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terça-feira, 14 de janeiro de 2025

25.264 Escolha do local na cidade para a construção da estação terminal da linha do Norte e construção da Ponte Maria Pia

 
À data do lançamento da primeira pedra da linha do Minho, em S. Roque, em 12 de Julho de 1872, continuava sem ser decidido o local da estação terminal no Porto, o que só aconteceria no último dia desse ano.
Para esse efeito, um primeiro projecto da autoria de Eusébio Page seria apresentado em 11 de Fevereiro de 1861, pela “Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses”, empresa que substituíra uma outra, a “Companhia Central Peninsular dos Caminhos de Ferro em Portugal”, que tinha sido formada para a construção do caminho-de-ferro de Lisboa até à fronteira de Espanha, passando por Santarém, mas que acabaria por falir.
José Salamanca, empresário, capitalista, banqueiro e político espanhol, com uma actividade de anos como construtor da via-férrea de Espanha, propõe-se retomar os projectos que se encontravam suspensos em Portugal, tutelados por aquela Companhia Real.
Para o atravessamento do rio Douro, na proposta referida, seria necessário que, à saída da estação das Devesas, deveria ser feito um túnel que atravessaria a Serra do Pilar e, por intermédio de uma ponte em ferro de 9 vãos, 27 metros acima do nível da baixa-mar, seria atingido o Esteiro de Campanhã, onde ficaria a estação ferroviária, entre a foz dos rios Torto e Tinto. Daqui, seria feita uma ligação às linhas do Minho e do Douro.
O túnel referido chegou a ser construído, mas nunca entrou em funções.
 
 

Túnel em Gervide (V. N. de Gaia)
 
 
 
O túnel da gravura acima, uma obra a cargo de um engenheiro-chefe de seu nome Jaubert, foi começado a construir em 6 de Março de 1861 e concluído em 24 de Outubro de 1862, para passagem do comboio de V. N. de Gaia para o Porto, mas nunca entraria em funcionamento, sendo substituído por um outro construído ao seu lado.
Inicialmente, esse túnel faria parte do trajecto da linha do Norte que ligaria ao lugar da Pedra Salgada, onde seria construída uma ponte para atravessamento do rio Douro, de ligação ao esteiro de Campanhã. Tudo ficou sem efeito, pois foi decidido que o atravessamento do rio se fizesse, a uma cota mais elevada, pela que veio a ser a ponte Maria Pia.
Mais tarde, o túnel foi aproveitado para cave dos vinhos da Real Vinícola.

 
 
Conclusão do Túnel de Gervide – Fonte: "Jornal do Porto" de 24 de Outubro de 1862






Esteiro de Campanhã

 
 

Ponte de madeira sobre o rio Torto, ao Esteiro de Campanhã, reconstruída após um temporal ocorrido na década de 1930
 
 
 
 
Dada a distância considerável do centro do Porto, a que ficaria uma estação no Esteiro de Campanhã, a solução não avançaria, apesar de algumas poucas intervenções efectuadas.
Surge, então, uma segunda hipótese que propunha para a edificação da estação, a zona das Fontainhas ou do Prado do Repouso.
Nesta hipótese, a partir das Devesas o percurso seria feito até à Pedra Salgada, sendo o rio atravessado por uma ponte 27 metros acima do nível da maré-cheia, a que se seguiria um viaduto sobre o vale do rio Torto até à aldeia do Pego Negro, onde ligaria directamente à solução proposta para a estação.
Como as expropriações seriam imensas, o projecto não vingaria. Acresce o aparecimento de um diferendo entre o Governo e a empresa construtora sobre o atravessamento em via dupla pela ponte que uniria as duas margens, hipótese que José Salamanca rejeitava.
Após uma intervenção de um tribunal arbitral e de outras negociações, é acordado que a concepção da ponte, com possibilidade de introdução futura de uma 2ª via, seja abandonada e é fixado que a estação fique no Campo do Cirne.

 
“O espaço em questão era, até 1880, um imenso território dividido a meio pela estrada de Campanhã (Rua de Reimão/ 29 de Setembro/Heroísmo), pertença dos mesmos proprietários da Quinta do Fragoeiro (…).
O Campo do Cirne, com os seus extensos terrenos ao sul do Campo de Mijavelhas, até ao Prado do Bispo e à Quinta da Fraga, eram da quinta do Reimão, pertença da família Cirne de Madureira desde pelo menos o século XVI. Esta quinta de dimensões assinaláveis permanecia por urbanizar sete anos depois da chegada do primeiro comboio a Campanhã, sendo naturalmente um lugar apetecível para o efeito”.
Cortesia de Jorge Ricardo Pinto – In “O Porto Oriental no final do século XIX”

 
 
Em Maio de 1864, já alguns proprietários de terrenos, no Campo do Cirne, procuravam transaccioná-los, tendo em consideração a estação ferroviária projectada para o local.
 
 
 

In jornal "O Commercio do Porto" de 23 de Maio de 1864
 
 
 
Nesta solução, seria então no Campo do Cirne, atravessado pela Estrada de Campanhã, que seria realizada a ligação às linhas do Douro e Minho, tentando ainda aproveitar-se algum do trabalho já feito, anteriormente.
Estávamos em 8 de Novembro de 1869. Porém, os diferendos entre as partes envolvidas continuaram.
É, por fim, apresentado ao governo uma nova solução da autoria de Manuel Afonso Espregueira, Pedro Inácio Lopes e Gustav Eiffel, em 31 de Dezembro de 1872.
Então, tudo se mantinha até ao Alto da Bandeira, junto a General Torres. O percurso seguinte era feito através de um túnel de 200 metros e, na margem elevada do rio, em frente ao Seminário, seria lançada uma ponte metálica de 355 metros, à altura de 62 metros acima do nível da baixa-mar.
Na margem direita do rio, por intermédio de um túnel no Seminário e outro na Quinta da China, alcançava-se o local da estação terminal, em terrenos da Quinta do Pinheiro, razão pela qual a estação ferroviária se começou por chamar Estação do Pinheiro de Campanhã.
Esta estação terminal para a linha do Norte, também o seria para as linhas do Minho e do Douro.
Começaria, então, o processo da sua construção, a cargo da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses.

 
 
“Entretanto, em 25 de Junho de 1873 a Companhia apresentou ao governo o projecto para a estação do Porto, que foi aprovado. Este projecto assumia desde já que aquela interface seria comum tanto à Linha do Norte como à rede do Minho e Douro. A Companhia alertou nessa altura que não podia ficar à espera de uma resolução que talvez nunca viesse, uma vez que assim poderia correr o risco de não ter uma estação no Porto quando a linha estivesse concluída. Assim, o governo e a companhia entraram em acordo para que as obras da estação começassem em 15 de Setembro do mesmo ano, devendo ser pagas por conta da empresa, e fiscalizadas pelo engenheiro director da construção do Caminho de Ferro do Minho. Em 15 de Maio de 1874, como ainda não se tinha legalizado o acordo proposto em Fevereiro de 1873, o governo decidiu tomar conta das obras da estação, dirigidas pelo director de construção do Minho, e sem interferência por conta da Companhia Real. Desta forma, a estação passou a ser propriedade do estado em vez de privada, marcando-se para mais tarde quais as condições em que iria servir como terminal da Linha do Norte. Em 16 de Janeiro de 1875, foi proposto um novo projecto de lei que modificava a concessão, que foi convertido em lei logo em 26 de Fevereiro, tendo o contrato com a Companhia Real sido assinado em 6 de Março, e no mesmo dia foi também aprovado o projecto de conclusão da Linha do Norte”.
Fonte: pt.wikipedia.org
 


 
Alteração ao projecto da Estação de Campanhã, em 1874




 

Túneis atravessando o Monte do Seminário

 

 
Em 3 de Fevereiro de 1875, é celebrado o contrato com a casa Eiffel Constructions Métalliques, de Paris e, em 4 de Novembro de 1877 é, por fim, inaugurada a ponte Maria Pia com a presença do casal real que, nessa manhã, assistiram a uma missa na capela de Carlos Alberto, ao Palácio de Cristal, honrando deste modo a rainha a memória do seu avô – o rei Carlos Alberto.



Cenário do local em que foi implantada a Ponte Maria Pia



Em 31 de Outubro de 1877, a ponte para a travessia ferroviária do rio Douro estava concluída e o director da linha do Minho e Douro, engenheiro Augusto César Justino Teixeira (1835-1923), associava-se à festa, pois aquela direcção tinha acompanhado as obras finais da Estação de Pinheiro de Campanhã, inauguradas em 1875.
 
 
 
Publicidade à Estação do Pinheiro de Campanhã, em 3 de Novembro de 1877
 
 
 
Chegada, então, a comitiva real, ao Porto, em 3 de Novembro de 1877, por aqui ficaria até ao dia 9 de Novembro, com um programa que, para além da inauguração da travessia do Douro e da Estação de Campanhã (que já vinha funcionando, desde há cerca de dois anos, tendo sido inaugurada em 21 de Maio de 1875), teve ainda associado diversos aspectos lúdicos, entre eles se destacando as corridas de cavalos acontecidas no Hipódromo de Matosinhos.

 
 
 

Notícia da chegada do casal real à Estação das Devesas para presidirem à inauguração da ponte Maria Pia - In jornal “O Comércio do Porto” de 4 de Novembro de 1877
 
 
 
O projecto da ponte é do Eng.º Théophile Seyrig e a obra foi adjudicada à Casa Eiffel de Paris. O Início de construção ocorreu a 5 de Janeiro de 1876 e a conclusão da obra foi a 31 de Outubro de 1877.
Foi inspirado nesta ponte que, anos mais tarde, em França, seria lançado o célebre viaduto Garabit.

 
 

Construção da ponte Maria Pia, observando-se no cimo do monte o antigo edifício do Seminário Maior, ainda em ruínas, fruto das lutas do Cerco do Porto, em 1833



Início da construção da Ponte Maria Pia do lado de V. N. de Gaia





 

Construção da ponte Maria Pia, em processo de conclusão dos trabalhos

 
 
 

Construção do viaduto do caminho-de-ferro para acesso da estação das Devesas, em Vila Nova de Gaia, à ponte Maria Pia, em 1876


 
 

Estação de Campanhã, no início do século XX


 
À Casa Eiffel de Paris, foi, também, adjudicada a construção da ponte metálica sobre o rio Lima, em Viana do Castelo, com projecto de Gustav Eiffel (1832-1923). Seria inaugurada em 1878, e  substituiu a cerca de 300 metros, a montante, uma velha ponte em madeira que ligava o, então, terreiro de São Bento, à margem esquerda do rio Lima, junto à capela de São Lourenço, em Darque.
Esta ponte com características rodo-ferroviária, com tabuleiros sobrepostos, vai servir o "Caminho Português da Costa", entre o Porto e Viana do Castelo, que conduzia a Santiago de Compostela e, que, depois, foi a EN13, e a Linha do Minho.
 
 
 
Necessidade de adequar a Ponte Maria Pia ao desenvolvimento do transporte ferroviário
 

 
Inaugurada a Ponte Maria Pia, desde logo se observou que haveria de melhorar o seu funcionamento.
Assim, começou por ser lamentar a ponte não ter via dupla e, para além disso apresentava algumas fragilidades: a reduzida largura (3,10 m) e interrupção das vigas principais no fecho do arco e a sua extraordinária leveza, que embora tenha facilitado a sua construção, impedia leituras topográficas em provas de carga.
Com 20 anos de idade, a ponte preocupava os técnicos. Assim sendo, em 1890, foi criado em Ovar, uma oficina de Obras Metálicas destinada a apoiar os trabalhadores na manutenção da ponte, cujos trabalhos ocorreram entre 1900 e 1906. A ponte exigia, à data, restrições de carga e velocidade: 14 ton/eixo e 10 km/h.
Em 1909, a ponte foi inspeccionada por um técnico francês – Eng.º Manet Rabut.
Em 1916, foi criada uma comissão para estudar a implantação de uma 2.ª via.
Em 1928, após cerca de 50 anos sobre a inauguração da travessia ferroviária do rio Douro, começa a colocar-se a hipótese de construção de uma segunda ponte.



Ponte Maria Pia, em 1930




Entretanto, tinha sido eliminada a junta entre os carris, soldando-os, e que elevou a velocidade para 20 km/h e as cargas foram elevadas até 17,5 ton/eixo.


 

Ponte Maria Pia, antes da abertura da marginal entre o Freixo e a Ribeira
 
 
 
 
Os projectos sucederam-se, agora para substituição da velha ponte: construção de uma nova de via dupla e eixo rodoviário (em betão ou metálica?); construção de ponte metálica (tabuleiro superior rodoviário e inferior ferroviário). O costume.
Em 1963, já tinha sido construída a Ponte da Arrábida e a situação não se alterava.
Entretanto, de reforço em reforço, apesar da manutenção da velocidade em 20 km/h, a carga passa a 20 ton7eixo.
Em 1976, finalmente, é aberto concurso para nova ponte, utilizando o cimbre da Ponte da Arrábida. Das seis propostas apresentadas, cinco sugeriam variantes. Novo adiamento.
Em 1982, a Ponte Maria Pia é declarada Monumento Nacional.
Em 1983, aberto novo concurso internacional, vai ter financiamento do Banco Europeu de Investimentos.
Em Maio de 1991, terminaria a construção da Ponte S. João, em projecto do Eng.º Edgar Cardoso.
A Ponte Maria Pia, é abandonada e, assim se encontra, decorridos que são já trinta e quatro anos.
 



Cronologia de algumas intervenções importantes nos caminhos-de-ferro
 
 
 
Cronologia inserida em editorial - In jornal “O Comércio do Porto” de 4 de Novembro de 1877
 
 
 


Fonte: “pt.wikipedia.org/wiki/”

 
 


 
 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

(Conclusão)



Em meados do século XIX, seria inaugurado o serviço ferroviário na ligação entre as duas principais cidades do reino, de que narram os textos seguintes:



“Em 1845 o governo de Costa Cabral criou uma companhia com a finalidade de fazer uma linha férrea entre Lisboa e Porto. Mas só em 1852 Fontes Pereira de Melo deitou mão firmes para essa realização, criando a Companhia Central Peninsular de Caminhos de Ferro. Em 1856 a linha chegou ao Carregado. Na ida este primeiro comboio real, que transportava D. Pedro V, demorou 40 minutos a fazer a viagem, mas na volta a máquina avariou e demorou 2 horas! Pelos vistos as máquinas compradas eram já muito usadas e velhas. 
O chiste que correu foi que o opíparo banquete servido no Carregado tinha sido tão pesado que as máquinas não aguentaram. 
Daí até Gaia, 7/7/1864, houve grandíssimas dificuldades técnicas, mas sobretudo financeiras, chegando-se ao ponto de a companhia ter aberto falência. 
Foi criada a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses que terminou o percurso.
Os bilhetes entre Lisboa e Devesas custavam de 6$000, 4$670 e 3$330 reis da primeira à terceira classe.
Os passageiros que alugassem um trem entre a Praça D. Pedro e Devesas pagavam 200 reis, e da Ribeira somente 120 reis.
A viagem demorava 14 horas o que foi uma grande redução em relação à anterior Mala-Posta que levava 34. Saía de Lisboa à 8h e chegava ao Porto às 22.
O comboio parava em Coimbra, às 16 horas, o tempo suficiente para se almoçar e bem, segundo a opinião de clientes.
Só em 1886 foi criado o primeiro expresso que demorava 8 horas!”
Fonte : portoarc.blogspot




O caminho-de-ferro era inaugurado em Portugal em 1856, entre Lisboa e o Carregado, mas só em 1864 ficaria concluída a Linha do Norte.
De Santa Apolónia até Gaia, demorava-se na altura 14 horas de viagem. Um autêntico feito, comparado com os vários dias que demorava a antiga mala posta. O caminho-de-ferro acabava na margem esquerda do Douro e só 13 anos depois se vencia o "temível fosso daquele rio" com a construção da Ponte de D. Maria, que permitia, enfim, ao comboio chegar ao centro da Invicta.
Até lá, as primeiras composições partiam de Lisboa às 9h15 e chegavam a Gaia às 23h20. Em sentido contrário, saía-se da estação das Devesas às 5h00 da manhã e descia-se em Santa Apolónia às sete da tarde. Um dia de viagem, sim, mas com paragens para se tomar as refeições no Entroncamento e na Pampilhosa.
Em 1899, a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses inaugura os "rápidos" entre Lisboa e Porto que passam a fazer os cerca de 300 quilómetros entre as duas cidades em apenas sete horas. Uma nova melhoria do serviço ocorre em 1911, com a compra de locomotivas alemãs, capazes de circular a 120 km/hora e que reduzem o percurso para cinco horas e meia”.
In Público de 2/9/2006; Fonte: “portoarc.blogspot”



O percurso da Linha do Norte, a partir de V. N. de Gaia, foi construído de Norte para Sul, tendo a linha atingido Estarreja em 8 de Junho de 1863. Entretanto, decorriam os trabalhos iniciados em Lisboa no sentido de Sul para Norte.
A ligação de V. N. de Gaia até Lisboa foi concluída cerca de um ano depois, em 1864.



Estação da Granja – Fonte: “restosdecoleccao.blogspot”



“Até à construção da Ponte Maria Pia, durante 13 anos, os passageiros e mercadorias saíam na Estação de Gaia, Devesas, seguindo para o Porto por diversas formas. Os mais pobres vinham a pé e os que podiam alugavam um trem ou tinham o seu próprio veículo esperando. Atravessavam a Ponte D. Maria II, pênsil. Porém, algumas pessoas preferiam atravessar o rio de barco por razões várias, entre elas o custo”.
Fonte: portoarc.blogspot



A partir da inauguração, em 1877, da Ponte Maria Pia a linha férrea com origem em Lisboa passou a ter como destino final a Estação de Pinheiro de Campanhã que, entretanto, já funcionava desde há dois anos antes como local de partida para as linhas do Minho e do Douro.
O edifício da Estação de Campanhã começou por ter um projecto privado, aprovado em 5 de Fevereiro de 1873, mas devido a muitas dificuldades entretanto surgidas, que tinham que ver, principalmente, com a decisão final do atravessamento do rio Douro, em Maio de 1874, o Estado teve que tomar conta das obras da estação, sob a direcção do director da linha do Minho.


“(...) A evolução dos transportes e vias de comunicação terrestres sofreu uma significativa evolução durante o início do séc. XIX com o aparecimento dos caminhos-de-ferro, em Inglaterra. 
Em Portugal, o primeiro troço ferroviário foi inaugurado no ano de 1856, ligando Lisboa e o Carregado e tornava-se importante continuar a via-férrea até à cidade do Porto. Para isso o Porto precisava de uma estação ferroviária. Após algumas opções falhadas, optou-se por construir a estação em Campanhã, entre a zona de Godim e da Quinta do Pinheiro. Devido à sua localização a estação ferroviária ficou conhecida como Estação do Pinheiro e o primeiro comboio que circulou a norte do Douro português partiu daí em direcção a Braga a 20 de maio de 1875. Dois anos mais tarde seria inaugurada a Ponte Maria Pia, permitindo assim a ligação por via-férrea entre o Porto e o centro e sul do país. Revestida de grande importância para a cidade e também para o seu comércio e indústrias, a Estação do Pinheiro viu essa importância diminuir devido ao seu afastamento do centro da cidade, que “obrigou” à construção da Estação Central de São Bento. Ainda assim, na entrada do séc. XX e agora já conhecida por Estação de Campanhã, acompanhou a evolução tecnológica e industrial, foi-se mantendo uma estação moderna, com ligação internacional a Espanha e foi ponto de chegada, partida, ou passagem de figuras importantes da História nacional. Além disto, também foi local de armazenagem e controlo de produtos e mercadorias, local de fabrico e arranjo de material circulante com as suas oficinas e os seus ferroviários deram mesmo origem em 1930 a um grupo desportivo. Mais tarde, na década de 1960 a electrificação da linha permitiu que comboios mais eficazes e menos poluentes pudessem circular pela estação. De Campanhã havia ligação de comboio às Linhas do Minho, Douro, ligação a Leixões, ligações de longo curso para o centro e sul, ligações concelhias a São Bento e à Alfândega e ligações à Galiza. 
Na entrada para o séc. XXI a Estação de Campanhã, integrou a rede do Metro do Porto recebendo uma estação metropolitana e permitindo, entre outros, a ligação ao aeroporto. Ao longo dos seus 140 anos de história esta Estação soube resistir ao tempo e a uma localização “afastada”, dinamizou uma região, viu a sua importância crescer e serviu a cidade e o país, sempre acompanhando a evolução a diversos níveis. Foi e é um importante ponto de ligação entre locais e pessoas e é actualmente a mais importante estação ferroviária do Norte de Portugal”. 
In Arquivo Municipal do Porto; Fonte: “portoarc.blogspot”



Estação de Campanhã em 1896 – Desenho de R. Christino – Fonte: portoarc.blogspot 



Gare da Estação de Campanhã em 1900 - Fonte AHMP



Caixa de correio



No dia 15/9/1897 inaugurou-se o primeiro serviço de venda de selos e de recepção da última hora, na gare da Estação de Campanhã. 
A correspondência para o norte, desde que fosse colocada nos receptáculos para o fim colocados na gare, até 5 minutos antes da partida dos comboios, seguiria no mesmo dia para os seus destinos.

 


Estação de Campanhã em 1900 – Ed. Arnaldo Soares



Restaurante da Estação Ferroviária de Campanhã



Ao fundo, a Estação Ferroviária de Campanhã, na primeira metade do século XX


Estação de Campanhã na actualidade – Fonte: portoarc.blogspot



Outras ligações entre o Porto e outros destinos foram-se instalando como, por exemplo, a linha do Minho até Valença e a linha do Douro até Barca d'Alva, começadas em 1875, quando foi inaugurada a Estação do Pinheiro de Campanhã.
Entretanto, a Estação das Devesas, em V. N. de Gaia, já tinha sido inaugurada em 8 de Junho de 1863, embora o comboio, proveniente de Lisboa, só ali chegasse em 1864.



In "Jornal do Porto" de 9 de Junho de 1863