Não existindo qualquer hospital militar construído de raiz,
no Porto, quando teve lugar a guerra civil fratricida, logo que o conflito
terminou, começaram as autoridades a estudar a sua implantação.
Diga-se que a
construção do Hospital Militar, cuja construção foi decidida,
então, após o Cerco do Porto, apenas ocorreria no último quartel do século XIX.
Assim, ao longo dos
tempos, vários locais foram servindo como hospitais militares.
Antes, em 1808,
durante a Guerra Peninsular, uma parte do mosteiro de S. Bento da Vitória foi
ocupada pelas tropas invasoras francesas e, posteriormente, pelas portuguesas,
tendo-se servido dele como hospital militar, até 1820.
Foi mudado, depois,
para a Casa dos Celeiros, na Cordoaria. No dia 19 de Março de 1832,
quatro meses antes da entrada no Porto de D. Pedro IV, um incêndio destruiu
totalmente os barracões do Celeiro Público e, onde, à data, se
encontrava aquartelada a 1ª Companhia da Guarda Real da Polícia do
Porto.
Após as invasões
Francesas, entre 1810 e 1822, também o edifício onde nasceria o Palacete das
Cardosas, é ocupado por tropas portuguesas que aí instalaram um hospital
militar.
Durante o cerco do
Porto, em 1832/1833, houve vários locais que funcionaram como hospitais
militares.
Em 1832, a casa de
José Cardoso, à Rua S. Bento da Vitória e, uma outra, à Rua da Paz, estavam
também, a servir como hospital militar.
Com a extinção das
ordens religiosas, em 1834, começou imediatamente a pensar-se, utilizar o convento de Santo
António dos Capuchos, como hospital militar, o que não se concretizou.
Então, outras
instalações com carácter provisório foram usadas, como são os casos do Convento
de S. João Novo, onde o hospital começou a funcionar em 12 de Maio de 1835,
do Mosteiro de S. Bento da Vitória e do Hospital da Ordem Terceira de
S. Francisco.
O Hospital da
Ordem Terceira de S. Francisco seria instituído como hospital militar
permanente, em 21/11/1851, até à construção do Hospital D. Pedro V e, por isso,
teve um papel de destaque.
Sobre este hospital
dizem as Memórias Paroquiais de 1758:
“(…) na rua da Ferraria de Baixo desta freguezia, ha hum Hospital, que serve de
curar as infermidades dos irmaõs terceiros de S. Francisco, q adoecem e naõ tem
com que curarse em suas cazas. Principou esta obra em 28 de abril de 1734; e
por ser obra magnifica durou the o anno de 1743; q foi o primeiro anno em q
pera o dito hospital entraraõ os doentes, o q foi no dia primeiro de septembro
do dito anno de 1743. Pera esta obra muitas pessoas deixaraõ suas esmolas(…)”.
O Hospital da Ordem
Terceira de S. Francisco foi construído entre 1734 e 1743. A cronologia da sua
existência é a seguinte:
"1686,
Agosto - Foi construído pela Ordem Terceira de São Francisco, um edifício destinado
ao recolhimento e assistência dos irmãos pobres, entrevados e cegos, situado ao
fundo da Rua do Comércio do Porto (antiga rua da Ferraria de Baixo); 1687, 24
de Novembro - inauguração; 1714 - nesta data, tinha apenas seis irmãs
recolhidas, ficando então decidido que quando a última morresse o edifício
seria destruído e em seu lugar seria construído um hospital mais espaçoso e
sólido para tratar e acolher doentes, e enquanto o hospital não fosse
construído, os necessitados seriam tratados em suas casas, à custa dos
rendimentos da Ordem; 1734 - início das obras de construção do novo hospital,
dotado de duas frentes, uma para a Rua do Comércio do Porto e outra para a Rua
da Bolsa, sendo os fundadores deste edifício Manuel Ribeiro Poço e Manuel da
Silva e Sousa; 1743, 26 Maio - inauguração; 1765, 22 de Dezembro - foi
acrescentada uma enfermaria de entrevados; 1786 - acrescentou-se uma outra para
incuráveis; 1856, 20 de Fevereiro - estabeleceu-se no hospital uma Sopa
Económica diária; 1865 - no primeiro piso do hospital, são criadas pelos
beneméritos irmãos Conde de Ferreira e comendador Manuel Francisco Duarte
Cidade, escolas femininas e masculinas para filhos de irmãos pobres; 1876 -
nesta data, frequentavam as escolas 214 alunos de ambos os sexos; 2008 / 2009 -
ampliação do hospital com a construção de mais uma ala a Este".
Cortesia de Ana
Filipe (2009); In “monumentos.gov.pt”
Em 1861, decide-se
passar a utilizar, para o efeito, a Quinta das Águas Férreas, pelo que, a 20 de
Maio de 1862, as instalações de S. João Novo são abandonadas.
No entanto, o
problema não se encontrava resolvido, pelo que se decide construir um hospital
Militar permanente.
Pelo meio, ao longo
dos anos, ficaram sem efeito as hipóteses do Colégio dos Órfãos, do
Recolhimento do Anjo e, até, do Convento dos Carmelitas.
Finalmente, o Hospital
Militar D. Pedro V seria construído em terrenos do lugar de Pardelhas, entre as ruas da Boavista e das Valas,
praticamente, no términos da Rua da Boavista.
Para o efeito, é
adquirido, em finais do ano de 1861, um terreno à face da Avenida da Boavista,
pertencente a “Ana Esganada”.
Em 15 de Março de
1862, dada a dimensão da construção que vinha sendo projectada, é comprado,
junto do inicialmente adquirido, o Campo de Pardelhas, do domínio directo da
Mesa do Prioral de Cedofeita e o Campo da Consorte, da directa senhoria da Colegiada
de Cedofeita.
Os dois terrenos
confrontavam a nascente com um caminho (hoje a Rua Dr. Carlos Cal Brandão) e, o
primeiro, a sul com a Avenida da Boavista e, o segundo, a norte com as terras
do “Forneiro” e foram comprados a Maria Joaquina e sua irmã Ana
Francisca.
A construção do
hospital foi autorizada por Carta de Lei de 18 de Abril de 1854, por D.
Fernando II, Regente, em nome do seu filho menor, o Rei D. Pedro V.
Lançada a primeira
pedra, em 22 de Abril de 1862, foi baptizado em homenagem ao Rei D. Pedro V,
falecido no ano anterior.
Em 13 de Novembro de
1862, ao terreno já existente é acrescentado de mais 3102 m2, pela compra do
Campo Novo (antigo Campo da Arrotêa), situado nas Valas (Rua Nossa Senhora de
Fátima), à mesma Ana Francisca, por cem mil réis, sendo directo senhorio o D.
Prior de Cedofeita.
Em 7 de Abril de
1863, são adquiridos mais 2283 m2, a Maria Constança Ribeiro e sua irmã.
Em 1875, mais uma
porção de terreno seria comprada a José António Pereira Duarte, José Pereira da
Rocha e Zeferino Matos.
Como curiosidade,
diga-se que, em 30 de Março de 1869, O Ministério de Guerra pagou ao D. Prior
de Cedofeita, a quantia de 5$590 réis de foro, relativo a 1862 e 1863, do prazo
de Pardelhas.
Para que conste,
apenas pelo Decreto-Lei n.º 195-A/76, de 15 de Março de 1976, assinado pelo
General Costa Gomes, foi abolida a enfiteuse, a que se achavam sujeitos os
prédios rústicos, transferindo-se o domínio directo deles para o titular do
domínio útil, sendo os titulares do domínio directo indemnizados em
determinadas condições e caso fossem, pessoas singulares.
Naquele ano, o mesmo
sucederia para os prédios urbanos pelo Dec.-Lei n.º 233/76, de 2 de Abril.
Na foto acima
observa-se, à direita, que a Rua da Boavista (hoje Avenida da Boavista) ainda
não foi aberta.
As obras só
terminaram em 1914.
Um grande incêndio
deflagrou em 27 de Julho de 1918, que destruiu uma grande parte da fachada
principal e a capela do hospital. Esta ostentava um dos altares do Convento de Monchique,
que tinha sido para lá deslocado e que também ardeu.
"Recebe os
primeiros doentes em 1869, quando só 1/3 do projecto estava concluído. Na
sequência do golpe republicano de 1910, o hospital passa a designar-se
"Hospital Militar do Porto". Quando da reorganização do Exército de
1926, o estabelecimento passou a ser o Hospital da 1.ª Região Militar, com a
designação de "Hospital Militar Regional nº 1". Em 1990, em homenagem
àquele grande rei, o hospital voltou a incluir o nome do Rei D. Pedro V na sua
designação oficial que passou a ser "Hospital Militar Regional nº 1 (D.
Pedro V)”.
In O Tripeiro Série
VI, Ano X





