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sexta-feira, 12 de junho de 2026

25.307 Devoção dos portuenses ao Santo António

Foi a igreja dos Congregados o primeiro templo edificado, no Porto, da evocação do Santo António.
Aquela igreja foi erguida diante da porta de Carros, rasgada na muralha fernandina, em 1551, que substituiu, no mesmo local, o postigo de Carros.
Aí, primitivamente, foi construída uma capela (mais tarde, transformada na igreja dos Congregados) destinada a servir uma associação de juízes, reunidos na Confraria de Santo António, que tinham por patrono Santo António de Lisboa e que, por razões práticas, até então, tinham praticado o seu culto numa outra capela localizada nos Carvalhos do Monte, para as bandas da Sé, consagrada a Santo António Magno, o eremita de Tebaida ou, simplesmente, Santo Antão.

 
 
 
Capela de Santo António do Penedo e Confraria de Santo António
 
 
A Capela de Santo António do Penedo que, inicialmente, foi consagrada a Santo António Magno, erguia-se no Campo de Santa Clara, a Carvalhos do Monte, hoje, o Largo 1º de Dezembro, tendo sido demolida em 1886, para abrir a actual Rua Saraiva Carvalho e permitir, assim, o acesso à ponte de Luís I, em construção.
Alguns historiadores afirmam que o templo ganhou a designação de Capela de Santo António do Penedo, por ter sido construída sobre uma rocha e, segundo outros, numa alusão ao culto a Saint Antoine du Rocher, um eremita que, no século VI, fundou em Tours, na França, a cé­lebre abadia de S. Juliano.
 
 


Dispensário Rainha D. Amélia e capela anexa – Ed. Photo Guedes
 
 
 
A imagem acima mostra uma capela que existiu junto do edifício onde funcionou o dispensário Rainha D. Amélia, encostada ao torreão da muralha Fernandina e, embora, esteja identificada em várias publicações, como sendo a Capela de Santo António do Penedo, tal não corresponde à verdade, como veremos a seguir.
Voltando à capela de Santo António do Penedo, ela tinha 12 a 15 metros de comprimento e 4 a 5 de largura e o arco bizantino da frontaria era o único na cidade.
Segundo algumas personalidades, supõe-se que esta capela foi construída no séc. XIV, mas “o primeiro documento que tem aparecido a seu respeito é um título do ano de 1504, onde se vê que naquela data estava ela vinculada, ou na posse dum tal Afonso Ferraz, a qual havia já herdado de seus ascendentes”.
Ignora-se, portanto, a data exacta da sua construção inicial, mas sabe-se que no 1º quartel do século XVII, foi alvo de uma séria remodelação.
Assim, em 1671/72, recebeu a capela, um coro e uma galilé executados pelo mestre pedreiro Manuel do Couto, segundo a traça do Padre Pantaleão da Rocha de Magalhães, mestre-capela da Sé do Porto e arquitecto amador, que investigações recentes ligam a algumas das obras mais importantes realizadas, no Porto, na segunda metade do século XVII.
Sabe-se que a capela começou por se chamar de Santo Antão passando, mais tarde, a Santo António.
 
 
 
“…Note-se que esta capela dedicada a Santo António não se referia ao Santo António de Lisboa, mas sim a Santo António Magno, eremita de Tebaida, conhecido por Santo Antão.
Agostinho Rebelo Costa afirma: “…a de Santo António do Penedo, que foi a primeira que se consagrou a este Santo”.
Ora, foi provado documentalmente que este Santo António era o ermitão que acima referimos.
O documento referido por Carlos das Neves, em O Tripeiro, Volume 1 a páginas 300 e Volume 2 a páginas 25, eram as “Memórias da Congregação do Oratório da Cidade do Porto…de 1741” e pertencia, em 1898, ao ex- Abade de Miragaia, quando foi lido pelo referido Carlos das Neves. Neste documento pode ler-se: 
“…determinaram Gaspar de Abreu de Freitas desembargador dos agravos desta Relação, como Juiz que era da Confraria de Santo António, ele e mais mordomos da mesma Confraria edificar um templo em honra de Santo António; porque não tinha este Santo sendo nosso português igreja alguma na cidade dedicada ao seu nome: pois ainda que a Capela, enquanto a dita Confraria até ali estava assentada, se chamava de Santo António do Penedo, por estar fundada sobre viva Rocha junto ao muro da cidade da parte de dentro; na realidade esta Capela não foi fundada para Santo António Português; mas sim para Santo António Magno que vulgarmente chamamos Santo Antão…”
Cortesia do blogue “Porto, de Agostinho Rebelo da Costa aos nossos dias”

 
 

Capela de Santo António do Penedo, em 1833 – Gravura de Joaquim Villanova
 
 
 

Em 1845, a capela de Santo António do Penedo (que existiu até 1886), no meio do Largo 1º de Dezembro
 
 
 
A gravura anterior é uma prova, em papel salgado, a partir de um calótipo de Frederick William Flower, em 1845, na qual é possível notar a presença de um cruzeiro que, como habitualmente, integraria uma via-sacra.
Abaixo, está representada, numa planta do século XIX, a área intramuros do Largo de Santa Clara.
Nela, pode observar-se a Capela de Santo António do Penedo e a sua orientação e, ainda, a casa de habitação a si adossada que acabou por pertencer a Teixeira Pinto.
Como se observa, também, a entrada principal do templo fazia-se por uma escadaria de dois lanços laterais e ficava voltada para a Sé.

 
 

Planta de Santo António do Penedo, antes, Carvalhos do Monte
 
 
 
 
 

Porta do Sol (vista de intramuros) e Largo de Santo António do Penedo
 
 
 
Na gravura, acima, pode ver-se, à direita, o cruzeiro do Senhor da Boa Fortuna, (actualmente exposto no cemitério da Lapa junto ao jazigo onde está Camilo Castelo Branco) próximo da casa de Teixeira Pinto (exemplificado no desenho abaixo).
A capela adossada à casa era propriedade do morgado Miguel Brandão e Silva.
Em 1860, sendo proprietário da casa, adossada à capela, que vinha a apresentar sinais de ruína, desde 1835, Teixeira Pinto (…)
 
 
“ (…) num processo trabalhoso, conseguiu também a capela para si. O agora proprietário tratou de a adaptar ao uso que lhe pretendia e daqui adveio o último estágio evolutivo do monumento, poucos anos antes da destruição final: nivelou-a ao seu prédio do lado poente, demolindo o alpendre bem como a escadaria localizada em frente deste. Todo este terreno deixado livre foi à sua custa, ajardinado, e mais algum de que entretanto se apossou... Mais pobre mas ainda com aspeto de capela, o seu interior foi a partir daí usado como dependência de arrumos do proprietário.”
Com o devido crédito a Nuno Cruz
 
 
 
 
Quanto ao arco cruzeiro da capela, alguns dizem terem ido, as suas pedras, para os jardins o Palácio de Cristal e sido alvo de um projecto de instalação, aí. No entanto, tal nunca se concretizaria por se terem extraviado alguns dos seus elementos estruturais. Outros estudiosos colocam outras hipóteses.
 
 
“O arco cruzeiro desta capela, de primoroso lavor, foi salvo da destruição tendo também ele sido remetido para S. Lázaro. Contudo, como refere Pedro Vitorino (ver aqui) quando o quiseram voltar a erguer na quinta do SMAS, o mesmo já se mostrava incompleto!”
Com o devido crédito a Nuno Cruz
 
 
 
 

Planta do Largo de Santa Clara

 
 
 
Quando a capela de Santo António do Penedo se tornou exígua e os desembargadores, cuja confraria tinha como patrono Santo António de Lisboa e que vinham ocupando aquela capela por favor, quiseram ter templo próprio onde instalar a irmandade, escolheram um terreno perto do medieval Campo das Hortas, mesmo em frente à Porta de Carros, que se abria no pano da muralha fernandina, compraram-no e, aí, começaram a erguer a ermida com a ajuda de esmolas dos fiéis.
A escritura respectiva ocorreria em 20 de Dezembro de 1657, em que são outorgantes a Câmara e a Mesa da Confraria de Santo António e na qual é feita a oferta condicionada, daquela a esta, de uns terrenos situados fora da Porta de Carros para a construção de um templo. A escritura viria a ser confirmada por alvará régio de 4 de Abril de 1658.
Este templo iria ser, finalmente, o primeiro da cidade dedicado a Santo António de Lisboa.
Aliás, compreende-se a devoção dos desembargadores a Santo António de Lisboa, justificada pela lenda, que reza que o seu pai tinha sido injustamente condenado pelo homicídio de um vizinho. Já ia a caminho da forca quando Santo António, então em Pádua, se terá transportado espiritualmente para Lisboa para o defender e salvar da morte.
Neste episódio radica a expressão; “Tirar o pai da forca”.
Entretanto, poucos meses depois do início das obras, os magistrados abandonaram o projecto e ofereceram o terreno e o que já havia da ermida à Câmara do Porto, "para sempre, enquanto o Mundo durar".
 
 
 
Igreja dos Congregados e sua ligação à Capela de Santo António do Penedo
 
 
 
A ligação entre estes dois locais de culto é muito evidente e tal será mostrado a seguir.
Assim, no Porto, o Padre a Baltazar Guedes, fundador do Colégio dos Órfãos tinha erguido, em 1664, na igreja de Nossa Senhora da Graça, contígua ao colégio, um altar em honra de S. Filipe Néry, tendo no ano seguinte criado a Confraria de S. Filipe de Néry, ligada ao seu colégio.
Em Julho de 1680, chegavam ao Porto vindos de Lisboa os Padres Manuel Rodrigues e João Lobo, onde acabava de ser criada a Congregação do Oratório da Regra de S. Filipe Néry, que pretendiam formar um convento, tendo começado por tentar ocupar o Colégio dos Meninos Órfãos de Nossa Senhora da Graça, onde era reitor o Padre Baltasar Guedes. Este opôs-se veemente que tal acontecesse e os padres referidos passaram a cobiçar uma capelinha em frente da Porta de Carros.
No ano de 1680, a Câmara Municipal do Porto, aceitando um pedido do rei D. Pedro II, disponibilizou-se para facilitar à Congregação do Oratório de S. Filipe de Nery tudo o que estivesse ao seu alcance para que os padres congregados pudessem instalar-se na cidade e aqui "estabelecer a sua casa".
No rol das facilidades, incluiu-se a cedência, à referida congregação, da capela da Porta de Carros, da invocação de Santo António, que fora começada a construir em 1660, com esmolas dos portuenses, de iniciativa da Confraria de Santo António, que associava os juízes, mas cuja administração estava, então, a cargo da Câmara que, por essa razão, era quem organizava e, obviamente, pagava a grande festa que todos os anos se realizava no dia do patrono.
No documento que foi lavrado, aquando da cedência do templo, constavam duas alíneas curiosas: primeiro, que a ermida era doada à referida congregação de S. Filipe de Nery na condição de que esta manteria Santo António como padroeiro do templo e que a sua imagem continuaria a figurar em lugar de relevo na fachada ou no altar-mor; segundo, que, além da capela, a Câmara também doava aos padres de S. Filipe de Nery "o sítio e campos ao redor della..." a fim de aí construírem um convento.
Para a nova igreja dos padres congregados, foi aproveitada a anti­ga capela que ficou a servir de capela-mor do actual templo.
Ora o tal sítio e campos que havia ao redor da Capela da Porta de Carros, onde viria a surgir a Igreja de Santo António da Porta de Carros ou Igreja dos Congregados, faziam parte do conhecido como o “Campo das Hortas” que o bispo D. Tomás de Almeida, no século XVIII, transformaria na Praça Nova das Hortas antecessora da actual Praça da Liberdade.
Aliás, este bispo, que também exerceu as funções de governador da Relação e de governador das Armas da Cidade, foi quem mandou abrir na muralha Fernandina o Postigo de Santo Elói, junto ao largo do mesmo nome, hoje Largo dos Lóios, em frente à velhíssima Rua das Hortas, actual Rua do Almada.
Sobre a capela da Porta de Carros, escreve Horácio Marçal as notas seguintes retiradas de O Tripeiro, serie V, nº. X de um artigo de 1955:
 
 
“Em meados do séc. XVII a Confraria de Santo António, sediada por favor na Capela de Santo António Magno ou do Penedo, propriedade do morgado Miguel Brandão da Silva, decidiu adquirir casa privativa e conseguiu que a Câmara lhes vendesse um terreno perto da Porta dos Carros, onde erigiram uma pequena capela. Poucos anos depois acordaram com a Câmara lhes comprasse o terreno, com a condição de lhes construir a capela-mor, o que aconteceu. Porém, por insistência real e do Bispo do Porto, a capela foi entregue, em 1680, à Congregação da Regra de S. Filipe de Néri, com a condição de manter Santo António como padroeiro. Estes terminaram a construção da parte da Igreja ainda inacabada. Tornando-se pequena, a capela foi demolida em 1694, e em seu lugar erigida uma importante Igreja que, depois de novas ampliações, é a que podemos apreciar no nosso tempo. 
O convento começou a construir-se em 1683.”
 
 
Por sua vez, as obras na Igreja de Santo António da Porta de Carros, ficaram prontas em 1703, tendo presidido à cerimónia de inauguração o bispo D. Frei José de Santa Maria Saldanha.
O sucessor deste bispo, D. Tomás de Almeida, protegeu muito os padres da Congregação de S. Filipe de Nery contribuindo para o embelezamento do interior da sua igreja, a actual igreja dos Congregados, diante da qual mandou fazer um belíssimo átrio que comportava "três arcarias", varandas de ferro e uma larga escadaria "por baixo da qual havia lojas abobadadas que os padres alugavam".
D. Tomás de Almeida saiu do Porto, em 1717, para tomar posse do cargo de cardeal patriarca de Lis­boa. Foi o primeiro a ocupar aquele alto cargo eclesial. 
 
 
 

Desenho do Convento e Igreja de Santo António da Porta de Carros de Joaquim Villanova

 
 
No desenho, anterior de 1834, observa-se que a igreja apresenta a torre quadrada com terraço, que tinha 8 sinos e que existiu até 1842, tendo os sinos sido comprados pela Igreja da Santíssima Trindade. À direita, vê-se uma “cadeirinha” do Porto.
Para se poder fazer uma ideia, ainda que aproximada, da extensão dos terrenos na posse da congregação de S. Filipe Nery, bastará dizer que a cerca do convento se estendia até à antiga Cancela Velha e corria ao longo de uma estreita e tortuosa viela ainda hoje conhecida por Travessa dos Congregados.
Durante a guerra civil acontecida entre o exército de D. Pedro IV e a tropa de D. Miguel, os pa­dres congregados, que eram miguelistas, fugiram da cidade e deixaram a igreja e o convento abandonados. A igreja serviu de hospital de sangue durante o Cerco do Porto e nas instalações do mosteiro arrecadaram-se li­vros e outros objetos provenientes de ou­tros conventos. 
Com a extinção das ordens religiosas, o mosteiro foi vendido, em 23 de Abril de 1834, a um brasileiro de torna viagem, Ma­nuel Duarte Guimarães, de alcunha "O Cheira", enquanto a igreja era cedida à confraria de Santo António.
A Confraria de Santo António da Porta dos Carros que esteve extinta entre 1680 e 1708, ano em que foi reactivada, manteve na Igreja a sua sede até à saída dos monges em 1832. Em 1834, a Igreja foi-lhe devolvida pela Câmara,  livre de encargos.
Foi a partir da tomada de pos­se do templo pelos homens da irmandade de Santo António que a igreja passou a ser conhecida por igreja de Santo António dos Congregados. 
Infelizmente, aos homens da confraria não foi entregue a igreja na sua totalidade. A torre quadran­gular e a primitiva sacristia já haviam le­vado sumiço. Os herdeiros de Manuel Sousa Guimarães, junto do convento e igreja, mandaram fazer grandes obras, com abertura de novas janelas e portas exteriores.
Demoliram a sacristia, que ficava do lado da Praça das Hortas e a torre (1842). Desta forma poderiam alugar ou vender a diversas pessoas, o que ocasionou a abertura de estabelecimentos e casas de habitação.

 
 

Igreja dos Congregados – Fonte: Google maps

 

 
 Outras devoções ao Santo António

 
Santo António é historicamente considerado o padroeiro do comércio e dos comerciantes na cidade do Porto.
Esta tradição está ligada ao facto de o santo ter nascido no seio de uma família de comerciantes abastados em Lisboa. Por ser uma terra com forte tradição mercantil e de negócios, os lojistas e comerciantes portuenses adoptaram-no como protetor da sua actividade e de bons negócios.
Era frequente, por isso, muitos estabelecimentos da cidade do Porto apresentarem uma imagem do santo.
No Porto, ao Santo António de Lisboa, que é celebrado em 13 de Junho, para além da Igreja dos Congregados, é-lhe dedicada a Igreja Paroquial das Antas, a capela de Santo António de Contumil, a capelinha de Santo António da Estrada, no começo da escadaria de acesso à igreja do Bonfim e a capela e o Hospital de Santo António.
Entretanto, há muito que desapareceu a Capela de Santo António da Aguardente (ao Marquês) depois dedicada, no mesmo local, a S. Joaquim e que também desapareceu para desobstruir a entrada da actual Igreja da Imaculada Conceição.
 
 
 
 

Capela do Hospital de Santo António – Fonte: regiaodonorte.pt

 
 

Capela de Santo António de Contumil, anexa à Quinta de Santo António de Contumil – Fonte: regiaodonorte.pt

 
 
 
Capela de S. Joaquim (Desaparecida), antes, Capela de Santo António da Aguadente, à Praça do Marquês

 
 
No Porto, várias quintas ostentam ou ostentaram a sua dedicação ao santo: Quinta de Santo António (de Lamas), junto da Faculdade de Economia, afecta à actividade turística e a Quinta de Santo António de Contumil de uso privado; e ainda, a Quinta de Santo António do Bonjardim (hoje, terrenos da Rua de Gonçalo Cristovão) e a Quinta de Santo António da Boavista (hoje, terrenos da Rua da Boavista e terrenos adjacentes, a poente do Largo de Santo Ovídio) já desaparecidas. 
Quanto a mosteiros e conventos, no Porto, dedicados a Santo António, pode referir-se o Mosteiro de Santo António de Vale da Piedade (em Vale de Amores, V. N. de Gaia) e o Convento de Santo António da Cidade, a S. Lázaro.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

(Continuação 13) Actualização em 17/10/2019 e 12/02/2020



Igreja de Nossa Senhora da Esperança



No actual Jardim de S. Lázaro, existiu desde o século XIV uma gafaria, hospital de leprosos, que tinha como padroeiro S. Lázaro.
Daqui veio o nome do Largo e Praça de S. Lázaro, anteriormente Largo do Arrabalde.
No Domingo da Paixão realizava-se na Praça de S. Lázaro uma feira em honra deste santo, pois existia na capela do Hospital dos Lázaros uma imagem sua, toda em prata.
A capela actual que substituiu a anterior, teve o risco de Nicolau Nazoni e só se iniciou em 1746, tendo terminado em 1763.



Capela e Recolhimento de Nossa Senhora da Esperança, em 1833, segundo Joaquim Villanova





Igreja dos Congregados actualmente



Provavelmente concluída em 1703 fez parte da Confraria de Santo António de Lisboa, já desaparecida. A frontaria obedece à tradição barroca dos finais do século XVII combinando a austeridade com a imponência, embora apresente azulejos modernos, da autoria de Jorge Colaço e vitrais executados no Porto, em 1929, por F. Mendes de Oliveira. O interior é de uma só nave. O coro, sobre a entrada, é suportado por três arcos que assentam em colunas jónicas. No transepto abrem-se dois portais de granito, barrocos.
Na capela-mor, decorada com painéis representando cenas da vida de Santo António, da autoria de Acácio Lino, pode admirar-se um retábulo neoclássico que enquadra algumas esculturas.
O frontal, o altar-mor e a banqueta de prata são obras de inspiração joanina executadas nos meados do século XIX.
Na sacristia - adaptação de um oratório dos congregados - conservam-se arcazes de pau-preto e uma tela - A Virgem e o Menino.        
Esta igreja esteve sempre muito ligada ao culto de Santo António como se vê na notícia abaixo.



“Jornal do Porto” Festas de Santo António em 1875






Igreja da Trindade



O autor do projecto foi o engenheiro militar Carlos da Cruz Amarante, no entanto, este projecto foi modificado, na fase de execução pelo arquitecto João Francisco Guimarães, irmão trinitário, que veio a ser substituído durante as obras pelo professor de arquitectura José Geraldo da Silva Godinho.


“A Igreja da Trindade obedece ao gosto neoclássico de Carlos da Cruz Amarante, autor do primeiro projecto, possuindo uma só torre sineira.
A igreja foi aberta ao culto a 5 de Junho de 1841.
Precede a fachada, uma pequena mas larga escadaria entre os corpos do conjunto arquitectónico, destinados aos serviços da Ordem Terceira. No primeiro piso rasgam-se três portas de arco pleno - a central com as armas da Celestial Ordem rematadas pela coroa real -, separadas por pilastras toscanas que suportam o entablamento. Estas portas dão acesso ao vestíbulo.
No segundo corpo rasgam-se três janelas com frontões. Dos lados vêem-se átrios com balaustradas, nos extremos dos quais estão colocadas esculturas de pedra, da autoria de João Albertino de Azevedo.    
O interior, de planta de cruz latina, é coberto por uma abóbada de tijolo. As paredes da nave são preenchidas com altares, inseridos em portadas de arco pleno, três de cada lado. Sustentam o coro colunas da ordem coríntia. Nas capelas dos topos do transepto, os retábulos, de estilo neoclássico, são ladeados por nichos sobrepostos. No friso superior figuram as esculturas dos Quatro Evangelistas.
A capela-mor, cujas paredes são revestidas de mármores, ostenta duas ordens de tribunas de cada lado”.
Fonte – Site: j-f.org/jf-stildefonso



Projecto por concluir da igreja, hospital e instituto escolar da Ordem da Trindade





Igreja da Imaculada Conceição



"As zonas envolventes do Largo da Aguardente, hoje Praça do Marquês de Pombal, eram fracamente povoadas até meados do século XIX, ou mesmo até aos finais. A abertura das novas ruas de Costa Cabral, Constituição, Latino Coelho, João Pedro Ribeiro e a requalificação da que hoje é Rua de Santa Catarina, nesta zona onde se cruzam ou passam a cruzar os trajectos de quantos se dirigem no eixo norte-sul, ou no eixo nascente-poente, motivam um crescimento demográfico que transformam profundamente toda a zona envolvente do velho Largo da Aguardente.
As igrejas paroquiais de Paranhos, Santo Ildefonso, Campanhã, Bonfim e Cedofeita estão longe do Marquês, e o número de fiéis cresceu.
Mas, por outro lado, a piedade das gentes desta zona conduziu a que se erigisse uma capela em honra de Santo António (da Aguardente) em 1875, e que só alguns votos dos irmãos da confraria não permitiram, desde logo, que fosse dedicada à Senhora da Conceição.
Tempos difíceis surgiram, e a capela foi secularizada, fechada ao culto. Mas um grupo de cristãos mobilizou-se e surgiu a capela da Senhora da Conceição, na Rua da Constituição, cujo projecto inicial nunca chegou a ser concluído e que seria dedicada em 6 de Dezembro de 1898.
Mas, apesar de aberta ao culto esta capela, alguns fiéis mobilizaram-se, a partir de 1900, para conseguirem a reabertura da antiga capela de Santo António, o que veio a concretizar-se em 1901, mas agora tendo como patrono S. Joaquim e ficando a ser conhecida como capela de S. Joaquim.
Antes da construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição no Marquês, existia, portanto, a Capela de S. Joaquim, sendo esta reaberta no local da capela de Santo António da Aguardente.
Esta capela de S. Joaquim viria a ser demolida em 1958 para dar lugar à igreja da Imaculada Conceição.
Esta igreja é um templo moderno, sagrado em 1947, da autoria do arquitecto contemporâneo Padre Paulo Bellot, monge beneditino. O acesso ao templo faz-se por três ordens de degraus.
A fachada, de granito lavrado, apresenta três portões de ferro forjado e bronze.
O central ostenta um relevo com a Coroação da Virgem. Entre o tímpano e as estátuas insere-se um friso de nove janelas com vitrais representando os nove anjos do coro.
A torre sineira, oitavada, tem no alto oito janelas e é rematada por uma cúpula piramidal com uma cruz no vértice.
O nártex (Pórtico na frente da nave) é pavimentado em mármore e decorado com mármore rosa.
Dá acesso ao baptistério um portão de ferro forjado e bronze com o símbolo do baptismo: um veado.
As paredes desta capela são revestidas de mármore e frescos com cenas representativas das origens da Nacionalidade e da epopeia missionária e O Baptismo de Cristo, da autoria de mestre Dordio Gomes.
O interior é de três naves, separadas por duas ordens de colunas que se ramificam, dando origem a arcos. O tecto é formado por nove pequenas abóbadas, no sentido longitudinal, separadas entre si por oito vigas do mesmo comprimento com recortes circulares côncavos. As dez capelas laterais, todas iguais, são de mármores polícromos, ostentando nas paredes fundeiras um painel de azulejos com cenas evocativas da devoção dos Portugueses à Virgem Maria. Cada altar suporta um plinto de mármore polícromo, sobre o qual assenta uma imagem de pedra de Ançã. As paredes laterais são ornadas de vitrais. Os passos da Via Sacra são representados por pinturas a fresco, da autoria de Guilherme Camarinha.
Os púlpitos, de pedra de Ançã, com relevos representando os Apóstolos, devem-se ao escultor Henrique Moreira. Decora o arco cruzeiro o fresco, A Coroação da Virgem, obra do pintor Augusto Gomes.
Nas paredes da capela-mor admira-se também uma pintura a fresco representando anjos adoradores.
O altar-mor é formado por um só bloco de mármore preto que assenta sobre oito colunas do mesmo mármore com capitéis de bronze dourado. O trono é de mármore cor-de-rosa, também com decoração de bronze dourado".
Fontes – Sites: etc.pt; monumentos.pt



Construção da igreja de Nossa Senhora da Conceição



A Igreja de Nossa Senhora da Conceição oferece do alto da sua torre de 50 metros uma panorâmica deslumbrante, que se estende da foz do rio Douro à Praia do Cabedelo e à Póvoa de Varzim, situação que pode ser desfrutada por qualquer visitante que consiga vencer 120 degraus.
A construção desta igreja foi financiada por vários mecenas da cidade, que ficaram lembrados em muitos dos magníficos vitrais exibidos, com um destaque especial para o capitalista Delfim Ferreira, lembrado numa placa de homenagem afixada numa parede exterior do templo.


Placa de homenagem a Delfim Ferreira - Ed. Graça Correia




Capela de Santo António da Aguardente (Desaparecida)



Esta capela foi aberta ao culto no Largo da Aguardente em 17 de Junho de 1877, e o terreno, para a sua construção, doado por José Coelho da Rocha e Silva. Passou a capela, então, a ser administrada pela confraria de Santo António da Aguardente.
O seu projecto foi submetido a aprovação camarária, em 1872, pelo presidente da comissão administrativa da capela, Justiano de Abreu Araújo Azevedo, tendo obtido a licença de construção nº 315/1872.




“Há rija função no próximo domingo, 17 de Junho, no largo da aguardente. Abre-se ao concurso de fiéis a capela de Santo António, erecta pela devoção pública.
A cerimónia da bênção será feita pelo cónego João José de Vasconcelos e haverá ruidoso arraial”.
In “Jornal das Senhoras” de 15 de Junho de 1877



"Em 1884, a confraria de Santo António da Aguardente expulsou, violentamente, da capela um sacerdote que era capelão no Bom Pastor, a pretexto de uma prática e porque lá exercia, com assiduidade, o ministério de confessor. A Mesa foi censurada pelo Sr. Cardeal D. Américo, houve várias conferências, comícios e finalmente foi secularizada a capela e transformada em escola - a Escola Marquês de Pombal.
No tempo do grande missionário D. António Barroso, fechou-se a escola, a casa foi vendida e comprada pelo capitalista Joaquim da Fonseca Araújo e voltou a ser capela. Vasques de Mesquita foi o agitador."
Cónego António Ferreira Pinto - Fonte: revista "O Tripeiro", Vª série, 1º Ano, pag. 216


O sacerdote que seria expulso e que esteve no cerne do conflito, atrás descrito, era um tal José Coelho da Rocha, muito estimado pelos católicos, sendo vigário da confraria, o padre Joaquim Madureira.
Pelo meio do conflito gerado, estavam envolvidos o sacerdote do Bom Pastor, a Casa de Regeneração do Bom Pastor, da Rua de Vale Formoso, o polícia nº 103 e a mulher deste, que tentava, com a ajuda daquele sacerdote, entrar para a instituição das irmãs de caridade da Quinta Amarela. Juntem-se a todos estes factos, as lutas políticas daqueles tempos e tomará forma, a tempestade perfeita.
Era juiz da confraria Luís Fructuoso Ayres de Gouveia, que abandonaria o cargo, ocupado, posteriormente, pelo advogado Augusto de Carvalho Vasques de Mesquita.


“Procedeu-se ontem à secularização efectiva do edifício da capela da aguardente, retirando-se as partículas sagradas e removendo-se dali as imagens, alfaias e objectos de culto”.
In jornal “O Primeiro de Janeiro” de 3 de Dezembro de 1885


A capela de Santo António da Aguardente seria secularizada em Dezembro de 1885, passando nas suas instalações a funcionar uma escola desde Setembro de 1886.


“A capela de Santo António da Aguardente passou a secular e ali se fundou uma escola, que foi inaugurada a 18 de Setembro, com o nome de Escola Marquês de Pombal”.
In jornal “O Primeiro de Janeiro” de 19 de Setembro de 1886




Capela de São Joaquim (Desaparecida)



A Escola Marquês do Pombal, que ocupou as instalações da antiga Capela de Santo António da Aguardente, seria encerrada nos últimos anos do século XIX, e o edifício vendido ao capitalista Joaquim da Fonseca Araújo, voltando a ser capela, sob a invocação de S. Joaquim, por influência do Dr. Vasques de Mesquita.
Assim, no ano de 1901, a polémica já tinha regressado com o apelo a recordações antigas.

 

Notícia do jornal “A Voz Pública”, p. 1, de 31 de Maio de 1901
 
 
O atelier Photográfico de Peixoto & Irmão foi um dos estúdios de fotografia mais conceituados da cidade, localizado na Rua do Almada 294/296.
A capela, no entanto, foi inaugurada em 17 de Agosto de 1901, na Praça Marquês do Pombal, no local da capela de Santo António da Aguardente.



“Em 3/09/1900, Joaquim Rufino Pereira da Silva, iniciador do culto de S. Joaquim no Porto, pediu à rainha D. Amélia e ao bispo da diocese a cedência da capela de Santo António da Aguardente, há muito secularizada, para nela ser instalado o mencionado culto; em 17/08/1901, procedeu-se à sua inauguração e, em 1928, como se conclui da acta da sessão da Junta de Freguesia de 22 de Novembro, a capela sofreu importantes melhoramentos. Era nesta época juiz da confraria o Engº Homem de Melo.”
Fonte: Horácio Marçal, In “S. Veríssimo de Paranhos”, páginas 202-203, Ed. CMP



Sobre a preparação do templo para a sua inauguração, dizia o jornal “O Primeiro de Janeiro” de 20 de Agosto de 1901:



“Brilhantes as festas inaugurais desta capela. As obras, cujo projecto definitivo está sendo elaborado pelo distinto arquitecto Marques da Silva, vão continuar. A capela terá uma torre e um relógio”.
In jornal “O Primeiro de Janeiro” de 20 de Agosto de 1901



Aquele projecto de Marques da Silva, acima referido, nunca seria, porém, implementado.
A capela de São Joaquim administrada pela confraria de São Joaquim e Nossa Senhora das Dores, seria restaurada nos anos de 1928 e 1929.
As obras de restauro na capela de São Joaquim, ao largo da Aguardente, terminaram em 1929. A festa de inauguração das novas instalações foi levada a cabo a 20 de Janeiro de 1929.
As obras tinham-se iniciado a 10 de Junho de 1928, tendo sido a capela aumentada nas suas dimensões e dotada de um novo altar-mor e de novos altares laterais.


Capela de São Joaquim, em 1937



Na foto acima, atrás dos músicos da banda do Asilo do Terço, observa-se a fachada principal e a lateral da capela de São Joaquim.



Capela de São Joaquim



Em 1951, começaria a sua demolição para que fosse possível, junto dela, ser erecta a Igreja da Imaculada Conceição.




No jardim interior, fronteiro à Igreja de Nossa Senhora da Conceição, à direita da entrada no recinto, umas cruzes numa parede lateral de um edifício, indicam o local onde esteve implantada a Capela de São Joaquim - Ed. Graça Correia






Igreja Ortodoxa de São Pantaleão - (Antiga Capela da Imaculada Conceição)


Este templo situa-se na Rua da Constituição, nº 379.
O templo foi fruto da vontade de um grupo de católicos que se mobilizaram para que fosse possível a construção da capela da Senhora da Conceição, em 1898.
Entre aqueles católicos, é de destacar Engrácia Pereira de França, irmã de Joaquina Pereira de França, a primeira mulher de Camilo Castelo Branco e, portanto, sua cunhada, que faleceu no dia 6 de Setembro de 1933, na sua residência, que se situava junto daquele templo, na Rua da Constituição, n.º 369.  


“A Paróquia da Senhora da Conceição da Cidade e Diocese do Porto foi criada por provisão de D. António Barbosa Leão, Bispo do Porto, com data de 10 de Abril de 1927, e publicada no nº 5 do ano XIII do Boletim da Diocese do Porto, e a nova paróquia “começará a funcionar desde o dia 1 de Maio do corrente ano”.
A capela da Senhora da Conceição, na Rua da Constituição foi a primeira igreja paroquial da nova paróquia que teve como seu primeiro pároco o Cónego Dr. Francisco Correia Pinto, notável orador, conferencista e jornalista, que foi deputado à Assembleia Nacional”.
Fonte: ”p-conceicao-porto.org”


Nos dias de hoje, a igreja onde o culto é administrado, continua a pertencer à Igreja Católica, mas é cedida todos os domingos à comunidade ortodoxa, tendo passado a ser identificada como “Igreja de São Pantaleão”.


Igreja de São Pantaleão – Cortesia de Philip Jagnisz


Igreja de São Pantaleão – Fonte: JPN





PATRIMÓNIO CULTURAL E ARTÍSTICO



Café "Majestic"


“É fácil saber-se se está a pisar "solo" da freguesia de Santo Ildefonso. Basta enumerar os locais ditos de interesse turísticos. Santo Ildefonso, nome do orago da freguesia, abrange a capela das Almas, localizada na movimentadíssima e muito procurada Rua de Santa Catarina, mais votada para peões do que para automóveis mercê do imenso polvilhar de lojas que detém, que, em passeio ou em compras, acabam tentado pela beleza de um dos mais emblemáticos cafés citadinos: o "Majestic".
É a partir de Santa Catarina que se chega a outros locais da freguesia, igualmente, importantes para a cidade. Um desses locais é a Avenida dos Aliados, palco dos mais belos e históricos edifícios, entre os quais o edifício da Câmara Municipal do Porto.



Café "A Brasileira"

Mas a Santo Ildefonso pertencem o café "A Brasileira", procurada, até, como lugar de "peso político" (Humberto Delgado deixou-se lá fotografar, "fintando" a policia política, (PIDE/DGS) e o mercado do Bolhão, ainda hoje local de procura e de troca comercial, cheio de cor, de cheiros, de vida. São também de Santo Ildefonso duas referências culturais da cidade: os teatros municipais Rivoli e o Coliseu, agora remodelados e com direito a ganharem valor máximo na escala de qualidade das salas de espectáculos”.
Fonte - Site: j-f.org/jf-stildefonso