Mostrar mensagens com a etiqueta ARS-Arquitectos Reunidos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ARS-Arquitectos Reunidos. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

25.13 Estalagem do Galo e Estalagem do Lidador


Estas duas estalagens que se situam no Concelho da Maia e que marcaram uma época no desenvolvimento turístico da região, no que concerne à hotelaria e à restauração, em termos arquitectónicos, apoiavam-se em filosofias e estéticas, de que António Ferro era o grande guardião e mentor.
António Ferro foi um escritor, jornalista e político português, e um dos principais ideólogos do Estado Novo, que orientava da sua tribuna – O Secretariado de Propaganda Nacional. Na vertente cultural nada se fazia sem o seu aval.
Todos os artistas que não alinhassem com as suas teses, eram afastados.
A sua política assentava na chamada «Campanha do Bom Gosto», que criou e orientou, e que tinha por um dos pilares a Revista Panorama.
Criticado por uns, exaltado por outros, personalidade sem dúvida controversa, sobre ele diz Vasco Rosa em 27 Abril de 2015, no “Observador”:

“António Ferro faleceu em Novembro de 1956, mas só 30 anos após a sua morte (15 dos quais passados desde a revolução de 1974) a sua extensa influência em meio século de vida portuguesa teve uma primeiríssima avaliação crítica, ainda que de âmbito parcial: o trabalho académico de António Rodrigues sobre o seu modernismo na idade do jazz band, que esperou 9 longos anos para sair em livro, muito ajudado pelo providencial centenário do nascimento, em 1995. Ernesto Castro Leal dedicou-lhe em 1988 uma tese de história contemporânea, também ela centrada num tema específico, o jornalista e activista político de 1918 a 1932, a qual aguardou 6 anos por um editor. Outras teses universitárias foram dedicadas a Ferro, como a de Cidalisa Guerra em 2002 e a de Jorge Campos em 2009 — mas acerca destas tudo o que vos posso dizer é que estoicamente me forcei a lê-las até ao fim, e sobrevivi… Quase duas décadas depois do livro de Castro Leal, Margarida Acciaiouli escreveu «A Vertigem da Palavra». Retórica, Política e Propaganda no Estado Novo (Maio de 2013), e há semanas saiu António Ferro, «Criador do Salazarismo de Orlando Raimundo»”.


António Ferro e o ditador Oliveira Salazar


Sobre as estalagens que existiram na Maia, no século XIX, é o artigo seguinte, que dá ainda conta e descreve, a Estalagem do Galo, situada no Lugar do Chiolo, EN 14 e a Estalagem do Lidador, situada no Lugar das Guardeiras, EN 13, que eram o reflexo da tal «Campanha do Bom Gosto» que, por lei, tinha normativo próprio para as pousadas, desde 1941, o que em consequência, foi aplicado àquelas duas estalagens.
No mapa abaixo, do início do séc. XIX, é-nos mostrada uma «fatia» do Concelho da Maia, de então, em que vemos que ao longo das principais estradas que o atravessam há algumas estalagens.
À esquerda, na estrada para Vila do Conde, a estalagem da Venda da Velha. Ao centro, na estrada para Barcelos, as estalagens do Padrão de Moreira e da Lameira. À direita, na estrada que vai para Famalicão e Braga, as estalagens da Pinta, do Castelo e da Carriça.


Mapa parcial do concelho da Maia mostrando vias e estalagens - Fonte: José Augusto Maia Marques sobre mapa de Custódio Vilas Boas




“Estas estalagens, algumas bem arranjadas, outras, verdadeiros tugúrios, estão muito presentes na literatura oitocentista. Camilo celebrizou-as, no mais das vezes pelas piores razões. A Estalagem do Casal do Pedro na Junqueira (Vila do Conde) foi batizada pelo escritor de «Estalagem das Pulgas». E o nome ficou. A Estalagem da Ponte da Pedra, onde se reuniam, depois dos espetáculos, as divas do Bel canto que atuavam no Porto, acompanhadas dos seus seguidores, e onde, muitas vezes, havia pancadaria «de criar bicho», merece bastas referências na obra camiliana.
Várias destas estalagens ficaram famosas pela sua cozinha, outras pelo seu vinho, uma por outra pela estalajadeira ou por alguma das moças que a auxiliava.
Também elas se situavam na maioria das vezes ao longo dos caminhos.
Neste mapa do início do séc. XIX que nos mostra uma «fatia» do Concelho da Maia de então, vemos que ao longo das principais estradas que o atravessam há estalagens. À esquerda, na estrada para Vila do Conde, a estalagem da Venda da Velha. Ao centro, na estrada para Barcelos, as estalagens do Padrão de Moreira e da Lameira. À direita, na estrada que vai para Famalicão e Braga, as estalagens da Pinta, do Castelo e da Carriça.
António Ferro definia-as: “Exceptuando os grandes centros, do que precisamos, do que a nossa paisagem precisa, é de simples pousadas, ou estalagens, muito claras, muito limpas, confortáveis, mas sem luxo, construídas e arranjadas ao gosto de cada região […]. Boas camas, boa comida, boas instalações higiénicas, bom serviço, bom-gosto, eis as condições indispensáveis dessas pousadas ou estalagens”.
Para além do «modelo» que aqui é definido, e que se repercutiu com certa frequência pelo País, quer em pousadas, quer em estalagens, quer mesmo em hotéis de pequena e média dimensão, percebemos, por este excerto que, no fundo, o que diferia pousadas de estalagens, era, à parte a monumentalidade de algumas das primeiras, o facto de que pousadas eram de iniciativa pública (da SPN ou do SNI) enquanto estalagens eram de iniciativa privada.
Fonte: José Augusto Maia Marques, In: Revista da Maia; Ano II, Nº 1, 2017
 
 
Estalagem do Galo (Chiolo, Maia)
 
 
A Estalagem do Galo foi uma obra da responsabilidade de “ARS-Arquitectos Reunidos”, gabinete de arquitectura fundado por António Fortunato Cabral.
 
 
 
“António Fortunato Cabral (1903-1978) estudou no Colégio de Montariol, em Braga.
Entre 1921 e 1935, estudou Arquitetura na Escola de Belas Artes do Porto, tendo apresentado no Concurso para a Obtenção do Diploma de Arquiteto (CODA), em 1941, o trabalho sobre o Mercado Municipal de Matosinhos: Betão Armado, diplomando-se com 16 valores.
Fundou com Mário Cândido de Morais Soares e Fernando da Cunha Leão o grupo Arquitectos Reunidos (ARS), de onde saíram marcantes projetos arquitetónicos, de diversas tipologias, como as igrejas da Praia de Mira, de S. Pedro da Cova (Gondomar), de Nossa Senhora de Fátima (Porto) e de Crestuma (Vila Nova de Gaia); o Externato Liceal de Alijó, a Escola Gonçalo Pereira (Barcelos) e a Creche-lactário Amaíza Veiga Ripado (Chaves); a Casa das Lérias (Amarante) e a Loja Lopo Xavier (Porto); o Buvete das Termas das Caldas (Amares); as adegas cooperativas de Chaves, Lousada e Marco de Canavezes; a Estalagem do Galo (Maia), o Hotel-Restaurante Porto Mar (Matosinhos) e Sacel – Edifício de Restauração (Porto); o Mercado Municipal de Matosinhos e o Mercado do Bom Sucesso (Porto); o Edifício Social da Legião Portuguesa (Porto); o Bairro Operário da Litografia Nacional (Porto); o Quartel dos Bombeiros da Póvoa de Varzim; o Banco Nacional Ultramarino de Vila Nova de Famalicão; o jazigo da Família Benjamim José de Araújo Oliva (S. João da Madeira); e ainda várias casas e prédios como o Prédio de Rendimento Adão Polónia (Matosinhos) e a Casa Olinda Freitas Figueiredo (Porto)”.
Fonte: “espacodearquitetura.com/”




Estalagem do Galo (postal) – Lugar do Chiolo – Maia


Interior da Estalagem do Galo (postal)


Estalagem do Galo



Quinta do Galo

 
 
“Boa noite. A Estalagem do Galo foi mandada construir pelo meu Avô, António Joaquim da Silva, para ser uma casa de campo. Existiam raízes familiares no Lugar do Chiolo, Barca, Maia, e por esse motivo foi escolhido aquele local. À época, e ainda nos muitos anos que lá passei, a área envolvente era um paraíso, pinhais e campos de cultivo em redor, no local onde hoje é um super mercado de grande superfície existia um riacho límpido com peixes e rãs, um moínho, salgueiros, imensa fauna, imensas aves.
Mas, como o meu Avô já era proprietário de alguns restaurantes no Porto - O Escondidinho na Rua Passos Manuel, Os Três Irmãos, a Pousada Escondidinho ao lado do Coliseu do Porto - um grupo de amigos e comerciantes e industriais da época, convenceram o meu Avô a transformar a casa de campo numa Estalagem...e, assim nasceu a Estalagem do Galo, com 5 quartos, serviço de restaurante e eventos, com a mesma linha de cozinha portuguesa do Escondidinho, aprimorada por bons profissionais, alta qualidade de matérias primas e excelência no serviço prestado.
Na verdade, a Estalagem nunca esteve encerrada até 1987, que foi quando por motivos familiares a vendemos a particulares para residência própria permanente. Mas o mundo dá muitas voltas, e hoje em dia a Estalagem do Galo foi rebaptizada como Quinta do Galo, e está vocacionada para eventos, casamentos, baptizados, festas, etc.
Fico sensibilizada por ver esta foto, pelos comentários de antigos clientes, saudosos da excelente ementa da Estalagem do Galo.
Bem hajam”.
Cortesia de Branca Maria Milano, In facebook
 
 
 
Estalagem do Lidador (Guardeiras)
 
 
“Outro estabelecimento hoteleiro bem conhecido na nossa zona era a Estalagem do Lidador.
Também ela do início dos anos 50, pautava-se por uma sobriedade de linhas, sobretudo em relação à anterior.
Estava dotada no piso térreo com receção, instalações sanitárias, duas salas de jantar, sala de estar, e as várias instalações para a confeção de refeições.
Num corpo que se prolongava para norte, um amplo salão de festas com
palco, que também servia de sala de banquetes e, ao fim de semana, de sala de refeições. No piso superior, 10 quartos com todos os cómodos. Na cave, um bar inspirado pelo trabalho e armazenagem do vinho.
Com uma decoração escorreita, baseada nos padrões que António Ferro definira alguns anos antes, mas depurados de exagerados «regionalismos», os espaços eram agradáveis, acolhedores, luminosos, à dimensão humana.
Contava já com várias inovações como casa de banho e telefone nos quartos, sendo que todos estes tinham acesso a um terraço.
E, claro, como era hábito, uma instalação de venda de gasolina e óleos, ainda hoje muito movimentada.
Ali estiveram e pernoitaram vários membros do governo, governadores civis, presidentes de câmaras, deputados da nação, etc. O próprio Presidente do Conselho, Dr. Salazar ali esteve.
O seu serviço de restauração era famoso pela sua qualidade, atraindo, mormente ao fim de semana, muitos visitantes. Os seus lanches de sábado e domingo eram famosos.
A sua proximidade da cidade do Porto, do Aeroporto (campo de aviação, como se chamava nos anos 50) e do porto de Leixões, bem como os (então) abundantes espaços verdes que a rodeavam, fizeram da Estalagem um ponto muito requisitado para estadias de descanso e para estágios desportivos”.
Fonte: José Augusto Maia Marques, In: Revista da Maia; Ano II, Nº 1, 2017




Estalagem do Lidador – Colecção de José Augusto Maia Marques




Estalagem Lidador (Interior) - Colecção de José Augusto Maia Marques



Estalagem Lidador nos nossos dias – Fonte: Google maps



A Estalagem do Lidador foi inaugurada no dia 3 de Outubro de 1953, dotada de um posto abastecedor de combustível da "Atlantic". 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

(Conclusão) - Actualização em 29/11/2017, 09/01/, 20/03 e 05/04/2019


Localizada na Rua de Serralves, em Lordelo do Ouro, em frente ao que veio a ser a Fábrica de Lanifícios de Lordelo, a capela era também conhecida por "Capela da Quinta dos Frades" e por "Capela da Quinta do Gouveia" (devido ao nome de família do proprietário).
Antes, no século XVIII, foi Quinta de Cima, Quinta de Cima da Ponte e Quinta da Ponte. 
A capela, inicialmente com Francisco Xavier como orago, fazia parte do antigo hospício ou brévia de religiosos da ordem de S. Francisco de Paula, conhecidos pelos "Mínimos", tendo sido o complexo fundado em 1780 e, posteriormente, vendido, depois de 1834, passando a propriedade particular do capitalista José da Silva Monteiro.
Aquela capela tendo estado referenciada pelo IGESPAR teve o seu processo encerrado, não tendo actualmente qualquer protecção legal. Construída em finais do séc. XVIII, encontra-se em total estado de ruína.



Referência do padre Agostinho Rebelo da Costa ao hospício de S. Francisco de Paula





Ruínas de capela e hospício de S. Francisco de Paula na Rua de Serralves



Na foto acima à direita, na Rua de Serralves, a fachada em ruínas da capela a que se segue, as ruínas do hospício.
Sobre o assunto em artigo do JN pode ler-se:


“…Trata-se do que resta de um antigo hospício ou brévia de religiosos da ordem de S. Francisco de Paula, conhecidos pelos "Mínimos".
Hospício, ou brévia, eram lugares onde se recolhiam religiosos quando estavam doentes ou necessitavam de repouso. Por isso, ficavam, em regra, fora dos grandes aglomerados citadinos.
 Os religiosos de S. Francisco de Paula vieram para Lordelo, transferidos do único mosteiro que possuíam em Portugal, no sítio da Pampulha, em Lisboa.
 A brévia de Lordelo foi fundada no ano de 1780.
 Os frades que a habitavam viviam de esmolas que pediam nas ruas do Porto.
 Foi com o produto dessas dádivas que começaram a construir a capela e o convento.
 A partir de certa altura, porém, as esmolas começaram a escassear, as obras pararam e os frades acabaram por abandonar o mosteiro.
O abandono aconteceu por alturas da segunda invasão francesa (1809) que nesta freguesia provocou uma enorme mortandade…"
Com a devida vénia a Germano Silva



O local de implantação da capela fez parte do couto de Santa Eulália ou Santa Ovala, uma doacção de D. Afonso Henriques ao Mosteiro de Tarouca. Confinava, a poente, com o couto de S. João da Foz.
Segundo documentação revelada, a brévia situava-se em parte do Monte da Carreira.
Após as destruições provenientes das vicissitudes da guerra civil, em 1834, a Fazenda Nacional vendeu a propriedade a João Eduardo de Brito e Cunha.
Entre 1878 e 1880, nas instalações referidas funcionou a Associação Lusitana e, posteriormente, tomou posse delas, José da Silva Monteiro, um negociante e capitalista, dono de uma fábrica de moagem.
A partir de 1901, aparece como proprietário José Joaquim Gouveia, armador de navios bacalhoeiros e dono de uma seca de bacalhau.
Aí, viveu durante anos a família Gouveia, num palacete pegado à antiga brévia.




17.18 Igreja de S. Martinho de Lordelo do Ouro


“Situada na Rua das Condominhas, a construção da igreja foi iniciada em 1764, sobre uma capela mais pequena. A igreja, que esteve integrada no Padroado Real, só ficou completa em 1867, com a construção da torre sineira. As obras foram atrasadas compreensivelmente, quer pelas Invasões Francesas, quer pelo drama do Cerco do Porto.
O orago, São Martinho, está presente num nicho por cima da porta principal. Em 1888, a frontaria e as torres sineiras foram cobertas de azulejos, obra da já desaparecida Fábrica de Cerâmica de Massarelos. O corpo da igreja só viria a ser igualmente revestido em 1949, tendo sido ainda remodelado em 1982”.
Fonte: pt.wikipedia.org



"Por aquele tempo, Lordelo do Ouro fazia parte do extinto concelho de Bouças (Matosinhos) e ficava "no campo, longe da cidade", como consta de um documento papal… Nas Memórias paroquiais de 1758, vem a talhe de foice lembrar a existência de uma confraria que nelas vem referenciada e que ainda funciona: a Confraria do Santíssimo Sacramento do Senhor do Bonfim e Almas.
Falar do Senhor do Bonfim traz-nos imediatamente à ideia a confraria com aquela designação que funciona junto da igreja paroquial do Bonfim.
Pelos vistos, existe outra, também no Porto, na igreja de S. Martinho de Lordelo do Ouro.
E a razão de ser de ambas deve ser a mesma, julga o cronista: a da paróquia do Bonfim designa-se Senhor do Bom Fim e da Boa Morte; a da paróquia de Lordelo do Ouro Senhor do Bom Fim e das Almas.… Esclareça-se que a igreja de Lordelo do Ouro, ao tempo em que foram redigidas aquelas "Memórias", era da Comenda de Ordem de Cristo e do Padroado Real sendo a apresentação do pároco da responsabilidade do rei”.
Com a devida vénia a Germano Silva


Entretanto, em 20 de Junho de 1869, o Governador Civil dá como extinta a Confraria do Senhor do Bonfim e Almas, na Igreja de Lordelo do Ouro, por já não ter irmãos que tomassem conta da sua administração.
Aquando do aparecimento por estas bandas dos frades “Mínimos” estas terras pertenciam a Bouças, ficando bem longe da cidade!
Em 1745, Frutuoso de Faria, emigrado no Brasil fez testamento de uma fortuna considerável à Confraria do Santíssimo Sacramento, da paróquia de Lordelo, que deu origem a uma disputa que envolveu a Colegiada de Cedofeita e que a seguir nos é narrada por Germano Silva.


“Frutuoso de Faria, natural da paróquia de Lordelo do Ouro, morreu em 10 de Junho de 1745, no Rio de Janeiro, para onde emigrara muito novo e onde juntou enorme fortuna. Pouco antes de morrer fez testamento e legou a avultada soma de 45 mil cruzados à Confraria do Santíssimo Sacramento, da paróquia da sua terra natal, para serem aplicados na instituição de "hum coro no quoal rezassem quotidianamente oito Capellains com a porção de quarenta mil reis cada hum anno, ao Pároco como prezidente sessenta mil reis e a Confraria do Santíssimo Sacramento, como administradora oitenta mil reis…"
As capelanias foram instituídas, é verdade, em obediência às disposições testamentárias mas, por razões que o cronista não conhece, o bispo de então, que era o faustoso D. Frei José Maria da Fonseca e Évora, solicitou do Papa Bento XIV a transferência das capelanias para a Insigne (era assim que se denominava) Colegiada de S. Martinho de Cedofeita.
Bento XIV atendeu ao pedido do prelado portuense e no documento que publicou, o Papa, entre outras explicações que dá, para tentar justificar a transferência apresenta a de "… Lordelo do Ouro ficar no campo, longe da cidade…"
Esta transferência do legado de Frutuoso Faria da igreja de S. Martinho de Lordelo do Ouro para a Colegiada de S. Martinho de Cedofeita, deu origem a uma contenda judicial que ainda não estava resolvida treze anos depois.
Com efeito, nas Memórias Paroquiais de 1758, alude-se ao acontecimento com a informação de que "… sobre o Legado se litiga ordinariamente por se não cumprir com a vontade do Testador usurpandosse desta sorte a esta Igreja q. he de Sua Magestada Fidelíssima…."
Esclareça-se que a igreja de Lordelo do Ouro, ao tempo em que foram redigidas aquelas "Memórias", era da Comenda de Ordem de Cristo e do Padroado Real sendo a apresentação do pároco da responsabilidade do rei.
A título de curiosidade informa-se que na igreja paroquial de Lordelo do Ouro existe um retrato pintado a óleo de Frutuoso de Faria”.




Igreja de S. Martinho de Lordelo do Ouro






A Igreja de S. José das Taipas, situada na confluência da actual Rua Doutor Barbosa de Castro (Antiga Rua do Calvário) e o Campo Mártires da Pátria, começou a ser construída em 1795 e substituiu uma outra, muito mais modesta, com entrada pela Rua das Taipas, mandada erigir em 1666, no cimo da Rua do Calvário, pela família dos Pachecos.
Esta Capela ficava situada intramuros, por isso, virada para a Rua das Taipas ocupando uma área adjacente à fachada lateral, a Sul da actual igreja.
A Venerável Irmandade de S. José das Taipas tinha sido fundada em 1633, tendo-se unificado, em 1780, com a Irmandade de S. Nicolau de Tolentino das Almas (sedeada na capela de S. João Novo desde a sua fundação, em 1634), à qual pertenciam os negociantes de bacalhau e, posteriormente, com a Irmandade de Nossa Senhora da Consolação, que funcionava junto do Convento de Nossa Senhora da Consolação ou convento de Santo Elói e que, de lá tinha sido desalojada, em virtude do derrube da muralha fernandina, fruto do arranjo urbanístico na área envolvente.
Há documentos nos arquivos da igreja que provam que as três irmandades já estavam juntas no fim do século XVIII, mais propriamente em 1788.




Imagem de Nossa Senhora da Consolação



A imagem da foto acima, hoje numa antiga sacristia da igreja, teria acompanhado a confraria oriunda de Santo Elói.
Tendo como sede, inicialmente, uma das casas situada na Rua das Taipas, em 1666, dá-se a mudança da Irmandade de S. José das Taipas para a Capela das Taipas, rebaptizada de Capela das Almas de S. José das Taipas.
Esta capela estaria implantada onde é hoje um pátio interior, adjacente a uma sacristia (a mais antiga) da actual igreja e teria entrada pela Rua das Taipas.
Dela, não resta nenhum elemento de construção, à excepção, de uma pedra inserida numa das paredes do pátio referido.




Pedra que teria pertencido à capela primitiva da Rua das Taipas com data da construção da mesma – Ed. Graça Correia




Ainda em 1755, D. João da Silva ordenara a transferência, para a referida capela, de todas as imagens da Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Vitória, muito degradada, tendo-se tornado paróquia enquanto decorriam as obras de conservação e restauro desta.
A Irmandade de S. José das Taipas foi responsável, desde 1810, pelas esmolas e o zelo do memorial das Alminhas da Ponte, situada na marginal da Ribeira, até o Bispo do Porto, entregar o mesmo propósito à Paróquia de S. Nicolau, já nos nossos dias.
De notar que face às enormes somas envolvidas, respeitantes a importantes donativos, surgiu há muitos anos uma contenda entre a Confraria de S. José das Taipas e a confraria da Capela das Almas, sita na Rua de Santa Catarina que ambicionava administrar esses donativos, conflito que só seria resolvido pelo Bispo do Porto a favor da primeira. 
Durante muitos anos realizou-se também, a propósito das Alminhas da Ponte, uma procissão que saindo desta capela retornava passando pela Ribeira, onde em cerimónia presidida pelo bispo, era costume ele paramentar-se na Capela da Lada ou Capela do Senhor Crucificado.
Esta capela comemora a inauguração por S. Francisco Borja em 10/8/1560 da primeira comunidade Jesuíta no Porto, bem perto do local onde está implantada.
A capela da Lada esteve inicialmente dentro das muralhas e, só para aqui veio, quando foram feitas obras para a construção da ponte Luís I.
Inicialmente dentro da muralha, no sopé da escarpa dos guindais, junto das Escadas do Codeçal, a capela tinha a frontaria virada para poente, para o desaparecido postigo da Areia, tendo sido edificada em 1734.
Era início de uma via-sacra que indo pela marginal do rio Douro, acabava junto da fonte do Carvalhinho, junto da qual existia uma outra capela – A Capela do Senhor do Carvalhinho.
Em 1887, por causa da abertura da estrada de acesso à ponte Luiz I, teve que ser demolida, tendo começado a sua reconstrução, em 1888, no local que hoje ocupa, não muito longe do local primitivo.

“Celebrou-se ontem a cerimónia do assentamento da primeira pedra para a nova capela da Lada, que vai construir-se a expensas da Confraria do Senhor Jesus da Ascenção e Boa-Morte.
A antiga capela foi demolida em 1887 por causa da avenida do tabuleiro inferior da ponte D. Luiz I. Tinha sido edificada em 1734.”
“O Primeiro de Janeiro”, 6 de Dezembro de 1888 – 5ª Feira




Capela da Lada na Ribeira




A Igreja de S. José das Taipas, de arquitectura neo-clássica, é obra de Carlos Amarante, arquitecto e engenheiro militar do neoclassicismo, autor de vasta obra no Norte de Portugal.
Para a sua edificação tornou-se necessário o derrube de um troço da muralha fernandina.
É caracterizada por ser consagrada a S. José, particularidade única na Diocese do Porto, e por ter uma só torre sineira, embora, tudo indique, que algures no tempo, poderia ter sido previsto ostentar duas.




Pela foto se vê, pela presença dos cachorros que, em tempos, estaria preparado o levantamento, a Sul, da 2ª torre sineira (que não se concretizou) da Igreja de S. José das Taipas – Ed. Graça Correia




Da autoria de Carlos Amarante, salientam-se os conhecidos monumentos do Bom Jesus, Igreja do Pópulo e Igreja do Hospital de S. Marcos, localizadas em Braga; a Ponte de São Gonçalo sobre o Rio Tâmega, em Amarante; Ponte das Barcas, no Porto; Reitoria da Universidade do Porto; igreja da Trindade, no Porto; Palácio da Brejoeira, em Monção.
Começada a construir em 1795, a Igreja de S. José das Taipas foi benzida, em 1818, pelo bispo D. João Magalhães e consagrada em 1822, quando só estaria concluída 1878.
Quando foi consagrada, em 1822, ainda só tinha sido edificado praticamente o seu solo. Tal ficou a dever-se pela necessidade de santificar o chão onde estavam sepultados os corpos dos que pereceram no desastre da Ponte das Barcas e que para aqui tinham vindo em 1809 por deliberação dos portuenses, dada a inexistência de locais para atender aos sepultamentos de tantos milhares de mortos.
Por esta razão, os taburnos (sepulturas) interiores da igreja, não contêm restos mortais de particulares.




Gravura de 1885 sobre o desastre da Ponte das Barcas 




No  mini-museu da igreja, é possível observar várias pinturas de diferentes épocas ligadas à arte sacra, um presépio da escola de Machado de Castro e um cruzeiro pintado denominado “Cruzeiro dos Peixeiros” que foi removido para a igreja de S. José das Taipas, em 1 de Junho de 1869, quando foi dada ordem municipal para a sua remoção.
Este cruzeiro encontrava-se fronteiro ao edifício que foi os Celeiros da Cidade, à Cordoaria, no local que hoje é o Palácio da Justiça e, depois, alojou os quartéis militares dos terços destinados à guarnição da cidade.




Cruzeiro dos Peixeiros – Ed. Graça Correia



“Os devotos que tinham pedido e obtiveram a remoção do cruzeiro que se achava próximo do mercado do Peixe, denominado Senhor da Saúde, acabam de lhe construir um altar na igreja de S. José das Taipas, para onde o referido Cruzeiro fora mudado.
O altar fica num corredor que dá acesso para a sacristia, a esquerda da entrada da igreja. Deve ser benzido na próxima segunda-feira, dia 19 de Julho.”
In jornal “O Comércio do Porto”, 16 de julho de 1869 – 6ª Feira




Documento que narra a recolha do Cruzeiro dos Peixeiros na Igreja de S. José das Taipas - Cortesia de João Pedro Cunha




Presépio da Igreja de S. José das Taipas – Ed. JPortojo




O presépio acima observado tem a particularidade de exibir 4 magos, sendo o mago extra representado na figura de um índio segurando um lama, fazendo alusão ao último continente descoberto e então já conhecido – o continente Americano.




Painel representando o desastre da Ponte das Barcas exposto numa parede da igreja – Ed. JPortojo




A cena do painel acima exibida num altar do lado da Epístola, com uma assinatura de “A. Cunha” e ostentando a data de 1845, é uma pintura sobre cobre, baseada numa outra que, originalmente, esteve colocada no memorial das “Alminhas da Ponte” e que, por acção dos elementos atmosféricos se degradou. A partir de 1897, o desastre seria aludido por um baixo-relevo, em bronze, protegido por um alpendre em ferro, assente em duas consolas, da autoria do escultor Teixeira Lopes (pai).




Alminhas da Ponte, na Ribeira – Fonte: DGPC



No entanto, entre os dois painéis mencionados, parece ter existido um outro painel, de acordo com a notícia que se segue.


 

In jornal “A República” de 16 de Janeiro de 1891, pág 2



Em 1910, devido aos acontecimentos ocorridos após a implantação da República, a igreja, a exemplo de muitas outras, encerrou.
Em 1975 (em pleno período revolucionário), por exigência do povo, o bispo do Porto faria a transferência da gestão dos donativos respeitantes ao memorial da Ribeira, para a Igreja de S. Nicolau, deixando a Opus Dei (prelazia pessoal da igreja católica) de o fazer, já que, esta organização vinha ocupando a Igreja de S. José das Taipas durante várias décadas do século XX.
A Opus Dei abandonaria a igreja de S. José das Taipas, em sequência.



“Responsável pelas esmolas e o zelo do memorial das Alminhas da Ponte, situada na marginal da Ribeira, até o Bispo do Porto, entregar o mesmo propósito à Paróquia de S. Nicolau.”
Fonte: “centrohistorico.cm-porto.pt”



Entretanto, no início dos anos 80, a Opus Dei viria, face a novas directivas do Vaticano, a obter o estatuto que presentemente ostenta.
Nos dias de hoje, dada a oferta da Paróquia da Vitória, a igreja não faz celebrações de missas católicas emprestando os seus espaços para celebrações do culto ortodoxo.
Em 1909 a Irmandade realizou a última romagem (considerada a maior do Porto) em memória das almas perecidas no dia 29 de Março de 1809.
Presentemente, na igreja de S. José das Taipas a 29 de Março de todos os anos, se evocam, em cerimónia, as almas dos que pereceram no desastre da Ponte das Barcas.
A partir de 1996, foram feitas na igreja grandes obras de restauro e limpeza, bem como em 2018, com limpezas efectuadas à fachada e arranjos da cobertura.
É imóvel de interesse público desde 1982.




Aro em ferro cravado de cada lado da entrada serve como rapa-pés – Ed. JPortojo




Igreja de S. José das Taipas em 1950




Igreja de S. José das Taipas






“A Igreja de São Miguel de Nevogilde localiza-se na freguesia de Nevogilde tendo sido erguida no século XVIII, remontando a sua construção aos anos de 1729 a 1737, embora a data para a conclusão da capela-mor e sacristia seja mais adiantada - 1750 - e a torre tenha ficado pronta apenas em 1881.
Nessa época, Nevogilde era um local com poucos habitantes (ligados essencialmente ao trabalho agrícola), que só no final do século XIX foi integrado no concelho do Porto.
Foi classificado como monumento de interesse público (MIP) pelo IGESPAR em 16 de Setembro de 2010.
De cariz barroco, destaca-se a decoração da fachada que, apesar de simples, expressa nitidamente a exuberância do barroco joanino. De pequenas dimensões, apresenta apenas uma nave e uma capela-mor.
No mesmo local deveria ter existido um outro templo, do qual nada se sabe, embora se suponha ter sido românico. Da mesma forma, desconhece-se o autor da planta da "nova" igreja de Nevogilde, ainda que se atribua a Domingos da Costa, que aí trabalhou como mestre pedreiro. Note-se que este participou na construção da igreja de São Pedro de Miragaia, de Santa Marinha (Vila Nova de Gaia), reforma da igreja da Misericórdia, enfermaria e torre da igreja dos Clérigos, igreja e sacristia de Nossa Senhora da Esperança, abóbada da igreja de Santa Cruz do Bispo, e igreja matriz de Póvoa de Varzim; a maior parte das quais ligadas à figura de Nicolau Nasoni, com quem poderia ter aprendido. 
Em 1750 foi assinado o contrato com Manuel da Costa Andrade para a realização do retábulo da capela-mor, em estilo joanino. Os retábulos colaterais, que apresentam tipologia semelhante, são igualmente atribuídos a este mestre entalhador. No interior, sobressaem ainda os púlpitos, sem dossel mas com portas revestidas por talha. 
No exterior é ladeada por pilastras alinhadas segundo as torres sineiras, e ao centro rasga-se o portal, encimado por óculo envolvido por volutas. No registo superior, e sobre o entablamento, erguem-se as torres sineiras. Ao centro, um frontão duplo fecha a composição. Note-se que todos os elementos de remate (torres sineiras, frontão superior e frontão sobre o portal) se desenvolvem em linhas sinuosas e terminam em forma de folhas. 
Uma última referência para uma série de elementos que não pertenciam à igreja de Nevogilde, mas que foram integrados posteriormente. É o caso das colunas que suportam o coro, os anjos atlantes da trave do referido coro, o arcanjo e sanefa sobre as portas e janelas do baptistério e corpo da igreja entre outros.
Destaque ainda para as sanefas rocaille, introduzidas aquando da reforma da capela-mor, em 1934-1935”. 
Fonte: Rosário Carvalho In site: “patrimoniocultural”




Igreja de são Miguel de Nevogilde – In site : “patrimoniocultural”






Completamente abandonada, desprezada e pilhada, durante muitos anos, a Capela do Senhor d´Além, construída em 1877, está situada na Rua de Cabo Simão junto ao sopé da escarpa da Serra do Pilar em Vila Nova de Gaia.
Merecera, em tempos, destaque, a talha dourada de grande ornamentação no altar.
Esta capela, construída pelos cónegos regrantes de S. Agostinho, é a sucessora duma outra, mais modesta, por eles construída poucos anos antes.
Em tempos, o bispo do Porto D. Pedro Rabaldio mandou erigir, no ano de 1140, no sítio em que hoje está o edifício do mosteiro da serra do Pilar, um convento de monjas e capela de invocação a São Nicolau.
Diz a lenda que, alguns poucos anos depois, uns pescadores que andavam na pesca do sável ao recolherem as redes depararam-se com uma cruz com um Cristo.
O salvado foi limpo e começou a ser venerado na capela de S. Nicolau.
Muito mais tarde, tendo as monjas abandonado aquelas instalações, foi ordenado (à data na Sé estava o bispo Diogo Sousa) que as imagens de São Nicolau, de São Bartolomeu e do Senhor Crucificado, que estavam na igreja do extinto convento das Donas Pregaretas de S. Nicolau, fossem recolhidas à capela do Senhor de Além, já reformada e ornamentada, para tal fim, pelos monges de Grijó, em umas penedias mais próximas do rio, em cerimónia que se realizou no dia 24 de Agosto de 1500, depois das mesmas imagens serem conduzidas, em procissão, em barcos pelo rio Douro.
Anos mais tarde, em 1539, os monges de Grijó conseguiram mandar construir o actual convento da serra do Pilar com a bênção do bispo do Porto, D. Baltasar Limpo (nomeado em 1537 e arcebispo de Braga em 1550) e, ainda, a actual capela do Senhor d’Além, para o que procederam à demolição da primitiva.
O Senhor d’Além passou, então, a ser muito venerado, principalmente, pelos comerciantes e, também, pelo povo.
Em ocasiões de tragédias, a imagem do Senhor d’Além ia em procissão até à Sé, mas, numa delas, durante a ocorrência de uma grande seca e os crentes imploravam que chovesse, os cónegos impediram que a imagem retornasse à capela e, por lá, ficou até aos nossos dias.
Em 5 de Março de 1739, junto à capela do Senhor de Além, cinco frades Carmelitas Calçados, fundaram um hospício que funcionou até 1832.
A capela seria remodelada em 1877, já depois do hospício ter sido encerrado, pois, após 1834 foi vendido, e nele chegou a funcionar uma fábrica de louça.
Foi nesta fábrica, que ficou conhecida por Fábrica de Cerâmica do Senhor d’Além, que foi feita a azulejaria que forra a capela dos Terceiros do Carmo, cujos motivos foram pintados por Carlos Branco e desenhada por Silvestre Silvestri e produzida em 1912.
Durante muitos anos, se realizou em volta da capela do Senhor d’Além, grandes romarias. A última teve lugar em 1997.
A imagem do senhor d’Além está, agora, na Casa do Cabido na Sé.
 
 
 

Senhor d’Além na Sé, actualmente




Capela do Senhor D’Além em V. N. de Gaia




“A actual capela, que mantém o culto, foi edificada, no lugar da antiga, em 1877. Tem benfeitores muito fervorosos. A festa em honra do Senhor de Além realiza-se, sempre, no domingo seguinte em que se celebra a festividade à Senhora do Pilar, no penúltimo domingo de Agosto."
Resenha histórica de CALE Vila de Portugal e Castelo de Gaia, In  monumentosdesaparecidos.blogspot




Capela do Senhor d’Além – Ed. pt.slideshare.net




Junto da capela situava-se em tempos idos a praia do Senhor d’Além e para montante dela, as famosas praias fluviais do “Borras” e do “Aurélio”, já desaparecidas, pela nova configuração do leito e das margens do rio. 
Em 6 de Julho de 1919 ocorreria na praia do Aurélio um desastre quando cerca de 100 pessoas caíram ao rio, enquanto assistiam a uma exibição de “water-polo”, promovida pelo Comité Pró-Natação. Apesar do pânico, e quase por milagre, apenas perderia a vida, um jovem empregado da companhia de seguros Aliança Madeirense. Naqueles tempos era usual naquela praia, acontecerem jogos daquela modalidade desportiva, que estava muito em moda, desde que em 30 de Agosto de 1916, tinha sido apresentada na cidade, por iniciativa do Sport Club do Porto, com a vitória lógica do Club Naval de Lisboa.








Capela na Avenida de Montevideu




Capela de Nossa Senhora de Lurdes no início do século XX - Ed. “A Nossa Foz do Douro”



Na Avenida de Montevideu, perto da Rua do Molhe, nas fotos acima, realça-se a Capela de Nossa Senhora de Lurdes que pertenceu à família Lima Barreto e esteve, em tempos, aberta ao culto com duas missas dominicais e, uma em cada dia da semana, bem como, outras devoções. Sabe-se que, em 1923, era ali capelão o Reitor Cornélio Honório da Graça e Silva.
Encontra-se, presentemente, fechada, desconhecendo-se a data da sua construção, embora se saiba que, em 1891, já estava edificada, como é destacado numa planta existente no AHMP com o título: “Planta do Bairro de Carreiros pertencente ao Concelho de Bouças”.
 
 
 

Destaque da capela de Nossa Senhora de Lurdes na “Planta do Bairro de Carreiros pertencente ao Concelho de Bouças”




17.23 Igreja de Nossa Senhora de Fátima





Igreja de Nossa Senhora de Fátima – Ed. “fatima.pt”




A Igreja de Nossa Senhora de Fátima, concluída em 1933, foi inaugurada, solenemente, pelo bispo do Porto, em 11 de Fevereiro de 1936, na Rua das Valas (Rua Nossa Senhora de Fátima, a partir de 1942), constituindo, o primeiro projecto da arquitectura moderna religiosa em Portugal. 
O projecto da Igreja de Nossa Senhora de Fátima é da "Oficina ARS - Arquitectos" na qual trabalhava então, um grupo de arquitectos, pintores e escultores, pioneiros do movimento moderno no Porto. Dirigiu a obra o Arq. Mário de Morais Soares, coadjuvado pelos seus colegas Fortunato Cabral e Cunha Leão; autor dos vitrais foi o Pintor Adalberto Sampaio. 
A ligação da família Morais Soares à arquitectura, tem início com Mário Cândido de Morais Soares, formado, em 1933, no curso de arquitectura da Escola Superior de Belas Artes do Porto.
Conjuntamente com dois colegas de curso, fundam a ARS – Arquitectos, atelier precursor do Modernismo Português, com obras como o mercado do Bom Sucesso, o Mercado de Matosinhos, o  Palácio Atlântico e Praça D. João I, a Fábrica Oliva, entre outros. Após a dissolução da ARS – Arquitectos, em 1954, Mário Morais Soares exerce actividade como arquitecto independente.




Local de implantação da igreja (A) na planta de Teles Ferreira de 1892

Legenda:
1 Rua de Serpa Pinto
2 Rua 9 de Julho
3 Rua Oliveira Monteiro
4 Rua das Valas
5 Rua de Cedofeita