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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

(Continuação 3) - Actualização em 30/10/2017 e 18/01 e 11/07/2026

A seguir dá-se conta das fontes abastecidas pelos Mananciais de Paranhos e de Salgueiros.


Fonte da Boavista (Desaparecida)


Esta fonte só foi construída entre 1816 e 1822 e resultou, muito tempo depois, de um compromisso anteriormente assumido com o proprietário da Quinta de Santo Ovídio, na altura em que cedeu o terreno para a abertura da Rua da Boavista, em 1724.
Situava-se no lado sul da Rua da Boavista, praticamente, a pouco menos de 100 metros da Travessa da Figueirôa e, em 1908, sobre a qualidade da sua água, A. Fontes, dizia:


“Não queremos terminar estas considerações a respeito da Fonte da Bôa-Vista sem dizer que é simplesmente vergonhoso manter aberta ao publico com o distico de Agua bôa (…), uma fonte cuja agua recebe sem a menor duvida fartas inquinações de latrina; até pelos mais elementares principios de decoro é urgente substituir esta agua”.




Fonte da Rua da Boavista, junto ao poste nº 536, da Companhia Carris de Ferro do Porto – Fonte: A. Fontes, 1908, Pág. 70





Fonte de Cedofeita



Na Rua de Cedofeita, em frente à Rua da Torrinha e um pouco ao lado da antiga “Casa Granado”, construiu-se a Fonte de Cedofeita. Tal fonte foi construída em 1826 a pedido de José Ribeiro Braga, então proprietário de vastos terrenos naquela zona e por onde passava o aqueduto com águas dos mananciais de Paranhos e Salgueiros. Essa fonte acabou por ser incorporada, mantendo a sua utilização, num prédio que, desde 1855, albergou a escola «Von Hafe Schule», antecessora do actual Colégio Alemão e que em 18 de Novembro de 1901 se muda para o nº 410 da Rua da Restauração, passando a designar-se por «Deutsche Schule zu Porto».
Provavelmente pouco depois dessa data, instala-se no edifício um estabelecimento hoteleiro com o apropriado nome de Pension La Fontaine. 
Durante algumas décadas esteve em funcionamento e ainda lá estava em 1908 e, quando encerrada a pensão e feitas obras para adaptação a loja comercial, no piso inferior, o espaço da fonte foi ocupado com a dita loja.



Pensão La Fontaine


O Dr. Adriano Fontes, na sua obra – “Contribuição para a Higiene do Porto”- Pagina 29 (Porto 1908) afirma o seguinte: 

“Podemos dizer que a 4 de Julho de 1825 foi praticada vistoria, a requerimento de José Braga e outros as suas propriedades de Cedofeita e situadas na Rua da Torrinha, para ai se edificar um chafariz... Assim oferecia o citado munícipe o terreno necessário a construção da fonte, mas impondo como condição a cedência por parte da câmara de pena e meia de agua diários (945 litros)”.


Segundo o mesmo autor, a fonte teria gravado no seu cume a data de 1826. Em 1893, sofreu esta fonte um pequeno corte no seu tanque, a fim de que as pessoas que lá se dirigissem para colher água, pudessem estar abrigadas em caso de chuva.
A bica desta fonte está nos jardins dos SMAS em Barão de Nova Sintra.


Bica da Fonte de Cedofeita actualmente nos jardins dos SMAS



Foto tirada ao local da fonte a partir da Rua da Torrinha



Fonte do Largo da Maternidade ou Chafariz do Campo Pequeno



Fonte do Largo da Maternidade Júlio Diniz – antigo Campo Pequeno


Neste local existiu primeiro um chafariz construído entre os anos 1826 e 1828 no lado sul do largo na continuação da Rua do Breyner e cujo encanamento seguia por essa rua vindo da Fonte de Cedofeita.
Em 1894 foi levantado um outro no meio da praça.


Chafariz do Campo Pequeno - Ed. Dr. Adriano Fontes, In: “Contribuição para a Higiene do Porto” – 1908



Fonte do Triunfo ou Fonte do Quartel e Chafariz da Torre da Marca (Desaparecidos)


Esta fonte teria sido construída entre 1855 e 1863, na Rua dos Quartéis, mais tarde, Rua do Triunfo (hoje, Rua D. Manuel II), e terá tido como antecedente, nas suas imediações, um chafariz, chamado de Chafariz da Torre da Marca.
A Fonte do Triunfo nasceu encostada ao muro do que foi Regimento de Infantaria 6, Quartel do Batalhão de Metralhadoras 3 e, depois, CICAP (Centro de Instrução de Condutores Auto do Porto), situado em frente da Rua do Pombal.
Quando foi necessário proceder a um novo alinhamento da via, a fonte teve que ser mudada e, mais tarde, seria demolida.
O encanamento seguia até àqueles pontos de água pela Rua do Pombal.


A Fonte do Triunfo (canto superior direito) na planta de Telles Ferreira de 1892, adossada ao Quartel do Regimento Nº 6, no enfiamento da Rua do Pombal


Planta de Joaquim Costa Lima Sampaio, aprovada em sessão de Câmara em 31-12-1838, para alargamento da Rua do Pombal, em trabalhos sobre terrenos pertencentes aos herdeiros de Teresa Luísa da Silva



A planta anterior contempla, para além do alargamento da Rua do Pombal, a construção de uma nova fonte (dentro da oval), precisamente no enfiamento daquela rua e onde se encontrava em 1892.
Não é consensual a história contada sobre a origem da Fonte do Triunfo. Assim, o Dr. Adriano Fontes, referindo-se a ela, diz num relatório de Maio de 1908:



“ (…) extraordinário é ainda o que succède com o da rua do Triumpho, visto que ainda em sessão camarária de 6 de dezembro de 1855- se deliberava proceder á arrematação da obra do chafariz da Torre da Marca, conforme um desenho approvado em 29 de novembro do mesmo anno. Seria uma modificação num chafariz que existisse anteriormente? Seria a construcção de um chafariz projectado trinta annos antes? Não sabemos. O facto é que por vários officios dirigidos em 1863 pelo Commandante do Regimento de Infantaria nº 5? queixando-se da falta d'agua na fonte do quartel, se pôde concluir que esta fosse acabada entre os annos de 1855 e 1863.
Sobre mudanças averiguamos que no anno de 1875 o engenheiro militar pedira á Camará a transferência do chafariz da Torre da Marca e que o engenheiro municipal escolhera o local para onde podia ser transferido, sem que os documentos precisem esse ponto; é certo contudo que nos annos de 1900, 1901 e 1902, conforme informações do Snr. Prof. Souza Junior que morava para estes sities, a fonte se achava em frente á rua do Pombal, sendo n'este ultimo anno e por ocasião do alargamento da rua do Triumpho que ella foi deslocada para o sitio onde hoje se encontra”.


Fonte do Triunfo, em 1909, no seu derradeiro local de instalação  – Fonte: A. Fontes, 1908, Pág. 70



Como se pode observar, na notícia seguinte, gerou alguma celeuma a escolha do novo local para instalação desta fonte.


In "Jornal do Porto", em 5 de Fevereiro de 1892




Fonte da Praça de Santa Teresa e Fontanário de Santa Teresa (Desaparecidos)


Em 1823 decorrente de uma anterior resolução foi decidido uma intervenção na Praça Santa Teresa e que o chafariz aí existente, presume-se no meio daquela área, fosse substituído por um outro mais digno.
Surgiria assim, a Fonte de Santa Teresa, no local onde viriam a estar os Armazéns do Chiado. Mais tarde acabaria por receber, três enormes carrancas que para ali foram levadas da Fonte da Natividade, que esteve na Praça da Liber­dade.
Hoje, duas dessas carran­cas estão nos jardins do Palácio de Cristal.



Projecto Fonte de Santa Teresa – Fonte: “gisaweb.cm-porto.pt/”



No desenho acima pode observar-se o alçado e planta da fonte a construir junto ao muro do Convento das Carmelitas, da autoria do arquitecto da Câmara, Luís Inácio de Barros Lima, aprovada pela Junta das Obras Públicas em 1822-04-19.



“A 10 de novembro de 1796 era votada pela Junta das Obras Publicas a demolição dos arcos que se achavam na antiga Feira do pão não só por ameaçarem ruina mas ainda para tornar mais "vistoso e amplo, o local; e ao mesmo tempo resolvia-se que o chafariz, alli existente, fosse substituido por outro "mais nobre, e com um tanque que servisse de deposito de agua para incêndios. Não sabemos o que se passou nos 26 annos seguintes, mas logramos encontrar uma nota onde se diz que em sessão de 31 de janeiro de 1823, sendo chamados o architecto da cidade e o mestre das obras publicas e perguntando-se-lhes em que tempo correria a agua na nova fonte da Praça de Santa Thereza, por elles fora respondido que por todo o mez de março d'aquelle anno a cidade possuiria esse melhoramento, d'onde se conclue ter sido n'esta data ultimada a fonte de Santa Thereza, que se encontrava no ponto correspondente, mais ou menos, á entrada actual dos Armazéns do Chiado e que em 1905 foi demolida, apoz a arrematação dos terrenos do bairro das Carmelitas (1904), para ser substituida pelo Marco fontenario de Santa Thereza, primeiramente situado no angulo sul da mesma praça e mudado depois para o ponto onde hoje se encontra”.
Fonte: Dr. Adriano Fontes, In: “Contribuição para a Higiene do Porto” – 1908



Fonte da Praça de Santa Teresa ou Chafariz de Santa Teresa



A meio da foto anterior é possível observar a parte superior da Fonte da Praça Santa Teresa (antes Praça do Pão) e que é hoje a Praça Guilherme Gomes Fernandes, sendo aquela, a única imagem que existe da referida fonte. À direita está o edifício da Universidade.
A fonte de Santa Teresa, como era conhecida, foi demolida em 1905 e substituída por um elegante fontaná­rio (foto mais abaixo) que também de­sapareceu em 1915. 


Fontanário da Praça de Santa Teresa que sucedeu à fonte



Chafariz da Fábrica do Tabaco ou Fonte dos Ferros Velhos (Desaparecido)


Sobre esta fonte diz-nos J. Bahia Junior:

“No anno de 1718 o dr. Diogo dos Santos Mesquita e Manoel de Souza Porto expozeram em requerimento ao Senado a necessidade da construcção das fontes da Fabrica do Tabaco e das Oliveiras, offerecendo-se para introduzir no aqueducto geral três anneis de agua que possuiam junto á Arca, dous dos quaes seriam destinados ás fontes, e para fazer ainda á sua custa as obras de conducção e o reparamento dos canos, quando fosse preciso, pelo que receberiam as vertentes. Acceita a offerta, lavrou-se a escriptura que foi rectificada em 6 de agosto do mesmo anno ; mas não nos foi possivel averiguar a data da construcção.
Mais de um século depois, a 6 de março de 1824, cedia o municipe Antonio Cardoso de Moraes Garcez o terreno para se fazer um novo chafariz e a 7 de abril do mesmo anno era determinada a mudança do antigo, por "ser incomodo ao transito publico, para junto do muro da propriedade de Moraes Cardoso, que não pudemos apurar onde fosse. Finalmente na sessão das Obras Publicas de 30 de abril do mesmo anno manda-se fazer a planta da fonte que ha-de substituir o antigo chafariz ; com isto terminam os elementos que logramos colher”.


“Sobre o Chafariz da Fábrica do Tabaco, não chegou quase nenhuma informação até nós. O padre Simão Duarte de Oliveira refere que este chafariz distava da cidade uma légua e era um chafariz com quatro bicas.
Estava localizado no Largo dos Correios, perto da Rua da Fábrica do Tabaco, actual Rua da Fábrica. Também era conhecido como chafariz do Largo do Correio, e mais tarde, passou a ser conhecido como chafariz dos Ferros Velhos.
Segundo Adriano Fontes, estaria na Rua Rainha D. Amélia, que hoje corresponderá à zona da Rua Cândido dos Reis.
Aquele chafariz recebia água da Arca do Anjo, contendo a mistura das águas de Paranhos e de Salgueiros, mas a partir de 1892 passou a receber apenas de Paranhos.”
In Dissertação de Mestrado da UP de Diogo Emanuel Pacheco Teixeira


Fonte dos Ferros Velhos – Ed. J. Bahia Junior


Localização (dentro da elipse azul) do Chafariz da Fábrica do Tabaco em planta de Telles Ferreira de 1892



Fonte das Oliveiras (Servida pelo manancial de Salgueiros)



Fonte das Oliveiras na actualidade


A Fonte da Rua das Oliveiras foi construída em 1718, na Rua das Oliveiras, a algumas dezenas de metros da Praça Carlos Alberto. Em 1824, foi remodelada com projecto de Joaquim Costa Lima Sampaio e acrescentados a concha e o peixe. Foi mudada para o local actual, no Largo Alberto Pimentel, na confluência das Ruas dos Mártires da Liberdade e General Silveira, em 1881, após ter sido desmontada, em 1866, do local primitivo.
A partir de 15 de Setembro de 1941, a exemplo do que aconteceu com as fontes de D. Pedro V, Vilar, Ouro e Vila Parda, a Fonte da Rua das Oliveiras  apresentou-se limpa e restaurada.
A Fonte da Rua das Oliveiras era abastecida, em exclusivo, pelo manancial de Salgueiros, que servia também a Taça do Jardim da Praça de Carlos Alberto e o Marco Fontanário da Praça de Carlos Alberto, inaugurado pela Sociedade Protectora dos Animais c. 1903.




Acesso para subterrâneos do manancial, junto à Fonte das Oliveiras 


A partir de 1839, diversas fontes e chafarizes passaram a ser abastecidos por uma mistura de caudais provenientes dos mananciais de Paranhos e de Salgueiros.






Arca do Anjo nos jardins dos SMAS



Arca do Anjo, em 2026, no Parque das Águas, antigo Jardim dos SMAS - Ed. Graça Correia





Interior da Arca do Anjo 


Instalada no extinto Mercado do Anjo, foi começada a construir em 1892 e abriu ao público, em 1893 no local contiguo à Rua do Doutor Ferreira da Silva. A arca recebia a água dos mananciais de Paranhos e Salgueiros, que depois de ali misturada, ia abastecer as freguesias de Vitória, Miragaia, S. Nicolau e Sé. Foi demolida em 1949 e reconstruída nos jardins dos SMAS.
Desta arca saíam 2 ramificações: uma passava pela cadeia e abastecia as Fontes de Neptuno, Taça do jardim da Cordoaria e Taipas e do Mercado do Peixe (chafariz do Mercado do Peixe e Torneira das Sardinheiras) e a segunda descia a Rua dos Clérigos, Lóios, Caldeireiros, Rua das Flores e Souto e abastecia as Fontes de Mouzinho da Silveira, do Largo de S. Domingos, do Mercado Ferreira Borges, das Congostas e da Praça da Ribeira.
Uma outra ramificação seguia das Taipas, Fonte de Miragaia e Fonte da Rua do Comércio do Porto. 


Arca do Anjo com o edifício da Universidade atrás



Fonte da Rua S. Filipe Néri, junto do mercado do Anjo (Desaparecida)


Fonte pública junto do mercado do Anjo



Esta fonte situava-se muito próximo da actual confluência das ruas de S. Filipe Néry com as Carmelitas, à entrada do Mercado.
O mercado tinha três entradas que coincidiam com os vértices de um triângulo; uma pelo lado da Cordoaria, outra pela Praça da Universidade e, a mais importante, pela parte baixa da Rua das Carmelitas, junto aos Clérigos.
Esta entrada tinha grande beleza, pois era talhada em granito e localizava-se numa pequena praceta (de S. Filipe Nery) que havia sido feita para desafogar aquele cruzamento de ruas. Acedia-se daqui ao Mercado por dois lanços de escadas que se encontravam num patamar com uma varanda também em granito.
Na base deste patamar, fora colocada uma fonte.



Chafariz do Mercado do Anjo (Desaparecido)



Chafariz do Mercado do Anjo em 1887


Chafariz em 1908


Este chafariz veio para este local (mesmo no meio do mercado) em 1846, transladado do vizinho Convento das Carmelitas.
No centro do convento das carmelitas existia um claustro interno, quase nivelado com a Praça de Santa Teresa (hoje Praça Guilherme Gomes Fernandes), motivado pela desigualdade do terreno, e no meio havia um pequeno chafariz (oitavado), que tinha em granito um menino abraçado a uma águia que brotava água. Transferido o chafariz para o mercado público do Anjo, o povo embirrou com a péssima escultura da ave e do menino, e teve a Câmara Municipal de os substituir por uma urna de pedra, no alto do mesmo chafariz, permanecendo do conjunto vindo do convento o tanque, o pé e a taça. 




Fonte Neptuno


A Fonte Neptuno ou do Olival encontra-se na Praça da Porta do Olival, encostada à Cadeia da Relação. Ao centro tem um medalhão com Neptuno.
No centro da Praça do Olival existiu um chafariz construído por ordem de Filipe II, em 1606. Quando da construção da Cadeia da Relação, em 1765, aquele foi desmantelado e substituído pela fonte Neptuno. Esta foi restaurada em 1940. Este chafariz era alimentado pelo manancial de Paranhos.




Fonte que esteve no Mercado do Peixe



Esta fonte presentemente na Rua do Monte dos Judeus, esteve junto do Mercado do Peixe na Cordoaria, antes ser transferida para este local. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

(Continuação 21) - Actualização em 04/01/2018, 03/09/2020 e 05/04/2021


Instituto de Ciências Empresariais e do Turismo - Ed. JPortojo



Mais à frente, mais um edifício que, no entanto, não é dos referenciados pelo Igespar.
Para muitos, é apenas o Instituto Superior de Ciências Empresariais e do Turismo (ISCET) mas, o que muitos portuenses não sabem, é que a história do número 285 da Rua de Cedofeita não se esgota na actual função. Já lá moraram presidentes da Câmara do Porto e, foi lá, que Júlio Resende aprendeu a pintar.



“Foi um negociante estabelecido na Rua de S. João, no Porto, que, em 1856, requereu e obteve a licença de construção do edifício que ocupa atualmente o 285 da Rua de Cedofeita.
Joaquim Ferreira Monteiro Guimarães, nascido em Abril de 1819 em Santa Eulália de Barrosas, era um homem influente na cidade, membro da Direção da Mesa da Assembleia da Celestial Ordem da Trindade, e prestigiada figura do comércio de vinhos na cidade romântica de meados de oitocentos. O projeto tinha ficado a cargo de Gustavo Adolfo Gonçalves de Sousa, engenheiro portuense, professor, fundador da Associação Industrial Portuense e que, entre outros trabalhos de relevo, dirigiu as obras do Palácio da Bolsa, colaborou na construção do Palácio de Cristal e projetou o prolongamento da Avenida da Boavista.
A família Guimarães ocupou o edifício até meados da década de 70 do século XIX, tendo apenas sido construído cerca de 1/3 do desmesurado projeto original, altura em que o falecimento de Joaquim e da sua mulher Ermelinda Cândida Leite Ferreira altera o rumo da família, entretanto estabelecida essencialmente na burguesia industrial do Bonfim, graças aos casamentos das filhas com Carlos da Silva Ferreira e Joaquim Fernandes Pereira, proprietários de indústrias de tecelagem, no lado oriental da cidade. O edifício é então vendido em hasta pública à investidora Ana de Macedo que o transmite ainda em vida aos sobrinhos Porfírio de Macedo e Ana Júlia de Macedo. O edifício é ocupado na transição de século pela família Couto, devido ao casamento de Ana Júlia com o industrial portuense João Ferreira de Andrade Couto, proprietário de uma fábrica de conservas em Massarelos e um dos propulsores, juntamente com António da Silva Cunha e Carlos Afonso, da União dos Industriais do Norte, como consequência de uma cisão na Associação Industrial Portuense”.
Fonte – Site: archive-pt-2014.com



Em 1919, o edifício é adquirido por Ana Alice Fernandes, viúva do célebre bombeiro Guilherme Gomes Fernandes, e companheira do já referido António da Silva Cunha, principal sócio da Camisaria Confiança, na Rua de Santa Catarina, onde, em 1896, se rodou o primeiro filme português: “Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança”. Na década seguinte, e depois de Ana Alice Fernandes transferir a sua residência para o Pinheiro Manso, o edifício transforma-se no mais importante centro privado de arte no Porto, graças ao empenho de três personalidades distintas da primeira metade do século XX: Jacinto da Silva Pereira Magalhães, que havia sido presidente da Câmara do Porto e era o proprietário da “Fábrica de tecelagem do Jacinto”, fundada pelo seu avô homónimo, influente nas artes decorativas de interiores e renovador do estilo “casa portuguesa”; e, finalmente, Alberto Silva, pintor e professor de pintura, e motor fundamental do Salão Silva Porto até ao princípio da década de 40, período de maior fulgor da instituição que reuniu e expôs os principais artistas da época em Portugal.
Júlio Resende é o próprio a dizer que  foi ali que aprendeu a pintar, pela mão de Alberto Silva, que era seu professor.
Até meados da década de 60, então dirigido pela família Valverde, o salão Silva Porto, ainda que de forma menos exuberante e influente que nas décadas de 20 e 30, teve um papel importantíssimo na divulgação da arte contemporânea no Porto.



“O edifício da Rua de Cedofeita nº 285 passou assim por 3 períodos distintos: uma fase “residencial” (de 1860 a 1925), outra em que funcionou como “centro de exposições, lugar de tertúlia e de debate sobre cultura no Porto” (de 1925 aos anos 1960) e, por fim, uma fase escolar (até hoje).
Na primeira fase, o imóvel chegou a ser habitado por Francisco Pinto Bessa, o presidente da Câmara do Porto que mais tempo esteve ao serviço da cidade (1867-1878). “Viveu cá no período em que esteve no cargo e foi aqui que faleceu”.
Jacinto da Silva Pereira Magalhães, autarca do Porto entre 1907 e 1910, também morou no 285.
Durante a segunda fase, lá funcionou o Salão Silva Porto”.
Fonte - Alexandra Marques, In site: porto24.pt



“António Carvalho da Silva (Porto, 11 de Novembro de 1850 - Lisboa, 1 de junho de 1893 (42 anos)) foi um pintor português que mais tarde adoptaria para apelido o nome da sua cidade natal, ficando conhecido por Silva Porto.
Estudou na Academia Portuense de Belas Artes, estagiou em Paris (1876-1877) e em Itália (1879).
Em 1879 regressou a Portugal. Aureolado de prestígio, foi convidado para ensinar na Academia de Lisboa como mestre de Paisagem. Em 1880 realiza uma exposição de quadros paisagísticos inundados de luz, tendo D. Fernando adquirido o quadro Charneca de Belas. Fez parte do chamado Grupo do Leão, juntamente com António Ramalho, João Vaz, José Malhoa, Cesário Verde, Columbano e Rafael Bordalo Pinheiro. Entre outros galardões, recebeu a medalha de ouro da Exposição Industrial Portuguesa de 1884 e a primeira medalha do Grémio Artístico”.
In wikipedia.org



Silva Porto no Jardim de S. Lázaro



Casa onde nasceu Silva Porto na Rua da Ponte Nova – Ed. JPortojo




Chá dançante nos jardins do Salão Silva Porto, em 1932 - Fonte: CMP, Arquivo Histórico Municipal



Na sua última fase, a partir dos anos 60, o nº 285 passou a ser um espaço ligado ao ensino.
Em 1968, o edifício passou a albergar uma dependência do Liceu Carolina Michaëlis e, em 1974, ali se instalou a Escola Irene Lisboa e, após ficar vago durante algum tempo, foi ocupado, na década de 90, pelo ISCET.


“Uma breve nota para dizer que Irene do Céu Vieira Lisboa (Casal da Murzinheira, Arruda dos Vinhos, 25 de Dezembro de 1892 – Lisboa, 25 de Novembro de 1958) foi escritora, professora e pedagoga. Estudou na Suíça, França e Bélgica, onde se especializou em Ciências de Educação, o que a habilitou a escrever várias obras sobre assuntos pedagógicos. Durante a estadia em Genebra, mercê de uma bolsa do Instituto de Alta Cultura, teve a oportunidade de conhecer Jean Piaget e Édouard Claparède, com quem estudou no Instituto Jean-Jacques Rousseau. Foi afastada de exercer qualquer cargo pelo Ministério da Educação no tempo do Estado Novo pela sua tentativa de remodelação do ensino primário e ter recusado um lugar em Braga”.
Fonte: portojofotos.blogspot



À direita o nº 285 da Rua de Cedofeita




Confluência das ruas da Torrinha, dos Bragas e Cedofeita – Ed. JPortojo



No percurso que encetamos, antes, encontramos agora a Rua da Torrinha e, quase em frente, a Rua dos Bragas (eram terrenos de José Ribeiro Braga). Voltados para Torre dos Clérigos, fica uma à direita e a outra à esquerda.
A Rua dos Bragas, começada a rasgar em 1825, é o resultado de uma cedência de terrenos, que faziam parte da quinta dos Carvalhos do Monte, de José Ribeiro Braga, em troca da cedência diária de uma pena e meia de água (cerca de 1000 litros), proveniente do manancial de Arca d'Água, que corria no subsolo da Rua de Cedofeita. Pelo contrato realizado, a propósito, José Ribeiro Braga ainda se comprometia a levantar uma fonte que começada a construir, em 1826, seria inaugurada em 1830. Foi a Fonte de Cedofeita.




Confluência da Rua dos Bragas com a Rua de Cedofeita, ao fundo – Ed. “kantophotomatico.blogspot.pt”



Mesma perspectiva da foto anterior – Fonte: Google maps



Antecedendo esta série de prédios está a Capela dos Anjos.



Capela dos Anjos na Rua dos Bragas. À esquerda a antiga Faculdade de Engenharia, hoje de Direito



A Rua dos Bragas – Ed. JPortojo



Em frente à Rua da Torrinha esteve, em tempos, sob uma arcada do piso térreo de um prédio, a fonte de Cedofeita. Nesse prédio, que ainda existe, esteve a "Pensão La Fontaine" e a escola «Von Hafe Schule» fundada, em 1855, pelo padre Martin Richter.
Aquela escola, viria a dar lugar a um outro projecto, a partir de 18 de Novembro de 1901, que se designou por «Deutsche Schule zu Porto», sedeado na Rua da Restauração, nº 410, e que foi o embrião do Colégio Alemão.





Foto do edifício onde esteve o colégio Von Hafe, a pensão La Fontaine e a fonte de Cedofeita




Palacete dos Brito e Cunha
 

O Palacete da Rua de Cedofeita, 379, com projecto de 1859, que obteve a licença de construção nº 203/1859, foi a morada de António Bernardo Brito e Cunha, filho do mártir da liberdade, com o mesmo nome, executado na Praça Nova pelos carrascos de D. Miguel.
António Bernardo de Brito e Cunha nasceu a 20/10/1808, na Casa da Ruas das Taipas no Porto, casou a 23/04/1857 com D. Guilhermina Júlia Pereira da Silva, teve 4 filhos e uma filha, e faleceu a 30/07/1884.

 
 
Palacete dos Brito e Cunha (2009) – Fonte: Google maps
 

Palacete dos Brito e Cunha, actualmente – Fonte: Google maps




Casa de D. Laura Leitão



Residência de D. Pedro IV durante o cerco – Ed. JPortojo




Continuando a caminhada, estamos frente ao nº 395 (frente e traseiras na foto), de um edifício com muita história. Durante o Cerco do Porto nas Lutas Liberais ou Guerra Civil, D. Pedro IV - o 1º Imperador do Brasil - acolheu-se a esta casa depois de ter sido bombardeado no Palácio das Carrancas (hoje, Museu Nacional Soares dos Reis), onde tinha os aposentos, pela artilharia das tropas de D. Miguel situadas em Gaia.
A casa era a residência do bacharel Francisco Ribeiro de Faria, casado com Rosa Margarida de Lima, filha de Francisco José de Barros Lima, que foram progenitores de Francisco Ribeiro de Faria (com o mesmo nome de seu pai) que viria a ser, a partir de 14 de Dezembro de 1873, visconde de Barros Lima (título que ficou a dever ao prestígio de seu avô materno) e que, tinha como irmãos, Henrique Ribeiro de Faria, Arnaldo Ribeiro de Faria e Eduardo Ribeiro de Faria e, ainda, Carolina e Camila.
É pelo casamento de Eduardo Ribeiro de Faria com Laura Pereira Leitão, que a casa vai passar a ser conhecida por "Casa Laura Leitão". O casal não terá filhos e, quando faleceu Eduardo, no seu testamento, vai designar a sua mulher como usufrutuária, até à morte dela, na parte da casa que lhe cabia e tinha sido dos seus pais.
Chegado o falecimento de Arnaldo Ribeiro de Faria, em 1911, por testamento, ele transmite a metade que possuía da casa dos seus pais, à sua sobrinha Maria José Ribeiro de Faria, uma das filhas do seu irmão Henrique. 
Eduardo Ribeiro de Faria foi bacharel em direito pela Universidade de Coimbra, tendo fundado em 1858, em Paris, a "Sociedade Ibérica", juntamente com o jornalista Teixeira de Vasconcelos, para divulgação pela Europa da história da Península Ibérica.
Por sua vez, Laura Pereira Leitão, filha de Bernardo Pereira Leitão, acabaria casada com Alfredo dos Santos Pessanha, de cujo enlace também não houve filhos e será a herdeira da Quinta de Vale Abraão, no Douro.
A casa da qual Laura Leitão foi usufrutuária, na Rua de Cedofeita, foi por ela ocupada até ao seu falecimento e, em 1927, a casa era já propriedade de Maria José Ribeiro de Faria (viúva de João de Melo Sampaio), falecida em 9 de Dezembro de 1951, indo parar às mãos de Júlia de Melo Sampaio de Lencastre, sua herdeira.
Esta vai arrendar a casa, que serviria como sede aos Tribunais Correccionais e, ainda, alojamento de uma Repartição das Finanças.
 
 
 
“Não se sabe como o edifício terá passado para Alfredo Leite da Silva, o senhor Citroen no Porto e após a sua morte para Augusto António Marques Tomé, o actual proprietário (dono de uma oficina de reparação de automóveis que fica pegada), que o recuperou, talvez ainda não no seu todo, da degradação em que se encontrava”. 
Fonte – Blogue: portojofotos.blogspot.pt






Casa de D. Laura Leitão – Desenho de J. Vilanova, c. 1833; In: gisaweb.cm-porto.pt

A casa actualmente – Fonte: Google maps