sexta-feira, 31 de março de 2017

(Continuação 6) - Actualização em 17/05/2018

Caldevilla Filmes


A “ETP- Empreza Technica Publicitária” de “Raul de Caldevilla & C. Lda”, seria fundada em 1912, por Raul Caldevilla na Rua de 31 de Janeiro nº 165, após o regresso deste à cidade, depois de ter sido vice-cônsul em Cadiz e agente comercial na América Latina, Egipto e Médio Oriente.
Em 1817 a ETP muda-se para o Palacete do Conde do Bolhão, na Rua Formosa.

Instalações na Rua 31 de Janeiro – Fonte: restosdecoleccao.blogspot.pt

Instalações a partir de 1917, no Palácio do Bolhão – Ed. Photo Guedes


Interior das instalações no Palácio do Bolhão – Ed. Photo Guedes

“Actor teatral nos primórdios do Século XX, o nome de Raul de Caldevilla, como inspirador publicitário, destacou-se no cinema português em 1917. Uma espectacular operação promocional a nova marca de bolachas, levou Caldevilla a contractar dois acrobatas espanhóis para escalarem a Torre dos Clérigos, o que fizeram sem recurso a qualquer apoio. Já no cimo, os ginastas tomaram uma chávena de chá e comeram as petit beurre Invicta, lançando ao mesmo tempo panfletos sobre a multidão reunida para o efeito - cerca de 150.000 pessoas. Da proeza, a Caldevilla Film retiraria «Um Chá nas Núvens».
Em 1919, Raul de Caldevilla prestigiou-se ao organizar o lançamento comercial de A Rosa do Adro, dirigido por Georges Pallu para a Invicta Film, anunciado sob o lema «Romance Português - Filme Português - Cenas Portuguesas - Actores Portugueses». Três anos depois, com mais altas ambições, a Caldevilla Film contratou o francês Maurice Mariaud - que trabalhava para a Gaumont - com a incumbência de dirigir Os Faroleiros (1922), um «drama-documentário», de que também foi argumentista e intérprete.
O vislumbre de Raul de Caldevilla está patente no respectivo folheto de divulgação: «O cinematógrafo moderno tem-se distanciado muito, nos temas escolhidos e nos fracassos, da técnica de há vinte anos. Já hoje dificilmente se suportam - e vão sendo postos de parte no estrangeiro - esses longos filmes em séries de enredo complicado e por vezes falhos de verosimilhança. O público de hoje, talvez por motivo da vida intensa que leva e lhe proporciona certos lazeres, escolhe de preferência películas de não muito longa metragem». A rodagem teve lugar na Caparica e farol do Bugio.  
Logo após Os Faroleiros, Mariaud filmou As Pupilas do Senhor Reitor para a Caldevilla Film. O romance de Júlio Diniz foi adaptado pelo director literário da empresa, Campos Monteiro. A filmagem de interiores concretizou-se na abegoaria (Dependência onde se alojam os animais e alfaias agrícolas), da Quinta das Conchas, em Lisboa, não chegando à edificação o ambicionado estúdio, cujos planos tinham acompanhado Raul de Caldevilla desde o Porto. De facto, sobrevieram litígios com os responsáveis capitalistas da empresa, pelo que em 1923 pediu a demissão de administrador-gerente da Caldevilla Film.
Declinava, assim, um sonho que tivera repercussões insuspeitáveis, a ponto de ser apresentado em 1921, à Câmara dos Deputados, um projecto de lei que isentava a empresa de impostos, durante dez anos - como contrapartida a impressionar, apenas, «assuntos genuinamente portugueses, baseados na história ou na literatura nacionais». Pelo Verão de 1925, a Caldevilla Film desmantelava-se simbolicamente, com um leilão público de todo o material.”
Fonte: cvc.instituto-camoes.pt/cinema

Como complemento, diga-se que no ano de 1921, uma outra empresa produtora de filmes seria fundada a “Fortuna Film” de Virgínia de Castro e Almeida, a romancista que chegada de França, onde tinha acompanhado o desenvolvimento da 7ª arte e, apaixonada da mesma, monta aquela empresa, que com a “Invicta Film” e a “Caldevilla Film”, irão dominar a produção cinematográfica nacional.


Cinema Trindade


O Cinema Trindade na Rua Dr. Ricardo Jorge foi inaugurado a 14 de Junho de 1913 como Salão Jardim da Trindade, tendo sido um dos cinemas portugueses que mais tempo se manteve em actividade.
A sua lotação original era de 1191 lugares, distribuídos por plateia, 1º e 2º balcões fazendo dele, uma das maiores salas do país, à data.


Salão Jardim da Trindade em 1913 - Ed. Le Temps Perdu


Nos anos 80 o cinema Trindade seguindo o que sucedeu com outras salas de cinema, para fazer face à concorrência dos multiplex dos centros comerciais, cortou em duas, a sala principal. À sala maior foi dado o nome de Cinema Trindade e à outra sala, um estúdio de menores dimensões, o nome de Salão Jardim da Trindade.
Estas salas encerraram em 1989, sendo convertidas durante os anos 90 em sala de bingo. Este fechou no ano 2000, ficando o edifício sem actividade durante 8 anos. Em 2008, a organização do festival Indie, já com algumas edições de grande sucesso em Lisboa, decidiu alargar o festival até à cidade do Porto, utilizando as instalações do Cinema Trindade. Após o festival, a  associação cultural portuense “Plano B”, efectuou contactos com o intuito de passar a utilizar o espaço e de trazer de novo o cinema ao centro da cidade. No novo hall da sala principal passaram a figurar máquinas de projeção, bobinas, cartazes, programas, fotografias e revistas de cinema que foram recuperadas pela “Plano B”, durante a limpeza do recinto e o Trindade reabriu, assim, com um novo brilho, mas, mais uma vez depois destas iniciativas encerrou.
O cinema Trindade reabriu em 5 de Fevereiro de 2017, pela mão da distribuidora portuguesa de cinema independente Nitrato Filmes, que vai de futuro, explorar aquele espaço.
Com duas salas de cerca de 180 lugares será o único cinema com programação diária na baixa da cidade.
O Cinema Trindade vai ter duas salas em permanente funcionamento com estreias e ciclos programados e com um mínimo de quatro sessões diárias em cada uma delas, com a entrada principal a fazer-se pela Rua do Almada mas, com outra, repartida com o bingo pela Rua Doutor Ricardo Jorge.



Fachada da Rua do Almada em ruína, do Salão Jardim da Trindade




Entrada do cinema Trindade pela Rua Dr. Ricardo Jorge




“O Cine-Teatro Rivoli é uma das mais emblemáticas salas de espectáculos do país situado na Praça D. João I. Foi durante muitos anos o maior cinema do país, e é um símbolo de resistência da cultura face às investidas contra o património histórico e cultural português.
Inaugurado em 5 de Dezembro de 1913, foi apelidado de Teatro Nacional e ficava na Rua Elias Garcia, antes Rua D. Pedro. Esta rua iria desaparecer para ser aberta a Avenida dos Aliados.
O Teatro Nacional foi uma iniciativa da firma Roque & Santos, e tinha instalações bem maiores do que o actual Teatro Rivoli, compreendendo também o local onde foi inaugurado em 1931 a Caixa Geral de Depósitos, na Avenida dos Aliados.
Em 1923 seria objecto de obras e quando em 1926 o Teatro Nacional montou o ecrã, as revistas de cinema já lhe chamavam Rivoli.
A crescente popularidade do cinema levou a que fosse repensada a estrutura da sala, de forma a poder ser modernizada e melhor adaptada à função de cinema.
As obras começaram em 1929 e em 1932 era inaugurado o novo Cine-Teatro Rivoli, projetado pelo engenheiro e arquiteto Júlio José de Brito, com menor dimensão que a sala original, mas, com as mais modernas e funcionais instalações existentes à data. O Rivoli manteve toda a programação cultural do antigo teatro e passou a receber também cinema sonoro e companhias de bailado.
Ente 1942 e 1946 foram levadas a cabo obras de remodelação da fachada e dos interiores sendo também acrescentados elementos ornamentais e decorativos que embelezaram o edifício.
O período áureo do Rivoli deu-se entre os anos 40 e 60,  com uma programação de altíssima qualidade, muito graças à gestão levada a cabo por Maria Borges.
Nos anos 70 a situação inverteu-se. Devido a dificuldades financeiras as condições da sala foram-se degradando e os equipamentos tornaram-se obsoletos. Por arrasto, também a programação começou a ser cada vez mais intermitente o que levou a uma ausência cada vez maior de público.
Em 1989 e perante uma situação de perigo irreversível de ruína, a Câmara Municipal do Porto decidiu adquirir o edifício.
Em 1992 o Rivoli encerrou para remodelação total. O programa de recuperação permitiu transformar aquilo que era um Cine-Teatro convencional num centro multi-funções onde passou a ser possível albergar várias actividades culturais e de lazer.
Em Outubro de 1997 abria portas o novo Rivoli Teatro Municipal, com gestão da Culturporto.
Em 2006 a Câmara Municipal anunciou que iria entregar a gestão cultural e financeira do Rivoli a entidades privadas, levando a um coro de protestos que culminaram com a acção levada a cabo, em Outubro do mesmo ano, por cerca de 30 pessoas. Entre os autores do protesto contavam-se elementos do "Teatro Plástico", cidadãos anónimos e pessoas ligadas à vida cultural da cidade, que se barricaram no interior do edifício. Perante a enorme pressão da opinião pública para que fosse tomada uma decisão, o executivo em funções, em Dezembro de 2006 e após uma reunião extraordinária, tomou a decisão de atribuir a gestão do Rivoli ao encenador e produtor Filipe La Féria. A concepção seria por um período de 4 anos de Maio de 2007 a Maio de 2011. Em 2012 o Rivoli recebeu um dos mais conceituados festivais internacionais de cinema do nosso país a nível internacional, o Fantasporto.
O Rivoli é um exemplo perfeito de como é possível enquadrar as grandes salas de cinema do passado nas necessidades da sociedade actual. O complexo do Rivoli Teatro Municipal é composto actualmente pela sala principal com capacidade para 1600 espectadores, o pequeno auditório que pode albergar 174 pessoas, uma livraria, um café-concerto Restaurante e um café-bar”.
Fonte: “cinemaaoscopos.blogspot.pt”



Interior original do Rivoli

Rivoli Teatro Municipal (Os frisos de escultura são da autoria de Henrique Moreira)




“A 20 de Julho de 1929, no Porto, na esquina das ruas de Pinto Bessa e Rua Nova da Lomba (hoje Rua de Vera Cruz), ao Bonfim, é inaugurado o Cine-Teatro Ódeon, que foi o primeiro cinema do país a receber equipamento sonoro de raíz.
Apesar de ser uma sala com as maiores comodidades da época e pertencer à companhia Ódeon, uma das mais conceituadas, a sua distante localização das artérias centrais fez com que a afluência de público ficasse aquém das expectativas. A sua dupla função de cine-teatro acabou por resolver a questão com o número de público a aumentar nas sessões de teatro que, a partir de 1930, começou a ganhar terreno ao cinema.
Grandes estreias aconteceram nesta sala como sejam os filmes “Marcelino, Pão e Vinho” e “Escola de Vagabundos”, com Pedro Infante.
Nos anos 60 eram rei, os filmes com lutas entre cowboys e índios.
Hoje, existe lá um prédio de habitação”.
Fonte: “cinemaaoscopos.blogspot.pt”


Aqui ficava o Ódeon




“O Salão Paraíso que ficava na Rua da Alegria nº 665, ao Monte dos Congregados, foi uma sala que ao longo dos seus já largos anos de existência funcionou como local de espectáculos musicais e sala de cinema. A sala, de pequenas dimensões, é ricamente decorada e servia de local de encontro de famílias abastadas. Chegou a ter durante alguns anos o nome de Salão Cinematográfico Portuense. Funcionou como cinema durante os anos 30 e 40 sendo as últimas sessões levadas a cabo por volta de 1949”.
Fonte: “cinemaaoscopos.blogspot.pt”

O Salão Paraíso - Fonte: Google Maps

Interior do Salão Paraíso - Fonte: Arquivo Municipal do Porto




O “Au Rendez-Vous d´Élite” terá sido o segundo cinema da cidade do Porto. O primeiro (inaugurado em 1906) foi o High-Life, que estava inicialmente na Feira da Boavista (Rotunda da Boavista) e que, mais tarde, em 1908, se transferiu para a Batalha, para o local onde foi construído em 1946 o novo e actual, cinema Batalha.
O “Au Rendez-Vous d´Élite” seria montado na Esplanada do Castelo (arruamento envolvente ao castelo da Foz do Douro) em 1907, sendo o espaço gerido pela "Empreza Cynematográfica Portugueza", de Neves e Pascaud, que também detinha o High-Life.
O “Au Rendez-Vous d´Élite” foi concebido para exibir filmes ao ar livre, vocacionado para atrair as famílias burguesas da cidade que durante o Verão passavam férias na Foz do Douro. As sessões estavam sempre esgotadas, a comodidade era ponto assente e o preço dos bilhetes aumentava a afluência da elite.
Diz-se que, em terreno anexo existiria uma pequena construção que encerrava uma caldeira de produção de vapor, para apoio ao funcionamento das instalações que era também residência do gerente do cinema.
Após esse período inicial, o "Au Rendez-Vous d´Élite", era já um barracão, que nem átrio tinha, mas continuava frequentado por pessoas abastadas, que viviam nesta zona, como ingleses, comerciantes de vinho do Porto ou pessoas ligadas à alta finança.
Uns anos mais tarde, o barracão seria substituído com projecto do Eng.º Xavier Esteves (o introdutor do cimento armado na construção em Portugal), por um edifício mais sólido.
As últimas sessões públicas ocorreriam cerca do fim da década de 30, culminando com o encerramento definitivo do espaço, em pleno período do conflito mundial.
Passados alguns anos, abriria com a designação de Cine Foz.
Tinha uma lotação máxima de 370 espectadores, tendo prolongado a sua actividade, até sensivelmente 1958 mas, actualmente, poucas memórias restam.
Foi demolido em 1967 para dar lugar aos actuais prédios de habitação.
Algumas fotografias do edifício como memória, restam, assim como, um estabelecimento de cabeleireiro no local que usa o nome, Cine Foz.


Foto do Cine Foz cedida por Óscar Malheiro

Cine Foz – Fonte: “A Nossa Foz do Douro”


O Cine Foz atrás do arvoredo em 1971





Já na década de setenta do século XIX, alguns portuenses procuravam para os seus passeios a "floresta das camélias", que ficava à entrada da Rua de Alexandre Herculano, logo a seguir ao Ho­tel Universal que, naquele tempo, ocupa­va o edifício onde hoje está a messe dos oficias do Exército. 
A "flo­resta das camélias" era o nome que se dava a um amplo recinto que tomou esse nome devido à profusão de came­leiras que o ornamentava e veio, posterior­mente, a transformar-se no Parque das Camélias dos nossos dias. 
Nas imediações ficava um conhecido café, restaurante e hotel de nome “Floresta das Camélias”, que já por lá estava em 1889.
O Parque das Camélias nosso contem­porâneo, como parque de diversões foi criado em 18 de Junho de 1943. 
A 5 de Janeiro de 1952 ocorre um grande incêndio no Circo Mariano, instalado no Parque das Camélias.
Em 10 de Janeiro de 1952 o Circo Mariano, no Parque das Camélias, já conseguiu dar o seu espectáculo, após o incêndio de dia 5, graças aos donativos de muitos populares.
A história da sala de cinema do Parque das Camélias, na Rua Alexandre Herculano, está diretamente ligada à história do Sporting Clube Vasco da Gama.
Fundado a 20 de Fevereiro de 1920, o Vasco da Gama foi desde sempre um clube eclético onde se praticaram várias modalidades tais como, o andebol, o basquetebol e a luta-livre americana e que teve entre os anos 40 e 70 os seus anos de ouro.
Actualmente, o clube dedica-se à prática do basquetebol onde soma uns quantos títulos nacionais ao longo da sua história. O local onde funcionou durante vários anos o cinema é hoje uma estação de camionagem. Desde 2006 existem rumores de uma eventual requalificação da zona.



Local onde existiu uma entrada para o Parque das Camélias






Central Cine da Carcereira ou Cine Teatro da Carcereira

O Cinema Central da Carcereira foi uma sala de média dimensão, situado na Rua de Pedro Hispano nº 600 que passava essencialmente reposições e teve o seu período de atividade compreendido entre os anos 40 e os anos 60.
A sala era composta por plateia e balcão. Encerrou nos anos 60 e, foi mais tarde demolido, devido à degradação do edifício.



Aqui ficava o Central Cine – Fonte: Google maps


Cine-Teatro Vitória

O Cine-Teatro Vitória ficava situado no Largo da Ponte, em Rio Tinto. Funcionava fundamentalmente como cinema, à entrada do Porto (de quem vinha de Valongo), face à Estrada Exterior da Circunvalação.
Foi inaugurado na década de 40 do século passado e fecharia as suas portas na década de 80.
Foi muito frequentado pela população da zona Oriental da cidade, tendo chegado a ser palco de alguns comícios políticos, mas, sendo nos seus últimos tempos um local de jogo ilegal, fruto da intervenção das autoridades, o espaço foi fechado.
Depois de abandonado seria nesse terreno construído um prédio de habitação.

Cine-Teatro Vitória – Ed. SIPA


Aqui esteve o Cine-Teatro Vitória








O Coliseu do Porto é uma sala de espectáculos que foi erguido no local onde esteve o Salão Jardim Passos Manuel.
O edifício foi classificado como monumento de interesse público pela Portaria n.º 637/2012, de 2 de Novembro de 2012, publicada em Diário da República.
A construção iniciou-se em 1937 com as propostas apresentadas por José Porto e Jan Wils e a reprovada proposta de Júlio José de Brito.
Em 1939 Cassiano Branco é convidado a resolver o projecto e, reutilizando a caixa muraria já construída que delimita a sala de espectáculos, palco e corredores, reorganiza a articulação vertical do edifício, da mesma forma que investe na sucessão dos espaços de entrada.
Com projecto em estilo Arte Deco, dos arquitectos Cassiano Branco e Júlio de Brito pertencendo à Companhia de Seguros Garantia, o Coliseu foi inaugurado a 19 de Dezembro de 1941, com um concerto da Sinfónica Nacional, dirigida pelo maestro Pedro de Freitas Branco.
No ano de 1995 a Companhia de Seguros AXA, pertencente ao Grupo Aliança – UAP, então proprietária do imóvel, por intermédio da Empresa Artística SA inicia negociações com a Igreja Universal do Reino de Deus, propondo-se esta última a comprar e a UAP a vender.
Em sequência, várias personalidades ligadas à cultura, às artes e à autarquia local, promovem uma manifestação de repúdio à eventual transacção. Uma vez vetada pela autarquia, a transacção não se concretiza.
Em Novembro de 1995, em escritura notarial outorgada entre a Câmara, a Área Metropolitana do Porto, a Secretaria de Estado da Cultura e a UAP, constitui-se uma associação sem fins lucrativos com a finalidade de adquirir o Coliseu e geri-lo como espaço de interesse cultural.
Em 28 de Setembro de 1996 após um desfile de moda com Claudia Schiffer, um incêndio de origem indeterminada, destrói completamente a caixa do palco e provocando graves estragos na sala principal e nos camarins.
O Coliseu do Porto voltou a abrir as portas no dia 12 de Dezembro, com o tradicional espectáculo do Circo de Natal.
A recuperação completa da sala só estaria concluída dois anos mais tarde reabrindo ao público no dia 24 de Novembro de 1998, com a ópera Carmen, de Bizet.


“A sala principal do Coliseu do Porto tem 3.000 lugares sentados, entre plateia, tribunas, camarotes, frisas, galeria reservada e geral, e permite que nela sejam realizados todo o tipo de espectáculos: música, bailado, teatro, ópera, circo, cinema, etc.
O Coliseu do Porto dispõe ainda de um salão Ático com capacidade para cerca de 300 pessoas, vocacionado para pequenos bailes ou espectáculos, conferências, congressos ou assembleias enquadradas na capacidade da sala”.
Fonte - Site: ”portoxxi.com”


Vista do Coliseu da Rua Santa Catarina



Rua Passos Manuel (ao fundo a Praça dos Poveiros)



À direita da foto acima iria surgir a “Garagem Passos Manuel”.

quinta-feira, 30 de março de 2017

(Continuação 5)

O Teatro Águia d'Ouro e o Cinema Águia d’Ouro


Em Janeiro de 1839, o Águia d'Ouro, à Praça da Batalha abriu as suas portas como café, tendo sido frequentado por clientes famosos como Camilo Castelo Branco e Antero de Quental.
Ainda no século XIX passou a existir um teatro inaugurado em 17 de Junho de 1899 que partilhava com o café o espaço do edifício, embora as entradas fossem separadas.
Naquele dia de festa foi incumbida da inauguração a companhia de variedades de Louis Banquard, então director artístico do «theatro Alhambra» de Madrid (O Comércio do Porto, 15.06.1899, p. 2).
O café viria também a funcionar como hospedaria e a partir de Março de 1904 instalar-se-ia no edifício o “Club Fenianos Portuenses”.
Por esta altura o teatro funcionava também como sala de Circo.
Em Agosto de 1907 foram levadas a cabo as primeiras sessões de cinematógrafo e em 1908 o teatro acabaria por dar lugar ao cinema. 
A novidade era o “cronomegaphone”, antecedente do cinema sonoro que só surgiria 20 anos mais tarde.
Em 1/1/1914 eram arrendatários do espaço, Arnaldo Rocha Brito, Pimenta da Fonseca e António Castro.

Gravura do interior em 1901- In restosdecoleccao.blogspot


Entrada do Teatro em 1934


Em 1935 - In restosdecoleccao.blogspot



Em 15 de Setembro de 1930 inaugurou o cinema sonoro com o filme "The Jazz Singer", com Al Jolson.
Em 7 de Fevereiro de 1931, e após obras de remodelação, determinadas pelos seus proprietários, à data a “Sociedade Nacional de Projecção, Lda”, da família Neves & Pascaud, viu o interior modernizado e ganhou uma nova fachada ao estilo “Art Déco” e ainda a célebre escultura da águia no seu pórtico.
O Águia d’Ouro era considerado, nos anos 30, uma das melhores salas do Porto.
Em 14 de Março de 1945 o cinema Águia d'Ouro foi ampliado e os proprietários dos prédios vizinhos foram indemnizados com 1.516 contos.
Durante os anos 80 o café viria a falir e a ausência de espectadores ditou o encerramento do cinema em Dezembro de 1989.
Durante duas décadas o edifício foi votado ao abandono, atingindo um estado de ruína bastante acentuado. Durante este período foi comprado pela empresa Solverde com o objetivo de ali abrir um bingo, mas o  projeto foi reprovado pela Câmara. Finalmente, em Agosto de 2006 a Solverde põe o imóvel à venda e o mesmo viria a ser adquirido por uma cadeia de hotéis que após obras de restauro da fachada e renovação do interior fez renascer das cinzas o edifício. Em outubro de 2011 o novo Hotel abriu portas. Na decoração do interior podem ser vistas algumas peças recuperadas dos escombros, tais como, suportes de partituras, microfones, bobines de filmes e posters entre outros.


Fachada do cinema Águia d’Ouro nos anos sessenta

Hotel Moov actualmente

Pela foto acima adivinha-se, que nos últimos anos, a porta da esquerda era a entrada para a sala de espectáculos e a da direita, para o café.



Inaugurado a 18 de Maio de 1912, o “Olympia Kinema Teatro”, na Rua de Passos Manuel, foi mandado construir por um retornado do Brasil, Henrique Ferreira Alegria, sob projeto do arquiteto João Queirós.
O “Olympia” fica marcado pela sua programação cultural, como por exemplo a estreia do filme “Amor de Perdição” de Georges Pallu, em 1921.
Henrique Alegria foi o responsável pela construção da sala e, foi ele quem, durante os primeiros anos de vida geriu o espaço, em parceria com a Invicta Filmes.
Durante os anos 10, 20 e 30 foram comuns na sua programação as estreias de cinema alemão. É bom relembrar que até aos anos 30 a Alemanha era uma das principais potências cinematográficas.
A sala tinha lotação para 600 pessoas, e foi classificada como tendo instalações modernas e luxuosas. Para além das sessões de cinema, o Olympia também recebeu eventos musicais e peças de teatro. Depois de ter sido comprado pela empresa Neves & Pascaud continuou a prosperar. Durante os anos 60 teve uma programação muito virada para os westerns, na década de 70 para o cinema de acção e de artes marciais, seguindo a tendência da época.
Durante os anos 80, nos últimos anos de vida como cinema, chegou mesmo a passar filmes porno. Mas o cinema já se encontrava em fase de decadência e acabaria por fechar portas reabrindo como bingo.
A crise dos últimos anos levou ao seu encerramento em 2010. Depois disso, vários projectos ligados aos sectores da diversão ou da restauração têm sido tentados.


Olympia Kinema Teatro em finais dos anos 30, antes da construção do Coliseu

Fachada do Olympia

Anúncio da reabertura do Salão Olympia, em 1921




“A Invicta Film foi uma produtora portuguesa de cinema, sedeada na cidade do Porto, cuja actividade se destacou nos anos vinte, com um número significativo de filmes relevantes para a história do cinema em Portugal.
O produtor portuense Alfredo Nunes de Matos tinha a sede de uma modesta empresa, fundada em 1910, no nº 135 da rua de Santo Ildefonso, no Porto. Em 1912 muda-se para uma dependência do Jardim Passos Manuel, dando à firma o nome de "Nunes de Matos & Cia – (Invicta Film)".
Produz «panorâmicas», documentários de propaganda comercial, industrial e de actualidades. Vários deles são exibidos em Portugal e no estrangeiro. É fornecedor de jornais nacionais para firmas tão importantes como a Pathé e a Gaumont, sociedades francesas com um papel determinante na distribuição e exibição de filmes na França e no mercado internacional. É o caso de alguns filmes de particular significado, como as Manobras Navais Portuguesas ou as Grandes Manobras de Tancos (1912, exercícios de preparação do exército português para eventuais conflitos) ou ainda O Naufrágio do "Veronese" (imagens de um desastre marítimo ocorrido em frente da Boa Nova, em Leça da Palmeira, perto de Leixões, na madrugada de 10 de Fevereiro de 1913). O jornal de actualidades causa sensação em Portugal e no estrangeiro. Desse filme são vendidas mais de cem cópias, para a Europa e Brasil.
O projecto de Nunes de Matos consolida-se com a adesão de outros interesses, de gente bairrista do Porto, encabeçados pelo banqueiro José Augusto Dias, já a guerra tinha feito muitos mortos. No cartório do notário António Mourão é assinada a 22 de Novembro de 1917 a escritura de uma sociedade por cotas, de responsabilidade limitada, designada como Invicta Film Lda., com o capital de 150.000 escudos, uma quantia muito avultada à época. São sócios umas dezassete importantes personalidades. As cotas vão de cinco a sete contos.
Entretanto, em 1907, instalara-se ali mesmo ao lado o dono da Fundição Alegria & Cª, empresa do Rio de Janeiro, um retornado português, chamado Henrique Ferreira Alegria. Interessado pela exibição cinematográfica, abrira a 18 de Maio de 1912 o Cinema Olympia, a dois passos do Jardim Passos Manuel. Acaba por ser integrado na nova empresa como director artístico, isto é, como director de produção. Matos e Alegria partem juntos para Paris em meados de Janeiro de 1918. Numa entrevista ao jornal O Século, dada no dia 14 desse mês, Nunes de Matos declara: «Vou em primeiro lugar a Paris e à Itália procurar o que há de melhor, a última palavra em mecanismos. Porque o meu principal intento é emancipar-me de estrangeiros, embora não deixe de concordar que, para começo, é lá que tenho de ir buscar tudo». Deixa também claro que tenciona trazer de lá um régisseur à altura das suas ambições.
Em Paris, junto da Pathé Frères, na Rue de Ravart, obtêm os viajantes «a mais perfeita e amigável compreensão» e, coisa não menos importante, o plano e o projecto das futuras instalações dos estúdios da Invicta Film. Cede-lhes a Pathé também os técnicos de que precisam: um realizador, de nome Georges Pallu, um operador de imagem, Albert Durot, um chefe de laboratório, Georges Coutable e a sua mulher Valentine, montadora de filmes, O casal será mais tarde substituído por outro operador e outra montadora, vindos também da Pathé, J. Trobert e Madame Meunier. É contratado ainda um arquitecto decorador, Albert Durot, depois substituído por Maurice Laumann, também dos quadros da Pathé.
O convénio entre as duas empresas é assinado a 17 de Fevereiro. A 12 de Março de 1918 é firmado o contrato de trabalho entre a Invicta Film e Pallu, que se responsabiliza pela escolha dos argumentos com o director artístico, pela sua adaptação para cinema e ainda pela montagem dos cenários. Seria ele também o responsável pela construção do estúdio. O contrato era de um ano, mas a colaboração duraria cinco. É Pallu quem traz para a empresa o realizador Rino Lupo, que será também, com Pallu, um dos dois mais importantes realizadores da Invicta Film.
Com nova maquinaria a sociedade decide comprar à Misericórdia uma vasta área de terreno pertencente à Quinta da Prelada que tinha sido dos Noronhas.
Aí são construídos os Laboratórios e os Estúdios que estariam apenas prontos em 1920, não impediu, entretanto, que fossem produzidos alguns filmes.
Georges Pallu escolhe como primeira obra a adaptação de um conto inédito de Júlio Dantas, Frei Bonifácio, que seria entretanto publicado no jornal lisboeta O Dia, em 2 de Outubro de 1918. O filme estreia em Lisboa, com bons resultados, no cinema Olympia, uma das mais prestigiadas salas da cidade, a 4 de Outubro. Realizados por Pallu em 1919 seguem-se A Rosa do Adro e O Comissário de Polícia, com estreia na mesma sala, o primeiro em 27 de Outubro e o segundo em 2 de Fevereiro do ano seguinte. Uma outra obra, O Mais Forte, produzida nesse mesmo ano, serve para testar os estúdios então abertos na Quinta da Prelada,
O segundo grande empreendimento da Invicta Film é a adaptação da obra de Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição, em 1921, obra realizada também por Pallu. O filme estreia em 28 de Novembro em Lisboa, no cinema Condes. Segue-se Mulheres da Beira e Quando o Amor Fala.
«Uma tarde de Agosto de 1921 um homem de aspecto estranho, de estatura mediana e de olhos vivos a espreitarem por detrás de umas lunetas pequenas, que cintilavam sob um boné de viagem enterrado até às orelhas, transpôs o portão da Quinta da Prelada».
O homem, um estrangeiro, pretende falar com a gerência. Quem o recebe é George Pallu. Diz o estrangeiro que se chama Rino Lupo, que é de origem italiana, que trabalhou na conhecida produtora francesa de Léon Gaumont como régisseur, que ouviu falar em Varsóvia dos progressos da Invicta Film por um português que por lá andava, que gostaria de colaborar com a empresa e ficar por algum tempo em Portugal. A conversa de Lupo convence Pallu e ele é contratado. A direcção dos projectos da Invicta Film será partilhada a partir de então entre os dois realizadores.
Os resultados um tanto «atrabiliários» do trabalho de Lupo devidos à sua mania do improviso e ao seu modo desorganizado levam ao seu despedimento (1923).
Persistente e agora seduzido pelo sol de Lisboa, mais quente que o do Porto, muda-se para a capital onde abre a Escola de Arte Cinematográfica com sede no nº 182 da Rua da Palma. Mas, imprevisível como é, regressa de novo à invicta cidade onde funda a sua Escola de Cinema, da qual sairão formados os actores da melhor das suas obras, Os Lobos (1923), produção da Ibéria Film, que com nova montagem, será aceite pela Gaumont para distribuição internacional (1924).
Rino Lupo dirigirá ainda em Portugal mais quatro filmes: Carmiña, Flor de Galicia, versão espanhola de Mulheres da Beira (1926), uma obra inacabada, O Diabo em Lisboa (1927), Fátima Milagrosa (1928) e José do Telhado (1929). Lupo deixa Portugal, já na época do filme sonoro, em 1931.
Quem entretanto também abandona a Invicta Film por razões contratuais é o operador de imagem Artur Costa de Macedo depois de ter filmado as Mulheres da Beira. Fora ele o responsável pela cobertura de alguns dos aspectos mais emocionantes da aventurosa travessia aérea do Atlântico empreendida por Gago Coutinho e Sacadura Cabral.
São no entanto insuficientes as receitas. Não existe rede de distribuição que sirva os interesses da empresa. Os problemas financeiros surgem a partir de meados de 1923. Tenta-se ainda exportar alguns dos filmes já produzidos para o Brasil e Estados Unidos, visando os centros de emigração. Consegue-se vender alguns, mas os resultados são poucos.
A Invicta Film dispensa todo o pessoal da produção a 15 de Fevereiro de 1924, mas mantém o laboratório aberto. Encerra definitivamente a actividade em 1928.
Fica encerrado assim também o ciclo de alternâncias entre o Porto e Lisboa, na predominância das actividades de produção, desde que surgira o primeiro filme português. A criação dos laboratórios da Tobis Portuguesa no começo dos anos trinta, com o advento do sonoro e com equipamentos de ponta, completa a reviravolta”.
In  pt.wikipedia.org

Estúdios da Invicta Filmes na Prelada

Central eléctrica da Invicta Filmes em 1920 

quarta-feira, 29 de março de 2017

(Continuação 4)


O Salão Chiado do Porto foi uma pequena sala de cinema inaugurada em Agosto de 1907, tendo encerrado por volta de 1934. Localizava-se na Rua das Carmelitas e foi pioneiro na utilização de “cupões de desconto”. Os “cupões” eram publicados diariamente no "Jornal de Notícias" e davam um desconto de 20% na aquisição de um bilhete.


Neste local, Junto à Igreja dos Clérigos funcionou o Salão Chiado - Fonte: Google maps



Este cinema esteve na esquina das Ruas Alexandre Herculano e Duque de Loulé, no local onde existe um belo edifício construído pela Coats & Clark e depois foi ocupado Pela EDP.

 “O Metropolitano era engraçado porque representava uma estação de caminho do ferro, com o seu cais e uma carruagem a entrar em túnel. A Carruagem era o salão em que passavam os filmes, que representavam uma viagem qualquer, em caminho de ferro. A tela estava ao fundo da carruagem e todos os lugares estavam virados para a tela. Quando começava o espectáculo, fechava-se a carruagem e dava-se o sinal de partida, ouvia-se um apito e a carruagem começava a estremecer como se fosse andar, dando-se ao espectador a ilusão de que andava”. 
Um leitor de O Tripeiro


Edifício Coats & Clark


Salão Jardim Passos Manuel


O Jardim Passos Manuel, situado na rua do mesmo nome, foi inaugurado a 18 de Março de 1908 e construído por iniciativa do empresário portuense Luiz Alberto Faria Guimarães. Dispunha de jardins com esplanada e uma sala de bingo no local hoje ocupado pelo Cinema Passos Manuel. Tinha também um cinema ao ar livre, uma central elétrica que fornecia energia às ruas limítrofes, um restaurante, um quiosque de venda de jornais e revistas, um salão exclusivo para reuniões de negócios, um café-concerto que tinha em permanência uma orquestra, um clube nocturno e um recreio para crianças. No jardim, um coreto servia de palco.
Este espaço foi demolido em 1938, nascendo no seu lugar o Coliseu do Porto e o Cinema Passos Manuel.

Entrada do Salão Jardim Passos Manuel

Era um lugar elegante, sofisticado, moderno, baseado nos jardins parisienses da época, e proporcionava todo o tipo de entretenimentos: café-concerto, music-hall, esplanada e cinematógrafo.


Hall do Salão Jardim Passos Manuel

Publicidade ao Jardim Passos Manuel


Edifício do restaurante e palco coreto

Jardim Passos Manuel


Esplanada e palco coreto do Salão Jardim Passos Manuel

Em 1911, este Salão é renovado e ampliado, passando também a incluir jardim-esplanada, salão de festas, pavilhão restaurante, hall e um pequeno teatro.
Com a descoberta de mais de 2.000 partituras com o carimbo do Arquivo Musical do Jardim Passos Manuel, veio comprovar-se que neste salão actuavam, permanentemente, uma orquestra e dois sextetos, o que revela a importância e a popularidade deste espaço.
Uma exposição de Souza-Cardoso em 1916 foi apresentada nas magníficas instalações do Jardim Passos Manuel.
Mas não foi bem recebida por uma parte significativa da intelectualidade portuense daquele tempo – apesar de ter sido moderadamente elogiada pela imprensa da época. Dois casos, pouco conhecidos do grande público, que Álvaro Pinto relata no número 108 (1947) da revista “Ocidente” que ele dirigia, dão-nos uma ideia do que foi a reação desse sector da intelectualidade portuense daquele tempo. O primeiro foi protagonizado por Eduardo Artayete, misto de poeta romântico e boémio noctívago.
No dia da inauguração da mostra no Jardim Passos Manuel, quando a cerimónia ia no seu auge, ouviu-se, vindos de um canto da sala, gritos de “acudam-me, acudam-me, que horríveis tonturas …” Era Artayete que, agachado e com as mãos a agarrar a cabeça, protestava, à sua maneira, contra o tipo de pintura ali exposta.
O segundo caso aconteceu dias depois da exposição. Amadeo de Souza-Cardoso apareceu no serviço de urgência do Hospital de Santo António onde foi atendido pelo médico Júlio Abeillard Teixeira.
Tinha sido agredido ao sair da exposição, como contou no hospital: 
“Descia a rua de Passos Manuel e já tinha passado o cruzamento com a rua de Santa Catarina quando notei que alguém me seguia monologando. Apressei o passo. Perto da travessa (actual rua do Ateneu Comercial do Porto) a pessoa que me seguia interpelou-me: olhe lá, o senhor é que pintou aquilo que está lá em cima? Sim, fui eu … não pude dizer mais nada. O homem agrediu-me com rancor e eu nem tive tempo de me defender. Quando apanhei o chapéu já o sujeito se tinha raspado…”

No fim dos anos 20, acompanhando a evolução dos hábitos e dos tempos, o Salão renova-se. Abria as portas ao fim da tarde, como café-concerto. Às nove e meia começavam as sessões de cinema. No jardim, durante o Verão, havia exibições ao ar livre. Mas a grande boémia começava depois da meia-noite. O music-hall recebia uma clientela masculina de todas as idades e extractos sociais atraída, pela sedução das danças das coristas e, pelo salero e sapateado das dançarinas espanholas.
Era, assim, um espaço polivalente, que acolhia sucessos do cinematógrafo, saraus, reuniões culturais e conferências. As festas carnavalescas foram as mais atractivas e as que mais abrilhantaram o recinto, ficando na memória de todos aqueles que estiveram presentes.
Este Salão chegou mesmo a ganhar fama de casamenteiro, pois os rapazes e as raparigas de então não tinham muitas outras oportunidades de se conhecerem. Dizem que muitos dos namoros aqui iniciados acabaram em casamentos.
Mais do que um mero espaço de diversão, o Salão Jardim marcou uma época, sendo um pólo de animação cultural e recreativa, dinamizando a cidade com espectáculos e atracções de todo o tipo, trazendo ao Porto grandes nomes da música e do espectáculo.
No final dos anos 30, a sua actividade começou a decair, o que em parte se deveu à aparição de novas formas de entretenimento: rádio, indústria fonográfica e os salões de baile. Mas o Salão Jardim Passos Manuel permaneceu para sempre vivo na memória de muitos. Foi neste local mítico que o Porto viu nascer o Coliseu.


Sala de concertos e teatro do Salão Jardim Passos Manuel

Palco no Exterior

Central Eléctrica



Inaugurado em Agosto de 1907 na confluência da Rua da Conceição e Rua José Falcão, antiga Rua D. Carlos, o Salão Pathé gozou de grande popularidade nos primeiros anos da sua existência. Segundo notícias publicadas na época, as sessões com lotação esgotada eram comuns. Tal sucesso era devido, em grande parte, ao facto de ser frequentado maioritariamente pela burguesia, atraída pelas excelentes instalações do salão, que eram consideradas na altura as mais completas, confortáveis e elegantes da cidade do Porto. Inicialmente eram projetadas duas a três sessões diárias. Com o surgimento do cinema sonoro, o Pathé foi entrando em declínio e acabaria por encerrar por volta de 1932.


Aqui esteve o Salão Pathé - Fonte: Google Maps

Cartaz de filme a passar no Phaté





O Cinema da Carvalhosa situava-se ao lado do edifício da Faculdade de Farmácia na Rua Aníbal Cunha e em 1905 já exibia películas. Chegou a ser conhecido como Salão da Carvalhosa e encerrou a sua actividade cerca de 1926, sendo, durante os anos 30, convertido em garagem. Algumas décadas depois, o edifício foi demolido sendo substituído por outro mais moderno e curiosamente voltou a funcionar como garagem.


Edifício original do Cinema da Carvalhosa, já como estação de serviço


Publicidade do Salão da Carvalhosa no “Voz Publica” em 29/09/1909



O Edifício actual é uma garagem



Em 8 de Julho 1907 ao Largo Marquês de Pombal/Rua da Constituição, julga-se que mais propriamente na Rua do Lindo Vale é inaugurado o Salão Marquez de Pombal, sendo empresário Armindo José Fernandes.



Por aqui esteve o Salão do Marquês na Rua Lindo Vale



Inaugurado em 27 de Abril de 1907, na Rua Alexandre Herculano propriedade de Don António Manresa, não se sabendo outros pormenores.



Nos baixos da casa onde havia lugar para 1000 pessoas, em 9 de Maio de 1907 com todo o luxo e destinado aos fregueses da conhecida loja na Rua das Carmelitas, à Praça dos Voluntários da Rainha, era inaugurada esta sala de espectáculos.



Em 30 de Março de 1907 é inaugurado na Rua do Bonjardim ao Pátio do Paraíso, o Salão Cinematográfico Portuense, que em Julho passou a chamar-se Animatographo do Paraíso e em Outubro Salão D’Élite.



São poucas as informações sobre esta velhinha sala de cinema. Parece ter sido inaugurado em 10 de Fevereiro de 1907. Como o nome indica, ficava localizada na Rua de Santa Catarina e era uma sala de pequenas dimensões e sem grandes luxos. A sua memória perdeu-se com o tempo, mas, talvez se possa dizer, que ficava no local de que nos fala um texto do “O Comércio do Porto”.

“Começam a realizar-se sessões de cinematógrafo no Salão de Santa Catarina, na rua do mesmo nome, em frente à Rua Firmeza, também com sessões triplas à noite”.
Fonte: “O Comércio do Porto”, 23.02.1907, p. 3