domingo, 22 de janeiro de 2017

(Continuação 5)

11.6 Bombeiros

No Porto os Serviços de Incêndio funcionaram desde o século XV.

A Câmara na reunião de 14 de Julho de 1513 decidiu: 
"Eleger diversos cidadãos para fiscalizar se os restantes moradores da cidade apagavam o lume das cozinhas à hora indicada pelo sino da noite".

“O acórdão municipal de 17 de outubro de 1722 determinou a eleição de 100 homens para acudir aos incêndios, dando origem a uma organização de combate aos fogos na cidade do Porto. Com a reestruturação efetuada ao abrigo da Provisão de D. João V de 9 de setembro de 1728, os efetivos duplicam, passando este corpo a designar-se Companhia do Fogo ou Companhia da Bomba. A partir de 1832 a Companhia da Bomba toma o nome de Companhia de Incêndios. Em 1858, o Senado da Câmara cria o Pelouro dos Incêndios, o que vai permitir uma melhor articulação entre o município e os bombeiros.
Aprovado o novo regulamento e o quadro de pessoal que começou a vigorar a partir de janeiro de 1888, a Companhia de Incêndios volta a mudar de nome para Corpo de Salvação Pública. Em janeiro de 1941, com a entrada em vigor da nova organização dos serviços da Câmara Municipal do Porto, o Corpo de Salvação Pública evolui para Batalhão de Sapadores Bombeiros, ficando subordinado à Direção dos Serviços de Urbanização e Obras.
Entre os séculos XVIII e XX os bombeiros dispuseram de estações de apoio que estavam distribuídas pela cidade. A estação principal de comando estava situada no edifício junto aos Paços do Concelho. Em 1904 iniciou-se a construção de um edifício para quartel dos bombeiros municipais, situado na Rua de Gonçalo Cristóvão. A necessidade de instalações modernas levou à transferência para um novo quartel na Rua da Constituição que é inaugurado em 1959, recebendo o nome de Quartel Guilherme Gomes Fernandes”.
In gisaweb.cm-porto.pt

Em 1722 foi, então, inaugurada a Companhia do Fogo ou Companhia da Bomba. Em acórdão de 17/10/1722 determinava-se a eleição de 100 homens para acudirem aos incêndios, que tinham a regalia da isenção do serviço militar.
A partir de 1856 começaram a receber soldo.

“Segundo um pequeno livro de Guilherme Gomes Fernandes, dedicado pelos Bombeiros Municipais do Porto, aos seus camaradas do estrangeiro e editado pela Typographia a vapor de José da Silva Mendonça a qual existia na Rua do Almada, 96 e Praça D. Pedro, 95, em 1901, pode ler-se:
«A primitiva organização dum Serviço de Incendios no Porto data do século XV». A Municipalidade não possuía mais que uma bomba de braços que, em caso de incendio, era conduzida e manobrada por oito serventes. Existia também uma companhia composta por 54 homens dos quais 40 estavam encarregados da condução de baldes para a alimentação da bomba, um para o lampião de iluminação em caso de  perigo, para manobrarem a bomba braçal, com cordas para guindar a mangueira da bomba, com machados e gadanhos e o último tinha por missão encher os barris.
O serviço de abastecimento da água aos bombeiros, até 1820, era da obrigação dos taberneiros com exclusivo de venda de vinho da Companhia, mas em 17 de Agosto de 1831, tal tarefa passou a competir aos aguadeiros, quase todos naturais de Tuy e outras localidades galegas.
Os diferentes chafarizes da Cidade, com os seus respectivos aguadeiros e competentes capatazes, seriam organizados em três companhias:
1ª, da Senhora da Batalha; 2ª, de Santa Teresa e 3ª de S. Domingos, correspondentes aos respectivos chafarizes.
A 1ª Companhia seria constituída pelos aguadeiros dos chafarizes da Batalha, Santa Catarina, ruas Chã e de S. Sebastião; a 2ª, pelos dos, chafarizes da Praça de Santa Teresa, rua do Almada, rua das Oliveiras, Fábrica do Tabaco, Praça Nova e Porta do Olival; e a 3ª pelos chafarizes de S. Domingos, Taipas, Congostas, Praça da Ribeira, Fonte da Areia e fonte da Colher”.
Com a devida vénia a António Artur Pires Dias (aluno do curso de História da Faculdade de Letras do Porto)


Aguadeiro


Bomba de Picotas puxada à mão em 1878 por Bombeiros Municipais

Foi em 1853 que a Câmara mandou colocar caixas em ferro fundido, com indicação na porta, dos locais e correspondente número de badaladas que indicavam o local de um incêndio. Assim, era fácil aos bombeiros e populares saberem onde tinha deflagrado o incêndio. 
Nos anos 60 do séc. XX ainda existiam 6 caixas de toque a incêndio e que estavam nos seguintes locais: Igreja de Nossa Senhora da Esperança em S. Lázaro, Igreja de S. Lourenço, Igreja de S. Nicolau, Igreja da Vitória, Largo da Maternidade e Quartel dos Sapadores Bombeiros.

Caixa de Toque na Igreja de S. Lourenço com data 1853 - Ed. MAC




No Largo da Maternidade com data de 1882 - Ed. Manuel José Cunha


Na foto acima no Largo da Maternidade e confluência com a Rua da Boa Nova, é visível a caixa de toque de incêndio com a inscrição da data de 1882, passados já 49 anos, sobre a implementação do sistema.
Em O Tripeiro Série V, Ano V, encontra-se a lista dos toques dos sinos, indicativa dos locais onde deflagravam incêndios.





Caixa de Toques ou de Sinais serviam no seu tempo para indicar o lugar da cidade onde deflagrasse um incêndio. Um zelador era possuidor da chave da caixa e conforme o número de toques era identificada a zona em que o sinistro estava a ocorrer.
As caixas tinham acoplado um sino ou então serviam-se do sino da igreja junto das quais normalmente estavam colocados e, assim, os bombeiros sabiam onde o incêndio tinha lugar. 


Na Foz do Douro


Na foto acima está assinalada na oval a amarelo o que resta de uma caixa de toques, embutida na fachada da casa na esquina da Rua Padre Luís Cabral e Rua Miguel de Sousa Guedes, que tem inscrita a data de 1853, precisamente o ano em que arrancou o sistema.

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