sexta-feira, 13 de março de 2020

(Conclusão) - Actualização em 05/08/2026



2. Conjunto Habitacional (em banda)


Foi muito comum, no fim do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, o investimento de alguns capitalistas ser dirigido para o sector do imobiliário.
Tendo pontificado, sobretudo, o levantamento de “Ilhas” para servir os operários de rendimentos mais débeis e um outro método que iria originar as Ruas Particulares, e que aproveitava ao máximo as áreas colocadas para construção à disposição, foi ainda explorada a solução da construção de casas em banda, à face de uma rua de trânsito público.
É este o caso do bairro da Rua Nova do Monte Pedral, mas outros poder-se-ão referir, como são os casos do Bairro Chalet e do Bairro da Rua Oliveira Monteiro.




Conjunto Habitacional (em banda) na Rua Nova do Monte Pedral


O Conjunto Habitacional, situado na Rua Nova do Monte Pedral e começado em 1928, foi obra do investidor Manuel Afonso Figueiredo.
Este capitalista, dono de alguns terrenos nesta zona da cidade, é o promotor da construção neles de diversas casas. 




Pedido à CM Porto de licenciamento de um conjunto habitacional com fachadas para a Rua Nova do Monte Pedral e para a Rua do Nogueira – Fonte: AHMP



Fachada de conjunto habitacional voltado para a Rua de Egas Moniz, antes, a Rua Nova do Monte Pedral – Fonte: AHMP




Fachada de conjunto habitacional voltada para a Rua do Monte Cativo, antes, um trecho (prolongamento) da Rua do Nogueira – Fonte: AHMP



Bairro no gaveto das ruas Egas Moniz e do Monte Cativo, actualmente – Fonte: Google maps





Conjunto Habitacional (em banda) na Rua António José da Silva - Bairro Chalet


Na actual Rua António José da Silva, ao Covelo, existe, ainda hoje, um correr de casas que, em tempos, foi denominado “Bairro Chalet” e cuja localização é exibida, a seguir, na planta de Telles Ferreira de 1892.




“Bairro Chalet”(1), Casa da Quinta do Covelo (2) e Rua Visconde de Setúbal (3) – Fonte: Planta de Telles Ferreira de (1884-1892)




Pela esquerda, apresenta-se um correr de casas que, outrora, constituíam o “Bairro Chalet” - Fonte: Google maps





Conjunto Habitacional (em banda) na Rua Oliveira Monteiro




Conjunto Habitacional (em banda) na Rua Oliveira Monteiro – Fonte: Fundação Marques da Silva



O projecto deste empreendimento esteve a cargo do reputado arquitecto Miguel Ventura Terra (Seixas, Caminha, 14 de Julho de 1866 — Lisboa, 30 de Abril de 1919) e consistia na edificação de nove moradas de casas, com licenciamento solicitado à C. M. Porto, em 6 de Junho de 1898, pelos proprietários dos terrenos, Manuel Gomes da Silva e António de Oliveira Monteiro.



Fonte: Fundação Marques da Silva



Casas em banda, na Rua Oliveira Monteiro, actualmente – Fonte: Google maps



Os azulejos, junto às cimalhas, característicos de Ventura Terra, eram da Fábrica Cerâmica das Devesas.





Conjunto habitacional, em banda, na Rua 5 de Outubro
 
 
O terreno onde se localizava este edificado, demolido em 2022, para dar lugar a um bloco de apartamentos esteve, na primeira década do século XX, juntamente com uma grande área que lhe era contígua, dar origem ao chamado Bairro de Francos.
A área projectada para aquele empreendimento implicava um terreno, dividido em lotes, situado entre a Rua da Carcereira, Rua do Príncipe da Beira (Rua 5 de Outubro) e Rua dos Vanzeleres, estendendo-se para além da Rua das Artes Gráficas, como demonstra a planta seguinte.

 
 

Planta do Bairro de Francos (não realizado) – Fonte: AHMP
 
 
 
 
 
Por razões atinentes, talvez, ao período (1914/1918) de guerra que se vivia, não chegou a ver a luz do dia.
Porém, vingaria um correr de oito casas voltadas para a Rua 5 de Outubro.
Quatro delas, as situadas mais a sul, foram executadas sob a licença de construção n.º 967 de 1922, à ordem de José de Passos Mesquita, para arrendamento.

 
 

Desenho integrante do projecto referente à licença de obra n.º 967/1922

 
 
As restantes quatro, situadas mais a norte, seriam levantadas pela licença de construção n.º 1015/1930, passada ao mesmo proprietário, com o objectivo expresso, também, de as arrendar.
 

 

Desenho integrante do projecto referente à licença de obra n.º 1015/1930

 
 
A área contígua, mais a norte, confinante com a Rua da Carcereira, era pertença, também, do mesmo proprietário.
 
 
 
 

Conjunto habitacional, na Rua 5 de Outubro, antes da demolição

 
 

Actualmente (2026), a ocupação para a área referida – Fonte: Google maps




Bairro Operário, em banda, à Rua Arquitecto Marques da Silva, antiga Rua da Friagem
 
 

O Bairro Operário obteve a licença de obra nº 2051/1935, e foi da autoria do gabinete do arquitecto Januário Godinho.


 
 

Requerimento à CMP, correspondente à licença de obra nº 2051/1935 – Fonte: AHMP
 
 
 

Desenho de fachadas de habitações integrante de projecto referente à licença de obra nº 2051/1935 – Fonte: AHMP
 
 
 

Aspecto do Bairro Operário, da Rua da Friagem, em meados do século XX – Fonte: AHMP
 
 
 

Exposição dirigida à CMP para arranjo do acesso à via pública das habitações do Bairro Operário  – Fonte: AHMP
 
 
 
 

Após a remodelação dos acessos das habitações à via pública, assim ficou o aspecto (actual) do Bairro Operário, da foto anterior, na agora, Rua do arquitecto Marques da Silva, entre os nºs 193 e 259 – Fonte: Google maps





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