terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

(Continuação 4) - Actualização em 02/04/2019

Na zona do Carmo, o conhecido Botequim do Martinho manteve-se aberto entre fins do século XIX até 1915.

“No ângulo da Praça Parada Leitão, onde está presentemente (em 1964) a mercearia e confeitaria Flor do Carmo. Foi fundador deste botequim, Martinho José Matias, empregou-se no botequim da Porta do Olival… O botequim do Martinho, cujo proprietário era detentor de umas venerandas e bem penteadas barbas, mantinha no seu estabelecimento, pequeno mas acolhedor, uma frequência muito escolhida, de entre a qual, cumpre-nos evidenciar as figuras do grande lírico Guerra Junqueiro e do Professor Doutor Alexandre Alberto de Sousa Pinto (1880/1982), que foi ilustre Ministro da Instrução Pública e Reitor da Universidade do Porto. Em 1915 foi o Botequim do Martinho substituído pela Casa da Índia que mais tarde, cedeu o lugar à actual Flor do Carmo.”
In O Tripeiro – Série VI – Ano IV.


A Norte da Estação de S. Bento ostentando, numa das paredes, o seu desenho original, O Café Brasil existe desde 1859 até hoje. Ao tempo, tinha duas mesas exclusivas para jogar dominó.


Café Brasil


Pela então chamada Praça D. Pedro, o célebre Café Guichard existiu até 1857, quase na esquina do antigo edifício do convento dos Padres da Congregação de S. Filipe de Nery, onde esteve o Banco Nacional Ultramarino, e que hoje pertence à Caixa Geral de Depósitos.


Café Guichard na 3ª, 4ª e 5ª porta, a contar da esquina


Após ter encerrado a 5 de Fevereiro de 1857, apareceram nos anos seguintes mais três cafés no mesmo quarteirão, o Portuense, o Central e o Camanho.
Sobre o Guichard, onde Camilo parava, bem como Sousa Viterbo, Arnaldo Gama, Faustino Xavier de Novais, Alexandre Braga, Soares de Passos e outros intelectuais, escreve Firmino Pereira:

” (…) às noites, no Guichard, esses moços da Távola Redonda, escorropichavam copinhos de hortelã-pimenta, declamando Lamartine, Soares de Passos e João de Lemos. Era o botequim dos Alfredos e dos Manricos, de melena revolta e alma ardente de labaredas românticas. Aí se reuniam habitualmente os literatos, os poetas e os românticos que vinham das agitações do cerco e da Patuleia e que, entre um cálice de licor e uma fumaça de charuto, decidiam dos destinos e da arte da política. No Guichard os poetas suspiravam, mas também batiam... e levavam. Nestes tempos de balada e murro, o botequim era o centro de toda a vida portuense. À volta de uma mesa compunham-se odes, combinavam-se raptos e planeavam-se conjuras.
(…) De resto no Guichard (onde o italiano Trucco iniciara o tripeiro nas delícias do sorvete) muitas vezes sucediam-se casos trágicos de murros vingadores”.

Paredes meias com o local onde esteve o Guichard, mas posterior a ele, a meia dúzia de metros a Norte, esteve entre 1870 e 1917, O Camanho, propriedade de um cidadão de origem espanhola de nome José Camanho.
Manuel José Camanho chegou ao Porto nos meados do século XIX e aqui montou um pequeno bar, "de uma porta só", nas imediações do célebre Café Baviera, mais ou menos onde, posteriormente, abriria o Camanho, que substituiria nos baixos do prédio que ficava mesmo encostado à fachada da igreja dos Congregados, uma cervejaria que havia sido fundada por Frederico Clavel. Deste, o estabelecimento passou para um seu empregado, o espanhol Manuel José Camanho, que o ampliou e o trans­formou em café, a que deu o seu nome. 
Frederico Clavel estava bem estabelecido no ramo cervejeiro, possuindo uma fábrica de cerveja nas Escadas do Codeçal, que em 1865, transferiu para a Rua de Camões, n.º 91.
Por descrições feitas por quem conheceu bem “O Camanho”, a sua sala não era muito ampla mas era arejada e bastante iluminada (uma característica pouco comum aos cafés daquele tempo que, por regra, ocupavam salas pequenas e pouco ventiladas), e que rapidamente se transformou no centro de cavaqueira e de reunião preferido dos literatos, professores, políti­cos e negociantes do Porto desse tempo.
O estabelecimento começou por servir quase que exclusivamente bebidas, principalmente as bebidas tradicionais daqueles tempos:
“ (…) o porto, e havia-o da colheita de 1815; a genebra Fockink, nas suas tradicionais botijas de grés; o então muito apreciado gim; várias marcas de uísques escoceses; e, claro, o alucinante absinto”. 
Mas não tardou que começasse a ter um esmerado serviço de restaurante sendo especialmente apreciados os pratos de peixe, as costeletas e onde se almoçava, jantava ou ceava, lampreia à bordalesa e bifes de caçarola, por pouco mais de cinco tostões.
Lá, se reuniam Guerra Junqueiro com a sua inseparável bengala, Rodrigo Salgado Zenha, Camilo, o pintor Francisco José de Rezende e tantos outros famosos artistas, políticos, literatos e cientistas do tempo.
Guerra Junqueiro ia frequentemente e era conhecido por sair às 11 horas em ponto, quando ouvia as badaladas da torre da Lapa.
Guido Severo ( Francisco Guimarães), cronista da época, escreveu, que por lá passaram:

" (…) as melhores rodas do Porto" e especificou: "jornalistas e poetas; mundanos e "noceurs"; comerciantes, industriais, professores, banqueiros, enfim, tudo o que tinha um nome na política, na ciência, na literatura, na arte, na esfera dos negócios e no âmbito das ideias, ou mesmo qualquer pessoa que começasse a afirmar-se em radiosas esperanças, dentro do minúsculo mas curioso caleidoscópio da vida portuense daquele tempo, não desdenhava de abancar, de forma transitória ou diariamente, ao redor das mesas de mármore branco do Camanho". 

O sítio da sala mais ruidoso, onde as conversas decorriam num tom mais acalorado era aquele em que se juntavam os jornalistas. Quase todos, os daquele tempo, por lá passavam. Citamos apenas os mais conhecidos: João Grave que dirigia o "Diário da Tarde"; Pai Ramos, de "O Primeiro de Janeiro"; Marcos Guedes, correspondente no Porto de "O Século"; Guedes de Oliveira; e o caricaturista Manuel Monterroso.

Sobre os meados do século XIX Luís Ramos escreve:

“Era esta a cidade dos janotas que, na Praça de D. Pedro, esperavam as meninas, eventuais herdeiras de dotes de 80 contos em apólices, que saíam da missa dos Congregados. Desfeiteados, podiam ir namorar as pensionistas temporárias do Convento de Ave-Maria, punindo-se por pecados sociais, atendidas pelas criadas, rodeadas de baús de roupa, de joias, licores e pastéis de ovos. Enquanto os chefes de família jogavam dominó nos cafés, bebendo copinhos de cana e comendo figos secos – ou tomando chá à inglesa –, a família, se dispunha de 2 mil réis ou mesmo 4 mil, podia ir até à Praça, ou à Rua do Almada, tirar o retrato daguerreotipado, em tom de ouro e azul, ao gosto inglês.”

Em 1917, a Avenida dos Aliados já andava a ser aberta a bom ritmo.
Nesse ano, o Banco Nacional Ultramarino comprou, na Praça da Liberdade, o edifício onde funcionava a casa bancária Pinto Fonseca & Ir­mão. Ficava mesmo pegado àquele em que funcionava o Camanho, que também foi adquirido. E assim acabou um dos míticos locais de reunião da intelectualidade portuense, na transição do século XIX para o século XX.
Depois da compra daqueles edifícios pelo Banco Nacional Ultramarino, o filho do fundador do Camanho, Carlos, mudou, só com a secção de restaurante, para a Rua de Sá da Bandeira nº 39, onde ainda se conservava em 1936, quando, nesse mesmo local, abre o Café Cabo Verde.
Por cima do balcão na foto abaixo, vê-se uma escada de acesso às prateleiras cheias do Camanho, das mais variadas bebidas.


Café Camanho

Na foto acima está o velho Manuel José Camanho ladeado pelo moço da copa e pelos criados Pedro e Tomás.
Para se fazer uma ideia de como no Porto daquele tempo se apreciava a boa mesa, para além do Camanho, ficaram célebres muitos outros restaurantes: Porto Clube, com serviço de gabinetes; Café Suisso, com serviço de restaurante no primeiro andar, com salas e gabinetes; Café Central que daria lugar, anos mais tarde, em 1933, ao Café Imperial (hoje McDonald´s), tendo sido fundado no local onde depois se levantou o Café Embaixador dos nossos dias.

No 2º prédio a contar da esquerda é o Camanho, na Praça D. Pedro

Publicidade ao Camanho, já na Rua Sá da Bandeira em 1923



Cafés importantes instalados a partir da 2ª metade do século XIX foram entretanto desaparecendo da actual Praça da Liberdade, de que são exemplo O Lusitano, mais tarde passou a O Portuense e depois a O Suisso, O Camanho, O Ventura, O Central que cederia mais tarde o espaço ao Imperial e situado na Rua do Bonjardim O Lisbonense.
Em 1860 o café da moda era O Portuense que ocupava o mesmo espaço inicialmente ocupado pela Hospedaria Resende e desde 1853 pelo Café Lusitano.
O Café Lusitano abriu as suas portas ao público em 17 de Abril de 1853 e funcionou algum tempo na esquina da Praça D. Pedro e a Rua de Sá da Bandeira, hoje Sampaio Bruno, sendo que, o seu proprietário foi obrigado a fazer profundas obras de remodelação, para adequar o espaço à actividade de café pretendida. Em 1854 é concedido alvará de licença a António José Ribeiro, para que o seu café tivesse jogo de bilhar.

“Na esquina da Praça de D. Pedro e Sá da Bandeira (actualmente Sampaio Bruno), O Lusitano abriu em 17/4/1853, ocupando 2 portas para a praça e 5 para Sá da Bandeira. Um tal Ribeiro, que tinha tido um botequim em cima do muro, fez obras muito avultosas, gastando mais de dois contos de reis, para transformar uma alquilaria e um forno de pão num dos mais requintados botequins do Porto. Segundo José Fernandes Ribeiro pois "precisava de muitos preparos a fim de servir para o que agora serve: soalhos, estuque, pinturas, guarnições, douraduras, escadas, cozinha interior, etc. etc."
Fonte: portoarc.blogspot

“O então proprietário do café não conseguiu aguentar, as despesas da remodelação, tendo sido obrigado, em 15 de janeiro de 1860 a ceder o estabelecimento ao velho Chaves, que passou a ser o seu proprietário, tendo-lhe alterado o nome para Café Portuense”.
Horácio Marçal- Os Antigos Botequins do Porto


Muito luxuoso, dos mais notáveis da época, com muitos espelhos e candelabros, o café Portuense, “Possuía uma sala especial para as senhoras tomarem os sorvetes que ali eram servidos com apurado requinte. Para se avaliar do luxo desta casa de bebidas basta saber-se que as cadeiras – coisa inobservável no tempo presente se mostravam estofadas a veludo cor de carmesim. Este concorrido botequim, que durante o dia mantinha as mesas sempre ocupadas com os jogos do dominó, do Bóston e do voltarete e á noite era muito frequentado por comerciantes.”

Anos mais tarde em 1890 abriu o Café Suisso, de Pozzi Cª, que sucedeu ao Café Portuense.
Tinha pastelaria no rés–do-chão e restaurante e bilhares no 1º Andar.
Foi primeiro café concerto do Porto, proporcionando à sua clientela boa música executada por um terceto de piano, violoncelo e contrabaixo, muito apreciado no Porto.
Entretanto um outro Café Portuense abriria na esquina da Rua do Bonjardim com a Rua Sá da Bandeira no edifício onde esteve no seu cunhal, uma fonte.


Publicidade ao Café Portuense (na esquina da Rua de Sá da Bandeira e Rua do Bonjardim)



Praça D. Pedro junto à Câmara



Em frente à direita o Café Suisso em 1900


Na foto acima à direita, vemos o Café Suisso na esquina do que é agora a Rua Sampaio Bruno e a Praça da Liberdade, e com os antigos Paços do Concelho, ainda de pé, à esquerda.
O Café Suisso teve grande notoriedade no espaço urbano da cidade portuense.
Nos finais do século XIX, foi considerado o melhor da cidade, atendendo ao luxo da sua decoração interior, recheada de espelhos e candelabros, tendo sido, inclusivamente, frequentado por grandes personalidades da literatura e da política da cidade.
Aquando da remodelação da Praça da Liberdade, após a mudança dos Paços do Concelho, ocupou no mesmo local um edifício completamente novo.
Dobrou o século XIX para o século XX e encerrou as suas portas em 1958.


Interior do Café Suisso em meados do século XX




Café Suisso em 1932 em novo edifício


O Café Lisbonense no 3º quartel do séc. XIX ficava na Rua do Bonjardim, onde mais tarde foi a sede do Banco Borges.
Este café apresentava uma orquestra de Inverno (quarteto dirigido pelo violoncelista Júlio Caggiardi).
O Café Ventura foi inaugurado em frente ao Café Suisso em 1891 na Rua Sampaio Bruno, que se chamou outrora (1875) Travessa de Sá da Bandeira, no local em que hoje está actualmente o Café Embaixador.
Proporcionava concertos musicais com assiduidade.
O Grande Café Central, preferido dos estudantes, situou-se onde está o actual Imperial vindo, em 1897, do local onde está o Café Embaixador, dos nossos dias.
O denominado “Grande Café Central” tinha ocupado este espaço desde 15 de Novembro de 1885, onde, anteriormente, estava a chamada “Antiga casa do Florindo”.

“Inaugura-se amanhã o Grande Café Central, estabelecido na esquina das ruas de D. Pedro e Sá da Bandeira, defronte do café Suisso.”
In jornal “Primeiro de Janeiro”, de 14 de Novembro de 1885 – Sábado


“Ruas de D. Pedro e Sá da Bandeira. Antiga casa do Florindo. Abertura amanhã, Domingo, 15 de Novembro.
A vastidão do estabelecimento, a sua excelente situação e a forma por que se acha decorado, fazem supor que merecerá na concorrência do público. Bilhares magníficos.”
In jornal “O Primeiro de Janeiro”, 14 de Novembro de 1885 – Sábado


Onze anos depois, sobre o Grande Café Central dizia o jornal “O Primeiro de Janeiro” em 8 de Outubro de 1896:

“Nesta excelente casa há todas as noites concertos.”

E em 16 de Dezembro de 1897, dizia o mesmo jornal, sobre o Grande Café Central:

“Mudou para a praça D. Pedro, 127, visto ter passado as anteriores instalações para o Credit Franco Portugais.
Reabrirá na Praça D. Pedro a 1 de Janeiro de 1898.” 



Café Imperial, antigo Café Central

Café Imperial - Cortesia Manuel Ermengol


Interior do Café Imperial - Cortesia Carlos Romão




O Café Central (1897/ 1933) depois Café Imperial, à direita da foto


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

(Continuação 3) - Actualização em 11/12/2018 e 17/07/2019


“Os primeiros botequins chegam a Portugal em pleno século XVIII. No entanto, antes de 1755 o hábito português de frequentar estes estabelecimentos ainda não se encontrava muito enraizado, verificando-se uma afluência mais generalizada entre os negociantes estrangeiros, que desenvolviam os seus negócios na cidade de Lisboa. A capital portuguesa será, portanto, o berço da tradição dos cafés em Portugal, que se irá, ulteriormente, expandir pela cidade do Porto e depois, por todo o país. Na cidade de Lisboa notabilizaram-se, neste período de finais da primeira metade do século XVIII, e como verdadeiros pioneiros do café como estabelecimento de comércio em Portugal, o Botequim do Rosa na Rua Nova dos Mercadores e o Botequim de Madame Spencer, ambos fundados por volta de 1740. Mas será com o violento terramoto de 1755 e a ulterior reorganização urbana da cidade lisboeta, levada a cabo pelo Marquês de Pombal, que os botequins passarão a ter um valor relevante na Baixa Pombalina”.
Fonte - Nuno Fernando Ferreira Mendes; In: Dissertação de Mestrado em História da Arte Portuguesa


Por sua vez, os cafés portuenses dos séculos XIX e XX foram, verdadeiros locais de intervenção social, cultural, económica, política e até religiosa. Encarados como espaços sociais que se enquadram na sua época e mentalidade, conferindo pertinência à reconstituição das suas clientelas mais fiéis, os cafés do Porto do Século XIX, foram frequentados por clientes, que se enquadravam em classes sociais ou estatutos profissionais diferenciados, levando a que estes estabelecimentos se ajustassem as estas condicionantes, compreendendo-se, assim, “a existência de cafés de elite económica, de contestação, do operariado, de pequenos comerciantes, de marítimos ou de professores”.
Na sua grande maioria, concentravam-se nos espaços de maior acessibilidade, como por exemplo, a Praça de D. Pedro (antiga Praça Nova e actual Praça da Liberdade), mas em muitos casos a sua vocação era em larga medida decorrente da proximidade dos focos de origem da clientela (o Pepino e o Amaro eram frequentados por marítimos, enquanto o Âncora d’Ouro era o pouso dos estudantes).



"O viajante experimentado e fino chega a qualquer lugar, entra no café, observa-o, examina-o, estuda-o, e tem conhecido o país em que está. O seu Governo, as suas Leis, os seus Costumes, a sua Religião. Levem-me de olhos tapados onde quiserem. Não me desvendem senão no Café e prometo-lhes que em menos de 10 minutos, lhes digo a terra em que estou, se for país sublunar”.  
Almeida Garrett


O Botequim do Pepino de António Pereira Porto ficava no Muro dos Bacalhoeiros na Ribeira, e o Botequim do Amaro no Muro da Ribeira.
António Porto faleceu aproximadamente em 1850, mas a viúva conservou o célebre botequim (mas já muito decadente) até 1871, data da demolição daquela rua e das ruas adjacentes.
Em 18 de Outubro de 1845 o “Periódico dos Pobres no Porto “ dava conta de que, António Porto tinha casado em 16 de Outubro:
"Anteontem de tarde atravessava a todo o trote a Praça de S. Lázaro um cabriolé a quatro, carregado de pessoas do sexo feminino em grande luxo, e acompanhado de cavaleiros. Era o botequineiro Pepino de Cima do Muro que tinha ido casar, e que se recolhia a casa em grande estado”.

Um leitor de “ O Tripeiro” escrevia também, no mesmo jornal:

"O Botequim do Pepino, em Cima do Muro, era muito concorrido da marinhagem estrangeira e de mulheres de má nota do Forno Velho e immediações. As desordens alli eram frequentes. O predio, juntamente com os demais do mesmo lanço do muro, foi demolido, quando se construiu a rua que segue da dos Inglezes para a Alfandega. O botequim transferiu-se para o Forno Velho. Não sei se ainda lá existe ou algum seu descendente. O Rodrigues Sampaio, o Sampaio da Revolução, era accusado pela imprensa adversaria por ter sido freguez do mesmo cafe, quando era guarda da Alfandega ou coisa que o valha. Cito este facto de memória mas creio não estar em erro”.
Um tripeiro da gêmma, baptisado em S. Nicolau



Arnaldo Gama, no seu livro O Génio do Mal, escreve: 
“O Botequim do Pepino tinha as traseiras imundíssimas voltadas para um pequeno largo, que por uma travessa sempre suja comunica com o  Cima do Muro".


Segundo Pinho Leal (vol. VI - p. 62 - do seu Portugal Antigo e Moderno), o Botequim do Pepino situava-se a poente do Postigo dos Banhos.



Postigo dos Banhos. O Botequim do Pepino ficaria num dos prédios do canto inferior esquerdo



Por sua vez, o Botequim do Amaro existiu, assim, por cima do Muro da Ribeira no qual foi fundado, em 4/11/1876, o Clube Fluvial Portuense. 
Também pela Ribeira, ficava a Taberna Vidraças”.
A 13 de Outubro de 1833 abria na Rua Nova dos Ingleses o Café do Comércio na casa onde mais tarde se instalaria a sede da Companhia de Seguros Garantia. Este café, anos depois, viria a mudar-se para a Praça da Batalha com o nome de Café Águia Douro.
Em meados do século XIX, a Praça D. Pedro no Porto era já o "ponto predileto de reunião dos homens da política e do jornalismo, do comércio e dos brasileiros".
Aqui predominavam os botequins Porto Clube, Europa, Antiga Cascata, Internacional, entre outros, progressivamente desaparecidos.
Na área onde se situava a antiga Porta de Carros, desapareceram o Botequim da Porta de Carros também conhecido pelo Botequim do Senhor Frutuoso.
Por aquele local havia também o Café Brasil, que ainda hoje, se encontra de portas abertas.
Por outros locais da cidade estavam espalhados os cafés e botequins.
O Botequim das Hortas (esteve na esquina da Rua do Almada com a Rua da Fábrica), o Guichard (situado na Praça Nova), o Botequim da Porta do Olival (no Olival), o Botequim de S. Lázaro (próximo do jardim e que depois, foi Café América), estes dois últimos os preferidos pela juventude e intelectuais, o Botequim do Martinho (situava-se no que é hoje, a actual Praça Parada Leitão) e o Botequim da Rua de Santo António.
O Botequim da Rua de Santo António, inaugurado em 1851, tinha a sua entrada naquela rua, pela porta de acesso ao Teatro Circo, depois Príncipe Real, do lado esquerdo quem sobe. Aquela porta daria também acesso mais tarde, ao Teatro de Sá da Bandeira, e manteve-se durante muitos anos.
Era um café luxuoso e o preferido dos libertinos da época e, 13 anos depois, em 1864, passou a chamar-se Café da Neve, quando começou a servir sorvetes.
Este café era dotado de salão de bilhares e por ele transitaram muitos dos actores que declamavam nos vizinhos Teatro Circo e Baquet. Desconhece-se a data do seu encerramento.
Sobre o Botequim da Rua de Santo António o Dr. Artur de Magalhães Basto diz-nos, no “O Tripeiro”, Série VI, Ano IV:                

”Era a inveja dos lisboetas pelo seu gosto e luxo e um viveiro de “libertinos”; quem ali entrasse a tomar capilé e demorasse dez minutos saía cínico. Havia quem fosse lá para jogar “candidamente”, o quino e o bilhar, mas, em geral, quem se sentava àquelas mesas marmórias espostejava “a sã moral”… como cadáver combalido em teatro anatómico”.

Na Praça de D. Pedro como se vê em anúncio abaixo, em 1859, existia o Café dos Dous Amigos.


In “O Jornal do Porto”, 21 junho 1859


O Botequim “O Pátria” ficava na Porta do Olival e era frequentado pelos lentes da Academia Politécnica e da Escola Médica.
Nas proximidades da Escola Politécnica existiu também o Botequim do Adães que se pensa ter existido no mesmo local do Botequim da Porta do Olival, ainda hoje existente.
O jornalista e historiador Fir­mino Pereira acerca do Botequim do Adães, dizia que nele era frequente encontrarem-se, "encostados ao botequim de Adães os galegos em mangas de camisa, que espe­ravam os fretes dos armadores do bairro". 
Na Cordoaria havia ainda, em tempos, o Botequim da Graça e bem perto, em frente à Igreja dos Carmelitas, o Botequim da Pomba vizinho da célebre “Estalagem A Lisbonense”.
O Café da Porta de Carros ou Botequim do Senhor Frutuoso localizava-se no Largo da Porta de Carros, “nos baixos de um prédio de primeiro andar, que se achava (no meio de mais dois) encostado à demolida muralha Fernandina”, mesmo em frente à Igreja dos Congregados.
Horácio Marçal informa-nos que, em 1852, aquele estabelecimento já era considerado muito antigo.
Este café pertencia ao senhor Frutuoso, pai dos distintos, arcebispo de Calcedónia que foi também ministro da justiça em 1892 e dos Negócios Estrangeiros, D. António Frutuoso Ayres de Gouveia Osório (1828-1916) e de José Frutuoso Ayres de Gouveia Osório (1827-1887), médico e lente da Escola Médica e político e Presidente da Câmara Municipal do Porto em 1886-1887.
Este professor da Escola Médica casou (em 16 de Julho de 1866) com Virgínia de Brito e Cunha (nascida a 2 de Novembro de 1836 na casa do Ribeirinho, em Matosinhos e falecida a 16 de Agosto de 1905 na praia da Granja) e, desse casamento, tiveram uma filha, Maria Benedita de Brito e Cunha Aires de Gouveia Osório.


Aqui foi a Porta de Carros

Na foto acima pode observar-se, à direita colado à muralha, o local onde esteve o Café do Senhor Frutuoso. Ao centro vê-se o local do antigo e actual Café Brasil. À esquerda, em frente, a Rua de Santo António.
O Café das Hortas encontrava-se sedeado na Rua Nova das Hortas (actual Rua do Almada), na esquina com a Rua da Fábrica.
Horácio Marçal indica-nos que este café “pertencia a Domingos José Rodrigues e foi fundado no ano de 1820, com secção de bilhares no primeiro andar”.
Além de uma ampla sala de bilhares no primeiro andar, tinha três grandes salões: um para a burguesia, outro para os artistas e o ter­ceiro para a plebe. Um dos mais assíduos fre­quentadores do segundo salão era Camilo Castelo Branco, que aparecia sempre com o seu inseparável cão terra-nova.
Ramalho Ortigão escreve a propósito deste botequim:

“O velho botequim das Hortas em que à noite se jogava o Loto, a vintém o cartão, e que, ao abrir-se uma das suas portas envidraçadas, guarnecidas da cortininha de cassa branca, enchia de um picante perfume de calda de capilé e de café torrado a rua toda”.

Um dos mais assíduos fre­quentadores do Café das Hortas era um tal José Fer­reira, natural do Carvalhido, mas que o Porto conhe­cia, popularmente, pela al­cunha de "O cartolas ", por causa do tipo de chapéu que nunca deixava de usar. Era um notável poeta improvisador.
Segundo um dos seus biógrafos nasceu plebeu, e é bem possível que fre­quentasse o salão, que no referido café, era destinado a esta classe. O "Cartolas" acabou os seus dias como guarda da Fonte das Águas Férreas, muito frequentada pelas meninas dos meados do século XIX, porque as suas águas, dizia-se, provocavam o tom anémico muito em voga naqueles recuados tempos. 
A partir de 1850, no piso superior do café, passou a fun­cionar a Filarmónica Portuense
Em 1 de Março de 1859 o jornal “O Braz Tisana” anunciava que o Café das Hortas, “(…) abriu-se novamente depois de reparados os estragos que sofreu por causa do incêndio que, ultimamente, ali teve lugar”.
O Café das Hortas durou 60 anos.
A partir da década de 80 do século XIX, passou o estabelecimento por várias transformações, inclusive com mudança de donos.

“Este estabelecimento, que jazia nostálgico por incúria dos seus proprietários, reaparece agora, devido a um novo dono, cheio de atraentes e convidativas distracções para deliciar os apetites dos seus frequentadores.
Tem, além do bom e escrupuloso serviço, os agradáveis passatempos que a todos oferece.
O sr. Teixeira Lopes, a quem actualmente pertence o café das Hortas, tem sido incansável em tornar o seu estabelecimento digno de mencionar-se entre os de primeira ordem.
Além do pianista, que todas as noites mimoseia os fregueses daquela casa, tem contractados concertistas e cantores.”
In jornal “O Correio do Porto”, de 20 de Setembro de 1886 – 2ª Feira



Mais tarde, o Café das Hortas foi transformado em restaurante, denominado Restaurante do Porto e os pisos superiores deram lugar ao Hotel Internacional, que ainda hoje subsiste, tendo começado por se chamar Hotel Real.



Local onde existiu o Botequim das Hortas


Pela Praça da Batalha, desde 1857, existiu um café que era o local de encontro de liberais, republicanos e socialistas, denominado Café da Comuna.
Por razões de ordem política, era, aquele, um local de forte vigilância policial, o que levou ao seu encerramento em 1889, após fuga dos seus proprietários às autoridades.
Nesse mesmo ano abriria um outro no seu lugar, mas, obviamente, teve que mudar o nome para Café Leão D’Ouro.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

(Continuação 2)


O Carnaval acontece 47 dias antes da Páscoa entre 4 de Fevereiro e 9 de Março.
A Páscoa é celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que ocorre depois do equinócio da Primavera (no hemisfério norte, Outono no hemisfério sul), e pode cair entre 22 de Março e 25 de Abril.

“Carnaval é uma festa que se originou na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C. Através dessa festa os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção agrícola.
Anos mais tarde e com o avanço do cristianismo, a Igreja Católica começou a combater todas as festas e manifestações pagãs, e com a impossibilidade de exterminar a sua prática, acabou por incorporá-las às suas crenças como o Natal e o Dia de Todos os Santos. No entanto, entre todas as festividades, o Carnaval foi uma das poucas a manter suas origens profanas.
O Carnaval passou a ser uma comemoração adoptada pela Igreja Católica em 590 d.C. A etimologia da palavra Carnaval ainda é controversa. O historiador Dr.Hiram Araújo no seu Livro "Carnaval – seis mil anos de história”, afirma que em 590, o Papa Gregório I, O Grande, regulamentou as datas do Carnaval, e criou a expressão - “dominica ad carne levandas” - que significava (domingo não se come carne) que foi sucessivamente sendo abreviada até a palavra Carnaval. 
Outros pesquisadores citam a origem vinda do latim medieval “carnevale” (adeus à carne). 
Comemorava-se então o Carnaval, período que antecedida a Quaresma, ou seja, os 40 dias entre a quarta-feira de Cinzas e o domingo de Páscoa. A Quaresma deveria ser o período de penitência e jejum para preparar o corpo e a alma para a Páscoa. Por isso, nos dias que antecediam a Quaresma, a população se dedicava aos prazeres da carne “carnis vales”, sendo que “carnis” significa carne e “vales” prazeres. O Carnaval comemorado na Antiga Roma era marcado por celebrações em busca dos prazeres e brincadeiras. Todos os negócios eram suspensos, os escravos eram libertados no período, as pessoas trocavam presentes, elegia-se um Rei de mentira que saia em cortejo pelas ruas da cidade e as restrições morais eram relaxadas.
Já na época do Renascimento (entre o século XIII e século XVII), incorporaram-se fantasias e bailes de máscaras e bailes ao Carnaval. O Entrudo (período de três dias que precedem a quaresma) era uma festa popular em que as pessoas divertiam-se lançando farinha, baldes d’água, limões de cheiro, entre outras coisas, nos outros".  
Fonte – “eportuguese.blogspot.pt”; In: portoarc.blogspot.pt


“Na primeira metade do século XIX, as famílias conceituadas jogavam o entrudo (jogo do panelo) mas geralmente no interior da sua casa, num dos seus compartimentos ou, preferencialmente, nos seus quintais/jardins privados. Nesta data os excessos da festa pareciam estar concentrados nos banquetes e no chamado “jogo do panelo”, o qual era em tudo semelhante ao do entrudo: tinha as mesmas armas e os mesmos objectivos (arremessar algo ao outro), embora incluísse toda uma série de práticas que o ultrapassava. A grande diferença residia no facto de o jogo do panelo se realizar em espaços diferenciados: no espaço fechado do lar para as principais famílias, ficando a rua como o espaço para os grupos inferiores. Esta diferenciação era apenas um reflexo da diferenciação social existente no interior destas práticas festivas, embora em ambos os momentos estivessem presentes características como a permissividade tocando, por vezes, a esfera da imoralidade. Esta brincadeira da primeira metade do século XIX não era, por diversas razões, duramente criticada pela imprensa. Em primeiro lugar, porque quando praticada por famílias consideradas distintas a sua condição social estava sempre assegurada, já que ocorria em território que era seu domínio. Se no interior do lar o dono da casa podia atirar pós, água e tremoços, não só aos seus iguais mas também aos criados, estes jamais podiam fazer o mesmo. O seu espaço para entrudar era outro: a rua. Nela se divertiam com os da sua condição social. Em segundo lugar, mesmo que, eventualmente, as diversões se tornassem mais permissivas para com os empregados, sendo realizadas entre as paredes da casa estavam protegidas dos olhares e juízos alheios, situação que parece alterar-se na segunda metade do século XIX.
Se até ao final do século XVIII e entrando mesmo pelo XIX, práticas carnavalescas como o jogo do panelo pareciam estruturar-se sobretudo com base em laços familiares, reflectindo ainda uma sociedade rígida e hierarquizada que começava a desmoronar-se, a partir daí as práticas festivas vão reflectir a mudança que ocorria a nível da estrutura sócio económica, numa sociedade estruturada em níveis e cujo critério de hierarquização passava pelo factor económico (…).
Com o aparecimento e multiplicação dos locais públicos de convívio, os lazeres vão abandonando, cada vez mais, o espaço restrito do lar. Esta vinda da burguesia para a rua, nomeadamente na cidade do Porto onde a burguesia comercial estava expressivamente representada, traduziu-se também numa intervenção na festa carnavalesca”.
Com a devida vénia a Sandra Brito; In: “O Carnaval e o mundo burguês” -Revista da Faculdade de Letras


No texto seguinte, pode ficar-se com uma ideia dos festejos carnavalescos da época de Ramalho Ortigão.

“Os diversos géneros de galhofas em que pelo Entrudo, se vai sucessivamente alambazando a alegria deste povo constitui uma fase importante da história dele. 
Antigamente as grandes comezainas eram a parte principal desta festa, o alguidar de arroz do forno, a taça em que se retoussavam e trebelhavam os honestos júbilos da família, e a orelheira com feijão branco eram a base sólida sobre que descansava o edifício do contentamento doméstico… A alegria dos nossos avós zoupeira e trambolhuda, depois de enxouriçada com feijão e marufo não saía ordinariamente de casa senão para ir jogar o panelo para o quintal. Era aí que o gentio desse tempo, de máscara atada nas orelhas ou de carão encarvoado, entrava a pinchar e a bufar para o outro em sinal de que iam começar as arrelias e os coices de que constava a brincadeira: os pós pela cabeça-abaixo, o rabo-leva na saia ou na casaca, o breu nas cadeiras, o pó das comichões pelo espinhaço, a estopa metida nas filhoses e os ovos de cheiro espapaçados na cara. Salta dacolá um vestido de preto com uma bexiga amarrada a um pau, fazendo estoirar a bexiga, e de-quando em quando o pau nos lombos e nos testos da assembleia. Foge este com a cadeira pegada nas calças, aquele aos saltos porque tem as pernas presas com um barbante, um com um regador atado a um pé, dois escambulhados porque os coseram um ao outro, e uma senhora idosa dando muitos gritos porque lhe prenderam a um artelho um canzarrão que, desabituado de andar à trela, lhe aperta a fuga mordendo-lhe nos calcanhares e na barriga das pernas. Dentro de alguns minutos debanda tudo, ficando apenas no quintal um homem vestido de boi, o qual não vendo pelas fendas da máscara continua a mugir como pede o carácter que representa, escarva com os pés nas sementeiras e dando marradas na figueira, que ele, pelo feitio, imagina ser a sogra…
A geração seguinte mudou totalmente o Carnaval. Ainda vivem na memória as famosas cavalhadas desse tempo, as carruagens apinhadas de máscaras distribuindo ramalhetes e pastilhas, em todas as janelas tantas senhoras quantas lá cabiam, as principais ruas atulhadas de uma compacta multidão de gente, maior parte dela mascarada, centenares de “soirées” onde se dançava até ao dia seguinte, e longas caudas de concorrentes esperando o momento de entrar ás portas de todas as casas onde havia bailes”.
Ramalho Ortigão, In O Tripeiro, Volume V, 15 de Fevereiro de 1926; Fonte – “portoarc.blogspot.pt”

Por sua vez Camilo Castelo Branco refere-se ao Carnaval do modo que se pode apreciar no texto que segue.

“Era em 1850, segunda-feira de entrudo. Entrei no Teatro São João, de braço dado com um amigo que dois anos depois pereceu no naufrágio do vapor do Porto. Era José Augusto da Silva Pinto, um dos mais gentis e galãs mancebos daquele tempo.
Trajava ele um riquíssimo costume de Richelieu com o qual ia distinguir-se naquela noite no baile da Assembleia. Eu vestia uma rota e suja casaca de 1810, que alugara por doze vinténs, e completava o disfarce com um chapéu de castor branco que o meu criado me emprestara…
O contraste impressionou as damas. Não sei até se a democracia cristã do duque de Richelieu, prestando o braço a um maltrapido simulacro de mestre-escola com três meses de atraso, fez marejar nos olhos do público as lágrimas duma piedosa compunção. Às dez horas o meu amigo foi para o baile e eu fiquei no teatro embevecido num primor de olhos divinos que há vinte anos me seguem, e me vão precedendo no curto caminho da cova, que breve me há-de remir, mas eu sei que a luz daqueles olhos há-de ir comigo, céu ou inferno dentro, ou como estrela que entre na sua constelação, ou como lágrima luminosa dum anjo caído no abismo. Ó formosos olhos, nunca puderam prantos apagar-vos essa luz imorredoura! Se eu diria naquele noite de segunda-feira de entrudo…”.
Fonte – “casadecamilo.wordpress.com”; In: Quatro horas inocentes 


Fonte: portoarc.blogspot.pt

O Teatro Circo acima referido tinha começado em 1846, por ser um Circo de Cavalinhos, num barracão de madeira, onde José Toudon exibia a sua companhia equestre.
Em Agosto de 1855 essas instalações seriam remodeladas, passando a denominar-se de Teatro Circo, sendo o acesso à sala de espectáculos feito pela Rua de Santo António.
Este em 1874 reabriria, após outra remodelação, em que a madeira foi substituída pela pedra e cimento, com a denominação de Novo Teatro Circo.
Demolido em 1877, nasceria então, no seu lugar, o Teatro do Príncipe Real, que após 1910 passaria a ser o Teatro Sá da Bandeira.

“Em 7 de Fevereiro de 1869 realizaram-se animadíssimos bailes de máscaras nos teatros de S. João e Baquet, no circo da Rua de Santo António, na nave central do Palácio de Cristal e no Palácio do Corpo da Guarda, no salão Euterpe e noutros recintos públicos. Mas a maioria dos bailes realizavam-se nas casas particulares das famílias abastadas”. 
Fonte: portoarc.blogspot.pt


“Jornal do Porto” de 15 de Fevereiro de 1872


“No Carnaval de 1874 o grande e infeliz poeta Guilherme Braga foi a Vila da Feira tomar parte de um baile de máscaras efectuado na casa do Dr. Bandeira. Decidiu não levar máscara, mas vestindo um fato vermelho, alugado no Porto, na Casa das Figuras de Cera. 
Improvisou nas folhas que trazia na carteira 92 quadras, que distribuía pelas pessoas a que se referia.
Ao António Maciel de Lima, entregou-lhe:

Conheço um António Lima
Que a minha filosofia
Não sabe se é lima ou pêra
Ou maçã ou melancia…

O que todos me afiançam,
Verdade que o atormenta,
È que este fulano Lima 
É Lima…de ferramenta.

Depois de ter versado os homens presentes, ás senhoras dedicou irónicas, mas elegantes quadras, tais como:


Quem tem rido à custa alheia
È bom que pague também…
Chegou a vez das senhoras;
Agora escutem-me bem:

Das casadas nada digo; 
Dessas os cinco sentidos
Apenas lhes impõe deveres 
D’agradar aos seus maridos

Quanto às solteiras, que vezes
Um rouxinol solitário 
Não tem dito por Fijó:
“Ai Maria do Rosário!
Apesar de ser corrente
Que, por capricho, talvez,
Namoraras sem escrúpulo
Trinta janotas num mês.

À Francisquinha Estefânia
Que vezes não tem ouvido
De mil corações a um tempo
O soluçante gemido.

Até consta que no Porto
Ao passar um regimento
Pela rua onde reside
Este da Feira portento,


Ficaram todos no corpo
Da Chiquinha apaixonados.
Capitães, alferes e músicos, 
Até os próprios soldados!

(a Francisca Estefânia era irmã do poeta)
Nos seus versos referiu-se a todas as meninas da festa e por fim ao anfitrião”.
Fonte: portoarc.blogspot.pt


Guilherme Braga e família mascarados na Vila da Feira


“Em 1880 havia um divertido grupo que se reunia na Tabacaria Freitas & Azevedo, na esquina da Rua dos Clérigos com a Rua do Almada, e que incluía rapazes e velhos, de todas as idades e posições sociais que decidiu celebrar o Carnaval com uma brilhante cavalhada carnavalesca. Composto desde o mais modesto caixeiro de escritório ao mais considerado comerciante, desde o mais ingénuo filho de família ao mais distinto titular, clero, nobreza e povo estavam ali bem representados. Organizaram esta diversão na casa do Visconde de Vilarinho e S. Romão.
A cavalhada representaria a entrada do Príncipe de Gerolstein no Porto.
Este cortejo impôs-se pela sua imponência e pelo seu luxo. Todo o seu guarda-roupa era autêntico. Fardas e uniformes foram cedidos pelos próprios titulares.
Compunham-no uma guarda avançada de lanceiros de 8 cavaleiros, seguiam-se em carros abertos o presidente da Câmara, vereadores, governador civil, comissário da polícia, marinha, juízes, cônsules, titulares etc. Finalmente o carro do príncipe, seu escudeiro e fechava o cortejo um esquadrão de 20 cavaleiros.
Saíram da estação de comboio da Boavista, subiram a rua deste nome, seguiram Cedofeita, Carmo, Clérigos, Santo António até à Batalha.
Neste percurso juntou-se uma multidão que os aplaudia delirantemente.
Foram participantes o próprio Visconde de Vilarinho e S. Romão, seu irmão Júlio Girão, Guilherme Gomes Fernandes e outras personalidades da cidade, acompanhadas pelos mais humildes profissionais, todos pertencentes ao referido grupo”.
Baseado num artigo de O Tripeiro, Volume 2 de 1/1/1910; Fonte: portoarc.blogspot.pt


Em 1889 houve desfiles de trens na Avenida do Palácio de Cristal, que depois passaram por várias ruas da cidade: Triunfo, Duque de Beja, Carmo, Clérigos e Praça Nova, Santo António, Batalha, Entreparedes, S. Lázaro, Duquesa de Bragança e Formosa, Santa catarina, Santo António, Clérigos e Carmo.
Apresentaram-se no desfile: F. Brandão, Diogo Cabral, Arnaldo Faria, Manoel Gualberto Soares, Conde do Côvo (Gaspar Maria de Castro Lemos de Magalhães e Menezes Pamplona, que seguia acompanhado de “Madame Eça de Queiroz e mademoiselle Resende”), Delfim de Lima (num dog-cart), as famílias Pereira Machado e Lencastre, Guilherme Lima e Artur de Aragão.
As ornamentações das diversas viaturas eram da autoria, na sua grande maioria, do horticultor Marques Loureiro.

Batalha de Flores e Cavalhada – Fonte: “Jornal do Porto” em 7 de Março de 1889



Acima, dava-se notícia de uma batalha de flores ocorrida em Vila Nova de Gaia, seguida de uma cavalhada.
Nas cavalhadas, mascarados vestindo roupas coloridas e passeando-se nos seus carros enfeitados, ou montando cavalos, saíam pelas ruas, fazendo algazarra.
A cavalhada teve origem nos torneios medievais, onde os aristocratas exibiam em espectáculos públicos a sua destreza e valentia, e frequentemente envolvia temas do período da Reconquista.


Carnaval de 1902 – capa de O Tripeiro da 7ª. Série –Ano XXI; Fonte: portoarc.blogspot.pt


“(…)Retornemos à cidade do Porto do final do séc. XIX e início do séc. XX, durante a época carnavalesca.
Durante este período a perspectiva jornalística é marcada, no que se refere à festa do Momo, pela crítica negativa às práticas carnavalescas em geral e que assumiu um tom de combate à medida que o século XX se aproximava. Qualificativos como sensaborão, pelintra, rude, grosseiro eram utilizados para qualificar esse Carnaval, que consideravam não ter interesse algum. Ora, estas crónicas jornalísticas eram escritas por homens, intelectuais com valores e ideias precisas, que utilizavam, muitas das vezes, a imprensa como um veículo de propagação de um modelo próprio da realidade, assim como para o combate de um outro modelo existente e ao qual se opunham, fosse ele social, económico, político ou religioso. A imprensa era uma das armas para atingirem os seus objectivos. Estejamos perante uma crónica, um romance ou um relato, como testemunhos históricos que são, eles encerram uma determinada representação da realidade, a qual é filtrada pelo autor e relatada de acordo com um código de valores ou com um propósito definido. Em primeiro lugar, os jornalistas e outros literatos qualificavam o que viam de acordo com o seu sistema de valores considerando decadente, no caso da festa carnavalesca, o que os outros consideravam folia extrema.
(…) Preocupação pela modernização e higienização do país, exigindo-se uma remodelação urbanística à semelhança do que acontecia noutros países europeus, a outra face prendia-se com determinadas manifestações de cariz popular, consideradas retrógradas e incompatíveis com essa nova ordem que se pretendia estabelecer.
Entre elas estavam as carnavalescas. No entanto, esta fora uma luta, com sentidos bem mais profundos e diversos, contra práticas que não conseguiam controlar, cuja espontaneidade e imprevisibilidade pareciam temer, procurando substituí-las por um novo Carnaval: o civilizado, o previsível e mais controlável.
Dessa práticas destacamos, como objecto de análise neste estudo, as mascarada/cavalhadas, as troças carnavalescas (ou seja, ditos jocosos que podiam tomar a forma de denúncia ou até de insulto), e o chamado jogo de entrudo (uma batalha em que as armas de arremesso eram desde ovos, pós de sapato, água choca, tremoços, cal...). Inerente às duas primeiras práticas carnavalescas referenciadas, mascaradas e troças, independentemente da forma como se apresentavam ou dos novos sentidos que iam tomando nas últimas décadas do século XIX, esteve sempre presente o elemento grotesco e a sátira, quer pelas encenações e linguagem utilizada, quer pelos inúmeros versos impressos que os foliões actores iam espalhando ou os versos jocosos que iam dizendo.
Associadas aos mascarados, estivessem eles desfilando nas ruas ou dançando num dos diversos bailes carnavalescos da cidade, estavam as troças ou gracejos carnavalescos, uma linguagem cómica cujo objectivo final seria o de provocar o riso. Há muito utilizado como instrumento de crítica, estes ditos jocosos, vulgo troças, não raras vezes tomavam a forma de denúncia ou até insulto. Pelo que as fontes nos permitiram saber, os temas preferidos pelos foliões na elaboração dos seus gracejos diziam respeito sobretudo à vida privada e profissional ou características físicas dos outros, procurando ridicularizá-los em plena praça pública. Era o caso dos adultérios, dos filhos ilegítimos, da condição de “corno” ou de negociante desonesto, realidades que davam às troças uma feição temida por muitos, inclusive pelos intelectuais. Para além de uma crítica afiada, estes panfletos serviam também de convites às folias carnavalescas nocturnas ou diurnas, quando lançados pelos chamados bandos anunciadores. De acordo com os poucos registos que fomos encontrando, estes panfletos teriam servido também como instrumento à dimensão amorosa da festa carnavalesca. É o caso dos papéis arremessados juntamente com outros objectos, contendo por exemplo declarações de amor.
Ora esta liberdade de crítica, aliada à sátira carnavalesca, aproveitada por muitos para denunciar e ridiculizar aspectos gerais ou particulares da sociedade, políticos ou não, parecia incomodar e até amedrontar alguns, inclusive os intelectuais e a autoridade da época, nomeadamente quando eram, pessoal ou colectivamente, alvo de ataque.
Este receio traduziu-se na necessidade de limitar essa liberdade crítica, considerada pela sabedoria de todos como máxima e isenta de qualquer punição durante o reinado do Momo, dando origem à publicação de vários editais. Através da força da lei o governador civil procurava regular as diversas práticas carnavalescas portuenses, medidas que se integram no movimento europeu de controle e repressão de manifestações consideradas anárquicas (= populares) e de enquadramento do lazer das classes mais baixas, acentuando-se no contexto específico de crítica e crescente oposição ao sistema monárquico na última década do século XIX. Na sequência da deliberação do Governo, de 1890, que limitou a liberdade de manifestação, atingindo directamente os divertimentos públicos, o governador civil do Porto aproveitou para reforçar a legislação no domínio da festa carnavalesca, uma vez que esta se apresentava como um momento potencialmente perigoso, não apenas para o sistema político mas para um sistema social que pretendesse manter as suas fronteiras bem definidas e em todas as ocasiões”.
Com a devida vénia a Sandra Brito; In: “O Carnaval e o mundo burguês” -Revista da Faculdade de Letras

O rei Momo, referenciado no texto anterior, é uma personagem (curiosamente feminina) que personificava a ironia e o sarcasmo, inspirada na mitologia grega.
O rei Momo deve ser uma pessoa que goste muito de carnaval e de preferência gordo. Deve ser animado, pois é ele quem vai animar e comandar as festas de carnaval. O rei Momo deve ser também simpático, brincalhão, divertido e bem-humorado.
O carnaval na cidade do Porto está, no século XX, intimamente ligado à actividade do Clube Fenianos Portuenses.
Foi, no fundo, o Carnaval que projetou o Clube Fenianos Portuenses.

“Fundado a 25 de março de 1904 com o lema “Pelo Porto!”, o Clube Fenianos Portuenses é, por assim dizer, uma “marca registada” na cultura, recreio e desporto da cidade, facto que lhe mereceu as distinções de Instituição de utilidade pública, Comendador da Ordem Militar de Cristo e Medalha de Ouro da Cidade.
Com cerca de 400 associados, a instituição que foi conhecida na região pelos seus corsos de Carnaval, está como que a “recarregar baterias” para durante este e no próximo ano regressar em força às ruas do Porto com atividades que a dignificaram. Internamente, registe-se aparecimento de algumas secções até agora inexistentes ou inativas.
Conhecido pelas atividades de ilusionismo e de bilhar, o “Fenianos” tem, na sua história momentos verdadeiramente marcantes, que no seu imponente edifício-sede se guarda com orgulho.
Os festejos atingiram o seu apogeu, salvo o erro, em 1957.Depois, já em 1982-83 – estou a lembrar-me dos pontos mais marcantes – fizeram-se os mini-corsos e que também foram um êxito! Assistiram aos mesmos – segundo os jornais da época – mais de cem mil pessoas. A partir dessa data, o dinheiro começou a escassear, e parou-se”.
Fonte - Site: etcetaljornal.pt


“A imagem desta festa carnavalesca burguesa, enquanto vitória do Carnaval Civilizado sobre o Entrudo e as suas práticas, foi construída ao pormenor. Em colaboração directa com a organização deste novo Carnaval – o Feniano -, as autoridades tomaram algumas medidas extraordinárias: Para além da habitual proibição do jogo do entrudo e da utilização de artigos carnavalescos como balotes, estalos, bisnagas ou ovos de cheiro, os representantes da autoridade ordenaram e efectuaram “buscas” aos diferentes estabelecimentos da cidade, de forma a apreender os referidos artigos que se encontrassem à venda. O objectivo era impedir que estes fossem utilizados nos dias de realização do Carnaval Feniano, o qual tinha como missão acabar com o Entrudo. Ainda assim a sua ausência não estava garantida uma vez que parte das armas utilizadas no jogo de entrudo era de fabrico artesanal ou de fácil aquisição (pós de sapato, farinha ou tremoços). Esta onda de receio está na origem de outra das medidas tomadas por ocasião destas festas: o que a imprensa chamou de “uma verdadeira caça aos larápios (levados para o Aljube Novo) e aos mendigos (levados para o Aljube Velho)”.
Outras prisões efectuadas foram as de alguns foliões que, todos os anos, acabavam a folia atrás das grades, face aos excessos que protagonizavam.
Tudo deveria sair perfeito. O Carnaval Feniano decorreria assim numa cidade civilizada, onde os mendigos e os larápios pareciam não existir e onde os foliões pareciam ter esquecido as bisnagas, os pós ou os ovos de cheiro utilizados no ano anterior. Ora, os mendigos e os larápios estavam detidos, assim como alguns dos mais entusiastas (perigosos) praticantes dessas folias; as armas de arremesso tradicionais encontravam-se supostamente todas apreendidas.
(…) Se as brincadeiras carnavalescas marcadas pelos excessos, incluindo a de arremessar algo ao outro, foram sendo combatidas pela autoridade (editais), mas os seus artigos foram sempre produzidos e comercializados, dado o lucro que traziam; à medida que se efectua uma lenta substituição das armas carnavalescas de tipo caseiro pelas industrializadas, levando à criação de novas indústrias (lança-perfumes, confetis, serpentinas) e à dinamização do comércio, os festejos do reinado do Momo e muitas das duas práticas (mesmo as consideradas excessivas) passam a estar protegidas pelos interesses económicos. Exemplo desta curiosa realidade foi o movimento em defesa da folia carnavalesca, vivido na cidade do Porto em 1917, e que teve como, principais protagonistas, não os foliões, mas os principais representantes do comércio, indústrias e serviços ligados às folias do Momo: os empresários e arrendatários das casas de espectáculos e salões de baile, assim como os fabricantes e comerciantes de artigos carnavalescos. Os protestos que se fizeram ouvir decorreram da deliberação do Governo que proibia os festejos carnavalescos.
Curiosamente, ou não, vamos encontrar importantes associações da cidade, inclusive o Clube Fenianos, a defender esses jogos carnavalescos (os quais mantinham vivos os sentidos do jogo do entrudo). O Carnaval não era, nesse momento, perspectivado como um momento de folia, mas
Como, uma oportunidade de lucro, reconhecendo-se a importância destas práticas para algumas indústrias, casas comerciais e de espectáculo.
Com a devida vénia a Sandra Brito; In: “O Carnaval e o mundo burguês” - Revista da Faculdade de Letras



Foi no ano de 1905 que o Clube dos Fenianos ressuscitou o Carnaval há muito tempo sem festejos, e o respectivo cortejo pelas ruas da cidade. O clube tinha sido fundado em 1904 por cidadãos republicanos e políticos contra a situação. Naquele cortejo desfilou num carro alegórico, uma réplica em madeira da estátua "O Porto" que estava no frontal do edifício da Câmara Municipal e, que, nos dias de hoje, está exposta à entrada da sede do clube.


Rua das Carmelitas no Carnaval de 1905



Corso dos Fenianos de 1905

Na foto acima o povo aguarda a passagem do corso de 1905 na Rua de Santo António. Observa-se ainda, uma janela ornamentada da Ourivesaria Reis, anterior à mudança para a esquina com a Rua de Santa Catarina.

No carnaval de 1905 a banda de música da “Casa Guimarães” no Palácio de Cristal 

A fachada da Fábrica Confiança na Rua de Santa Catarina enfeitada para os festejos carnavalescos de 1905



Carnaval de 1906 – Ed. Aurélio da Paz dos Reis


Na foto acima durante o Carnaval de 1906, observam-se os sócios dos Fenianos em frente ao cinema Águia d’Ouro. 


Carnaval dos Fenianos 1908 junto à igreja do Carmo



Carnaval de 1909

“No Carnaval de 1913 um grupo de foliões, tendo-se-lhe acabado os habituais arremessos da época, resolve atirar pastéis de nata às beldades que, na Praça da Liberdade, se encontravam às janelas. Em tal quantidade que a polícias teve de intervir e os fizeram passar uma noite na enxovia. Na manhã seguinte foram libertados mediante o pagamento de 10.000 reis para os pobres”.
Fonte: portoarc.blogspot.pt



Carnaval do F. C. Porto em 1925

“Foi no dia 21 de Fevereiro de 1939 que o Entrudo ressuscitou na cidade do Porto pela mão do Clube Fenianos Portuenses, num longo e demorado cortejo com 80 carros alegóricos que desfilaram pelas ruas do Porto.
As fotos originais, ilustram um dos carros nas ruas D. Manuel II e Fernandes Tomás, transportando o "Rei do Carnaval" António Peixoto Alves Correia do Club Fenianos Portuenses. Dizem alguns portuenses que assistiram, que foi o maior Carnaval de sempre realizado na cidade do Porto com muita intensidade.
De todo o país, eram milhares de pessoas que vinham de comboio para vêr o cortejo, beneficiando de uma redução dos preços nos Caminhos-de-Ferro.
As "vendedeiras" do Mercado do Bolhão contribuíram para o sucesso deste Cortejo.
O programa de Cartaz era o seguinte: Batalha de Flores, Espectáculos e Bailes, Marcha luminosa e o Cortejo Carnavalesco”.
Fonte: “clubedecoleccionadoresdegaia.blogspot.pt” 



Na Rua Fernandes Tomás em 1939 cruzamento com Rua do Bonjardim

Corso em 1939 na Rua D. Manuel II



Carnaval de 1939


Segundo o historiador Hélder Pacheco, no livro “Tradições Populares do Porto”, o Carnaval dos Fenianos teve um arranque auspicioso, mas acabou por esmorecer, para renascer entre 1954 e 1957, quando “voltou o monumental corso com carros alegóricos, que levou grandes multidões às ruas. Mas o carnaval deixara de ser um sentimento vivido e participado, para se transformar num espectáculo assistido”.


Corso em 1954