segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

(Continuação 3)

O Rio Douro e a região demarcada dos vinhos do Douro


Desde que foi traçada a região demarcada dos vinhos do Douro, foi notória a influência da comunidade britânica neste sector económico e na vida económica e social da cidade do Porto.
A actividade não seria, porém, ausente de contra-tempos.
Primeiro foi o oídio, uma doença causada por um fungo ectoparasita, cujo micélio se desenvolve sobre todos os tecidos verdes (folhas, pâmpanos e cachos) e, cujo tratamento impõem a protecção da vinha desde a floração até ao fecho dos cachos. A doença é controlada desde 1854 com a aplicação de enxofre.
Depois foi o míldio, um fungo caracterizado como um endoparasita, ou seja, desenvolve-se no interior das folhas da videira e que hoje é evitada com a famosa “calda bordalesa” (mistura de sulfato de cobre, cal virgem e água).
Ambas as doenças têm hoje tratamento mas, no século XIX, provocaram grandes prejuízos no Douro vinhateiro, que se agravaram quando, após poucos anos, apareceu a praga da filoxera.


“No final da década de 1850 e início da década de 1860, especialistas em botânica e viticultores europeus tinham começado a importar da América do Norte videiras de castas indígenas. Estes estudiosos não estavam cientes de que, em muitos casos, estas videiras americanas traziam consigo pequenos insectos amarelos que se alimentavam das suas raízes, sugando a sua seiva.
As videiras americanas estavam habituadas ao ataque destes insectos quase invisíveis e tinham desenvolvido formas de lhe sobreviver. Contudo, as vinhas europeias de produção de vinho não tinham quaisquer defesas. Os insectos alimentavam-se pela raiz da videira, provocando inchaços tuberosos até que a raiz ficava tão deformada que não podia absorver água e nutrientes do solo.
Famintas e sedentas, as videiras murchavam e morriam. O primeiro surto significativo ocorreu em França no sul da região do Ródano em 1862 e a praga então rapidamente se espalhou a outras partes do país causando devastação generalizada nas vinhas. Quando a causa foi finalmente identificada, foi dado ao destrutivo insecto o nome de Phylloxera vastatrix, ou filoxera.
Crê-se que a filoxera chegou à região do Douro em 1868. Em primeiro lugar, desencadeou a sua destruição nas zonas mais a leste, a origem dos melhores vinhos do Porto e, em 1872, colocou de rastos muitas das mais conhecidas propriedades produtoras de vinho do Porto. Os rendimentos baixaram drasticamente, provocando escassez de vinho e uma subida do seu preço. Um dos mais dinâmicos campeões da batalha contra a filoxera foi John Fladgate, um dos sócios da Taylor’s. Ele viajara para França para saber que remédios estavam aí a ser usados e, em 1872, publicou os seus achados numa carta aberta aos agricultores do Douro.
Mais tarde viria a ser-lhe concedido o título de Barão da Roêda pelo seu trabalho. Passou algum tempo, porém, até que a solução definitiva fosse encontrada. Esta passava por enxertar as videiras europeias nas raízes resistentes das castas americanas, uma medida que acabou por fazer parar a destruição.
Fonte: site “Taylor’s”


Cachão da Valeira - Ed. Emílio Biel

Túnel de Caminho-de-Ferro da Valeira - Ed. Emílio Biel

Estação de Caminho-de-Ferro das Covellinhas - Ed. Emílio Biel

Estação de Caminho-de-Ferro de Moledo - Ed. Emílio Biel

Túnel de Caminho-de-Ferro do Loureiro e da Murta - Ed. Emílio Biel


Vista sobre a Barra do rio Douro – Fonte: “delcampe.net”

Nos anos de filoxera a cultura da vinha na região foi substituída pela do sumagre.
Desses tempos é possível ainda encontrar algumas atafonas, que são os moinhos onde se processava a redução da folhagem do sumagre a pó para posterior comercialização. 

Sumagre nas margens do rio Douro

Antigamente os Romanos usavam-no em vez do vinagre ou limão, que só chegou séculos mais tarde. Foi também muito usado como corante para couro.

Sem comentários:

Enviar um comentário