domingo, 3 de setembro de 2017

(Continuação 2) - Actualização em 19/02/ e 12/10/2018




Na freguesia de  Massarelos, localizava-se o Museu Romântico da Quinta da Macieirinha, rodeado pela mancha verde dos Jardins do Palácio de Cristal e que voltado para o Rio Douro, beneficiava de uma estratégica posição panorâmica. Em 2021, a edilidade decidiu destruí-lo, na sequência de uma decisão estranha dado que, três anos antes, tinha reaberto após obras de restauro.
A casa fora construída, em meados do século XVIII, para habitação de recreio.
A Quinta da Macieirinha pertencia a António Ferreira Pinto Basto, à data em que por lá faleceu, em 1849, o rei Carlos Alberto e foi adquirida pela Câmara Municipal do Porto, em 1972, para aí ser criado o museu.
Começando por fazer parte da Quinta do Castanheiro, que segundo o Padre Agostinho Rebelo da Costa, na sua obra «Discrição Topográfica e Histórica da Cidade do Porto», em 1788, dá conta da extensão da Quinta do Castanheiro, dizendo que ia “de Vilar até Massarelos”, no fim do século XVII, pertence ao cónego de Braga, João Bellens.
Clara Josefa Maria Eldres, a sobrinha e herdeira do cónego bracarense João Bellens, casaria com Pedro Pacheco Pereira, fidalgo da Casa Real e juiz da Alfândega do Porto.
Com a fragmentação da Quinta do Castanheiro já é dada a existência da Quinta da Macieira, em 1724.
Sabe-se que Pedro Pacheco Pereira, em 1756, já viúvo, desde 1751, afora a propriedade a Adam Standert.
No entanto, desde 1762 e, pelo menos, até 1814, a propriedade conhecida como Quinta da Macieira passa a pertencer a Manuel de Sousa Carvalho, que então a arrendava a súbditos britânicos que passavam pela cidade ou viviam no Porto.
Assim, em 1780, está arrendada a Diogo Wood e, em 1783, a Carlos Page.
Ao sul desta propriedade encontrava-se a verdadeira quinta da Macieirinha, que foi, posteriormente, integrada em parte na Macieira e já no século XX lhe dá o nome.
Manuel de Sousa Carvalho doaria, posteriormente, a sua propriedade à Confraria do Santíssimo Sacramento de Santo Ildefonso, da qual era membro.
A Quinta da Macieira passa, então, a ser a Quinta do Sacramento e, finalmente, no século XX, vai ser Quinta da Macieirinha.
Em 1838, António Ferreira Pinto Basto, um outro irmão daquela mesma confraria adquire a propriedade.
Na casa da quinta funcionou, então, durante muitos anos, a partir da década de 1970, um espaço museológico que recriava ambientes interiores de uma casa abastada do século XIX, abordando as estéticas, os modos e os costumes relacionados com o Romantismo, a cidade do Porto Oitocentista, assim como, perpectuar a memória de Carlos Alberto de Sabóia, rei da Sardenha e príncipe do Piemonte, com capital em Turim. 
Era o Museu Romântico que, por intervenção do presidente da Câmara, Dr. Rui Moreira, em 2021, encerraria, para mágoa de muitos portuenses.


«Em 2021 a Câmara Municipal desmantelou o Museu retirando o seu recheio sem que tenha havido consulta pública para ali passar a funcionar a "Extensão do Romantismo do Museu da Cidade do Porto" e foi desta forma que foi anunciado ao público "o espaço despiu-se dos adereços de casa burguesa oitocentista e vestiu-se de contemporaneidade”».
Fonte: pt.wikipédia.org




A Quinta da Macieirinha seria a última morada de Carlos Alberto, rei da Sardenha, durante o seu breve exílio.
O rei Carlos Alberto morreria na casa da Quinta da Macieirinha a 28 de Julho de 1849, tendo o seu corpo sido transladado para o Panteão dos Sabóia em Itália, tendo porém, a sua meia-irmã, mandado construir uma capela, actualmente, incorporada nos jardins do Palácio de Cristal. 




“É minha convicção de que a maioria dos portuenses, sobretudo o setor das camadas mais jovens, não sabe quem foi Carlos Alberto que deu o nome a uma das mais pitorescas e conhecidas praças do Porto.
Ora, este Carlos Alberto foi rei da Sardenha e, nos começos de 1849, andava empenhado na unificação de Itália. Na primavera daquele ano, no entanto, em Novara, foi derrotado pelas tropas austríacas e, na sequência desse desaire, abdicou do trono no seu filho, Vitor Emanuel, e abandonou a Itália. Menos de um mês depois, em abril (dia 19), Carlos Alberto chegou ao Porto, cidade que elegera para o seu exílio e para onde viajara sob o nome de conde de Barge.
Dizem as gazetas da época que “as autoridades citadinas “ o foram esperar ao Carvalhido que era, então, o limite da cidade. Lá compareceram o bispo, D. Jerónimo Rebelo; o governador civil mais o presidente da Câmara, que era Vieira de Magalhães, barão de Alpendorada, conhecido, particularmente, pelos maus tratos que dava à gramática.
Num jornal da época escreveu-se mesmo que, para se sair airosamente nesta inesperada situação, o presidente da Câmara “anda a estudar o discurso que há – de recitar na ocasião em que tiver que saudar o rei, para não empregar palavras como num faz minga, cunsante e cangirão…” Naqueles tempos a sátira nos jornais não poupava ninguém.
O rei Carlos Alberto, perdão, o conde de Barge, chegou ao Porto acompanhado por dois criados, Gamalleri e Vallenti. Viajou de barco até Vigo e desta cidade galega veio para o Porto montado num simples garrano. Quando o pequeno cortejo do régio exilado se aproximava do Carvalhido as autoridades da terra adiantaram-se ao encontro dele. O governador deu as boas vindas e o rei agradeceu a hospitalidade. Ainda Carlos Alberto não tinha acabado o agradecimento e já o presidente da Câmara preparava outro discurso. Mas a leitura foi de imediato interrompida. Foi o próprio rei que a interrompeu. Pediu, delicadamente, desculpa e lembrou aos presentes que vinha doente lembrando que, do que mais precisava, naquela altura, era de uma cama e que, por isso, o deixassem chegar depressa à estalagem.
“À estalagem, ah, isso não “ – protestou o bispo, oferecendo o seu paço para o alojamento de Carlos Alberto. O monarca disse aos presentes que nada queria que lhe lembrasse grandezas ou fausto e que apenas pretendia que o levassem a uma hospedaria. E assim foi feito. Carlos Alberto hospedou-se no palacete da praça dos Ferradores que fora residência dos viscondes de Balsemão e onde, na altura da sua chegada ao Porto, funcionava a célebre hospedaria do Peixe, nome do proprietário.
O rei vinha mesmo doente. Tão doente que os criados tiveram que o levar ao colo para os aposentos que lhe haviam sido destinados. Três dias depois mudou-se para uma vivenda na atual rua de D. Manuel II e a 14 de maio foi viver para a casa de campo do capitalista António Ferreira Pinto Basto, na rua de Entre Quintas onde hoje está o Museu Romântico”.
Com a devida vénia a Germano Silva




Quatro anos após a morte de Carlos Alberto, chegou ao Porto, sua irmã, Frederica Augusta de Montléart, que teve autorização da Câmara para a construção da capela em memória de Carlos Alberto, numa parcela de terreno, demarcada em Abril de 1854, no Campo do Duque de Bragança. 




Quinta da Macieirinha




A gravura, acima, é de 1849, da autoria do pintor e gravador portuense, Joaquim Cardoso Vitória Villanova.
Poucos portuenses saberão, que na casa onde morreu Carlos Alberto faleceu, também, em 18 de Abril de 1918, um portuense, por adopção, o Dr. Roberto Frias, vítima da epidemia de tifo exantemático que grassava na cidade do Porto, há alguns meses.
Nascido em Arporá, Nova Goa, a 5 de Junho de 1853, fez o curso de Teologia, no Seminário Diocesano, ainda na Índia e matriculou-se Teologia na Universidade de Coimbra, para ser ordenado. Tendo desistido desse intento, acabou por se estabelecer no Porto, onde frequentou a Escola Médico-Cirúrgica do Porto, concluindo a licenciatura, a 15 de Outubro de 1880, enquanto, ele próprio se autofinanciava dando aulas. Foi lente, Professor e Cirurgião, acabando como Director da Faculdade de Medicina do Porto.
Quanto à sua morada na Quinta da Macieirinha, em 6 de Agosto de 1912, é-lhe concedida licença de obra n.º 1065 para realizar um alargamento de janelas na casa da Rua de Entre Quintas.
 
 
 

In revista “O Tripeiro”, 7.ª Série, Abril 2018




O Museu Romântico da Quinta da Macieirinha estava enquadrado pelo jardim, bosque e antigos terrenos agrícolas, que lhe emprestavam um bucólico ambiente romântico. 

 
 

Casa Museu – Ed. MAC
 
 
 

Interior do Museu – Ed. MAC



Recriação, no Museu Romântico, do quarto de dormir do Rei Carlos Alberto




Casa da Quinta da Macieirinha, In “Revista Popular”- Semanário de Litteratura e Industria – Ed. Imprensa Nacional, 1849



Traseiras do solar da Quinta da Macieirinha



sábado, 2 de setembro de 2017

(Continuação 1) - Actualização em 30/09/2019

20.2 Quinta de Serralves ou Quinta de Lordelo



O lugar de Serralves já é referido, em 1758, nas Memórias Paroquiais da Freguesia de Lordelo. Tinha 6 vizinhos.
Em 1878, já estava pelo lugar de Serralves uma propriedade, para a qual, Diogo José Cabral (1832-1879), casado com Maria Emília J. M (1825-1904), solicitava uma licença de construção, que seria aprovada com o nº 375/1878.
Passado um ano, o requerente mencionado faleceu, pelo que lhe sucederia na gestão da propriedade, um dos seus dois filhos, com o mesmo nome de seu pai, Diogo José Cabral (1864-1923), que viria em 1900, a tornar-se, por decisão do rei D. Carlos, o 1º conde de Vizela.
Seu avô paterno foi António José Cabral (1783-1865), um conhecido capitalista do sector têxtil, casado com Margarida Rosa.
António José Cabral começaria o seu percurso profissional gerindo uma pequena tecelagem de 22 operários, sita na Rua do Príncipe (Miguel Bombarda). Em 1846, foi acionista e fundador da Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela, da qual, ao fim de algum tempo, passou a ser o sócio maioritário.
Foi, ainda, proprietário do edificado no Largo do Correio (em frente à Igreja dos Clérigos) onde, anos mais tarde, o seu neto e 1º conde de Vizela iria construir o palacete que passou a ser conhecido pelo seu título nobiliárquico.
Sobre o 1º conde de Vizela, é o texto seguinte:
 
 
“Educado no Colégio Jesuíta de Campolide, onde fez o Curso Liceal, partiu para a Grã-Bretanha e Irlanda a completar os seus estudos, demorando-se no grande centro fabril de Manchester para se pôr ao corrente dos progressos introduzidos na indústria têxtil. Esse estágio no estrangeiro permitiu-lhe adquirir conhecimentos especializados que, volvidos anos, aplicou com pleno êxito na fábrica de fiação e tecidos fundada por seu avô em Negrelos, Concelho de Santo Tirso, e que passou a ser uma das maiores e mais bem apetrechadas do Norte do País. Foi Diretor da Parceria da Fábrica de Fiação do Rio Vizela. Ocupou-se também de política, tendo sido eleito Deputado pelo Círculo Eleitoral do Distrito do Porto (N.º 5) em Novembro de 1895 para a Legislatura de 1896-1897, tendo prestado Juramento a 8 de Janeiro de 1896. Integrou a Comissão de Artes e Indústrias em 1897”.
Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/
 
 
 
 
Em finais do século XIX, na carta topográfica do Porto de Telles Ferreira de 1892, já vem referenciada a Quinta de Lordelo, posicionando-se entre bandas de construções faceando a Rua de Serralves, prolongadas nas traseiras por logradouros abrindo para matas e terrenos de cultivo.
Nas primeiras décadas do século XX, Serralves continuava a ser uma pequena aldeia de vizinhos em Lordelo do Ouro a meio caminho entre o Porto e Matosinhos.
A quinta primitiva, conhecida como Quinta de Lordelo, possuía, no preciso local em que viria a ser erguida a actual Casa de Serralves, uma capela entre duas casas de campo de traçado típico do fim do século XIX/ início do século XX, voltadas para a Rua de Serralves (já identificada por este topónimo na planta de Telles Ferreira) e outras casas anexas para os mais variados fins.




Fachada da capela anexa à casa-mãe (não visível) e casa de quatro pisos comprada pela família, à face da Rua de Serralves, anterior a 1925 - Ed. Fundação de Serralves




Fachada de casa-mãe da Quinta de Lordelo (a nascente da capela), à face da Rua de Serralves, s/d [1920-1930]: Foto Beleza © Fundação de Serralves, Porto 



Traseira da casa-mãe e jardim relacionada com a foto anterior c. 1925


 

A casa de Diogo José Cabral, em destaque nas duas últimas fotos, já vem referenciada na planta de Telles Ferreira de 1892, assim como a capela e as construções que a ladeavam, como se pode observar na imagem seguinte.
 
 
 

Confluência da Viela do Ramalho com a Rua de Serralves – Fonte: Planta de Telles Ferreira de 1892




Vista das traseiras da capela e casa situada a poente



Daquele conjunto de edificações primitivas, apenas a capela com as necessárias adaptações ao novo estilo arquitectónico, sobreviveu.
A origem do Parque de Serralves remonta a 1923, quando Carlos Alberto Cabral (1895-1968), 2º Conde de Vizela, herda a Quinta de Lordelo, propriedade de veraneio da família à Rua de Serralves (então nos arredores do Porto).
Aquele título nobiliárquico recebê-lo-ia, apenas, quatro anos de morrer, mas que herdara do seu pai, Diogo José Cabral Júnior (1864-1923), o 1.º conde de Vizela.
Aquela capela tinha sido mandada levantar, em finais do século XIX, pela avó paterna de Carlos Alberto, Maria Emília de Jesus Magalhães e a propriedade tinha origem na família desta senhora.
Concebida, originalmente, como uma residência privada, a Casa de Serralves e o Parque envolvente resultaram de um projecto encomendado pelo 2º Conde de Vizela, Carlos Alberto Cabral (1895−1968).
Em 1925, já o arquitecto Marques da Silva era conhecido e privava com Carlos Alberto. Por isso, foi-lhe encomendado um projecto para ampliação da casa, que tinha sido comprada pela família, situada a poente da capela.
Numa ida a Paris, em 1925, de Carlos Alberto e Marques da Silva para visitar a Exposition des Arts Decoratifs et Industriels Modernes, que decorreu entre Abril e Outubro, é decidido reformular todo o projecto que estava previsto. 
O processo avança com a supervisão de Marques da Silva, mas, em 1929, Carlos Alberto, que tinha feito partilhas com o seu irmão mais novo, Diogo Eugénio (1903-1974), trocando a sua parte da herança, na casa de família da Rua do Rosário pela sua quota-parte da propriedade de Serralves, contacta o arquitecto parisiense, Charles Scilis (1889-1942) para uma intervenção mais ambiciosa na nova casa de Serralves. 
Marques da Silva, no entanto, fará sempre o necessário acompanhamento.






Pavilhão nas margens do lago e ponte de ligação à ilha da Quinta de Lordelo, anterior a 1925 – Ed. Foto Beleza; Fonte: Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho




Projectada e construída entre 1925 e 1944, a casa actual é considerada o mais notável exemplo de um edifício art-déco em Portugal, tendo sido classificada como Imóvel de Interesse Público em 1996.
Concluído o edifício em 1944, com um atraso considerável provocado pela Guerra Civil Espanhola e pela 2ª Guerra Mundial, o Conde ocuparia definitivamente a casa em 1944. Habitá-la-ia, contudo, por pouco tempo. Devido a dificuldades financeiras vendeu a propriedade em 1953, a Delfim Ferreira, irmão do conde de Riba d'Ave. 


Parterre central c. 1950 – Ed. Alvão



A autoria da Casa poderá ser atribuída, com algum cuidado, ao arquitecto francês Charles Siclis (1889−1944), cujo contributo se revelou decisivo na concepção global do projecto, e a José Marques da Silva (autor dos projectos para a Estação de S. Bento e o Teatro Nacional de S. João, ambos no Porto) que o desenvolveu, alterou e executou.
Carlos Alberto Cabral, Jacques Émile Ruhlmann (1879−1933) e mais tarde Alfred Porteneuve (1896−1949), seu sobrinho e arquitecto de profissão, intervieram também no projecto. O projecto para o jardim da Casa de Serralves foi encomendado pelo 2º Conde de Vizela ao arquitecto Jacques Gréber em 1932.



“Provavelmente desenhado por um dos viveiristas da cidade, e inspirado nos modelos victorianos de final de oitocentos, o jardim da Quinta de Lordelo desenvolvia-se nas traseiras da casa com canteiros de formas orgânicas enriquecidos por espécies ornamentais. Com uma área menor do que a presente, a propriedade seria sucessivamente ampliada pelo Conde de Vizela com a aquisição de terrenos adjacentes, num processo de compras que se prolongaria até aos anos 40, atingindo os actuais 18 hectares. A Quinta do Mata-Sete, também propriedade da família e herdada pelo irmão do Conde de Vizela, é integrada nesta ampliação por permuta com propriedades urbanas. Na altura da sua inclusão era já caracterizada por estruturas edificadas – pavilhão de caça, celeiro, lagar e casa dos caseiros. Após uma visita, em 1925, à Exposition Internationale de Arts Décoratifs et Industriels Modernes, em Paris, Carlos Alberto Cabral decide intervir na quinta, convidando o arquitecto Jacques Gréber a desenhar um novo jardim. O projecto, cujos desenhos datam de 1932, é caracterizado por um classicismo modernizado, suavemente Déco, influenciado pelos jardins franceses dos séculos XVI e XVII, integrando alguns elementos do jardim original, nomeadamente o lago, bem como estruturas agrícolas e de rega das propriedades entretanto em aquisição. Considerado em Portugal um dos primeiros exemplos da arte do jardim da primeira metade século XX, o jardim de Serralves projectado por Jacques Gréber terá sido o único construído nesse período por um privado, a partir de um projecto de arquitectura de paisagem.” 
Fonte – Site: “serralves.pt”


… e no mesmo site, pode ler-se:


” A Quinta do Mata-Sete anuncia-se a partir do Passeio da Levada, situado a uma cota elevada, com um exposição única à luz (Sul/Poente), que abre sobre o Lameiro e o Prado Grande rodeados por uma cortina de vegetação e bosques, tendo como ponto focal, dentro da propriedade, o Assento Agrícola à distância. Pertença da família de Carlos Alberto Cabral antes de 1932, a Quinta do Mata-Sete, apesar de não se encontrar incluída no projecto de Gréber para o Conde de Vizela, foi objecto de intervenção na sequência daquele. Uma longa alameda de Castanheiros-da-Índia atravessa os prados de cultivo e pastoreio, desenhando o eixo que formalmente prolonga o Parterre Central até à extremidade Sul da propriedade e culminando num tanque, removido na década de 1980, estilisticamente consonante com os existentes na extremidade Norte. Originalmente pontuada por ciprestes e delimitada por sebes, esta alameda prolongava o jardim por entre uma paisagem codificada por princípios pitorescos e bucólicos de uma ruralidade encenada aparente nos edifícios que compõem o Assento Agrícola. Hoje a Quinta cumpre uma função pedagógica, nomeadamente pela manutenção de um efectivo pecuário composto por espécies autóctones do Norte e Centro de Portugal, entre as quais a Barrosã, a Arouquesa e a Marinhoa.”


Com uma área menor do que os 18 hectares, que hoje apresenta, a propriedade inicial herdada, seria sucessivamente ampliada pelo Conde de Vizela com a aquisição de terrenos adjacentes, num processo de compras que se prolongaria até aos anos 40.



Quinta do Mata Sete



Para o interior da Casa de Serralves, contribuíram alguns dos mais importantes nomes europeus da área do desenho de mobiliário: Ruhlmann, René Lalique (1880−1945), Edgar Brandt (1880−1960), Ivan da Silva Bruhns (1881−1980), Jules Leleu (1883−1961), Jean Perzel (1892−1986) e Raymond Subes (1893−1970).
Carlos Alberto e a sua mulher Blanche Daubin instalar-se-iam na Casa em 1944, habitando-a, contudo, durante poucos anos. Em 1953, a propriedade foi vendida a Delfim Ferreira (1888−1960), sob condição de que a propriedade não fosse objecto de qualquer transformação. O compromisso foi inteiramente respeitado. Grande parte da mobília foi vendida em leilões, encontrando-se hoje dispersa.
Delfim Ferreira, nasceu em Riba d'Ave a 13 de Dezembro de 1888 e faleceu a 24 de Setembro de 1960. Quando, em 1960, Delfim Ferreira morreu, era provavelmente a maior fortuna pessoal portuguesa com fábricas têxteis em Riba de Ave, Famalicão, Vila do Conde, Gaia e Porto, as Empresas Eléctricas CHENOP, Electricidade do Norte e inúmeras propriedades no Porto (casa de Serralves, Hotel Infante Sagres) e imóveis em Famalicão, Vila do Conde, Lisboa, assim como Quintas no Douro...
Na década de 1980, Serralves, tornou-se o centro de um projeto que culminou na instalação de um dos mais importantes polos culturais e artísticos da península Ibérica, envolvendo a casa, os jardins, a quinta, e um Museu de Arte Contemporânea.
Tudo aconteceria porque, em 1987, a Secretaria de Estado da Cultura, em representação do Estado, comprou a propriedade, sendo o seu jardim, pouco depois, aberto à população com um apoio de uma cafetaria e bar, a funcionar na “Casa de Chá” anexa ao Campo de Ténis, próxima do “Jardim do Roseiral”.
Na ocasião, aquela Secretaria de Estado era liderada por Teresa Patrício Gouveia, que irá nomear para a 1ª comissão instaladora do "Museu Nacional de Arte Moderna, em construção" Fernando Pernes (1936-2010), Jorge Araújo (vice-governador civil do Porto) e a jovem arquitecta paisagista, Teresa Anderson.
Será este elemento da comissão, sobrinha de Sofia de Mello Breinner, que irá receber as chaves da propriedade das mãos do mordomo da família Ferreira, o senhor "Martinho", então, a trabalhar para Alexandre Ferreira, o filho de Delfim Ferreira e Sílvia Ferreira.



Casa de chá da Quinta de Serralves



Finalmente, em 1989, é criada a Fundação de Serralves e é instalado um museu na casa principal, como local de exposições de arte moderna e contemporânea até à abertura, em 1999, em instalações edificadas para o efeito, do novo Museu de Arte Contemporânea de Serralves, desenhado pelo arquitecto Álvaro Siza Vieira.


“O enquadramento do Museu de Arte Contemporânea foi definido pela criação da Fundação de Serralves em 1989. Em 1991, o premiado arquiteto Álvaro Siza Vieira foi convidado a projetar o novo museu nos espaços da Quinta de Serralves. Em 1996, tiveram início a construção do edifício e a elaboração do programa museológico, tendo nesse ano o Conselho de Administração da Fundação nomeado Vicente Todolí para primeiro Diretor Artístico do Museu e João Fernandes, seu Diretor Adjunto.
 O Museu foi inaugurado a 6 de Junho de 1999 com a exposição "Circa 1968”. Passando em revista uma década de radical criação artística coincidente com um período de assinalável transformação social e política em Portugal e no mundo, esta mostra inovadora constituiu um verdadeiro manifesto sobre as ambições internacionais do Museu e a baliza cronológica da sua futura coleção e do seu programa artístico. Em 2003 João Fernandes foi nomeado Diretor do Museu e Ulrich Loock, Diretor Adjunto. Em Janeiro de 2013, Suzanne Cotter assumiu as funções de Diretora”. 
Fonte – Site: “serralves.pt”


O novo edifício do museu de Serralves construído e projectado pelo arquitecto Siza Vieira, sobre a horta e pomar do antigo jardim, obrigou a um redesenho dos espaços exteriores desta zona da propriedade, cujo projecto foi executado pelo arquitecto paisagista João Gomes da Silva e leva à implantação, para obviar a perda da horta primitiva, de um jardim de plantas aromáticas.



Museu de Arte Contemporânea de Serralves – Fonte: “serralves.pt”



No ano de 1990, já toda a área, tinha sido considerada, zona de protecção paisagística, urbanística e arquitectónica no Plano Director Municipal do Porto.
Em 2004, Siza Vieira supervisionou o restauro da Casa e dos seus interiores. Proporcionando espaços para exposições e projectos de artistas integrados no programa do Museu de Arte Contemporânea, a Casa de Serralves constitui, pela sua arquitectura e design, um museu por direito próprio.
Em 2012, o conjunto do património edificado e natural da Fundação de Serralves recebeu o estatuto de Monumento Nacional.
A mais emblemática das várias esculturas que povoam, actualmente, este espaço verde, está logo na entrada principal e é a “Colher de Jardineiro”, de Claes Oldenburg e Coosje van Bruggen. Para lá disso, são 18 hectares com vários recantos e diversas espécies de árvores e plantas.



Casa de Serralves – Ed. Alvão



 

Entretanto, a área da quinta que esteve, desde sempre, ligada à produção agrícola (Quinta do Mata-Sete), passou a funcionar como uma quinta pedagógica, recebendo milhares de crianças que tomam, assim, contacto com uma actividade rural que desconhecem. 
Estando na posse da Fundação de Serralves, desde há algum tempo, o acervo da actividade do cineasta Manoel de Oliveira, em 24 de Junho de 2019, foi inaugurada a Casa do Cinema e o respectivo auditório.
Situado no limite nascente do parque, o complexo destinado a homenagear o cineasta, resultou de uma adaptação a partir da antiga garagem do Conde de Vizela e teve projecto de Siza Vieira, preservando a estrutura da construção primitiva e prolongando-a num segundo corpo.
A Casa do Cinema exibe, em vitrinas, algum do acervo do cineasta.
 
 
 
Casa do Cinema – Ed. Graça Correia
 
 
 
 
Tudo teve por base um primeiro protocolo assinado entre o realizador e a Fundação de Serralves, em 20 de Abril de 2009.
Distribuindo-se por dois pisos, o auditório da Casa do Cinema dispõem de duas galerias de exposição, de um auditório de 59 lugares, arquivo e duas salas destinadas a serviço educativo. 




Auditório da Casa do Cinema





Em 13 de Setembro de 2019, foi inaugurado na Quinta de Serralves um passadiço aéreo que, com vista para o parque de Serralves, permite, também, em certos locais, avistar o mar e tocar nas copas das árvores.
O percurso intitulado “Treetop Walk” é de 250 metros de comprimento, sendo que, a sua altura vai variando ao longo do trajecto, entre os 1,50 e 25 metros e, a obra, é da autoria dos arquitectos Carlos Castanheira e Álvaro Siza Vieira.



Passadiço da Quinta de Serralves e estrutura que o sustem – Ed. Graça Correia


Coberto florestal da Quinta de Serralves – Ed. Graça Correia

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

20. QUINTAS - Actualização em 30/01/2018 e 24/05/2019

Neste capítulo irão fazer-se referências breves a algumas quintas existentes na cidade e no seu termo, pelo que, interessará dissecar o conceito.

«Sobre a origem do conceito «quinta» contamos com o precioso estudo de Alberto Sampaio - As Vilas do Norte de Portugal, obra editada em 1923. Segundo este investigador vimaranense foi o processo de desagregação das vilas romanas na Alta Idade Média que originou a formação de várias “subunidades culturais” designadas por casales, quintanas ou quintas, e vilares. O casal era uma pequena parcela de terreno arrendado (com casa) ao caseiro “de casariius”. As subunidades agrícolas: quintana, quintanale ou quintal (“gleba hortícola junto a uma casa”) designavam uma “superfície de cinco ou de um múltiplo de cinco medidas agrárias”. Os vocábulos quinta /quintã traduzem a mesma realidade económica, fundiária e até sociológica. A quinta funcionava como um prazo ou casal e, dependendo do tipo de propriedade, podia incorporar várias parcelas dispersas constituídas por casais, quintas, quintãs, vilares (…). Segundo Aurélio de Oliveira, este “tipo de estrutura orgânica” foi consolidada no período medieval, sendo composta por uma unidade central que “muitas vezes herdou diretamente o nome do assento da antiga domus ou paço ou residência do senhor”, ou ao “assento da grande casa ou solar”. Geralmente estava ligada a uma parcela de terreno de dimensões reduzidas que fazia parte do domínio eminente e funcionava como uma unidade administrativa ou prestamista. As restantes parcelas de terrenos formavam o domínio útil sendo alienada a terceiros sob a modalidade do foro ou da simples colónia. A prática desta modalidade de exploração agrária, dominada por uma aristocracia terratenente, militar e religiosa vigorou no Antigo Regime até às leis da desamortização (1832-1834).»
Com a devida vénia ao Professor Manuel Almeida Carneiro; Dissertação de Doutoramento, 2016

No âmbito das matérias a tratar seguidamente, importa dissecar outras realidades de carácter toponímico e de divisão administrativa, como sejam, o Casal o Lugar e a Aldeia.
Referente à primeira insere-se o conceito de casal que deve ser entendido como aglomerado populacional que etimologicamente deriva de casa. Casal significará então:
1. Conjunto de propriedades duma família;
2. Propriedade rústica = Quinta ou Herdade;
3. Pequeno povoado; 
4. Pequena propriedade murada e produtiva não longe da residência (significado regional transmontano).
Estes aglomerados populacionais partiam duma Casa e cresciam em volta dela tornando-se nalguns casos lugares de maiores dimensões que foram depois assumindo classificações de aldeias, vilas etc.
Oficialmente a classificação de aldeia não existe mas sim a de lugar que representa um aglomerado populacional de pelo menos 15 habitações ocupadas não distantes entre si de mais de 100 metros.
A classificação de aldeia, vila, cidade é já uma nomenclatura de divisão administrativa que corresponde a aglomerados com um número mínimo de habitações contíguas, um mínimo de população e a existência de determinados serviços às populações. 
Por outro lado, uma personalidade que passará a ser diversas vezes referida é Robert Chester Smith.
Este cidadão estado-unidense, nascido em Cranfort (New Jersey) em 1912, no seio de uma abastada família norte-americana, tornou-se a partir da década de 40 do século XX, um dos maiores especialistas internacionais em arte portuguesa, tendo também dedicado uma parte da sua vida, ao estudo da arte monumental brasileira.
Na Exposição do Mundo Português participou como delegado dos Estados Unidos. Deixou ainda um legado imenso de fotos de monumentos e igrejas, etc. 
Sobre o Porto e as suas quintas, dizia Júlio César Machado na sua obra “Scenas da minha Terra”:
 
 
 
«Diz-se geralmente que é para sentir que no Porto, nem mesmo nos arrabaldes, haja quintas: quintas? Como: quintas? quintas, para que, — se o paiz por si só é uma quinta, a maior das quintas, uma quinta em grande! Eu nunca por ali olhei para um lado ou para outro, que não visse arvores a erguerem-se! É uma vegetação esplendida, de que não tem, não podem ter ideia os que nunca saíram de Lisboa!» 



20.1 Quinta do RIO


A Quinta do Rio, inicialmente chamada Casal do Moinho, situa-se na freguesia de Ramalde, em Ramalde do Meio, entre a Travessa de Requesende e a Rua Direita do Viso, junto da bifurcação dos dois ribeiros que formam o espesso caudal da Ribeira da Granja, ou do Rio da Granja que deu nome à referida propriedade, no antigo Lugar do Moinho.
Foi então o rio que deu nome à propriedade, também conhecida por Quinta da Ponte por se situar junto da antiga travessia que unia a antiga estrada da Senhora da Hora ao centro da cidade do Porto, como vem assinalado na Planta da cidade do Porto e arredores.



Quinta do Rio - Ed. Teófilo Rego 1958


A Quinta do Rio é constituída, além do vasto espaço verde de pomar, horta, jardim e campos agrícolas, por um conjunto de edifícios de que se destacam o núcleo habitacional e a capela.
Sobre a sua história, a denominada, a partir da década de 1880, como Quinta dos Meireles, sabe-se que fora do Capitão Manoel da Silva Guimarães, homem de negócios e morador em “Sima do Muro dos Banhos”, na cidade do Porto, que edificara a Capela Setecentista de invocação a Santo António.


“Para a fábrica da capela, Manoel da Silva Guimarães tinha de assegurar património suficiente para a manutenção dos ofícios divinos. Para esse efeito, adquiriu a Damião de Sousa Botelho Lucena, seis leiras de terra lavradia e de mato, mais as bouças: dos Outeiros, do Padrão, da Cancela, da Feiteira, da Detrás e a bouça Da Metade, localizadas na freguesia de Leça do Balio75, por 39.300 réis76. O rendimento anual destes prédios atingia os quatrocentos mil réis, para garantir a manutenção do culto com
«bom ornato e decência».”
Fonte: Manuel Almeida Carneiro



Manoel da Silva Guimarães contrai matrimónio em 17 de Setembro de 1756, com Antónia Maria de Jesus.
No respectivo contrato de casamento, o noivo entrou com "1 conto e 400 mil réis" e a noiva foi dotada de algumas leiras e pelo Casal do Moinho, propriedade foreira do Marquês de Abrantes e de Fontes, a título de prazo de vidas com uma renda anual de: três alqueires de trigo, quatro alqueires de centeio, quatro e meio alqueires de milho, quinze alqueires de cevada, um carro de palha triga e uma galinha. Domínio de vinte um.
O Casal do Moinho era então constituído pelos seguintes prédios:
Pomar de Cima, Campo de Meio ou cortinha de Baixo, Bouça da Fonte, Bouça Grande, Campo da Bouça do Meio, Campo de Feital, Campo do Rio, Bouça do Paúl e Campo da Cavadinha.
A 1 de Setembro de 1759, Manoel da Silva Guimarães, é dado como alferes e morador na Quinta do Rio. Ascendeu ao posto de Capitão das Ordenanças e recebeu a patente, do Brigadeiro das Armas do Partido do Porto, João de Almada e Melo, a 16 de Julho de 1760, com todas as «honras, privilégios, liberdades, isenções e franquezas».
A 17 de Agosto de 1774, na quinta do Rio, na Freguesia de Ramalde do Julgado de Bouças, é feita uma escritura de dote de casamento, por Manoel da Silva Guimarães e sua mulher, a sua filha Dona Ana Maria Joaquina, para casar com o capitão José Gonçalves Lopes, acto ao qual esteve presente a mãe do noivo, Ana Maria do Espírito Santo, viúva de Domingos Gonçalves Lopes.
Para esse efeito, deslocou-se, propositadamente, até à quinta do Rio, o tabelião.
José Gonçalves Lopes, capitão-mor do couto de Leça do Balio, era quem administrava a Quinta de Sam Thiago, em Custóias.


“O Capitão Manoel da Silva Guimarães lavrou testamento a 30 de Setembro de 1781 e após o seu falecimento, sucedeu no governo da Casa o seu filho homónimo que também enveredou pela carreira das armas no Regimento de Milícias da cidade do Porto. Em 19 de Outubro de 1811, Manoel da Silva Guimarães (II) reformou-se no Posto de Major com o aval do Príncipe Regente. Faleceu em 1818, no estado de solteiro, mas tinha um filho que foi desvalido na Roda dos Expostos da cidade do Porto e que veio a suceder na Casa após ter sido legitimado por testamento.
O Auto de Posse de todos os prazos de vidas da Quinta do Rio, datado de 1818, permitiu a Manoel da Silva Guimarães (III) tornar-se o herdeiro universal dos bens do seu progenitor. Tendo sido exposto na Roda, o então Segundo Sargento da Segunda Companhia do Batalhão de Caçadores Número Nove, tornou-se o sucessor directo «[de] todas as propriedades da mencionada Quinta (
…)»”.
Cortesia do Dr. Manuel Almeida Carneiro



Para além da Quinta do Rio, o património da Casa incluía também a «Propriedade do Seixo», que ficava em Ramalde, e a «Quinta da Devesa» localizada junto à Estrada Velha de Braga, em S. Mamede de Infesta.
Manoel da Silva Guimarães (III) não tem descendentes, acabando os seus bens por beneficiar uma sua prima, em 2º grau, Marcelina Nogueira da Silva Guimarães.
Segundo a tese de doutoramento do Dr. Manuel Almeida Carneiro, em meados do século XIX a propriedade pertenceu a um filho de Jacinto da Silva Pereira fundador da Fábrica de Fiação e Tecidos Jacinto, de seu nome Henrique da Silva Pereira Magalhães em virtude do seu matrimónio concertado com Marcelina Nogueira da Silva Guimarães, filha de Joaquim Francisco da Conceição e de Ana Nogueira dos Reis, moradores no Lugar de Gondivai, na freguesia de Leça do Balio. Para ter acesso à herança, a herdeira-sucessora, Marcelina Guimarães devia dar de entrada sete ou oito contos de réis, como garantia das obrigações de dívida eventualmente existentes em nome de Manuel da Silva Guimarães (neto do capitão de ordenanças), seu segundo primo.
Em 11 de Abril de 1857, Henrique da Silva Pereira Magalhães pediu ao Bispado a cessação do culto religioso na sua capela, em virtude da «mui pouca concorrencia do pôvo, pois que até mesmo em alguns dias se acha devoluta, e somente com a familia do suplicante.
O casamento de Henrique com Marcelina, durou pouco e dele resultou a orfandade de três filhos menores, um rapaz e duas raparigas. O rapaz viria a falecer com 19 anos no Brasil, e as suas irmãs assegurariam a continuidade do património familiar e aliando-se pelo matrimónio à família da Quinta das Virtudes.
Emília da Silva Pereira Magalhães casou com Artur de Azevedo Meireles e Júlia da Silva Pereira Magalhães casou com Álvaro de Azevedo Meireles. Desde então, o património ficou na posse dos herdeiros da Casa até aos anos de 1985.


“Em 1985, o imóvel já se encontrava numa situação de abandono e semi-arruinado. Foi também nesse ano que a Quinta do Rio recebeu o estatuto de Imóvel Classificado de Interesse Público, depois de um conturbado processo de expropriação desencadeado pelo Estado que punha em causa a sua preservação e salvaguarda. Posteriormente o imóvel foi adquirido por Artur Brás que o reabilitou para fins de residência e a obra ficou a cargo do arquitecto Manuel Teixeira de Carvalho”.
Com a devida vénia a Manuel Almeida Carneiro




Casa da Quinta do Rio em 1966 (alçado poente, o andar e a eira) – Fonte: Manuel Almeida Carneiro, Mestre em Arqueologia, Faculdade de Letras da Universidade do Porto



Quinta do Rio, passadiço e fonte à esquerda - Ed. João Vieira Caldas, “Casa Rural”


Quinta do Rio na actualidade - Ed. Google Maps


Esquema representativo da área de implantação da Quinta do Rio – Ed. Manuel Almeida Carneiro, 2003



Legenda:

A – Casa Nobre
B – Estrebarias
C – Capela
D – Casa secundária
E – Casa dos caseiros
F – Anexos de Lavoura
G – Casa-celeiro
H – Casa-celeiro
I – Eira
J – Área ajardinada
L – Tanque
M – Casa do Moinho
P – Poço


Casa da Quinta do Rio – Ed. “lifecooler.com/”


“A casa de granito assenta em base rochosa. O primeiro piso era utilizado para habitação. O piso térreo funcionava com arrecadações e estábulos. Exteriormente, o corpo central é dividido por pilastras com uma porta ao meio emoldurada e com um óculo.
A quinta do Rio foi vendida por Mª Isabel Perdigão a Artur Armindo Rola Sousa Bráz em 1987. Em 1988 a casa sofreu obras de reabilitação e restauro.
Considerado Imóvel de Interesse Público pelo Dec. nº 45/93, DR 280 de 30 Novembro 1993.”
Fonte: “lifecooler.com/”