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quinta-feira, 25 de maio de 2017

(Continuação 3)

Bairro de Casas Económicas de Paranhos 1935/1939


“Este bairro situa-se na Freguesia de Paranhos, junto à Faculdade de Economia e Cemitério de Paranhos.
O bairro organiza-se a partir da praça do Cávado numa malha rectangular, com ruas de traçado rectilíneo, com duas ruas principais longitudinais, a Rua do Guadiana e a Rua do Dr. Manuel Laranjeira, e catorze ruas secundárias, transversais e longitudinais, com nomes de rios portugueses. É definido por um agrupamento de moradias económicas de unidade tipológica, da Classe A e B, do tipo um, dois e três, de um e dois pisos, em banda e geminadas duas a duas, com logradouro junto do alçado posterior, jardim fronteiro e alpendre a anteceder a porta principal.
Na primeira fase foram construídas cento e cinquenta casas, térreas, da classe A, sendo dezoito do tipo I, noventa e duas do tipo II e quarenta do tipo III; na segunda fase construíram-se mais trinta casas, com dois pisos, sendo doze da classe A e dezoito da classe B. Estas últimas encontram-se localizadas na rua do Dr. Manuel Laranjeira”.
Fonte: IHRU-DGEMN (Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana-Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais)



Rua do Tejo com escola primária ao fundo



As casas térreas na actualidade



As habitações de 2 pisos




Bairro de Casas Económicas de Ramalde 1935/39


“Na freguesia de Ramalde junto à Avenida Antunes Guimarães situa-se este bairro de moradias económicas, organizado em torno da praça onde se localiza a Escola Primária, com ruas com o nome de árvores. O bairro é constituído por 148 moradias, construídas em duas fases, que evidenciam duas categorias económicas, e definem uma hierarquização social espacial. A primeira fase, localizada no interior do rectângulo, é caracterizada por casas térreas, de construção simples, da classe A, tipo I, II, e III, geminadas duas a duas, com logradouro junto do alçado posterior, jardim junto do alçado principal, e alpendre de estrutura simples, de betão ou tijolo aparente, apresentado nalguns casos telheiro. As moradias da segunda fase, das classes B, C, e D, apresentam-se voltadas, na sua maioria, para a Avenida do Dr. Antunes Guimarães, também geminadas duas a duas, de maiores dimensões, com dois pisos, melhores materiais e acabamentos, delimitadas por muros. No interior, todas a variantes dispõem de cozinha, e casa de banho, variando esta em número, dimensão e equipamentos de acordo com as várias classes e tipologias. Na classe A, nalguns casos não dispõe de sala e noutros é comum, as classes B, C, e D, dispõe de sala de estar e sala de jantar, tendo a classe D, ainda um pequeno gabinete de estudo. O número de quartos varia de classe para classe e dentro da classe, de tipologia para tipologia, podendo ir de um a quatro nas classes A e B, e de dois a cinco nas classes C e D.
Nestas últimas, pode ainda existir vestíbulo, "quarto de criada" e respectiva casa de banho. (fonte IHRU- DGEMN)
Foi o único, na cidade do Porto, a ser contemplado com duas escolas, com quatro salas de aula cada (actualmente unidas) destinadas respectivamente aos dois sexos”.
 Fonte: IHRU-DGEMN




Casa térrea




Habitação de 2 pisos na actualidade



Escolas primárias do Bairro de Casas Económicas de Ramalde, em 1939, também conhecida por Escola Básica dos Correios




Os edifícios das duas escolas na Rua dos Choupos estão agora unidos - Fonte: Google maps



Encerrada desde Dezembro de 2022, a Escola Básica dos Correios, após sofrer obras de requalificação de 1,3 milhões de euros, reabrirá em Setembro de 2024, com capacidade para acolher 194 alunos, 50 no pré-escolar (duas turmas) e 144 no 1.º ciclo do ensino básico (seis turmas).



Bairro de Casas Económicas de S. Roque 1938/40


“Na freguesia de Campanhã perto da Secundária do Cerco e Bairro de Contumil este bairro tem um acesso por S. Roque da Lameira.
Conjunto urbano localizado na zona Oriental da cidade do Porto, organizado segundo um trapézio com três triângulos internos, circundado pela estrada da circunvalação a Nordeste e pela linha de caminho- de- ferro, com a estação de Contumil a Noroeste. Os arruamentos têm nomes de batalhas históricas. Começou por se chamar Bairro de Casas Económicas de Contumil.
O Bairro constituído por 234 moradias geminadas, unifamiliares, das classes A e B, tipos I, II, III e organizadas simetricamente em torno de três triângulos bem definidos, servidos por quatro artérias principais de circulação”.
 Fonte: IHRU-DGEMN




Centro do bairro



Casa de 2 pisos na actualidade




Bairro de Casas Económicas de Costa Cabral 1939/42


O bairro é denominado de Costa Cabral já que quando foi construído, a Avenida Fernão de Magalhães ainda não chegava à Circunvalação e ficava pelas bandas da Rua das Cavadas. Assim, o bairro era servido pelas ruas de Contumil, de Santa Justa e da Cruz, que ligavam com a Rua Costa Cabral.
As suas ruas têm topónimos de lugares de Lisboa.



Rua da Cruz (no começo da Rua João Roby) – Fonte Google maps




Ainda há 30 anos a Rua da Cruz do local mostrado na foto anterior seguia (flectindo para a direita) para a Avenida Fernão de Magalhães, situada 20 metros adiante. Ainda é possível apreciar na foto o resto do empedrado do trecho da rua cortado.
Antes da construção daquela avenida e do Bairro de Costa Cabral, a Rua da Cruz seguia o trajecto da hoje chamada Rua de Nau Vitória.




Construção do Bairro de Costa Cabral, em 1941




Construção em 1941, do Bairro de Costa Cabral





Marco comemorativo da inauguração na Praça do Campo Grande




Na actualidade




Bairro Pio XII



No dia 11 de Março de 1956, o Bispo do Porto benzia os terrenos onde iria ser construído este bairro, vizinho do Bairro Costa Cabral.
O Bairro de Pio XII, situado na Freguesia de Campanhã, foi construído em 1958 e requalificado em 2007. É constituído por 124 fogos, distribuídos por 6 blocos.



Bairro Pio XII





Bairro de Casas Económicas de Rebordões ou Rebordãos



Situado entre S. Roque e a Areosa, onde mais tarde surgiria o já demolido Bairro de S. João de Deus, foi a iniciativa que sucedeu em 1941, à malograda empreitada do Bloco da Rua Duque de Saldanha.




Bairro de Casas Económicas de Rebordões – Fonte: Google maps





Bairro de Casas Económicas do Monte da Bela ou Bairro da Corujeira ou Bairro de S. Vicente Paulo


Sobre o topónimo Monte da Bela, o padre Agostinho de Azevedo diz que com esta ação de “velar, vigiar ou fazer vela” se devem identificar todos os topónimos bela como Monte da Bela ou Alto da Bela, curiosamente ambos na freguesia de Campanhã, aqui no Porto. Como que a corroborar a opinião daquele sacerdote diremos que, antigamente, tanto o Alto da Bela, como o Monte da Bela dos nossos dias se chamavam Outeiro da Vela.
Com efeito, o topónimo de Monte da Bela, nada tem a ver com beleza mas, sim, com velar ou seja vigiar.
Sabe-se que por um documento de 1484, que se guarda nos arquivos municipais, que aos moradores de determinadas áreas do termo do Porto se ordenava que fossem fazer “a dita vela“, ou seja vigiar, estar de vela, para prevenir contra a aproximação do inimigo.



“No dia 27 de Abril de 1949, a câmara inaugurou a primeira fase do Bairro da Corujeira (mais tarde nomeado Bairro de S. Vicente de Paulo, situado no Alto da Bela, em Campanhã). O custo médio destas 148 moradias, pagas apenas pelo município, foi de 40 contos, para o tipo 1, e 53 contos, para tipo 2. O bairro de casas económicas do Estado foi construído por iniciativa da DGEMN, que acumulava experiência na construção desde 1934; as casas económicas da cidade, desde a construção dos bairros de Costa Cabral e S. Roque da Lameira, tinham o equipamento sanitário reduzido ao mínimo, as casas não estavam equipadas com banheira, por exemplo. Por outro lado, o custo de bairros de casas para pobres inclui a compra do terreno, a sua urbanização e todos os equipamentos necessários para serem habitados, já que a sua finalidade é o arrendamento. Nesta altura a câmara arrendava um total de 407 “casas para pobres”: Duque de Saldanha (115), Rebordões/S. João de Deus (144) e Corujeira (148). Estavam já em projecto as 162 habitações do bairro de Sobreiras (depois nomeado Rainha D. Leonor), situado na Quinta da Boavista. É assinalável que o investimento da câmara no bairro mais luxuoso da cidade, em regime de renda resolúvel, embora menor, seja aproximado ao dos empreendimentos de “casas para pobres”, conforme são designadas as habitações unifamiliares promovidas pela câmara dentro da filosofia prevista pelo regime. O bairro de Marechal Gomes da Costa, ao contrário dos bairros da primeira fase, não teve uma escola primária no miolo do agrupamento”.
In mestrado em História de Paulo Rogério de Sá Pinto Marques de Almeida



“Ângelo Coelho, conhecido por Lito é o terceiro de quatro irmãos e viveu os seus tempos de miúdo num bairro pobre de Campanhã.
Em 2007, as obras de demolição de São Vicente de Paulo começaram e foi aí que Ângelo soube que tinha de escrever as memórias do bairro social. “A minha mãe tinha-se mudado para um bairro ao lado e sempre que ia à janela, via as máquinas a triturarem as casas e a desfazerem-se delas”, conta, “Eu olhava para a minha mãe, via-a a chorar e disse: ‘Tenho de fazer qualquer coisa pelas pessoas do bairro'”. E o livro começou a formar-se, com o objetivo de gravar as memórias daquele lugar: as brincadeiras de criança, as dificuldades, as doenças.
“Memórias do meu bairro” é um livro que retrata, sobretudo, a realidade. As dificuldades que se viviam eram imensas: a fome, a miséria, as doenças. A tuberculose, que vitimou muita gente no séc. XX, é assunto no livro, bem como os maus-tratos e a violência doméstica, numa altura em que “era comum o homem bater na mulher”.
No entanto, as dificuldades eram quase que esquecidas, quando as crianças, se juntavam para brincar.
“No meio de toda a dificuldade havia de facto uma grande solidariedade entre as pessoas. As crianças, quando passavam na rua, faziam uma bola de trapos e tudo isso era esquecido momentaneamente”, lembra Ângelo. “As crianças eram pobres, mas ao mesmo tempo felizes e sonhavam. Esses sonhos, essa liberdade de sonhar e de pensar ninguém nos arrancava. 
In jpn.up/2014/07/04




“O Bairro de S. Vicente de Paulo, situado na Freguesia de Campanhã, foi construído na década de 50. 
Inicialmente constituído por 18 fogos, num único bloco, e 201 habitações unifamiliares, presentemente existem 18 fogos, num único bloco.
Atualmente, residem neste Bairro cerca de 40 pessoas”.
In site www.domussocial/habitacoes/bairro-de-s.-vicente-de-paulo




Bairro da Corujeira - Ed. Boletim do GDE Mário Navega



Na foto acima, lá ao longe no centro da foto, pode ver-se o bairro de S. Vicente Paulo no Monte da Bela, na Corujeira.
Em 1º plano temos o campo de jogos de Ruy Navega, no começo da Rua de Benjóia ou Bonjóia.





Miradouro na Rua do Monte da Bela no bairro S. Vicente Paulo com o rio Douro lá ao fundo




Bairro do Monte da Bela



No fim da década de 1970, numa abordagem que já vinha sendo realizada, desde há alguns anos antes, nomeadamente, desde do fim da década de 1940 e do fim da 2ª Guerra Mundial, quanto à tipologia da habitação social, o conceito de bairros económicos unifamiliares de inspiração alemã, passaria a dar origem a uma arquitectura de edificação de blocos plurifamiliares.
Neste âmbito, o Bairro de São Vicente Paulo, ao Monte da Bela, seria demolido, por fases, acontecendo as primeiras demolições no fim da década de 1970 e, as últimas, em 2007.
Assim, iria surgir no chão do Bairro de São Vicente de Paulo, o Bairro do Monte da Bela que alcançaria os 236 fogos distribuídos por 7 blocos.



Bairro do Monte da Bela, em 1970






Bairro de Casas Económicas Marechal Gomes da Costa 1947/50


“Agrupamento constituído por cento e oitenta e seis moradias unifamiliares, desenvolvido em terreno plano com traçado rectilíneo formando vários rectângulos distribuídos de forma simétrica, envolvendo três arruamentos principais de faixa dupla com alinhamento de árvores ao centro, as Ruas de Dom Luís Ataíde, de João de Barros e de Diogo do Couto, e vários arruamentos secundários longitudinais e transversais de largura considerável, ladeados alguns deles, por jardins e árvores.
As moradias eram destinadas a pessoas que fossem «chefes de família com idade entre os 21 e os 40 anos, empregados, operários ou outros assalariados, membros dos sindicatos nacionais, funcionários públicos, civis e militares, e outros operários dos quadros permanentes dos serviços do Estado e das Câmaras Municipais». O regime de propriedade era o de propriedade resolúvel, pelo qual os adquirentes pagariam uma prestação (nunca inferior a 240 meses). A prestação incluía além do pagamento da habitação ainda seguro de vida, de invalidez, de doença, de desemprego e de incêndio.
Os arruamentos têm nomes de personalidades dos Descobrimentos. Localizada a nascente, encontra-se uma praça arborizada e ajardinada onde foi colocado o marco comemorativo da inauguração do bairro e, posteriormente, a escultura Afonso de Albuquerque de Diogo de Macedo.
As tipologias habitacionais definem-se pelas casas com dois pisos, geminadas duas a duas, com diferente tratamento dos alçados consoante a respectiva classe e tipologia, com jardim e quintal que pode variar entre os cem e os duzentos metros quadrados.
O bairro económico Marechal Gomes da Costa foi o primeiro a ser contemplado com as categorias C e D, das tipologias dois e três, destinadas a estratos sociais mais altos, não sendo construídas habitações da classe A, para moradores de rendimentos mais baixos, mostrando a inflexão do regime no sentido de privilegiar a classe média e os funcionários públicos um dos principais suportes do regime. A área destas habitações varia entre os sessenta e quatro e os setenta e oito metros quadrados por piso, dependendo da tipologia. No interior todas as variantes dispõem de cozinha, despensa, escada, chaminé com lareira e casa de banho variando esta em número, dimensão e equipamentos de acordo com as várias classes. Ambas as classes dispõem de sala de estar e sala de jantar, tendo a classe D ainda um pequeno gabinete de estudo. Relativamente aos quartos, consoante a tipologia, o número pode variar entre dois e quatro para a classe B, e dois e cinco para as classes C e D, sendo um deles de recurso. Nestas variantes pode ainda existir vestíbulo, quarto de "criada" e respectiva casa de banho. Todas as divisões apresentam luz directa com excepção das casas de banho.
Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”




Casa na actualidade em Marechal Gomes da Costa




Na actualidade junto da Rua Diogo Couto





Na actualidade junto da Rua André Álvares de Almada





Marco das Moradias Económicas do Bairro Marechal Gomes da Costa




Vista aérea da zona do bairro de Marechal Gomes da Costa




O bairro de casas económicas de Marechal Gomes da Costa, faz a transição da 1ª para a 2ª fase do Programa de Casas Económicas no Porto.
Seguir-se-ão o da Vilarinha, o de António Aroso e o do Amial II fase, projectados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 33 278, de 24 de Novembro de 1943, que definiu a construção de mais duas classes C e D destinadas a estratos sociais mais alto.





Bairro de Casas Económicas de António Aroso


Este bairro localiza-se junto à Rua da Vilarinha.
Em 1955 são feitos os estudos de urbanização do agrupamento, elaborados pelo Serviço de Construções de Casas Económicas e em 1957 são executados os trabalhos de escavação para as fundações.
Por fim em Maio de 1958, o bairro, composto por 225 casas, está inaugurado.
Um Posto fiscal seria construído em 1960




Na Rua de Meixomil – Fonte Google maps





Junto à Rua Roriz e Rua Vermoim – Fonte Google maps





Bairro de Casas Económicas da Vilarinha



Começado a construir em 1958, à Fonte da Moura, os arruamentos têm topónimos de algumas sedes de concelho do Distrito do Porto.
O bairro da Vilarinha faz parte da segunda fase de construção de moradias unifamiliares, cuja primeira fase arrancou, em 1943 e que comportavam duas classes de habitações destinadas a estratos sociais mais altos.
A organização destes bairros teve como modelo de inspiração as "cidades-jardim" britânicas.
O Bairro de Casas de Renda Económica da Vilarinha também era conhecido como Bairro da Avenida Epitácio Pessoa (hoje, Dr. Antunes Guimarães), Bairro da Vilarinha ou Bairro da Boavista.





Bairro da Vilarinha – Ed. “gisaweb.cm-porto.pt”




Actualmente, junto à Rua Paredes e Rua Santo Tirso – Fonte: Google maps




Escola Básica do Bairro da Vilarinha – Fonte: Google maps




Bairro Económico da Cooperativa dos Telefonistas
 
 
No dia 20 de Maio de 1964, era lançada a primeira pedra deste bairro situado em Aldoar e delimitado pelas ruas de Nossa Senhora da Silva e do professor Melo Adrião.
A cerimónia foi presidida pelo director da companhia no Porto e pelo antigo director, o Senhor Mitchell. 


 
Moradias da Cooperativa dos Telefonistas na Rua de Nossa Senhora da Silva


(Continua)

quarta-feira, 24 de maio de 2017

(Continuação 2) - Actualização em 28/01/2021

Os Bairros do Estado Novo


O período de 30 anos entre 1926 (data do golpe de estado do 28 de Maio) e 1956 (data do início do Plano de Melhoramentos da Cidade do Porto) pode ser dividido em três períodos mais curtos: o período da Ditadura Militar, que dura até aos inícios dos anos 30, e no qual o novo regime concluiu muitas das obras planeadas ou em construção, promovidas pelo regime deposto; o período de consolidação do regime de Salazar o “Estado Novo”, em que a política de habitação procura inicialmente realizar-se por bairros de arquitectura que afirmem a “modernidade” do regime, e o período que se inicia em 1938 (quando é publicado o decreto-lei 28 912), e que pela influência da Alemanha nazi, o regime termina com os projectos “modernos” e vem consagrar, também na habitação social, uma arquitectura típica.
Do final da 2ª guerra até aos anos 50, quando a política de habitação sofre nova “viragem”, com o Plano de Melhoramentos do Porto e o Plano dos Olivais em Lisboa, o regime ainda promoverá alguns bairros que pela sua tipologia pertencem a esta 3ª geração.




O período de consolidação do Estado Novo


Duarte Pacheco em Setembro de 1933, no sentido de promover uma política de habitação social, faz publicar o Decreto-Lei n.º 23 052, que define e promove a construção de bairros sociais de habitação económica. Posteriormente, em 1937 seriam aprovadas leis adicionais para a construção de casas para famílias pobres e casas para pescadores.
Duarte Pacheco num discurso pronunciado a 27 de Janeiro de 1934 explicita as suas intenções, em discurso in Boletim do INTP.



«A nova unidade política e social — a família — há-de possuir, além (do braço ou do cérebro que lhe dá o pão, a casa própria que a abrigue, que a defenda, que lhe dê o bem-estar e com ele o sentido da conservação e da responsabilidade so­cial de contribuir para o bem comum.»
“ O velho problema da casa económica é, sob muitos dos seus múltiplos aspectos, essenciais ou de detalhe, uma solução nova, construída sobre princípios de economia, de justiça social e da moral que dão à nossa casa económica características muito próprias, que haverão de fazer dela uma aglutinante social forte, estável e duradoura.”
“Na elaboração das casas económicas há-de considerar-se que elas serão agrupadas por classes, formando conjuntos que podem construir manchas de apreciável valor estético nas cidades e vilas; estabeleceu-se, por isso, que os planos gerais dos agrupamentos de moradias económicas se integram harmonicamente nos planos de urbanização delineados pelas câmaras municipais ou pelo Estado.” 
Duarte Pacheco; Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”



Bairros de Casas Económicas
 
 
Apoiada no Decreto-Lei n.º 23 052 de 1933, a Câmara Municipal, irá promover a partir de 1935 e até meados dos anos 50, um conjunto de 13 Bairros de Casas Económicas, interrompido, brevemente, pela experiência do Bloco da Rua Duque de Saldanha.
Estes bairros vão localizar-se nas freguesias da periferia exterior da cidade, relativamente próximos de fábricas nas freguesias de Cedofeita, Ramalde, Massarelos, Santo Ildefonso, Bonfim e Campanhã. Estas zonas da cidade irão ser servidas por transportes públicos contribuindo, assim, para a expansão da cidade.



“Em termos habitacionais, foram construídos 12 bairros económicos, em três fases distintas, correspondendo a 2378 casas (Almeida, 2010), a saber: bairros do Ilhéu (1935), das Condominhas (1937), do Amial (1938), da Azenha, Paranhos e Ramalde (1939), de Costa Cabral e S. Roque da Lameira (1942), de Gomes da Costa (1950), de António Aroso e da Vilarinha (1958) e o bairro do Viso (1965), o único em altura. A partir de 1938, verificou-se uma alteração de paradigma. O Estado limitou o investimento na construção de casas económicas, procurando atrair o capital privado, das instituições e previdência social e dos organismos corporativos (Matos, 1994)”.
Cortesia de Amândio Barros e Carla Loureiro


Segundo a legislação as habitações eram atribuídas em regime de propriedade resolúvel e amortizadas, em prestações mensais, durante 20 anos, e eram distribuídas por concurso aos chefes de família (que teriam idades compreendidas entre os 21 e os 40 anos), empregados, operários ou outros assalariados que fossem sócios dos Sindicatos Nacionais e funcionários do Estado, civis e militares, dos corpos e corporações administrativas e operários dos respectivos quadros permanentes.
A prestação das casas era avaliada de acordo com o rendimento de cada família (o custo das casas económicas obedecia ao princípio de as respectivas prestações se deverem comportar dentro das possibilidades do adquirente), bem como do nº do agregado familiar.
Deste modo, foram criadas casas com diferentes classes, onde variava o tipo de habitação, bem como o nº de divisões e respectivas áreas, de acordo com a família que iria ocupar a habitação.




Capa de Programa com ementa do almoço de confraternização dos moradores dos Bairros de Casas Económicas do Porto, no Palácio de Cristal, servido pela Legião Portuguesa, em 13 Março 1949



Os primeiros bairros Ilhéu, Condominhas, Azenha, Amial, Ramalde, Paranhos, são sobretudo constituídos pelas categorias A e B (Decreto - Lei nº 23052 de 23 de Setembro de 1933), destinadas a moradores de rendimentos mais baixos.
Com o DL n.º 28 912, que cria as categorias C e D, os bairros de Gomes da Costa, Vilarinha e António Aroso, são ocupados por moradores com rendimentos mais altos, nomeadamente funcionários do Estado.
As tipologias habitacionais eram as casas individuais, com jardim e quintal, como são exemplos, o bairro de Paranhos, Condominhas, Amial, Azenha, Costa Cabral, entre outros, cuja organização obedece a uma malha ortogonal onde se dispõem as casas individuais geminadas de um ou dois pisos.
A própria toponímia das ruas com nome de flores, de vilas e de rios, para além da forma arquitectónica, fazem lembrar o meio rural.



“A construção dos bairros foi também uma oportunidade de reforçar os laços simbólicos dos seus moradores com o país. Numa demonstração clara de um espírito nacionalista, centrado numa ruralidade idealizada, os nomes das ruas dos bairros evocavam elementos característicos de Portugal: flores (Ilhéu e Amial), árvores (Ramalde), rios (Paranhos), praias (Condominhas), ilhas do Império Português (Azenha), concelhos do distrito do Porto e Douro Litoral (Vilarinha e António Aroso), freguesias de Lisboa (Costa Cabral) e momentos da história nacional e da igreja católica (Gomes da Costa, Viso e S. Roque da Lameira). Novamente: esta tendência não era totalmente inédita, datando da I República a construção da colónia operária Estêvão de Vasconcelos (1914), perto do Carvalhido, ornada com nomes de castelos portugueses”.
Cortesia de Amândio Barros e Carla Loureiro


A qualidade das casas e a sua tipologia variava conforme a classe económica dos potenciais ocupantes, o que no fundo obedecia a uma estratégia de segregação espacial das diferentes classes, patente ainda no nível diferenciado das rendas praticadas.
Uma das positivas realizações decorrentes dos Bairros de Casas Económicas foi a construção de raiz de Escolas Primárias a maior parte segundo um projecto tipo do arquitecto Rogério de Azevedo, já que a maior parte das escolas até então funcionavam em edifícios adaptados, por vezes não oferecendo o mínimo de condições. Muitas dessas escolas edificadas, como os bairros, na periferia da cidade construída, encontram-se ainda em funcionamento.
Todos os bairros desta fase, com a excepção do Ilhéu, são acompanhados de uma escola primária. Todos, incluindo o Ilhéu, apesar das reduzidas dimensões, têm uma zona verde, um parque ou uma praça de usufruto comum. Em todos os bairros foi destinada uma casa para posto fiscal que, em alguns casos, acabou por ser utilizada como centro social ou cultural e recreativo.



O Bloco da Rua Duque de Saldanha 1937/40 - uma experiência sem continuidade, de habitação social colectiva


Em 1937, os Serviços Técnicos da Câmara Municipal projectam na Rua de Duque de Saldanha, um imóvel de 4 pisos, com uma planta em U, formando um largo pátio que se abre sobre a rua, com 115 apartamentos e por galeria exterior. A este primeiro projecto irá ser acrescentado um novo edifício implantado à face da rua fechando o conjunto e tendo o arco central por onde se acede ao pátio.
Este bloco irá contudo causar forte polémica, já que entrava em conflito com a ideologia que, sob a influência do regime nazi, o Estado Novo e o próprio Salazar, defendiam, que era contrária à tipologia do Bloco de habitação colectiva e ainda, por se localizar junto das ilhas que pretendia demolir, ou seja, no centro da cidade.



“Bloco” de Duque Saldanha em construção




Fachada com arco de acesso para a rua




O pátio interior visto a partir do arco de acesso ao pátio – Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”



Apoiado na propaganda da Alemanha nazi e das suas realizações na habitação social recupera-se o livro "Casas Portuguesas" de Raul Lino publicado em 1933, como referência indispensável para um novo nacionalismo pequeno-burguês de inspiração nazi.




Livro de Raúl Lino – Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”




Propaganda ao regime Nazi – Fonte “doportoenaoso.blogspot.pt”




As fotos acima têm como legenda: “Após o trabalho diário o operário alemão encontra sossego e recreio na casa própria e no seu jardim”.
No Porto, abandonada a experiência do Bloco de Duque de Saldanha e seguindo as ideias de Salazar e a influência da Alemanha Nazi, a Câmara Municipal vê-se obrigada a aceitar o modelo de casa individual, tendo-o aplicado no Bairro de Rebordões em 1941.




Bairro de Casas Económicas do Ilhéu ou Bairro de Casas Económicas Oliveira Salazar 1934/35


“O primeiro bairro de casas económicas no país foi construído na freguesia de Campanhã, entre 1934 e 1935 e ficou conhecido como o Bairro do Ilhéu, com um agrupamento de 54 casas da classe A, tipos 1 a 3, serviu de bandeira como exemplo a seguir.
Junto à Rua Matias de Albuquerque com acesso por S. Roque da Lameira.
Localiza-se na zona oriental da cidade, com as habitações dispostas ao longo de catorze ruas com nomes de flores, e algumas travessas de acesso às traseiras das casas com alçados posteriores, de hierarquia inferior. É constituído por cinquenta e quatro casas térreas, geminadas duas a duas, orientadas a SO / NE, de planta rectangular, com telhados de quatro águas, da classe A, sendo dez do tipo I, vinte e quatro do tipo II e vinte do tipo III, de superfície variável entre os 42 / 64 m2 a casa, e os 105 / 222 casa mais quintal. Este, localizado junto do alçado posterior, é delimitado por muro. Junto do alçado principal apresentam pequeno espaço ajardinado, alpendre, com conversadeiras, a proteger a entrada principal, e chaminé. Vãos rectos, com moldura saliente, em número variável conforme a tipologia, podendo apresentar na fachada principal porta e janela ou porta e duas janelas. A sua construção iniciou-se em 1934 e foi inaugurado em 1935”. 
Fonte: IHRU–DGEMN (Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana - Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais), In “doportoenaoso.blogspot.pt”




Bairro Oliveira Salazar



Em Campanhã, no Ilhéu



Em 28 de Abril de 1934, durante uma visita de dois dias ao Porto, o presidente do Conselho Oliveira Salazar lançaria a primeira pedra do Bairro do Ilhéu.
No dia seguinte, Salazar visitaria algumas escolas e liceus da cidade, a igreja de Cedofeita, a Sé Catedral e a sede da União Nacional, à Rua Passos Manuel. A comunicação dizia que as manifestações de apoio ao visitante foram apoteóticas.



Bairro de Casas Económicas das Condominhas 1934/35


Este bairro começou a ser pensado ainda na 1.ª República com a denominação de Bairro Operário de Lordelo do Ouro.
Assim, em 1919, seria publicado o decreto para expropriação dos terrenos necessários.
 

 



Decreto de expropriação, em 1919, dos terrenos para construção do Bairro Operário de Lordelo do Ouro, em terrenos da Granja de Cima
 
 
 
 
A Quinta da Granja de Cima, referida no decreto supra, pertencia à freguesia de S. Martinho de Lordelo. Esta, por sua vez, pertenceu ao concelho de Bouças (Matosinhos) e só integraria o concelho do Porto, como freguesia, com o decreto de 6 de Novembro de 1836.
O sítio da Granja de Lordelo haveria de dar o seu nome a uma ribeira que desagua a poucas dezenas de metros, no rio Douro e que, pelo seu trajecto, vai tomando o nome dos lugares por onde passa: Ribeira da Agra, Ribeira de Ramalde, Ribeira de Lordelo, Ribeira de Grijó, Ribeira de Penoucos, Ribeira do Ouro e, finalmente, Ribeira da Granja.
À ribeira da Granja, já praticamente na sua foz, vem desaguar o Rio Escuro (entubado) que vem lá dos lados da Capela de Nossa Senhora da Ajuda, umas centenas de metros mais a montante.
 
 
 
 

Fotografia aérea de Lordelo do Ouro em 1939-40 – Fonte: AHMP
 
 
 
Legenda:
1 Rio Douro
2 Foz da Ribeira da Granja
3 Ilha do Frade
4 Terrenos da Quinta da Granja
5 Granja de Cima
6 Largo António Calém
7 Manutenção Militar
8 Estaleiro do Ouro
9 Pasteleira



Bairro das Condominhas



Condominhas, na esquina da Rua Âncora e Rua Estoril




“Bairro situado na freguesia de Lordelo do Ouro, tem as habitações distribuídas horizontalmente duas a duas ou em banda, ao longo de ruas de traçado rectilíneo, que integram praças, jardins e equipamentos colectivos como a escola primária. Todas as ruas de acesso às habitações convergem para a praceta (Largo da Póvoa do Varzim) onde está edificada a Escola”.
Fonte: IHRU – DGEMN, In “doportoenaoso.blogspot.pt”





Bairro de Casas Económicas do Amial 1938 e 1958



“O Bairro de Casas Económicas do Amial, na freguesia de Paranhos, sendo o maior destes bairros no Porto, foi construído em duas fases 1935/38 e 1957/58, organizando-se em torno de uma grande praça central, onde está instalada a escola primária de oito salas. Os arruamentos têm nomes de ruas de flores. A primeira fase, a poente, é constituída por trezentas e oito moradias da classe A e B, de um e dois pisos. A segunda fase é marcada pela construção de mais noventa e quatro moradias das classes A, B, C, e D, de dois pisos, distribuídas em banda ou geminadas duas a duas, desde a rua das Magnólias até à rua do Engenheiro Carlos Amarante. No total o bairro é constituído por quatrocentas e duas casas.
No interior todas as variantes dispõem de cozinha, e casa de banho variando esta em número, dimensão e equipamentos de acordo com as várias classes. Alguns casos da classe A, primeira fase, não dispõem de sala e na segunda a sala é comum. As classes B, C, e D dispõem de sala de estar e sala de jantar, tendo a classe D ainda um pequeno gabinete de estudo. O número de quartos varia consoante a tipologia podendo ir de um a quatro nas classes A e B, e de dois a cinco para as classes C e D, sendo um deles de recurso. Nestas variantes pode ainda existir vestíbulo, quarto de "criada" e respectiva casa de banho. Todas as divisões apresentam luz directa com excepção, nalguns casos, das casas de banho”.
Fonte: IHRU – DGEMN, In “doportoenaoso.blogspot.pt”




Bairro do Amial




Bairro de Casas Económicas da Azenha 1937/1939



“Agrupamento de moradias de renda económica, de planta triangular, rasgado por dezasseis ruas com nomes de ilhas portuguesas e de domínio português na época da sua construção, situa-se na freguesia de Paranhos. O triângulo é dividido ao centro por uma rua principal, longitudinal, a Rua de Santiago, que parte do vértice até à praça principal, onde se ergue a escola do Bairro ladeada por pequenas ruas transversais e paralelas”.
Fonte: IHRU – DGEMN, In “doportoenaoso.blogspot.pt”





Rua de S. Tiago, na Azenha, na actualidade




Marco comemorativo da inauguração do Bairro da Azenha




Centro do Bairro da Azenha




Escola Primária da Azenha

(Continua)