quinta-feira, 27 de setembro de 2018

25.10 O Rock and Roll chegou à cidade trajando vinil


Na 2ª metade do século XX, quando começava a estar na moda o rock and roll, surgiriam as chamadas discotecas, que eram lojas onde eram vendidos os discos em vinil dos sucessos musicais, daquela época.
O conceito de discoteca, como local de dança e encontro, apenas surgiria mais tarde, com o aparecimento das telenovelas brasileiras, donde foi extraído. Antes, esses locais, por cá, eram as boîtes.
Em 1957, abriria na Rua de Santa Catarina, nº 360, a discoteca Melodia e, em 1961, na Rua de Santo António, nº 35, uma outra loja Melodia.


Publicidade às lojas “Melodia”


Nesse tempo, quando pretendíamos comprar um sucesso musical íamos a essas lojas, e ouvíamos em cabines insonorizadas (normalmente com amigos ou amigas) o tema musical que o vendedor(a) reproduzia num “pick-up” ou “gira-discos”. Só depois de apreciar o artigo, se tomava a resolução de comprar, ou não, o vinil.


Melodia, Rua de Santa Catarina, 360, Porto – Ed. “campainhaelectrica.blogspot.com”




Melodia, Rua de Santo António, 35 (Rua 31 de Janeiro) - Ed. “campainhaelectrica.blogspot.com”



Aquelas duas lojas eram propriedade da Rádio Triunfo, que produzia os discos da etiqueta “Alvorada” e, que, mais tarde, haveria de abrir loja, em Lisboa.
Para além da etiqueta “Alvorada”, deteve também a “Melodia”, a “Harmonia” e “RT”.
A “Rádio Triunfo, Lda – Fábrica Portuguesa de discos” foi fundada no Porto, em 23 de Março de 1946. O seu objecto era a produção discográfica. Foi no ramo, pioneira em Portugal.


Logótipo da Rádio Triunfo


“A 23 de Março de 1946, Rogério Leal, e os sócios José Cândido Silva e Manuel Lopes da Cruz, criaram a empresa Rádio Triunfo Lda com sede no Porto. Pouco depois, em 1947, numa corajosa e inovadora atitude, construíram na Travessa Central do Seixo em São Mamede de Infesta, em Matosinhos, a Fábrica Portuguesa de Discos da Rádio Triunfo, a primeira a laborar em Portugal.
Fonte: “pt.wikipedia.org”


A sua fábrica foi aberta em 1947, em S. Mamede de Infesta, onde esteve até 1986. Começando pelos discos de 78 rpm, passaria a produzir os de 45 rpm e, em 1969, os esteriofónicos de 33 rpm.
Em 1956, a Valentim de Carvalho criou, também, a sua fábrica de discos como resposta à Rádio Triunfo. Só estas duas companhias portuguesas dominaram toda a cadeia vertical de produção fonográfica, desde a fábrica de produção dos suportes e de reprodução dos discos, à tipografia e litografia, ao armazém e ao comércio a retalho.
Na cidade do Porto a Rádio Triunfo utilizava os estúdios da E.N. em V. N- Gaia e, a partir de 1965, os próprios, em S. Mamede de Infesta, e em 15 de Fevereiro de 1974, inaugura os estúdios em Lisboa, na estrada da Luz.
O fundador e proprietário faleceria em 1879 e, em 1982, a empresa foi adquirida por “Arnaldo Trindade & Cia. Lda.” da etiqueta “Orféu”, e José Marques Serafim, proprietário da Movieplay Portuguesa e da Riso & Ritmo.
Arnaldo Trindade neste momento, já representava, também, a Warner Brothers e a CBS.
Em 1985, a editora foi acusada de práticas ilegais e verificou-se a consequente expulsão da Associação das Editoras (actual AFP) e da IFPI. Com a crise instalada, a Rádio Triunfo perdeu muitas das etiquetas internacionais que representava, acabando por decretar falência em 1986.
Nesta altura, Arnaldo Trindade entregou a “Orfeu” ao sócio lisboeta e divorciou-se de vez do mundo discográfico. Ficaria para a história como «um homem do vinil».
Todo o espólio da “Rádio Triunfo, Lda – Fábrica Portuguesa de discos” foi adquirido pela Movieplay Portuguesa.
Por seu turno, um dos compradores da Triunfo, em 1982, foi “Arnaldo Trindade & Cia. Lda.”.
Esta firma tinha à sua frente Arnaldo Trindade, um empresário do Porto, que detinha a etiqueta “Orfeu”.
Arnaldo Trindade criou em 1956 a editora discográfica “Orfeu”, que começou por gravar os maiores vultos da literatura e avançou, depois, para os ícones da música popular portuguesa.
Foi o principal editor discográfico de Zeca Afonso.
Arnaldo Trindade foi um editor importante na indústria fonográfica das décadas de 1960, 1970 e 1980, em Portugal. No final da década de 1990, após ter deixado a indústria fonográfica, ainda voltou ao mercado dos eletrodomésticos (que tinha sido o começo de actividade da firma, ainda com o seu pai), tendo adquirido a “SIUL” e depois a “Produtos Estrela”, que fundiu na “SIULPE”, mas, abandonou em 2001. Poucos anos antes, tinha vendido o estabelecimento de Santa Catarina por seiscentos mil contos, «um grande negócio na altura».


Publicidade à firma Arnaldo Trindade – Fonte: revista do orfeão U. P. Março 1966


Rua de Santa Catarina, nº 117 – Aqui esteve durante algumas décadas, do século XX, “Arnaldo Trindade & Cia. Lda.”.

Arnaldo Trindade dá-se a conhecer no texto que se segue, publicado no Diário de notícias, em Março de 2013


“Arnaldo Manuel Albuquerque Trindade nasceu no Porto, em 1934. Filho de um comerciante de sucesso, com apenas 19 anos sucedeu ao pai, que entretanto adoeceu, na condução dos negócios de família. Tomou então as rédeas de uma famosa loja de eletrodomésticos, na Rua de Santa Catarina, mesmo em frente ao Café Majestic.
Nasceu em berço de ouro - a família tinha tido negócios de tabaco - e nada lhe faltou durante a infância e a adolescência.
«O meu pai arranjou a representação da Philco, uma das principais companhias americanas em 1935, eletrodomésticos que vendemos até 2001», lembra o editor, olhar azul brilhante, reflexo da admirável lucidez dos seus 78 anos”.
Em 1956, resolveu partir para a editora discográfica Orfeu, a princípio vocacionada exclusivamente para a gravação de escritores e declamadores. 
A “Orfeu” mudou de agulha e virou-se entretanto para a música. Arnaldo Trindade resolveu apostar inicialmente no jazz , uma música que lhe fazia recordar as experiências vividas nos Estados Unidos, quando visitava um tio engenheiro que lá trabalhava na General Motors.
Tornou-se representante em Portugal da “Tamla Motown”, “Durium”, “Island” e “Pye Records”.
Ao DN Arnaldo Trindade dizia a propósito de Zeca Afonso e da etiqueta “Orfeu”:
«O Zeca era uma pessoa fantástica. Tinha um humor extraordinário e uma simplicidade sem limites.»
Os discos editados na Orfeu não foram censurados. «Aí é que está um segredo», recorda Arnaldo. «Através do José Niza, negociávamos com um homem da Censura, Feitor Pinto, os textos que iriam ser editados. O Niza levava alguns de propósito para serem cortados e assim conseguimos gravar alguns subversivos, como, por exemplo, O Pintor Morreu , em que o Zeca fala do assassínio do pintor José Dias Coelho pela PIDE.»
Uma revelação: Quim Barreiros tocou acordeão no álbum “Vou Ser como a Toupeira.” 
Vieram a fazer parte da “Orfeu” talentos como Fausto, Vitorino, Sérgio Godinho, Francisco Fanhais, José Mário Branco, José Jorge Letria, Luís Cília, verdadeiros ícones da cantiga de intervenção. Uma das apostas no registo mais popular foi o Conjunto António Mafra, que, ainda nos anos 1960, realizou uma digressão pelos Estados Unidos, onde gravou em estéreo, tecnologia ainda inexistente em Portugal.
 (…) Há todavia pormenores menos divulgados de Arnaldo Trindade que  era amigo desde a adolescência de Francisco Sá Carneiro.
«Ele ia muito aos dominicanos, era muito religioso, e eu era amigo de frei Bernardo, o mentor deles. Foi lá que o conheci», recorda.
Eram da mesma idade. Numa ocasião em que Francisco precisou de suporte financeiro para pagar a luz e a água da sede do PPD do Porto, pediu ajuda a Arnaldo, que reuniu uns amigos e resolveu o problema. Sá Carneiro nomeou-o presidente da Associação Social Democrata do Norte, que auxiliava o partido financeiramente. «Quando foi primeiro-ministro telefonava-me todos os dias. Depois queria que fosse secretário de Estado, mas eu disse-lhe que não me metesse nisso porque não sou político», revela o editor.
Mais tarde, Sá Carneiro quis divorciar-se e foi Arnaldo Trindade quem intercedeu por ele junto do Vaticano, onde tinha conhecimentos. Quando se aproximavam as eleições de 1979, o político comunicou-lhe que necessitava de cinquenta mil contos para a campanha. Era muito dinheiro para a altura. O empresário quis saber o que é que aconteceria se não conseguisse juntar semelhante maquia. A resposta de Sá Carneiro foi curta: «Não há eleições...»”


Francisco Sá Carneiro (1934 - 1980), citado por Arnaldo Trindade, foi um político do século XX, nascido no Porto, e que ainda foi contemporâneo, de muitos de nós.
Se mais não fosse, os mais novos ouvem o seu nome, ao ser mencionado o nosso aeroporto, que, desde há alguns anos deixou de ser, o aeroporto de Pedras Rubras, para ser o Francisco Sá Carneiro.
Deste político do Porto é o texto que se segue, que fala da cidade do Porto.


Extraído de “portoarc.blogspot.com”

terça-feira, 25 de setembro de 2018

25.9 Igreja de S. Pedro de Miragaia


Em tempos idos, o que conhecemos como Miragaia, nas traseiras da actual Alfândega Nova, era um vasto areal onde labutavam pescadores e armadores da indústria naval, que acabariam ao longo dos anos, fruto da expansão da urbe, por se deslocarem para zonas mais distantes do Porto, passando a ocupar por exemplo, Lordelo ou Afurada.
O areal de Miragaia naqueles tempos foi ocupado, então, por estaleiros navais, onde se construíram muitas das embarcações usadas na expansão portuguesa ultramarina e no comércio do Porto com o Norte da Europa.
A primitiva igreja existente em Miragaia devia ser, inicialmente, do tipo da igreja ve­lha de Cedofeita, em estilo românico, provavel­mente do século XIII.
Foi para Miragaia, onde acabaram por se estabelecer, que uma comunidade de arménios e alguns cristãos, fugidos de Constantinopla, que tinha sido tomada pelos turcos, em Maio de 1453, se acolheu, transportando consigo as relíquias de S. Pantaleão.
Da sua presença resta o topónimo de uma rua e as relíquias daquele santo, que acabaram em 1499 por ser recolhidas na Sé, tendo sido ele, durante largos anos, patrono da cidade.
Pantaleão tinha sido médico em Nicomedia, na Arménia, converteu-se ao cristianismo e foi martirizado na sua cidade natal, no ano 320, no tempo dos Imperadores Diocliciano e Maximiniano. O seu corpo seria, então, levado para Constantinopla e aí venerado.
Em 1672, o bispo D. Nico­lau Monteiro reformou a igreja existente em Miragaia, mas, 58 anos depois, em 1740, o templo ameaçava ruir e o cabido, aproveitando o período de sede vacante (diocese sem bis­po entre 1717 e 1741), mandou construir uma nova, a actual, "toda de pedra, bem obrada e ornada; toda de composição proporcionada com sua torre de quatro sineiras, escadas de pedra e abóbada, tudo em remates de estilo moderno".
Dedicada a São Pedro, a igreja de Miragaia apresenta fachada principal de tipologia que lembra as suas congéneres de Nossa Senhora da Vitória ou São Nicolau.
O custo das obras foi repartido entre o Cabido e os fiéis de Miragaia. A estes, por exemplo, coube pagar as obras da capela-mor, "a qual reformaram e acrescentaram: lhe puseram suas janelas de luzes e uma grande tribuna e retábulo dourado e cobriram o teto e lado da mesma capela com obras de talha e escultura dourada e lhe fizeram oferta de preciosos ornamentos para suas solenidades".


“No interior, a igreja desenvolve-se em nave única e transepto saliente, de grande simplicidade, contrastando fortemente com a opulência da talha barroca que reveste integralmente a capela-mor. Iniciada no século XVII, esta campanha decorativa prolongar-se-ia até ao século XVIII, como testemunham os elementos rococó que aqui se encontram. Juntamente com Santa Clara, ou São Francisco, é um exemplo significativo de igreja forrada a ouro. 
António Gomes e Caetano da Silva Pinto foram os responsáveis por esta obra que incluía ainda a tribuna, o sacrário e a banqueta. Pensa-se que os trabalhos de talha estariam concluídos em 1724 e o douramento, executado por Francisco Barbosa Monteiro, em 1730. O retábulo-mor, preponderante neste conjunto e muito semelhante ao de Santa Clara (embora menos escultórico), apresenta duas inovações, nomeadamente ao nível da base - mais alta e de madeira, que se tornaria modelo frequente para outras igrejas portuenses e nortenhas -, e ao nível do modelo do fuste das colunas - canelado, à semelhança dos modelos quinhentistas, mas revestido por fitas, festões, e outros (PEREIRA, 1995, p. 111).
Fonte: “portopatrimoniomundial.com”


Igreja de S. Pedro de Miragaia – Fonte: “portopatrimoniomundial.com”


“A igreja é muito simples. A fachada tem um portal com frontão e um grande janelão gradeado e é rematada por um frontão triangular com a legenda «Divo Petro Dicata» (Dedicada a S. Pedro) e encimado por uma cruz. As paredes foram revestidas de azulejos entre 1863 e 1876. A nave única da igreja é enriquecida apenas pelo altar de talha dourada dedicado a Nossa Senhora do Carmo e que pertenceu à igreja do extinto e arruinado Convento de Monchique e pelo altar de Santa Rita, do século XVII. A capela-mor é revestida de talha reforçada com elementos vindos de Monchique.”
Fonte: “pt.wikipedia.org”


A esta igreja de S. Pedro de Miragaia, está ligado, Pedro Augusto Ferreira (Lamego, Penajóia, Casa da Capela, 14 de Novembro de 1833 - Porto, 17 de Junho de 1913), abade de Miragaia (desde 1864) e publicista, que continuou a obra “Portugal Antigo e Moderno”, após a morte de Pinho Leal ocorrida em 1884.
Tendo possuído uma importante livraria, composta de 3.653 obras, de que se imprimiu um catálogo em 1902, no Porto, oferecê-los-ia à Biblioteca Municipal do Porto, que o considerou Cidadão Benemérito e deu o seu nome a uma das ruas da cidade.
Em meados do século XX (1941), foi executado um processo de demolição em construções adjacentes à igreja de S. Pedro.


Igreja de S. Pedro de Miragaia antes das demolições


Obras para a construção do Largo de S. Pedro


Demolição de prédios para a construção do Largo de S. Pedro



Perspectiva actual após algumas demolições de prédios em torno da igreja de S. Pedro de Miragaia – Ed. JPortojo

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

25.8 Mercado da Foz do Douro - Actualização em 23/05/2019

A notícia mais recôndita que se conhece fazendo referência a um mercado, na Foz do Douro, faz-nos recuar à década de 60, do século XIX, de acordo com o que nos é transmitido na notícia abaixo.

“Principiou anteontem, na proximidade da praia de banhos, a demolição no local destinado a mercado público.
É um melhoramento importante para aquela vila.”
In “O Comércio do Porto”, de 23 de Agosto de 1862 - Sábado

O facto é que o mercado da Foz do Douro, havia de assentar arraiais, no Largo do Rio da Bica (antes Largo das Lavadeiras) local, do qual, o jornal “O Imparcial da Foz” nos dá um breve retrato, no texto seguinte.


“A velha rua Central, tortuosa e irregular, foi, em outro tempo, a principal da foz antiga, tanto em estabelecimentos comerciais de toda a espécie, como no movimento constante de transeuntes que, desde a madrugada até ao fim do dia, lhe davam um aspecto característico, comparado às grandes ruas das cidades populosas. Concorria muitíssimo para isto o haver um largozinho, no ponto em que se bifurcam diversas ruas que, da central, irradiavam para outros pontos da Foz, chamado “Rio da Bica”, onde se achava instalado o mercado local.
Este mercado consistia em um ajuntamento de vendilhonas de hortaliças, leite, frutas, etc., que, todas as manhãs se reuniam naquele ponto e ali efectuavam as suas transacções com a enorme quantidade de gente que o frequentava; não tinha ele condições algumas exigidas a um mercado de simples aldeia; nem amplidão de terreno, nem bancas ou coberturas que resguardassem os géneros expostos à venda do ardor do sol ou alagamento da chuva”.


Largo do Rio da Bica, actualmente – Fonte : Google maps



Na foto acima observa-se o antigo Largo das Lavadeiras onde esteve o mercado da Foz.
Sobre a direita, é possível divisar a fonte do Rio da Bica que era abastecida pelo manancial de Burgães.
O mercado da Foz do Douro acabaria, próximo da mudança de séculos, por ocupar um terreno nas proximidades.
E, mais uma vez, é o jornal “O Imparcial da Foz” que nos dá o retrato do local que, cedo, se mostrou sem as condições que os habitantes da Foz desejavam.


“Decorreram os tempos e a municipalidade portuense entendeu, numa febre de fomento e progresso, transformar muitas velharias da cidade e amodernizar tudo o que se lhe afigurasse fóssil e impróprio duma terra de primeira ordem.
Surgiram vários mercados novos em determinados locais, entre esses, o da Foz, que veio substituir o antigo Rio da Bica.
Comprou-se por bom preço, em condições algo onerosas para o município, um terreno encravado entre campos de cultura e ladeado por um rio.
Terraplanou-se, plantaram-se algumas árvores e deu-se-lhe, daí em diante, o nome de mercado, fazendo-se transferir para ali as vendilhonas do antigo. Nos primeiros tempos ainda se viam ali algumas bancas, nas quais eram pousados os géneros à venda.
A Câmara municipal mandava, de quando em quando, arrancar as ervas, que o terreno, de origem pantanosa, constantemente fazia brotar, mas veio depressa o cansaço por parte do município e a erva cresceu com todo o viço, luxuriante, proveniente do abandono em que a enxada e a vassoura camarária o deixou.
Assim, desde há muito tempo já, o nosso mercado é irrisório e vergonha de uma terra que, sendo a única estância balnear da cidade, é imensamente concorrida.
Pode dizer-se que a Foz, presentemente, não tem mercado. No terreno a que se dá este nome, reúnem pelas manhãs, uma dúzia de mulheres com bilhas de leite e algumas canastras de hortaliças, que vendem a outras, residentes nas circunvizinhanças. Desde as sete horas por diante, já género algum de venda ali se vê.
Transforma-se depois em secadouro de roupas, que as lavadeiras ali estendem sobre a relva, tentadora para o caso. E, como o camaleão, ainda não fica só nesta metamorfose! À noite transforma-se em viçoso prado e vêem-se nele, pastando, grande rebanho de bois, carneiros e cabras.”
In jornal “O Imparcial da Foz”, de 21 de Agosto de 1904


O jornal “A Gazeta da Foz” fazia também eco da falta de condições do mercado.

“Só, como ironia sarcástica, assim podemos chamar àquele quadrilátero relvoso, ali do Rio da Bica, vergonha e opóbrio desta encantadora Foz.
É indigno daquele nome o lugar a que o «Zé, cá do burgo» se habituou a chamar mercado, pelo simples motivo de ali darem poiso meia dúzia (se tantas…) de leiteiras e hortaliceiras”
In “A Gazeta da Foz”, de 9 de Junho de 1907 – 3ª Feira

Apesar da necessidade da existência de um mercado que servisse os interesses dos inúmeros lavradores da Foz e de Nevogilde, e que permitisse o escoamento das suas produções, só na década de 40 do século XX, tal foi possível, com a construção, finalmente, de um com instalações condignas.


“Efectuou-se ontem, sábado, 15 de Janeiro, às 9 horas, a inauguração oficial do novo mercado da Foz do Douro. O acto foi revestido de toda a simplicidade.
Simpáticas meninas, vestindo garrida e pitoresca indumentária minhota, cobriram de flores o presidente da Câmara e demais individualidades. Subiu ao ar o foguetório e as bandas do Asilo do Terço e do Internato Municipal executaram o hino nacional.
Tem 16 lojas laterais e 34 bancos centrais, estes destinados à venda de hortaliças.”
In “O Comércio do Porto”, de 16 de Janeiro de 1944 – Domingo


Interior do mercado da Foz – Fonte: Artur Filipe dos Santos


Porém, em 1953, já o movimento do mercado apresentava um acentuado decréscimo.
A agricultura como sector de actividade naquelas terras, dava agora lugar em grande escala, à construção civil.
O mercado da Foz do Douro acaba, assim, por ser entregue à Junta de Freguesia, em regime de concessão, em 1 de Outubro de 1953, por pressão dos locatários, tentando-se, deste modo, evitar o seu encerramento.


 “O Mercado da Foz, que completa hoje setenta anos de actividade, foi mandado edificar pela Câmara Municipal do Porto porque a Foz do Douro, e a sua área envolvente, era, à época, uma zona com muitos lavradores que sentiam necessidade de um local onde pudessem escoar os produtos agrícolas que produziam. Mas o município só decidiu construí-lo porque no Mercado Ferreira Borges se ia registando enorme perda de clientes. Esse Mercado esteve para ser transferido para a Foz do Douro em 1906, tendo em conta que já nessa altura havia na vereação quem defendesse que era a melhor solução. Mas nunca se deu tal transferência. Assim, para a construção do Mercado da Foz foi comprado um terreno pela Câmara Municipal, de lavradio, com 6.613 metros quadrados, sito à rua da Cerca, na parte que hoje é avenida do Marechal Gomes da Costa e o caminho da “Ervilha", conforme refere o Boletim Municipal do Porto, em 1936. Veio a ser inaugurado a 15 de janeiro de 1944, precisamente quatro anos depois da aprovação, pela edilidade do Porto, do projecto do arranjo urbanístico da zona da avenida do Marechal Gomes da Costa”.
Com o devido crédito a Agostinho Barbosa Pereira, publicado na página "A Nossa Foz do Douro", em 15/01/2014


Projecto para um mercado a construir junto da Rua do Gama e Caminho da Ervilha

Legenda
1 – Rua do Gama (actual Rua de Diu)
2 – Avenida Marechal Gomes da Costa
3 – Caminho da Ervilha
4 – Rua Côrte Real
5 – Mercado da Foz

O projecto para o Mercado da Foz foi da autoria dos arquitectos Mário Ferreira e Francisco Pinheiro da Mota Coelho, aprovado em 1943-04-08, com alteração ao projecto, aprovada em 1943-07-16.


Desenho da vedação da frente do Mercado da Foz


Mercado da Foz nos primórdios – Fonte: Agostinho Barbosa Pereira, "A Nossa Foz do Douro"


Mercado da Foz do Douro actualmente – Ed. “porto.convida.pt”


Importa referir que, alguns meses antes da inauguração do mercado da Foz, tivera lugar, portas meias com ele, a inauguração de uma outra estrutura de apoio às gentes do local – o Lavadouro Público.

“Inaugurado a 11 de Março de 1943, o novo lavadouro público sito no alto da rua do Gama, com a entrada para a rua de Corte Real e traseiras para a rotunda da Av. Marechal Gomes da Costa. Pode comportar 44 lavadeiras”.
In jornal “O Comércio do Porto”, de 12 de Março de 1943 – 6ª Feira


Lavadouro Público da Foz do Douro

















quarta-feira, 19 de setembro de 2018

25.7 Ponte D. Maria II ou Ponte Pênsil


Acabada por ser levantada a montante da Ponte das Barcas, que veio substituir, teve a sua construção iniciada em Maio de 1841 e, a sua inauguração, aconteceria em Fevereiro de 1843.


Ribeira e Ponte D. Maria II – Fonte: “aportanobre.blogs.sapo.pt”


Na foto acima o términos da Ponte Pênsil na Ribeira do Porto.


Foi na praia de Miragaia que montaram a ponte Pênsil


“Todos nós temos presente, na memória, claro, as belíssimas imagens da elegante ponte Pênsil que, depois de 1843, substituiu, na ligação da cidade com Vila Nova de Gaia, a velhinha ponte das Barcas - de tão triste memória para os portuenses.
O que muito pouca gente deve saber é que, inicialmente, a "ponte suspensa", como então era designado o projecto, fora prevista para ser, digamos assim, um prolongamento da Rua de S. João, na sua ligação com a margem esquerda do rio Douro; e que a montagem de toda a estrutura da nova ponte, quando já se havia decidido que seria construída na parte mais estreita do Douro, foi montada no areal que, ao tempo, havia em frente ao bairro piscatório de Miragaia. É uma curiosa história, esta, a da construção da ponte Pênsil.
Foi há precisamente cento e setenta anos, em dia de S. João, (24 de Junho de 1837) que foi apresentada à Câmara do Porto uma proposta para a construção "de uma nova ponte suspensa" sobre o rio Douro. A ideia teve óptimo acolhimento por parte da Vereação que a apreciou e a proposta chegou a colher o aval do Governo. A ponte seria construída no enfiamento da Rua de S. João, aberta havia pouco mais de setenta anos.
Com efeito, em reunião camarária de 1 de Julho de 1837, "a que assistiu o arquitecto da cidade", os presentes foram informados sobre "a conveniência de (a nova ponte) ser collocada defronte da Rua de S. João", na expressa condição de que "as cazas que hão- -de servir de prisão aos tirantes" não causem qualquer embaraço ao trânsito público para os dois lados da Praça da Ribeira.
Os protestos, porém, não tardaram. Vieram dos moradores mas também, e sobretudo, dos negociantes daquela zona ribeirinha. Alegavam que as torres de grandes dimensões que teriam de ser construídas para a suspensão dos cabos de aço iriam estorvar e prejudicar o muito trânsito que diariamente por ali passava.
Consta de uma notícia da época que "tão acertadas e justificadas pareceram as razões expostas" que a Companhia da Ponte Pênsil, entretanto constituída, começou de imediato a estudar, com o patrocínio do Município, um outro local. Mas não havia maneira de o projecto avançar.
Foi então que o Governo mandou ao Porto o inspector-geral dos Trabalhos Públicos que, depois de vários estudos e conferências sugeriu, que a ponte devia ser construída para montante da ponte das barcas, ainda em funcionamento, no local mais estreito do rio. O sítio onde, efectivamente, veio a ser construída. Os trabalhos de construção começaram no dia 2 de Maio de 1841, dia do aniversário do coroamento de D. Maria II. Daí que, depois de construída a ponte, lhe tivesse sido dado o nome daquela soberana.
O novo projecto previa a construção de uma ponte suspensa de um só tramo com 170,74 metros de vão, cujos cabos eram suportados por quatro obeliscos colocados dois em cada margem tendo cada um 18 metros de altura. Dois desses obeliscos ainda existem do lado do Porto.
Uma obra desta envergadura ia precisar, obrigatoriamente, de estaleiros à altura da empreitada.
Ora, na zona da Ribeira, onde a ponte ia ser construída, não havia espaço suficientemente amplo para que aí se desenrolassem todos os trabalhos.
Foi necessário, no entanto, arranjar, na Ribeira, uma área com a capacidade suficiente para nela os canteiros aparelharem as pedras com que iriam ser construídos os obeliscos.
Para a confecção dos cabos de aço e para a montagem do tabuleiro foi preciso procurar um espaço maior que viria a ser encontrado no amplo areal de Miragaia.
O terreno, contudo, apresentava alguns inconvenientes era bastante irregular; ficava, por vezes, submerso pelas águas do rio, especialmente nos períodos de marés vivas; e, no caso de haver cheias, a inundação era inevitável.
Mas era o que estava mais perto do local onde se pretendia construir a ponte e havia que arriscar. Como aconteceu.
O terreno, depois de terraplenado, foi inteiramente vedada por uma alta paliçada. No seu interior trabalhavam os operários que se ocupavam com a construção dos cabos e do tabuleiro. As forjas e as ferramentas eram guardadas, à noite, nos armazéns que ficavam debaixo dos cobertos. As peças do tabuleiro e os cabos, à medida que iam ficando prontos, eram levados em grandes barcaças para o sítio exacto onde se ia construir a ponte.
Nos finais de 1842, começaram a ser feitos os primeiros testes de resistência. Alguns meses depois (Janeiro de 1843) ainda não estavam feitas as guaritas para a cobrança da portagem e, do lado de Gaia, ainda se andava a expropriar um armazém para a construção de uma rampa de acesso. Em 17 de Fevereiro de 1843 a ponte foi finalmente, aberta ao trânsito de peões e de veículos.
Quando a ponte Pênsil começou a ser construída, a cidade do Porto atravessava uma das suas fases mais prósperas. Curiosamente, estava também em construção, por essa altura, a sede da Associação Comercial do Porto. O Palácio da Bolsa, ainda hoje o símbolo do nosso cariz mercantil e emblema do liberalismo tripeiro, porque foram os liberais que o começaram a construir embora a maioria não o tivesse visto concluído. Há muito que haviam ficado para trás tempos conturbados como das invasões francesas, da guerra civil e da Patuleia. Guardada a espingarda com que vitoriosamente se batera no Cerco do Porto, o mercador tripeiro arregaçou as mangas e atirou-se ao trabalho, prosperando. A construção da ponte Pênsil responde, em certa medida, à urgente necessidade que se sentia de criar novos e mais cómodos meios de comunicação com os arredores. Na vizinha Vila Nova de Gaia estavam os armazéns das mais importantes companhias que se dedicavam ao comércio do vinho do Porto e a ligação com aquela margem através da ponte das Barcas, além de incómoda, era perigosa”.
Texto de Germano Silva publicado no Jornal de Notícias



Ponte D. Maria II


Acessos à Ponte Pênsil ou de D. Maria II – Fonte: “aportanobre.blogs.sapo.pt”


Na gravura acima, é possível observar-se que existia à saída da ponte uma rampa de acesso pedonal a Cima do Muro e às Escadas do Codeçal, bem como, outro acesso à ponte, a partir do cais.
Esta ponte, foi adjudicada à empresa de João Francisco Maria Armand Declaranges Lucotte, responsável pela construção da estrada Lisboa-Porto.
O contrato foi firmado em 1837 e permitiu, àquela empresa, a fruição da portagem respectiva.
A ponte Luís I foi inaugurada com o seu tabuleiro superior em 1886 e o inferior em 1888.
Até 1887, as duas pontes coexistiram, sendo que, a ponte D. Maria II, foi desmantelada nesta data.



segunda-feira, 17 de setembro de 2018

25.6 Prédio na Rua de Santa Catarina nº 53


Este prédio está pegado ao dos Armazéns Nascimento ou, se, se quiser, ao das Galerias Palladium.
Desde há muito, que sobre as origens do mesmo se têm debruçado estudiosos e historiadores, sem, no entanto, alguém ter jamais chegado, a uma conclusão definitiva.
Para além de se saber que deve ter sido construído durante o século XIX (existe uma foto de 1875, obtida a partir do início da Rua de Santa Catarina), podem encetar-se sobre ele algumas averiguações, recorrendo ao estudo da pedra de armas que ostenta no frontão da fachada.


Rua de Santa Catarina em perspectiva obtida da Praça da Batalha c. 1875


Na foto acima, à esquerda, encimada pelo frontão triangular, vemos o prédio nº 53, da Rua de Santa Catarina.
De notar que o edifício que se segue ainda não é, ainda, o dos Armazéns Nascimento e na esquina com a Rua de Santo António está a “Nova Casa Havaneza”.
A ourivesaria Reis que acabaria por habitar naquela esquina, seria fundada em 1880.
Os trilhos que se veem no pavimento só podem ser, a fazer fé na data, do “Americano”.
O brasão em mármore que o referido prédio ostenta, será do séc. XIX, sendo o seu escudo francês ou quadrado e  esquartelado.


Brasão do prédio da Rua de Santa Catarina nº 53


Na sua leitura verifica-se que o escudo é esquartelado e os pontos I e IV identifica os Sousa (do Prado), o II, dos Tavares e o III, de Queiroz.
Para além disso o elmo não tem paquife e contempla um timbre dos Sousa.
Porém como os esmaltes ou metais não estão indicados (como é óbvio), o segundo quartel tanto pode ser dos Tavares, como dos Macedos.
Nessa perspectiva, tanto poderia ser Sousa Tavares (?) ou Sousa de Macedo (?).

“ (…) Armando Mattos, em 1945, na sua obra "Pedra de Armas do Porto", definia-o como sendo um brasão dos Sousa Queiroz”.
Fonte: Manuel José Cunha

O barão (por decreto de 14 de Outubro de 1874) de Sousa Queiroz (1806-1891,) de seu nome completo Francisco Antônio de Sousa Queirós, era filho do brigadeiro Luís António de Sousa Queiroz (1757-???), natural de Amarante e emigrado no Brasil e de Genebra de Barros Leite, tendo casado, em 1833, com Antónia Eufrosina de Vergueiro.
O brigadeiro Luís António de Sousa Queiroz, por sua vez, era filho de José Luiz de Sousa e Ana Maria Macedo e tinha por irmão o coronel Francisco António de Sousa Macedo e Queirós (1777-???).
Do casamento do barão de Sousa Queiroz que foi um influente político brasileiro e abastado lavrador de café e opulento proprietário urbano de S. Paulo, nasceram vários filhos, que, como o pai, acabaram por centrar a sua actividade na terra natal.
As armas do Barão de Souza Queiroz, são uma combinação das armas das famílias Souza do Prado, Macedo, Teixeira e Queiroz e um pouco diferente daquele que estamos a estudar, por ser distinto, o seu ponto III.


Brasão do barão de Sousa Queiroz



Por outro lado, o tio do barão, o coronel Francisco António de Sousa Macedo e Queiroz casaria com Isabel Inácia da Conceição e teriam como filhos, Francisco Inácio de Sousa Queiroz e Maria Inocência de Sousa Queiroz.
No meio desta família, com origens em Amarante, se encontrará, certamente, a solução que nos propusemos inicialmente.
Quem mandou construir o prédio ainda existente e o habitou, na Rua de Santa Catarina, nº 53?

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

25.5 A Casa Escondida



Igreja dos Carmelitas à esquerda e Igreja dos Terceiros do Carmo à direita


A Igreja dos Carmelitas descalços foi construída entre 1616 e 1628.
Em 1736, é fundada a Ordem Terceira do Carmo, que a princípio tinha a sua sede no Convento dos Carmelitas Descalços, bem ali ao lado, mas em 1752 foi cedido o terreno ao lado da Igreja dos Carmelitas para a construção da Igreja do Carmo.


Igreja dos Carmelitas e igreja da Ordem Terceira (ainda sem azulejos) e Praça dos Voluntários da Rainha ainda sem fonte antes de 1885 - AMP


Entre as duas igrejas sobra um espaço que é uma casa bem esguia de 3 pisos.
Várias explicações são dadas para justificar o fenómeno, como seja, o de dizerem que era impeditiva a construção lado a lado das igrejas e, por isso, sobrou aquele espaço. Nada mais falso.
O facto deve-se à existência de duas capelas laterais da igreja dos carmelitas descalços, caso da capela do Senhor Santo Cristo e da capela de Nossa Senhora da Soledade, razão, pela qual, a igreja dos terceiros do Carmo ao adoçar àquelas capelas, acabou por criar o espaço onde veio a surgir, por razões estéticas, a “casa escondida”.
A casa serviu de residência para alguns capelães e, em algumas situações, também abrigou artistas que faziam trabalhos na decoração da Igreja e de médicos que trabalhavam no hospital da Ordem do Carmo.

Nos últimos tempos lá viveram o Sacristão e o zelador da Igreja.



No espaço entre as igrejas é possível observar as tais capelas laterais – Fonte: Google maps


Escada interior da “Casa Escondida”


Quarto de dormir da “Casa Escondida”


Pequeno Escritório da “Casa Escondida”


Sala de Estar e Sala de Jantar da “Casa Escondida”



Vista para o exterior da “Casa Escondida”


Aquela igreja dos terceiros do Carmo, cujo varandim sobre a porta de entrada tem risco de Nicolau Nasoni, tem uma outra particularidade pouco conhecida dos portuenses: durante os anos de 1846 a 1866, existiram no seu sub-solo, umas catacumbas construídas para servir os membros da venerável Ordem do Carmo, a exemplo das da Ordem de S. Francisco, da freguesia de S. Nicolau, com capacidade para 140 enterramentos, embora nem todos fossem perpétuos. No total, teriam sido aí sepultados, cerca de 400 membros da Ordem.
Em 1869, em virtude da institucionalização dos cemitérios públicos municipais, a Ordem do Carmo adquiriu um vasto talhão no cemitério de Agramonte e as catacumbas foram encerradas. Hoje, servem de armazém a um grande espólio com as peças mais valiosas da Ordem.
Aquela actividade funerária era uma ajuda deveras importante para angariação dos proventos da Ordem. Uma outra, consistia na exploração da actividade hospitalar que, neste caso, se centrou num hospital anexo á igreja e que se estendia pela Praça de Carlos Alberto.
Começado a construir em 1791, seria inaugurado em 1801 e, só encerraria, já nos nossos dias, em 2012, por não aguentar as pressões da concorrência.


Hospital da venerável Ordem do Carmo – Ed. JPortojo