da entrada, mas perfeitamente autónoma, com porta para a rua, encimada por uma coroa condal e, no granito, sobrepujando a porta, a pedra de armas da família e a data "1487 - 1903".
No século XV (1492) um tal João Martins Ferreira, um homem muito rico, teria fundado nesse local o morgadio do Carregal, também conhecido como o morgadio dos Ferreiras.
A área ocupada, digamos assim, pelo mor­gadio era enorme. Abrangia, tomando como referência a zona urbana dos nossos dias, o espaço compreendido entre as ruas de Ce­dofeita, Miguel Bombarda, Rosário, Restau­ração e o Largo do Prof. Abel Salazar.
Qualquer bom dicionário dará de morga­dio a seguinte definição; "vínculo indivisível e inalienável que passa, numa família, de pri­mogénito em primogénito, mas sempre em linha reta varonil". E a estes vínculos, acres­centamos nós, andavam ligados muitos e rendosos proventos. Isto para dizer que João Martins Ferreira era um homem muito rico e pessoa assaz influente na sociedade do seu tempo. 
Os viscondes de Vilarinho de S. Romão são descendentes deste João Martins Ferreira, mercador muito rico que esteve ligado à Câmara como vereador.
No Palacete, em 1851, esteve alojado o Asilo da Infância, com a particularidade de ter na porta da rua uma caixa de esmolas, solicitando donativos aos transeuntes.
Em 1 de Junho de 1917, foi aqui fundado, sob a direcção de Valentim Moreira de Sá, o Conservatório Superior de Música, que aqui se conservou ate 13 de Março de 1976, quando, sob direcção de Fernanda Wandschneider, foi ocupar o antigo palacete da família Pinto Leite, na Rua da Maternidade, até o D.L. 310/83 o ter transformado em escola secundária”.
In Junta de Freguesia de Miragaia

O morgadio como instituição vincular tem origem na legislação castelhana e, embora seja adoptada pelo reino de Portugal antes, só entra na legislação portuguesa com as Ordenações Filipinas de 1603.
Os morgadios foram extintos em Portugal no reinado de D. Luís I por Carta de Lei de 19 de Maio de 1863, subsistindo no entanto o vínculo da Casa de Bragança, o qual se destinava ao herdeiro da Coroa. Este último morgadio viria a perdurar até 1910.
Sobre aquele João Martins Ferreira, que instituiu o morgadio do Carregal e é citado no anterior texto, sabe-se que:

“João Martins Ferreira viveu na cidade do Porto na viragem do século XV para o século XVI. Foi mercador e exerceu diversos cargos públicos. Serviu o Município como almotacé, procurador do concelho, vereador, juiz e, finalmente, chanceler. Acumulou um vasto património na área urbana e fora do Porto. Ligou-se, através do casamento, a prestigiadas famílias (a segunda mulher, Violante Correia, era filha bastarda de Frei Paio Correia de Lacerda, Bailio de Leça).
No último quartel do século XV, João Martins Ferreira instalou-se numa casa torre, situada na Rua dos Mercadores.
Em 1491, instituiu o morgadio dos Ferreiras. Pantaleão Ferreira, filho do seu casamento com Violante Correia, sucedeu-lhe no morgadio, o qual se transmitiu em linha direta nas três gerações seguintes.
João Martins Ferreira morreu em 1514, tendo sido sepultado na Capela de Jerusalém do Convento de São Domingos”.
Fonte: “gisaweb.cm-porto.pt”


Até há pouco tempo nas instalações do Palacete do Carregal, funcionou um estabelecimento do ensino secundário, o “Colégio Horizonte”.
Desde Maio de 2016, funciona lá um hotel.


Palacete dos Viscondes de Vilarinho de S. Romão já a funcionar como hotel – Ed. “booking.com”


Sobre António Lobo de Barbosa Ferreira Teixeira Girão (descendente de João Martins Ferreira), um liberal que já tinha participado na revolta de 1820, fala-nos o artigo seguinte publicado na "A Voz do Nordeste" em 28/09/2000.


“Em 1833 alistou se para combater ao lado de D. Pedro e teve papel preponderante durante o cerco de Lisboa, ao fazer os planos para reabastecer de água a cidade que se encontrava cercada pelas tropas miguelistas. Regressado à vida política foi nomeado Par do Reino e recebeu diversos cargos e honras dos quais se destaca o título de visconde de S. Romão, que lhe foi concedido por decreto de D. Maria II de 17.11.1835. Recebeu e desempenhou ainda outros importantes cargos: Inspector das Águas Livres e das Fábricas Anexas; Provedor do Papel Selado; Presidente Honorário de Instituto de África; Fidalgo e Cavaleiro da Casa Real; Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição; Administrador da Casa da Moeda: Prefeito de Trás-os-Montes e da Estremadura. Era também importante agricultor e reconhecido economista e nesta qualidade foi sócio da Sociedade Promotora da Indústria Nacional. As ideias económicas dum viticultor O primeiro visconde de S. Romão deixou uma extensa e interessante bibliografia. Nela sobressaem os estudos sobre a agricultura, especialmente das vinhas. sendo o mais conhecido a Memória histórica e analytica sobre a Companhia dos Vinhos denominada da Agricultura das Vinhas do Alto Douro (1833), que, de acordo com Inocêncio Silva, é o que de mais completo se escreveu sobre esta instituição. São também muito interessantes os seus estudos sobre economia, e nomeadamente sobre economia doméstica e até a culinária. Citemos aqui apenas dois títulos: Memória sobre a economia do combustível por meio de vários melhoramentos que se devem fazer nos lares ordinários, fornalhas, fornos e fogões (1834); e Arte do Cozinheiro e do Copeiro, compilada dos melhores que sobre isto escreveram modernamente (...) (1841). Alguns dos seus trabalhos foram publicados nas Memórias da Academia das Ciências e escreveu ainda diversos artigos para a Revista Universal Lisbonense, para os Annaes da Sociedade Promotora da Indústria Nacional e para outros periódicos. A sua obra constitui um bom exemplo do modo como a herança do movimento das luzes, e do reformismo que o caracterizou, se fez sentir entre nós, durante a primeira metade do século XIX. Além da grande variedade de temas abordados, nela perpassa a defesa da instrução e do saber como bases do progresso e do desenvolvimento económico do país. Dotado de espírito prático e inventiva, para ele a aquisição de conhecimentos tinha, acima de tudo, um sentido pragmático e operativo. Divisamos na obra e intervenção política de Teixeira Girão duas ideias bases: em primeiro lugar a defesa do desenvolvimento agrícola e sobretudo o aumento da produção vinícola. A quantidade e a qualidade eram para ele conciliáveis. Deveriam, assim, eliminar-se todos os entraves que bloqueavam a expansão da produção e do comércio livre e por isso insurge se contra os tributos e monopólios. Em segundo lugar, considerava que para conseguir este desenvolvimento económico do país, a instrução e inovação científica e tecnológica, que ela origina, eram as estratégias indispensáveis. Era preciso pôr em prática os ensinamentos dos economistas, modernizar e inventar novas máquinas, divulgar e introduzir novas culturas agrícolas, como a batata e, enfim, aprofundar os estudos agronómicos.
O romantismo e ardor que colocou na defesa das novas ideias conduzem a situações que podem parecer paradoxais, tais como, vermos um morgado a combater os morgadios e a reclamar a liberdade das terras, o fim dos vínculos dos dízimos e de todas as formas que entravem a produção. Valorizando a terra livre e o trabalho livre, base da inovação, as ideias económicas de Teixeira Girão continuam a ser uma referência obrigatória para todos os que consideram o sector vinícola e, em especial a vitivinicultura duriense, como uma das melhores apostas para o progresso moral e económico da nação. Muito teríamos a escrever sobre a vida e obra de Teixeira Girão, que aguardam, tal como a de muitos outros portugueses, por investigadores ou até por cineastas em busca de inspiração”.
In "A Voz do Nordeste" 28/09/2000; Fonte: “ruasdoporto.blogspot.pt”


Capela de Santo António do Carregal anexa ao palacete – Ed. JPortojo


Bem perto do Palacete situado na Travessa do Carregal, fica o Jardim do Carregal, cujo topónimo deriva de ser um local alagadiço infestado de uma planta, as carregas, que proliferam em terrenos húmidos.


Jardim do Carregal


Os terrenos desse jardim, junto ao Hospital de Santo António pertenciam à Santa Casa da Misericórdia do Porto, quando foram cedidos em 1857 à Câmara para levantar o jardim que hoje se chama Jardim de Carrilho Videira e que, começou por se chamar, Praça do Duque de Beja.
Este Duque de Beja era o infante D. João, filho de D. Maria II.  
No subsolo do jardim e por baixo do Hospital de Santo António passa o chamado Rio Frio ou Rio do Carregal, com nascente na Rua da Torrinha.
Bem perto e na Rua do Rosário tem-se como curiosidade, que no tempo da tracção eléctrica e até Outubro de 1925, as composições passavam num corredor ao lado do prédio com o nº 46 e desembocavam no Jardim do Carregal, vindas da Praça da Boavista.
Por aquele corredor já passavam antes, vindos do Carmo, os “Americanos” que se dirigiam à Boavista.
Esta Rua do Rosário foi aberta em terrenos cedidos em parte pelo tio de Almeida Garrett, Domingos de Almeida, que fervoroso devoto de Nossa Senhora do Rosário alteraria o seu nome, para Domingos do Rosário de Almeida. Este sujeito era dono de uma quinta enorme denominada Quinta do Paço, que deu origem ao topónimo Rua do Paço de que existe hoje um troço que é o Beco do Paço ligando ao Jardim do Carregal.


Parada militar do Regimento nº 18 junto ao Jardim do Carregal em 1900 -Ed. Photo Guedes


Vista actual do local da foto anterior - Fonte Google maps


Pode observar-se por comparação das duas fotos anteriores, que os prédios mais próximos ainda existem.
Antes da construção do jardim existia no local uma Rua D. Pedro V cujo topónimo foi deslocado em 1883 para outro local, para as bandas de Massarelos.