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terça-feira, 13 de junho de 2017

(Continuação 5) - Actualização em 05/11/2019, 29/04 e 01/10/2020


Diz a tradição que, no século X, este local foi palco de uma sangrenta batalha entre os sarracenos de Almançor e os habitantes do Porto, que acabariam por sair derrotados, originando o arrasamento da cidade.
Dizem outros historiadores que o nome de "Batalha", dado à praça, evoca uma sangrenta ba­talha que por ali se terá travado no século X, entre as tropas cristãs do conde Herme­negildo e as hostes mouras de Abderramão III.
Uns topónimos antigos ligados ao local são os de Campo do Pombal e Terreiro de Nossa Senhora da Batalha (meados do século XVII).



“A mais antiga referência que se conhece ao Campo do Pombal data de 1590 e consta, de um documento, em que se diz que o tal "campo" era "… todo cercado sobre si (todo murado) entestando (confinando) da parte do sul com a estrada que vai entre as paredes (actual Rua de Entreparedes) para S. Lázaro; e da banda da cidade com o rio de Nossa Senhora da Batalha".
Aquilo que no documento aparece como sendo "o rio de Nossa Senhora da Batalha", não passava de um simples riacho cuja água, proveniente do manancial do então chamado "Campo de Mijavelhas" (actual Campo de 24 de Agosto), alimentava um pequeno chafariz que ficava da parte de fora da muralha.
Tendo em conta as limitações apresentadas para a localização do tal "Campo do Pombal", não é difícil concluir, tendo em conta a situação da actual Praça da Batalha, que essa propriedade ficava onde agora está o palacete que foi da família Guedes, da Quinta da Aveleda, em Penafiel, antiga sede da estação central dos CTT”.
Germano Silva – Fonte: “ruasdoporto.blogspot.pt”


No ângulo sudoeste da actual praça ficava situada a Porta de Cima de Vila da muralha fernandina, junto da qual, ficava a Capela de Nossa Senhora da Batalha, que aí estava c. 1600.
É provável que nos começos do século XV ainda não estivesse levantada aquela primitiva capela, junto à Porta da Batalha em Cima de Vila, mas aí, já existia, o culto à imagem daquela invocação, bem como, a uma outra imagem de Nossa Senhora dos Remédios, veneradas na torre junto a essa Porta. Essas imagens, segundo a tradição teriam juntamente com uma outra de Nossa Senhora da Vandoma e venerada na Porta de Vandoma, sido trazidas, de França, pelos Gascões.


Nossa Senhora de Vandoma



Porta da Batalha em gravura de Gouvea Portuense



A planta abaixo, apresenta a capela de Nossa senhora da Batalha alguns anos antes de ser demolida e transladada.



Planta de 1789 de Teodoro Maldonado em que está representada a Capela de Nossa Senhora da Batalha (G), à saída da Porta de Cima de Vila (P) – Fonte: AHMP




No século XVIII, a zona sofreu grandes transformações, sendo demolida a muralha e tendo uma capela sido levantada em 1799, um pouco mais adiante, que seria demolida em 1924. 





Capela Nossa Senhora da Batalha (demolida em 1924)



No século XIX, ainda se realizavam im­portantes feiras e mercados nos terrenos da Praça da Batalha.
Em 1834, há notícia de que no espaço compreendido entre o palacete dos Guedes (antiga estação dos correios) e a entrada da Rua de Santo Ilde­fonso, se fazia, diariamente, um mercado onde se vendiam, essencialmente, frutas, flores e legumes. 
Mais ou menos, junto à escadaria de acesso à entrada principal da igreja paro­quial era costume, por aquele ano, as pa­deiras de Campanhã montarem as suas bancas para a venda do pão que traziam ao Porto. A par com as padeiras, também ali se concentravam, com as suas canas­tras cobertas com uma rede de arame, as lavradeiras de S. Cosme e de Valbom para a venda de galinhas, pintos, patos e ou­tras aves. Era na Praça da Batalha que também se realizava a feira do carvão, da palha e da lenha. Uma feira muito importante para a época, se tivermos em conta que nela se comercializavam os principais produtos produtores de energia, a lenha, o carvão e a palha, a base alimentar dos animais que eram utilizados nos veículos de transpor­te de pessoas e de mercadorias. Esta fei­ra, em 1838, foi transferida para o Largo do Actor Dias, junto do pano da muralha fernandina. 
O grande surto urbanístico da Batalha começou, a bem dizer, em 1881, quando se deu início aos trabalhos de construção da ponte de Luís I, que culminou com a inauguração em 1886, do tabuleiro superior e com a conclusão em 1888, do seu tabuleiro inferior.
Em meados do séc. XIX, a praça era zona de hotéis. Havia o Águia d’Ouro, o Estanislau (à esquina com a Rua da Madeira), o Nova Itália diante do Teatro S. João e ainda, o Hotel Universal, o Hotel Sul-Americano, o Hotel Estrela, o Hotel Floresta das Camélias e alguns outros, na Rua de Entreparedes e imediações.


Praça da Batalha com Hotel Universal ao fundo à direita




À direita, com mastro de bandeira, o edifício onde se instalaria o cinema Águia Douro, entretanto, desactivado




Praça da Batalha c. 1915



De notar, na foto anterior, que a circulação e o estacionamento se fez pela esquerda, até 1928.




Teatro S. João


À esquerda da foto acima, vê-se o terreno de implantação de Messe dos Oficiais. Escondida no canto direito ainda se vê uma pequena parte da igreja da Nossa Senhora da Batalha.



Teatro S. João e Messe dos Oficiais, à esquerda



À direita, na foto acima, pode ver-se o edifício do Teatro Nacional de S. João, construído entre 1911 e 1920, no local onde existiu o primitivo de 1794, destruído num incêndio em 1908.
Ao fundo, o edifício da Messe dos Oficiais (inaugurada em 15 de Setembro de 1926), onde esteve o Hotel Universal, tendo as suas instalações sofrido, para o efeito, uma ampliação.
Pelo meio dos dois edifícios está a Rua Augusto Rosa, de hoje, por onde passava a muralha fernandina.




Foto actual da Praça da Batalha



Tabacaria Alberto Ferreira



Na gravura acima, na Praça da Batalha, na esquina da Rua Entreparedes com a Rua Alexandre Herculano o prédio onde coabitaram o Hotel Continental e, no rés-do-chão, à esquerda, a tabacaria Alberto Ferreira.



Lado poente da Praça da Batalha



Neste lado da praça se instalaram, ao longo dos anos, os cafés Comuna, Leão d’Ouro, Chave d’Ouro e Tropical: os hotéis, Grande Hotel Portuense, Hotel Sul-Americano, Grande Hotel do Império; a “Casa de Espanha” e a “Escuela Española”, a partir da década de 1920, sob o comando de Manuel Recarey, o dono do Restaurante Comercial. Em 5 de Novembro de 1932, a Casa de Espanha inaugurava, com um grandioso baile, a sua nova sede; o Restaurante Stanislau, da cozinheira Gertrudes e o Orfeão do Porto, etc.





À esquerda, parcialmente visível, o edificado a poente


De notar, na foto acima, que a igreja está desprovida de azulejos e o espaço fronteiro está arborizado. Um “Americano” desliza pela praça.



Praça da Batalha, na viragem para séc. XX



Lado poente da Praça da Batalha, em 1906


Na foto editada, o primeiro prédio à direita ainda existe, sendo aquele que é contíguo ao do antigo Café Chave d’Ouro e que, passado cerca de 15 anos sobre a data da foto albergava, no seu rés-do-chão, a camisaria Perdigão.

À esquerda da foto, observa-se uma pequeníssima nesga do prédio que faz esquina com a Rua da Madeira e que também subsiste.
O que se lhe segue, parcialmente visível (simétrico em relação ao eixo vertical do quiosque) é o que albergou o Grande Hotel Portuense, primeiro e, depois, a “Casa de Espanha”, tendo sido demolido, posteriormente, para ampliar o Grande Hotel do Império, que substituiria, no local, o Hotel Sul-Americano, que foi propriedade do brasileiro de torna-viagem, Álvaro de Azevedo.




Grande Hotel Portuense


Em 1925 e 1927, o proprietário do Grande Hotel Portuense, Augusto Guilherme Vasques, ainda solicitava à Câmara do Porto, naquela qualidade, obras para o prédio do hotel.




Instalações da Casa de Espanha e Escuela Espanhola, na Praça da Batalha, c. 1930 - Fonte: AHMP

 

O empresário Álvaro Azevedo, em Novembro de 1911, já proprietário do hotel, entrega pedido de licença na edilidade de modo a remodelar o Hotel Sul-Americano, que obteve a licença de obra nº 440/1912, tornando-o um dos melhores hotéis da cidade.

A decoração evocava vários motivos inspirados na América do Sul sendo, por isso, muito procurado por visitantes oriundos daquelas paragens.
O mobiliário foi elaborado pela casa portuense, “Correia d’Abreu”, sendo usado a nogueira e o freixo americano.
Durante as obras de beneficiação das instalações em causa, foi feito o aproveitamento do primeiro prédio (que se seguia ao que albergou o Hotel Portuense) que manteria o rés-do-chão, os três pisos e águas furtadas e absorveria, ainda, os prédios que lhe eram contíguos até, inclusive, àquele, um pouco esguio, que se encontra meio escondido pela estátua de D. Pedro V.
O conjunto edificado manteria, no entanto, a arquitectura do que tinha sido aproveitado.

 

 


Interior do Hotel Sul-Americano

 

 


Sala de Jantar do Hotel Sul-Americano

 

 


Publicidade ao Hotel Sul-Americano, em 1935

 

 

Na 2ª metade do ano de 1944, o Hotel Sul-Americano foi adquirido por Joaquim Ribeiro de Almeida, dando lugar ao “Grande Hotel do Império”.

 


Grande Hotel do Império antes da ampliação – Cortesia do arquitecto Ricardo Figueiredo

 

 


Praça da Batalha e sinaleiro a controlar o trânsito. O Grande Hotel do Império, ao fundo, ainda não foi ampliado

 

O hotel seria, pouco depois, ampliado.
Na execução do projecto subjacente, o prédio a meio da foto anterior, onde esteve alojado o Grande Hotel Portuense e, posteriormente, a “Casa de Espanha” e a "Escuela Espanhola", foi demolido para ser feita a respectiva ampliação, juntando-se, deste modo, às antigas instalações.
O resultado da intervenção foi o aparecimento de um hotel luxuoso e de referência da cidade, inaugurado em 14 de Julho de 1945, com a presença da esposa do Presidente da República, Fragoso Carmona, passando a pertencer à Empresa Nacional de Turismo, dirigida por Aníbal Contreras. 
A nova unidade hoteleira seria, inclusive, mencionado no filme “O Leão da Estrela”(1947).
Entretanto, a Casa de Espanha haveria de rumar a S. Lázaro, ocupando um 1.º andar, junto da garagem Galiza, onde as duas comunidades ibéricas se conheciam em animados bailes.
Hoje, no local, está o hotel “Quality Inn”.

 

Hotel “Quality Inn”

 







Este palacete, situado no lado oriental da praça, foi construído no início do século XIX, por iniciativa do fidalgo da Casa Real e cavalei­ro da Ordem de Cristo José Anastácio da Sil­va da Fonseca, que estava casado com D. Joana Meireles Guedes de Carvalho, senho­ra da casa da Aveleda, em Penafiel.
José Anastácio da Silva da Fonseca comprou a morada aí existente, em 1826, ao filho de António de Melo Correia, tendo-o este adquirido, em arrematação, no Juízo dos Orfãos da cidade do Porto, em 1799. 
Quan­do as tropas do Exército Libertador coman­dadas pelo rei D. Pedro IV entraram no Por­to, na manhã do dia 9 de Julho de 1832, o imóvel já pertencia a Manuel Guedes da Silva da Fonseca Meireles de Carvalho (1802-1870), casado com D. Maria Leonor Teresa da Câmara, que, três anos antes, acabava de ser agraciada (29 de Setembro de 1829) com o título de condessa de Pangim, como recompensa pelos altos serviços pres­tados por seu pai na Índia. A partir daí, o imóvel da Praça da Batalha também passou a ser conhecido pela designação de "palácio da condessa de Pangim". Abandonado pelos seus donos, que se retiraram para a sua quinta da Aveleda, em Penafiel, logo a seguir à chegada ao Porto de D. Pedro IV, o palácio foi ocupado pelos liberais, que nele instalaram várias repar­tições militares e civis. 
Foi aqui que Bernardo de Sá Nogueira, mais tarde Marquês de Sá da Bandeira, foi internado após ter sido gravemente ferido, acabando por ver ser-lhe amputado o braço direito ferido.
Em 1842, foi restituído aos antigos donos e, em 1861, quando a Câmara mandou terraplanar o largo, para nele colocar a estátua de D. Pedro V, o palácio ficou cerca de um metro mais alto que o pavimento da praça. 
À data, já era proprietário do palácio Manuel Guedes da Silva da Fonseca Meireles de Carvalho (1837-1899) casado com Maria Filomena de Figueiredo de Lacerda Castelo Branco (1843?-1862). 
A Câmara atribuiria ao proprietário 800 mil réis de indemnização, dinheiro usado para rebaixar o pavimento do palácio, o que é bem visível na configuração das janelas do andar térreo.
Em 25 de Fevereiro de 1863, o jornal «O Anunciador» dava conta da realização de um grande leilão de mobílias no «palácio da Praça da Batalha, 62 (…) rendeu esse leilão a quantia de 8.408$284 rs.»
Em 1873, quando o proprietário já tinha realizado um segundo matrimónio com Maria do Carmo Palha de Faria Lacerda (1838-1904), o palacete estava, em parte, arrendado para funcionamento da estação telegráfica e, em 1877, por lá se fixaram os restantes serviços daquela estação, que vinham funcionando na Casa Pia.
Em 1881, a Administração dos Correios instalou-se também no palacete, após o proprietário o ter vendido por 47000$000 réis.





Palacete dos Guedes da Aveleda, na Praça da Batalha, em 1833 – Gravura de J. Villanova




Pela gravura acima, pode observar-se que, para o nivelamento do terreno em frente do palacete, foi necessário fazer um desaterro.
Na década de 1860, o edifício já estava alugado ao Estado, conforme se pode ler no texto que se segue.



«A casa então já era pertença de Manuel Pedro Guedes da Silva da Fonseca Meireles de Carvalho, moço fidalgo da Casa Real com exercício no Paço, senhor da Casa da Aveleda (...), que o alugou ao Estado pela renda anual de 1.200$000 rs., e depois a vendeu, para instalação da estação dos Correios, Telégrafos e Telefones, que ainda lá se encontra, aguardando desde há muito tempo transferência para novo edifício, a construir no cimo da Avenida dos Aliados (...).
Há relativamente poucos anos, na administração geral dos Correios e Telégrafos não existia a escritura de compra, pelo que esse departamento do Estado chegou a suspeitar que o prédio não tivesse sido vendido, mas simplesmente alugado, e assim o comunicou à família Guedes. Ao cabo porém, de várias pesquisas (...), foi encontrado o respetivo documento na Torre do Tombo, não restando portanto nenhuma dúvida sobre a transação efetuada».
Cortesia de Nuno Cruz (Excerto de um artigo do Brigadeiro Nunes da Ponte, in O Tripeiro de Fevereiro de 1952)



Em 13 de Março de 1870, faleceu, repentinamente, Manuel Guedes da Silva da Fonseca, com 60 anos, casado com a Condessa de Pangim.




Palacete dos Guedes em 1900


Palacete dos Guedes da Aveleda em 1905 – Ed. Alberto Ferreira, Tipographia Peninsular; Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”



Palacete antes da última intervenção



Palacete dos Guedes, actualmente


O povo conhece-o por Palacete dos Guedes, da Quinta da Aveleda, em Penafiel.
Aqui, realizaram-se os mais sumptuosos bailes, no fim do séc. XIX.
Estação Central dos Correios, Telégrafos e Telefones, ao longo de grande parte do século XX, em 2009, o edifício foi vendido ao grupo hoteleiro Hotel Dona Inês e, hoje, é um hotel de 4 estrelas - NH Collection Porto Batalha.
A praça é, desde 1866, dominada pelo monumento a D. Pedro V, da autoria de Teixeira Lopes, pai.




Estátua de D. Pedro V


Na praça está também localizado o Teatro Nacional S. João e o Cinema Batalha.
A operação de reabilitação urbana realizada no âmbito do Porto 2001 envolveu a Praça da Batalha, o Largo Santo Ildefonso, a Rua 31 de Janeiro, Rua Augusto Rosa e Largo 1º de Dezembro, e foi coordenada pelo Arqº Adalberto Dias, tendo colaborado ainda os Arq. Fernando Távora, Alvaro Siza, Souto de Moura, Alcino Soutinho e J. Pedro Xavier.




Teatro S. João


O Teatro Nacional de S. João da cidade do Porto é uma magnífica obra de arquitetura do século XX. No entanto, o primeiro edifício, destruído por um incêndio, foi baptizado com o nome do mesmo santo e seria erguido nos finais do século XVIII. Ainda antes do antigo Teatro de S. João, o Porto teve outro importante palco de espetáculos que se situava numa das dependências do demolido Palácio dos Condes de Miranda, Marqueses de Arronches e Duques de Lafões - casa de espectáculos particular aberta em 1760. Na sua inauguração foi levada à cena uma ópera lírica para homenagear o casamento de D. Maria I com D. Pedro. Este teatro foi riscado por João Glama Stroberle, auxiliado pelos artistas José Régióli, Francisco José, João André Chiape, Veríssimo Nunes, Domingos Teixeira Barreto e José dos Santos Cartaxo.
Contudo, o Porto merecia um mais amplo e condigno espaço cultural. Com efeito, o Corregedor Francisco de Almada adquire parte do terreno da muralha fernandina, na zona da actual Praça da Batalha. As obras arrancam em 1796 e o Teatro de S. João é inaugurado no dia 13 de Maio de 1798 (data de aniversário do futuro rei D. João VI), apesar de as obras ainda não estarem totalmente concluídas, com a comédia "A Vivandeira", motivo este, por que, nos primeiros tempos, ainda lhe deram o nome de Teatro do Príncipe.
A autoria do projecto coube ao arquiteto Vicente Mazzoneschi, não sendo particularmente significativa a sua configuração arquitectónica.
A estrutura interior do original Real Teatro de S. João era semelhante à do Teatro de São Carlos, e a sua composição próxima dos teatros de tipo italiano que, na época, se tinham estabelecido como regra de sucesso.
Na passagem do dia 11 para o dia 12 de Abril de 1908, um violento incêndio reduziu o Teatro de S. João a escombros.


Teatro S. João - Gravura em O Tripeiro 5ª Série, Vol I, pág 119


 Real Teatro S. João antes do incêndio


Real Teatro S. João depois do incêndio - In portoarc.blogspot


Nas duas fotos anteriores está em primeiro plano um fontanário/ candeeiro.
No mesmo ano, o arquitecto Marques da Silva concebia o risco do novo teatro portuense, vindo este a ser concluído em 1918.
Foi inaugurado a 7 de Março de 1920 e, em 1992, foi adquirido pelo Estado português.
Entretanto, a 18 de Junho de 1932, a sala de espectáculos abriria, após obras importantes para adaptação a novas formas artísticas - o cinema. Foi, então, levado à cena, em estreia, o filme de Georg Wilhelm Pabst "Atlântida".
Na noite de 6 de Maio de 1936, quando na Europa se começava a viver a subida do poderio nazi, a cantora chilena com vida artística feita sobretudo na Alemanha, Rosita Serrano, exibe-se no Teatro S. João para delícia da burguesia portuense.
E espectáculos de todo o género foram acontecendo nesta sala portuense de eleição ao longo dos anos.
Hoje, o edifício totalmente reconstruído é um dos principais edifícios da cidade e local de realização dos principais espectáculos culturais.
Em 2012, o teatro foi reclassificado como monumento nacional. A reclassificação, aprovada em Conselho de Ministros, a 24 de Maio, foi publicada em Diário da República no dia 10 de Julho de 2012.
O actual edifício, de aspecto robusto mas sem estilo definido, é composto por uma imponente frontaria guarnecida por quatro colunas jónicas, entre as quais se abrem três janelas de arco pleno e outras tantas portas.
Internamente, a decoração da sala de espectáculos e principais salões ficou a cargo dos pintores Acácio Lino e José de Brito e dos escultores Henrique Moreira, Diogo de Macedo e Sousa Caldas, sendo estes dois últimos responsáveis pelas quatro figuras alegóricas colocadas no friso do entablamento e que representam a Bondade, a Dor, o Ódio e o Amor.




Praça da Batalha (junto ao Teatro S. João), em 1934. Partida em direcção à ponte Luís I, de uma etapa da V “Volta a Portugal” em bicicleta - In Ilustração Portugueza, de Setembro





Cinema Batalha


O Cinema Batalha é uma sala de espectáculos localizada na Praça da Batalha.
Na foto abaixo, no edifício parcialmente visível, à esquerda da mesma, esteve sedeada a firma "A Construtora", de Campos & Morais, armazém de ferragens e materiais de construção e, desde 1908, a sala de projecção de cinema Salão High Life.



“A Constructora”, de Campos & Morais



Em 1913, neste mesmo sítio, tomará o nome definitivo de Cinema Batalha, tendo sido sujeito o edifício, ao longo dos anos, a várias alterações que acabaram por modificar muito o seu aspecto inicial.




Antigo Cinema Batalha



Em 1947, o novo cinema Batalha foi inaugurado com projecto do arquitecto Artur Andrade.
Foi inaugurado, em 3 de Junho de 1947, sendo constituído por dois auditórios, um com capacidade para 950 lugares sentados (plateia 346, tribuna 222, balcão 382) e o outro, para 135 pessoas. Tinha ainda dois bares e um restaurante com esplanada.
Actualmente, o edifício é propriedade da família Neves Real.
Depois de seis anos, fechado, voltou a abrir ao público, em Maio de 2006, por arrendamento à empresa "Comércio Vivo", uma parceria da Câmara do Porto e da Associação de Comerciantes. 
A "Comércio Vivo" foi criada para gerir os cinco milhões de euros disponibilizados pelo grupo Amorim para compensar os comerciantes pela inclusão de um shopping no Plano de Pormenor das Antas.
Em 31 de Dezembro de 2010, o Gabinete Comércio Vivo entregou as chaves aos proprietários, no último dia do contrato de gestão.
A precisar de uma intervenção, o espaço ficou fechado por vários anos. 
Abriria, no final do ano de 2022, após sofrer obras de vulto, em consequência de um arrendamento do edifício pela parte da autarquia portuense, por 25 anos.



Terreno onde seria levantado o novo Batalha

Cinema Batalha




Igreja de Santo Ildefonso

A Igreja de Santo Ildefonso está localizada na Praça da Batalha, freguesia de Santo Ildefonso.
A igreja foi reconstruída a partir de 1730, por se encontrar em ruínas a primeira igreja, e ficou concluída em 1739, sendo dedicada a Santo Ildefonso de Toledo.
A fachada é composta por duas torres sineiras com dentilhões nas cornijas, rematadas em cada face por esferas e frontões de fantasia. Por cima do entablamento ergue-se o nicho do padroeiro. Guarnecem as paredes azulejos de Jorge Colaço (1932), com cenas da vida de Santo Ildefonso e alegorias da Eucaristia.
A nave é de tipo poligonal em estilo proto-barroco, com tecto em madeira e estuques ornamentais repetidos nas paredes. Os altares laterais são obras neo-clássicas e os colaterais são de talha rococó. O retábulo em talha barroca é rococó da segunda metade do século XVIII.

Igreja de St. Ildefonso

Estátua de D. Pedro V

A meio da praça está a estátua de D. Pedro V com farda de Tenente- General. Foi construída numa única e gigantesca base de granito e o trajeto desde a pedreira de Águas Santas até ao seu destino, de apenas 2km, demorou 14 dias.

Estátua de D. Pedro V – Ed. “portojofotos.blogspot.pt”

“D. Pedro V era filho da Rainha D. Maria II e nasceu em Lisboa no ano de 1837. Subiu ao trono em 1853 e faleceu em 1861, após um curto reinado. 
Fundou em 1859, o Curso Superior de Letras e em 1860, a Escola Normal. Distinguiu-se pela sua cultura e, apesar do reduzido período em que reinou, mostrou ser um governante desejoso de promover o progresso e o bem-estar das populações. 
Monumento com estátua de bronze, da autoria de J. J. Teixeira Lopes (pai) inaugurada em 1866, colocada na Praça da Batalha, mandado construir pela Câmara Municipal sendo lançada a primeira pedra em 11 de julho de 1862. O seu majestoso pedestal em forma octogonal, possui relevos em quatro faces, estando a principal orientada a poente e contendo os emblemas da religião, a face do lado oeste os emblemas da indústria, na face sul tem os emblemas da agricultura e do lado este tem os emblemas das artes. Todos estes lados são legendados. Nos oitavados assentam quatro almofadas, e sobre estas figuram as armas de Portugal, do Porto e de Saxe-Coburgo-Gotha. 
Fonte: portoxxi.com


A primeira pedra da estátua de D. Pedro V na Praça da Batalha foi colocada pelo General Visconde de Rivas, tendo sido enterrado com ela, um cofre com moedas cunhadas no tempo de D. Pedro V, o auto de inauguração em pergaminho e uma lâmina de prata com inscrições latinas.

quarta-feira, 22 de março de 2017

(Continuação 22) - Actualização em 27/11/2017 e 29/11/2020

Pela zona da Praça da Batalha e suas imediações, foram-se instalando, ao longo dos anos, vários estabelecimentos hoteleiros.
Em 1883, o Grande Hotel Victória já estava pela Rua de S. Lázaro.

 
“Os senhores José Bernardo Gomes & Viana acabam de estabelecer um hotel excelente, com a denominação em epígrafe, na Rua de S. Lázaro, próximo ao jardim”.
In jornal “Primeiro de Janeiro” de 8 de Setembro de 1883
 
 
O Grande Hotel Victória abriria, em 23 de Maio de 1886, as suas novas instalações.

 
“Abriu ontem na sua nova instalação da Rua de Entreparedes, quase em frente à Batalha, o Grande Hotel Victória que, durante algum tempo, esteve em uma casa da Rua de S. Lázaro. A mesa redonda, muitíssimo bem servida, foi ontem inaugurada com um jantar de gala”.
In jornal “Primeiro de Janeiro” de 24 de Maio de 1886
 


 
O Hotel América Central esteve aqui
 
 
O Hotel América Central ficava na esquina da Rua Rodrigues de Freitas e Entreparedes, desde 1895. Actualmente é a Pensão Aviz.

 
 

Publicidade ao América Central, em 1923


 

Hotel Estrella do Norte, na Rua Entreparedes



O Hotel Estrela do Norte, acima referido, com começo de actividade na Rua de Cima de Vila, acabaria por se fixar na Rua de Entreparedes, depois de passar pelo Largo da Batalha.

 
“O Hotel Estrela do Norte, até ao último S. Miguel estabelecido à esquina da rua de Cima de Vila, mudou para o largo da Batalha.
Este hotel que, a uma existência de vinte anos, tem reunido melhorar progressivamente, realizou agora, com a mudança, um aperfeiçoamento muito notável.
Na casa, que este hotel deixou, foi estabelecer-se um criado dele. Tomou o título de «Estrela».”
In jornal “Diário Mercantil”, de 08 de Outubro de 1861 – 3ª Feira
 
Sobre o Hotel Estrela do Norte disse o jornal “Comércio do Porto” em 29 de Julho de 1864 – 6ª Feira:
 
“Este antigo Hotel mudou do largo da Batalha para a rua de Entreparedes, nº 51 a 63.”

 

Folheto de publicidade ao Hotel Bragança



 

Outro folheto referente ao Hotel Bragança
 
 
 
O Hotel Bragança, com imagem no folheto acima, tinha chegado da Rua do Bonjardim, nº 75, onde tinha sido inaugurado em Dezembro de 1864, de acordo com o jornal "O Commercio do Porto" de 23 de Dezembro desse ano. Aquela morada era um pouco acima do conhecido Hotel Aliança.
Comparando os dois folhetos publicitários anteriores, parece que o Hotel Estrella do Norte e o Hotel Bragança ocuparam o mesmo edifício.
Parece que no tempo do Hotel Estrella do Norte, este só teria serventia pela Rua de Entreparedes.
De notar que o Hotel Bragança tinha entrada, também, pela Rua de Santo Ildefonso.
Teria havido pela mesma época um outro hotel denominado “Hotel Novo Bragança”.
Em 15 de Junho de 1918 abriria neste prédio o chamado “London Club”, com sala de jogos, sala de bilhar e sala de leitura.
 
 
 

Sala de Leitura do “London Club” - Ed. Illustração Catholica
 
 
 

Prédio onde esteve o Hotel Bragança, a meio da foto – Fonte: Google maps

 
 
A fachada da foto anterior, está virada para a Rua de Entreparedes e depois de albergar o “London Club”, foi também esquadra da Polícia de Segurança Pública.

 
 

Hotel Nacional, em 1913


 
O Hotel Nacional na gravura acima ficava na Rua de Entreparedes logo encostado ao Hotel Continental (fazia esquina com a Praça da Batalha).



 
No 1º prédio à direita (ainda existente), ficava o Hotel Nacional – Fonte: Google maps
 
 

 

Hotel Continental


 
Acima o Hotel Continental na esquina da Rua de Entreparedes e a Praça da Batalha.

 
 

Local onde esteve o Continental na entrada da Rua de Entreparedes – Fonte: Google maps
 
 
 
 
 
 

Hotel Sul-Americano

 
 

Publicidade ao Hotel Sul-Americano


 
O Hotel Sul-Americano, mais tarde, seria substituído no local pelo Grande Hotel do Império.
 
 
 
 
 

Grande Hotel do Império e cafés, Chave d’Ouro e Leão d’Ouro

 
 
O edifício que se vê a montante do Grande Hotel do Império, haveria de ser demolido para expansão deste hotel.
Quando tal ocorreu, estava ocupado pela “Casa de Espanha” e pela “Escuela Española” e anteriormente tinha alojado o Grande Hotel Portuense.

 
 

No prédio do meio, o Grande Hotel Portuense, na Praça da Batalha


 
 

Grande Hotel Portuense – Cartão Comercial


 
O Grande Hotel Portuense em 1925, ainda solicitava licenças à Câmara do Porto para efectuar obras.
 
 
 
 

“Casa de Espanha”, na Praça da Batalha – Fonte: AHMP

 
 
O Hotel Universal, situado na Rua de Alexandre Herculano, foi inaugurado em 15 de Outubro de 1881, pela firma “Ramires & Vasques” e com a direcção técnica do hoteleiro Alfred Wissmann.
Mais tarde, este hotel passaria para a propriedade da “Companhia Portugueza de Turismo”, antiga “Sociedade Praia de Vila do Conde”.
 
 
 
 

Publicidade ao Hotel Universal
 
 
 
 

Hotel Universal, em 1907. Seria, depois, Messe dos Oficiais

 
 

Hotel Universal
 

 

Messe dos Oficiais (actualmente) - Ed. aportanobre.blogspot.pt
 
 

A partir de 15 de Setembro de 1926, as antigas instalações do Hotel Universal começaram a ser adaptadas para receber a Messe dos Oficiais.
Em 17 de Outubro de 1931, as obras levadas a cabo para o efeito estavam completamente concluídas e, nesse dia, foram inauguradas com pompa e circunstância. A decoração dos espaços foi da responsabilidade da Casa Venâncio Nascimento.
Para que a instalação se realizasse, foi necessário ampliar para poente e para nascente o antigo edifício do hotel Universal que, na foto acima, estaria dentro do rectângulo amarelo.
A Messe dos Oficiais ocupou, assim, a esquina das ruas de Alexandre Herculano e Augusto Rosa, podendo apreciar-se, na foto abaixo, uma perspectiva de há dezenas de anos atrás, do correr de casas contíguo à área em que está aquele edifício, nesta última rua.
A Rua Augusto Rosa é uma homenagem à memória do genial actor Augusto Rosa, muito estimado no Porto, que se estreara em peça do seu pai em 31 de Janeiro de 1872 e que, faleceu, em 2 de Maio de 1918.
 
 
 

À direita, o Teatro S. João e, em frente, a Messe dos Oficiais, em Fevereiro de 1982

 
 
 
 

Rua Augusto Rosa (em frente ao Teatro S. João), na década de 1940
 

No edificado da foto acima esteve, em tempos, o Hotel Nova Itália.



O mesmo local da foto anterior, actualmente (o prédio à esquerda é ocupado pela Junta de Freguesia) – Fonte: “anfitrioesdainvicta.blogspot.pt”
 
 
 
 
 

Grande Hotel da Batalha esteve na esquina da Praça da Batalha com a Rua de Cima de Vila, num prédio onde, antes, tinha estado o Hotel Maria, cujo proprietário, Manuel Bento Rodrigues, em Julho de 1913, solicitava à Câmara do Porto uma série de obras para o acesso ao piso térreo e, em Outubro desse mesmo ano, dava conta à mesma entidade, pela licença de obra nº 1252/1913, de que pretendia construir uma “devanture” em ferro, naquele mesmo piso.
Desde 1862, tinham estado alojados naquele local o Hotel Estrela do Norte, o Hotel Batalha, o Hotel Particular, o Hotel Oriental, o Hotel Gibraltar e, finalmente, o tal Hotel Maria.





Grande Hotel da Batalha, em 1924, exibindo a devanture levantada em 1913


 
Em 1937, o hotel é sujeito a obras com projecto do arquitecto José Porto (1863-1965) reabrindo, na plenitude, em 20 de Maio de 1940.
Em 1945, ocorrem obras de vulto de acordo com projecto do arquitecto Alfredo Ângelo Magalhães.
 
 
 

Grande Hotel da Batalha seria remodelado com um projecto de 1945 do arquitecto de Alfredo Ângelo Magalhães




Grande Hotel da Batalha, em 2009, como Hotel Mercure


 
Na foto anterior, a rua que segue, em frente, é a Rua de Cima de Vila. 
 
 
"Palace Pensão", próximo à Praça da Batalha, na Rua do Sol, esteve no início do século XX, alojada no antigo palacete do conde de Samodães, que viria a albergar, mais tarde, a Escola Comercial Oliveira Martins.
Sobre esta pensão, dizia o seu cartão comercial:

 
“Pensão para famílias. Serviço esmerado. Preços económicos. Refeições avulsas. Magníficos jardins com esplendidas vistas sobre o Douro.”
 
 
 

Palace Pensão
 
 
 

Hospedaria Águia Douro, em 1908
 
 
Acima à direita da foto, com o café no rés-do-chão, a Hospedaria Águia d’Ouro.
Como seria de esperar, a partir do momento da chegada do comboio a Campanhã, os hotéis começaram também a instalar-se próximo da gare.
 

 
 

Hotel Caminho-de-Ferro, em 1913


 
O Hotel Caminho-de-Ferro do prospecto anterior, ficava em frente da Estação de Campanhã, na Rua da Estação.


 

Actualmente, o Hotel Caminho-de-Ferro passou a residencial


 
Fronteiro à Estação de Campanhã esteve também o Hotel Pinto Bessa, mais tarde, substituído, no mesmo local, pelo Hotel Veneza.
 
 
 

Publicidade ao Hotel Veneza e ao Hotel Pinto Bessa, em Campanhã
 
 
 

Anúncio de abertura do Hotel Veneza, In jornal “A Voz Pública” de 24 de Dezembro de 1907
 
 
 
 

Estação de Campanhã, no fim do século XIX
 

 
Para a zona da Cordoaria e suas imediações encontramos também, algumas unidades hoteleiras de referência.
 
 
 
 

Pensão La Fontaine
 
 
 
 
Na Rua de Cedofeita, mesmo em frente ao começo da Rua da Torrinha, no prédio onde esteve em tempos a fonte de Cedofeita, alimentada pelos mananciais de Paranhos e Salgueiros, só poderia ter estado sedeada uma pensão com o nome de “Pensão La Fontaine”.
Como se vê no folheto, a Pensão La Fontaine tinha uma sucursal na Rua Mártires da Liberdade, nº 130.



Listas de Hotéis e Hospedarias, em 1899
 


 

Hotéis em 1908 – Fonte: revista “O Tripeiro”, 1 de Julho de 1908

 
 
 

Publicidade, em 1934, no Jornal “Ultramar”


 

Publicidade, em 1934, no Jornal “Ultramar”