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domingo, 3 de março de 2024

25.229 Museu Allen ou da Restauração

 
João Francisco Allen (1785-1848) foi o fundador deste museu, ao tempo, conhecido como Museu Allen ou Museu da Restauração.
João Allen, nascido em 1785, era o penúltimo filho de dez que seu pai, Duarte Guilherme Allen, teve de um primeiro matrimónio com Joanna Mazza, aparentada com o Papa Clemente XIV.
Duarte Allen foi cônsul da Grã-Bretanha em Viana do Castelo e no Funchal, sendo que, nesta cidade, foi o seu filho mais velho, cónego.
Uma irmã de João Allen (que viria ser a baronesa da Regaleira) casaria com José Monteiro de Almeida, que construiu a casa onde esteve o Correio Geral, na Rua de S. Bento da Vitória que, depois, foi dos herdeiros de José Gaspar da Graça.
Uma outra irmã casou com José Ferreira Pinto Basto, o fundador da Vista-Alegre e um conhecido e importante “setembrista”.
João Allen, aos doze anos, foi mandado para Washington, nos Estados Unidos, onde estudou num colégio católico, mas com uma organização militar, dirigido por clérigos franceses.
De volta ao Porto, serviu no exército anglo-luso, lutando contra os franceses, vindo a receber a medalha da Torre e Espada.
Após a Guerra Peninsular, João Allen estabeleceu-se em Londres e, depois, no Porto, como principal sócio da casa “Monteiro Dixon & Cia”, por morte do seu cunhado, José Monteiro de Almeida, cuja firma ficaria a ser, “Dixon, Allen, Figueiredo & Cia” e, mais tarde, “Allen, Morgan & Cia”.
Ainda solteiro, João Allen deu início, na sua residência, na Rua da Restauração, nº 281, a um museu, vindo a casar, em 1823, com Leonor Carolina Amsink, filha de Rodolfo Amsink, cônsul de Hamburgo, no Porto.
Em consequência do seu vício de juntar coisas, João Allen foi aproveitando as suas muitas viagens pela Europa, especialmente pela Itália, para enriquecer a sua colecção de armas, medalhas e louças.
Fruto da sua convivência com o pintor portuense Joaquim Rafael,  adquire-lhe algumas telas, a que junta quadros de Pillement. 
Como os salões da sua casa, sita na Rua da Restauração, nº 281 (no gaveto da actual Rua Alberto Aires de Gouveia com a Rua da Restauração), começassem a estar cheios, man­dou, em 1836, edificar nos terrenos contíguos uma nova casa, com três grandes salas e luz directa, onde colocou as suas colecções.
A casa de habitação tinha sido começada a construir c. 1831, pois é desse ano o pedido de construção à Câmara.
D. José de Urcullu, que viria a ligar-se à família, autor do "Tratado Ele­mentar de Geografia", no seu 2º volume, inclui uma ilustração e descrição da casa e do Museu Allen, tendo escrito:
 
 
“Só depois de concluído o prolongado cerco desta cidade é que o sr. Allen se resolveu a fazer uma casa destinada exclusivamente ao Museu. Teve a fortuna de que os projecteis que lançaram os sitiadores não caíssem onde estavam guardados os objectos raros e preciosos que em muitos anos tinham juntado. O edifício que serve de Museu e situado no fundo do jardim da casa em que mora o Sr. Allen; consta de três salões iguais de 22 palmos e meio de altura, 47 de comprimento e 26 e meio de largura. A luz entra em todos eles por clarabóias bem- dispostas no tecto.
Todos os domingos, João Allen abria a porta do seu Museu a quem o desejasse visitar, servindo o proprietário, graciosamente, de cicerone.
E se tudo corria bem no aspecto da arte, enriquecendo o seu Museu com peças que ia adquirindo ou lhe ofertavam, a verdade é que, a traição de um dos seus sócios, em Inglaterra, e a falta de amizade dos que lha deviam, em Portugal, acabaram por o obrigar a liquidar as suas casas comerciais”.
 
 
Como se lê, acima, João Allen, após ter sido obrigado a liquidar a sua actividade comercial, profundamente desgostoso, retirou-se para a sua Quinta de Campanhã (que ainda hoje existe na posse da família) e, aí, faleceu a 19 de Maio de 1848.
João Allen era um negociante portuense de ascendência britânica, tendo a sua actividade centrada na exportação de vinho do Porto. Foi membro da Feitoria Inglesa, tendo sido um dos fundadores do Banco Comercial do Porto e da Associação Comercial do Porto.
Dois anos após a sua morte, resolveu o conselho de família vender o recheio do museu, mas um movimento gerado na cidade, levou o município a adquiri-lo, ficando, no entanto, instalado nos mesmos edifícios, graciosamente, durante um ano.
Segundo Alberto Pimentel a respectiva compra cifrou-se em 12 contos de reis.
A verdade é que só, em 11 de Abril de 1852, abriu ao público com o nome de Museu Por­tuense, da Rua da Restauração, com a cooperação inteira e gratuita de Eduardo Augusto Allen (1824-1899), filho do fundador da Companhia do Palácio de Cristal e irmão de Alfredo Allen que, em 1866, passaria a ser o 1,º visconde de Villar d'Allen.
Eduardo Augusto Allen ficaria também conhecido por ter batido Camilo Castelo Branco, em concurso público, para o preenchimento da vaga surgida pelo falecimento de João Nogueira Grandra, de Bibliotecário da Biblioteca Municipal do Porto.
O Museu abriu, pela primeira vez, em 11 de Abril de 1852, primeiro, ao Domingo, depois, duas vezes por semana, isto é, aos domingos e quintas-feiras (1856) e, desde 1867, diariamente. Até ao falecimento de Augusto Allen, o museu seria beneficiado com várias obras de outros artistas, destacando-se as do pintor Alberto Aires de Gouveia, também conhecido por Gouveia Portuense, por contraposição a um outro famoso pintor - Vieira Portuense.
Gouvêa Portuense (Gouveia Portuense) era filho de Joaquim Frutuoso Ayres de Gouveia e neto de Frutuoso José da Silva Ayres, o capitalista que idealizou a Granja como estância balnear para a élite social da segunda metade do século XIX.
 
 
“Alberto Aires de Gouveia (Porto, 3 de Março de 1867 - Candal, Vila Nova de Gaia, 2 de Outubro de 1941) foi um pintor nascido no seio de uma família portuense ligada ao negócio dos vinhos. Teve uma educação esmerada, tendo frequentado o Instituto Minerva, o Colégio de S. Carlos e o Colégio Inglês de Nossa Senhora da Providência.
Exerceu actividade comercial na firma António Caetano Rodrigues & C.ª, onde esteve pouco tempo. A sua verdadeira paixão era a pintura, razão pela qual ingressa na Escola de Belas Artes do Porto e tem como professor o mestre da pintura naturalista Marques de Oliveira.
Participou em exposições coletivas e individuais.
Parte das suas obras podem ser vistas no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, no Museu Nacional de Arte Contemporânea de Lisboa e no Museu Grão-Vasco, em Viseu”.
Fonte: “pt.wikipedia.org”



Alberto Aires de Gouveia teve, portanto, direito a ver o seu nome figurar numa placa toponímica no arruamento que liga a Rua D. Manuel II à Rua da Restauração, pela poente do Hospital Geral de Santo António e, qque, antes, foi Rua da Liberdade e Rua dos Carrancas.
 
 
 
 

Rua Alberto Aires de Gouveia, antes da demolição dos prédios da foto para expansão do Hospital de Santo António




Uma vez falecido, em 29 de Maio de 1899, Eduardo Augusto Allen, começou o museu a ser conhecido como Museu Municipal do Porto, acabando por ser transferido, em 1905, para o edifício onde funcionava a Biblioteca Pública Municipal do Porto e o Ateneu Portuense ou Ateneu D. Pedro, localizado no antigo Convento de Santo António da Cidade, tendo sido reaberto ao público, apenas, em 1912.
A residência e o museu Allen já não existem tendo sido demolidos em 1962, e no local que anteriormente ocupavam, encontra-se, hoje, um moderno imóvel que, entre outras coisas, serve de cen­tro de escrutínio dos jogos da Santa Casa da Misericórdia.
O antigo Museu Allen e o antigo Ateneu D. Pedro, pertencentes ao Município Portuense e ao Estado, respectivamente, assim continuariam em S. Lázaro, dividindo instalações, durante boa parte do século XX.
 
 
 
 

Em destaque, a casa de Vilar d’Allen e o museu, na planta de 1865 de Perry Vidal


 
 
 
Casa e Museu de Vilar d’Allen, na Rua da Restauração – Litografia de J. Villa Nova, em 1839


 
 

Entrada do Museu da Restauração, anexo à residência de Vilar d’Allen – Photo Guedes, AHMP



 

Entrada do Museu Municipal do Porto, na Rua da Restauração – Fonte: AHMP (1902)
 
 
 
O acervo do Museu Municipal do Porto viria, então, a integrar o do Museu Nacional de Soares dos Reis, trazendo­-lhe, entre muitas maravilhas, o "Caim" e a "A Flor Agreste", de Teixeira Lopes, a "Crucificação", de Vieira Portuense, e "A Virgem e o Menino", de Frei Carlos, para além de uma sumptuosa colecção de numismática.


 
 

Interior do Museu Municipal do Porto (Museu Soares dos Reis, desde 1911 e, desde 1932, Museu Nacional Soares dos Reis), em S. Lázaro
 
 
 

Museu Municipal Portuense, nas instalações de S. Lázaro - Ed. Foto Guedes, negativo em vidro 13 x 18 cm – Fonte: AHMP



 

A meio da foto, editada, observa-se a casa dos Villar d'Allen, sendo visível, atrás, parte do edifício do quartel
 




No chão do prédio, em destaque, ficava a Casa e Museu de João d’Allen – Fonte: Google maps

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

(Continuação 1)


21.2 A Biblioteca Pública Municipal do Porto/Convento de Santo António da cidade


Convento e Biblioteca

A Biblioteca Pública Municipal do Porto é uma biblioteca localizada no início da Rua de D. João IV, frente ao Jardim de São Lázaro, na freguesia do Bonfim e que funciona no antigo Convento de Santo António da Cidade dos Capuchos, um enorme edifício claustral, de finais dos anos setecentos onde desde 1842 tem funcionado a Real Biblioteca Pública da Cidade do Porto, depois Biblioteca Pública Municipal do Porto e onde já funcionou, o Museu Municipal, a Escola de Belas Artes e o Museu Arqueológico.


“Em 1747, religiosos franciscanos da Província da Conceição, vieram à cidade do Porto, para aqui fundarem um Hospício, da invocação de Nossa Senhora da Conceição. No ano de 1780 compraram uma capela pública e outras casas e terrenos, no Campo de S. Lázaro. Em Novembro desse ano mudam-se para S. Lázaro. Em 1790 o Hospício passa a convento e casa capitular. Assim nasceu no Porto o Convento dos Frades Menores Antoninhos da Província da Conceição, mais conhecido por Convento de Santo António da Cidade. A sua construção prolongou-se por vários anos, e ainda no ano de 1832 prosseguiam as obras da nova igreja. Em 9 de Julho de 1832, o convento é abandonado, por se ter verificado a entrada na cidade do Porto das tropas liberais. No dia 14 o convento é ocupado pelas tropas inglesas. 
Em 1833 a Biblioteca Pública, é provisoriamente instalada no Hospício de Santo António do Vale da Piedade, na Cordoaria, e no Paço Episcopal e começa a ser mudada para o Convento de S. Lázaro em 1839 quando o Convento é doado à C.M.P. e em 4 de Abril de 1842, dá-se a inauguração de Real Biblioteca Pública do Porto.”
Fernando Moreira da Silva, In Boletim dos Amigos do Porto de 2003.



Sobre a grandiosidade do convento narra a notícia da realização nas suas instalações, já como Biblioteca Pública Municipal do Porto, de um jantar servido em 13 de Agosto de 1845 em honra de José Bernardo da Silva Cabral, ministro da Justiça.


“…as viandas foram servidas no “salão do Ateneu” no r/c e as “desert” no salão do 1.º andar.
O salão do Ateneu é onde era dantes o refeitório e cozinha dos frades, no tempo do convento de Santo António da Cidade. A sua extensão era tal que a mesa tinha 1400 cadeiras de cada lado”.
 In “Periódico dos Pobres no Porto”, 22 Agosto de 1845



Entre 1780 e 1832, na véspera e no dia 1 de Junho, realizava-se uma grande cerimónia na Igreja de Santo António da Cidade, que se alargava ao Campo de S. Lázaro, com fogo preso e luminárias, em honra de Nossa Senhora da Mãe dos Homens que, pelos dias de hoje, é apenas evocada em Moreira da Maia, lugar de Pedras Rubras.
O convento de Santo António da Cidade, após o ano de 1833, viria a ter várias utilizações para além da de Biblioteca Pública Municipal.
Segue-se uma cronologia do aparecimento do Convento de Santo António da Cidade, desde a sua fundação, até à inauguração da Real Biblioteca Pública do Porto.



“1747 - Alguns religiosos franciscanos da Província da Conceição vêm para a cidade do Porto e fundam um Hospício, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição.
1749 - Dionísio Verney, homem de negócios, está a acabar de construir, no Campo de São Lázaro, uma capela, mais tarde adquirida pelos Religiosos da Província da Conceição para estabelecimento de um Hospício Regular.
1753 - Em disposição testamentária, Dionísio Verney refere-se à construção, em São Lázaro, de um convento, convento esse que tinha intenção de ceder aos Padres da Ordem da Santíssima Trindade.
1755 - Morre Dionísio Verney, sendo sepultado na sua capela, ao Campo de São Lázaro.
1776 - Maria Angélica Teresa vende a António José Mendes Guimarães a capela, bem como três moradas de casas, sitas no Campo de São Lázaro, que tinham pertencido a seu irmão, Dionísio Verney.
1778 - D. Maria I concede aos Religiosos Menores da Província da Conceição autorização para fundarem um Hospício Regular na cidade do Porto.
1779-1780 - Os Religiosos da Província da Soledade (com sede no Convento de Santo António do Vale de Piedade em V. N. de Gaia) opõem-se a que os da Província da Conceição estabeleçam um Hospício Regular no Porto. Por isso, D. Maria I manda nomear um desembargador para superintendente da fundação do referido Hospício.
1780 - Em 26 de Novembro, os Religiosos da Província da Conceição compram a António José Mendes Guimarães uma «capella publica com casas místicas a ela» e outras casas e terrenos, situados no Campo de São Lázaro, que haviam pertencido a Dionísio Verney. A 30 de Novembro, a comunidade religiosa muda-se, das casas que habitava na Rua de Santa Catarina, para o edifício de São Lázaro. A 11 de Junho, o Ministro Provincial, Frei António das Dores, faz a primeira visita ao Hospício estabelecido em São Lázaro. No dia 3 de Julho, os Religiosos adquirem mais casas e terrenos para ampliação do seu Hospício.
1782 - É eleito, a 23 de Julho, o primeiro Prelado do Hospício de Santo António da Cidade, com voto e com o nome de Presidente «in capite».
1785 - Continuam as obras no Hospício, procedendo-se à extracção de pedra na Quinta da Fraga, às Fontainhas.
1789 - O edifício está ainda por concluir e promete vir a ser «um dos maiores Conventos da Cidade», segundo refere o Padre Agostinho Rebelo da Costa na «Descrição Topográfica e Histórica da Cidade do Porto».
1790 - O Hospício passa a Convento e Casa Capitular. Frei António de Jesus toma então posse como Guardião.
1791 - Realiza-se o primeiro Capítulo Provincial no Convento de Santo António da Cidade, a 27 de Agosto.
1794- O Provedor da Companhia Geral do Alto Douro, Barnabé Veloso Barreto de Miranda, é enterrado na Igreja do Convento, em frente ao altar de Nossa Senhora Mãe dos Homens.
1798/1799- Os Religiosos obtêm autorização para conduzir água para o Convento, sem pagar foros e laudémios dos terrenos comprados, e comprometem-se a fazer um aqueduto subterrâneo.
1799- Em 24 de Maio, é sepultado Frei João da Conceição, religioso leigo «que trabalhou muito para esta fundação»
1808- São abertas vinte e seis sepulturas nas «quadras do claustro», benzidas a 23 de Maio. Em Julho, é estabelecido no Convento um depósito para móveis e roupas das tropas espanholas que ocuparam a Cidade durante a 1ª Invasão Francesa.
1809- Foi morto a tiro pelos franceses, na freguesia de Lordelo do Ouro, no dia 29 de Março, o Irmão Pregador do Convento de Santo António da Cidade, Frei José de Santa Gertrudes. No mês de Abril, passa a funcionar no Convento um hospital para tropas francesas, hospital esse que, a partir de 20 de Maio, é destinado às tropas portuguesas. A 26 de Maio, é enterrado na Igreja do Convento um soldado falecido nesse hospital e, ainda no mesmo ano, um sargento e um soldado miliciano.
1818- São abertas sepulturas na segunda quadra do claustro, aplicando-se para este trabalho, entre outras verbas, dinheiro proveniente do Convento do Maranhão.
1820- Procede-se a diversas obras na sacristia.
1823/1824- Continuam as obras na sacristia, utilizando-se, para o efeito, pedra de Valongo e de Ançã.
1828- A 28 de Janeiro, é sepultado o pedreiro, «Mestre das obras da Igreja». A 29 de Abril, o Guardião do Convento, Frei José de Jesus Maria, assina, por si próprio e pela comunidade, a acta da Vereação extraordinária da Câmara em que foi acordado comunicar a D. Miguel que a cidade do Porto o queria como legítimo representante da Coroa.
1829/1830- Prosseguem as obras na Igreja e sacristia. 1830 Toma posse, em Capítulo Provincial de 29 de Maio, o décimo oitavo e último Guardião do Convento, Frei António da Natividade.
1831- Em 3 de Dezembro é celebrado o último Capítulo (intermédio) no Convento do Porto.
1832- Continua a construção da nova Igreja, encontrando-se já a capela-mor muito adiantada. Em 20 de Maio, é registada a última patente, dada pelo Ministro Provincial, Frei Francisco de Santa Maria dos Anjos, no Convento do Porto. O Ministro Provincial faz a última visita ao Convento, no dia 4 de Junho. A 1 de Julho, os Religiosos procedem ao último enterramento, feito no claustro. O Convento é abandonado pelos Religiosos no dia 9 de Julho, data da entrada do Exército Libertador na Cidade, permanecendo apenas um membro da comunidade, Frei Joaquim da Assunção. A 14 do mesmo mês, o Convento é ocupado por tropas inglesas que combatem ao lado dos liberais, as quais furtam móveis, alfaias religiosas e livros. No dia 26 do referido mês, são fuzilados pelos liberais, o Irmão Definidor, Frei Francisco da Pureza, e o Irmão Corista, Frei António de Ave-Maria, que se haviam refugiado na Quinta do Fojo. Na presença de Frei Joaquim da Assunção, são inventariados, a 30 de Agosto, os bens do Convento. Em 25 de Setembro e 3 de Outubro, é retirada a «Livraria», a qual é entregue ao Bibliotecário da Comissão dos Conventos Extintos ou Abandonados. O Batalhão Francês, que ocupava o Convento, abandona-o em Novembro, tendo feito nele grandes estragos, o que leva a Comissão dos Conventos Extintos ou Abandonados a comunicar o sucedido a D. Pedro IV. No dia 13 desse mês, a referida Comissão compra um livro de coro, pertencente ao Convento, que estava na posse de um soldado francês.
1833- Em Outubro, a mesma Comissão entrega a João Baptista Ribeiro, entre outros quadros e painéis, a «Ceia» da autoria de Joaquim Rafael, que havia pertencido ao Convento de Santo António da Cidade. Biblioteca Pública Municipal do Porto.
Em 30 de Dezembro, por o Prefeito do Douro e a Comissão Municipal entenderem que a Biblioteca Pública – provisoriamente instalada no Hospício de Santo António de Vale da Piedade, à Cordoaria, e no Paço Episcopal – necessitava de um edifício mais espaçoso, é mandado examinar, para esse efeito, o «abandonado Convento de Santo António da Cidade», por uma Comissão constituída pelo 1º Bibliotecário, Diogo de Góis Lara de Andrade, pelo Arquitecto da Cidade, Joaquim da Costa Lima Sampaio, e pelo 2º Bibliotecário, Alexandre Herculano.
1834- O Prefeito do Douro, em 13 de Março, remete ao Governo as plantas da Praça de São Lázaro e do Convento de Santo António da Cidade, bem como o orçamento das despesas necessárias para neste edifício se instalar o Museu e a Biblioteca. No «Registo dos Egressos habilitados», datado de Maio, são mencionados vinte ex-religiosos do Convento de Santo António da Cidade.
1836- Em Agosto, é anunciada a venda dos «materiaes das Igrejas nova, e velha do extincto Convento de Santo António da Cidade».
1839- O edifício do Convento é doado à Câmara do Porto, em 30 de Julho. 1842- É definitivamente instalada no edifício do Convento a Real Biblioteca Pública do Porto e inaugurada em 4 de Abril, dia do aniversário da Rainha D. Maria II.
Maria Adelaide Meireles, In O Convento de Santo António da Cidade; Fonte: “balcaovirtual.cm-porto.pt”




Projecto inicial do convento – Fonte: “portoarc.blogspot.pt”



Em 1832, continuava a construção da nova igreja que iria substituir, junto dela, a primitiva capela existente.
 
 
 

Convento de Santo António da Cidade em 1833 - Desenho de J. Villanova
 
 
 
Como se pode ver na gravura acima, na ala mais a norte do complexo (à esquerda) ficava o templo no qual era venerada uma imagem de Nossa Senhora da Mãe dos Homens.
Para alinhamento da Rua do Mede-Vinagre, depois Rua da Murta e, finalmente, Rua Morgado Mateus a nova igreja acabaria, mais tarde, por ser demolida e integrada na fachada voltada para aquela rua.

 
 

Fachada, à esquerda, voltada para a Rua Morgado Mateus

 
 
O topónimo de Rua Morgado Mateus pretende homenagear D. José Maria de Sousa, morgado de Mateus, nosso enviado a França e mecenas.
Quanto ao topónimo de Mede-Vinagre, por certo, tratar-se-ia de uma referência a alguém que por aquelas bandas comerciaria aquele produto e já constava da planta de Costa Lima de 1839.
Quanto ao topónimo de Rua da Murta, talvez se ficasse a dever à viúva de Boaventura José Vaz Murta, que vivia nas imediações.



Biblioteca


A Biblioteca Pública do Porto foi instituída no dia 9 de Julho de 1833, por decreto assinado nos paços reais de Porto por D. Pedro IV, duque de Bragança e referendado por Cândido José Xavier, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino. A criação da biblioteca teve por objetivo expressamente declarado solenizar o aniversário da cidade. O nome dado foi Real Biblioteca Pública da cidade do Porto.
A biblioteca tinha sido inicialmente instalada, no Hospício dos Franciscanos, mais tarde Hospício dos Expostos, onde viria a funcionar a Roda e o Mercado do Peixe, situado na Praça da Cordoaria e, em 11 de Abril de 1842, foi definitivamente instalada na casa que servia de hospício dos religiosos de Santo António de Vale da Piedade, o Convento de Santo António da Cidade, junto ao Jardim de São Lázaro na Rua D. João IV.
Os cargos da biblioteca seriam de nomeação da Câmara, excepto o cargo de bibliotecário, cuja nomeação teria de ser feita pelo governo.



“Em 1833 entendeu-se que a Biblioteca Pública, até então instalada provisoriamente no hospício de Santo António de Vale da Piedade, na Cordoaria, necessitava de um edifício mais espaçoso. Daí, foi nomeada uma comissão para examinar as condições do «abandonado Convento de Santo António da Cidade».
A comissão constituída pelo 1.º bibliotecário, Diogo de Góis Lara de Andrade, pelo arquiteto da cidade, Joaquim da Costa Lima Sampaio, e pelo 2.º bibliotecário, Alexandre Herculano, apresentam uma proposta no ano seguinte com plantas e orçamentos para a instalação da biblioteca e do museu no edifício.
Só em 1839 o edifício do convento é doado à Câmara do Porto, e em 1842 é definitivamente instalada no edifício do convento a Real Biblioteca Pública do Porto e inaugurada em 4 de abril, dia do aniversário da rainha D. Maria II”.
In facebook.com/PortoDesaparecido



“O primeiro fundo bibliográfico do novo estabelecimento cultural foi constituído principalmente pelas livrarias dos conventos abandonados e pela do prelado da diocese, D. João de Magalhães e Avelar.
Segundo Alexandre Herculano, a biblioteca constava de 36 mil volumes, além de 300 códices manuscritos. Devido a uma questão de herdeiros do prelado que perdurou por vários anos, o governo teve ainda que pagar uma quantia que na época era de 24.000$000 réis. Os primeiros catálogos que a biblioteca possuía foram de dezasseis volumes manuscritos que naquela época prestavam excelentes serviços.
Em 1842 a Biblioteca constava de 24.256 obras, em 47.322 volumes, pelo que diz os livros já catalogados. Além, deste acervo, havia também 50 mil volumes, entre os quais 4.200 tinham vindo dos conventos extintos de Vila do Conde e imediações. Foi nessa época que apareceram os primeiros catálogos impressos da Biblioteca do Porto. Encontra-se no prelo um catálogo descritivo, analítico e comentado dos Manuscritos Ultramarinos da Biblioteca Pública Municipal do Porto e organizado para aquele certame pelo Gabinete de História da Câmara Municipal da mesma cidade.
A coleção de manuscritos raros desta biblioteca enriqueceu em 1877 pelo legado do Conde de Azevedo.
Esta biblioteca foi transformada em Municipal, por determinação da Carta de lei de 27 de Janeiro de 1876, promulgada por D. Luís I e referendada pelo ministro do Reino António Rodrigues Sampaio, tendo como presidente da Câmara do Porto Francisco Pinto Bessa”.
Fonte: “pt.wikipedia.org”



O edifício da Biblioteca do Porto, ao longo da sua existência, esteve sujeito a várias intervenções de remodelação, conservação e restauro.
Nos anos mais próximos, é de destacar aquelas que ocorreram em 1978 e se estenderam pela década de 1980.
Assim, em 1978, tiveram lugar trabalhos profundos de remodelação das instalações afectas ao funcionamento da biblioteca. Os trabalhos decorreram durante ano e meio, mas devido a várias circunstâncias estiveram parados durante três anos, sendo retomados com o assumir da presidência do executivo camarário por Paulo Valada, em Janeiro de 1983.
Entretanto, o Convento de Santo António da Cidade, no Porto, foi declarado Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 28/82, de 11 de Fevereiro de 1982. O edifício, classificado como Imóvel de Interesse Público, já albergava a Biblioteca Pública Municipal do Porto desde 1842.
 
 
 
 

Sala de Leitura da Biblioteca Pública do Porto, na década de 1970, localizada em andar superior
 
 
 

Ficheiros da Biblioteca Pública do Porto localizados em espaço improvisado, na década de 1970
 
 
 

Sala de Leitura improvisada, funcionando na antiga Hemeroteca, na década de 1970
 
 
 
Sobre a foto anterior, é de lembrar que muitos daqueles que hoje já não são mais meninos, passaram horas sem fim, naquela sala, devorando livros de aventuras e cowboys.



Museu Portuense ou Ateneu D. Pedro


O chamado Museu Portuense ou Ateneu D. Pedro, foi criado em 1833, por Pedro IV de Portugal e instalado no edifício do Convento de Santo António da Cidade tendo, para esse efeito, sido demolida a primitiva capela. 



Alberto Pimentel, In "Guia do viajante na cidade do Porto e seus arrabaldes" (1877)



José Teixeira Barreto, professor na Academia de Marinha e Comércio, tinha sido quem primeiro advogou a existência na cidade do Porto de um Museu de Pinturas e Estampas. No entanto, morreu precocemente e não viu materializado o seu desejo.
Seria João Baptista Ribeiro, um retratista, que lhe sucedeu, quem iria convencer D. Pedro IV a fazê-lo, durante as visitas que fazia ao Paço, no Porto, para retratar o soberano.
Em sequência, em 11 de Junho de 1833, já João B. Ribeiro tinha entregado um projecto de regulamento de funcionamento do Museu Portuense, que lhe foi solicitado por portaria do Ministério do Reino, de 11 de Abril.
Entretanto, realizou um trabalho de identificação das pinturas e estampas existentes nos conventos e mosteiros extintos e nas casas sequestradas.
A escolha do local para instalação do Museu é da sua lavra, mas até 12 de Setembro de 1836, quando lhe é atribuído, finalmente, um vencimento para pagamento do seu trabalho, as contrariedades são muitas.
A maior, a humidade existente no espaço escolhido para a galeria de pintura.
Na recolha do espólio dos conventos e mosteiros extintos e casas sequestradas, vê-se envolvido em questões de descaminho de peças, chegando a receber uma intimação do Juiz de Direito do Bairro de Santo Ovídeo, para entregar (com pena de prisão em caso contrário) todas as pinturas e estampas que tinham pertencido ao rebelde João Luís da Silva Souto e Freitas, um miguelista, que tinha visto a sua casa sequestrada e que faleceria, em 14 de Janeiro de 1837.
Porém, a actividade de João B. Ribeiro, leva-o a enriquecer continuamente o acervo do Museu.
Com João B. Ribeiro, trabalham dois funcionários: Francisco Pedro de Oliveira e Sousa (1ª Guarda) e Domingos da Silva (Porteiro), ambos sem vencimento, pelo que abandonariam as suas funções ao fim de dois anos.
Vai ser com a subida ao poder de Passos Manuel que a história do Museu vai acelarar.
Para isso, contribui a publicação do Decreto de 12 de Setembro de 1836, que fixa a remuneração do directoe e dos dois auxiliares.
Ao director, João B. Ribeiro, por ter já um vencimento por ser lente de Desenho na Academia Real da Marinha e Comércio receberá, apenas, uma gratificação simbólica.
As obras sucederam-se nas instalações e o Museu só abrirá ao público em 29 de Junho de 1840, quando João B. Ribeiro já tinha abandonado funções.
Entretanto, já em 1839, o Museu Portuense de Pintura e Estampas, também designado “Ateneu D. Pedro” ou, simplesmente, “Museu Portuense”, tinha visto ser-lhe anexado, a Academia Portuense de Belas Artes. 
Em 1905, recebeu o contributo das peças vindas do Museu Municipal ou Museu Allen ou Museu da Restauração, que tinha sido inaugurado em 11 de Abril de 1852  nas instalações do antigo Museu Allen, na Rua da Restauração, após a aquisição em 1850  pela Câmara do Porto, dos espólios do Museu Allen.
No convento também esteve instalado o Museu Archeologico dirigido por Rocha Peixoto entre 1900 e 1909.





O claustro do convento de Santo António utilizado como museu, In revista “Arte”, 5º ano, 1909 – Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”





Academia Portuense de Belas Artes


A sede da Academia Portuense de Belas Artes situou-se, então, no extinto Convento de Santo António da Cidade juntamente com o Museu Portuense. 



Trecho do discurso do conde de Samodães, em 1869, na 10ª Exposição Trienal de Pinturas




De qualquer modo, algumas das aulas iniciaram o seu funcionamento no edifício da Academia Politécnica, onde permaneceram até à década de 70 do século XIX.
A Academia Portuense de Belas Artes teve existência entre 1836 e 1911, passou depois, por decreto de 26 de Maio de 1911, a Escola de Belas Artes do Porto entre 1881 e 1950 (em 1938 viria a ocupar o vizinho Palacete Braguinha) e, finalmente, foi Escola Superior de Belas Artes do Porto entre 1950 e 1992.
A 12 de Dezembro de 1991, o Senado Universitário aprovou a integração deste estabelecimento na Universidade do Porto, decisão que acabou por dar origem, no ano seguinte, à Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (Despacho n.º 307/ME/92, de 30 de Outubro).



“A primeira tentativa de reforma da Academia Portuense de Belas Artes deu-se em 1881, pelo Decreto de 22 de Março, que pretendeu reforçar a separação entre a Academia e a Escola. Este diploma atribuiu à Academia as funções de promoção da arte e da arqueologia, de realização de exposições, de conservação e restauro de monumentos e de defesa do património museológico, enquanto que a Escola de Belas Artes foi objeto de uma reforma do ensino que ministrava, tendo-se aumentado o número de cursos. Em resultado desta reforma, esta Escola passou a lecionar cursos como o Geral de Desenho, o de Arquitectura Civil, o de Pintura Histórica, o de Pintura da Paisagem, o de Escultura Estatuária, o de Gravura a Talho Doce, o de Gravura em Madeira e também cursos de Belas Artes com aplicação às artes industriais.
A implantação da República trouxe consigo grandes mudanças. As Academias de Belas Artes foram extintas, criando-se conselhos de Arte e Arqueologia em sua substituição. O Museu Portuense que, entretanto, passou a designar-se Museu Soares dos Reis, ficou subordinado ao Conselho da “3.ª Circunscrição”. Apesar destas reestruturações, a Escola de Belas Artes manteve-se ativa, embora com o estatuto de organismo autónomo. A organização interna passou a observar, em traços gerais, a da Escola Académica, que datava de 1881. O ensino repartiu-se por dez cadeiras, constituídas por vários módulos, e por Cursos Especiais (de Escultura, de Pintura e de Arquitectura).
O ensino artístico foi novamente reformado em 1931, pelo Decreto n.º 19.760, de 20 de Maio. Nesta altura constituíram-se Cursos Especiais, de nível elementar, para cada uma das três artes, a cuja frequência se seguia a de um Curso Superior”.
Fonte: “sigarra.up.pt”



Conclusão


“(…) Do lado nascente encontramos a Biblioteca que alberga ainda a Escola Portuense de Belas Artes criada em 1881 (a antiga Academia Portuense de Bellas Artes fundada em 1836 tinha agora funções de promoção das artes), dirigida pelo Inspector da Academia Leopoldo Mourão e onde leccionam entre outros, Marques da Silva e Alves de Sousa.
(…) Também aí está instalado o Museu Archeologico dirigido por Rocha Peixoto entre 1900 e 1909, acrescido em 1905 do Museu Municipal do Porto, em instalação.
(…) Da iniciativa do Centro Artístico Portuense, de que fizeram parte Soares dos Reis, Tomás Soller, José Sardinha e Marque de Oliveira, entre outos, foi projectado um edifício para albergar o Museu Municipal, num terreno adjacente à Biblioteca por José Geraldo da Silva Sardinha (1845-1906), que porém, nunca foi realizado.
(…) No Porto as exposições de artes plásticas, realizam-se em locais tão variados como a casa do Visconde da Trindade, a Sociedade Promotora das Belas Artes em Portugal, o Grémio Artístico, o Instituto Portuense de Estudos, a casa de Fotografia União, o Centro Artístico Portuense, o Ateneu Comercial do Porto e a Santa Casa da Misericórdia do Porto”.
Professor Ricardo Figueiredo, In “doportoenaoso.blogspot.pt”





Biblioteca Pública Municipal do Porto – Ed. “bibliotecas-.blogspot.pt”




Claustro do convento e fonte



Após a vitória dos liberais, demolida a igreja, o aspecto exterior do convento de Santo António da Cidade foi parcialmente mantido, bem como o claustro e o chafariz de 1789. O interior, no entanto, foi objecto de remodelações profundas, com o objetivo de melhor responder à nova ocupação do edifício.
Por diversas ocasiões foi alvitrado ampliar as instalações do edifício. Foi o caso da proposta feita em 1882 que, no entanto, não se concretizaria.



Projecto de ampliação das instalações do convento – In: “A Arte Portugueza” (Revista mensal de Bellas-Artes); Publicada pelo Centro Artistico Portuense, I Anno Março de 1882

 
 
Na gravura acima pode ser observado um projecto para alargamento do convento dos Capuchos em S. Lázaro, respeitante à fachada da Rua da Murta. O projecto era de José Geraldo da Silva Sardinha, e o desenho de Joaquim Augusto Marques Guimarães.
Em 2023, finalmente, foi decidido prolongar a área adjacente às instalações da biblioteca situadas a nascente, confrontando com a Avenida Rodrigues de Freitas e Rua Visconde de Bóbeda.

 
 

Em primeiro plano, à direita, a área que irá ser intervencionada para ampliação das instalações da Biblioteca Municipal da autoria do arquitecto Souto Moura - Fonte: Googlemaps

 
 

Aspecto final da ampliação das instalações da Biblioteca Municipal


segunda-feira, 24 de julho de 2017

(Continuação 14)





Já foi a Rua dos Quartéis e seguidamente Rua do Triunfo (devido às lutas liberais)





Planta com Rua dos Quartéis e Paço do Morais e Castro


Legenda:

1. Rua da Boa Nova
2. Paço do Morais e Castro
3. Rua do Rosário
4. Hospital Santo António
5. Rua dos Carrancas
6. Rua dos Quartéis
7. Rua de Vilar
8. Rua da Bandeirinha
9. Quartéis
10. Largo da Torre da Marca



Na planta anterior verifica-se, imediatamente, que a Rua da Restauração ainda não está aberta e, como é lógico, nem o Palácio de Cristal, nem a Rua de Júlio Dinis existem, e por uma consulta mais atenta a essa famosa Planta Redonda de George Balck (editada em 1813), podemos observar a Rua dos Quartéis e respectivas imediações, nesse primeiro quartel do século XIX, e muitos outros pormenores interessantes.
A primeira coisa que salta à vista, é a ausência de edifícios do Vilar à embocadura da Rua do Rosário, sendo a única construção que o mapa indica, o conhecido quartel.
Em direcção às actuais ruas de Alberto Aires de Gouveia (que, por esta altura, se chamava dos Carrancas ou Carranca, na versão de Balck, por nela viver a família com este apelido, os Morais e Castro) e da Bandeirinha, estendiam-se campos e quintas. E o mesmo cenário rural se prolongava, nas traseiras do edifício militar, até Monchique, já que não fora ainda aberta a Rua da Restauração.
Em sentido oposto, para o lado das ruas do Vilar e de Entre Quintas, rasgava-se o campo, ou largo, da Torre da Marca, rodeado por uma série de quintas, mais tarde, parcialmente sacrificadas à construção do Palácio de Cristal inaugurado, em 1865, com a Exposição Internacional do Porto.
Na carta de Balck, a já citada Rua da Boa Nova prolonga-se pela da Carvalhosa que, por sua vez, se estende até ao Largo do Priorado, englobando as actuais ruas da Maternidade, da Boa Hora e de Aníbal Cunha. E, em frente ao quartel, do lado oposto da então Rua dos Quartéis, abre-se um caminho sinuoso, correspondendo à rua que foi a Rua do Pombal e é, agora, de Adolfo Casais Monteiro.
A actual Rua D. Manuel II foi aberta ao longo de um caminho que, em tempos bastante recuados, saía da porta do Olival, na Cordoaria, prosseguia pelas ruas de Vilar, Rainha D. Estefânia e Campo Alegre, até à Foz e Matosinhos. 




Museu Soares dos Reis e o escultor Soares dos Reis




Palácio dos Carrancas, depois Paço Real e, finalmente, Museu Soares dos Reis



Na foto acima, em destaque, o edifício do que viria a ser o Museu Nacional Soares dos Reis e, ao fundo, à direita, o local onde agora são as novas instalações do hospital de Santo António.
De notar a linha de árvores, a meio da rua, em frente ao palácio. Esse renque de árvores, hoje, já não existe.
Em frente ao palácio, ficava o horto de Alfredo Moreira da Silva, um conhecido botânico da cidade.
António Manuel Soares dos Reis (S. Cristóvão de Mafamude, Vila Nova de Gaia 14 de Outubro 1847-1889) é considerado um dos maiores escultores portugueses do séc. XIX.
Era filho de Manuel Soares Júnior, proprietário de uma mercearia a retalho, e de sua mulher Rita do Nascimento de Jesus.
Com vinte anos, em 1867, partiu para Paris, como pensionista do Estado, onde frequentou o atelier de M. Jouffroy e a École Imperiale et Speciale des Beaux Arts.
Findo o período do pensionato regressou a Portugal, chegando a Vila Nova de Gaia nos primeiros dias de Setembro de 1872. Foi nessa altura que Soares dos Reis apresentou a obra “O Desterrado” como prova documental do aproveitamento dos seus estudos, de modo a justificar a sua permanência no estrangeiro, ao abrigo da bolsa de Estudo.
Ainda nesse ano, a 23 de Dezembro, foi nomeado Académico de Mérito pela Academia do Porto.
A partir de 1881, leccionou a disciplina de Escultura na Escola de Belas-Artes do Porto, a funcionar, à data, no antigo convento de Santo António da Cidade, a S. Lázaro. 
Soares dos Reis é admirado pelos seus contemporâneos, recebe encomendas, participa em concursos e exposições, concebe monumentos públicos. A doença e insatisfação levam-no ao suicídio, em 1889, no seu atelier.
Em 1881, a escultura “A Flor Agreste”, em mármore de Carrara, uma das suas obras mais conhecidas, foi vendida numa exposição-bazar realizada, no Palácio de Cristal, pelo Centro Artístico Portuense, de que Soares dos Reis foi um dos fundadores.



"A Flor Agreste" faz parte do acervo do Museu Soares dos Reis




Supõe-se que o modelo de “A Flor Agreste” era uma filha de uma carvoeira que passava por perto do atelier de Soares dos Reis. A menina foi retratada em 1878, quando Soares dos Reis aguardava a construção da sua casa-oficina na Rua Luís de Camões, em Vila Nova de Gaia.
A escultura em mármore foi vendida numa exposição-bazar do Centro Artístico Portuense, de que Soares dos Reis foi um dos fundadores, realizada em 1881 no Palácio de Cristal. Postumamente, o modelo em gesso de “A Flor Agreste” serviu de matriz para diversos tipos de reprodução, em vários tamanhos e materiais, conferindo à obra uma difusão extraordinária.
Em 29 de Outubro de 1932, no Salão Silva Porto, no decurso de um leilão de objectos de arte, quando o escritor Antero de Figueiredo e Ramos Pinto discutiam os lanços da obra de Soares dos Reis, “A Flor Agreste” e a licitação atingia os oitenta e seis contos, o leilão foi suspenso e a escultura retirada, pois o governo desejava adquiri-la.
Então, em 16 de Fevereiro de 1889, Soares dos Reis suicida-se, no seu “atelier”, onde escreveu na parede: 

“Sou cristão, porém, nestas condições, a vida para mim é insuportável. Peço perdão a quem ofendi injustamente, mas não perdoo a quem me fez mal”.

 
O Palácio dos Carrancas é um edifício construído na segunda metade do século XVIII (1795) para residência da família de Morais e Castro, conhecida como a família dos Carrancas. Nunca foi apurada ao certo a razão do nome, algo grotesco, que o palácio assumiu. Pretendem, alguns, que a designação decorra do facto de os pais dos seus primeiros proprietários terem habitado a Rua dos Carrancas (depois, da Liberdade e, hoje, Rua de Alberto Aires de Gouveia), onde possuíam uma indústria de passamanaria, especializada no fabrico de galões de ouro. Outros acreditam que "Carranca" era a alcunha deste abastado industrial, Luís de Almeida Morais e que, a rua homónima, herdou a designação do seu desagradável sobrenome.
 
 
“O palácio da rua dos Quartéis (hoje do Triunfo) foi construído em 1795, e chamou-se dos Carrancas por naquela rua habitarem os seus fundadores Manoel e Isidoro Mendes de Moraes e Castro, barões de Nevogilde. Por morte destes, o palácio ficou pertencendo a Henrique José Mendes de Moraes e Castro, 3º barão de Nevogilde. Falecendo este, passou a sua sobrinha D. Carlota Rita Borges de Moraes e Castro, casada com seu primo Luiz de Almeida Moraes e Castro, que deste consorcio tiveram um filho, David Augusto Borges de Alvim Moraes e Castro, casado com D. Sibilina da Gloria Pinto da Fonseca Rangel e Castro”.
Firmino Pereira, In “O Porto d’Outros Tempos” (1914)
 
 
 
O conjunto edificado original era constituído por quatro partes: o palácio propriamente dito, com três pisos e águas furtadas, em forma de U; as galerias, com um piso que pro­longa os dois braços e que estão ligadas por uma terceira galeria transversal; o pátio central contido pelo edifício; e, finalmente, um espaço livre, com cerca de um hectare, nas traseiras, que na viragem para o século XX viu aí ser construído, um velódromo.
O arquitecto escolhido para desenhar este palácio é Lima Sampaio que desenhou a Feitoria Inglesa e que acompanhou a construção do Hospital de Santo António, tudo construções de estilo Neo-clássico.
Ao longo das primeiras décadas do século XIX, o Palácio dos Carrancas desempenhou papel de relevo e acolheu hóspedes significativos. Por ocasião das invasões francesas, foi primeiro habitado pelo general Soult e, depois, pelos comandantes ingleses Wellesley e Beresford.
Durante o Cerco do Porto, D. Pedro IV instalou aqui o seu quartel-general, mas viu-se obrigado a abandonar o palácio por este se encontrar demasiado exposto ao fogo dos miguelistas, aquartelados em Vila Nova de Gaia.
Por outro lado, a família real portuguesa não tinha uma residência oficial no Porto, pelo que, quando nos visitava, ficava no Paço Episcopal.
Assim, em 25/6/1861, D. Pedro V comprou o Palácio dos Carrancas por 35 contos de reis que passaria a funcionar como Paço Real. 
Já vivendo neste palácio, o jovem rei, D. Pedro V, esteve no Porto no lançamento da primeira pedra do Palácio de Cristal, em 24/8/1861.
Após a implantação da República, D. Manuel II exilou-se e o palácio esteve provisoriamente encerrado.
A 6 de Março de 1917, foi anunciado que o rei destituído, D. Manuel II, ofereceu ao governo o seu palácio dos Carrancas, para ser usado como hospital de guerra.
O rei deposto haveria de oferecê-lo, mais tarde, à Misericórdia do Porto, para que esta instituição aí instalasse um hospital para crianças, num documento só conhecido em 1932, aquando da morte do rei.
Entretanto, o chamado Museu Portuense ou Ateneu D. Pedro, tinha sido criado em 1833, por Pedro IV de Portugal, para ser instalado no edifício do Convento de Santo António da Cidade actual edifício da Biblioteca Pública Municipal do Porto, em Santo Ildefonso.
Em 12 de Setembro de 1836, seria assegurada definitivamente a existência do Museu, por Decreto do governo de Passos Manuel, com a designação de “Museu de Pinturas, Estampas e outros objectos de Bellas Artes”.
Em 1905, recebeu o contributo das peças vindas do Museu Municipal ou Museu Allen ou Museu da Restauração, fundado em 1836 por João Allen, na Rua da Restauração
Em 1848, morria o seu fundador e, em 1850, o Município comprou as colecções e o edifício do Museu que foi reaberto em 1852 e, aí, se conservou até 1905, quando foi instalado em S. Lázaro juntamente com o Museu Portuense.
Em 1911, o Museu Portuense ganhou o nome de Soares dos Reis, em homenagem aquele escultor portuense. Grande parte do espólio do escultor faz parte da colecção do Museu, sendo, talvez, a obra mais emblemática, a escultura em mármore de nome “O Desterrado”.
Em 1932, o Museu Soares dos Reis passa a ter estatuto de Nacional.
Voltando ao Palácio dos Carrancas, em 1937, o Estado adquiriu-o à Santa Casa de Misericórdia do Porto, vindo a ser inaugurado como museu, cinco anos mais tarde, em 1942.
Na prática, para que a instalação do museu fosse possível na nova casa, Vasco Valente (1883-1950) nomeado, em 1932, director do Museu Nacional Soares dos Reis, ainda nas velhas instalações a S. Lázaro, cargo que manteve durante vários anos, foi quem teve um papel de destaque, iniciando negociações com o Estado e a Misericórdia, para transferência do museu para o Palácio devoluto.
Instalado o museu, desde 1833, em péssimas condições, no edifício de Santo António da Cidade, em S. Lázaro, urgia encontrar instalações condignas.
O Dr. Domingos Braga da Cruz, Provedor da Misericórdia em Julho de 1963, chegou a afirmar que o Estado, pelo Dec. Lei nº. 27878 de 21/7/1937,  tinha expropriado o palácio à S. C. da Misericórdia, para lá instalar o Museu Soares dos Reis.
Como compensação pela transferência da propriedade, a SCMP acabaria, na realidade, por receber 2.264.000$00.
Começadas as obras de adaptação do novo edifício em 1940, com projecto do engenheiro Fernandes Sá, o museu seria inaugurado em 1942.
 
 
 
“À luz da museologia da época, o edifício adequava-se na perfeição à função de museu: qualidade arquitectónica, estilo neoclássico e tradição histórica.
Sob a orientação do Engº Fernandes Sá, iniciam-se as obras de adaptação, a cargo da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.
À época, as alterações mais notáveis consistiram na transformação das oficinas da antiga fábrica em galerias com iluminação zenital, destinada à pintura, assim como, a criação de uma galeria de escultura, para alojar a obra de Soares dos Reis”.
Fonte: Site do Museu Nacional Soares dos Reis
 
 
 
Com excepção de algumas intervenções de pormenor, o Museu é apenas alvo de transformação maior a partir de 1992: projecto de remodelação e expansão da autoria do arquitecto Fernando Távora. Decorrendo a um ritmo lento, o projecto é concretizado em Julho de 2001, dentro da realização do Porto, Capital Europeia da Cultura. 
O acervo do museu foi constituído, na sua origem, pelas colecções do Museu Portuense e do Museu Municipal do Porto (antiga colecção Allen - Museu Allen) a que se acrescentaram doações e aquisições posteriores.
O Museu Soares dos Reis seria, assim, o sucessor final do Museu de Pinturas e Estampas, instituído por D. Pedro IV.
 
 
"Com a designação de Museu Portuense de Pinturas e Estampas, instalou-se no Convento de Santo António, na zona oriental da cidade (Jardim de S. Lázaro), sob direcção do pintor João Baptista Ribeiro. Seguia um programa cultural e pedagógico inovador, de apoio aos artistas da Academia Portuense de Belas Artes e divulgação da arte mediante a organização de exposições públicas. Foi confirmado por D. Maria II em 1836, no âmbito das reformas da instrução pública levadas a cabo pelo ministro Passos Manuel.
Em 1839 o acervo do Museu transitou para a direcção da Academia Portuense de Belas-Artes, o que levou a um fortalecimento da relação entre o museu e o ensino artístico no século XIX. O contributo da galeria de S. Lázaro consistia na organização das exposições trienais que tiveram como resultado a reunião de pintura e escultura do Porto oitocentista. Esta colecção forma uma das partes mais consistentes do acervo documentando o retrato, a cena de costumes e a paisagem de influência naturalista…No âmbito das reformas institucionais da República em 1911, com uma política museológica descentralizada e tendente à especialização, inscreve-se a criação do Museu Soares dos Reis, evocativo do primeiro pensionista do Estado em escultura pela Academia Portuense de Belas Artes: António Soares dos Reis, o célebre autor do Desterrado.
Com o Estado Novo valoriza-se a conservação do património e acentua-se o papel do museu como lugar de memória de toda uma nação que se quer forte e coesa. É neste sentido que em 1932 o museu centenário adquire o estatuto de Museu Nacional, o que lhe vai proporcionar a independência face à tutela académica e a expansão patrimonial”
Site do Museu Nacional Soares dos Reis



Os Quartéis


“Poucos anos após o levantamento do cerco miguelista, mais precisamente em 1838, a Câmara do Porto, evocando a vitória liberal, determinou que a Rua dos Quartéis, hoje de D. Manuel II, passasse a ostentar a designação de Rua do Triunfo. O topónimo então despromovido - Rua dos Quartéis - tivera origem num conjunto de edifícios destinados a aquartelamento militar que ali haviam sido erguidos pelos finais do século XVII.
Em frente do Museu encontra-se, então, o antigo quartel do Regimento de Infantaria 6, que foi também de Metralhadoras 3 e do C.I.C.A.P, actualmente ocupado pelo Hospital de Santo António e pela Universidade do Porto.
À excepção de um portal de granito - cujo estilo tem fundamentado a presunção de que a obra remonta ao século XVII -, pouco resta destes primitivos quartéis, substituídos pelo actual edifício da Reitoria da Universidade do Porto, onde esteve sedeado, desde o início de oitocentos, o Regimento de Infantaria 6.
Nos anos que antecederam o Cerco do Porto, de 1829 a meados de 1832, o governo miguelista instalou aqui o Regimento de Infantaria 19, depois novamente substituído pelo anterior, que só veio a ceder o edifício, já neste século, ao Batalhão de Metralhadoras 3. Quando se deu o 25 de Abril de 1974, o imóvel acolhia o Centro de Instrução de Condução Auto, ou CICAP, como ficou popularmente conhecido no Verão de 1975, quando esta unidade se aliou ao RASP (Regimento de Artilharia da Serra do Pilar) numa revolta contra o Comando da Região Militar Norte, então assegurado por Pires Veloso”.
Fonte: Site “portoxxi.com”


Vindo de Coimbra, onde se encontrava instalado, a partir de Outubro de 1872, o Regimento de Infantaria 10 fixou-se nas instalações da Torre da Marca, tendo vindo a abandoná-las quando foi extinto, por ter participado na malograda revolta do 31 de Janeiro de 1891.
Não se sabe desde quando foram construídos os edifí­cios onde funciona­ram os quartéis da Torre da Marca - nome que se dava aos terrenos que ficavam nas proximidades da baliza de que os navios se ser­viam para orientar a sua entrada no rio Douro.
Hen­rique Duarte e Sousa Reis, um dos maiores historia­dores do Porto que viveu no século XIX, aponta o sé­culo XVII, de cuja época será o portão que ainda está no local que outrora foi a entrada principal dos quartéis. Mas o mais pro­vável é que a fundação da­quelas casernas seja do século XVIII, da altura em que o famoso marquês de Pombal mandou reorgani­zar toda a guarnição militar da cidade. Sabemos que, antes disso, em 1696, por iniciativa de D. Pedro II foi estabelecido no Porto um terço de Infantaria. Mas não se sabe onde ficava esse aquartelamento. 




Quartel



Indirectamente, deve-se ao Palácio dos Carrancas a atribuição do nome de D. Manuel II à Rua do Triunfo, já que foi por este o ter cedido graciosamente, bem como pelo facto de o ter habitado quando se deslocava ao Porto, que a autarquia decidiu prestar-lhe esta homenagem toponímica.



D. Manuel II na varanda do palácio

A foto acima foi tirada durante a visita ao Porto, em Novembro de 1908, de D. Manuel II e de sua mãe D. Amélia e nela, D. Manuel II agradece à multidão, numa varanda do Palácio dos Carrancas. Vêem-se muito bem os armazéns do Hospital de Santo António e a chaminé da caldeira. Mais ao fundo as traseiras da ala frontal e a Torre dos Clérigos.





Palácio de Cristal 



O Palácio de Cristal foi um edifício que existiu no antigo Campo da Torre da Marca, na freguesia de Massarelos. O primeiro Palácio de Cristal foi começado a construir em 1861 e demolido em 1951 e compreendia na sua envolvente uma extensa área ajardinada.


PAVILHÃO ROSA MOTA (construído em 1954) nos jardins do Palácio de Cristal.