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terça-feira, 2 de junho de 2026

25.306 Antigas personagens com relevante actividade pública

 
José Zagalo Ilharco
 
 
José Zagalo Ilharco (Lamego 1860 - 1910 Porto) ficou, sobretudo, conhecido como um fotógrafo amador, dedicado primordialmente à fotografia de paisagem, mas, também,  ao retrato de familiares, de amigos e dos ambientes em que viveu e, por isso, viu por diversas ocasiões premiado nacional e internacionalmente essa sua actividade.
Faleceu, então, em 1910, num palacete situado na Avenida da Boavista, nº 2609 que, curiosamente, é conhecido por Palacete Manoel Alves Soares, um capitalista ligado, entre muitos outros empreendimentos, ao Jornal “O Primeiro de Janeiro”, à Fábrica de Fiação e Tecidos da Areosa e à Empresa Fabril do Norte e, em todos eles, um reconhecido sócio de um outro empresário de sucesso – Manuel Pinto de Azevedo.
Aquele palacete foi, então, mandado construir em 1902 por José Zagalo Ilharco e vendido pelos seus herdeiros a Manoel Alves Soares.
José Ilharco era filho do General José Joaquim Ilharco de Sousa Cardoso e de Maria Cândida do Couto.
Na cidade do Porto, onde se fixou ainda jovem, acabaria por contrair matrimónio com Angelina Ribeiro de Moura.
O casal teve um filho único, Norberto de Moura e Melo Zagalo Ilharco (1883-1958).
José Zagalo Ilharco foi sócio fundador e director do Real Velo Club do Porto, gerente da companhia de seguros "A Equitativa do Porto" e director da agência no Porto da companhia de seguros "A Nacional".
Sendo um amante da arboricultura e jardinagem, havia de, em colaboração com Jacinto Matos, criar em volta da sua casa, na Avenida da Boavista, o chamado Parque Zagalo Ilharco, jardim que rodeava a vivenda mandada construir em 1902, ao Pinheiro Manso.
 
 
 

Licença de obra nº 211, de 1902, referente ao palacete de José Zagalo Ilharco
 
 
 
 

Palacete, na Avenida da Boavista, nº 2609

 
 
A seguir se dão alguns exemplos da actividade fotográfica de José Zagalo Ilharco.




“As redes a secar”, em 1891, praia de Matosinhos. Papel de impressão em gelatina e sal de prata  – Ed. Zagalo Ilharco


 
 

“Ponte Tavares” (Rio  Leça, Matosinhos), em 1888. Papel de impressão em gelatina e sal de prata– Ed. Zagalo Ilharco


 
 

“Ponte dos Arcos”, Matosinhos, em 1889. Papel de impressão em gelatina e sal de prata– Ed. Zagalo Ilharco

 
 
 

“Velódromo do Real Velo Club do Porto”, em 1893. Papel de impressão em gelatina e sal de prata– Ed. Zagalo Ilharco
 
 
 
 

“Barco Rabelo” e mosteiro da Serra do Pilar, em 1889.  Papel de impressão em gelatina e sal de prata– Ed. Zagalo Ilharco
 
 
 
 
 

 
“Jardim da Cordoaria”, (Passeios da Graça), em 1889. Papel de impressão em gelatina sal de prata – Ed. Zagalo Ilharco
 
 
 
Actualmente, o espólio fotográfico de Zagalo Ilharco encontra-se na posse da família Magalhães Carneiro, familiares do famoso fotógrafo amador.
Em 2024, a obra em versão alargada foi apresentada públicamente no Museu Soares dos Reis e no Museu de Lamego.
Em 2025, foi a vez de ser apresentada pela Câmara Municipal de Matosinhos, com toda a propriedade, pois, foi no concelho de Matosinhos, que  Zagalo Ilharco teve produção fotográfica de mérito.
Por sua vez, Norberto Zagalo Ilharco, o único filho de José Zagalo Ilharco residiu, entre 1918 e 1930, na “Vila Palma”, na antiga Rua Central, actual Rua Augusto Cardia Pires, em Leça da Palmeira e, também, como o seu pai, foi fotógrafo amador, tendo casado com Maria Helena de Magalhães Carneiro (1882-1965).
 
 
 

Norberto Zagalo Ilharco e a esposa na “Vila Palma”, em Leça da Palmeira
 
 
 
 
“Vila Palma, antes e, actualmente
 
 
 
 
Joaquina Margarida Cardoso – A “Cardosa”
 
 
 
Joaquina Margarida Cardoso, apelidada carinhosamente pelos portuenses, juntamente com o ramo feminino da família, como as “Cardosas”, habitou num segundo casamento e, por aí, faleceu, no prédio da Rua do Ouro, n.º 200 que, nos dias de hoje (2026), se encontra abandonado há muitas décadas.
A alcunha de “Cardosa” decorria do nome do seu primeiro marido de apelido de baptismo Cardoso - o Manuel Cardoso dos Santos.
 
 
 

Prédio da “Cardosa”, na Rua do Ouro, nº 200 – Fonte: Google maps

 
 

Fachada principal de prédio localizado próximo à Fonte do Ouro – Fonte: AHMP
 
 
 

A Fonte do Ouro e, à direita, a “Casa da Cardosa” – Ed. J. Bahia Junior, 1909
 
 
 
 
O pedido de licenciamento para a construção do prédio, sito como próximo à Fonte do Ouro, foi solicitado em 12 de Março de 1862, por Joaquina Margarida Cardoso.
Este prédio era identificado em 1892, na planta de Telles Ferreira, como “Casa da Cardosa” e localizava-se na esquina da Rua do Ouro com a Calçada do Ouro, confrontando, a nascente, com a Fábrica do Gás.

 
 

A Casa da “Cardosa” (à esquerda) e a Fábrica do Gás
 
 
 
Aqui, morou, até ao seu falecimento, em 21 de Agosto de 1890, Joaquina Margarida Cardoso, casada em 2ªs núpcias com Francisco Cardoso da Cunha, que foi seu testamenteiro e que haveria de falecer dois anos depois.
Joaquina Margarida Cardoso havia sido casada, antes, com Manuel Cardoso dos Santos, seu primo, com morada na Rua Nova de Santo António (Rua 31 de Janeiro), de cujo casamento resultaram três filhos: António Cardoso dos Santos (nascido em 4 de Janeiro de 1837), Joaquim Cardoso dos Santos (nascido em 21 de Abril de 1839) e Joaquina Cardoso dos Santos (nascida em 24 de Outubro de 1840).
Manuel Cardoso dos Santos (1796-1851), nascido na Quinta da Granja, Lugar de S. Martinho de Lordelo, foi um Brasileiro de torna-viagem, um dos Contratadores do Tabaco, que havia adquiri­do o edifício, que era uma ala inacabada do Convento dos Lóios (ou Convento Novo de Santa Maria da Consolação, ou Convento dos Cónegos Seculares de S. João Evangelista), com vista a terminar o edifí­cio.
Do convento apenas chegou, até hoje, a fachada que os frades começaram a construir já no séc. XIX.
Após as invasões Francesas, entre 1810 e 1822, o edifício é ocupado por tropas portuguesas que aí instalaram um hospital militar.
Com a abolição das Ordens Religiosas em 1832 (decreto exarado nos Açores) e devido às Lutas Liberais, os frades abandonaram as obras de ampliação do edificado que vinham executando e o País.
O convento entrou em ruínas e a Câmara tratou da sua demolição em 1838.
Em 1838, já após a extinção das ordens monásticas o Largo dos Lóios foi ligado à Rua das Flores por uma rua que começou por se chamar Rua D. Maria II e é a actual Rua Trindade Coelho.
Posteriormente, a Câmara tomou posse e colocou à venda o edificado do convento, em hasta pública, sendo o seu comprador Manuel Cardoso dos Santos, um abastado negociante com fortuna feita no Brasil e que se comprometeu em acabar a fachada, mas, entretanto, falecido, em 1851, o edifício passou por herança para a viúva, filha e dois filhos.
 
 
 

Convento de Santo Elói e Capela de Nossa Senhora da Consolação – Desenho de Joaquim Villanova – 1833 
 
 
 
 
Assim, acontece que em virtude do falecimento de Manuel Cardoso dos Santos, não lhe foi possível completar a tarefa de remodelação do convento dos Lóios, e seria a sua mulher, a quem chamavam “A Cardosa”, a fazê-lo.

 
 

À esquerda, o Palacete das Cardosas
 
 
 
 
À sua morte, Manuel Cardoso dos Santos possuía uma fortuna, que depois de deduzido o dote da mulher, montava em 484.552$315 réis.
Para além dos muitos edifícios no Porto, Gaia, Vila do Conde, Almada, Lisboa e Brasil, tinha um enor­me lote de títulos de crédito, de embarcações, cortinados bordados e de damasco, muitos diamantes, inúmeras joias, faqueiro e muitos objectos de prata, rico mobiliário e piano. Dizem, porém, que nem um único livro possuía.
Para além do hoje denominado Palacete das Cardosas, situado a sul da Praça da Liberdade um outro espaço era de propriedade desta família, mas, poucos portuenses disso têm conhecimento.
Assim, a herança de Manuel Cardoso dos Santos contemplava um terreno e armazéns, entre a Rua de Santo António e a Viela da Neta, onde se situava o Circo de Cavalinhos, o Teatro Sá da Bandeira dos nossos dias.
A propriedade respectiva pertenceria, a partir de 1851, a Joaquina Margarida Cardoso, recebida por herança de seu marido Manuel Cardoso dos Santos, residente, à data, na Rua Nova de Santo António.
Por isso, em 1854, ela solicitava à Câmara do Porto autorização para proceder a obras, naquela área, inclusive alterar uma servidão que dava acesso pela Viela da Neta (Rua Sá da Bandeira) a uma armazém que ela dizia possuir. O pedido obteria a licença n.º 170/1853.
Em 1858, o Teatro Circo seria demolido de forma a ser construído um outro circo, desta vez usando a pedra como material de construção em detrimento da madeira, segundo projecto do arquitecto da Câmara Municipal de Gaia, Pedro José de Oliveira e que seria o “novo” Teatro Circo.
Em 1909, a propriedade ainda se encontrava na posse da mesma família, pois, documentação prova que, em resultado de uma vistoria executada pelas autoridades competentes, a proprietária do teatro, Laura Júlia Vilar Cardoso foi intimada a fazer obras na zona dos camarotes.
Laura Júlia Vilar Cardoso (1862 - 1918), referida no texto anterior, era filha de Laura Virgínia Vilar e de António Cardoso dos Santos e este, por sua vez, era filho de Joaquina Margarida Cardoso e de Manuel Cardoso dos Santos.
Do casamento de Manuel Cardoso e Joaquina Margarida houve, como já referido, dois filhos e uma filha.
A filha Joaquina Cardoso, que foi casada com Fausto de Queiroz Guedes, o 2º Visconde de Valmor, tendo falecido a 5 de Setembro de 1859.
Joaquina Margarida faria um primeiro testamento, em 8 de Novembro de 1878, no qual declarou que, à data, o seu único filho era António Cardoso.
Após o falecimento deste último, Joaquina Margarida Cardoso fez um segundo testamento, no qual, os herdeiros mais beneficiados foram a sua neta Laura Júlia, filha do seu filho António, casado com Laura Virgínia Vilar e o seu companheiro, Francisco Cardoso da Cunha.
Laura Júlia Vilar Cardoso foi casada em primeiras núpcias com Eduardo Barbosa de Castro, do qual se separou judicialmente de pessoas e bens e, parceira, de António Teixeira de Azevedo Cabral e Melo de Sousa Cyrne, de cujos enlaces resultaram os filhos Alfredo Cardoso de Castro e António Augusto Cardoso Cyrne de Madureira, este, último, ilegítimo, mas reconhecido no seu testamento.
Em 1916, quando é feito um novo arrendamento da sala de espectáculos a favor de António Pimenta da Fonseca e Arnaldo Moreira da Rocha Brito, Laura Júlia Vilar Cardoso ainda era a proprietária do icónico imóvel, vindo a falecer dois anos depois.
O antigo alfaiate, Arnaldo Moreira da Rocha Brito, já tinha em 1909 feito um primeiro arrendamento do teatro, situação que manteria até ao seu falecimento em 1970.

terça-feira, 4 de julho de 2017

(Continuação 25) - Actualização em 11/11/2020

Lado SUL


A sul, a Praça D. Pedro era limitada pelo Palácio das Cardosas, um edifício neoclássico dos finais do século XVIII, com o rés-do-chão adaptado a diversos estabelecimentos comerciais e que, quando começou a ser construído, se destinava a ser um convento dos padres Lóios.
Após o Cerco do Porto e a vitória dos liberais, na guerra civil então acontecida, e da sequente extinção das ordens religiosas, o edifício passou para as mãos de uma família, cujo patriarca era Manuel Cardoso dos Santos (1797-1851) e, posteriormente, para a sua viúva e outros descendentes, passando a ser conhecido, no futuro, pelo Palacete das Cardosas.
Assim, Manuel Cardoso dos Santos casou com Joaquina Margarida Cardoso dos Santos, sua prima, de cujo enlace resultaram três filhos: António Cardoso dos Santos (nascido em 1837) Joaquim Cardoso dos Santos (nascido em 1839) e Joaquina Cardoso dos Santos (nascida em 1840).
Joaquina Margarida Cardoso contrai um segundo casamento e faz um testamento quando já tinham falecido dois dos seus filhos.
Nomeadamente, a filha Joaquina Cardoso, falecida em 1859, foi casada com Fausto de Queiroz Guedes, 2.º visconde de Valmor, de cujo enlace não houve descendência.
Fausto de Queiroz Guedes foi diplomata de reconhecidos méritos e senhor de uma grande fortuna, herdada de seu tio José Isidoro Guedes, 1.º visconde de Valmor, cujo nome tinha como origem uma quinta de que era proprietário em Armamar.
Entretanto, o filho António Cardoso dos Santos, casado com Laura Virgínia Vilar, faleceu e Joaquina faz um segundo testamento, que prevalece sobre o anterior e, no qual, os principais beneficiados são a sua neta Laura Júlia, filha de António e o seu viúvo.
Por herança, a propriedade vai acabar nas mãos de Laura Júlia Vilar Cardoso, que era filha única. 
Mais um proprietário feminino de apelido Cardoso do icónico imóvel para fazer juz ao nome - Palacete das Cardosas.


 

Notícia inserta no “Ecco Popular” sobre ocupação do Palacete das Cardosas e reproduzida pelo jornal “O Commercio” fundado em 1854 e que, em 1856, já se designava como “O Commercio do Porto”




Fachada do Convento dos Loyos – Ed. Joaquim Cardoso Villanova 
1833




Panorâmica tirada da Torre dos Clérigos



A foto acima é uma vista da torre dos Clérigos, à volta de 1860.



“Trata-se de uma vista rica em pormenores interessantes. Como que dividindo a foto a meio, temos o enfiamento da rua dos Clérigos, praça de D. Pedro (hoje, da Liberdade) -- o chamado passeio das Cardosas -- e subida da rua de Santo António (hoje, de 31 de Janeiro), até à igreja de Santo Ildefonso, no topo.
Ao centro da imagem, destaca-se a igreja dos Congregados e o edifício anexo, a ala do antigo convento, com frente para a praça de D. Pedro. Após a extinção das ordens religiosas em 1834, o edifício original foi vendido em lotes e ocupado por vários negócios, entre os quais os famosos botequins e cafés: Guichard, Camanho, Suíço, entre outros. Um pouco mais acima, vê-se ainda uma zona de campos e, ao fundo, as traseiras dos prédios da rua de Santa Catarina. À data da foto já se tinha aberto a rua de Sá da Bandeira (no troço que hoje tem o nome de Sampaio Bruno) e, pouco depois, toda esta área estaria também urbanizada.
Do lado direito da imagem, a torre sineira da igreja do mosteiro de São Bento de Ave-Maria e a sua cerca. Delimitada, do lado esquerdo, pela muralha fernandina (são visíveis as ameias da muralha), ao fundo e à direita, por altos muros. Cerca de três décadas mais tarde, aqui abrir-se-iam os túneis que trariam os comboios vindos de Campanhã e o convento daria lugar à estação ferroviária com traço de Marques da Silva, que hoje conhecemos”.
Com a devida vénia a “Porto Desaparecido”.



Vista para a Rua dos Clérigos. Na foto, um Fiacre e um Americano




Praça D. Pedro e o Americano



O Pasmatório dos LóiosdepoisO Real Clube dos Encostados”, eram nomes pelos quais era conhecido o local, onde um conjunto de homens durante longas horas, conversando, iam admirando quem passava, encostados ao Palacete das Cardosas.
De notar, que nessa época, o rés-do-chão do edifício era ocupado praticamente na totalidade, por um conjunto de estabelecimentos comerciais dos mais variados ramos.



O edifício das Cardosas e o “Real Clube de Encostados”


Ao longo dos anos, o Palacete das Cardosas albergou uma miríade de estabelecimentos comercias.





Praça Almeida Garrett, em 17 de Junho de 1907, durante a visita de João Franco
 
 
 
Na foto acima, poder-se-á observar a fachada do Palacete das Cardosas voltada para a Praça Almeida Garrett, em 1907.
Assim, à esquerda, vemos o Depósito Central da Companhia Geral de Agricultura das Vinhas do Alto Douro de Miguel Moreira Pacheco, L.da, seguindo-se a Ourivesaria Belmiro e a Tabacaria José Teixeira.
À esquerda da foto, fora de perspectiva, esteve durante muitos anos a "Casa Gaspar", uma mercearia, no Largo da Feira de S. Bento, n.ºs 42-45, que por lá passou a revolução de 25 de Abril de 1974 e, em 16 de Julho de 1943, aí comemorava o seu centenário.

 
 
À esquerda, próximo do cunhal do palacete das Cardosas, observa-se a ourivesaria Belmiro e a Tabacaria José Teixeira que exibe um placard anunciando os charutos Tonga
 
 
 
Sobre a foto anterior, observa-se que a entrada para a igreja dos Congregados, à direita, é feita por escadaria protegida por balaustrada, o que conduz à conclusão de que ela é anterior a 1913, momento a partir do qual o referido acesso ao templo passou a ser feito ao nível da rua.
Será, porém, Horácio Marçal quem nos vai deixar uma exaustiva descrição sobre o lado sul da Praça D. Pedro, a partir do último quartel do século XIX.
Assim, segundo ele, o lado sul da praça era praticamente ocupado pelo Palacete das Cardosas. Começando um périplo pela sua fachada, voltada para a Praça Almeida Garrett, encontrávamos a relojoaria de João Vieira, a tabacaria Martins & Brito e uma confeitaria de Avelino Teixeira da Mota que foi, mais tarde, incorporada no Café Astória.
Ultrapassado, o cunhal do edifício, seguia-se a tabacaria Sá Reis que, em 1895, já por lá se encontrava, uma alfaiataria a que se seguia uma camisaria de Teles & Marques e por aí, se instalaria, durante muitos anos, o Café Astória.
Logo aparecia uma casa de fazendas de Abreu & Irmão, o restaurante Internacional, sucedendo-lhe a casa bancária Sousa, Cruz & Cia, a camisaria de Guilherme de José d’Oliveira passada de trespasse a Manuel Caetano d’Oliveira, ocupado mais tarde, pelo Interposto Comercial e Industrial do Norte, Lda.
Continuando para poente, com a Torre dos Clérigos no horizonte, aparecer-nos-ia a Papelaria Central fundada, em 1885, por João Dias Alves Pimenta, na Rua de Sampaio Bruno e que, por aqui, se instalou em 1895, acabando na gerência do seu filho, um armazém de tecidos de Alves, Costa & Cia., os bancos Peninsular e Angola e Metrópole, a Casa Baptista, uma confeitaria que se transformou em café, o Banco Ferreira Alves & Pinto Leite, Lda., que ocupou o lugar de a alfaiataria Pinho & Lima, a Camisaria Passos e Ourivesaria Soares dos Reis que, anos depois, passou a casa Campeão & Cia, o Banco Pinto & Sotto Mayor ocupando o lugar de três outras, a camisaria Freitas Guimarães, Suc., a confeitaria Reis & Olimpo, fundada em 1902, o corrector de fundos Alberto Gonçalves, que deu lugar à Papelaria Guimarães, a Casa Laporte (artigos de caça e desporto).




Praça D. Pedro, nos finais do século XIX, durante a realização de um desfile



Na foto acima, é possível observar-se a nível do 2º andar, os escritórios da Sociedade Protectora dos Animais, e alojadas nos baixos do Palacete das Cardosas, da esquerda para a direita, as firmas Soares Reis & Filho, no nº 25, A Confeitaria Luzo-Brazileira no nº 26, Papelaria Guimarães no nº 28 e Casa Laporte.
Esta última firma comercializaria talvez, artigos relacionados com a caça, pois, vê-se uma réplica de uma espingarda por cima das padieiras das portas, e seria alvo da notícia que se segue, no jornal O Velocipedista em 1894:


Está exposta na casa Laporte, á Praça de D. Pedro, uma bicycleta fabricada na serralheria do snr. Figueiredo Junior, á rua do Campo Pequeno. É muitíssimo elegante na sua forma e de uma confecção fóra do usual, no esqueleto, pois é de prancheta e não de tubo de ferro, não chegando a pesar 20 kilos, destinando-se a passeio. Pertence ao snr. Camillo d’Almeida que, vendo, com outros amigos, no snr. Figueiredo, um industrial empreendedor e laborioso, lhe incutiu a ideia de tentar este género de construcções. Merece todos os elogios o hábil artista porque desempenhou satisfactoriamente o encargo, apresentando um artefacto em condições de realçar os seus merecimentos artísticos”.



Continuando para poente, tínhamos a casa de modas Silva Monteiro, depois Barbearia Petrónio, o armazém de fazendas João da Costa & Silva Magalhães & Filhos, que deu lugar à casa bancária Pinto da Fonseca & Irmão e depois ao Banco Comercial, a camisaria de José Amorim.
Na área destes dois últimos espaços comercias desde há muitas dezenas de anos, ainda hoje, está instalada a Farmácia Vitália.
Resta a Camisaria Central que sucedeu à firma Prata & Irmão e onde, desde meados do século XIX, esteve a Livraria Moré.



Farmácia Vitália e, à esquerda, a Barbearia Petrónio inaugurada em 2 de Outubro de 1939 – Foto de 1964






Esquina do Largos dos Lóios



“Na esquina do largo dos Lóios, ficava a melhor livraria do Porto, — a More, — onde, além dos livros, se vendiam «quinquilharias» várias; a esquina da More foi um lugar célebre de cavaco. Em frente deste vasto prédio, ao longo da valeta, viam-se durante o dia barracas de pano cru e mesas volantes, sobre as quais estendiam a sua sombra protectora gigantescos guarda-sóis de pano branco; encontravam-se ali à venda, desde o bacalhau às guloseimas, os géneros mais variados e as melhores pechinchas. Entre esta fila de vendedores e o edifício, corria o passeio chamado sarcasticamente o Pasmatório dos Lóios(...).
No Passeio das Cardosas estão instaladas algumas das mais conhecidas casas comerciais, como a “Camisaria Oliveira, installada com fino gosto no prédio fronteiriço à Câmara…É uma das camisarias mais bem sortida em roupas brancas, enxovaes, artigos ligeiros e de novidade para senhoras, homens e creanças…”; Livraria Moreira, “uma das mais conceituadas e bem installadas livrarias do Porto…”; e a casa de Modas e Confecções de F.Rebello & Coelho, de reputação invejável pelo primor da execução que se observa nas suas confecções e fina escolha nos artigos que vende…”
Artur Magalhães Basto – O Porto do Romantismo 1932; Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”




O comércio na Praça D. Pedro – Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”


 

Planta do edifício das Cardosas, em 1892, na planta de Telles Ferreira

 

Na planta acima, no nº 25, ficava a firma Soares Reis & Filho, no nº 28 a Papelaria Guimarães e, no nº 29, a “Laporte”.
No nº 1, esteve a livraria “Moré”.




Praça D. Pedro e Rua dos Clérigos com árvores do lado esquerdo c. 1900



À direita a Igreja dos Congregados e o seu varandim



Praça D. Pedro e os Eléctricos



Praça da Liberdade e Palacete das Cardosas à direita



Vista da Rua de Santo António para o Passeio das Cardosas



Panorâmica da Praça da Liberdade obtida a partir do Passeio das Cardosas em 1932



Praça da Liberdade em 1955 com mesma perspectiva da foto anterior