Chamou-se Carolina Augusta Xavier de Novaes (1835-1904) e
nasceu no Porto, em 20 de Fevereiro de 1835.
Era filha de António Luís de Novaes, um ourives e negociante
de joias, sem marca registada, estabelecido na Rua de Santa Catarina e de D.
Custódia Emília Xavier.
No registo de nascimento de Carolina, a sua mãe é referida
como dona, referência dada apenas aos nobres ou a quem vivia à lei da nobreza.
A amiga de sempre de Carolina, com quem gozava os prazeres
da leitura e da poesia, foi Antónia Moutinho de Sousa, filha de um ourives do
Porto, com marca registada e irmã de António Moutinho de Sousa (1834-1899),
editor literário e escritor, nascido no Porto,
A amizade das duas jovens adviria, talvez, da proximidade
entre os seus pais, profissionais do mesmo ofício ou do convívio originado na
amizade entre seus irmãos Faustino e António.
Na realidade, o gosto pela poesia decorria, por certo, de
Carolina ser irmã do poeta Faustino Xavier de Novaes (Porto, Rua de Santa
Catarina, 19 de Fevereiro de 1820 – Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 1869), um
amigo de Camilo Castelo Branco, ambos fazendo parte da “Corja do Guichard”, o
famoso café, à época, situado junto à igreja dos Congregados, na Praça Nova.
Faustino, Camilo e outros escritores e poetas costumavam
frequentar os “abadessados”, festas que eram levadas a cabo nos mosteiros e
conventos femininos na cidade e, durante os quais, os poetas recitavam as sua
obras e faziam versos repentistas.
De Faustino Xavier de Novaes, havia quem o comparasse, pelo
versejar de improviso, a Nicolau Tolentino.
Por sua vez, António Moutinho, irmão mais velho de Antónia,
era amigo de Faustino, tendo-lhe editado três livros de poesia, o primeiro dos
quais, em 1851 e, o seu único filho varão, Júlio Moutinho, teve como padrinho,
Faustino.
A vida social das duas jovens não se deve ter afastado muito
das jovens burguesas de então.
Entretanto, Carolina vai estar presente no primeiro
casamento de Antónia e do qual não houve descendência e vai ver o negócio de
seu pai começar a enfrentar sérias dificuldades.
No total, Carolina tinha cinco irmãos: Faustino, Miguel,
Henrique, Adelaide e Emília.
Os irmãos vão abandonando o lar paterno.
Faustino, já casado, desde Julho de 1855, parte para o
Brasil, em 1858, no paquete “Tamar”, enviando
regularmente ao pai trinta mil réis.
Em terras brasileiras, este casamento não dura muito e o
casal separa-se, em 1860.
Tal como em Portugal, Faustino exerceu a sua actividade profissional colaborando em vários periódicos fluminenses: Jornal do Comércio, Correio Mercantil, Diário do Rio de Janeiro, A Marmota, Revista Popular e, ainda, teve oportunidade de lançar, em 1862, um periódico literário, como um empreendimento empresarial intitulado “O Futuro”.
Os pais de Carolina morrem e ela, solteira, em 26 de Maio de
1868, vai embarcar para o Brasil para cuidar de Faustino.
Acompanha-a na viagem, a bordo do vapor “Estrémadure”, o músico e compositor portuense, Artur Napoleão
(1843-1925), a viver no Brasil desde 1866, amigo de Faustino e que tinha estado
de visita à sua terra.
Conhecido desde de criança como o “Menino-prodígio”, pelos
dotes extraordinários que apresentava como músico, por vezes, nas suas
actuações ao piano, tinha a companhia de Faustino, à flauta.
Havia, até, quem dissesse, que Faustino era melhor flautista
que poeta.
E, dado que, o escritor Machado de Assis (1839-1908) era
amigo de Faustino, Carolina vai conhecê-lo e encontrar o seu companheiro para a
vida.
Carolina teria embarcado para o Brasil, no cais da Ribeira,
pois, à data, ainda não estava construído o Porto de Leixões - Foto c. 1870
Carolina, segundo opinião da escritora brasileira Francisca
Basto Cordeiro (1875–1969), amiga de Machado de Assis, sendo alta e magra, não
era bonita, não ria nunca e raramente sorria.
Dela, embora tenha vivido numa época em que a fotografia não
era geralmente acessível, existem muitas fotos, pois, um dos seus irmãos era
Miguel Joaquim Xavier de Novaes (Porto, 1829-Rio de Janeiro, 1904), um dos
primeiros fotógrafos a montar um estúdio de fotografia no Porto.
Assim, Miguel Novaes estabelecer-se-ia em 1854, na Rua do
Bonjardim, nº 86, dedicando-se, principalmente, à retratística, pelo método de
daguerreotipo, ocupando ainda estabelecimentos, na Rua do Bonjardim, n.º 233 e,
depois, no n.º 586.
Em 1868, também Miguel Novaes parte para o Brasil, onde
abriu um atelier fotográfico, na Rua da Quitanda, no Rio de Janeiro.
Faustino sobrevive, apenas, um ano e pouco, após a chegada
de Carolina, vivendo com ela numa morada, às Laranjeiras, perto do palacete do 1.º
conde de S. Mamede, Rodrigo Pereira Felício (1821-1872), que o ajudava, por
vezes, financeiramente.
Rodrigo Pereira Felício ficou, por cá, conhecido por ter
dado 12 contos de réis (à data, uma grossa maquia) para a construção da igreja
de S. Mamede de Infesta, que é hoje a sua matriz.
Este sobreviveu apenas três anos a Faustino. A sua viúva,
Joana Maria Ferreira Felício, em 1876, casaria com Miguel Novaes, o fotógrafo,
irmão de Carolina.
Aliás, Miguel Novaes haveria de casar em segundas núpcias
com Rosa Augusta Paiva Gomes.
Carolina vai acabar por casar, em 12 de Novembro de 1869,
com Machado de Assis, apesar da existência de algumas vozes discordantes,
devido à tez mulata de Assis e viver esse casamento durante 35 anos.
Do enlace não houve descendência. Dizia-se que Machado de
Assis não quis transmitir a sua epilepsia.
Carolina continuou a contactar Antónia por cartas,
enviava-lhe muitas fotografias, mas nunca chegou a conhecer as filhas do seu
segundo casamento.
Casa, na Rua do Cosme Velho, n.º 18, no Rio de Janeiro, onde
viveu Machado de Assis (chamado, por isso o “Bruxo do Cosme Velho”) de 1883 até
sua morte em 1908, e Carolina, nos seus últimos vinte anos de vida
Após o falecimento de Carolina, Machado de Assis dedicaria à
sua memória um poema que ficou célebre.
Todos os elementos da família Xavier de Novaes que, em
determinado momento, demandaram terras brasileiras, fazem parte de um grupo de
portuenses, que pela sua intervenção na sociedade, muitos deles, ficaram em memória
ligados para sempre àquele país.
É o caso de Artur Napoleão, que teve um enorme sucesso e
ficou para a posteridade.








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