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segunda-feira, 4 de julho de 2022

(Continuação) Actualização em 4/12/2025

 
Quartéis
 
 
 
 




Aos dois regimentos, acima referidos, se acrescentariam quatro companhias, às dez companhias iniciais ficando, assim, cada um deles, com catorze companhias.
Ao primeiro regimento, 1º Regimento de Infantaria do Porto, ficou pertencendo o Quartel da Torre da Marca. 
Em 19 de Maio de 1806, o 1º Regimento de Infantaria do Porto passou a designar-se Regimento de Infantaria 6.
O 1º Regimento de Infantaria do Porto recrutava nas sete freguesias da cidade do Porto e seus subúrbios, nos concelhos de Vila Nova de Gaia, Penafiel e Gondomar, na Vila de Melres e nas Honras de Barbosa, Galegos e Entre-os-Rios, assim como na vila de Guimarães, seus arrabaldes e Termo.
O 2º Regimento de Infantaria do Porto acabou sedeado, anos mais tarde, no Quartel de Santo Ovídio, transitando das instalações que ocupava na Cordoaria. Acabaria como Regimento de Infantaria 18.
O 2º Regimento de Infantaria do Porto recrutava em vários concelhos, vilas e coutos das comarcas do Porto e Guimarães.

 
 

Fardamento do século XVIII
 
 
 
 
 
Quartel da Torre da Marca
 
 
Em 1838, a Câmara do Porto, evocando a vitória liberal, determinou que a Rua dos Quartéis, hoje de D. Manuel II, passasse a ostentar a designação de Rua do Triunfo. O topónimo então despromovido - Rua dos Quartéis - tivera origem num conjunto de edifícios destinados a aquartelamento militar que ali haviam sido erguidos pelos finais do século XVII.
 
 
 

Quartel da Torre da Marca
 
 
 
 
Sobre este quartel, Sousa Reis (1810-1876) escreveu:
 
“Não há lembrança ou documento algum que nos indique a época, o modo e as circunstâncias que deram na edificação e fundação deste quartel, ainda que o seu portão indique ser do séc. XVII”.

 
 

Planta Redonda de Balck editada em 1813
 
 
O Quartel da Torre da Marca já vem indicado na Planta Redonda de Balck, acima representada.
Ficaria ligado para sempre à história pela participação na revolução liberal de 1820.
 
 

O capitão S. Machado Sousa Magalhães e o tenente Paulo Correia impedindo a entrada no quartel da Torre da Marca, ao Coronel Grant na madrugada de 24 de Agosto de 1820
 
 
A gravura anterior é a reprodução de uma outra, de autoria de J. Vitorino Ribeiro (1887), com a legenda: "História da Revolução Portuguesa de 1820.
 
 
 
Pinho Leal, In “Portugal Antigo e Moderno”
 
 
 
Começando por albergar o 1º Regimento de Infantaria do Porto que, a partir de 1806, passou a ser o Regimento de Infantaria 6, com a sua ida para o Ultramar, acabaria por dar lugar ao Regimento de Infantaria 5 e, em 1872, seria morada do Regimento de Infantaria 10.
Entre 1829 e meados de 1832, o governo miguelista instalou aqui o Regimento de Infantaria 19. 
Em 14 de Outubro de 1872, o Regimento de Infantaria 10, vindo de Lisboa é transferido para o Porto e troca com o Regimento de Infantaria 5, ficando aquartelado no quartel da Torre da Marca, cujas instalações abandona, quando foi extinto, por ter participado na malograda revolta do 31 de Janeiro de 1891.
Em 4 de Novembro de 1891, veio de Penafiel para o Porto, o 1º batalhão de infantaria 6, comandado pelo coronel Carlos Augusto Pereira de Chaby, acompanhado pela respectiva banda sob a regência de Pio Isaac Lhansol tendo, no entanto, em 3 de Fevereiro de 1892, o mesmo batalhão, regressado a Penafiel.
Finalmente, em 10 de Maio de 1894, por determinação do Ministro da Guerra do governo de Hintze Ribeiro, general Luiz Augusto Pimentel Pinto, todo o Regimento de infantaria 6, comandado pelo coronel José Joaquim Pinto de Almeida, veio para o Porto. A respectiva banda fez o mesmo trajecto com o mesmo regente atrás referido que, anos mais tarde, seria substituído por Sousa Moraes.
Em pleno século XX, o Batalhão de Metralhadoras 3, ocupa instalações no quartel da Torre da Marca.
O Batalhão de Metralhadoras 3 acabará por ceder, mais tarde, as instalações até 1975, ao Centro de Instrução de Condutores Auto do Porto (CICAP).
Após a revolução de 25 de Abril de 1974, uma parte do edifício foi entregue à Universidade do Porto e outra parte aos Serviços do Hospital de Santo António, após um incêndio ocorrido em 1975, que atingiu as instalações dos serviços da Reitoria da Universidade do Porto, à Praça dos Leões.
Em 2007, os serviços da Reitoria da Universidade do Porto mudam-se para o antigo edifício da Faculdade de Ciências, deixando de vago parte do edifício e, em 2008, dá-se início das obras para construção do Complexo de Ciências da Saúde da Universidade do Porto, para instalação do ICBAS - Instituto Ciências-Biomédicas Abel Salazar, da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e Pólo Ambulatório do Centro Hospitalar do Porto.
 
 
 
 
Quartel de Santo Ovídio (à Praça da República)
 

O quartel de Santo Ovídio foi mandado construir em 1790 pela rainha D. Maria I e serviu como aquartelamento das unidades de infantaria, entre 1798 e 1952.
Depois, aqui estiveram instalados os Comandos da I Região Militar do Porto até 1970, da Região Militar do Porto entre 1970 e 1975, da Região Militar do Norte de 1975 a 2006. Desde esta data, alberga o Comando do Pessoal.
 
 
 

Planta Redonda de Balck editada em 1813
 
 
O Quartel de Santo Ovídio já vem indicado na Planta Redonda de Balck, acima representada.

 
 

Quartel de Santo Ovídio - Gravura de Joaquim Villanova, em 1833




Pinho Leal, In “Portugal Antigo e Moderno”
 
 
Neste quartel se instalou, a partir de 1808, o 2º Regimento de Infantaria do Porto, vindo da Cordoaria e que, passaria a ser o Regimento de Infantaria 18.
 
 
“Apesar de ter sido construído de raiz como quartel para um regimento de infantaria, foi ocupado ao longo dos anos para outro tipo de tropas. Assim coexistiram, em diferentes épocas, conjuntos diversos de tropas de infantaria com artilharia, cavalaria e engenharia, ou inclusive milícias (durante o cerco do Porto – Batalhão de Milícias de Santo Ovídio)”.
Site do Exército
 
 
 
Em 24 Julho de 1822, o jornal “Borboleta Constitucional” publicava um aviso envolvendo uma lista nominal de sargentos dos regimentos de infantaria 6 e 18 que deveriam prestar serviço de vigilância nos trabalhos de levantamento da estrada Porto – Coimbra.





 
 
O Regimento de Infantaria 18 participou na Guerra Peninsular, na revolução liberal de 24 de Agosto de 1820, no levantamento militar do Porto contra a restauração do absolutismo de 16 de Maio de 1828.
Em consequência da insurreição militar de 1 de Maio de 1851, que provocou a queda de Costa Cabral, o Campo de Santo Ovídio passou a chamar-se Campo da Regeneração. Algumas vezes mais andaria de um topónimo para outro, até acabar como Praça da República, após 1910.
Em 31 de Janeiro de 1891, principiou aí a fracassada revolução republicana na qual, por sinal, o Regimento de Infantaria 18 se negou a participar. Em 1891, o quartel albergava, ainda, um destacamento de Cavalaria 6, sedeado em Chaves.
Entre 1837 e 1840 esteve, provisoriamente, aquartelado em Guimarães.
 
 
 
Parada militar no quartel de Santo Ovídio, no campo da Regeneração (hoje, Praça da República), c.1900
 
 
 
Quartel de S. Bento da Vitória
 
Após a vitória dos liberais sobre os absolutistas, em 1833, e da extinção das ordens religiosas, o mosteiro de S. Bento da Vitória foi ocupado, até 1864, por um tribunal. Durante esse período, albergou durante os anos de 1846 e 1847 as tropas da Junta do Porto e, depois, o batalhão de Caçadores 9 que, por aí se manteria, por várias décadas.
 
 
 

Pinho Leal, In “Portugal Antigo e Moderno” (1885)


Em 1891, as instalações do antigo mosteiro já funcionavam, também, como prisão militar, substituindo nessa função o quartel de Santo Ovídio.
 
 

“Jornal do Porto”, em 3 de Novembro de 1891


Nas instalações deste antigo mosteiro esteve, ainda, um grupo de artilharia 6 que, em 1908, teve a honra de uma visita do rei D. Manuel II e albergou também o Batalhão de Caçadores 1.



In jornal "A Voz Pública" de 27 de Novembro de 1908



Grupo de oficiais de Artilharia 6 (Porto), em Novembro de 1908





Na madrugada de 13 de Março de 1922, as instalações seriam alvo de um incêndio, quando alojavam a casa de Reclusão Militar, o Tribunal Militar e os quartéis dos regimentos de Engenharia e de Infantaria 31. Acabava, assim, o uso do edifício em termos militares.
Na igreja de S. Bento da Vitória, anexa ao mosteiro, costumava-se, todos os anos, prestar homenagem ao Santo António.


 

In “Jornal do Porto” de 14 de Junho de 1872

 
 
 
Quartel das Partidas Avulsas ou Aquartelamento das Partidas Volantes
 
 
Pouco se sabe sobre este quartel, que ocupou instalações durante parte do século XIX, no edifício da Casa Pia.
Destinava-se a alojar militares em trânsito.

 
 

Casa Pia – Gravura de Joaquim Villanova, em 1833

 
 

Cortesia de Lília Paulo Teixeira Ribeiro - Fonte: Dissertação de mestrado em História da Arte da Universidade do Porto (2004)
 
 
Após a decisão régia de 1790, em 1792, o quartel já estava a receber as Partidas Volantes ou temporariamente ali estacionadas. O aquartelamento começaria a partir de 1794 a ser suportado por um imposto lançado sobre o vinho.
À Câmara competia assegurar o funcionamento das instalações.
Em 1823, o local está de tal modo pervertido, com o empilhamento de materiais por lá acondicionados, e a invasão de que as instalações tinham sido alvo por parte de Repartições Públicas, que o aboletamento é feito em casas particulares.
Em 1830, a situação há muito denunciada, não tinha sofrido qualquer alteração.
Foi residência dos Governadores de Armas do Porto e do seu Partido, albergou secretarias e repartições, públicas e da guarnição militar, o Senado (entre 1805 e 1819, vindo do colégio de S. Lourenço), os presos de calceta, etc.
 
 
 
 
Quartel da Serra do Pilar
 
 
Tendo servido as hostes dos liberais durante o Cerco do Porto, após o conflito ocorreu o abandono do mosteiro.
Em 1835, um ano depois de ser decretada a extinção das ordens religiosas e de o edifício ser incorporado no património do Estado, o sítio da Serra do Pilar era elevado a Praça de Guerra de 1ª classe.
Ao longo do século XIX, instalam-se ali diversas unidades de artilharia, como a Brigada de Artilharia de Montanha e baterias destacadas de vários regimentos de artilharia.
O Regimento de Artilharia Nº 6 (RA6) foi criado em Penafiel em 1889 e, em 1901, passa a ser uma unidade de artilharia montada. Durante a década de 1900, um grupo deste regimento, esteve nas instalações do antigo mosteiro de S. Bento da Vitória. 
Em 1911, é transferido de Penafiel para a Serra do Pilar.
É aqui que, em 1914, durante a sua recruta, o músico Raúl de Lemos irá organizar e dirigir o um orfeão de soldados do regimento, o primeiro de que há conhecimento. Aquele músico tinha tido como professor, seu pai, António de Lemos, também um músico de grande talento.
Raúl Lemos vai, também, três anos mais tarde, em 1917, criar o Orfeão do Regimento de Artilharia Nº 5, à data, aquartelado em Viana do Castelo.
A moda tinha pegado e, em 1924, o capitão Emílio Couto incumbe o músico Manuel Tino de formar o orfeão do Batalhão de Metralhadoras nº 3, sedeado no Porto.


Soldados do Regimento de Infantaria nº 18, em exercícios, no campo de manobras do Quartel da Serra do Pilar, em 1911


Em 1926, o Regimento de Artilharia Nº 6 (RA6) passa a designar-se "Regimento de Artilharia Nº 5" e, em 1927, passa a aquartelar-se em Penafiel.
Antes, entre 3 e 7 de Fevereiro de 1927, o Regimento de Artilharia Nº 5, juntamente com o Regimento de Infantaria 18 (Santo Ovídio) e Regimento de Cavalaria 9 (Monte Pedral), colocam fim à malograda revolta surgida no Porto, que pretendeu replicar ao 28 de Maio de 1926.

 
 

Soldados entrincheirados no Quartel da Serra do Pilar, em 3 de Fevereiro de 1927
 
 
 
À frente dos revoltosos do Porto, que pretendiam fazer frente à ditadura que se adivinhava, estiveram militares e civis, como o general Sousa Dias, o comandante Jaime de Morais, o capitão Sarmento Pimentel e personalidades do meio cultural, como Jaime Cortesão e José Domingos dos Santos.
As unidades revoltosas, que não seriam bem-sucedidas, foram o Regimento de Caçadores 9, a que se juntou uma companhia da Guarda Republicana; e outros regimentos da cidade e arredores.
As guerras ocorridas ao longo dos anos deixaram várias edificações do complexo militar arruinadas, em particular a ala sul. 
Em 1927, era dado início à sua reconstrução.
Em 5 de Agosto de 1936, já é notícia que o Regimento de Artilharia Nº 5, já está pela Serra do Pilar.
Em 1939, é criado, na Serra do Pilar, o Regimento de Artilharia Pesada Nº 2 (RAP2). Em 1975, o RAP2 herda as tradições do extinto RAL5 e passa a designar-se "Regimento de Artilharia da Serra do Pilar (RASP)".
Em 1993, o RASP passa a designar-se "Regimento de Artilharia Nº 5".
Em 2006, vindo do Quartel do Monte Pedral, aqui se instalou o Serviço de Classificação e Selecção do Porto (Inspecções Militares).

 
 

Igreja e mosteiro da Serra do Pilar, em estado de ruína devido à guerra entre absolutistas e liberais

 
 

Igreja da Serra do Pilar, no início da segunda metade do século XX
 
 
 

Quartel da Serra do Pilar
 
 
 
 

Casernas do Quartel da Serra do Pilar – Ed. JPortojo
 
 
 

Igreja e mosteiro da Serra do Pilar – Ed. JPortojo
 
 
 
 
 
Mosteiro da Visitação e Seminário de Vilar
 
 
O Mosteiro da Visitação de Santa Maria e respectivo colégio (o Colégio da Visitação) foram criados em finais do século XIX, por iniciativa da Marquesa de Monfalim, que habitava o Palácio dos Terenas, ali perto, no que foi secundada pelas condessas de Resende, de Pangim, do Bolhão e de Samodães e outras senhoras da melhor sociedade da época.
Com a implantação da República, em 1910, as religiosas viram-se obrigadas a abandonar as instalações que seriam ocupadas pelo Regimento de Infantaria 31, em 11 de Janeiro de 1912.
Em 15 de Outubro de 1915, ainda fora do conflito da 1ª Grande Guerra na qual Portugal só participou a partir de 1916, um contingente do Regimento de Infantaria 13, que embarcava na Estação de S. Bento com destino a Angola, foi alvo de uma grande e patriótica manifestação de despedida.
Em 7 de Junho de 1922, a propriedade foi comprada por D. António Barbosa Leão para ali instalar o Seminário de Nossa Senhora do Rosário.
Em 1975, com a mudança de instalações do seminário, o edifício foi temporariamente cedido à Universidade do Porto, voltando a funcionar lá, o Seminário de Vilar, entre 1986 e 1989.
Hoje está por lá a Casa Diocesana.
 
 
 

Instalações do Regimento de Infantaria 31, na Rua de Vilar
 
 
 
O Regimento de Infantaria 31 ficou célebre pela atitude que teve de oposição à contra revolução ocorrida na cidade do Porto, em 19 de Janeiro de 1919, pelas juntas militares favoráveis à restauração da monarquia, em Portugal, e que ficaria conhecida por Monarquia do Norte.
Esta revolução não vingaria e, a 13 de Fevereiro do mês seguinte, estava dominada.
Ocorreriam, então, diversas homenagens ao Regimento de Infantaria 31, por parte da sociedade portuense. 
Este regimento tinha também sido notícia por, durante a 1ª Grande Guerra, ter estado destacado em Moçambique, numa zona muito inóspita, denominada Mocimboa, quando de um efectivo de 1000 militares pereceram 427.
Aliás, há quem diga que aquele destacamento se tinha ficado a dever a uma série de desacatos protagonizados por alguns dos seus soldados, nos dias 9 e 10 de Outubro de 1916, durante os quais, fruto de uma rixa com um polícia, a esquadra nº 13, situada na Praça Coronel Pacheco é cercada pelo povo e é morto um polícia e quatro ficam feridos.
 
 
 
 
Quartel do Monte Pedral ou Quartel de Serpa Pinto
 
 
Localizado entre a Rua da Constituição (antiga Rua 27 de Janeiro), a Rua Serpa Pinto – para onde oferece a sua fachada principal – e a Rua Egas Moniz, o Quartel do Monte Pedral, ocupa uma área que, inicialmente, estava destinada à implantação do Asilo-Escola D. Maria Amélia.
A Câmara Municipal do Porto cedeu gratuitamente ao então Ministério da Guerra, por escrituras assinadas a 26 de Outubro de 1904 e de 5 de Maio de 1920, para a construção e instalação de um Quartel de Cavalaria, duas áreas de 20.217,25 m2 e 4.440 m2, ao Monte Pedral.
O Regimento de Cavalaria 9 instalou-se no complexo em 1912. No entanto, a obra, que um primeiro acordo estipulava durar seis anos e um segundo dez, acabou por ter uma construção faseada que se prolongou por cinco décadas.
Em 1939, o Regimento de Cavalaria 9, sedeado no Monte Pedral, é substituído pelo Regimento de Cavalaria 6.
 
 
 

Quartel de Serpa Pinto, em 1939

 
 
Em 1977, o Esquadrão de Lanceiros da Região Militar do Norte (ELN) foi aqui instalado.
Em 31 de Julho de 1979, o Regimento de Cavalaria do Porto, sucessor em 1975, do Regimento de Cavalaria 6, foi transferido para Braga e o complexo passou a acolher o Centro de Classificação e Selecção do Porto, sendo aí realizadas as Inspecções Militares.
Este serviço, entretanto designado Gabinete de Classificação e Selecção do Porto em 2006, foi transferido no mesmo ano para o Quartel da Serra do Pilar, em Vila Nova de Gaia. Foi então criada e instalada a Unidade de Apoio do Comando do Pessoal, que se manteve no Quartel de Monte Pedral até Setembro de 2014, altura em que se transferiu também para o Quartel da Serra do Pilar.
Desde então, o Quartel – que se encontra à responsabilidade da Unidade de Apoio do Comando do Pessoal – está desactivado, existindo uma possibilidade de construção de habitações com arrendamento acessível.

 
 

Parada do Quartel do Monte Pedral



Quartéis de Arca d’Água e da Circunvalação ou do Viso
 
 
O Quartel de Arca d’Água, que se serviu das instalações do antigo Recolhimento (feminino) do Bom Pastor e de toda a área envolvente alojou, durante boa parte do século XX, a Escola Prática de Transmissões. Em 10 de Maio de 1993, a unidade foi transferida para o Quartel da Circunvalação, também conhecido por Quartel do Viso.
As instalações do convento seriam, mais tarde, ocupadas pela PSP.

 
 

Fachada do antigo Recolhimento do Bom Pastor voltada para a Rua do Vale Formoso

 
 
Em 1887, o Recolhimento do Bom Pastor funcionava como Colégio do Bom Pastor.
O Quartel de Arca d’Água começou por albergar unidades de engenharia (Regimentos de Sapadores Mineiros 1 e 2, Engenharia 1 e 2 e respectivas unidades de Transmissões).
De 1965 até 1977, por lá esteve o Regimento de Transmissões e, entre 1977 até 1993, a Escola Prática de Transmissões.

 
 

Instalações do antigo Quartel do Bom Pastor . Fonte: Google maps

 
 
O Quartel do Viso, na Circunvalação, acabou por alojar uma unidade militar que, há quase 200 anos antes, se tinha instalado no Porto, o Regimento de Infantaria 6.
Em 17 de Setembro de 1950, se instalaria no novo quartel, à face da Estrada da Circunvalação, aquele famoso regimento de infantaria, até aí sedeado em Penafiel e, a partir de 1993, a Escola Prática de Transmissões, vinda da freguesia de Paranhos.

 
 

Quartel do Viso na Rua 14 de Agosto, ao Viso – Fonte: Google maps

 
 

In “Diário de Lisboa”(1ª edição) de 17 de Setembro de 1950 – Fonte: Fundação Dr. Mário Soares




(Continua)

domingo, 3 de julho de 2022

25.161 Governo Militar do Porto e seu termo

 
Trem, Fortes e Fortins
 
Trem do Ouro
 
Os Trens eram depósitos de pólvora, salitre, munições, armas e artilharia, situados em fortalezas, castelos, em locais apropriados ao reabastecimento rápido das tropas.
Mais tarde, os Trens viriam a funcionar subordinados à arma de Artilharia, quando para além de depósitos eram, também, oficinas.
Em 1763, seria criado para o Porto o Regimento de Artilharia do Porto, que inicialmente tinha sido pensado formar a partir do 2º Regimento de Infantaria do Porto que, entretanto, se manteve.
Depois de uma reestruturação em 1766, o Regimento de Artilharia do Porto fica com um efectivo de 673 praças, incluindo os oficiais.
Em 1793, vieram para o Regimento de Artilharia do Porto três companhias: duas foram divididas pelas fortalezas existentes na área e a terceira (dos artífices) foi para os armazéns da antiga Administração de Intendência da Marinha.
O Trem da cidade passou, então, a ser identificado pelo local em que se encontrava instalado, por Trem da Ribeira do Ouro, ou Trem do Ouro, ou ainda Trem e Ferraria da Ribeira do Ouro.
Em 1 de Julho de1888, no Trem do Ouro, começaria a funcionar uma padaria militar, que viria substituir o fornecimento que chegava de Viana.
Antes, o pão era adquirido pelos soldados através de um subsídio. Esta metodologia não resultou, já que os soldados desviavam a verba para outros fins e aquele bem de primeira necessidade começou a ser distribuído pelas autoridades militares. 
A padaria em causa localizava-se numa casa do cais dos Guindais na chamada Casa do Assento.
Quem nos conta a estória é Horácio Marçal, na revista “O Tripeiro”, Série Nova, Vol. IV, Junho de 1985, com o título “Casa do Assento”.

 
 
 

Casa do Assento de Horácio Marçal

 
 

Cais dos Guindais, século XVIII, no local da Casa do Assento




Então, na véspera de Natal de 1886, o jornal “O Comércio do Porto” noticiava:
 
“Pelo Ministério de guerra foi ordenada a execução da obra do estabelecimento de uma padaria militar no edifício do extinto Trem do Ouro, nesta cidade.
O prazo para a competente execução da obra será de 1 de Fevereiro a 30 de Junho do próximo ano.
É bom melhoramento, por isso que o pão vindo da padaria militar de Viana nem sempre chegava em boas condições”.
 
 
Como é habitual, os prazos raramente são cumpridos, pelo que só passado mais um ano, em Julho de 1888, seria concluída a obra.

 
“Consta-nos que a padaria militar estabelecida há pouco no Ouro, principia a funcionar no próximo Domingo”.
In jornal “O Primeiro de Janeiro” de 29 de Junho de 1888 



Largo do Ouro e Estação do Ouro
 
 
Na foto acima observa-se, a meio, a estação de serviço afecta ao “americano” e onde, junto, se localizava desde há 100 anos antes, o Trem do Ouro. Neste local, durante o século XX, esteve também a Manutenção Militar.
Devido às necessidades crescentes de manutenção junto das fortalezas de Matosinhos, Foz e Castelo do Queijo, o Trem do Ouro tinha necessidade de se ampliar.
Assim, em 12 de Janeiro de 1802, seria feita uma proposta da autoria do coronel Carlos António Napion, para que fosse criada no Porto uma companhia de artífices, privativa do Trem, o que nunca viria a concretizar-se.
Finalmente, pela Carta Régia de 12 de Julho de 1802, era fundado, no Porto, o Arsenal Real do Exército que iria absorver o Trem, já sedeado na Estrada do Ouro, em Lordelo, junto à foz do Rio Douro.
Este Arsenal tutelaria os Trens das três províncias militares do Norte de Portugal (Trás-os-Montes, Minho e Beira), sobretudo no que dizia respeito aos provimentos. Estes provimentos consistiam no fornecimento de fardamentos, artilharia, munições e equipamento de guerra.
Nesse contexto foram dadas instruções à Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra para proceder a uma inspecção ao Trem, já existente no Porto, que pela sua localização e pela natureza do edifício, teria capacidade para lá se concentrarem artilharia, armas e munições para abastecimento das Praças de guerra das Províncias do Norte.
O Arsenal Real do Exército, no Porto, teve como seu primeiro director o major de artilharia Manuel Ribeiro de Araújo. (cit. revista “O Tripeiro”, V Série, Ano XIV, Maio 1958, pág. 18-24)
Em 1806, com uma nova reestruturação para o Porto, o antigo regimento de artilharia passa a ser o Regimento de Artilharia 4.

 
 
“O Regimento de Artilharia do Porto foi criado por Decreto de 12 de Maio de 1763 com aula respectiva, em Valença do Minho. Fixou o seu quartel em Viana em 1795 e no Porto a partir de 1801, regressando a Viana em 1802. Ficou conhecido também por Regimento de Artilharia de Valença ou Regimento de Artilharia de Viana. Por Decreto de 19 de Maio de 1806 passou a designar-se Regimento de Artilharia 4. Reorganizado no Porto pelo Edital de 30 de Setembro de 1808, fixou o seu quartel em Lisboa em 1809 e regressou ao Porto em 1814, sendo extinto por Decreto de 9 de Julho de 1829”.
Fonte: “ahm-exercito.defesa.gov.pt/”
 
 

 
À direita, a Rua do Ouro e a ilha do Frade, à esquerda, parcialmente visível, quando a Manutenção Militar, que abriria em 1937, ainda não tinha sido construída 

 
 
Forte de Nossa Senhora das Neves
 
 
No início do século XVI e, até antes, as preocupações dos governantes no capítulo da salvaguarda do território tinham aplicação prática na preparação de defesas para obstar aos ataques dos piratas que assolavam o litoral do país. Para o efeito, alguns fortins, fortes e outros baluartes foram surgindo ao longo da costa.
São exemplo na área do Porto e seu termo, o Fortim de Santa Catarina substituído, depois, pelo Forte da Senhora das Neves (Castelo de Leça, em Leça da Palmeira), o forte de S. Francisco Xavier (Castelo do Queijo) e o Forte de S. João Baptista da Foz do Douro (Castelo da Foz).
A partir da revolução de 1640, aquelas fortificações foram reforçadas, com a finalidade de defesa perante os espanhóis.

 
 

Cortesia de Francisco de Sales Loureiro

 
 


 
 
O texto anterior dá conta da preocupação vivida pelo governo central, em plena dinastia Filipina, que se traduziria pela decisão do levantamento, em 1638 ou 1639, do Fortim de Santa Catarina, em Leça da Palmeira.

 
 

Local, na Avenida de Antunes Guimarães, onde foi implantado o Fortim de Santa Catarina e onde, até ao fim do século XIX, esteve o Hotel Estefânia – Fonte: Google maps
 
 
 
Entretanto, já com o trono recuperado pelos portugueses, decidiram que o Fortim de Santa Catarina seria substituído por um outro mais robusto, começado a construir, em 1651, a algumas centenas de metros, e cuja construção se arrastaria ao longo das décadas seguintes, e se chamaria Forte de Nossa Senhora das Neves. As duas fortificações haveriam de coexistir durante os anos em que decorreu a construção deste último.
Assim, um relatório de 1701 dá conta de que a fortificação ainda se encontrava incompleta, embora artilhada com quatro peças e guarnecida por oito soldados sob o comando de um tenente. Acredita-se que o forte tenha sido concluído em 1720.
Tendo perdido a sua função militar, em pleno século XIX, aí se instalou em 1844, a Alfândega do Porto e, em 1899, a secretaria do Porto de Leixões, quando na sua área foram erguidos alguns edifícios para alojamento de pessoal.

 
 

Forte de Nossa Senhora das Neves, em Leça da Palmeira
 
 
 
 
Forte de S. João Baptista da Foz
 
 
Antes, de D. João IV ascender ao poder, em 1642, já tinha sido determinado, recuperar e remodelar a fortificação ineficiente que existia há décadas em S. João da Foz.
Esta fortaleza tinha sido construída no reinado de D. Sebastião, em 1570, quando o trono era ocupado pela regente, avó do monarca e esposa de D. João III.
Foi, então, quando ocorreu a demolição da capela renascentista aí existente, mandada erguer pelo bispo D. Miguel da Silva e da qual restaria, apenas, a capela-mor.
Adossada à referida capela, D. Miguel da Silva tinha mandado erguer um paço abacial para sua residência. Francisco de Cremona foi o responsável pelo traço de ambos os edifícios, tendo as obras sido iniciadas em 1527, e prolongadas até 1546.
No final do século XVII, em 1684, o forte estava guarnecida por 22 artilheiros, congregando seis regimentos de Cavalaria e dezoito de Infantaria, e continuava a ser uma estrutura de defesa importante do Porto e, até, da região Norte.
Durante a guerra civil, esteve sob o comando dos liberais afectos a D. Pedro IV, e juntamente com o Monte da Senhora da Luz foi possível fazer a defesa do pequeno porto de Carreiros, essencial para desembarque de pessoal, mantimentos e munições.
Com o passar do tempo, o forte perdeu a sua função defensiva passando a funcionar como prisão, por onde passaram na condicção de presos, ao longo dos anos, José de Seabra da Silva, José de Passos Manuel e o duque da Terceira.
No século XIX, perdeu o fosso e a ponte levadiça, e viu a foz do rio afastar-se por remoção de alguns penedos e areia, que rodeavam a fortaleza.
Actualmente, o Castelo da Foz é a sede do Instituto de Defesa Nacional.
 
 
 

Capela renascentista do forte de S. João Baptista da Foz - Ed. Isabel Silva
 
 
 

Forte de S. João Baptista da Foz, c. 1900
 
 
Este forte, com muita história, está sobretudo ligado a um episódio particular quando, durante a segunda invasão do exército francês, a 7 de Junho de 1808, o recém-nomeado Governador do Castelo de S. João da Foz, sargento-mor Raimundo José Pinheiro, manda içar ali a bandeira portuguesa, começando a revolta contra a ocupação francesa.
Nesse dia, ocorreria a retirada das tropas espanholas do Porto, que tinham acompanhado os franceses, mas que voltavam a Espanha na sequência da revolta acontecida em Madrid, a 2 de Maio, para reposição da independência dos espanhóis. Ficaria conhecida como a revolta do “2 de Maio”.
Devido a este facto, foi decidido festejar, todos os anos, a 7 de Junho de 1808, no Castelo da Foz, a Virgem do Rosário, pelo auxílio prestado na expulsão dos Franceses.
Em 1809, o Governo Inglês entregaria ao comandante Raimundo José Pinheiro uma espada de honra, pela forma como ele se conduziu nos dias 6 a 8 de Junho de 1808.
 
 
 

Castelo da Foz, em 1907
 
 
 
Forte de S. Francisco Xavier
 
 
Da mesma época, que o Forte de S. João Baptista da Foz, é o Forte de S. Francisco Xavier edificado num local onde inicialmente esteve um forte, no século XV que, dado o seu estado de ruína, em meados do século XVII, serviu como alicerce para esta fortificação marítima, erguida às custas da Câmara Municipal da cidade do Porto, durante a Guerra da Restauração da Independência Portuguesa (1640-1668).
Assente sobre um enorme rochedo, que dada a sua forma sugestiva, aparentava um queijo, viria por sugestão popular a ganhar a designação pelo qual o forte é conhecido – Castelo do Queijo.
Durante o conflito entre os irmãos, D. Miguel e D. Pedro IV, a fortaleza esteve ao serviço do usurpador da coroa.
Até 1910, esteve sob a jurisdição da Guarda-Fiscal.
Depois de uma ocupação entre 1944 e 1949, pela Junta de freguesia de Nevogilde foi cedido ao Núcleo da Brigada Naval da Legião Portuguesa, que aí esteve até 1975.
Actualmente, após restauro, encontra-se sob a guarda da delegação do Norte da Associação de Comandos, que ali mantém um pequeno museu histórico-militar e uma programação de eventos culturais e de animação, aberta ao público.
 
 

Forte de S. Francisco Xavier ou Castelo do Queijo, c. 1849 – Ed. Frederick William Flower

 
 

Vista aérea do Castelo do Queijo




Governadores das Armas, Terços e Quartéis

 
 
Com a Restauração do Reino, D. João IV nomeou Governadores das Armas para cada uma das províncias.
Um governador das armas constituía cada um dos comandantes territoriais.
No Exército Português, entre 1641 e 1836, cada governador das armas, tinha a seu cargo um governo das armas, sendo responsável pelas tropas estacionadas numa província.
O alcaide-mor era também o governador de uma província ou uma praça.
Durante as guerras da Restauração era a mais alta patente do exército português, seguindo-se-lhe, por ordem decrescente, mestre-de-campo general, general da cavalaria e general da artilharia.
Os governadores das armas sucederam aos antigos fronteiros-mores da Idade Média, que exerciam funções em territórios fronteiriços.
Em 1669, D. Pedro II criou o cargo de Governador de Comarca, figura semelhante à de Governador das Armas.
A 1 de Junho de 1678, surge o 1º Regimento relativo aos Governadores das Armas.
Até 1751, existiam seis governadores das armas, cada qual correspondendo a cada uma das seis províncias: Entre-Douro-e-Minho, Trás-os-Montes, Beira, Estremadura (este com o título de "Governador das Armas da Corte e Província da Estremadura"), Alentejo e Algarve (com o título de "Governador e Capitão-General do Algarve" até 1816 e "Governador das Armas do Reino do Algarve", a partir de então).
O Governo das Armas do Partido do Porto surge por Decreto de 19 de Julho de 1759, juntando-se aos seis governos de armas já existentes, com uma área geográfica específica para actuação e virão a ser extintos em 1836. 



Terços






Sobre o texto anterior, deve entender-se que as “Ordenanças” constituíram o escalão territorial das forças militares de Portugal, entre o século XVI e o princípio do século XIX.
A designação "ordenanças" começou a ser aplicada às companhias e outros corpos de tropas criados no reinado de D. Manuel I.
Em 1807, é ordenada a reorganização das Ordenanças. O país ficaria dividido em 7 Governos Militares, onde seriam distribuídas 24 Brigadas de Ordenanças, sendo estas Brigadas designadas pelos números dos Regimentos de Infantaria, e cada Brigada recrutava pessoal para os Regimentos de Infantaria e teria 2 Regimentos de Milícias. Ainda na dependência das Brigadas ficavam as Companhias de Ordenanças, onde eram constituídas por todos os homens válidos entre os 17 e os 40 anos.
Por sua vez, o “Terço” (que corresponderia a um regimento) incluía oito companhias de ordenanças, cada qual com cerca de 250 homens.
Como entidade máxima passaria a pontificar, desde 1759, o General das Armas do Partido do Porto.
A partir da Guerra da Restauração, os Terços passaram a constituir uma espécie de 3.ª linha do Exército, servindo de fundo de recrutamento e de complemento à 2ª linha (tropas auxiliares ou milícias) e a 1.ª linha (tropas pagas).
Geralmente, os Terços ainda se mantêm na primeira linha do Exército Português - Terços pagos - até 1707, quando passam a designar-se "regimentos de infantaria" e na sua segunda linha - Terços auxiliares - até 1796, altura em que passam a designar-se "regimentos de milícias".
Na altura da sua extinção, os Terços já tinham todas as caraterísticas de regimentos, havendo apenas uma mudança na designação.
Entretanto, em 20 de Março de 1659, foi criado o Terço da Câmara do Porto, reorganizado em 1696, por meio do Alvará de D. Pedro II de 19 de Novembro.

 
 

Fardamento do século XVII
 
 
 

Não se conhece onde se terá alojado o Terço da Câmara do Porto, mas há quem especule que, à data, já existiria um aquartelamento para as bandas da Torre da Marca.
Em Setembro de 1762, durante a “Guerra do Pacto de Família”, o Terço da Câmara do Porto foi desdobrado formando os Regimentos de D. António de Lencastre e de Jorge Francisco Machado de Mendonça.
O tratado conhecido pelo "Pacto de Família" (o terceiro), foi firmado pela família dos Bourbon, assinado a 5 de Agosto de 1761, entre os reis da França, da Espanha e o duque de Parma, visando a criação de superioridade sobre o Reino Unido da Grã-Bretanha.
Portugal colocou-se, como era tradicional, ao lado do velho aliado, tendo sofrido uma invasão dos espanhóis por Trás-os-Montes, que ficou conhecida por "Guerra Fantástica".
O episódio ficou conhecido por aquele epíteto porque, apesar da humilhante derrota infligida aos invasores, os recontros mais importantes não foram batalhas convencionais mas acções de guerrilha conduzidas pelas milícias locais, tendo o resultado da guerra ficado decidido por uma série de sucessivas e brilhantes movimentações de tropas sob o comando do conde de Lippe, um dos melhores soldados da sua era.
Reinava D. José I, casado com Mariana Victória de Espanha.
O Tratado de Paris, assinado a 10 de Fevereiro de 1763, encerrou a guerra deflagrada pelo “Pacto de Família”.
No fim deste conflito, o Terço do Porto dá origem, por decisão régia, a dois regimentos.
O 1º Regimento de Infantaria do Porto que se aproveita das instalações existentes na Torre da Marca e o 2º Regimento de Infantaria do Porto (que primitivamente se pretendeu que fosse uma unidade de Artilharia) que permanecerá no edifício que o Terço do Porto ocupava desde 1732, na Cordoaria, e que tinha sido o Celeiro do Pão, desde o dealbar do século XVIII.
Os Terços do Porto mantiveram-se na Cordoaria, desde 1732, até ao seu desdobramento em dois regimentos em 1762.
 
 
 

A elipse amarela destaca o edifício onde estiveram os Celeiros do Pão e, depois, os Terços do Porto, o 2º Regimento de Infantaria do Porto e a 1ª Companhia da Guarda Real da Polícia do Porto
 
 
Na foto acima, a mais antiga que se conhece do local, é visível ainda, a igreja de Nossa Senhora da Graça e o colégio dos Meninos Orfãos, bem como, a Reitoria em construção.
As instalações da Cordoaria, antigos Celeiros da Cidade, virão a ser alvo de um incêndio, ocorrido em 1832, que destruirá as instalações do que tinha sido o quartel da 1ª Companhia da Guarda Real da Polícia do Porto que, entretanto, ali se tinha estabelecido.
A partir de 1874, seria erguido, naquele local, o Mercado do Peixe.
Hoje, encontra-se por lá o Palácio da Justiça.
 
 
«Aquele espaço hoje ocupado pelo Palácio da Justiça, na parte ocidental do tão maltratado Jardim da Cordoaria, foi um dos mais pitorescos trechos do Porto antigo e tem sido um dos menos estudados por quem se debruça sobre a história da cidade.
Para o sítio, onde, já nos nossos dias, se construiu o edifício onde funcionam os tribunais, esteve prevista a edificação, no século XVIII, do Colégio ou Recolhimento de Nossa Senhora da Esperança "por aly ser mais acomodado às circunstâncias de que se necessitava". Como se sabe aquele colégio foi instituído pelo padre Manuel de Passos Castro, tesoureiro mor da Colegiada de Cedofeita que, para aquele efeito, deixou à Santa Casa da Misericórdia do Porto o remanescente da sua herança, no total de 6 474 600 réis. Pelos vistos, o pedido para a construção do edifício na Cordoaria não obteve aprovação camarária e a Santa Casa optou por o erguer em terrenos seus, no Campo de S. Lázaro.
O pedido da licença para a construção do Recolhimento na Cordoaria dizia expressamente que a obra era para ser feita onde, por esse tempo, funcionavam os Celeiros da Cidade.
É muito curiosa a evolução por que passaram esses celeiros. Um alvará municipal de 24 de Junho de 1699 dá-nos conta de que "tendo a cidade do Porto experimentado grande detrimento pela falta de Terreiro e Celleiros, onde se pudesse recolher o pão que à dita Cidade viesse, a Câmara foi autorizada a tirar do cofre dos Sobeijos das cizas, 4 666 000 réis, quantia pela qual fora arrematada a obra do dito Terreiro e Celleiro para se fazer no sítio junto à Lameda".
A empreitada da construção foi entregue "por dez mil cruzados, menos vinte mil réis", ao Mestre João da Maia, pedreiro de Gaia, que se comprometeu a concluir a obra em oito meses. Mas a 8 de Setembro de 1700, uma vistoria feita às obras mandou demolir tudo o que já estava feito, "… por não ir conforme o contrato".
Trinta e dois anos depois (1732), o edifício onde se guardavam os cereais com que se fazia o pão para a cidade muda radicalmente de funções. Vai passar a guardar armas.
Segue-se um período em que os edifícios destinados aos Celeiros são ocupados pelos militares dos Terços destinados às guarnições da cidade. Como eram bastantes, alguns aboletavam-se em casas particulares com os inconvenientes que daí resultavam.
Tudo isto aconteceu enquanto não foi construído o quartel do Corpo da Guarda edificado nas imediações do sítio que ainda hoje evoca essa denominação - Rua do Corpo da Guarda. Entretanto, a tropa deve ter deixado o local que voltou a mudar de funções. É pelo menos isso que se depreende de um ofício, datado de 20 de Junho de 1806, em que se solicita à Câmara que "ceda a Casa dos Celleiros para Armazém da Real Fazenda".
No ano da Revolução Liberal (1820) ordenava-se que o Hospital Militar "que ali (nos celeiros) se achava, se transferisse para outra parte".
Após a vitória do Liberalismo as antigas instalações dos celeiros são alugadas a particulares. Entre 1838 e 1840, "esteve alugado por 600 réis pagos adiantados". Em 1850, a Câmara deliberou "não prorrogar mais o arrendamento dos armazéns denominados dos celeiros, para se levar a efeito o projectado Mercado do Peixe".
É a primeira vez que se fala na construção deste mercado. Mas sete anos depois aquelas instalações ainda estavam ocupadas, agora pela Companhia da Illuminação a Gaz, que é intimada pela Câmara "a desocupar os armazéns dos celeiros".
Finalmente, em 1869, cento e setenta anos depois da arrematação da obra para a construção dos Celeiros, começou a ser construído, exactamente no mesmo sítio, o Mercado do Peixe que viria a chegar até aos nossos dias.
Os celeiros da Cordoaria não foram os únicos que houve na cidade. Como se sabe, junto ao rio de Mijavelhas, que passava pelos terrenos onde hoje é o Campo de 24 de Agosto e desaguava no rio Douro, junto à Quinta do Prado, actual cemitério, e no lugar das Azenhas de Vilar, actual Rua de D. Pedro V, funcionaram azenhas e moinhos onde se moía o grão. A maior parte desses moinhos pertencia ao bispo e aos cónegos. O Cabido, em 1547, tinha o seu celeiro junto à Sé, nos baixos de um edifício em cujo sobrado se venerava a imagem de Nossa Senhora de Agosto. Sete anos depois, o edifício foi demolido para, no seu lugar, se construir uma nova capela da evocação da mesma padroeira. Para facilitar a obra, o Cabido cedeu a parte do celeiro que transferiu para outro local ali perto, numa rua junto do Auditório ou Tribunal Eclesiástico. A capela em causa, da invocação de Nossa Senhora de Agosto, é a conhecida Capela dos Alfaiates que nos idos de 40 saiu de junto da Sé, sendo reconstruída à entrada da Rua do Sol. Dos alfaiates por nela figuram as imagens de Nossa Senhora de Agosto ou da Assunção e de São Bom Homem, padroeiros dos profissionais do dedal».
Cortesia do Dr. Germano Silva, In “Jornal de Notícias” de 24 de Setembro de 2006
 
 
 

Mercado do Peixe, c. 1900, à direita
 
 
 

 

À esquerda do Mercado do Peixe, observa-se o edifício que foi sucessivamente brévia dos padres franciscanos antoninos de Vale da Piedade, Biblioteca Pública do Porto e Roda dos Expostos.
Com a extinção dos Governos das Armas, substituídos por Divisões Militares, de acordo com o Decreto de 26 de Novembro de 1836, o Governo das Armas do Partido do Porto deu origem à 3ª Divisão Militar.
Com o aparecimento das Divisões Militares, o Reino e Ilhas Adjacentes foram divididos em 10 Divisões. Conforme este Decreto, a 3ª Divisão Militar, herdeira dos Governo das Armas do Partido do Porto, ficou com o seu quartel-general no Porto e compreendia os distritos de Aveiro e Porto.
Através do Decreto de 20 de Dezembro de 1849, que deu nova organização ao Exército, as Divisões Militares foram alteradas para 3 Divisões territoriais no continente, sub-divididas em 8 sub-divisões, e 2 comandos militares nas Ilhas. Assim, coube à 3ª Divisão Militar a zona a norte do Douro com quartel no Porto e um estado-maior constituído por: 1 chefe do estado-maior, 1 sub-chefe, 2 ajudantes de ordens, 1 secretário e 1 oficial de secretaria.
Naquele ano de 1849, era chefe da 3ª Divisão Militar, o tenente-general Conde de Casal, que tinha à sua disposição na cidade do Porto:
Um Destacamento de Sapadores aquartelado em S. Bento da Vitória;
Em Santo Ovídio estavam um Destacamento de Artilharia 3, o Batalhão de Caçadores 8 e o Regimento de Infantaria 2;
O Regimento de infantaria 6 estava na Torre da Marca;
A Guarda Municipal, com uma Companhia de Cavalaria e quatro de infantaria, estava sediada na Praça dos Voluntários da Rainha;
A Intendência da Marinha funcionava no convento de Monchique;
A Companhia de Guardas Barreiras no cais dos Guindais.



(Continua)