sexta-feira, 20 de abril de 2018

(Continuação 17)


Quinta da Lavandeira no Poço das Patas

O Poço das Patas era, em tempos que já lá vão, a área hoje ocupada pelo Campo de 24 de Agosto e a toda a zona envolvente e vizinha de três grandes quintas: a dos Cirnes; a do Prado, propriedade do Bispo, onde está o cemitério do Prado do Repouso e a da Fraga, que se estendia pelas Fontainhas.
Era, uma zona alagadiça, cruzada pelas águas de várias nascentes, de riachos e ribeiras. Um desses cursos de água tomou o nome de ribeira de Mijavelhas ou ribeira do Poço das Patas e, as suas águas, além de serem aproveitadas para tanques públicos de lavagem de roupa, ainda faziam mover as mós de alguns moinhos, situados nas proximidades da encosta do Monte do Seminário, por onde essas águas se despenhavam até entrarem no rio Douro.
A origem do nome Poço das Patas tem a ver com a existência de patos nessa zona alagadiça.
Um tal de Braz de Abreu Guimarães possuía várias casas e quintais na Rua do Poço das Patas, casas estas, que eram próximas do Poço das Patas e do rio das Lavandeiras.
Entre o Padrão das Almas (Largo do Padrão) e o Poço das Patas (Campo de 24 de Agosto) ficava, então, uma enorme quinta propriedade de Brás de Abreu Guimarães, bem-sucedido negociante portuense, que naquela sua propriedade construiu uma importante fábrica de seda, que no século XVIII deu nome a uma rua, que sucessivamente se chamou: Rua da Seda (1764); Rua da Fábrica da Seda (1766); Rua Direita da Fábrica da Seda (1767); e ainda Rua da Fábrica da Seda de Brás de Abreu, na Rua do Padrão das Almas.

“Este Padrão das Almas era um cruzeiro a que o povo dava o nome de Senhor do Amor Divino e Almas. Estava erguido no pequeno logradouro a que ainda hoje se dá o nome de Largo do Padrão. A cruz, que o arqueólogo Pedro Vitorino classificou como sendo do século XVI, "do tipo arcaizante, cabelo a jeito de corda, mãos espalmadas e pés separados", na opinião, ainda, daquele historiador, foi removida do local onde estava, em 1869, e levada para o Cemitério do Bonfim, onde ainda se encontra e pode ser visitado”.
Com o devido crédito de Germano Silva


O cruzeiro atrás citado, que estava situado no meio do Largo do Padrão das Almas, era a 8ª estação de uma via-sacra que saía da Batalha e se dirigia para o alto do Godim (Monte do Bonfim), pelo Chão dos Olivais (Rua do Bonfim).
A Rua do Poço das Patas que tinha sido Rua de Mijavelhas seguia o actual traçado da Rua Coelho Neto.
Não sabemos como Braz de Abreu Guimarães adquiriu todos aqueles bens ou se os herdou, sabemos que algumas propriedades foram por ele penhoradas, devido a dívidas que os anteriores proprietários tinham com ele.
Por consulta do Arquivo Municipal de Penafiel, sabemos, contudo, que Dona Joana Felizarda Delfina de Abreu Aranha e Araújo, filha de Brás de Abreu Guimarães e de Dona Joana do Nascimento de Araújo Aranha, “viveu na casa de seus pais, na Rua Chã, no Porto, e mais tarde na Quinta da Lavandeira”, junto ao Poço das Patas.
Daquele casamento resultaram ainda mais três rapazes: Bento de Abreu Aranha, João de Abreu Aranha Araújo e Brás de Abreu Aranha e Araújo.
Para o casamento, D. Joana levou um dote avultado e rico, essencialmente em enxoval, móveis e peças de ourivesaria.
As casas da Rua do Poço das Patas, e a quinta cercada de muro, sita ao pé da Fonte das Lavandeiras, no Poço das Patas, foram para o património dos senhores da Aveleda por seu dote.
Aquelas propriedades eram foreiras à Câmara do Porto, bem como mais vinte e uma moradas.
Sabemos que D. Joana em 1765 já se encontrava casada com Manuel de Meireles Guedes de Carvalho, 4º morgado de Aveleda.
Joana deve ter falecido de complicações derivadas do parto de sua única filha, pois esta nasceu a 16 de Fevereiro de 1774 e o inventário feito pelo seu falecimento é de 21 de Março de 1774.
O termo lavandeira significa o mesmo que lavadeira. De facto, o local assim referido, era frequentado por inúmeras lavadeiras que lavavam a roupa nuns tanques adjacentes à chamada Fonte do Poço das Patas, e que deve ser aquela que, em certos textos, é referenciada por Fonte das Lavandeiras.
O local em causa, de Poço das Patas é hoje, como se sabe, o Campo 24 de Agosto e já se chamou, também, em tempos muito mais recuados, Mijavelhas.
O que resta daquela fonte está hoje em exposição na estação do metro do Campo 24 de Agosto.


Reconstituição da Fonte de Mijavelhas ou do Poço das Patas na estação de Metro

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