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terça-feira, 19 de maio de 2026

25.304 A Ponte das Barcas

 
A cidade do Porto só construiu uma ponte para unir as duas margens do rio Douro, servindo períodos alargados, em 1806 - a Ponte das Barcas.
Foi inaugurada a 15 de Agosto daquele ano.
Era constituída por 33 barcaças, ligadas entre si por cabos de aço, e abria em 2 partes para dar passagem às embarcações que subiam e desciam o rio.
Até aí, por vezes, a cidade improvisava a travessia através de barcaças ligadas, para cumprir objectivos pontuais. 
A outra possibilidade, que tinha sido praticada ao longo dos tempos, era utilizar as "barcas de passagem" manobradas por verdadeiros profissionais no manejo dos remos e que se apresentava mais económica.
A Ponte das Barcas, onde ocorreu o fatídico desastre, a 29 de Março de 1809, era um pouco diferente da que lhe sucedeu.
Primitivamente, com cerca de mil palmos de extensão, apresentava 33 barcaças ligadas por cabos de aço, podendo abrir em duas partes para dar passagem ao tráfego fluvial, com circulação sobre um passadiço de madeira. Em tempo de cheias, a ponte era desmantelada para evitar a sua destruição.
Aquela que a veio substituir, do mesmo tipo, tinha barcos mais altos, mais largos e mais afastados, de forma a poder deixar passar pequenos barcos a remos sem ter que ser aberta. Era mais larga e resistente que as anteriores. Só tinha 20 barcos, enquanto a anterior, tinha as tais 33 barcaças.
Naquele dia 29 de Março, a população aterrorizada pelo avanço das tropas francesas comandadas por Soult, aquando da 2ª invasão francesa, tentou fugir para Gaia atravessando a ponte assente em barcas que cederam ao peso excessivo, provocando inúmeras vítimas.
Os motivos para o sucedido variam segundo os relatos: uns dizem que a ponte, constituída por 33 barcaças não aguentou a pressão e desfez-se, provocando a queda no rio, da multidão.
Outra versão refere que do lado de Gaia, alguém abriu um alçapão na ponte para impedir que os franceses a atravessassem, que "engoliu" os que seguiam à frente na fuga, empurrados para a morte pelos que lhes seguiam na peugada.
Na tragédia morreriam, segundo as várias fontes consultadas, entre 4.000 e 10.000 portuenses, e a pilhagem da cidade durou 3 dias.
Após cerca de quarenta dias os franceses acabarão por ser expulsos.
A Ponte das Barcas foi a primeira ponte do género construída em Portugal, como solução a mais longo prazo. Carlos Amarante foi o seu autor, tendo ficado ligado a outras obras célebres da região norte do país, como o Bom Jesus e a igreja do Pópulo, em Braga; a Igreja da Trindade, no Porto; e a reconstrução das muralhas de Valença.
Sobre o trânsito e respectivas portagens, na Ponte das Barcas, se refere o texto seguinte.
 
«(…) Havia muita concorrência na sua passagem, sobretudo às terças e sábados. Os preços de passagem praticados eram os seguintes:
 
Cada pessoa a pé 5 réis
Cada pessoa a cavalo 20 réis
Carro de uma junta de bois 40 réis
Cadeirinhas de mãos 60 réis
Liteira 120 réis
Sege 160 réis
 
À noite, passados 45 minutos do pôr-do-sol, os preços duplicavam, taxa que se mantinha até 45 minutos antes do nascer do sol, sendo o momento anunciado pelo toque de um sino.
A "Ponte das Barcas" revestiu-se de uma enorme importância para o desenvolvimento das comunicações entre as zonas ribeirinhas, mas também no contexto inter-regional, na ligação entre as margens norte e sul do rio Douro”».
Fonte: historiaschistoria.blogspot.com


 

Ponte das Barcas em 1830 (com 20 barcaças) - Fonte: Leipzig Verlag, Georg Wigand  (col. Pessoal)
 
 
 
 
A Ponte das Barcas seria substituída pela Ponte Pênsil ou Ponte D. Maria II, praticamente no mesmo local, a partir de 1843.
A Confraria das Almas de S. José das Taipas e a igreja de S. José das Taipas têm uma grande ligação à Ponte das Barcas.
Começada a construir em 1795, a Igreja de S. José das Taipas foi benzida, em 1818, pelo bispo D. João Magalhães e consagrada em 1822, quando só estaria concluída 1878.
Quando foi consagrada, ainda só tinha sido edificado praticamente o seu solo. Tal ficou a dever-se pela necessidade de santificar o chão onde estavam sepultados os corpos dos que pereceram no desastre da Ponte das Barcas e que, para aqui, tinham vindo em 1809 por deliberação dos portuenses, dada a inexistência de locais para atender aos sepultamentos de tantos milhares de mortos.
Por esta razão, os taburnos (sepulturas) interiores da igreja, não contêm restos mortais de particulares.
Até à conclusão da igreja de S. José das Taipas, que ficaria com a sua entrada pela Rua do Calvário, existia nesse local, desde 1666, uma capela mandada erigir pela família dos “Pacheco”, com entrada pela Rua das Taipas.
Seria o terreno contíguo a essa capela que serviria de cemitério e de chão da nova igreja.
 



Painel representando o desastre da Ponte das Barcas exposto numa parede da igreja – Ed. JPortojo
 
 
 
 
A cena do painel acima exibida num altar do lado da Epístola, com uma assinatura de “A. Cunha” e ostentando a data de 1845, é uma pintura sobre cobre, baseada numa outra que, originalmente, esteve colocada no memorial das “Alminhas da Ponte” e que, por acção dos elementos atmosféricos se degradou.


 
 

Quadro alusivo à tragédia da Ponte das Barcas que serviu de modelo à existente na capela das Taipas
 
 
 
“Este quadro foi colocado depois onde estivera a ponte, e tornou-se local de romaria popular. Aí eram deixadas velas e dinheiro pelas alminhas – as "Alminhas da Ponte”, agora assinaladas na Ribeira por uma placa evocativa de Teixeira Lopes que continua a ser local de devoção. Quanto ao quadro, pintado depois a óleo, ficou à guarda da capela das Almas (ou das Taipas), na Cordoaria, que passou também a assegurar a gestão do dinheiro deixado nas Alminhas. É uma das imagens escolhidas para a exposição sobre o Porto e as invasões francesas que vai ser inaugurada, no Domingo, na Galeria do Palácio de Cristal”.
“noticias.sapo.pt” em 27/03/2009
 
 
 
No extremo do Muro da Ribeira, vê-se hoje um baixo-relevo, em bronze, protegido por um alpendre em ferro, assente em duas consolas, da autoria de Teixeira Lopes (pai), em memória do Desastre da Ponte das Barcas, ocorrido em 29 de Março de 1809.
Neste local, está exposto desde 1897.
Esta placa, mais resistente aos elementos atmosféricos, substituiu uma outra colocada em cota mais baixa, inaugurada em 1891 e oferecida por um devoto, de acordo com a notícia seguinte.


 
In jornal “A República” de 16 de Janeiro de 1891, pág 2

 
 
 

Placa mural alusiva à tragédia da autoria de Teixeira Lopes (pai)


 
 

“Alminhas da Ponte” – Fonte: portoarc.blogspot.com


 
Entretanto, a Confraria das Almas de S. José das Taipas foi responsável, desde 1810, pelas esmolas e o zelo do memorial das Alminhas da Ponte, situada na marginal da Ribeira.
Aquela confraria resultou da união da Irmandade de S. José das Taipas, que administrava a capela de S. José das Taipas, com a Irmandade de S. Nicolau de Tolentino das Almas (sediada na capela de S. João Novo, desde a sua fundação, em 1634, pertencente aos riquíssimos negociantes de bacalhau) e com a Irmandade de Nossa Senhora da Consolação, que funcionava junto do Convento de Nossa Senhora da Consolação ou convento de Santo Elói, desalojada em virtude do derrube da muralha fernandina.
Em 1780, as três irmandades já estariam juntas e, em 1788, foi decidido construir a igreja.
 
 
“A esta confraria foi entregue pelos moradores da Ribeira, em 1810, o sufrágio das almas dos mortos no desastre da Ponte das Barcas do dia de 29 de Março de 1809. Tinha o encargo de ter sempre 2 velas acesas no local do desastre, recolher as esmolas e, no dia do aniversário, sufragar as almas das vítimas com missas e uma procissão que ia até à Ribeira, acompanhada de música. Este encargo trouxe à confraria uma grande simpatia e consequente aumento de esmolas. Estes rendimentos, acrescidos da percentagem dos lucros da venda do bacalhau, permitiu que se construísse a capela com a grandiosidade que hoje tem. Tem 4 altares laterais dedicados a Nossa Senhora das Dores, da Saúde, da Conceição e de Santo António”.
Cortesia de Rui Cunha
 
 

 
De notar que, face às enormes somas envolvidas, respeitantes a importantes donativos surgiu, há muitos anos, uma contenda entre a Confraria das Almas de S. José das Taipas e a Confraria da Capela das Almas, que ambicionava administrar esses donativos, sita na Rua de Santa Catarina, cujo conflito acabaria por ser resolvido pelo Bispo do Porto, D. António de S. José e Castro, a favor da primeira. 
Durante muitos anos, realizou-se, também, a propósito das “Alminhas da Ponte”, uma procissão que, saindo da igreja de S. José das Taipas, retornava passando pela Ribeira, onde em cerimónia presidida pelo bispo, era costume ele paramentar-se na Capela da Lada ou Capela do Senhor Crucificado.
Em 1909, a Irmandade de S. José das Taipas realizou a última romagem (considerada a maior do Porto) em memória das almas perecidas no dia 29 de Março de 1809.
A partir de 1975, o Bispo do Porto, decidiu entregar o cumprimento das obrigações decorrentes da administração das dádivas decorrentes da devoção às “Alminhas da Ponte” à Paróquia de S. Nicolau, após um período de muitos anos durante o qual a tarefa foi da responsabilidade da Opus Dei.
Presentemente, na igreja de S. José das Taipas, todos os anos, a 29 de Março, se evocam, em cerimónia, as almas dos que pereceram no desastre da Ponte das Barcas.
Em 2009, foi inaugurada uma obra escultórica de Souto Moura, com uma parte em Gaia e outra no Porto, perto do local onde se encontrava a antiga ponte.

 
 
 

Escultura (Ribeira do Porto) de Souto Moura evocativa da tragédia da Ponte das Barcas – Fonte: historiaschistoria.blogspot.com


 
 
Escultura (Ribeira de V. N. de Gaia) de Souto Moura evocativa do desastre da Ponte das Barcas – Fonte: Mapio.net

quarta-feira, 7 de junho de 2017

(Conclusão) - Actualização em 29/11/2017, 09/01/, 20/03 e 05/04/2019


Localizada na Rua de Serralves, em Lordelo do Ouro, em frente ao que veio a ser a Fábrica de Lanifícios de Lordelo, a capela era também conhecida por "Capela da Quinta dos Frades" e por "Capela da Quinta do Gouveia" (devido ao nome de família do proprietário).
Antes, no século XVIII, foi Quinta de Cima, Quinta de Cima da Ponte e Quinta da Ponte. 
A capela, inicialmente com Francisco Xavier como orago, fazia parte do antigo hospício ou brévia de religiosos da ordem de S. Francisco de Paula, conhecidos pelos "Mínimos", tendo sido o complexo fundado em 1780 e, posteriormente, vendido, depois de 1834, passando a propriedade particular do capitalista José da Silva Monteiro.
Aquela capela tendo estado referenciada pelo IGESPAR teve o seu processo encerrado, não tendo actualmente qualquer protecção legal. Construída em finais do séc. XVIII, encontra-se em total estado de ruína.



Referência do padre Agostinho Rebelo da Costa ao hospício de S. Francisco de Paula





Ruínas de capela e hospício de S. Francisco de Paula na Rua de Serralves



Na foto acima à direita, na Rua de Serralves, a fachada em ruínas da capela a que se segue, as ruínas do hospício.
Sobre o assunto em artigo do JN pode ler-se:


“…Trata-se do que resta de um antigo hospício ou brévia de religiosos da ordem de S. Francisco de Paula, conhecidos pelos "Mínimos".
Hospício, ou brévia, eram lugares onde se recolhiam religiosos quando estavam doentes ou necessitavam de repouso. Por isso, ficavam, em regra, fora dos grandes aglomerados citadinos.
 Os religiosos de S. Francisco de Paula vieram para Lordelo, transferidos do único mosteiro que possuíam em Portugal, no sítio da Pampulha, em Lisboa.
 A brévia de Lordelo foi fundada no ano de 1780.
 Os frades que a habitavam viviam de esmolas que pediam nas ruas do Porto.
 Foi com o produto dessas dádivas que começaram a construir a capela e o convento.
 A partir de certa altura, porém, as esmolas começaram a escassear, as obras pararam e os frades acabaram por abandonar o mosteiro.
O abandono aconteceu por alturas da segunda invasão francesa (1809) que nesta freguesia provocou uma enorme mortandade…"
Com a devida vénia a Germano Silva



O local de implantação da capela fez parte do couto de Santa Eulália ou Santa Ovala, uma doacção de D. Afonso Henriques ao Mosteiro de Tarouca. Confinava, a poente, com o couto de S. João da Foz.
Segundo documentação revelada, a brévia situava-se em parte do Monte da Carreira.
Após as destruições provenientes das vicissitudes da guerra civil, em 1834, a Fazenda Nacional vendeu a propriedade a João Eduardo de Brito e Cunha.
Entre 1878 e 1880, nas instalações referidas funcionou a Associação Lusitana e, posteriormente, tomou posse delas, José da Silva Monteiro, um negociante e capitalista, dono de uma fábrica de moagem.
A partir de 1901, aparece como proprietário José Joaquim Gouveia, armador de navios bacalhoeiros e dono de uma seca de bacalhau.
Aí, viveu durante anos a família Gouveia, num palacete pegado à antiga brévia.




17.18 Igreja de S. Martinho de Lordelo do Ouro


“Situada na Rua das Condominhas, a construção da igreja foi iniciada em 1764, sobre uma capela mais pequena. A igreja, que esteve integrada no Padroado Real, só ficou completa em 1867, com a construção da torre sineira. As obras foram atrasadas compreensivelmente, quer pelas Invasões Francesas, quer pelo drama do Cerco do Porto.
O orago, São Martinho, está presente num nicho por cima da porta principal. Em 1888, a frontaria e as torres sineiras foram cobertas de azulejos, obra da já desaparecida Fábrica de Cerâmica de Massarelos. O corpo da igreja só viria a ser igualmente revestido em 1949, tendo sido ainda remodelado em 1982”.
Fonte: pt.wikipedia.org



"Por aquele tempo, Lordelo do Ouro fazia parte do extinto concelho de Bouças (Matosinhos) e ficava "no campo, longe da cidade", como consta de um documento papal… Nas Memórias paroquiais de 1758, vem a talhe de foice lembrar a existência de uma confraria que nelas vem referenciada e que ainda funciona: a Confraria do Santíssimo Sacramento do Senhor do Bonfim e Almas.
Falar do Senhor do Bonfim traz-nos imediatamente à ideia a confraria com aquela designação que funciona junto da igreja paroquial do Bonfim.
Pelos vistos, existe outra, também no Porto, na igreja de S. Martinho de Lordelo do Ouro.
E a razão de ser de ambas deve ser a mesma, julga o cronista: a da paróquia do Bonfim designa-se Senhor do Bom Fim e da Boa Morte; a da paróquia de Lordelo do Ouro Senhor do Bom Fim e das Almas.… Esclareça-se que a igreja de Lordelo do Ouro, ao tempo em que foram redigidas aquelas "Memórias", era da Comenda de Ordem de Cristo e do Padroado Real sendo a apresentação do pároco da responsabilidade do rei”.
Com a devida vénia a Germano Silva


Entretanto, em 20 de Junho de 1869, o Governador Civil dá como extinta a Confraria do Senhor do Bonfim e Almas, na Igreja de Lordelo do Ouro, por já não ter irmãos que tomassem conta da sua administração.
Aquando do aparecimento por estas bandas dos frades “Mínimos” estas terras pertenciam a Bouças, ficando bem longe da cidade!
Em 1745, Frutuoso de Faria, emigrado no Brasil fez testamento de uma fortuna considerável à Confraria do Santíssimo Sacramento, da paróquia de Lordelo, que deu origem a uma disputa que envolveu a Colegiada de Cedofeita e que a seguir nos é narrada por Germano Silva.


“Frutuoso de Faria, natural da paróquia de Lordelo do Ouro, morreu em 10 de Junho de 1745, no Rio de Janeiro, para onde emigrara muito novo e onde juntou enorme fortuna. Pouco antes de morrer fez testamento e legou a avultada soma de 45 mil cruzados à Confraria do Santíssimo Sacramento, da paróquia da sua terra natal, para serem aplicados na instituição de "hum coro no quoal rezassem quotidianamente oito Capellains com a porção de quarenta mil reis cada hum anno, ao Pároco como prezidente sessenta mil reis e a Confraria do Santíssimo Sacramento, como administradora oitenta mil reis…"
As capelanias foram instituídas, é verdade, em obediência às disposições testamentárias mas, por razões que o cronista não conhece, o bispo de então, que era o faustoso D. Frei José Maria da Fonseca e Évora, solicitou do Papa Bento XIV a transferência das capelanias para a Insigne (era assim que se denominava) Colegiada de S. Martinho de Cedofeita.
Bento XIV atendeu ao pedido do prelado portuense e no documento que publicou, o Papa, entre outras explicações que dá, para tentar justificar a transferência apresenta a de "… Lordelo do Ouro ficar no campo, longe da cidade…"
Esta transferência do legado de Frutuoso Faria da igreja de S. Martinho de Lordelo do Ouro para a Colegiada de S. Martinho de Cedofeita, deu origem a uma contenda judicial que ainda não estava resolvida treze anos depois.
Com efeito, nas Memórias Paroquiais de 1758, alude-se ao acontecimento com a informação de que "… sobre o Legado se litiga ordinariamente por se não cumprir com a vontade do Testador usurpandosse desta sorte a esta Igreja q. he de Sua Magestada Fidelíssima…."
Esclareça-se que a igreja de Lordelo do Ouro, ao tempo em que foram redigidas aquelas "Memórias", era da Comenda de Ordem de Cristo e do Padroado Real sendo a apresentação do pároco da responsabilidade do rei.
A título de curiosidade informa-se que na igreja paroquial de Lordelo do Ouro existe um retrato pintado a óleo de Frutuoso de Faria”.




Igreja de S. Martinho de Lordelo do Ouro






A Igreja de S. José das Taipas, situada na confluência da actual Rua Doutor Barbosa de Castro (Antiga Rua do Calvário) e o Campo Mártires da Pátria, começou a ser construída em 1795 e substituiu uma outra, muito mais modesta, com entrada pela Rua das Taipas, mandada erigir em 1666, no cimo da Rua do Calvário, pela família dos Pachecos.
Esta Capela ficava situada intramuros, por isso, virada para a Rua das Taipas ocupando uma área adjacente à fachada lateral, a Sul da actual igreja.
A Venerável Irmandade de S. José das Taipas tinha sido fundada em 1633, tendo-se unificado, em 1780, com a Irmandade de S. Nicolau de Tolentino das Almas (sedeada na capela de S. João Novo desde a sua fundação, em 1634), à qual pertenciam os negociantes de bacalhau e, posteriormente, com a Irmandade de Nossa Senhora da Consolação, que funcionava junto do Convento de Nossa Senhora da Consolação ou convento de Santo Elói e que, de lá tinha sido desalojada, em virtude do derrube da muralha fernandina, fruto do arranjo urbanístico na área envolvente.
Há documentos nos arquivos da igreja que provam que as três irmandades já estavam juntas no fim do século XVIII, mais propriamente em 1788.




Imagem de Nossa Senhora da Consolação



A imagem da foto acima, hoje numa antiga sacristia da igreja, teria acompanhado a confraria oriunda de Santo Elói.
Tendo como sede, inicialmente, uma das casas situada na Rua das Taipas, em 1666, dá-se a mudança da Irmandade de S. José das Taipas para a Capela das Taipas, rebaptizada de Capela das Almas de S. José das Taipas.
Esta capela estaria implantada onde é hoje um pátio interior, adjacente a uma sacristia (a mais antiga) da actual igreja e teria entrada pela Rua das Taipas.
Dela, não resta nenhum elemento de construção, à excepção, de uma pedra inserida numa das paredes do pátio referido.




Pedra que teria pertencido à capela primitiva da Rua das Taipas com data da construção da mesma – Ed. Graça Correia




Ainda em 1755, D. João da Silva ordenara a transferência, para a referida capela, de todas as imagens da Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Vitória, muito degradada, tendo-se tornado paróquia enquanto decorriam as obras de conservação e restauro desta.
A Irmandade de S. José das Taipas foi responsável, desde 1810, pelas esmolas e o zelo do memorial das Alminhas da Ponte, situada na marginal da Ribeira, até o Bispo do Porto, entregar o mesmo propósito à Paróquia de S. Nicolau, já nos nossos dias.
De notar que face às enormes somas envolvidas, respeitantes a importantes donativos, surgiu há muitos anos uma contenda entre a Confraria de S. José das Taipas e a confraria da Capela das Almas, sita na Rua de Santa Catarina que ambicionava administrar esses donativos, conflito que só seria resolvido pelo Bispo do Porto a favor da primeira. 
Durante muitos anos realizou-se também, a propósito das Alminhas da Ponte, uma procissão que saindo desta capela retornava passando pela Ribeira, onde em cerimónia presidida pelo bispo, era costume ele paramentar-se na Capela da Lada ou Capela do Senhor Crucificado.
Esta capela comemora a inauguração por S. Francisco Borja em 10/8/1560 da primeira comunidade Jesuíta no Porto, bem perto do local onde está implantada.
A capela da Lada esteve inicialmente dentro das muralhas e, só para aqui veio, quando foram feitas obras para a construção da ponte Luís I.
Inicialmente dentro da muralha, no sopé da escarpa dos guindais, junto das Escadas do Codeçal, a capela tinha a frontaria virada para poente, para o desaparecido postigo da Areia, tendo sido edificada em 1734.
Era início de uma via-sacra que indo pela marginal do rio Douro, acabava junto da fonte do Carvalhinho, junto da qual existia uma outra capela – A Capela do Senhor do Carvalhinho.
Em 1887, por causa da abertura da estrada de acesso à ponte Luiz I, teve que ser demolida, tendo começado a sua reconstrução, em 1888, no local que hoje ocupa, não muito longe do local primitivo.

“Celebrou-se ontem a cerimónia do assentamento da primeira pedra para a nova capela da Lada, que vai construir-se a expensas da Confraria do Senhor Jesus da Ascenção e Boa-Morte.
A antiga capela foi demolida em 1887 por causa da avenida do tabuleiro inferior da ponte D. Luiz I. Tinha sido edificada em 1734.”
“O Primeiro de Janeiro”, 6 de Dezembro de 1888 – 5ª Feira




Capela da Lada na Ribeira




A Igreja de S. José das Taipas, de arquitectura neo-clássica, é obra de Carlos Amarante, arquitecto e engenheiro militar do neoclassicismo, autor de vasta obra no Norte de Portugal.
Para a sua edificação tornou-se necessário o derrube de um troço da muralha fernandina.
É caracterizada por ser consagrada a S. José, particularidade única na Diocese do Porto, e por ter uma só torre sineira, embora, tudo indique, que algures no tempo, poderia ter sido previsto ostentar duas.




Pela foto se vê, pela presença dos cachorros que, em tempos, estaria preparado o levantamento, a Sul, da 2ª torre sineira (que não se concretizou) da Igreja de S. José das Taipas – Ed. Graça Correia




Da autoria de Carlos Amarante, salientam-se os conhecidos monumentos do Bom Jesus, Igreja do Pópulo e Igreja do Hospital de S. Marcos, localizadas em Braga; a Ponte de São Gonçalo sobre o Rio Tâmega, em Amarante; Ponte das Barcas, no Porto; Reitoria da Universidade do Porto; igreja da Trindade, no Porto; Palácio da Brejoeira, em Monção.
Começada a construir em 1795, a Igreja de S. José das Taipas foi benzida, em 1818, pelo bispo D. João Magalhães e consagrada em 1822, quando só estaria concluída 1878.
Quando foi consagrada, em 1822, ainda só tinha sido edificado praticamente o seu solo. Tal ficou a dever-se pela necessidade de santificar o chão onde estavam sepultados os corpos dos que pereceram no desastre da Ponte das Barcas e que para aqui tinham vindo em 1809 por deliberação dos portuenses, dada a inexistência de locais para atender aos sepultamentos de tantos milhares de mortos.
Por esta razão, os taburnos (sepulturas) interiores da igreja, não contêm restos mortais de particulares.




Gravura de 1885 sobre o desastre da Ponte das Barcas 




No  mini-museu da igreja, é possível observar várias pinturas de diferentes épocas ligadas à arte sacra, um presépio da escola de Machado de Castro e um cruzeiro pintado denominado “Cruzeiro dos Peixeiros” que foi removido para a igreja de S. José das Taipas, em 1 de Junho de 1869, quando foi dada ordem municipal para a sua remoção.
Este cruzeiro encontrava-se fronteiro ao edifício que foi os Celeiros da Cidade, à Cordoaria, no local que hoje é o Palácio da Justiça e, depois, alojou os quartéis militares dos terços destinados à guarnição da cidade.




Cruzeiro dos Peixeiros – Ed. Graça Correia



“Os devotos que tinham pedido e obtiveram a remoção do cruzeiro que se achava próximo do mercado do Peixe, denominado Senhor da Saúde, acabam de lhe construir um altar na igreja de S. José das Taipas, para onde o referido Cruzeiro fora mudado.
O altar fica num corredor que dá acesso para a sacristia, a esquerda da entrada da igreja. Deve ser benzido na próxima segunda-feira, dia 19 de Julho.”
In jornal “O Comércio do Porto”, 16 de julho de 1869 – 6ª Feira




Documento que narra a recolha do Cruzeiro dos Peixeiros na Igreja de S. José das Taipas - Cortesia de João Pedro Cunha




Presépio da Igreja de S. José das Taipas – Ed. JPortojo




O presépio acima observado tem a particularidade de exibir 4 magos, sendo o mago extra representado na figura de um índio segurando um lama, fazendo alusão ao último continente descoberto e então já conhecido – o continente Americano.




Painel representando o desastre da Ponte das Barcas exposto numa parede da igreja – Ed. JPortojo




A cena do painel acima exibida num altar do lado da Epístola, com uma assinatura de “A. Cunha” e ostentando a data de 1845, é uma pintura sobre cobre, baseada numa outra que, originalmente, esteve colocada no memorial das “Alminhas da Ponte” e que, por acção dos elementos atmosféricos se degradou. A partir de 1897, o desastre seria aludido por um baixo-relevo, em bronze, protegido por um alpendre em ferro, assente em duas consolas, da autoria do escultor Teixeira Lopes (pai).




Alminhas da Ponte, na Ribeira – Fonte: DGPC



No entanto, entre os dois painéis mencionados, parece ter existido um outro painel, de acordo com a notícia que se segue.


 

In jornal “A República” de 16 de Janeiro de 1891, pág 2



Em 1910, devido aos acontecimentos ocorridos após a implantação da República, a igreja, a exemplo de muitas outras, encerrou.
Em 1975 (em pleno período revolucionário), por exigência do povo, o bispo do Porto faria a transferência da gestão dos donativos respeitantes ao memorial da Ribeira, para a Igreja de S. Nicolau, deixando a Opus Dei (prelazia pessoal da igreja católica) de o fazer, já que, esta organização vinha ocupando a Igreja de S. José das Taipas durante várias décadas do século XX.
A Opus Dei abandonaria a igreja de S. José das Taipas, em sequência.



“Responsável pelas esmolas e o zelo do memorial das Alminhas da Ponte, situada na marginal da Ribeira, até o Bispo do Porto, entregar o mesmo propósito à Paróquia de S. Nicolau.”
Fonte: “centrohistorico.cm-porto.pt”



Entretanto, no início dos anos 80, a Opus Dei viria, face a novas directivas do Vaticano, a obter o estatuto que presentemente ostenta.
Nos dias de hoje, dada a oferta da Paróquia da Vitória, a igreja não faz celebrações de missas católicas emprestando os seus espaços para celebrações do culto ortodoxo.
Em 1909 a Irmandade realizou a última romagem (considerada a maior do Porto) em memória das almas perecidas no dia 29 de Março de 1809.
Presentemente, na igreja de S. José das Taipas a 29 de Março de todos os anos, se evocam, em cerimónia, as almas dos que pereceram no desastre da Ponte das Barcas.
A partir de 1996, foram feitas na igreja grandes obras de restauro e limpeza, bem como em 2018, com limpezas efectuadas à fachada e arranjos da cobertura.
É imóvel de interesse público desde 1982.




Aro em ferro cravado de cada lado da entrada serve como rapa-pés – Ed. JPortojo




Igreja de S. José das Taipas em 1950




Igreja de S. José das Taipas






“A Igreja de São Miguel de Nevogilde localiza-se na freguesia de Nevogilde tendo sido erguida no século XVIII, remontando a sua construção aos anos de 1729 a 1737, embora a data para a conclusão da capela-mor e sacristia seja mais adiantada - 1750 - e a torre tenha ficado pronta apenas em 1881.
Nessa época, Nevogilde era um local com poucos habitantes (ligados essencialmente ao trabalho agrícola), que só no final do século XIX foi integrado no concelho do Porto.
Foi classificado como monumento de interesse público (MIP) pelo IGESPAR em 16 de Setembro de 2010.
De cariz barroco, destaca-se a decoração da fachada que, apesar de simples, expressa nitidamente a exuberância do barroco joanino. De pequenas dimensões, apresenta apenas uma nave e uma capela-mor.
No mesmo local deveria ter existido um outro templo, do qual nada se sabe, embora se suponha ter sido românico. Da mesma forma, desconhece-se o autor da planta da "nova" igreja de Nevogilde, ainda que se atribua a Domingos da Costa, que aí trabalhou como mestre pedreiro. Note-se que este participou na construção da igreja de São Pedro de Miragaia, de Santa Marinha (Vila Nova de Gaia), reforma da igreja da Misericórdia, enfermaria e torre da igreja dos Clérigos, igreja e sacristia de Nossa Senhora da Esperança, abóbada da igreja de Santa Cruz do Bispo, e igreja matriz de Póvoa de Varzim; a maior parte das quais ligadas à figura de Nicolau Nasoni, com quem poderia ter aprendido. 
Em 1750 foi assinado o contrato com Manuel da Costa Andrade para a realização do retábulo da capela-mor, em estilo joanino. Os retábulos colaterais, que apresentam tipologia semelhante, são igualmente atribuídos a este mestre entalhador. No interior, sobressaem ainda os púlpitos, sem dossel mas com portas revestidas por talha. 
No exterior é ladeada por pilastras alinhadas segundo as torres sineiras, e ao centro rasga-se o portal, encimado por óculo envolvido por volutas. No registo superior, e sobre o entablamento, erguem-se as torres sineiras. Ao centro, um frontão duplo fecha a composição. Note-se que todos os elementos de remate (torres sineiras, frontão superior e frontão sobre o portal) se desenvolvem em linhas sinuosas e terminam em forma de folhas. 
Uma última referência para uma série de elementos que não pertenciam à igreja de Nevogilde, mas que foram integrados posteriormente. É o caso das colunas que suportam o coro, os anjos atlantes da trave do referido coro, o arcanjo e sanefa sobre as portas e janelas do baptistério e corpo da igreja entre outros.
Destaque ainda para as sanefas rocaille, introduzidas aquando da reforma da capela-mor, em 1934-1935”. 
Fonte: Rosário Carvalho In site: “patrimoniocultural”




Igreja de são Miguel de Nevogilde – In site : “patrimoniocultural”






Completamente abandonada, desprezada e pilhada, durante muitos anos, a Capela do Senhor d´Além, construída em 1877, está situada na Rua de Cabo Simão junto ao sopé da escarpa da Serra do Pilar em Vila Nova de Gaia.
Merecera, em tempos, destaque, a talha dourada de grande ornamentação no altar.
Esta capela, construída pelos cónegos regrantes de S. Agostinho, é a sucessora duma outra, mais modesta, por eles construída poucos anos antes.
Em tempos, o bispo do Porto D. Pedro Rabaldio mandou erigir, no ano de 1140, no sítio em que hoje está o edifício do mosteiro da serra do Pilar, um convento de monjas e capela de invocação a São Nicolau.
Diz a lenda que, alguns poucos anos depois, uns pescadores que andavam na pesca do sável ao recolherem as redes depararam-se com uma cruz com um Cristo.
O salvado foi limpo e começou a ser venerado na capela de S. Nicolau.
Muito mais tarde, tendo as monjas abandonado aquelas instalações, foi ordenado (à data na Sé estava o bispo Diogo Sousa) que as imagens de São Nicolau, de São Bartolomeu e do Senhor Crucificado, que estavam na igreja do extinto convento das Donas Pregaretas de S. Nicolau, fossem recolhidas à capela do Senhor de Além, já reformada e ornamentada, para tal fim, pelos monges de Grijó, em umas penedias mais próximas do rio, em cerimónia que se realizou no dia 24 de Agosto de 1500, depois das mesmas imagens serem conduzidas, em procissão, em barcos pelo rio Douro.
Anos mais tarde, em 1539, os monges de Grijó conseguiram mandar construir o actual convento da serra do Pilar com a bênção do bispo do Porto, D. Baltasar Limpo (nomeado em 1537 e arcebispo de Braga em 1550) e, ainda, a actual capela do Senhor d’Além, para o que procederam à demolição da primitiva.
O Senhor d’Além passou, então, a ser muito venerado, principalmente, pelos comerciantes e, também, pelo povo.
Em ocasiões de tragédias, a imagem do Senhor d’Além ia em procissão até à Sé, mas, numa delas, durante a ocorrência de uma grande seca e os crentes imploravam que chovesse, os cónegos impediram que a imagem retornasse à capela e, por lá, ficou até aos nossos dias.
Em 5 de Março de 1739, junto à capela do Senhor de Além, cinco frades Carmelitas Calçados, fundaram um hospício que funcionou até 1832.
A capela seria remodelada em 1877, já depois do hospício ter sido encerrado, pois, após 1834 foi vendido, e nele chegou a funcionar uma fábrica de louça.
Foi nesta fábrica, que ficou conhecida por Fábrica de Cerâmica do Senhor d’Além, que foi feita a azulejaria que forra a capela dos Terceiros do Carmo, cujos motivos foram pintados por Carlos Branco e desenhada por Silvestre Silvestri e produzida em 1912.
Durante muitos anos, se realizou em volta da capela do Senhor d’Além, grandes romarias. A última teve lugar em 1997.
A imagem do senhor d’Além está, agora, na Casa do Cabido na Sé.
 
 
 

Senhor d’Além na Sé, actualmente




Capela do Senhor D’Além em V. N. de Gaia




“A actual capela, que mantém o culto, foi edificada, no lugar da antiga, em 1877. Tem benfeitores muito fervorosos. A festa em honra do Senhor de Além realiza-se, sempre, no domingo seguinte em que se celebra a festividade à Senhora do Pilar, no penúltimo domingo de Agosto."
Resenha histórica de CALE Vila de Portugal e Castelo de Gaia, In  monumentosdesaparecidos.blogspot




Capela do Senhor d’Além – Ed. pt.slideshare.net




Junto da capela situava-se em tempos idos a praia do Senhor d’Além e para montante dela, as famosas praias fluviais do “Borras” e do “Aurélio”, já desaparecidas, pela nova configuração do leito e das margens do rio. 
Em 6 de Julho de 1919 ocorreria na praia do Aurélio um desastre quando cerca de 100 pessoas caíram ao rio, enquanto assistiam a uma exibição de “water-polo”, promovida pelo Comité Pró-Natação. Apesar do pânico, e quase por milagre, apenas perderia a vida, um jovem empregado da companhia de seguros Aliança Madeirense. Naqueles tempos era usual naquela praia, acontecerem jogos daquela modalidade desportiva, que estava muito em moda, desde que em 30 de Agosto de 1916, tinha sido apresentada na cidade, por iniciativa do Sport Club do Porto, com a vitória lógica do Club Naval de Lisboa.








Capela na Avenida de Montevideu




Capela de Nossa Senhora de Lurdes no início do século XX - Ed. “A Nossa Foz do Douro”



Na Avenida de Montevideu, perto da Rua do Molhe, nas fotos acima, realça-se a Capela de Nossa Senhora de Lurdes que pertenceu à família Lima Barreto e esteve, em tempos, aberta ao culto com duas missas dominicais e, uma em cada dia da semana, bem como, outras devoções. Sabe-se que, em 1923, era ali capelão o Reitor Cornélio Honório da Graça e Silva.
Encontra-se, presentemente, fechada, desconhecendo-se a data da sua construção, embora se saiba que, em 1891, já estava edificada, como é destacado numa planta existente no AHMP com o título: “Planta do Bairro de Carreiros pertencente ao Concelho de Bouças”.
 
 
 

Destaque da capela de Nossa Senhora de Lurdes na “Planta do Bairro de Carreiros pertencente ao Concelho de Bouças”




17.23 Igreja de Nossa Senhora de Fátima





Igreja de Nossa Senhora de Fátima – Ed. “fatima.pt”




A Igreja de Nossa Senhora de Fátima, concluída em 1933, foi inaugurada, solenemente, pelo bispo do Porto, em 11 de Fevereiro de 1936, na Rua das Valas (Rua Nossa Senhora de Fátima, a partir de 1942), constituindo, o primeiro projecto da arquitectura moderna religiosa em Portugal. 
O projecto da Igreja de Nossa Senhora de Fátima é da "Oficina ARS - Arquitectos" na qual trabalhava então, um grupo de arquitectos, pintores e escultores, pioneiros do movimento moderno no Porto. Dirigiu a obra o Arq. Mário de Morais Soares, coadjuvado pelos seus colegas Fortunato Cabral e Cunha Leão; autor dos vitrais foi o Pintor Adalberto Sampaio. 
A ligação da família Morais Soares à arquitectura, tem início com Mário Cândido de Morais Soares, formado, em 1933, no curso de arquitectura da Escola Superior de Belas Artes do Porto.
Conjuntamente com dois colegas de curso, fundam a ARS – Arquitectos, atelier precursor do Modernismo Português, com obras como o mercado do Bom Sucesso, o Mercado de Matosinhos, o  Palácio Atlântico e Praça D. João I, a Fábrica Oliva, entre outros. Após a dissolução da ARS – Arquitectos, em 1954, Mário Morais Soares exerce actividade como arquitecto independente.




Local de implantação da igreja (A) na planta de Teles Ferreira de 1892

Legenda:
1 Rua de Serpa Pinto
2 Rua 9 de Julho
3 Rua Oliveira Monteiro
4 Rua das Valas
5 Rua de Cedofeita