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domingo, 10 de setembro de 2023

25.202 Algumas linhas ferroviárias de via estreita com origem no Porto

 
Bitola
 
A bitola é a distância entre as linhas de uma via-férrea.
Inicialmente, em 1844, a bitola ferroviária adoptada em Espanha era, originalmente, de seis pés castelhanos (1672 mm); em Portugal foi inicialmente 1435 mm (mais tarde, adoptada internacionalmente como bitola padrão), posteriormente, seria convertida para cinco pés portugueses (1664 mm), sendo esta conversão concretizada, na prática, pela deslocação dos carris para o antigo parafuso/tirefond exterior.
Posteriormente, em 1955, procedeu-se à uniformização dos standards dos dois países numa bitola comum de 1668 mm — a bitola ibérica.
Actualmente, as bitolas utilizadas em Portugal, são as seguintes:
 
 
Bitola ibérica, utilizada pela Infraestruturas de Portugal (1668 mm).
Bitola internacional (1435 mm), utilizada no Metro do Porto, Eléctricos do Porto, Metropolitano de Lisboa, Metro Transportes do Sul (Almada e Seixal), e Elevador do Bom Jesus.
Bitola métrica (1000 mm), utilizada nas Linha do Vouga e na Linha do Tua, e no C. F. Sintra-Atlântico.
Bitola via estreita (900 mm), utilizada pela Companhia de Carris de Ferro de Lisboa, nos elétricos de Lisboa.
Bitola de 600 mm, utilizada pelo Comboio da Praia do Barril, e pelo Minicomboio da Caparica.
 
Desde sempre, a diversidade existente nas bitolas introduziu discussões infindáveis entre os técnicos e políticos continuando, nos nossos dias, a ter lugar.
Assim, actualmente, começam a ser adoptadas na Europa várias soluções que ajudam a ultrapassar a diversidade existente entre países, no que diz respeito à bitola das suas vias-férreas.
A própria União Europeia (EU) considera não ser necessário mudar a bitola na Península Ibérica, pois, existem, presentemente, soluções técnicas para resolver aquele problema, nomeadamente, terceiros carris, travessas polivalentes e até material circulante com bitola variável, algo que está em processo de certificação.
 
 
“A bitola na rede ferroviária portuguesa já não é um problema.
Os comboios de eixos telescópicos (também designados bi-bitola) adaptam os seus rodados à distância entre carris e circulam indistintamente em bitola ibérica ou europeia. Há até comboios de alta velocidade que circulam nos dois tipos de linhas.
A bitola na rede ferroviária portuguesa já não é um problema, actualmente, essa adaptação aos dois tipos de linha é feita nas fronteiras através de uma operação que consiste em mudar os bogies (rodados) aos vagões”.
Cortesia de Carlos Cipriano (Jornal Público, 26 de Setembro de 2017)
 
 
Há duas teorias que Justificam a solução adoptada por Espanha ao optar por uma bitola diferente da usada pelos franceses.
A primeira está relacionada com o temor de uma invasão francesa e, assim, se colocavam no caminho alguns entraves e, a outra, refere que os engenheiros espanhóis acreditavam que locomotivas a vapor, com fornalhas mais largas, teriam mais potência para vencer as rampas das montanhas, o que implicou alargar a distância entre carris.
Foi, então, que Portugal se decidiu associar a Espanha e optar pela bitola ibérica.
Não foi o caso da linha do Porto à Póvoa (bitola de 900 mm) e, posteriormente, a sua continuação até Famalicão e, ainda, a linha de Guimarães (bitola métrica de 1000 mm).
Ambas as linhas partiriam da Praça da Boavista que começaria a ser urbanizada devido ao lançamento daquelas vias.
A estação terminal ficava, então, na Boavista.
 
 
 
Contexto histórico
 
 
Em 1856, por acção de Fontes Pereira de Melo, finalmente, o comboio em Portugal rolava sobre carris, num troço de Lisboa ao Carregado, executado na bitola internacional/padrão (1435 mm).
Porém, em 1861, na continuação da linha para Abrantes, a chamada Linha do Leste, tudo começaria a ser reposto e a ser usada a bitola ibérica (1668 mm).
Assim, o seu primeiro lanço, entre a estação provisória de Lisboa e o Carregado, foi inaugurado em 28 de Outubro de 1856, tendo a linha chegado à fronteira com Espanha em 24 de Setembro de 1863.
Sobre aquela inauguração, se referiu a Marquesa de Rio Maior nas suas memórias, baseadas na descrição de seu pai, um dos participantes na viagem.
 
 
“A máquina, escusado será dizer das mais primitivas (parecia um enorme garrafão), não tinha força para puxar todas as carruagens que lhe atrelaram; e fora-as largando pelo caminho. (…) O wagon do cardeal patriarca e do cabido ficou em Sacavém; mais um, recheado de dignitários, ficou ao desamparo na Póvoa. (...) Esses desprotegidos da sorte, semeados pela linha ao acaso das debilidades da tração acelerada, só chegaram alta noite a Lisboa, depois de ousadíssimas aventuras que encheram durante meses os soalheiros oficiais. Até andou gente com archotes, pela linha, em procura dos náufragos do progresso.” 
 
 
Seriam necessários mais oito anos para Lisboa estar ligada a V. N. de Gaia, às Devesas, o que aconteceria a 7 de Julho de 1864. Demorava a viagem 14 horas.

 
 

Na gare da Estação Ferroviária das Devesas, um grupo de personalidades aguardando a chegada de Bernardino Machado


 

Estação das Devesas
 
 
 
Em 1877, com a edificação da Ponte Maria Pia, vencida a travessia do rio Douro, o comboio proveniente de Lisboa chegava ao Porto, à estação de Campanhã.



 

Ponte Maria Pia
 
 
 
Entretanto, a norte do rio Douro, o Porto ligava-se ao Minho e a Trás-os-Montes, pela linha do Minho e linha do Douro, respectivamente.
A linha do Douro foi projectada para fazer a ligação do Porto a Barca d’Alva, em bitola ibérica.
As obras na Linha do Douro principiaram em 8 de Julho de 1873, tendo o primeiro troço, entre Ermesinde e Penafiel, entrado ao serviço no dia 30 de Julho de 1875. O troço seguinte, até Caíde, foi inaugurado em 20 de Dezembro do mesmo ano, e a linha chegou ao Juncal em 15 de Outubro de 1877.
Por sua vez, a linha do Minho que une Porto a Valença, seria inaugurada em 1882 e construída em bitola ibérica.
Nesta linha, o primeiro troço entre Porto e Nine foi construído entre Maio de 1872 e Maio de 1875 começando, então, a respectiva exploração.
Um ramal haveria de fazer a ligação de Nine a Braga.


 
 
Carruagem de 2 andares na Estação de Nine (Linha do Minho)
 
 
 
É, neste contexto, que irão surgir três ligações ferroviárias icónicas, entretanto, desaparecidas, de exploração em via estreita ou via reduzida, ligando o Porto à Póvoa de Varzim e Famalicão e, posteriormente, o Porto a Guimarães e, ainda, uma outra de ligação da Senhora da Hora a Leça da Palmeira.
 
 
 
Linha do Porto à Póvoa e Famalicão
 
 
O primeiro troço da Linha do Porto à Póvoa, desde a estação da Boavista até à Póvoa, entrou ao serviço em 3 de Outubro de 1875, por exploração da Companhia do Caminho-de-Ferro do Porto à Póvoa.
Hoje, o seu chão é percorrido pelo Metro do Porto, que chegaria à Póvoa de Varzim em 18 de Março de 2006.
O início de tudo tinha acontecido, contudo, no século XIX, em 1873.
 
 
 
“No dia 19 de Junho de 1873, foi deferida, ao Barão de Kessler e a Temple Ellicot, a construção e exploração de um caminho de ferro entre as cidades do Porto e da Póvoa de Varzim, com a bitola de 0,90 m, sem quaisquer encargos para o estado. Um despacho de 30 de Dezembro de 1873 autorizou que se procedesse ao trespasse desta concessão para a Companhia do Caminho de Ferro do Porto à Póvoa, que foi criada expressamente para aquele fim; este processo foi validado por uma portaria de 9 de Abril de 1874. A companhia foi fundada com capitais britânicos, o que influenciou a escolha da bitola utilizada, e o facto das primeiras locomotivas terem sido fornecidas pela casa Fairlie Engine Company”.
Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/
 
 
 
 
Como previsto, a linha foi construída numa bitola de 900 milímetros tendo, aquela, sido a primeira linha pública de via estreita em Portugal, fazendo parte do chamado primeiro grupo de caminhos-de-ferro de via estreita, de interesse geral, que também incluiu as Linhas de Guimarães e do Tua, e o Ramal de Matosinhos.
Em 1930, por deliberação governamental, a via haveria de ser reconvertida para a bitola métrica (1000mm).
O “Jornal do Porto” de 3 de Outubro de 1875, na sua pág.2, dizia sobre a viagem do dia anterior de inauguração da Linha do Porto à Póvoa:
 
 
 
 



 

Estação do caminho-de-ferro da Boavista, em 1875





Horário da Linha do Porto à Póvoa de Varzim, em 1876
 
 
 

Oficinas do caminho-de-ferro na Boavista
 
 
 
Na gravura, acima, observam-se as instalações das oficinas na Boavista, da Companhia do Caminho-de-Ferro do Porto à Póvoa e Famalicão, em 1878.

 
 

Travessia do rio Ave, em Vila do Conde



Em Agosto de 1875 e, em 19 de Dezembro de 1876, foi dada a autorização à Companhia do Caminho-de-Ferro do Porto à Póvoa para construir um novo troço, com cerca de 29 km de comprimento, entre a Póvoa e Famalicão, aonde se iria ligar à Linha do Minho.
O “Jornal do Porto”, de 12 de Janeiro de 1877, informava os leitores da decisão tomada, em assembleia geral da Companhia do Caminho-de-Ferro do Porto à Póvoa, presidida pelo visconde Silva Monteiro, de construir a ligação da via-férrea entre a Póvoa e Famalicão.


 
In “Jornal do Porto” de 12 de Janeiro de 1877

 
 
 

Estação ferroviária de Famalicão. A gare do lado esquerdo servia o Ramal de Famalicão que tinha bitola estreita (900 mm), e a do lado direito servia a linha do Minho que tinha bitola ibérica (1668 mm)
 
 
 
A construção não teve constrangimentos, tendo a linha chegado às Fontainhas em 7 de Agosto de 1878, e até Famalicão em 12 de Junho de 1881, sob a alçada da Companhia do Caminho-de-Ferro do Porto à Póvoa e Famalicão. Iria surgir o Ramal de Famalicão.
A última secção da linha foi contratada à empresa Henry Burnay & Cia.
Henry Burnay detinha, à data, uma das maiores fortunas do País e costumava passar férias na Granja.
 
 
 
 

Em primeiro plano a estação ferroviária da Granja, em V. N. de Gaia, seguindo-se o Chalet de Henry Burnay, usado na época balnear


 
 

Horário do Ramal de Famalicão
 
 
 
 
Entre 1916 e de 1925, ocorreram no Ramal de Famalicão algumas benfeitorias, casos da insta­lação de novos desvios nas estações de Laundos e Gondifelos, a constru­ção de uma plataforma em Barradas e, ainda, em 1924, a edificação de um armazém de mercadorias na estação de Amorim.
Em 1923 e 1925, ocorreram construções de instalações sanitárias em Laundos e Amorim, respectivamente.
Por contrato de 8 de Agosto de 1927, estabelecido entre o Governo e a Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal, publicado em Diário de Governo de 28 desse mês e ano, a Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal teria que promover a substituição da bitola de 900 mm por 1000 mm.
Acontece que, desde 14 de Janeiro de 1927, tinha surgido aquela nova companhia, pela fusão da Companhia do Porto à Póvoa e Famalicão com a Companhia do Caminho de Ferro de Guimarães, e a alteração da bitola fazia parte das condições para a fusão.
Em Março de 1930, no que concerne ao Ramal de Famalicão, durante vinte dias foi cumprida a tarefa sem interrupção da circulação, que envolveu ainda a alteração de rodados do material circulante.
A mesma transformação sofreria a via entre o Porto e a Póvoa de Varzim.
A vida do Ramal de Famalicão durou até ao dia 23 de Dezembro 1995.
Transformou-se numa ecopista.
 
 
 

À esquerda, o que resta da antiga estação de Gondifelos do Ramal de Famalicão
 

 

À direita, o que resta da antiga estação de Fontainhas do Ramal de Famalicão
 
 
 

À esquerda, o que resta da antiga estação de Rates do Ramal de Famalicão
 
 
 
Estação Ferroviária de Famalicão




Ramal de Leixões e duplicação da via entre a Boavista e Senhora da Hora
 
 
No ano de 1893, a Companhia do Caminho-de-Ferro do Porto à Póvoa e Famalicão foi autorizada na fazer a exploração, no antigo Ramal de S. Gens, de transporte de pedra para construção do Porto de Leixões, rebaptizado, agora, de Ramal de Leixões, ou Ramal de Matosinhos, ou Linha de Leça, do serviço de passageiros e mercadorias.
Este ramal estaria ao serviço até 1965.

 
 

À esquerda, na foz do rio Leça, a ponte que levava para Leça os passageiros embarcados na Senhora da Hora, c. 1893
 
 
 
 

Estação da Senhora da Hora, c. 1900


 

Ramal de Leixões, na Rua Heróis de França, c. 1920
 
 
 
 
Em 1909, a Companhia do Caminho-de-Ferro do Porto à Póvoa e Famalicão, foi autorizada a duplicar a via entre a Boavista e a Senhora da Hora.
 
 
 
 
Linha do Porto a Guimarães
 
 
 
A Linha de Guimarães era originalmente uma linha de bitola métrica (1000 mm). O primeiro troço, entre a Trofa e Vizela, entrou ao serviço em 31 de Dezembro de 1883, tendo a linha chegado a Guimarães em 14 de Abril de 1884 e a Fafe em 21 de Julho de 1907.
Este último troço tinha 21,450 Km em via única com a bitola de 1 metro e com passagem pelas seguintes estações: Guimarães, Aldão-São Torcato, Penha, Paçô-Vieira, Fareja, Cepães e Fafe.


 

Passagem do comboio no troço Guimarães – Fafe, em Cruz d'Argola




Tudo isto foi executado pela Companhia do Caminho de Ferro de Guimarães, cuja sede, no Porto, era na Rua de Cedofeita, n.º 291. Em Dezembro de 1901, o gerente desta companhia era António de Moura Soares Velloso e, em 1908, António Reis Porto.

 
 

Título de Obrigação da Companhia do Caminho de Ferro de Guimarães para angariação de capitais para fazer o prolongamento para Fafe e adquirir também material circulante
 
 
 
Em 14 de Janeiro de 1927, a Companhia do Porto à Póvoa e Famalicão seria fundida com a Companhia do Caminho de Ferro de Guimarães, formando a Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal.
Começava a ser possível unir esforços para prolongar a Linha de Guimarães até ao Porto.
Entre a Trofa e Porto/Boavista (via Senhora da Hora) efectuou-se a primeira viagem, em 14 de Fevereiro de 1932.
Assim, a partir de 1932, na Estação de Senhora da Hora, havia um entroncamento com a Linha de Guimarães e o Ramal de Matosinhos.
A Gazeta dos Caminhos-de-Ferro dava conta da visita de Óscar Fragoso Carmona, Chefe de Estado, para proceder à inauguração do troço Senhora da Hora à Trofa.





IN “Gazeta dos Caminhos-de-Ferro”, Nº 1062 de 16 de Março de 1932
 
 
 
 
 
Após a inauguração da estação da Trindade, o percurso começava na Trindade e seguia por Senhora da Hora, Castelo da Maia, Muro, Trofa, Lousado, Santo Tirso, Guimarães e Fafe.
 
 
 
 

Antiga Estação Ferroviária de Santo Tirso, em 1933
 
 
 
 
A Porto/Trindade se iria chegar em 30 de Outubro de 1938.
É, também, em 1938, construída uma ponte ferroviária, em granito, para que o comboio, da ligação entre Porto (Trindade) e Guimarães, faça o atravessamento, na freguesia de Muro, concelho da Trofa, da movimentada EN 14, que liga o Porto e Braga. Ficou conhecida como Ponte da Peça Má e, por motivos de difícil entendimento, foi demolida em 2015.
Para justificar esta decisão argumentaram que estando a linha férrea, desde 2002, desactivada e ocorrendo naquele troço da EN 14 alguns acidentes rodoviários, seria recomendável entrar em acção o camartelo. Assim se fez!

 
 
 

Ponte da Peça Má antes da demolição

 
 

A Ponte da Peça Má jaz por terra, em 2 de Setembro de 2016 – Ed. “onoticiasdatrofa.pt/”




Automotora, em 1991, vinda pela esquerda da estação da Trindade, fazendo o atravessamento da Via de Cintura Interna, na zona de Francos, tendo por destino Guimarães

 
 
 
O troço desta antiga linha entre o Porto e a Maia reabriu como linha de metro ligeiro (em via dupla e bitola padrão) entre Dezembro de 2002 e Março de 2006, sendo atualmente a Linha C do Metro do Porto, servindo o ISMAI (a norte da Maia).
Aguardam-se decisões para levar o Metro até à Trofa no canal da antiga Linha de Guimarães.
 
 
 
 
Estação da Trindade
 
 
Apesar de ser uma das principais estações no Porto, a Boavista encontrava-se demasiado longe do centro da cidade. Para resolver este problema, planeou-se a construção de uma nova interface na zona da Trindade, no coração da cidade.
 
 
“Até 1938, a linha do caminho-de-ferro do Porto à Póvoa de Varzim tinha a sua estação terminal na Boavista. O edifício, onde ainda há relativamente pouco tempo funcionou o balcão de um banco, ainda lá está, mas já muito degradado.
A linha, de iniciativa particular, começou a funcionar em Outubro de 1875. O seu primeiro administrador foi o escritor e historiador Oliveira Martins, que residia na Casa da Pedra, na Rua das Águas Férreas, junto ao bairro da Bouça. Foi só em 1938 que abriu o túnel da Trindade e se construiu a estação com a mesma designação! Em 1947, a Linha da Póvoa foi integrada na rede da CP.
Quando o comboio chegou à Boavista, em 1875, o espaço a que hoje se dá o nome de Praça de Mouzinho de Albuquerque não passava de um amplo logradouro rodeado de muros que delimitavam quintas, pequenas propriedades e terras de cultivo. A chegada do comboio trouxe àquelas paragens uma inusitada animação.
Por exemplo; a Feira de S. Miguel que, desde 1682, se realizava na Cordoaria, foi transferida para o espaço que ficava em frente ao edifício da estação do caminho-de-ferro. O amplo logradouro teve de ser adaptado a essa nova função.
Em 1876, um ano depois da inauguração da linha, realizaram-se grandes obras no terreno a que foi dado o nome de Praça da Boavista, também conhecida por Rotunda da Boavista”.
Fonte: Germano Silva
 
 
Em 30 de Outubro de 1938, foi inaugurada a Estação Ferroviária de Porto-Trindade, substituindo a da Boavista.
Mesmo após a abertura da linha até à Trindade a estação da Boavista continuou a ter serviços.
Com efeito, nos primeiros meses de serviço da nova estação, a grande maioria dos passageiros continuou a utilizar a Boavista, em protesto contra as novas tarifas introduzidas pela Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal.
Em 1939, a Estação da Boavista era usada, praticamente, apenas, por comboios de mercadorias, tendo os serviços de passageiros sido transferidos para o apeadeiro da Avenida de França, a curta distância.
De facto, antes da Estação da Trindade, em Março de 1932, foi inaugurado o Túnel da Trindade.
Na cerimónia esteve presente o general Óscar Carmona, como contava e ilustrava a Gazeta dos Caminhos-de-Ferro, Nº 1062 de 16 de Março de 1932.
 
 
 


 
 
 
E uma das primeiras descrições do Túnel da Trindade é deveras curiosa.
 
 
 
 

 
 
 



Inaugurado o Túnel da Trindade, faltava construir a estação ferroviária.
Estavam seis anos pela frente.

 
 

Estação Ferroviária da Trindade



Acidente ferroviário na Estação da Trindade



A fachada da antiga estação ferroviária da Trindade, visível na foto acima, em 5 de Julho de 1993, foi atravessada por uma automotora proveniente de Vilar do Pinheiro que, não conseguindo travar a marcha, subiu a plataforma e acabou parando já na Rua de Alferes Malheiro. Do acidente resultaram 1 morto e 5 feridos.



Estação Ferroviária da Trindade, à esquerda, observada da Rua Gonçalo Cristovão


A linha férrea entre o Porto (Trindade) e a Póvoa de Varzim foi encerrada para a sua conversão ao Metro do Porto em 2002, sendo que o primeiro troço (Trindade-Senhora da Hora) e a Estação da Trindade foram encerrados a 28 de Abril de 2001 e  a restante via até à Póvoa foi desativada em Fevereiro de 2002, com o Metro a inaugurar o novo serviço em fases, abrindo por completo em 2006. 
 
 


Estação de Metro da Trindade

terça-feira, 18 de julho de 2017

(Continuação 8) - Actualização em 21/05/2018 e 13/11/2020

19.6 Avenida da Boavista


A Avenida da Boavista com uma extensão até ao Castelo do Queijo, hoje, de 5,6 km, foi projectada pelo engenheiro Gustavo Adolfo Sousa, no início da segunda metade do século XIX. A avenida foi buscar o nome à Rua da Boavista (com o seu início na Praça da República) e esta, por sua vez, à quinta da Boavista, também depois denominada quinta dos Figueiroa.
A Avenida da Boavista liga à Praça da República, a partir do local onde esteve, durante cerca de um século, o Hospital Maria Pia por intermédio da muito mais antiga Rua da Boavista, apresentando-se o conjunto das duas vias sempre em linha recta até ao mar.
Percorrendo a avenida, nos primeiros duzentos metros encontraremos o icónico edifício do Hospital Militar e a Praça Mouzinho de Albuquerque mais conhecida como Rotunda da Boavista.
A Avenida da Boavista começou por ser aberta até à Rua da Vilarinha, na Fonte da Moura. Só na primeira década do século XX se começou a abrir desde aí, até ao Castelo do Queijo. Ficou terminada em 1917. 


“Em 8 de Novembro de 1914, durante a abertura da parte final da Avenida da Boavista, entre a Vilarinha e o Castelo do Queijo, a Companhia Carris foi impedida pela C.M.P. de construir esta nova linha. A razão invocada por esta era que a CCFP, ao abrir esta nova linha, pretendia fechar a que existia entre a Boavista e Cadouços, pela Ervilha, prejudicando muitos utentes. Posta uma acção em tribunal, em 25 do mesmo mês, o juiz Dr. Couceiro da Costa sentenciou o uso e fruição do centro da avenida a esta empresa. Posteriormente foi fechada a linha de Cadouços, prejudicando muito a deslocação para a Foz enquanto não foi aberta a linha das Avenidas de Montevideu e Brasil”.
Fonte: “portoarc.blogspot.pt”




Avenida da Boavista na planta de Telles Ferreira de 1892 (quadrícula 75) terminava no Lugar da Fonte da Moura

Legenda:

1. Lugar da Fonte da Moura
2. Rua da Vilarinha
3. Rua de Serralves
4. Avenida da Boavista (sem ligação ao Castelo do Queijo)




O carácter da avenida tem sido alterado ao longo dos tempos, com as sucessivas construções ao longo deste eixo urbano.



Forte S. Francisco Xavier ou Castelo do Queijo em 1913


Toda a área envolvente à avenida teve origem e crescimento a partir do povoado de Rianhaldy, e perde-se nos tempos, ainda antes da fundação da monarquia portuguesa, provavelmente entre 920 e 944, data em que chegaram ao território os monges de S. Bento.
Assim, começaria a história do julgado de Bouças e do seu antiquíssimo mosteiro beneditino. Este território pertenceu ao Padroado Real de D. Sancho I que depois o doou, em 1196, à sua filha recém-nascida, D. Mafalda.
Um documento de 1222 afirma que a rainha D. Mafalda fez a sua doação ao Mosteiro de Arouca e que, em 1230, acaba por transformá-lo de beneditino, numa comunidade cisterciense. Mais tarde em litígio com seu irmão, o rei D. Afonso II, viria a perder a posse de Bouças para o reino. Mafalda casou-se em 1215 com Henrique I de Castela, mas, como ambos eram muito jovens, o casamento não foi consumado, e seria dissolvido no ano seguinte. O título de rainha tinha origem neste casamento.
Na época de D. Sancho II o território, hoje, de Ramalde denominava-se Ramunhaldy constituído por cinco lugares: Francos, Seixo, Requezendi, Ramuhaldi Jusão (depois, Ramalde de Baixo e, actualmente, o local da igreja paroquial)  e Ramuhaldi Susão (actualmente, Ramalde do Meio).
Entre 1230 e 1835, Ramunhaldy pertenceu ao concelho de Bouças, o qual integrava também S. Mamede de Infesta, Matosinhos, Foz do Douro e um conjunto de vinte povoações. Aquele lugar de Francos atrás referido, há quem o ligue erradamente às Invasões Francesas de 1809. Porém, aquele topónimo tem já muitos séculos.
Em 1895, todo o território a que vimos aludindo, foi integrado no concelho do Porto, como freguesia.
A Avenida da Boavista sofreu ao longo dos tempos imensas transformações, mas, na segunda metade do século XIX, no troço por onde circulava a Máquina estava ladeada por alguns palacetes inseridos em propriedades ajardinadas, e no troço junto à Praça Mouzinho de Albuquerque a máquina circulava pelo centro da avenida.



A Máquina junto ao “chalet” de José Augusto Dias em 1899



Na foto acima de Aurélio Paz dos Reis a Máquina a vapor n.º 2 na Estrada de Carreiros, próximo do troço que foi Rua do Castelo e depois Avenida de Montevideu.
Para muitos o “chalet” é a “Vila Delfina” na Avenida da Boavista, o que não é verdade.
O Arquitecto Luís Bourbon Aguiar Branco desfaz todas as dúvidas identificando-o como o “Chalet” de José Augusto Dias e, por essa razão, não estamos na Avenida da Boavista.



Casa do Pinheiro Manso


Na foto acima, a Casa do Pinheiro Manso e o pinheiro que deu o nome ao local em 1906. Ao longe a chaminé da fábrica Graham.
A Casa do Pinheiro Manso ficava situada no local onde agora está instalada a cervejaria Cufra, e junto da Rua do Pinheiro Manso que, naquela data, ainda não existia.
O palacete foi construído em 1902 por um brasileiro de torna viagem de nome Rocha. Nos anos 40/50, era habitado pela família Gilbert. O pinheiro caiu em 15 de Fevereiro de 1941 na terrível noite do “ciclone”, situação muito recordada pelos portuenses, pois, causou elevadíssimos prejuízos por toda a cidade. Foi demolido em 1971 para a construção do prédio que lá se encontra. 


Pinheiro Manso por terra em 15/2/1941

Na memória de muitos, ficou a queda do “Pinheiro Manso”, na Boavista, centenária árvore que deu o nome à rua. Ficava na casa da família Gilbert e ao cair, destruiu uma cabine telefónica e apanhou a traseira de um automóvel dos Bombeiros do Porto, em que seguia o conhecido Major Serafim Morais, que nada sofreu.


A meio da avenida


Avenida da Boavista e Rua de Belos Ares


Avenida da Boavista e Rua de Agramonte (à esquerda)





Mesmo local da foto anterior, em 1964



 

Avenida da Boavista, lado norte, área contígua à remise, em 1960

 
 
 

Avenida da Boavista, com o Pinheiro Manso lá, bem longe, em 1949






A Praça Mouzinho de Albuquerque (Rotunda da Boavista) foi ajardinada em 1897 e começou por se chamar Praça da Boavista.
No lado Norte, a Praça da Boavista situa-se entre a Rua das Vallas (Rua Nossa Senhora de Fátima) e a Rua do Príncipe das Beiras (Rua 5 de Outubro) tendo de permeio a Estação da Linha da Póvoa, que fazia a ligação entre o Porto e a Póvoa de Varzim e a Rua das Pirâmides, hoje, chamada de Avenida de França. Este último topónimo seria atribuído por sugestão do presidente da Câmara do Porto, Dr. Augusto Cupertino de Miranda, com aprovação em 11 de Julho de 1918, honrando, assim, os soldados que participaram em França no conflito mundial. 
O topónimo de Rua das Pirâmides reportava ao facto de que a rua terminava para as bandas do Carvalhido, em local onde existiam uns obeliscos, à entrada da Quinta da Prelada, que seriam mais tarde transportados e instalados no Jardim do Passeio Alegre, onde ainda podem ser observados.
A atribuição do topónimo de Rua do Príncipe das Beiras destinava-se a homenagear o príncipe Luís Filipe que acabaria por ser alvo de um assassinato, no qual pereceu também D. Carlos I, seu pai.
Essa rua veio substituir um caminho antigo que vindo de Ramalde e passando por Francos, desembocava no que viria a ser a Praça da Boavista.
Esta enorme área iria ter um desenvolvimento urbano de realce, quando passou a ser um verdadeiro interface dos transportes citadinos, mas, sobretudo, ao ser dotada de uma estação ferroviária terminal para os comboios da Linha Porto à Póvoa e Famalicão e Linha de Guimarães.
 
 
 
 
“Até 1938, a linha do caminho-de-ferro do Porto à Póvoa de Varzim tinha a sua estação terminal na Boavista. O edifício, onde ainda há relativamente pouco tempo funcionou o balcão de um banco, ainda lá está, mas já muito degradado.
A linha, de iniciativa particular, começou a funcionar em Outubro de 1875. O seu primeiro administrador foi o escritor e historiador Oliveira Martins, que residia na Casa da Pedra, na Rua das Águas Férreas, junto ao bairro da Bouça. Foi só em 1938 que abriu o túnel da Trindade e se construiu a estação com a mesma designação! Em 1947, a Linha da Póvoa foi integrada na rede da CP.
Quando o comboio chegou à Boavista, em 1875, o espaço a que hoje se dá o nome de Praça de Mouzinho de Albuquerque não passava de um amplo logradouro rodeado de muros que delimitavam quintas, pequenas propriedades e terras de cultivo. A chegada do comboio trouxe àquelas paragens uma inusitada animação.
Por exemplo; a Feira de S. Miguel que, desde 1682, se realizava na Cordoaria, foi transferida para o espaço que ficava em frente ao edifício da estação do caminho-de-ferro. O amplo logradouro teve de ser adaptado a essa nova função.
Em 1876, um ano depois da inauguração da linha, realizaram-se grandes obras no terreno a que foi dado o nome de Praça da Boavista, também conhecida por Rotunda da Boavista”.
Fonte: Germano Silva
 
 
Em 30 de Outubro de 1938, foi inaugurada a Estação Ferroviária de Porto-Trindade, substituindo a da Boavista.
Mesmo após a abertura da linha até à Trindade, a estação da Boavista continuou a ter serviços. Com efeito, nos primeiros meses de serviço da nova estação, a grande maioria dos passageiros continuou a utilizar a Boavista, em protesto contra as novas tarifas introduzidas pela Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal.
Em 1939, a Estação da Boavista era usada praticamente apenas por comboios de mercadorias, tendo os serviços de passageiros sido passados para o apeadeiro da Avenida de França, a curta distância.



Estação Ferroviária da Boavista - Ed. Porto Sombrio






Passagem de nível junto do apeadeiro da Avenida de França, em 1973



Avenida de França, observando-se o túnel no subsolo, que permitia o trânsito rodoviário sem constrangimentos, pois a ferrovia continuou na antiga cota
 
 
 

Actualmente, o trânsito rodoviário é feito novamente à superfície, tendo sido a linha do Metro, que substituiu a ferroviária, enterrada




A Praça da Boavista foi, durante muitos anos, também, uma estação importante no percurso dos transportes públicos citadinos, onde existiram instalações de recolha da “Máquina”, dos “Americanos” e, mais tarde, dos Carros Eléctricos. Foi ainda, o local, onde se realizaram importantes feiras.
A Praça da Boavista no fim do século XIX em nada se assemelhava ao jardim que hoje lá existe. 




Percursos dos transportes públicos na Praça da Boavista na planta de Telles Ferreira em 1892 - (1- Estação de Recolha; 2- Estação de caminho-de-ferro; 3- Hospital militar)



Estação de Recolha da Boavista - Ed. Ilustração Portuguesa nº 180




Na foto acima, a primitiva "remise" da Boavista onde recolhiam a máquina e os americanos. Mais tarde também os eléctricos. Foi construída em 1874 e ardeu em 1924, tendo-se perdido nas chamas 23 eléctricos, 4 atrelados e 2 zorras e ficado danificados mais 6 veículos.
Foi então construído um novo edifício como “remise” e oficina com 20 linhas de entrada e, consequentemente, 20 portas.



Última “remise” no local hoje, da Casa da Música - Ed. desconhecido


Confluência da Avenida 5 de Outubro com a Rotunda da Boavista, c. 1930, observando-se, à esquerda, a fachada lateral da remise da Boavista, onde hoje está a Casa da Música



 E
m ampliação da foto anterior, a Casa Natividade, c. 1930. Na década de 1960, já era a Casa Girão 



Casa de Pasto Reis e Soares, na esquina da Rotunda da Boavista com a Rua da Meditação - Fonte: Monumentos Desaparecidos




A Praça da Boavista foi ajardinada em 1906 passando o trânsito de veículos a fazer-se à sua volta.





Rotunda da Boavista antes do monumento Guerra Peninsular


Rotunda da Boavista no fim do século XIX - Fonte: CMP, Arquivo Histórico Municipal



Na foto acima à esquerda vê-se a Rua Nossa Senhora de Fátima, à data Rua das Valas e, pela direita, desenvolve-se a Rua da Boavista no troço junto ao hospital militar. A linha do eléctrico passa pelo meio da praça.



Rotunda da Boavista quando ainda atravessada por eléctrico



A linha do eléctrico começou por atravessar a rotunda pelo centro e, só com a construção do Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular, do escultor Alves de Sousa e do arquitecto José Marques da Silva vencedores do concurso realizado em 1909, integrado nas comemorações do Centenário da Guerra Peninsular, se passou a circular contornando toda a praça.



Projecto para monumento da Guerra Peninsular


Nas gravuras acima, está o projecto de Alves de Sousa e José Marques da Silva que obteve o 1º prémio para o monumento à Guerra Peninsular.
A Guerra Peninsular foi a que uniu os portugueses e os ingleses contra os exércitos de França de Napoleão Bonaparte, na Península Ibérica, no período de 1808 a 1814.



D. Manuel II lançando a primeira pedra do monumento à Guerra Peninsular – 1909



Tendo o monumento sido começado em 1909 e apenas inaugurado em 1951 e dada a morosidade do tempo de construção e ainda, a morte do escultor Alves de Sousa, ainda jovem (38 anos), a obra foi concluída sob a direcção dos escultores Henrique Moreira e Sousa Caldas. 
Nos longos anos em que só existia a parte inferior do monumento o povo chamava-lhe o “castiçal a que ainda faltava a vela”!



Monumento à Guerra Peninsular - Ed. “pt.wikipedia”


A Rotunda na Planta de Teles Ferreira 1892




A Rotunda da Boavista no Guia Baedeker 1901 e na planta do Guia Ilustrado 1907



No quadrante sudoeste da Rotunda, situava-se o Real Colyseu Portuense, (1889/1898) uma das praças de touros da cidade com uma lotação de 8 000 lugares, no local onde hoje está hoje o Tabernáculo Baptista.



Real Coliseu Portuense




O cemitério de Agramonte e o Hospital Militar


Junto da Praça Mouzinho de Albuquerque situa-se o cemitério ocidental do Porto, chamado Cemitério de Agramonte e construído a partir de 1855.
Nos meados do século XIX havia junto à Quinta do Bom Sucesso uma outra enorme propriedade que pertencia a uma família de apelido Correia de Pinho. 
Esta quinta foi muito danificada duran­te o Cerco do Porto. Muitas árvores que a povoavam foram sacrificadas para que a sua madeira fosse utilizada na montagem de peças de artilharia. Uma importante parcela dessa quinta, chamada o "campo de Agramonte", viria a ser utilizado para a construção do cemitério que ainda hoje tem o nome do campo. 
Perto do cemitério localizava-se a Quinta do Bom Sucesso, com a capela voltada para o largo do mesmo nome.




Capela da Quinta do Bom Sucesso, c. 1860 - Ed. Frederick William Flower



Casa da Quinta do Bom Sucesso, capela e fonte na primeira metade do século XX




Confluência do troço nascente da Avenida da Boavista com a Rotunda da Boavista




A foto acima mostra o troço inicial da Avenida da Boavista, que começa no cruzamento com as ruas de Santa Isabel e do Dr. Emílio Peres, sendo que à esquerda, a umas cinco dezenas de metros da esquina, está o Hospital Militar, cuja construção foi  decidida após o Cerco do Porto, mas que, apenas, seria construído no último quartel do século XIX.
Na esquina, à direita, no lugar do prédio então existente, iria surgir o primeiro centro comercial do Porto, “O Brasília”.
Aquele troço da avenida que seguia para a Carvalhosa, antigamente, era o mais edificado, e o transporte urbano da época, o eléctrico, circulava por canais próprios nas margens dessa mesma via.
Na segunda metade do século XIX, na área contígua ao Hospital Militar de D. Pedro V, a nascente, eram terrenos da família Beleza de Andrade.
Em 1884, António Miguel Beleza de Andrade, naqueles terrenos por onde, em parte, já tinha sido traçada uma porção da Rua Nova do Carvalhido (continuação da Estrada da Boavista ao Carvalhido, começada a abrir em 1868) ou seja a actual Rua Oliveira Monteiro, solicita uma licença à C.M. Porto, para construção de uma casa.
Em 1913, após a Rua do Conde (actual Ricardo Severo) se ter prolongado até à Rua Nova do Carvalhido, Maria dos Prazeres Beleza solicita à C. M. Porto licença para a construção de uma casa, em terreno situado à face do novo arruamento (actual Rua Dr. Carlos Cal Brandão).
No início da Avenida da Boavista, em frente à Rua de Santa Isabel, António Costa Ramalho, em 1882, já tinha solicitado à C. M. Porto licença (nº 162/1882) para a construção de um prédio que, hoje, ainda existe.
Aí, começou por funcionar, desde o início da década de 1910, o Grande Colégio Universal.
Durante grande parte da segunda metade do século XX o edifício e propriedade envolvente foram ocupados pela firma do ramo têxtil "António M. Rua" que, fundada em 1949 e com a sua sede inicial localizada numa pequena loja da Rua de Trás, haveria de ser uma referência na cidade e até no país daquele ramo de actividade.




Na planta de Telles Ferreira de 1892, a casa de António da Costa Ramalho, na Avenida da Boavista, nº 28




Casa de António da Costa Ramalho, actualmente – Fonte: Google maps




Sobre a foto acima, diga-se que, à esquerda da mesma, fazendo esquina com a que é, hoje, a Rua do Dr. Carlos Cal Brandão e, à época, era a Rua do Conde, em 1908, João da Costa Ramalho haveria de solicitar à C. M. Porto, licença para construção de uma casa.




Requerimento pelo qual João da Costa Ramalho solicita licença para a construção de uma casa - Fonte: AHMP