sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

(Continuação 30) - Actualização em 07/05/2018


O Colégio Podesta em 1851 estava na Rua dos Fogueteiros, e de 1853 a 1857, funcionou no palacete da Baronesa da Regaleira, também conhecido por Palácio de S. Bento da Vitória, na rua do mesmo nome.
Recebia alunas internas e externas e semi-pensionistas, e sobre ele dizia o anúncio inserido no “Periódico dos Pobres”:

“Collegio Francês Para Meninas (Madame Podesta), Rua dos Fogueteiros nº 44.
«Análogo em tudo aos estabelecimentos deste género em francez», ensina-se «em geral todas as disciplinas e prendas próprias d´uma educação elegante»”.

Do programa dos cursos ministrados no ano de 1857, constava o Francês, Inglês, Português e Italiano, Estilo epistolar, Música (Piano, Canto e Harpa, Professor J. Carli), Dança, Desenho (Professor Abdon Ribeiro de Figueiredo) e Obras de agulha: rendas, meias, bordar (a ouro, etc).
O Professor Abdon Ribeiro de Figueiredo era formado pela Academia Portuense de Belas-Artes (A. P. B. A.), litógrafo, retratista, e Mestre.
Nos úl­timos anos do século XIX, o colégio funcionou num prédio da Rua da Firmeza que per­tencia, na altura, à muito conhecida famí­lia Moreda, cujo patriarca, possuía um arma­zém de vinhos e aguardentes num pe­queno largo da desaparecida Rua do La­ranjal, junto a uma fonte onde iam beber os cavalos da alquilaria do José Galiza, que ficava ali perto.
No términos da Rua Firmeza com a Rua de Santos Pousada, a família Moreda haveria de deixar o seu nome ligado ao topónimo actual do “Jardim da Moreda”,  naquele mesmo local.
O Colégio Podesta, foi frequentado por jovens que mais tarde vi­riam a tomar-se figuras que se distingui­riam na sociedade daquele tempo, nas artes e nas letras.

“O colégio Podesta tomou o nome da sua funda­dora, mademoiselle Podesta, vindo a ser dirigido, posteriormente, por D. Margari­da de Vasconcelos.
Acabou ainda no século XIX, quando a "belle-époque" atingia o seu auge. Notabilizou-se pelo alto nível do en­sino que ministrou a gerações de "jeunes demoiselles" ou "young ladies" - como constava da tabuleta aposta na frontaria do prédio onde funcionava o colégio”. 
Fonte: Germano Silva


Colégio de Miss Hennessey ou Colégio das Inglesinhas


Em 1854 este colégio para meninas, funcionava na Rua da Torrinha nº 126.
Em 1857 estando ainda naquela morada, o programa escolar compreendia o Inglês, Aritmética, Geografia, Instrução religiosa, Música, Dança, Desenho (professor Thadeu Maria Almeida Furtado da Academia Portuense de Belas-Artes), Bordados (Miss O´ Callaghan), Costura (Miss Meaghez).
O colégio depois de passar pela Picaria iria para o Largo do Mirante entre 1873 e 1911.
O Colégio de Miss Hennessey ou Colégio das Inglesinhas, acabou por ser doado à Congregação do Sagrado Coração de Maria, acabando como “Colégio Inglês do Sagrado Coração de Maria”.



O Colégio Santa Maria e o Colégio Almeida Garrett



Entrada do antigo Colégio Garrett – Ed. MAC


Pinho Leal afirma que aqui, no Largo do Coronel Pacheco (antigo Largo do Mirante), esteve instalado o Liceu Particular: “Ensinam se todas as disciplinas que constituem o curso dos lyceus, para o que tem professores portuguezes e estrangeiros, competentemente habilitados”. 
Em 1894 instalou-se o Colégio do Sagrado Coração de Maria, conhecido como Collegio de Santa Maria.


Planta de Telles Ferreira de 1892

Na planta acima o nº 1 indica o local de instalação do Colégio de Santa Maria e, com o nº 2, o local que acabaria por ser o Departamento de Engenharia de Minas da Faculdade de Engenharia, depois ter recebido por três décadas o Liceu Carolina Micahëlis.


O Collegio de Santa Maria em 1908 – Fonte: AHMP.


Anúncio ao Colégio de Santa Maria – In Guia Illustrado do Porto 1910; Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”


Em 1913 o Colégio de Santa Maria passaria a ser o Colégio Almeida Garrett, que aí se manterá até 1975.


Licença de Obra n.º 1562/1935 - Fonte: AHMP

E em 1938 é apresentado um novo projecto para a construção de um pavilhão.


Implantação do edifício 1938 - Fonte: AHMP


No mesmo ano de 1938 o Colégio requereu aumentar um piso no edifício voltado para a Rua do Mirante segundo um projecto de Júlio José de Brito.


Projecto em 1938 de Júlio de Brito a que se refere o Requerimento do Colégio Almeida Garrett - Fonte: AHMP


 “O Colégio Almeida Garrett tornou-se propriedade da Universidade do Porto que aí instalou alguns serviços da FEUP e posteriormente a Academia Contemporânea do Espetáculo (ACE) e o Teatro Universitário do Porto (TUP). Em 2017 foi vendido em hasta pública para aí instalar uma unidade hoteleira. Esta venda causou então alguma polémica e contestação”.
Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”


Colégio Almeida Garrett


Aspecto de outra fachada do Colégio Almeida Garrett




Por texto de “O Tripeiro” série V - ano X, sabe-se que, aquando da demolição da capela do convento das carmelitas em 1900, foi procurada uma sepultura antiga de uma freira numa área próxima à capela, que antes tinha sido cemitério, sepultura que tinha sido descoberta quando aí tinha funcionado o Colégio da Guia, que, anteriormente teve existência, nesse local.
Um outro Colégio da Guia terá existido (ou seria o mesmo?), sendo referido por volta da década de sessenta do século XIX, também num exemplar da revista “O Tripeiro” de 15/10/1910, mas, com paradeiro na Rua de Santa Catarina, como se pode observar no texto seguinte:


Texto do "O Tripeiro" cedido por Rui Cunha


Pelo texto acima se entende que, esse colégio da Guia, teria então funcionado na década de sessenta do século XIX, na Rua de Santa Catarina, no mesmo edifício por onde passou mais recentemente, a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, tendo depois passado para um edifício na Rua Fernandes Tomás, onde tinha estado o Colégio Daniel, e onde lhe sucedeu o colégio S. Carlos.



“A Rua do Pinheiro é uma das poucas artérias da cidade cuja fisionomia pouco se alterou ao longo dos anos. Começa, digamos assim, junto à antiga "estrada que vem de Guimarães para a Porta do Olival" (a actual Rua dos Mártires da Liberdade) e desemboca num pequeno largo que é uma espécie de miradouro arcaico daqueles sítios. Pois foi por aquelas desafogadas bandas, entre quintas, chãos sem contenda, hortas, olivais, prazos vazios e arroios secos, nos chamados campos do Pinheiro ou da Pena de Arca, que, por 1725, um tal João António Monteiro de Azevedo mandou construir a sua casa e capela da invocação de Nossa Senhora da Conceição. Foi nessa casa, cabeça de uma enorme propriedade então denominada Quinta do Pinheiro, que, desde os finais do século XIX e praticamente até aos nossos dias, funcionou uma das mais prestigiadas instituições de ensino particular que houve no Porto.
A Escola Académica resultou da fusão de três outros estabelecimentos de ensino particular da época: o Instituto Minerva, o Instituto Escolar de S. Domingos e o Colégio de S. Lázaro. O fundador da Escola chamava-se Manuel Francisco da Silva. Ainda era estudante quando, em 1880, abriu, exactamente na antiga Rua da Sovela, uma sala de estudos. Dois anos depois, comprava o Instituto Minerva e nascia a Escola Académica, que teve a sua primeira sede na Rua dos Mártires da Liberdade, onde leccionaram os mais conceituados mestres da época: João Arroio, Oliveira Alvarenga, Ventura Terra, Simas Machado, entre outros e onde em 1884 começou a estudar Rocha Peixoto, com 17 anos tendo por condiscípulos António Nobre e Alexandre Braga que viria a ser articulista, revolucionário de 1891 e académico da Classe de Ciências Matemáticas, Físicas e Naturais e professor.
A transferência para a Quinta do Pinheiro surge ao findar do século XIX. É por essa altura, 1896, que ao fundador da Escola Académica se junta António Domingues dos Santos, até aí director do Colégio da Glória. Manuel Francisco da Silva morreu em 1911. Mas o espírito da Escola Académica que ele criara ficou e vingou. Por aquele estabelecimento de ensino, passaram algumas das mais influentes figuras da cultura portuense e nacional dos finais do século XIX, começos do seguinte: Justino de Montalvão, José Régio, António Nobre, Carlos Selvagem, Ricardo Severo, Joaquim Costa, Alexandre Braga (filho), Eduardo dos Santos Silva, Emídio de Oliveira, Cristiano de Carvalho, Mário Amador e Pinho, Rui Corte Real Meireles, José Aroso e muitos mais. Entre os antigos alunos da Académica, avultavam médicos, advogados, comerciantes, engenheiros. Muitos seguiram a vida política, a diplomacia e o professorado; outros notabilizaram-se nas letras e no jornalismo. A partir de certa altura, a Escola Académica passou a funcionar como uma secção do Colégio Almeida Garrett.
Não deixa de ser curiosa esta particularidade, como curiosa é, ainda, a circunstância de, num espaço relativamente reduzido em torno da actual Rua dos Mártires da Liberdade, terem florescido algumas das mais importantes referências culturais do Porto dos finais do século XIX, começos do seguinte: o Colégio Almeida Garrett, a Escola Académica, a Renascença Portuguesa e a Livraria Académica, fundada pelo senhor Guedes da Silva e hoje do livreiro Nuno Cadavez. De todas aquelas instituições, já só esta subsiste, mantendo-se, no entanto, para além do estabelecimento onde se compram e vendem livros novos e usados, como um espaço aberto de tertúlias culturais onde se trocam ideias e se fala de livros e ponto de encontro de bibliófilos. Pela livraria passaram várias gerações de alunos e de mestres dos dois já desaparecidos estabelecimentos de ensino.
Mais uma nota curiosa sobre a Escola Académica: foi numa das suas dependências que, em 1885, Rocha Peixoto, Ricardo Severo, Fonseca Cardoso, José Júlio Gonçalves Coelho, Alexandre Braga (filho), Hamilton de Araújo, Guilherme Braga (filho), Augusto Nobre e Eduardo Arthayett fundaram o Grémio Literário "Oliveira Martins", que viria a ser o embrião da futura Sociedade Carlos Ribeiro, responsável pela edição da revista "Portugália". Trata-se de uma das mais prestigiadas revistas de cultura que se publicaram nos finais do século XIX e onde colaboraram os mais consagrados investigadores da época. A "Portugália" tem hoje um extraordinário valor bibliográfico e cultural e já só nos livreiros antiquários é possível encontrar uma colecção completa.
Ao tempo em que a Escola Académica se instalou na Quinta do Pinheiro, aqueles sítios eram ainda considerados como sendo a periferia da cidade. A ampla propriedade, situada "junto aos Carvalhos do Monte, prez da cidade", sofreu profundas alterações quando, em 1761, João de Almada e Melo deu início ao seu arrojado plano de urbanização, que previa a abertura das ruas do Almada e da Conceição, entre outras. Por esse tempo, da parte de fora dos muros defensivos da cidade, já havia a Praça Nova das Hortas, as ruas do Bonjardim e a do Pinheiro, que, por essa altura, se chamava Rua da Misericórdia, por ter sido aberta em terrenos que pertenciam a esta instituição. A casa onde veio a ser instalada a Escola Académica fora mandada construir por João António Monteiro de Azevedo, que também mandou fazer a capela cujo traço é atribuído a Nicolau Nasoni. A capela, da invocação de Nossa Senhora da Conceição, tem na sua fachada uma curiosa inscrição em latim que quer dizer mais ou menos isto: "...este lugar do Pinheiro desaparecerá; a Senhora da Conceição, porém, há-de atear chamas alterosas e estas darão água..." A frase deve estar incorrectamente escrita. O que se pretende dizer é que "a vida passará mas a devoção à Senhora da Conceição será aqui perene..."
Com a devida vénia a Germano Silva

Aqui funcionou a Escola Académica – Ed. J. Portojo

A Escola Académica, onde leccionava o conhecido padre Marcelino da Conceição, acabaria por fechar na segunda metade do século passado, e passou a ser ocupada por um Atelier de Tempos Livres (ATL) e por um jardim-de-infância geridos por uma Associação de Moradores.
A denominada “Associação de Moradores da Ex-Escola Académica do Porto”, após a revolução de 25 de Abril, ocupou as instalações da antiga Escola Académica.
Aquela Instituição de Solidariedade Social, após mais de trinta anos, teve que abandonar o local por dívidas à Segurança Social e às Finanças, em 2009, sendo a propriedade reclamada pelo Montepio Geral em Tribunal.

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