segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

(Continuação 6)

Na década de 70 do século XIX, surgiria um movimento associativo de combate a incêndios, complementar do serviço municipal até aí existente.
Depois de reunidas as condições necessárias, foi no Pátio do Paraíso, a 25 de Agosto de 1875, instalado o corpo de bombeiros voluntários com a denominação de Associação Humanitária Bombeiros Voluntários do Porto, cuja primeira Direcção era presidida pelo Visconde da Ribeira Brava, e no lugar de 1º Secretário tinha Guilherme Gomes Fernandes, cuja nomeação efectiva para comandante, data de 11 de Julho de 1877, tendo sido já, anteriormente, em 25/8/1875 pela sua qualidade técnica, nomeado Inspector-Geral e chefe do Corpo de Salvação Pública.

A sede dos Bombeiros Voluntários do Porto no Pátio do Paraíso

Aquela associação humanitária devido a dissidências internas viria a dar origem, em 1924, à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Portuenses com instalações num pequeno quartel na Rua do Bolhão, tendo transitado em 1933 para as instalações na Rua Fernandes Tomás, e que desde Maio de 1950 ocupariam, também, o quartel da Foz em frente à barra do Douro.

Incêndio na Estamparia do Bolhão em 16 de Julho de 1924 – Fonte: museubombeirosportuenses.blogspot

Na foto acima observa-se o baptismo de fogo dos Bombeiros Voluntários Portuenses, vendo-se a sair da clarabóia, o cidadão britânico e o seu 1º comandante, Georges Corker.
Em 1926, no seio dos Bombeiros Voluntários do Porto, dar-se-ia nova cisão com a formação da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Invicta com instalações no edifício Vizela, na Rua Cândido dos Reis.
Em 1937 por ter entrado em declínio, a Invicta juntou-se aos Portuenses.

Exercícios no Pátio do Paraíso



Carro de bombeiros no Pátio do Paraíso à Rua do Bonjardim

Promoção para a nova casa dos B. V. Porto


Quartel dos Bombeiros Voluntários do Porto


As instalações da foto acima do Quartel dos B. V. do Porto na Rua Rodrigues Sampaio, que sucederam às do vizinho Pátio do Paraíso.


Edifício dos B. V. Portuenses na Rua Fernandes Tomás

As antigas instalações da foto acima situavam-se na Rua Fernandes Tomás esquina com a Rua do Comandante Rodolfo de Araújo.
Na foto abaixo as novas instalações dos B. V. Portuenses, na Rua das Cruzes nº 580, na freguesia de Ramalde, inauguradas em 1993.

Instalações actuais dos B. V. Portuenses


No âmbito do município, Guilherme Gomes Fernandes apresentou em 1890, o plano de reestruturação do Serviço de Incêndios que se passou a denominar Corpo de Salvação Pública.
O quartel principal situava-se no próprio edifício da Câmara Municipal, na então Praça de D. Pedro, e englobava o comando e estado-maior, a secretaria, o depósito de material, a central telefónica, a escola de instrução, o ginásio e as oficinas.
Havia ainda, espalhados pela cidade 16 quartéis dos quais cinco de primeira, nove de segunda e dois de terceira classe, respectivamente.



Foto de Guilherme Gomes Fernandes


Guilherme Gomes Fernandes nasceu na Baía a 6 de Fevereiro de 1850. Aos 3 anos de idade veio viver para a cidade do Porto e aos 13 partiu para Inglaterra, com o intuito de frequentar os estudos liceais. Com 19 anos, este jovem abastado e culto fixou residência no Porto. Entusiasta do desporto, acumulou diversas vitórias na disciplina de Ginástica. Anos mais tarde, ajudou a fundar a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários (1874-75) e do Corpo de Salvação Pública e foi nomeado Comandante do Corpo de Bombeiros em 1877 e Inspector de Incêndios do Porto em 1885. De seguida, transferiu-se para a Companhia de Incêndios (designada Corpo de Salvação Pública a partir de 1889 e Batalhão de Sapadores Bombeiros de 1946 em diante), assumindo o cargo de comandante.
Guilherme Gomes Fernandes notabilizou-se, entre outras acções, no combate ao trágico incêndio do Teatro Baquet, ocorrido em 1888 e no Concurso Internacional de Bombeiros de 1900, realizado em Vincennes, onde, sob a sua direcção, os bombeiros do Porto alcançaram o 1.º prémio. Desenvolveu, igualmente, actividade empresarial na área do material de combate aos incêndios, mas também no âmbito do jornalismo, tendo criado e dirigido o jornal "O Bombeiro Voluntário", publicado entre 1877 e 1890. O seu contributo para o progresso dos bombeiros do Porto e do país valeu-lhe o tratamento de "Mestre", assim como condecorações nacionais e internacionais de prestígio. Guilherme Gomes Fernandes morreu em Lisboa, no Hospital de S. José, a 31 de Outubro de 1902.” 
In Universidade do Porto


O corpo de Guilherme Gomes Fernandes seria trasladado para o Porto, apenas em 1950.


Publicidade ao concurso de Paris (Vincennes)


Folha informativa

Na folha informativa acima, se faz a notícia, sobre o primeiro prémio do Concurso em Paris, 1900


Corpo de Salvação Pública do Porto


Bombeiros em 1900

Cerimónia na Praça Guilherme Gomes Fernandes

Na foto acima, a inauguração do busto a Guilherme Gomes Fernandes, em 1/5/1915. A partir daqui, o nome da praça de Santa Teresa passou para o deste ilustre bombeiro.

Praça Guilherme Gomes Fernandes em 1915 já com o busto

Busto de Guilherme Gomes Fernandes

Folha informativa de homenagem a G. G. Fernandes




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