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segunda-feira, 2 de novembro de 2020

25.102 Uma farmácia da Foz do Douro que ficou célebre

 
Era comum, na 2ª metade do século XIX, os portuenses juntarem-se em cavaqueira principalmente nos botequins e cafés. Muitos deles ficaram célebres.
Algumas livrarias, como a “Moré” ou farmácias, as antigas boticas, como a do Largo do Padrão ou a “Lemos”, do Largo do Carmo (ainda existentes) foram também locais de eleição para a troca de ideias. Mas, entre estas últimas, uma outra se destacava das restantes. Foi a Farmácia Amorim, de Francisco José de Amorim, natural de Braga.
Esta personagem viveu algum tempo em França e na Ilha da Madeira e, depois, radicou-se na Foz do Douro. Abriu a farmácia em finais do século XIX, nos n.os 34-35 da Esplanada do Castelo, na Foz do Douro, tendo encerrado nas primeiras décadas do século XX.
Tinha um ajudante de apelido Pereira.
 
 
 
Entre o Hotel da Boa Vista (visível à direita) e a Rua da Cerca no nºs 34 e 35 (assinalada por um ponto preto) ficava a Farmácia Amorim – Planta de Telles Ferreira de 1892


 
Esplanada do Castelo, c. 1930. O Club Rigollot, situava-se um pouco para a direita, fora do enquadramento da foto
 
 
 
 
Ficou a farmácia, para a posteridade, mais conhecida como o Club Rigollot, tão expressiva era a sua tertúlia.
O nome, segundo alguns, ter-lhe-ia sido atribuído em homenagem à memória de um benemérito, João Paulo Rigollot, aperfeiçoador dos sinapismos outrora usados.
Porém, desde de sempre a origem da denominação era, para muitos, a de “Rigolo”, significando alegria.
De um modo ou de outro, aqui, desde o fim da tarde até por vezes noite adentro, se reunia vasto número de personalidades em amena cavaqueira de assuntos muito diversos, porém tentando evitar a conversa sobre política partidária.
Por esta sociedade intelectual, que se tornou famosa por toda a cidade, passaram vários vultos da política, das letras, das ciências, antigos ministros, governadores civis, professores, juízes, banqueiros, etc., no mais ameno convívio, em conversa tolerante e variada.
De entre as várias personalidades que compunham o grupo, destacou-se o barão de Paçô Vieira, muito referenciado em várias iniciativas da Foz desse tempo e que vivia na Rua do Passeio Alegre, numa casa que ainda hoje existe, na esquina com a rua de acesso à Igreja da Foz (lado esquerdo) e que exerceu o cargo de presidente do clube.
Em Dezembro de 1952, o brigadeiro Nunes da Ponte escreveu na revista O Tripeiro, V série, que nenhum dos sócios do Clube Rigollot pertencia "ao número dos vivos".
Rui Manuel da Costa Perdigão da Silva Fiadeiro Duarte (de Cifantes e Leão) descreve-nos, no texto seguinte, algumas das personalidades que passaram pelo clube.
 
 
 
“Por aqui se encontravam:
-Barão de Paçô Vieira, José Joaquim de Sousa Barreiros Coelho Vieira Júnior (Guimarães, 16/8/1825 - Guimarães, Casa de Paçô Vieira, 2/3/1906), formado em Direito (1851), delegado do Procurador Régio, auditor do Exército (1864), governador civil de Braga (15/2/1865), vice-presidente e posteriormente presidente do Tribunal da Relação do Porto (1894 e 1896 respectivamente), juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça (1901), deputado em várias legislaturas, pai do conde de Paçô-Vieira (1.º) e do visconde de Guilhomil. Título de 11/7/1868, por D. Luís I;
-Francisco Ramalho Ortigão (sobrinho de Ramalho Ortigão), comerciante que dirigiu a casa comercial Ramalho Ortigão & Filho, chegou a montar nos jardins da sua residência, à Rua Alto da Vila, uma fábrica de tapetes, excelente cavaleiro e amador de equipagens, foi um dos organizadores do antigo Centro Hípico do Porto, Cônsul do Panamá, a quem chamavam Rof porque, na sua mocidade, fez jornalismo assinando-se R.O.F., pai de Francisco Veiga Ramalho Ortigão, passava temporadas na Foz;
-Engenheiro Barros Araújo;
-José Diogo Arroio (Porto, Rua Formosa, 23/7/1854 - Porto, Foz, 16/11/1925), doutor em filosofia pela Universidade de Coimbra, lente da cadeira de Zoologia e de Química Inorgânica (durante 44 anos) e director interino da Academia Politécnica do Porto, professor de Química Geral e Análise Química do Instituto Comercial e Industrial do Porto, director da Faculdade de Ciências do Porto durante 7 anos, jornalista e um dos fundadores do Jornal de Notícias, político, deputado, Conselheiro de Estado e notável pianista, primeiro director do Teatro Nacional de S. João;
-Adriano Bandeira;
-João José Vaz da Gama Barata (oficial superior do Exército);
-Dr. António Brandão Pereira (nasceu em Braga);
José Alves Bonifácio (Viana do Castelo, freguesia de Castelo de Neiva, 22/1/1860 - 1943), professor do Liceu Central do Porto e da Academia Politécnica, vereador da Câmara Municipal do Porto, viveu na Rua do Gama, na Foz do Douro;
-José Maria Rodrigues de Carvalho (Braga, 2/4/1829 - Paris, 31/7/1908), juiz conselheiro, deputado em várias legislaturas, nomeado par do Reino e que presidiu à Câmara Alta;
-António Marinho Falcão de Castro;
-Domingos Correia (coronel);
-Pedro Maria Pinto Leite da Fonseca (1868-1930), caricaturista e autor do álbum de caricaturas Glórias da Foz e do Clube Rigollot, cantor amador;
Manuel Ribeiro Rodrigues Forbes;
-António Granjo (Chaves, 27/12/1881 - Lisboa, 19/10/1921), assassinado na Noite Sangrenta, advogado, político, presidente da Câmara Municipal de Chaves (de Fevereiro a Julho de 1919), fundador do Partido Republicano Liberal, ministro da justiça no governo de coligação de Domingos Pereira (entre 30 de Março a 30 de Junho de 1919 e de novo entre 15 e 21 de Janeiro de 1920), presidente do conselho de ministros (entre 19 de Julho e 20 de Novembro de 1920, num governo liberal, e de novo entre 30 de Agosto e 19 de Outubro de 1921), maçom;
-Manuel Granjo (professor do Liceu);
-Henrique Carlos de Meireles Kendall (Porto, Santo Ildefonso 11/5/1839 - Porto, Foz do Douro 15/9/1917), morador na Rua do Rosário, n.º 112 em Miragaia, comerciante da praça do Porto, jornalista, banqueiro, accionista do Banco Mercantil de Viana do Castelo (com 100 acções), presidente do conselho administrativo da Companhia das Docas e Caminhos de Ferro Peninsulares, fundador e gerente da companhia de navegação Progresso Marítimo Portuense, deputado eleito pelo Porto na legislatura de 1906, membro da comissão organizadora das festas que se realizaram no Porto em Abril de 1904, comemorando o centenário do infante D. Henrique, vogal efectivo no Tribunal do Contencioso Fiscal (junto à alfândega do Porto), membro da comissão de exame de contas da Associação Comercial do Porto em 1870, director em 1882 e presidente da Associação Comercial do Porto em 1894 e 1895 (no último ano, não exerceu o cargo até ao fim), vice-presidente da Real Companhia Hortícola, membro do conselho fiscal do Banco Comercial do Porto e da Companhia de Fiação de Sal­gueiros, tesoureiro e membro da direcção da Associação das Creches de S. Vicente de Paulo, cultor das belas-artes e amador de música muito considerado, tendo tomado parte em alguns concertos de caridade, a que nunca recusou o seu valioso auxilio, escritor e memorialista, pai de onze filhos, em cuja casa se lançaram as bases do Orpheon Portuense, tendo sido a Rua D. Carlos I - depois Rua José Falcão - por ele aberta em finais da década de 1880, um dos maiores e mais assíduos animadores deste clube Rigollot;
-Artur César Veiga de Lacerda, Director da Companhia Aliança, director do Clube da Foz;
-Vitorino Tei­xeira Laranjeira (Amarante, S. Gonçalo, 21/3/1855 - 1934), bacharel pela Faculdade de Matemática da Uni­versidade de Coimbra, engenheiro militar que supervisionou o estudo e a construção da linha férrea do Douro, na etapa do Pocinho a Barca d’Alva, fez parte do Conselho Superior da Instrução Pública, admi­nistrador da Companhia das Docas e da Companhia dos Caminhos de Ferro Peninsulares e presidente da Comissão da Cultura do Tabaco do Douro, professor da Academia Politécnica (cadeira de Construções Civis - Vias de Comunicação), do Instituto Industrial e Comercial, e da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, vice-reitor e reitor da Universidade do Porto, general graduado, escritor e poeta humorístico;
-Ernesto Teixeira de Lencastre, coronel-médico, durante muitos anos director do Hospital Militar D. Pedro V, à Boavista;
José da Cunha Lima, Capitão de Mar e Guerra, falecido Almirante, impul­sionador da construção dos courts de ténis da Foz, ainda hoje existentes;
António Pinto de Queirós Montenegro (nascido no Marco de Canaveses, Casa do Casal, 28/11/1846), morador na Foz, empreiteiro do caminho de ferro;
-Alberto Pais, coronel, conspirador no 13 de Dezembro, adido militar em Madrid e irmão de Sidónio Pais, aluno de Manuel Granjo, que o chumbou em Alemão impedindo-o assim de in­gressar no curso de Estado-Maior (em pleno Clube Rigollot, Pais foi desagravar-se, mas, como Granjo lhe respondesse desabridamente, Pais desferiu-lhe uma chapada e envolveram-se em contenda, que os de­mais sócios, e em particular Montenegro, tudo fizeram para acalmar; Granjo quis intentar uma acção ju­dicial contra Pais, mas como não conseguisse alguém que tivesse visto algo, acabou por desistir e tudo foi esquecido mais tarde);
Cândido Augusto Correia de Pinho, médico, professor da Escola Médico-Cirúrgica do Porto (1890), durante algum tempo presidente da Câmara Municipal do Porto, 2.º reitor da Universidade do Porto (1918-1919); José Nunes da Ponte (Açores, Ribeira Grande, 20/5/1848 - Porto, 5/9/1924), poeta que publicou, ainda nos tempos de estudante em Coimbra, a obra Ondulações, que Camilo refere no Cancioneiro Alegre, amigo de António de Macedo Papança (conde de Monsaraz), médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra em 1879, segundo governador civil republicano do Porto (entre 31/5/1911 e 20/9/1911), vereador e presidente da Câmara Municipal do Porto; membro do Partido Republicano Portu­guês e depois do Partido Unionista, deputado e ministro do Fomento durante o governo de Pimenta de Castro (1915), da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, vice-provedor da Misericórdia, provedor da Ordem de S. Francisco;
-Francisco Eduardo Leite da Silva, médico conhecido como o Leite das Moças;
-Jorge Pinto da Silva (cônsul da Bélgica);
-Joaquim Ferreira da Silva, ferrenho anglófilo; Sousa Vieira (médico analista)”
 
 
Na revista “O Tripeiro”, nº 103, da 1ª Série, ano 3, de 1 de Fevereiro de 1913, alguém que assinava com o pseudónimo de “Fígaro”, em resposta a anterior artigo inserto no número antecedente, assinado por alguém que assinava como “Velho Tripeiro”, explicava que o farmacêutico Amorim não era bem de Braga, mas mais importante, explicava que o clube se chamava na realidade “Rigolo”, que reportava a divertimento.
Estávamos, assim, perante duas palavras homófonas.
A seguir se dá conta de um pequeno trecho do artigo de alguém que se identificava como “Fígaro”, e já atrás mencionado:




 
 

No mesmo número da revista “O Tripeiro”, alguém que assinava como “Um Tripeiro de Meia Edade” (sic), informava que o Club Rigollot tinha tido origem num chamado “Club Theológico”.

 
 

 
 
 
 
Aliás, no que à Foz do Douro diz respeito, nesses tempos, há conhecimento da existência de mais alguns clubes ou tertúlias, antes do final do século XIX, embora de naturezas muito diferentes.
O mais proeminente e, provavelmente, o mais lendário, chamava-se “Club Rigollot” e tinha nascido de uma tertúlia de intelectuais que se reuniam na “Farmácia Amorim”.
Teria sucedido, ao que alguns identificam, ao “Clube Theológico”.


 
A meio da foto, para a esquerda do Hotel da Boa Vista, ficava o Clube Rigollot
 
 
 
Um outro clube situava-se na Rua dos Banhos Quentes, actual Rua Coronel Raul Peres que, pelo local, é provavelmente o mesmo que Ramalho identifica como “Assembleia do Allen”, onde nasceu a primeira roleta da Foz, em 1870.
De cariz mais familiar, existiu o “Club de Cadouços”, a funcionar a partir da década de oitenta e onde se realizaram concertos famosos e, ainda, o “Club da Foz”, que apareceu na última década do Século XIX, instalado num prédio com frente para a Rua do Passeio Alegre, fazendo esquina com a Rua das Motas.



Anúncio sobre actividade do Club da Foz, em 9 de Agosto de 1900




Artur Magalhães Basto, na sua obra "A Foz há 70 anos", publicada em 1939, faz também referência ao "Clube das Ondas", que reunia pela Foz.



Texto de Artur Magalhães Basto sobre o "Clube das Ondas"


Uma tertúlia que ficou célebre, local de reunião de muitos intelectuais daquele tempo, foi levada à cena no “Chalet do Carneiro”, inicialmente construído em madeira, em 1873, cujo primeiro proprietário foi António Carneiro dos Santos, daí a designação pela qual era identificado. Situava-se em pleno jardim do Passeio Alegre,
Camilo Castelo Branco, Arnaldo Gama, Ramalho Ortigão, Alberto Pimentel e outros, eram presenças assíduas no chalet. 
Quanto à importância e relevo social das personalidades que o demandavam, rivalizava com o “Club Rigollot”.
O “Chalet do Carneiro”, posteriormente rebocado, passou, já nos nossos dias, a ser conhecido por “Chalet Suisso” e ainda continua, no mesmo local, a ser fruído pelos portuenses.

 
 
Chalet Suisso, c. 1910



Clube dos Bisqueiros
 
 
Era, então, a Farmácia do Padrão um dos outros lugares também conhecidos da cidade como local de tertúlia, em cujas instalações, em 1899, foi fundado por “ferrenhos amadores de bisca lambida ou não”, o Clube dos Bisqueiros.
Tinha o seu regulamento, de que abaixo transcrevemos alguns artigos:
 
“1º. Dentro do Templo da Bisca é proibido a má-língua. Só se permite falar de vidas alheias, berrar contra o governo – seja ele qual for – e descompor os parceiros que jogarem mal. 
2º. Cada sócio é obrigado a contribuir com 200rs por mês para as despesas do expediente.
3º. Os mirones são considerados sócios honorários. Como só gozam metade, a sua entrada na sala de jogo,… obriga-os ao pagamento mensal de 100rs.
8º. Nenhum sócio é obrigado a jogar além das 10 horas da noite.
10º. Não é permitido molestar o físico das cartas. Quem o fizer dobrando-as, torcendo-as ou batendo-as violentamente na mesa pagará a multa de 20rs.
11º. Os sócios a quem for dado o gozo de desflorar um baralho de cartas, esportularão em homenagem à virgindade a quantia de 10rs por caveira. 
12º. Não são permitidas as escamações. Quem perturbar a paz e a santa harmonia do Clube, zangando-se por causa de assuntos bisqueiros, terá de beneficiar a caixa social com a quantia de 100rs, como sinal de profundo arrependimento por ter tido a ousadia de levar a desordem ao Sagrado Templo da Bisca.
13º. Como o Templo da Bisca é lugar de entretimento e não de batota, os jogos são a feijões ou Padre-Nossos.” 
 

 

Farmácia do Padrão, no Largo do Padrão

quarta-feira, 14 de junho de 2017

(Continuação 6) - Actualização em 07/12/2018 e 21/05/2020



“O Passeio Alegre é relativamente moderno. Este nome identifica um jardim, uma rua e uma travessa na freguesia da Foz do Douro. Há pouco mais de 150 anos, onde agora está o jardim, havia um enorme descampado, um grande logradouro ocupado por compridos varais de madeira sobre os quais os pescadores estendiam as redes da pesca, para as secar e para as remedar, se fosse caso disso.
A esse sítio, formado por terras e areias, extraídas da beira-mar, no tempo em que ali andaram a construir os molhes da meia laranja, dava-se então o nome de Cantareira que identificava o poial ou lugar onde as moças colocavam os cântaros enquanto esperavam a sua vez de enchê-los com a água que brotava da bica da fonte”.
É de 1860 a ideia da transformação do sítio da Cantareira num logradouro público. Com efeito, no dia 12 de Julho daquele ano, os jornais do Porto informavam os seus leitores de que a Câmara Municipal, "em sessão ordinária de trabalho" havia aprovado "a planta de uma nova rua e de um jardim-passeio, junto à Senhora da Luz, em S. João da Foz do Douro, com a condição de que o proprietário do terreno para o qual está projectado o jardim, concorde na diminuição do preço de aforamento e ceda gratuitamente o terreno preciso para a abertura da nova rua".
O topónimo Cantareira é muito antigo. Remonta, pelo menos, ao século XIII, porque vem mencionado nas Inquirições de 1258, mandadas fazer pelo rei D. Afonso III. Dizem velhas crónicas que os inquisidores foram ao couto de S. João da Foz e aí averiguaram que as pessoas que andavam na pesca, "no lugar a que chamam Cantareira" se entendiam (em termos de pagamento de impostos) com o mordomo de Bouças (actualmente Matosinhos) que era quem costumava arrendar "a dita Cantareira por 30 morabitinos antigos, cada ano”.
Fonte: Germano Silva



Uma descrição da Foz do Douro dos co­meços do século XVIII diz-nos que a Can­tareira (ou "as cantareiras, que são do mos­teiro de Santo Tirso") ficava no limite do couto de S. João da Foz, "pegado a Lorde­lo e ao rio Douro "no sítio a que chamam Pedras Ruivas que está entre as Sobreiras e a Cantareira". 
Nas inquirições de 1258, atrás menciona­das, já se dizia que a Cantareira, "na villa chamada de S. João da Foz ", pertencia ao mosteiro beneditino de Santo Tirso. Na­quele tempo, a Foz possuía, junto ao mar, uma pequena comunidade de pescadores mas, para o interior, era uma zona rural com os seus campos de semeadura, suas hortas, bosques onde predominava o pi­nheiro bravo e carvalhos. Mas a actividade piscatória era a mais visível. Nas referidas inquirições, refere-se ainda, naqueles tempos, a existência na Foz de "seis pinças, uma ca­ravela e vinte barcas saveiras, que não pa­gavam foral ao rei". 




In “Revista Popular”- Semanário de Litteratura e Industria, I Vol. – Ed. Imprensa Nacional, Dez. 1848




A descrição da Foz do Douro acima é de 1848 e foi publicada na “Revista Popular”, editada em Lisboa, e distribuída no Porto, apenas, pela livraria Moré, na Praça D. Pedro.




S. João da Foz, In “Revista Popular”- Semanário de Litteratura e Industria, I Vol. – Ed. Imprensa Nacional, Dez. 1848



S. João da Foz – Ed. B. Lima Leote, In “Archivo Pittoresco”, 8, 1865


Ampliação de gravura anterior


Mesma perspectiva de gravuras anteriores – Fonte: “portoarc.blogspot.pt”


Nas gravuras acima pode ver-se a praia, onde mais tarde se construiria o Jardim do Passeio Alegre e, nas duas anteriores, na zona central, vê-se a casa com duas torres, onde esteve, até 2017, o colégio “Ramalhete”.


A Alameda – Desenho do Dr. Justino Alves


No postal acima, vemos a antiga Alameda (hoje Passeio Alegre), o edifício das duas torres e, em primeiro plano, as carruagens dos banhistas do Caneiro.




Passeio Alegre – Ed. Emílio Biel c. 1885



Local de implantação do Jardim do Passeio Alegre, observando-se a igreja de S. João Baptista





Passeio Alegre no início do séc. XX - Ed. Emílio Biel


Na foto acima o Jardim do Passeio Alegre em construção com a igreja de São João da Foz a destacar-se no perfil da cidade.



Construção do Passeio Alegre - postal



Sobreiras em 1905



Cronologia do Lugar que se chamava Cantareira


1793 - Provável construção do Molhe da Barra; Por volta de 1860 começou a ser pensado o traçado do Jardim; 1873, 13 Março - ofício ao Governo Civil para concessão de licença para construção de um Chalet na Foz, por António Carneiro dos Santos; 27 Março - documentação relativa ao Chalet, incluindo planta; 3 Abril - documentação relativa ao Chalet para modificar na R. do Passeio Alegre; 1875, 18 Março - notícia de terem sido derrubados alguns bancos e árvores novas do Passeio Alegre e o que foi deliberado; 1888, 27 Dezembro - ofício do Governo, enviando cópia da portaria que manda entregar à Câmara os terrenos do Passeio Alegre, cedendo o Ministério de Obras Públicas quaisquer direitos que sobre eles tivesse; conclusão dos aterros; plantadas as árvores do Passeio Alegre vindas da Alemanha e Hamburgo; 1889, 14 Março - notícia sobre o que se passou relativo a um requerimento de Bernardo de Lencastre, pedindo concessão de uso dos terrenos do Passeio Alegre para fazer diversas construções, estabelecimentos, etc; 1892 - transforma-se no jardim do Passeio Alegre, na altura em que o engenheiro Nogueira Soares, encarregado das obras da Barra do Douro, as considera terminadas; 1893, 24 Maio - propostas de adjudicação da obra de aterro do Passeio Alegre; 1897, 18 Fevereiro - construção de um mictório no Passeio Alegre, depois transferido para a Praça do Marquês; 1898, 30 Junho - providências sobre as corridas de bicicleta no Passeio Alegre; 13 Outubro - D. Francisco de Noronha e Meneses (faleceu em 1904) cede gratuitamente terreno (para alinhamento da R. de Francos e Prelada, ficando a cargo da Câmara a construção de um muro de vedação e mudança das respectivas pirâmides, o que só ocorreria em 1938 tendo por destino o Passeio Alegre; 1902, 28 Maio - notícia para a construção de um coreto no Passeio Alegre; 1906 - Vereação em que foi lido o ofício do Governo Civil participando ter sido autorizada a continuação do ajardinamento do Passeio Alegre; 17 Setembro - inauguração da fonte luminosa; 2002, 20 Agosto - Despacho de abertura do procedimento de classificação, pelo Vice-Presidente do IPPAR, da Foz Velha, incluindo as suas extensões Nascente (Sobreiras) e Norte/Oeste (primeira fase de expansão balnear); 2011, 12 Setembro - proposta da DRCNorte para a classificação da Foz Velha como Conjunto de Interesse Público.
O Jardim é, portanto, construído nos finais do século XIX, beneficiando da participação de Emíle David no seu ajardinamento.
A partir de 1893, é criada na Câmara do Porto uma Repartição de Jardins e Arvoredos, ­ a 14ª ­ que, nesse mesmo ano, tem Jerónimo Monteiro da Costa a ocupar o lugar de chefe dos jardins e arvoredos. Ao mesmo tempo, surgem outros cargos associados a este sector como o Fiscal dos Jardins, o Fiel de Depósitos e o Ajudante de Jardineiro.
Jerónimo Monteiro da Costa era o pai do refundador do F. C. do Porto, José Monteiro da Costa e já trabalhava há alguns anos para a Câmara do Porto e vai ter papel de relevo no ordenamento do Jardim do Passeio Alegre. A ele se ficou a dever também, o ordenamento que fez, em 1888, nos jardins da Praça dos Voluntários da Rainha.
Ladeado por uma Alameda de Palmeiras, alberga uma série de elementos arquitectónicos de grande valor: um chafariz em granito, a poente, proveniente do antigo Convento de S. Francisco; dois Obeliscos de Nasoni, oriundos da Quinta da Prelada após promessa de compra pela Câmara Municipal Porto, de parte da mesma, à Santa Casa da Misericórdia do Porto, com o objectivo de aí instalar o parque de campismo Municipal, o que nunca ocorreu; um pequeno 'chalet romântico', construído em 1874, antes do acabamento do Jardim.


Vista do Passeio Alegre tirada da fortaleza. Lá no alto a igreja




Perspectiva do Passeio Alegre, com a residência de Agostinho Sousa Guedes, em primeiro plano


 
 

Vista actual da foto anterior -Fonte: Google Maps


 
 

Perspectiva do Passeio Alegre, entre o local em que esteve o casino (em primeiro plano) e a estrada, lá longe, para a Cantareira – Postal colorido à mão




Jardim do Passeio Alegre antes da implantação dos Obeliscos (Pirâmides)



Perspectiva aproximada da foto anterior


Na foto acima vê-se um carro eléctrico com dois atrelados.
O atrelado aberto é do tipo de bancos transversais. O eléctrico foi convertido a partir de um carro americano, provavelmente vindo da Companhia Carril Americano do Porto à Foz e Matosinhos (CCAPFM).


Passeio Alegre em 1903



Cantareira na cheia de 1909 - Ed. PortoDesaparecido



Avenida das Palmeiras junto ao rio Douro – Ed. “A Nossa Foz do Douro”




Chafariz do Passeio Alegre e Colónia Sanatorial



Este chafariz já por aqui estava montado em Julho de 1869, mas a água só correria em 27 de Agosto de 1870.
Temos lido em vários e respeitáveis locais que este chafariz terá sido desenhado por Nicolau Nazoni para a Quinta da Prelada, o que não está correcto.
Este chafariz serviu no claustro do Convento de S. Francisco de onde transitou para aqui. Quanto à intervenção de Nazoni, não passa de uma suposição.




“Projectado pelo arquitecto que mais marcou o barroco portuense, Nicolau Nasoni, o chafariz decora um trecho do Passeio Alegre. Artisticamente, o chafariz é uma obra monumental, salientando-se a enorme coluna central, profusamente decorada em secções de motivos de vegetalistas e zoomórficos, terminando num fogaréu. A água brota de quatro carrancas situadas numa taça média que ladeia a coluna, descarregando para uma taça inferior, situada ao nível da cota do terreno. Esta última delimita o próprio chafariz, exibindo em planta uma forma de trevo, hoje realçada pela posição que ocupa no próprio jardim, definindo um largo, e constituindo um dos eixos do percurso”.
Fonte: “mjfsantos.blogs.sapo.pt”



Chafariz vindo do convento de S. Francisco - Ed. MAC




O Chafariz em 1900 - Ed. Estrela Vermelha



Acima vê-se o Passeio Alegre visto do Forte de S. João da Foz em dia de venda ambulante e o chafariz trazido do Convento de S. Francisco e, ainda, a Estação de Socorros a Náufragos.
Fronteiro à Estação de Socorros a Náufragos, existe um edifício hoje abandonado.
Começou por ser uma colónia de férias – Colónia Escolar Marítima da Foz - à época, um humilde barracão. Foi fundada por iniciativa de um antigo inspector escolar, o Dr. João Figueirinhas, auxiliado por pessoas das suas relações.
Esta colónia, que era destinada aos alunos das escolas primárias do Porto, inaugurou-se em 31 de Agosto de 1908, com vinte crianças do sexo masculino.
Em 2 de Setembro de 1909, o Dr. João Figueirinhas ainda anunciava à imprensa a reabertura da colónia, mas, em 1912, após quatro anos de funcionamento ininterrupto, viria a encerrar.
Aí se acabaria por instalar um jardim-de-infância (escola infantil), já planeado em 1914, erguido a partir do ano seguinte, para ser inaugurado em 1916, funcionando como colónia senatorial marítima durante os meses de Verão, desde a sua inauguração. 
Em 3 de Agosto de 1916, a Câmara sob proposta do Dr. Santos Silva aprova um voto de louvor ao Drs. Pedro Vitorino, César Machado, Santos Pereira, Hernâni Barrosa, Baia Júnior, Armindo Santos, Mário Lage, António Veloso e Andrade e Silva por se disponibilizarem gratuitamente a trabalhar na colónia senatorial marítima da Foz.
Com a implantação do Estado Novo, com o fim das escolas infantis, tornar-se-á a Escola Primária Nº 85 – escola primária masculina – e continuou a funcionar como tal até meados dos anos 90 do século XX.




Escola infantil - Ed. “A Nossa Foz do Douro –facebook”



Na foto acima o edifício da escola do Passeio Alegre, quando esta era ainda infantil e tinha o n.º 2.


Colónia Sanatorial Marítima da Foz em 1946 - Ed. Arquivo Histórico Municipal



O edifício da foto anterior na actualidade - Ed. MAC




Quiosque do Carneiro ou Chalé Suisso


Dos quiosques ainda existentes na cidade do Porto, é o único com o espaço interior aberto ao público, funcionando como casa de chá. A sua construção, com planta octogonal, é em madeira rebocada e ferro fundido no estilo Romântico.




Chalet Suisso - Ed. MAC



Tendo sido começado a construir em 1873, em madeira, esta estrutura foi rebocada no século XX.
Em quatro das suas faces rasgam-se janelas e, noutras duas, portas, sendo as restantes cegas. O espaço interior reflecte as características já mencionadas, e a cobertura apresenta ao centro o monograma A.C.S. - as iniciais do primeiro proprietário, António Carneiro dos Santos que, mais tarde, haveria de colocar no topo do chalet a escultura de um carneiro razão, pela qual, ele vai passar a ser chamado de “Chalet do Carneiro”.
Nos anos sessenta do século XIX, tinham início as obras do Jardim do Passeio Alegre, embora só muito mais tarde os jardins tenham ficado concluídos (foram inaugurados em 1892).
O quiosque ou chalet passaria a ser um dos pontos de encontro preferido dos intelectuais da época, nomeadamente, Camilo Castelo Branco, Arnaldo Gama, Ramalho Ortigão, Alberto Pimentel e alguns outros. 
Em 1906, foi vendido a Charles Frederick Chambers e, posteriormente, ao suíço Jácome Rasker, o que deverá justificar uma das outras designações do quiosque - chalet Suíço. 
O Chalet do Carneiro está classificado como Imóvel de Interesse Municipal, na sequência do decreto 2/96, publicado no Diário da República de 6 de Março. 



Obeliscos


Inicialmente estavam à entrada da Quinta da Prelada, ao cimo do que é hoje a Rua dos Castelos, ao fundo da Rua das Pirâmides, hoje a Avenida de França e, em 20 de Agosto de 1936, a Câmara decidiu instalá-los no Passeio Alegre, o que se viria a verificar dois anos depois.




Os obeliscos da Prelada seriam removidos deste local para o Jardim do Passeio Alegre




Os obeliscos estiveram ao cimo do que é hoje a Rua dos Castelos, e quando foram instalados se chamava "Estrada da Prelada", na confluência do prolongamento da Rua de Francos, chamada então, "Caminho do Carvalhido".
Como se vê na foto acima, estavam embutidos num muro, adjacente à Rua dos Castelos, em local que abaixo se indica.



Aqui estiveram embutidos num muro os obeliscos da Prelada




Confluência da Avenida de França e Rua de Pedro Hispano em 1937


Como a foto acima é de 1937 e os obeliscos só foram mudados em 1938,  ainda lá estavam, não sendo, porém, observáveis.




Obeliscos no Passeio Alegre - Ed. PC



“ Entre a Praça do Exército Libertador (vulgarmente designada por Carvalhido) e o gaveto formado pelas ruas dos Castelos e Direita de Francos, desenvolve-se a Rua da Prelada que, desde o século XVIII até aos inícios do XX, foi conhecida por povoação das pirâmides. Tal designação derivava de um pequeno aglomerado de casas que se localizava junto daquela que era então a entrada da Quinta da Prelada, definida pela implantação de duas grandiosas pirâmides graníticas, com mais de doze metros de altura. Estas pirâmides, concebidas nos anos ’40 do século XVIII pelo famoso arquitecto Nicolau Nasoni, faziam parte do gigantesco projecto paisagístico que aquele artista imaginou, e em grande parte materializou, nesta propriedade dos Noronha de Menezes. Sobre esta Quinta (que abordaremos de forma mais detalhada quando focarmos a Rua dos Castelos), a rua da Prelada e as pirâmides, não resistimos a transcrever o que sobre elas escreveu, em 1758 nas “Memórias Paroquiais”, Francisco Xavier de Carvalho, o então pároco de Ramalde: “No lugar da Prelada ha hua Quinta que passa pella melhor destas Provincias, a sua entrada principia no lugar do Carvalhido, aonde fáz hum largo de trezentos e cesenta pés de cumprimento, e quarenta e trés de largo (...) no fim delle se elevaõ duas Piramedes de figura triangular assentadas sobre três bolas de pedra, ellas tem de altura trinta péz, e dois terços, acabaõ em ponta aguda com hua torre em sima, que saõ as armas dos Noronhas; as bazes, que as sustentaõ tem de alto déz péz; pegado ás Piramedes comesa a primeira entrada...”.
Estas pirâmides não resistiram, contudo, ao crescimento urbanístico do local. Deslocada, uma delas, alguns metros em 1884, aquando do alargamento da actual Rua Direita de Francos, ambas acabariam, anos mais tarde, por serem desmontadas e deslocadas vários quilómetros, para o extremo nascente do jardim do Passeio Alegre, na Foz do Douro, onde, em abono da verdade, não só ficaram completamente descontextualizadas mas perderam também muito do seu impacto e imponência, servindo de pouco consolo o facto de terem sido classificadas, em 1983, como imóveis de interesse público. Por outro lado, a ausência destes monumentos do seu  local original de implantação acabou por conduzir, ainda durante a primeira metade do século XX, ao desaparecimento da designação de Povoação das Pirâmides, substituída por Rua da Prelada.”
Com a devida vénia ao Professor Joel Cleto




Lawn-Tennis Club da Foz (LTCF)
 
 
Em 1900, é fundado na Foz do Douro o Lawn-Tennis Club da Foz, graças à dedicação do almirante José da Cunha Lima, do Visconde de Guilhomil, e de Fernando Nicolau d’ Almeida (Porto, 20/03/1875 - Porto, 07/10/1950).
Seriam então edificados dois courts nos jardins do Passeio Alegre.
Em 1909, junto do Castelo de S. João da Foz, instalam-se junto às suas muralhas os campos de ténis do Lawn-Tennis Club da Foz, após regularização do terreno envolvente da fortaleza, feito através de aterro.
O Lawn-Tennis Clube da Foz é um clube de ténis privado com mais de 100 anos de existência, ainda localizado naquela morada.
Para a posteridade ficaram os embates, em Junho de 1945, entre o italiano Francesco Romanoni e o húngaro Szavast contra os portugueses José Roquete e Horta e Costa.
O clube disponibiliza, actualmente, 5 campos de terra batida, descobertos e 1 campo de padel de relva artificial também descoberto.
Ao longo dos anos, foram ainda oferecidos aos associados áreas de convívio, de jogos de tabuleiro e estruturas de apoio adstritas ao sector da restauração.
 
 
 
“No ano de 1920, o LTCF declarou falência, por não ter recursos financeiros sustentáveis para combater as despesas relacionadas com o material desportivo e a manutenção dos campos de ténis, e entrou em hibernação. Os courts foram abandonados, servindo de “depósito de carvão ardido, que a Companhia da Carris aí depositava diariamente”.
A 24 de Junho de 1930, o clube foi refundado, graças aos esforços de Ovídio Pinheiro Torres, Alberto da Fonseca Figueiredo, Fernando Nicolau de Almeida, Eleutério Martins Fernandes, Carlos Ortigão de Oliveira e Carlos Moreira Paes.
A primeira assembleia geral ocorreu a 3 de Agosto do mesmo ano.
Após o seu ressurgimento, o clube da Foz e, em particular, uma comissão organizadora de torneios composta por Fernando Nicolau de Almeida, Nuno de Cadoro e Vítor Homem de Almeida esforçou-se na organização de provas nos seus courts, com o intuito de desenvolver o ténis na região nortenha.
Cortesia de Diogo Filipe Ramos da Costa, In “Seminário de História Contemporânea”, do curso de História


 

Vista aérea das instalações do Lawn Tennis Clube da Foz – Cortesia de Nuno Couto Soares (2015)



Lagos do Jardim



Lago a nascente - Ed. MAC



Em cima de Dário Boaventura “ A Menina e a Foca” e, desde 1995, aqui está, no meio do lago, “S. João baptizando Cristo” de Alberto Pinto Amorim, um autodidacta, funcionário dos Pilotos da Barra.
“S. João baptizando Cristo”, uma escultura de duas peças policromadas, em terracota, foi inaugurada no dia de S. João em 1957 e instalada, inicialmente, junto da casa dos Pilotos da Barra, no cais do Marégrafo.
Aquando da transferência para o Jardim do Passeio Alegre, a escultura levou uma pintura simulando bronze.





Lago a poente - Ed. MAC