segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

25.28 O Quiosque do Sebastião


Na Praça D. Pedro, actual Praça da Liberdade e antigamente a Praça Nova, existiu, até à entrada da década de 30 do século XX, um quiosque que convivia bem de perto com a estátua do rei-soldado.

Em primeiro plano o Quiosque do Sebastião


Quem explorava o quiosque era o Sebastião, conhecido como o Correligionário, pois fosse de que partido político fosse o freguês que lhe comprava o jornal, ele cumprimentava-o da seguinte forma: Então como passa o correligionário?
Diga-se em abono da verdade que o quiosque não era propriedade do Sebastião que, de facto, o tinha arrendado à Câmara.
Naquele espaço o Sebastião fazia o comércio de jornais, tabacos, lotarias, postais ilustrados e outras bugigangas e tinha como clientes os lojistas do sítio, os jornalistas que trabalhavam na redacção dos jornais, por ali instalados, os frequentadores dos cafés e restaurantes próximos e outros passantes.
Um dos jornais que se destacavam naqueles tempos, ficava bem próximo e em frente, no palacete das Cardosas, num primeiro andar, mesmo por cima do arco da entrada para o espaço da anterior cerca do antigo convento. Era o Diário da Tarde.
Bem junto, no mesmo edifício, tinha existência a “Laporte” que comercializava artigos para a caça e onde esteve em exposição, em 1894, uma bicicleta fabricada na oficina de Figueiredo Júnior, à Rua do Campo Pequeno (já desaparecida e ficava para as bandas, do que é hoje, o Largo da Maternidade Júlio Dinis).
A Nascente da praça pontificava o Café Central, hoje o MacDonalds e os restaurantes “Porto Clube” e  “O Camanho”.
A Poente, ficava “A Flora Portuense” onde Aurélio da Paz dos Reis tinha a sua casa de venda de sementes, flores e outros artigos similiares e, ainda, algo que estivesse ligado à sua grande paixão - a fotografia e o cinema.
Ao lado a Cervejaria Sá Reis que duraria até 2017 com as portas abertas.


Sebastião Vieira de Magalhães no seu quiosque


Vista para a Praça da Liberdade no início do século XX – Fonte: “Porto – Os Recantos do Passado” de Germano Silva, Porto Editora


Na foto acima é visível, à esquerda, na Praça da Liberdade, o quiosque do Sebastião, nessa época e fruto de intervenções urbanísticas, situado isoladamente numa placa da dita praça.
Sobre a revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891 o Sebastião conhecia todos os pormenores. Aliás, a Polícia Municipal assentou baterias junto ao seu quiosque para metralhar os revoltosos entrincheirados na Câmara.
Sobre o Sebastião Vieira de Magalhães conta-nos o comediante Arnaldo Leite a seguinte história:






O Sebastião na sua pileca – caricatura de Manuel Monterroso



O Pirolito, semanário humorístico de Arnaldo Leite e Carvalho Barbosa, caricaturava em 7 de Março de 1931, a propósito da demolição do célebre Quiosque do Sebastião (Sebastião Vieira de Magalhães usava o típico barrete judaico e barba e faleceu nos anos 20 do século passado).





Àcerca do famigerado quiosque dizia Alberto Pimentel: “…ali está e há de estar, através dos tempos, o quiosque de ferro que resistiu à revolução de Janeiro”.
Esta profecia teve termo em 1927 quando a Câmara em virtude de um arranjo urbanístico o demoliu.

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