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terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

25.226 O Jardim do Passeio Alegre, a Foz do Douro e os escritores e poetas

 
Muitos foram os escritores que tiveram a Foz como motivo ou referência, que lá nasceram, viveram, a frequentaram ou morreram.
Ramalho Ortigão foi um dos que descreveram a Foz do Douro como a viveu, e nos transmitiu essas mesmas vivências nos seus escritos.
Nascido no Porto, a 24 de Outubro de 1836, na freguesia de Santo Ildefonso, na Casa de Germalde (à Lapa),  onde foi criado pela avó, matriculou-se com a idade de catorze anos no curso de Direito da Universidade de Coimbra, que não chegou a terminar e, na sequência, começaria a leccionar francês no colégio dirigido por seu pai, o Colégio da Lapa.
Os textos seguintes de Ramalho Ortigão escritos em 1876, mas que reportavam à sua infância c. 1845, apontavam para algumas particularidades da Foz do Douro no que respeitava à hospedagem e, ainda, ao modo como os tempos de ócio eram passados.
Há quem diga que o escritor Ramalho Ortigão terá vivido na Foz do Douro, mas não existe qualquer prova do local exacto.
Aponta-se para uma casa em Carreiros, à data, ainda em território de Bouças, frente ao paredão do quebra-mar, um pequeno porto de abrigo das lanchas de pesca em dias de mau tempo. 


 

Primeiro troço do Molhe de Carreiros acabado de construir em 1869
 
 
 
 

Hospedarias na Foz do Douro c. 1845 – Fonte: Ramalho Ortigão, In “As praias de Portugal: guia do banhista e do viajante”-1876



 

Descrição de tempos de ócio passados na Foz do Douro c. 1845 – Fonte: Ramalho Ortigão, In “As praias de Portugal: guia do banhista e do viajante” – 1876

 
 
Lancemos agora um olhar para o carneiro que encima o “Chalet e que o seu fundador, o Senhor António dos Santos Carneiro, quis que ficasse bem à vista, quando o construiu em 1873.
”Chalet do Carneiro” chamou-se ele muitos anos, até que em 1906, o vendeu ao inglês Charles Frederick Chambers, vendendo este, por sua vez, após 1910, ao suíço Jácome Rasker, crismando-se definitivamente com o nome por que o conhecemos vai para mais de cem anos.
Pois o “Chalet”, ficará ligado a muitos escritores e poetas que o frequentaram e foi ao longo dos anos um centro de tertúlia e de referência desde Camilo Castelo Branco a Eça de Queirós, a Ramalho Ortigão, Arnaldo e Augusto Gama, Júlio Lourenço Pinto, Diogo de Macedo, Delfim Maia e Alberto Pimentel, Raul Brandão, Guerra Junqueiro e Araújo Correia, até aos contemporâneos Eugénio de Andrade, António Rebordão Navarro e Vasco Graça Moura, entre muitos outros escritores, jornalistas e artistas.
Bem perto do “Chalet” está o Hotel da Boa Vista e o Forte de S. João.
Pelo hotel descobriu Camilo, a querer passar por despercebida, uma D. Aldonça, que iria consolar-se com uns bifes de cebolada (“No Bom Jesus do Monte”,1864) e com uns amores um pouco fugidios…Eça de Queirós também por lá andou, e Ramalho, e outros frequentadores que abancavam no “Chalet Suiço”.
Já no que concerne ao forte, por exemplo, diz Camilo num arrebatamento lírico que nos leva até à história do Castelo de S. João da Foz, no seu “Mosaico de Curiosidades…”(1885):
“Nas salas da pacífica fortaleza da cidade do Porto, há catorze anos que fugiam as noites e alvoreciam as manhãs, esmaiando, sem poder quebrantar, a formosura das graciosas damas que dispartiam à volta delas o excedente da sua felicidade”.
Mas não foi só Camilo que se arrebatou naquelas muralhas. Já quase no nosso tempo, Florbela Espanca (1894-1930) também por ali andou. Casada, primeiro, com um Oficial da guarnição e depois, com o médico militar também ali prestando serviço, nos meses em que lá viveu, escreveu vários poemas que se assinalam na sua Obra (”Perdi meus fantásticos castelos/como névoa distante que se esfuma”, e por aí adiante…).
Por toda a Foz velha as memórias dessa gente, ligada à literatura, estão bem presentes.
Na Rua das Motas, quase em frente ao histórico Orfeão da Foz, encontramos o que foi um dos hotéis mais emblemáticos da Foz “literária”: o Hotel, depois Pensão Mary Castro, hoje uma residência particular.
Aqui não só se hospedou Camilo, mas, também, Eça, Ramalho, Guerra Junqueiro, Alberto Pimentel e mais uns quantos escritores de nomeada, que, ora ficavam aqui ou no Hotel da Boa Vista.
Bem perto, na Rua Padre Luís Cabral, no nº 901, que antes foi chamada de Rua Central, está a casa onde nasceu o Padre Luís Cabral que, exilado no Brasil, foi professor do escritor Jorge Amado.
Padre jesuíta, professor e orador, o Padre Luís Cabral nasceu a 1 de Outubro de 1866, na Foz do Douro.  


 

Casa onde nasceu o Padre Luís Cabral

 
 
A casa da foto acima está situada na Rua Padre Luís Cabral nº 901.
 
“Educado por jesuítas desde 1882, Luís Gonzaga Cabral frequentou o Noviciado do Barro, em Torres Vedras, estudou no Colégio de S. Francisco de Setúbal, cursou Filosofia, em Uclés (Espanha), e Teologia, em Vals (França). Foi ordenado sacerdote em 1897 e, um ano depois, passou a lecionar no Colégio Lisboeta de Campolide do qual foi reitor, entre 1903 e 1908. Em 1908, foi designado Provincial da Companhia de Jesus, em Portugal, cargo que ocupou até 1912. De 1912 a 1916, foi professor de Literatura e Oratória dos estudantes exilados na Bélgica, partindo para o Brasil, em 1917. Aí leccionou Filosofia, Apologética, Língua e Literatura Portuguesa e Latina no Colégio António Vieira, na Baía, tornando-se diretor dessa instituição entre 1930 e 1933”.
Fonte: Infopédia
 
 
No nº 28 da Rua Alegre fica a casa que foi de Arnaldo Gama, autor do “Sargento-Mor de Vilar” e onde Camilo se hospedou variadíssimas vezes.


 

Casa de Arnaldo Gama completamente descaracterizada - Ed. MAC
 
 
 
 
Na Rua Raúl Brandão, nº 62, encontra-se a casa que tem sido referida como aquela em que nasceu, viveu e escreveu parte da sua obra o escritor Raúl Brandão (1867 – 1930).
Por isso, na sua fachada, está colocada uma placa alusiva a esse facto.
Todavia, no seu livro “Cantareira, 61”, o investigador Joaquim Pinto da Silva refere que, após o estudo de alguma correspondência do escritor, nomeadamente a trocada com Teixeira de Pascoaes, é especificado nela, como endereço, o de Cantareira, 61, que corresponderá, hoje, à Rua do Passeio Alegre, 254.
A casa terá sido, mesmo, propriedade de Raúl Brandão e, antes, de seu pai, José Germano Brandão.
Este, em 1883, requeria à Câmara do Porto uma licença de obra (nº 797/1883), para alteração de umas escadas (que serviriam também um prédio vizinho em Cantareira, nº 65, propriedade da sua sogra – Margarida Ferreira de Almeida).
Sabe-se que, a certidão de nascimento de Raúl Brandão refere-o como nascido na Rua da Bela Vista (actual Rua Raúl Brandão), morada que poderá ser a residência de uma sua tia, irmã de sua mãe.
Admite-se, assim, que a mãe de Raul Brandão, Laurinda Ferreira de Almeida, tenha ido ter o filho à casa da irmã, talvez por esta ter melhores condições, embora já então morasse na Cantareira.
Portanto, Raúl Brandão poderá até ter nascido por aí, no entanto, nunca será o local onde escreveu e viveu. A descrição que fez em algumas das suas obras, desse local, dizem, de facto, respeito à morada, Cantareira, 61, mormente as que visavam o chafariz da Cantareira (ainda existente) e algumas rotinas diárias dos pescadores.
Em 1909, Raul Brandão e a mulher tornaram-se mesmo proprietários desta casa da Cantareira, arrematando uma hipoteca feita por Germano Brandão, seu pai.
 
 
 

A casa que foi de Raúl Brandão e de seu pai, a meio da foto, na Rua do Passeio Alegre, nº 254 – Fonte: Google maps



 

Placa memorial colocada junto da casa da foto acima
 
 
 

Cantareira em 1891. A casa onde viveu Raúl Brandão fica bem à direita da foto – Ed. “O Progresso da Foz”; Fonte: AHMP




Casa que, até há pouco tempo, foi identificada como aquela onde nasceu e viveu Raúl Brandão - Ed. MAC
 
 
 
Muito perto do chafariz do Jardim do Passeio Alegre, virado para o rio, fica o monumento (na foto abaixo) a Raúl Brandão (1867-1930), da autoria do arquitecto Rogério Azevedo, com esculturas de Henrique Moreira, inaugurado em 12 de Março de 1967, para comemorar o centenário do seu nascimento.



 

Monumento a Raúl Brandão – Ed. MAC


 
À entrada do paredão do farol de Felgueiras, pode ver-se uma escultura de José Rodrigues em homenagem ao escritor Ferreira de Castro.


 

Homenagem a Ferreira de Castro - Ed. J. Portojo

 
 
Na Rua do Passeio Alegre no nº 544 viveu e trabalhou António Rebordão Navarro que viria a falecer em 22 de Abril de 2015.
A casa foi doada à sociedade Portuguesa de autores pelo escritor que foi autor de uma vasta obra literária, da qual se destacam: "Romagem a Creta" (1964) finalista do Concurso Literário Internacional Ateneo Arenyense; "Barcelona, Um Infinito Silêncio", Europa-América (Prémio Alves Redol, 1970); "O Parque dos Lagartos", Bertrand (1981); "Mesopotâmia", Difel, 1985, (Prémio Internacional Miguel Torga 1984); "A Praça de Liège", Bertrand, (Prémio Círculo de Leitores, 1988).
 
 
 

Casa típica de veraneio - Ed. MAC


 
A casa central da foto acima pertenceu, antes de 1930, às famílias Magalhães Forbes e Tameirão Navarro.
É agora propriedade da cooperativa Sociedade Portuguesa de Autores a quem foi doada em 2010, tendo esta entidade criado um prémio literário com o nome do escritor António Rebordão Navarro (1933-2015), que nela habitou.
Na foto abaixo observa-se a casa que foi sede da Fundação Eugénio de Andrade, na esquina da Rua do Passeio Alegre com a Calçada de Serrúbia, aberta em 1995 e extinta em 2011, onde o poeta habitou os últimos anos da sua vida.

 
 

Aqui, esteve a Fundação Eugénio de Andrade
 
 
 
Em Fevereiro de 2020, a casa onde habitou Eugénio de Andrade foi cedida à União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde.
O espólio presente na casa já tinha sido transferido, antes, para a sala Eugénio Andrade, na Biblioteca São Lázaro.
Em 2022, aquele espólio foi novamente transferido para a “Casa dos Livros”, inaugurada no Palacete Burmester, à Rua do Campo Alegre, em 1 de Abril de 2022.
A cedência gratuita da chamada "Casa de Serrúbia" já tinha sido feita pela autarquia portuense em 1997.
A ideia era que aí pudesse ser instalada a Fundação Eugénio de Andrade, o que aconteceu.
No entanto, seis anos depois da morte do poeta, em Setembro de 2011, a fundação foi extinta e o espaço deixou de ter utilização pública.
Finalmente, desde Setembro de 2025, na casa onde viveu Eugénio de Andrade, foi inaugurada uma biblioteca dedicada à poesia - A Biblioteca Poética Eugénio de Andrade - reunindo mais de 4500 títulos.
 
 
 

Placa evocativa da memória de Eugénio de Andrade, à sombra da oliveira


 

Placa evocativa da memória de Eugénio de Andrade
 
 
 
 
 

Casa de Antero de Figueiredo - Fonte: Google Maps


 
Na Rua de Diu, no nº 159, acima na foto, viveu e escreveu Antero de Figueiredo, consagrado com um busto no largo, à beira do Mercado da Foz, do escultor Henrique Moreira.


 

Busto de Antero de Figueiredo

 
 
Na Rua de Gondarém, no nº 500, está a casa onde viveu e morreu o que poderá considerar-se um dos maiores investigadores da História do Porto, Artur de Magalhães Basto.


 
A casa onde viveu e morreu Artur Magalhães Basto

 
 

Casa de João Pina de Morais - Ed. Francisco Mesquita Guimarães


 
Na Avenida do Brasil, nº 250, viveu João Pina de Morais nascido em Valdigem, Lamego.

 
 

Casa onde morreu António Nobre - Ed. Francisco Mesquita Guimarães


 
Na foto acima, na Avenida do Brasil, nº 531, viveu e morreu António Nobre.


 

Casa onde nasceu António Nobre - Ed. Dias dos Reis

 
Na foto acima, está a casa onde nasceu António Nobre, no nº 469, da Rua de Santa Catarina.


 

Da casa onde morreu António Nobre, já nada resta (2019) – Ed. MAC
 
 
Desaparecida a casa onde faleceu António Nobre, a cidade parecia querer apagar as memórias do poeta com o desaparecimento, também, do busto que estava, há anos, no Jardim da Cordoaria.

 
 

Pedestal do busto de António Nobre no Jardim da Cordoaria – Ed. Graça Correia
 
 
 
A inauguração do monumento a António Nobre, no Jardim da Cordoaria, em mármore róseo, da autoria do arquitecto Correia da Silva, ocorreria em 26 de Março de 1927.

 
 

Em 2019, uma miniatura do busto do poeta, voltaria ao pedestal - Ed. Graça Correia

 
 
António Nobre
 
 
António Pereira Nobre nasceu a 17 de Agosto de 1867, no Porto, sendo filho de José Pereira Nobre, da Lixa, e de Ana de Sousa, natural do Seixo, freguesia de São Mamede de Recezinhos, Penafiel.
Nascido, portanto, no Porto, na Rua Santa Catarina, numa manhã de Agosto de 1867, foi registado na Igreja de Santo Ildefonso com o nome de António Pereira Nobre.
Em 1888, matriculou-se na Universidade de Coimbra, mas reprovou por duas vezes e abandonou o curso.
No ano seguinte parte para Paris, onde durante os cinco anos seguintes tira a licenciatura em Ciências Políticas e conhece Eça de Queiroz.
Vítima da tuberculose, tenta a cura em sanatórios da Suiça e Nova Yorque e na calmaria de seixo, em Penafiel.
Viria a morrer em 18 de Março de 1900, na Foz do Douro, onde vivia e com, apenas, 33 anos de idade.
 
 
“A infância e a adolescência de António Nobre foram passadas entre Leça da Palmeira, onde o pai, antigo emigrado no Brasil, possuía uma quinta e a Foz do Douro. A praia de Leça era, nessa altura, frequentada pela fina-flor da colónia inglesa radicada no Porto. Foi aqui que, muito provavelmente, conheceu os seus primeiros amores e viveu os seus romances, mas enamorou-se por Leça e, por isso, presta-lhe homenagem na sua obra.
(…) Hoje, Leça da Palmeira presta-lhe homenagem através do conjunto escultórico situado na zona envolvente do Farol da Boa Nova. As esculturas, representando o poeta e as suas musas inspiradoras, são de 1974, da autoria do escultor Barata Feyo.
Fonte: “leca-palmeira.com/”
 
 
Com vinte anos, um ano antes de partir para Coimbra, António Nobre estava profundamente apaixonado e escreve um poema de amor dedicado a Ana Maria Antónia Holstein que, em 1889, casaria com Joaquim Augusto de Pinho Mendonça.
A visada era filha da fundadora do Colégio Luso-Italiano, da Rua do Bonjardim, Rachel de Sousa Holstein.

 
 
Poema de amor de António Nobre



 
Casa de António Nobre, em Leça da Palmeira, na antiga Rua do Sinal – Fonte: Google maps
 
 
 
Segundo Guilherme Felgueiras na sua “Monografia de Matosinhos”, 1958, pág. 488-489, a 22 de Junho de 1932, a Câmara de Matosinhos resolve dar o nome de Rua de António Nobre à antiga Rua do Sinal, em Leça da Palmeira.



 

Placa de mármore com parte de um soneto de António Nobre, na Boa-Nova – Ed. JPortojo

 
 
Transcrição da placa
 
Na praia lá da Boa Nova, um dia,
Edifiquei (foi esse o grande mal)
Alto Castelo, o que é a fantasia,
Todo de lápis-lazulli e coral!


 

Estátua de António Nobre junto ao farol de Leça da Palmeira, em S. Clemente das Penhas – Fonte: “leca-palmeira.com/”

 
 
Entretanto, as largas temporadas que passou no Seixo, terra de sua mãe, estão referenciadas na sua poesia, como por exemplo na sua obra “Só”, onde vários poemas como “António”, “Certa Velhinha” falam dessas vivências, bem como posteriormente as passagens relativas à estalagem de Casais das senhoras Andrades (actualmente conhecida por residencial Bolinhos de Amor), em que costumava passar muito do seu tempo.
Aliás, esta demanda, prendia-se com a sua doença, a tuberculose, da qual viria a falecer a 18 de Março de 1900, na Foz, deixando um precioso espólio literário.
Em Casais Novos escreveu os seguintes poemas publicados nos “Primeiros Versos”: “O Amor”, “Inglesinha”, “Inglesa”, “Quando eu Morrer”, “As Algas”, “Quando chegar a Hora”.

 
 

Estalagem de Casais Novos em S. Martinho de Recesinhos

 
 

Casa no Seixo

 
 
O poeta era irmão do zoólogo Augusto Nobre que deu o nome ao chamado Aquário da Foz e que tinha casa na Avenida Brasil onde o poeta viria a morrer.
Sobre a abertura do Aquário Augusto Nobre é a notícia que se segue.

 
“Vai dentro de alguns dias, ser franqueada ao público a Estação Marítima de Zoologia e Aquário da Foz, anexo da Faculdade de Sciencias do Porto, o qual faz parte do Instituto de Zoologia da Universidade do Porto, criado por decreto de 30 de Março de 1921. (…) Este estabelecimento scientifico honra a Sciencia do nosso tempo e a Universidade a que pertence. Nelle encontrarão os professores e os alumnos, os estudiosos e investigadores e até os simples amigos e curiosos das coisas da natureza, excellentes installações e material abundante para diversíssimos trabalhos”.
In Jornal  “O Comércio do Porto”, 28 de Julho de 1927

 
 

Vista geral do Aquário da Foz, em 1927

sábado, 15 de julho de 2017

(Continuação 5) - Actualização em 09/07/2018 e 17/02/2021



Este palacete situado na Rua das Flores, quase fronteiro à igreja da Misericórdia remonta ao século XVI.



“Nos finais do século XVII (1699), é adquirido pelo desembargador Jerónimo da Cunha Pimentel. 
A pedra de armas do cunhal foi mandada colocar no ângulo da casa no século XVIII, por Luís da Cunha Pimentel”.
Fonte: José Ferrão Afonso In “A Rua das Flores no século XVI - Elementos para a história urbana do Porto quinhentista”


 

Palacete dos Cunhas Pimentel



Na foto acima observa-se o brasão no cunhal do palacete, e à esquerda a Igreja da Misericórdia.



Casa dos Sousa da Silva Alcoforados

 
Na esquina das ruas do Ferraz e das Flores, oposta àquela onde se encontra a Casa da Companhia, está implantada a Casa dos Sousa e Silva, uma construção do século XVII.
Nesse local, nºs 77 a 87, erguem-se as casas que foram de D. Ana de Meneses, viúva de Francisco de Sousa e Silva, das quais foi herdeiro o filho do casal, Francisco de Sousa da Silva, mestre-escola de Barcelos, casado em 1676, com Madalena de Sá.
A Casa dos Sousa e Silva,  no século XVI, tinha já pertencido a Gaspar Ferraz, cavaleiro fidalgo da casa do duque de Bragança e provedor da Misericórdia e a seu filho Afonso Ferraz, chantre da Sé do Porto.
A eles se deve a designação de Rua do Ferraz.
A Casa dos Sousas e Silvas foi recentemente (2020) intervencionada, dando origem a treze habitações.


 
 
Casa dos Sousa da Silva, à esquerda da foto



Casa dos Sousa da Silva



Casa dos Sousa e Silva, em 1958, quando o seu rés-do-chão estava ocupado com a "Caza do Chá", de José Monteiro Guimarães & C.ª, cuja abertura aconteceu em 1 de Janeiro de 1820 - Ed. Teófilo Rego


 
 
A fachada de entrada do que foi a capela – Ed. MAC

 
 
Na foto acima, pode apreciar-se a entrada do que foi a capela do palacete dos Sousa da Silva, situada nas suas traseiras e virada para a Rua do Ferraz, que liga a Rua da Vitória à Rua das Flores.
Aliás, na verdade, a capela era o que restava da residência dos Ferraz, que deram nome à rua e que aí se encontrava.
A capela com porta para a rua, como era costume nesses casos, abria-se ao culto pela população que assistia à celebração das missas. 
 


 
Jerónimo Brandão da Silva, senhor de Vale da Cunha, que militou no Alentejo nas Guerras da Restauração, deve ter sido quem mandou edificar esta casa.
 
 
A Casa Brandão da Silva, que faz esquina com a Rua da Ponte Nova, pertencia na segunda metade do século XVII a Jerónimo Brandão da Silva, casado com D. Petronilha Maria de Andrade Lemos Sotomaior, sendo herdada mais tarde pelo seu neto, Martim Afonso de Melo Brandão Correia (1711-1776), filho e sucessor de José Correia de Melo e de D. Micaela Margarida Brandão de Sotomaior. O único documento que temos sobre a construção desta casa é de 21 de Julho de 1741, altura em que Martim Afonso de Melo contratou os mestres pedreiros António da Costa, Bernardo Borges, António Fernandes, Manuel Martins e Simão Lopes, para lhe fazerem a obra de pedraria na sua casa do lado da Rua da Ponte Nova, «na forma do risco e planta». Mais uma vez o contrato não revela o nome do autor das plantas. Esta obra pro­vavelmente está relacionada com a construção, de toda ou parte, da extensa fachada virada para a Rua da Ponte Nova, onde se abrem, nos dois pisos, catorze janelas de peitoril. O frontispício virado para a Rua das Flores apresenta, no andar nobre, seis janelas de sacada (numa descrição da casa, em 1746, refe­rem-se cinco), rematadas, em alternância, por frontões curvos e triangulares. Este esquema arquitectó­nico poderia datar-se entre o último quartel do século XVII e a primeira metade de Setecentos, ainda que, sem documentação, a datação precisa seja difícil. No rés-do-chão, onde existiam cinco portadas, uma pequena portada lateral é rematada por um frontão cujo modelo o insere numa linguagem mais lúdica, própria do barroco portuense”.
Fonte: Joaquim Jaime B. Ferreira Alves, In “A Casa Nobre do Porto na Época Moderna” ed. INAPA 2001

 
 
Casa dos Brandão e Silva, antes de ser intervencionada



Casa dos Brandão e Silva, após sofrer obras de restauro, passando a ser a "Pousada Porto - Grupo Pestana"



Na esquina oposta, formada pelas ruas das Flores e da Ponte Nova, viveu o licenciado António Figueiredo da Silva e junto o fidalgo da Prelada, D. Garcia de Noronha, casado com Mariana Francisca de Barros.
 


Prédio onde viveu o fidalgo da Casa da Prelada, na esquina das ruas das Flores e Ponte Nova, no início do século XVIII
 
 



Casa da Companhia (Casa Figueiroa Pinto) / Companhia da Agricultura das Vinhas do Alto Douro



Esta casa, que fica situada na Rua das Flores nº 69, onde funcionou a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, criada pelo Marquês do Pombal, está a ser preparada (2021) para se tornar num hotel.
Aberta a Rua de Santa Catarina das Flores em 1521, em 16 de Fevereiro de 1523, uma parte da área que compõe a Casa da Companhia foi emprazada através de escritura a Brás Brandão e, dez anos depois, uma outra parte foi emprazada a Isabel Luís, viúva de Álvaro Rodrigues, mercador da cidade.
Em 1542, ainda eram proprietários dos terrenos o dito Brás Brandão e Catarina Luís, provavelmente filha de Isabel Luís e, a 14 de Novembro de 1576, Fernão Brandão e sua mulher Faustina de Almeida, filho e nora de Brás Brandão, vendem pelo preço de cento e quarenta reis dois chãos ao fidalgo da Casa Real e procurador da cidade do Porto, Francisco Neto de Figueiroa, também conhecido por ter emprestado desinteressadamente 500 cruzados ao Senado da Câmara do Porto, para que esta socorresse Lisboa, que tinha sido atingida por uma peste.
Em 7 de Novembro de 1579, aquele fidalgo comprou outro chão e prazo, já com casa, a Froyollas de Saa e mulher Margarida Ferreira, que os herdou da sua primeira mulher, Maria Ribeira, a quem foram doados por Catarina Luís.
Francisco Neto de Figueiroa morre em 1604, passando a casa para o seu filho mais velho, João de Figueiroa Pinto.
Durante os 100 anos seguintes, a casa passa de mão em mão, sempre dentro da mesma família e, em meados do século XVIII, está na posse de um outro João Figueiroa Pinto, filho também de João Figueiroa Pinto e de Maria Carneiro de Barros.
É o neto deste casal, Manuel Figueiroa Pinto (1721 – 1775) que nela tinha nascido, que irá herdar a casa da Rua das Flores passando, mais tarde, a residir na sua Quinta de Santo Ovídio, hoje, Praça da República.
Por sua morte e dado, como parece, não ter tido descendência, passou para a posse de um seu afilhado, Manuel Pamplona Carneiro Rangel Veloso Barreto Miranda de Figueiroa, da família dos Pamplona, que viria a ser o 1º visconde de Beire, dos quais descendem os condes de Resende.
Aquele Manuel Pamplona vendeu por 23 contos de réis, em 1 de Dezembro de 1809, à Companhia Velha a casa que, no entanto, já lhes estava arrendada, desde Maio de 1761, por Manuel Figueiroa Pinto.
Até ao fim do século XIX, as instalações da Casa da Companhia tinham uma força militar, composta por um cabo e três soldados, que montava guarda ao edifício de dia e de noite.
Antes, a Companhia Geral de Agricultura das Vinhas do Alto Douro teve o seu escritório ou casa do despacho, como era uso dizer-se, na Rua Nova (hoje, do Infante D. Henrique).



Casa da Companhia



Casa da Companhia




Casa da Companhia em desenho de J. Villanova em 1833




A fachada de entrada do que foi a capela da casa dos Figueiroa – Ed. MAC



Na foto acima pode apreciar-se a entrada do que foi a capela do palacete dos Figueiroa Pinto, situada nas traseiras deste e virada para a Rua do Ferraz. Esta capela é fronteira à capela do palacete dos Brandão e Silva do outro lado da Rua do Ferraz.
Em 1989, por deferência da Real Companhia Velha, a Casa da Companhia já estava ocupada, gratuitamente, pela ANJE (Associação Nacional dos Jovens empresários) formada em 1986 e que teve como primeira instalação uma sala cedida pela Associação Comercial do Porto.
Por lá se manteria até 1993, quando decidiu mudar-se para edifício próprio construído em Lordelo do Ouro.
Em 2016, seria a Fundação da Juventude a abandonar o edifício, que tinha ocupado e comprado em 1995, depois de suceder no local à ANJE, tendo-se transferido para o Palácio das Artes no Largo de S. Domingos.
Presentemente, a Casa da Companhia é um hotel tendo a sua fachada, voltada para a Rua das Flores, sido alterada a nível do piso térreo, com a transformação de portas em janelas, como se pode observar por comparação das fotos abaixo.

 

 



 

 

 





Após sofrer obras de restauro, o edifício passou a albergar o "Casa da Companhia Hotel" - Ed. Graça Correia




Casa dos Maia (ou Ferraz)


Esta casa fica na Rua das Flores nº 29, remonta ao séc. XVIII.



Casa dos Maia



Em meados do século XIX esta casa pertencia a Domingos de Oliveira Maia, o mesmo que mandou construir no Passeio Alegre o edifício, réplica de um castelo. Antes conhecida por Casa dos Ferraz, passou mais tarde para a posse dos Maia.

Esta casa pertencia em 1570 a, “Martim Ferraz, «fidalgo cavaleiro da casa real», governador de Baçaim e que casou no Porto com Catarina Rebelo, filha de Manuel Bravo e sua mulher Maria Carneiro e é o primeiro desta família a viver na Rua das Flores. Em 1733, Bartolomeu Ferraz de Almeida vinculou-a, sendo em 1746 os administradores dos legados perpétuos instituídos por Bartolomeu Ferraz de Almeida, o prefeito e irmãos da Casa de São Roque da Companhia de Jesus. No segundo quartel do século XIX estava na posse de Domingos de Oliveira Maia nome pela qual ficaria conhecida.”
Fonte: Joaquim Jaime B. Ferreira Alves In “A Casa Nobre do Porto na Época Moderna” ed. INAPA 2001


Chegado o palacete às mãos de Domingos d'Oliveira Maia, cuja família possuía a Quinta do Painço, no concelho da Maia, por sua morte, suceder-lhe-ia Maria Ludovina d'Oliveira Maia, casada com Bernardo Pereira Leitão. 
Mais tarde, o palacete passaria a pertencer a Maria Serpa, filha do visconde de Gouveia, falecida em 1952 e que vivia, habitualmente, na Quinta de Vale Abraham, em Lamego.
Após a sua morte, seu sobrinho, Manuel Serpa, passou a ser o proprietário do imóvel.


“O edifício é composto por lojas, sobrelojas e primeiro andar.
Neste último, podem ver-se oito varandas de ferro e respectivas portas, decoradas com frontões triangulares. O beiral é bastante saliente e está assente numa série de «cachorros de pedra».
Entre os dois portais e a janelas da sobreloja, decoradas com finos lavores de pedra, sobressaem dois brasões partidos, com as armas dos Bravo e Ferraz.
No interior, possui uma escadaria nobre formada por três lanços de escadas de pedra - dois laterais e um central - que dá acesso, por quatro portas abertas no último patamar, aos três salões do primeiro andar”.
Fonte: Amélia Vieira de Oliveira e Maria Helena Gil Braga AHMP, In “Porto a Património Mundial CMP 1993”



“No pátio das traseiras existe uma fonte composta por um grande golfinho de cabeça voltada para baixo que lançava água para uma taça de pedra.
Neste mesmo pátio erguia-se uma capela de planta oitavada, obra atribuída a Nicolau Nasoni; também já referidos como da autoria de Nasoni são os ornatos das janelas da fachada do edifício, com evidência para as que ostentam os dois brasões.
Tudo indica que o prédio foi reformado no século XVIII, sendo desta época a decoração da frontaria”.
Fonte: “doportoenaoso.blogspot”


Após sofrer obras de restauro, a Casa dos Maias passou a albergar o "Hotel Bay Porto" - Ed. Graça Correia









Rua das Flores nº 36



Na foto acima está a casa onde no século XVIII nasceu Jerónimo de Távora e Noronha que viria a ser Deão da Sé do Porto e um dos principais mecenas de Nicolau Nasoni.
Roque Peres Picão residia na Rua das Flores e casou com D. Leonor Freire que era irmã do deão da Sé (chefe do Cabido) D. João Freire Antão.
Desse casamento nasceu D. Micaela Antónia Freire que herdou a Quinta do Freixo, que pertencia a seu pai.
Esta senhora foi casada com D. António de Távora Noronha Leme e Cernache, tendo, desta união, nascido D. Jerónimo de Távora Noronha Leme e Cernache, que nasceu nesta casa da Rua das Flores em Novembro de 1690.



 “À semelhança da maioria das casas desta rua, que se encontram bastante alteradas em relação à sua forma original, a nº 36 caracteriza-se por ainda ter importantes partes que datam da ocasião da abertura da rua. De onde se destacam os dois pisos intermédios, que na fachada contempla as janelas emolduradas precisamente ao estilo renascentista, com os lintéis harmoniosamente salientes das ombreiras e coroados por uma cornija.
Observando-se a fachada destes dois pisos podemos obter uma fugaz perceção de como eram as casas desta rua no século XVI. Tendo para isso de nos abstrairmos das alterações que posteriormente a casa sofrera: como o acrescento do terceiro piso; a alteração do piso térreo; bem como o acrescento das varandas; e, ainda, o revestimento a azulejo.”
In: historiadoreseb23.blogspot.pt



O Deão Jerónimo de Távora e Noronha viria também a ser proprietário por herança, na Sé, da chamada Casa Nobre de Vandoma.
Deão é uma dignidade eclesiástica que identifica o presidente do cabido, isto é, dos cónegos.



Casa dos Constantinos ou Casa dos Cabrais




“A entrada principal da casa fica na Rua das Flores nº 39 e dava para um amplo portal, por onde se subia à sobreloja e desta para o andar nobre, onde se encontravam os salões. No terceiro andar, estavam os aposentos principais e a Capela com Sacristia. Também neste andar ficava, na parte de trás, a sala de jantar e o salão de festas. Por baixo era a cozinha e uma esplêndida garrafeira com abóbada de granito.
Possuía extensos jardins, estufas, mirantes, pomares e hortas.
Do lado da Rua da Vitória, ficavam as cocheiras, cavalariças e outras dependências e a propriedade tinha ainda saída para a Rua dos Caldeireiros.
O portão do lado da Rua da Vitória era encimado pela pedra de armas da família dos "Constantinos".
Fonte: Amélia Vieira de Oliveira e Maria Helena Gil Braga AHMP, In “Porto a Património Mundial CMP 1993”




A Rua da Vitória já se chamou de S. Roque da Vitória e no século XVII tinha outra denominação, Vie­la de Luís Coelho.
Sobre o topónimo Luís Coelho, sabe-se que se referiria a uma personagem que se chamava, Luís Coelho de Beça e tinha uma al­cunha pitoresca: o "Boas Noites".
Por aqui tinha lugar o culto, a S. Roque com origem na tal peste que grassou na antiga Rua da Porta do Olival, que era como se chamava a Rua das Tai­pas, antes de ter sido entaipada por ordem da Câ­mara. Na atual Rua da Vi­tória, logo à entrada para quem nela entra pela Rua das Taipas, do lado direi­to, ainda existe um pe­queno nicho (foto mais pequena) onde está uma imagem de S. Roque. E todos os anos a comuni­dade local evoca este pa­droeiro com uma festa sempre muito concorrida.
O primeiro dono que se conhece desta casa é o Dr. Inácio Ferreira que residia em Lisboa e a terá vendido a um mercador e piloto da Índia.
O primeiro Constantino a lá viver foi Constantino António Alves do Vale que a comprou por 12000$000, reconstruindo-a e dando-lhe o aspecto que tem hoje.
Constantino António Alves do Vale, um portuense, nascido em 8 de Outubro 1806, estabeleceu-se no Porto como advogado, já que era Bacharel em Leis, desenvolvendo uma frutuosa actividade empresarial. Esteve ligado à Companhia Nacional dos Tabacos de Xabregas, fez parte da direcção da Companhia Geral de Agricultura das Vinhas do Alto Douro, foi membro da Comissão Financeira da cidade do Porto, no período da guerra civil em 1846-1847 e um dos fundadores do Club Portuense.
Foi, ainda, proprietário de várias quintas: Quinta do Seixo, em Valença do Douro; Quinta do Cachão, em Vale da Figueira; Quinta de Trevões, em Serzedinho; Quinta de Fura-Montes, em Azevedo de Campanhã, actualmente, o Horto Municipal; Quinta de Real (herança de sua mulher, Maria da Conceição Ribeiro Coelho), em Braga.
Também foi proprietário de outras diversas propriedades: Casa de Sendim, em Stº Tirso, freguesia de Roriz; Quinta de Santiago de Carreira, em Paços de Ferreira, etc, etc.
Os Vales Pereiras Cabrais descendem de Constantino António Alves do Vale, que viria a falecer em 30 de Março de 1873.
Nesta casa viveu o Padre Luís Gonzaga Cabral, filho de Constantino Pereira Cabral e de Maria Emília Ribeiro Coelho, nascido a 1 de Outubro de 1866 e sendo o 10º filho, tardio de sua mãe, pois deu-o à luz com 50 anos de idade. Acabaria por nascer na casa de férias da família, na Rua Central, à Foz do Douro.
Hoje o edifício, da Rua das Flores, foi remodelado e aloja o Flores Village Hotel & SPA.
O projeto de recuperação do edifício primou por manter a traça original, com destaque para os tectos pintados por Luigi Chiari e para os estuques de alguns dos quartos e apartamentos.




À direita a Casa dos Constantino



A casa dos Constantino cuja propriedade ia da Rua das Flores à Rua da Vitória



Portão traseiro da antiga casa, na Rua da Vitória,  actualmente, a entrada para um hotel que aproveitou esta parte das instalações




As casas de Luís Fernandes Dourado
 
 
 
Os dois prédios, na Rua das Flores, ainda existentes com n.ºs de polícia 44-48 e 50-54, respectivamente, foram mandados reformar em meados da década de 1740 por Luís Fernandes Dourado para sua morada.
Luís Fernandes Dourado, nascido em 1706, em Laúndos, Póvoa de Varzim, foi familiar do Santo Ofício, acionista nas Companhias de Vinhos de Pernambuco e Paraíba, casou com mulher rica, Teresa Angélica, e foi Tesoureiro da Câmara da cidade do Porto, em 1758, lugar só ao alcance de quem tinha possibilidades de, em caso de descontrolo de contas, ter que responder com a sua fortuna.
No ano de 1740, Luís Fernandes Dourado compra, então, a António de Almeida Carvalhais as duas casas da Rua das Flores, que iam de 44 a 54, e que irão ser reformadas pelo seu novo proprietário.
Por herança, a propriedade será recebida por Bento José Dourado, nascido em 1750.
 
 
 

Cortesia do arquitecto Luís Bourbon Aguiar Branco – In revista “O Tripeiro”, 7.ª Série, Outubro de 2017
 
 
 
As duas moradas de casas começaram por ser de arquitectura similar, sendo que, a de numeração 44-48, foi alvo de um incêndio, em 1903, e a reedificação da nova, cuja proprietária era, à data, Maria Helena Dourado, apresentou uma arquitectura diferente da primitiva e da que lhe era próxima.
 


 

Cortesia do arquitecto Luís Bourbon Aguiar Branco – In revista “O Tripeiro”, 7.ª Série, Outubro de 2017
 
 
 
 
 
Em primeiro plano, os prédios da Rua das Flores, 44-54 – Fonte: Google maps