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sábado, 11 de março de 2017

(Continuação 13) - Actualização em 15/03/2018, 03/11/2020 e 04/05/2021

Ateneu Comercial do Porto


Em 29 de Agosto de 2019, passam 150 anos sobre o aparecimento de uma das mais prestigiadas instituições da cidade do Porto.
Como um clube do seu tempo, a Nova Euterpe começou por ser um clube privado, apenas de portas abertas para os seus sócios, mas cedo as abriria à sociedade, e nas suas novas instalações, na Rua de Passos Manuel, desde 1885, tornou-se um local de encontro de jornalistas, intelectuais e músicos.
O Ateneu Comercial do Porto, Associação de Cultura, Instrução e Recreio, resultaria da fusão de outras instituições congéneres que não vingaram, fundadas por comerciantes e caixeiros da cidade do Porto, entre elas, a Sociedade Nova Euterpe que teve sede num palacete do Largo do Corpo da Guarda e a Sociedade Alexandre Herculano com sede na Rua da Porta do Sol, nº 22.




No prédio, em primeiro plano, na Rua da Porta do Sol, esteve a Nova Euterpe que, aí, substituiu a Sociedade Alexandre Herculano. Presentemente (2026) e, desde há alguns anos, o prédio está sob os cuidados do Teatro S. João




Ao longo dos anos o Ateneu Comercial continuaria a receber, no seu seio, sócios de outros clubes da cidade que, entretanto, encerraram.
Foi o caso dos sócios do Clube Lusitano, que esteve sedeado no 1º andar do prédio, onde durante grande parte do século XX, esteve a “Casa de Espanha”, a S. Lázaro.
Para que fosse possível levantar a sua nova sede, a Sociedade Nova Euterpe lançou mão de um empréstimo público.
Era, à data, o tesoureiro da instituição, José Dias Alves Pimenta, um abastado Brasileiro de torna-viagem, morador na Rua de Sá da Bandeira que, seis anos mais tarde, iria habitar um modelar “chalet”, por si mandado construir, na Rua de Nova Sintra, paredes meias com o horto de Aurélio da Paz dos Reis.
Como se pode observar, no anúncio abaixo, o primeiro nome do tesoureiro foi trocado de José para João. Coisas que acontecem!
José Dias Alves Pimenta, durante vários anos, foi também presidente da agremiação.




In jornal “O Comércio do Porto”, de 2 Julho 1882





Ateneu Comercial na Rua Passos Manuel, nº 44, em 1885



No seu emblemático Salão Nobre, Antero de Quental lançou a Liga Patriótica do Norte, durante a luta empreendida contra o Ultimato Inglês, Miguel Torga receberia o seu primeiro prémio literário e seria, ainda aí, em sequência da revolta de 31 de Janeiro de 1891, levado a cabo um aceso debate.
Mouzinho da Silveira e Roberto Ivens fizeram, lá, para plateias atentas, empolgantes descrições das suas viagens por África.
Para a posteridade, ficaria também o Ateneu, como o local em que a violoncelista Guilhermina Suggia deu o seu primeiro concerto.




Mezanino do Ateneu Comercial





No dia 14 de Junho de 1951, no Salão Nobre, era inaugurada a 1ª Exposição de Arquitectura Moderna. Apresentaram-se: Arménio Losa, Cassiano Branco, Adalberto Dias, Agostinho Ricca, Carlos Loureiro, Corte Real, Fernando Lanhas, Fernando Távora e Viana de Lima.





Salão Nobre do Ateneu Comercial do Porto – Cortesia “rampa.pt”



Na sua preenchida e rica biblioteca, o Ateneu, para além duma primeira edição dos Lusíadas, possui uma bíblia hebraica de 1500, uma edição ilustrada de D. Quixote de La Mancha, de 1886, e uma edição de Hamlet, de William Shakespeare, traduzida pelo rei D. Luiz I, que tem uma sala com o seu nome.
No âmbito do espólio bibliotecário, no dia 7 de Outubro de 1915, a Comissão da Biblioteca do Ateneu recebeu 250 valiosos livros e manuscritos do historiógrafo portuense Sousa Reis, obras legadas pela sua filha Adelaide de Andrade de Sousa Reis e, ainda, 175 volumes oferecidos por várias personalidades, entre as quais Sofia de Sousa Viterbo, filha do escritor portuense Sousa Viterbo.
Na chamada Sala das Sessões ou da Direcção estão expostos, nas suas paredes, alguns quadros com os retratos de diversas personalidades, como as dos exploradores africanos, Roberto Ivens ou Mouzinho da Silveira (a sua espada foi oferecida pela esposa ao Ateneu Comercial do Porto) ou o de Bento Carqueja, antigo director do jornal “O Comércio do Porto”.




Sala das Sessões do Ateneu Comercial do Porto – Cortesia Ricardo Castelo/Observador



No Ateneu Comercial, eram entregues anualmente os prémios Xavier da Mota, por decisão testamentária do benfeitor, aos quais aquele jornal também estava ligado pelo seu envolvimento no levantamento de bairros sociais na cidade, em que um dos primeiros, até se chamou “Bairro Xavier da Mota”.
Nos anos 40 do século passado, o edifício sofreria uma intervenção, em parte, com a orientação do arquitecto Amoroso Lopes e, em sequência dela, em 27 de Março de 1950, procedeu-se à inauguração das novas instalações.
Em 18 de Junho de 1957, o Trio Portugália (pianista Helena Sá e Costa, violoncelista Madalena Sá e Costa e violinista Henri Mouton) dariam um concerto que ficou para a posteridade.
As mulheres dos sócios do Ateneu começaram por acompanhar os maridos, que até tinham direito a uma pequena barbearia dentro de uma das casas de banho, mas só no século XX, a partir dos anos 60, foi possível tornarem-se sócias. 
Com tantos anos de existência, as histórias que se contam sobre a prestigiada instituição da cidade, são diversas.
Uma delas, conta que, Sousa Viterbo, médico, arqueólogo e sócio do Ateneu, após ter cegado, continuou o seu trabalho apoiado na sua filha Sofia.
Hoje, com um busto de Sousa Viterbo exposto no Ateneu, encontra-se um outro, mesmo em frente àquele, de sua filha Sofia, pretendendo-se, assim, fazer alusão à ligação dos dois em vida, feita através do olhar.
Desde que seja feito um aviso prévio, é possível visitar as instalações do Ateneu Comercial do Porto, em horário vespertino, com excepção da sua biblioteca, que aguarda uma intervenção de manutenção.
Como Sociedade Nova Euterpe, desde 29 de Agosto de 1869, passaria a ser, então, a partir de 23 de Março de 1884, o Ateneu Comercial do Porto.



 “A história deste clube, que começou por ser uma sociedade recreativa (Sociedade Nova Euterpe, fundada em 29 de agosto de 1869. Euterpe foi uma das nove musas da mitologia grega. Era a musa da música) e que acabou por se tornar num clube burguês, está intimamente ligada à própria história da cidade do Porto, identificando-se especialmente com as suas atividades culturais e cívicas.
Ainda hoje os ideais desta associação mantêm uma "cultura da pluralidade", recebendo e promovendo atividades culturais e artísticas num clube privado aberto à cidade. Esta tendência de disponibilizar ao exterior o usufruto de alguns dos seus espaços remonta às suas origens, no século XIX. Contrariamente às restantes sociedades burguesas, o Ateneu abria as suas portas a estudantes, jornalistas e intelectuais, que frequentavam a sua sala de leitura.
Este lugar, criado pelos comerciantes e caixeiros-viajantes, estava recetivo às diferentes elites, convivendo pacificamente com o cruzamento da modernidade e da tradição, e não assumia uma atitude snob, bastante comum a muitos destes clubes privados. Os hábitos e costumes dos clubes burgueses do século XIX foram-se perdendo, mas esta associação portuense aposta na promoção de um variado conjunto de atividades culturais.
Depois de 1834, a tradição dos bailes e dos saraus da aristocracia foi retomada pelas elites burguesas liberais, como forma de se afirmarem na sociedade.
A Sociedade Nova Euterpe, que esteve na origem do Ateneu Comercial do Porto, surgiu, em Agosto de 1869, pela fusão de alguns clubes recreativos (frequentados por caixeiros-viajantes) como Terpsicore Comercial Euterpe, Callanira e Club Recreativo Portuense.
Este último foi inaugurado, na atual Avenida Saraiva de Carvalho em 2 de fevereiro de 1868.
Em 1871 o Club Recreativo Portuense seria integrado na Nova Euterpe.
Com o intuito de promover o progresso moral e material dos seus associados, o Ateneu do Porto teve em B. Alves Costa o seu principal fundador, seguido depois por Alves de Azevedo, Xavier da Mota e Agostinho Leão.
A primeira sede desta sociedade, na Rua da Porta do Sol, foi mais tarde substituída, a 31 de maio de 1885, por um edifício mais apropriado, situado na Rua de Passos Manuel, no centro da Baixa portuense. 
Em 1884, um ano antes da inauguração solene da nova sede, a instituição era então presidida por Manuel Emílio Dantas. Entretanto, devido a uma alteração dos estatutos, acordada a 23 de março, deixou de se chamar Sociedade Nova Euterpe e passou a designar-se por Ateneu Comercial do Porto”.
Fonte: Infopédia




Publicidade à "Terpsicore", em 6 de Fevereiro de 1861 - Fonte: jornal "O Comércio do Porto"




“O Ateneu Comercial do Porto, Associação de Cultura, Instrução e Recreio, foi fundado em 29 de Agosto de 1869 e resultou da fusão de outras instituições congéneres que não vingaram, fundadas por comerciantes e caixeiros da cidade do Porto.
Por divisa escolheu «Inter Folia Fructus», que retracta o seu propósito de «... promover e cimentar relações de benevolência e boa sociedade entre os associados e proporcionar-lhes um passatempo honesto e civilizador por meio de reuniões ordinárias, dança e leitura, conversação e jogo lícito».
Associação ímpar no seu género, com cariz de clube privado, onde convivem atividades lúdicas e culturais, tem sede em edifício próprio, na Rua de Passos Manuel, n.º 44, desde Maio de 1885.
Dotado de magníficas instalações, dispõe de um salão nobre, polivalente, biblioteca, restaurante, bufete, bar, barbearia, sala de visitas, salas de jogos, salões de bilhar e sala de leitura, para além das salas D. Luís e Dr. Uva.
Desde as suas origens de sociedade recreativa, até às extravagâncias de clube burguês, não esquecendo a tradição dos bailes, saraus e tertúlias, onde sempre contou com a presença da velha e nova aristocracia, nunca deixou de se identificar com o Porto e os seus movimentos cívicos e culturais.
A sua peculiar identidade, permitiu-lhe acolher todas as elites, de distintas sensibilidades, poderes e contra-poderes, nunca assumindo conotações marcadas com qualquer grupo, sobrevivendo desta forma às vicissitudes do desenrolar da história. Seguramente, é esse o seu maior património, ou seja, uma cultura de pluralidade, tolerância e independência, face a qualquer credo político ou religioso, postura essa que continua a cultivar, contando entre os seus sócios, com nomes influentes de todos os quadrantes e tendências ideológicas.
É riquíssimo o historial desta Instituição e quiçá fastidioso para quem consultar esta página, enumerar os eventos de projeção nacional e internacional realizados ao longo de quase 141 anos de vida - durante os quais sempre convidou e abriu as suas portas aos cidadãos do Porto – e por onde passaram figuras de grande prestígio nacional e internacional, no domínio das letras, artes plásticas e cénicas, música, política e ciência.
Não menosprezando o seu valioso património artístico em quadros a óleo, escultura e faiança, bem como coleções de cariz numismático e medalhístico, a sua "joia da coroa" é a Biblioteca, considerada uma das melhores bibliotecas privadas da Península Ibérica. O seu recheio bibliográfico é de grande valia, possuindo um espólio superior a 40.000 títulos e 80.000 volumes, destacando-se, de entre muitas raridades, a primeira edição de "Os Lusíadas", uma edição da Bíblia datada de 1500 e alguns escritos de Fernão Lopes”.
Fonte - Site: “ateneucomercialporto.pt”



Fonte: “pt.wikipedia.org/”





Assembleia Portuense e Club Portuense


A sociedade portuense, por vezes, associou-se em clubes e agremiações, que foram motores de diversão e de comunhão de interesses da mais variada ordem.


“A Assembleia Portuense é disso um exemplo, sendo fundada em 31/5/1834 na antiga Praça da Erva, depois Largo do Laranjal e finalmente Praça da Trindade. Pretendeu-se criar um local onde os associados pudessem encontrar-se para conversarem, jogarem “jogos lícitos” e lerem. Também aí se realizavam bailes de grande agrado dos sócios em que eram servidas bebidas e doces. Interessantes eram algumas das regras que proibiam os associados de entrar em certos locais com capote, chapéu e galochas que deveriam deixar na portaria. Só na sala de bilhar e de leitura era permitido usá-los. Era proibido cuspir, assobiar, discutir alto para não perturbar a ordem. Na sala de leitura o silêncio deveria ser absoluto. 
Este clube destinava-se à mais alta burguesia. 
Jocosamente chamavam à sala de convívio o “Palheiro”, pois tinha o chão forrado com uma “alcatifa” em esparto para maior comodidade dos sócios.
Ironicamente, Camilo afirmou desconhecer a razão, mas como esta palavra vem de palha, talvez fosse para designar o alimento dos que a frequentavam.
Em consequência do empobrecimento de alguns por força das lutas políticas dos anos 40 do séc. XIX, houve muitos sócios que abandonaram a Assembleia Portuense pelo que esta sofreu graves prejuízos.
Todas as noites era distribuído gratuitamente pelos presentes chá e bolos. Em 1842 tinha mais de 300 associados. 
Pretendeu a Direcção acabar com o referido chá gratuito, o que causou grande divisão entre os associados. Realizaram-se diversas A.G. e ao fim de mais de um mês de discussões, os que pretendiam continuar com este costume perderam a votação em A. G. pelo que decidiram fundar uma nova associação.
O novo e aristrocrático clube fundado em 24/5/1857, seria chamado de Club Portuense.
No desenho abaixo está o edifício da Praça da Trindade, onde até 1857 esteve a sede da Assembleia Portuense e nos 67 anos seguintes o Club Portuense após a cisão dos sócios e que foi, ainda, residência dos Ferreirinhas.
Fariam parte do Club Portuense, várias dezenas de personalidades da Cidade do Porto, entre os quais se encontravam proprietários, futuros titulares, homens de governança da Cidade e diversos estrangeiros, nomeadamente ingleses cuja colónia detinha uma grande influência na sociedade e economia da Cidade, que viriam a dar sentido ao novo clube.
A Assembleia de Constituição foi na Casa da Fábrica, mais tarde infelizmente destruída. Era uma das mais belas casas do Porto e foi prometido reconstruí-la na Cordoaria, mas nunca tal veio a acontecer. 
Em 1924 mudou-se para a Rua de Cândido dos Reis, para o edifício aí construído pelo Conde de Vizela, onde ainda hoje se encontra.
Na década de 1980, o edifício foi adquirido pelos sócios ao antigo banqueiro António Brandão Miranda.
Este clube teve desde o séc. XIX uma intensa vida social, onde se realizaram dos melhores bailes da cidade, além de muitas outras actividades. Recebeu a visita de D. Pedro V em 1860 e da família Real, D. Luís, a rainha e seus filhos, em 1863; D. Carlos, em 1884, D. Manuel II, em 1908.”
Com a devida vénia a portoarc.blogspot




Palacete Ferreirinha e sede da Assembleia Portuense de 1834 até 1857, e do Club Portuense até 1924



Em 1837, era presidente da Assembleia Portuense fundada em 1834, António Joaquim da Costa Carvalho, mais tarde, barão de S. Lourenço.
Desde a fundação a Assembleia Portuense passou a ocupar a única ala do palácio (o projecto de construção respectivo é anterior a 1825) já construída (a sul), e o seu salão de baile só seria inaugurado quando terminou a construção do seu corpo central.
Este ficaria concluído em 1840, e passou a ser o salão nobre da colectividade, onde viriam a ter lugar os célebres bailes.
Entretanto, eles já vinham sendo realizados e, por exemplo, em 1837, tiveram lugar, cinco.



Palacete dos Ferreirinha. À esquerda, a Assembleia Portuense, depois, o Club Portuense e, à direita, a residência de António Bernardo Ferreira (filho) - Ed. Alvão (1916)



"Esse palácio tinha sido comprado por António Bernardo Ferreira, marido de D. Antónia Adelaide Ferreira, a Custódio Guerner, de nacionalidade inglesa, com a condição de serem acabadas as obras que se estavam a fazer para a Assembleia Portuense.
(...) Concluído o corpo central, correspondente ao salão nobre, foi este inaugurado com um sumptuoso baile e terminada a ala oriental do Palácio, para ali se transferiu a Assembleia, fixando António Bernardo Ferreira, filho do dono do edifício, a sua residência na ala ocidental."
Brigadeiro Nunes da Ponte, In revista Tripeiro Vª série, Ano I, Setembro de 1945


No texto anterior, o nome do proprietário inicial do imóvel é, de facto, Cristovão Guerner, conforme se pode observar no desenho integrante de projecto apresentado a seguir.
Deve também ter-se em conta que o autor do texto, quando se refere à ala oriental, quererá referir-se à ala norte e, quando o faz para a ala ocidental, deverá ler-se, ala sul.


Reprodução de um desenho, de alçados de vários edifícios da Praça da Trindade, aprovada em 1825. Com legenda: «está por edificar desde A até B, terreno pertencente a Cristovão Guerner, e já edificado desde B a C, menos o ático ou o andar superior».


A construção do edifício, mais a norte, e que complementa o conjunto teve licença de construção nº 346 de 1842, solicitada por António Bernardo Ferreira.
Por sua vez, a criação do Club Portuense, em 1857, resultaria, de uma ruptura acontecida no seio da Assembleia Portuense, criada cerca de 20 anos antes. Tudo se ficaria a dever à chamada questão do chá, que envolvia a exigência de direitos entretanto adquiridos pelos sócios, na primitiva instituição.
O Club Portuense que se instalaria no Palacete de Bernardo Ferreira, à Praça da Trindade, fá-lo-ia através de um contrato de arrendamento por dez anos que, expirado esse prazo, acabaria por ser renovado por mais outros dez.


«O jornal “O Porto e a Carta”, de 21 e 23 de Dezembro de 1859 (pág. 3 e folhetim), noticia de que, no dia 19 desse mês, ocorre “o 2º baile do Club Portuense, com 120 mulheres até às 5h da manhã”»
Cit. de Porto Desaparecido


Ao longo dos quase 150 anos da sua História, o Clube Portuense fundado na Casa da Fábrica, cedida pela família Souto e Freitas, teve como sede o Palacete Ferreirinha, no Largo da Trindade, edifício entretanto demolido e a actual sede na Rua Cândido dos Reis, edifício então mandado construir pelo Conde de Vizela.
De facto, foi no dia 24 de Maio de 1857 que, foi celebrada na residência particular de Domingos Augusto da Silva Freitas, o Clube Portuense, onde a reunião então efectuada tomou o carácter de uma sessão solene de instalação.
A comissão organizadora dos trabalhos foi constituída pelo Dr. Joaquim Vieira de Magalhães, Dr. Sebastião de Almeida e Brito, Dr. José Pereira Reis, Dr. Evaristo José de Araújo Basto e dR. José Frutuoso Aires de Gouveia que, na qualidade de secretário da reunião, fez um vibrante discurso de justificação do surgimento da nova associação.
A primitiva Assembleia Portuense foi contemporânea, então, da Associação Civilizadora Portuense, constituída em 1837, e extinta em 1848, da Associação Recreativa, em 1847, e depois, da Sociedade Filarmónica Portuense que viria, mais tarde, a  associar-se ao Clube Portuense.
A Sociedade Filarmónica, fundada em 22 de Novembro de 1840, no dia de Santa Cecília, padroeira dos músicos, teve como principal fundador, Francisco Eduardo da Costa que patrocinou nas instalações da agremiação, inúmeros serões de arte musical.
Todas as outras agremiações tinham por fim reuniões familiares de que se destacavam os bailes.
Quando o Clube Portuense se fundiu com a Sociedade Filarmónica, ao tempo instalada na Rua do Laranjal, em 1880, a Assembleia Portuense começava a tentar juntar-se novamente, ao Clube Portuense.
Para o efeito, foram constituídas pela Assembleia Portuense várias comissões que tentaram junto do clube Portuense promover a desejada fusão.
Em Maio de 1889, era feito novo ensaio, sem resultado, repetido em 1891, quando o Clube Portuense exigiu que o convite fosse feito por escrito.
No mês de Outubro de 1891, o senhorio das instalações do Clube Portuense, Bernardo Ferreira, impôs para renovação do arrendamento as seguintes condições:

 - Aumento da renda anual;

- Ter uma chave da porta interior que de sua casa dava para o clube;

- Ficar dispensado de pagar, daí em diante, qualquer quota como sócio;

- Poder assistir, acompanhado das pessoas que entendesse, de uma das janelas que dão para o salão de baile, às festas que nele se realizassem.

Neste momento, começa a germinar no seio do Clube Portuense aceitar o convite de há vários anos de fusão com a Assembleia Portuense.
Nomeada uma comissão, em 1 de Fevereiro de 1892, de qual fazia parte Cristiano Vanzeller, Visconde de Vilarinho de S. Romão e Dr. Couto Brandão para elaborar os pareceres para que a fusão se efectivasse e estando os mesmos praticamente prontos, aparece o sócio Andresen Júnior com a informação de que Bernardo Ferreira estava na disposição de fazer o arrendamento por mais cinco anos.
Foi a machada final no assunto.
O Clube Portuense continuaria a sua actividade promovendo as suas famosas festas e os bailes de que se destacam os oferecidos aos Soberanos quando de visita à cidade.
O último baile Real aconteceria em 1908, aquando da visita de D. Manuel II e de sua mãe, D. Amélia.
Entretanto, a Câmara decide expropriar o Palacete da Trindade.
A solução para as novas instalações passa pela negociação, a partir de 1917, encetadas com o Conde de Vizela.
Depois de obras demoradas na edificação de um novo prédio no Bairro das Carmelitas, é decidido a renda a pagar pelo clube ao proprietário, se bem que as remodelações e equipamentos interiores fossem da responsabilidade dos futuros ocupantes.
Em Junho de 1924, uma delegação faz entrega da chave do Clube no Município.
Em 23 de Fevereiro de 1925, realiza-se na Rua Cândido dos Reis, o primeiro baile, de cuja festa foram encarregados da organização Carlos Guerreiro, Dr. Vasco Valente e Ricardo Spratley.
Presidia então à Direcção o Dr. José Domingos de Oliveira, ilustre médico que no mês de Maio seguinte faleceria em Paris.



“O Club Portuense teve uma vida social muito activa na segunda metade do século XIX, tendo organizado diversos “Bailes em Honra dos Reis de Portugal”, por ocasião das suas visitas à cidade do Porto. Com largo eco na imprensa da época, estas festas foram estudadas pelo Sr. Brigadeiro Nunes da Ponte e publicadas no seu livro “Recordando o velho Porto”.
Em 1880, fundiu-se com a Sociedade Filarmónica Portuense, criando o Grémio Portuense, que passou a incorporar o seu acervo musical.
Este, apesar de uma doação parcial à Câmara Municipal do Porto, ainda hoje permanece parcialmente nos seus acervos arquivísticos.
Em 1924, o Club Portuense instalou-se na sua actual sede na Rua Cândido dos Reis, tendo mais tarde o edifício sofrido obras de melhoramentos, nomeadamente através da intervenção do decorador Viterbo.
As decorações do Salão de Baile e da sua Sala de Jantar, ao gosto revivalista neoclássico – semelhante ao que o mesmo decorador introduziu na Casa dos Viscondes de Villar d’Allen, na Rua de António Cardoso, no Porto – ainda hoje permanecem como ex-libris do clube. 
Na década de 1980, o edifício foi adquirido pelos sócios ao antigo banqueiro António Brandão Miranda, sendo hoje considerado como uma das salas de visita mais interessantes da Cidade do Porto”.
Fonte: ruasdoporto.blogspot.pt



Entrada do Club Portuense - Fonte: In "clubportuense.com"


Club Portuense, na Rua Cândido dos Reis, nº 24 - Fonte Google Maps


Entretanto, a Assembleia Portuense, a partir de 1859, teria a sua sede (na foto abaixo), próximo do local onde hoje se encontra o Clube dos Fenianos, tendo sido ocupada, posteriormente, pela  “Casa Fotográfica União”, vinda da Praça Santa Teresa e o edifício sido demolido, em 1915, aquando da construção da Avenida dos Aliados.



Sede, desde 1859, da Assembleia Portuense - Ed. Photo Guedes


Assembleia Portuense



Na foto acima, em destaque, a Assembleia Portuense, na Praça da Trindade. O arruamento que atravessa a imagem é a Travessa da Trindade, a que se seguia, depois da Rua do Almada, até à Picaria, a Travessa do Pinheiro.
À direita, vê-se uma pequena faixa do jardim do Cinema Trindade.
Em 7 de Março de 1903, vai à praça, por decisão judicial, o prédio da Praça da Trindade onde estava instalado a Assembleia Portuense.
Em 1 de Dezembro de 1908, ali se realizou um banquete oferecido pela magistratura portuense ao ministro da Justiça, Campos Henriques.

sexta-feira, 10 de março de 2017

(Continuação 12)



Em 1849, em vésperas de Carnaval, o folhetinista do jornal “O Nacional” zurzia na burguesia portuense que tinha pretensões e tiques aristocráticos. Na crónica de 29 de Janeiro, escrevia:

 
“O Porto quer dançar, e dança periodicamente todos os sábados numa sociedade da Rua Chã. Toda a sua originalidade se perdeu no último soi disant baile, em que alguns janotas penetraram os umbrais vedados até ali à suprema elegância. A primeira excelência fez um efeito terrível no meio da sociedade. Foi como o trovão que surpreende o viajante nos desfiladeiros dos Alpes. Aqueles parcos ouvidos, por onde roçara senão um módico – senhora – alarmaram-se com um afectado voscencia meio comido, meio pronunciado.”
 
E o folhetinista dando conta do que aí vinha, em termos de festas carnavalescas, desse ano, programadas para as salas da cidade dizia na sua crónica:
 

“Depois de amanhã temos balancé numa sociedade que vai fazer suas reuniões numa casa da Travessa da Picaria. Não sabemos se concorrerá ali a alta aristocracia; mas consta-nos que é coisa mui decente. Veremos.”
 
 
O folhetinista que assim escrevia era Ricardo Guimarães, o futuro 1º Visconde de Benalcanfor, de seu nome completo Ricardo Augusto Pereira Guimarães (Porto, 11 de Outubro de 1830 — Lisboa, 18 de Novembro de 1889), brilhante escritor, jornalista e político português. Filho de José Pereira Guimarães, grande e abastado proprietário e grande negociante de grosso trato da praça do Porto, várias vezes vereador da Câmara do Porto.
Quando rebentou a Revolução chamada da Maria da Fonte, frequentava a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, e entrou com os seus condiscípulos no Batalhão Académico. No Porto, para combater pela Liberdade, entrou como Aspirante de Marinha na Guarnição da Esquadra organizada pela Junta do Porto. Esta Esquadra foi, com a Divisão que transportava, sob o comando do 1.º Conde das Antas, aprisionada pelos navios Britânicos, e Ricardo Augusto Pereira Guimarães não pôde prosseguir na carreira que havia encetado. Acabada a Guerra Civil da Patuleia, voltou a Coimbra para acabar o curso de Direito, em que tomou o grau de Bacharel. Quando entre os estudantes se deu a chamada Revolta do Entrudo, foi dos maiores influentes desse movimento, que tomou graves proporções.
O mesmo cronista do jornal “O Nacional”, já no anterior dia 9 de Janeiro, intitulado “Crónica”, dizia:
 
 
“O Porto está decididamente janota, os elegantes ostentam-se por toda a parte, ora enfronhados nos paletós impermeáveis como os chapéus do Loreto, ora percorrendo as ruas e praças a cavalo, porque ninguém como o mundo elegante capricha na inteira observância das determinações da câmara municipal, depois de ter cumprido os firmans do alfaiate e do sapateiro. Um flâneur pur sang não se contenta com o paletó e o cavalo: falta-lhe o principal. É o tylbury subsidiário indispensável daqueles."
 
 
Paralelamente, no jornal “Eco Popular” era Camilo Castelo Branco, sob pseudónimo, que criticava os frequentadores das festas da época. No dia 9 de Janeiro daquele mesmo ano, dizia:
 
“No sábado houve um baile de grisetes na rua Chã. Esteve muito animado de caldo de galinha e biscoito de Valongo”
Fouché
 
Como as referências da crónica citada não caíram bem, quatro dias depois, vai ser sob o pseudónimo de Saragoçano que Camilo irá escrever:
 
“(…) “Passando a outro assunto, pede a justiça gastronomicamente falando, que se diga que na serventia do baile não houve profusão nem mesquinhez.
Gostei da parcimónia e pianinho, pianinho dos serviços porque ninguém vai ali para tirar o ventre de misérias. Aquela noite foi noite de grande banquete encefálico-dinâmico para as imaginações férvidas do amante, que devorou delícias nos curtos momentos de respirar o ar da sua querida.”
Saragoçano


Mas Camilo, como Saragoçano, voltaria pouco depois novamente ao caldo de galinha. No dia 3 de Fevereiro no jornal “O Eco Popular”, diz:
 
“São 5 da manhã. O cronista cheio de impressões amorosas, vinho, e caldo de galinha – acaba de recolher-se dum baile da Ferraria de Baixo (...).”
 
No dia 5 de Fevereiro, sobre os bailes e referindo-se ao seu colega do “Eco Popular” dizia Ricardo Guimarães, o folhetinista do jornal “O Nacional”:
 
 
“O Saragoçano diz que nós ainda não estamos civilizados para teatro italiano, e a nós parece-nos que o estamos menos para o português.
(…) Os bailes multiplicam-se (…). A burguesia de Santo António do Penedo vai por hora na vanguarda; segue-a da moeda forte da Ferraria, e no couce, com ar coquette, a folgasã costureira da Picaria. É uma escala descendente em bailar até se confundir com a Geraldinha”.
 
No 1º parágrafo do texto acima, Ricardo Guimarães fazia referência a uma abordagem seguida de insultos proferidos por um tal Mourão, um ex-sargento, naquela época desempenhando funções de actor teatral, que numa crónica de Camilo, no “Eco Popular”, tinha sido criticado por uma das suas actuações artísticas.
Quanto à Geraldinha era uma canção popular em passo dobrado.
Do que atrás fica referido, pode concluir-se que as escolhas da burguesia para a festança era diversificada: Rua Chá, Ferraria de Baixo, Picaria e Santo António do Penedo





“No São João e no Palácio, havia espectáculos de ópera italiana. Funcionavam regularmente os teatros Camões, de Santa Catarina, Baquet, Teatro-Circo e Trindade. Nas Carmelitas com o tenor Osório e a suripanta e as mágicas vistosas, as enchentes eram formidáveis. Bundavam as sociedades de amadores- A Filotimia, a Talia, a Terpsicore, a Almeida Garrett, a Primavera, a Juventude Portuense, a Minerva, a Filo-Euterpe, a Recreativa, o Club Distrativo, o Teatrinho do Camarão, outras sociedades análogas, algumas encafuadas em terceiros andares onde mal se ageitavam o scenario, as ingénuas e os galãs…”
Fonte - Firmino Pereira In “O Porto D’Outros Tempos”




OS FENIANOS


“O Clube Fenianos Portuenses nasceu a 25 de Março de 1904 (numa reunião dominada por ferrageiros da Rua do Almada, tendo como patrono Almeida Garrett) primeiramente na Praça da Batalha, passando depois, em 1935, para a sua localização actual. É uma associação cultural e recreativa sem fins lucrativos, com estatuto de utilidade pública.
A sua sede encontra-se na Rua Clube dos Fenianos, n.º 29, início da Avenida dos Aliados, ao lado da Câmara Municipal do Porto.
Desde o seu nascimento, sempre ficou conhecido pelo corso carnavalesco que oferecia à cidade do Porto, estendendo depois a sua fama, às acções de solidariedade e filantropia, ao acolher várias associações na sua sede social entre elas, a Sociedade Humanitária do Porto ou o Grémio Português de Fotografia.
À data e, segundo o último relatório de contas e actividades de 2013, o Clube Fenianos Portuenses apresentava 495 Associados.
O clube além do estatuto de utilidade pública, foi reconhecido como comendador da ordem militar de cristo pelos serviços prestados nos seus 111 anos de existência, e com a medalha de ouro da cidade, já que o seu lema é “Pelo Porto”.
Como já exposto em diversas publicações, a palavra fenianos está de facto relacionada com a célebre associação revolucionária irlandesa, formada em 1858, com a finalidade de se opor ao domínio da Inglaterra sobre a Irlanda. Ainda assim, não foi esta questão política que esteve na origem do nome do nosso clube, pelo menos de modo directo. Um conjunto de quatro dos fundadores por volta de 1903, cidadãos portuenses e futuros fenianos, procuraram obter os conhecimentos necessários para a organização de um corso carnavalesco com a exuberância do carioca e a beleza estética do de Veneza, tendo realizado uma viagem ao Brasil para esse efeito. A escolha do nome advém do facto de a maioria das colectividades ligadas à organização de desfiles de Carnaval ter no seu nome a designação “fenianos”.
A partir desta colaboração nasce cerca de um ano depois o Clube Carnavalesco Fenianos Portuenses, mais tarde Clube Fenianos Portuenses. O objectivo principal era devolver à cidade um carnaval à altura da sua sensibilidade artística. Como nota de curiosidade o soalho do nosso salão nobre também traz consigo o “efeito brasil” já que todo ele é de pau-cetim de tom claro e macacaúba”.
In site dos Fenianos




Salão de Bilhares do Clube Fenianos em 1906 na Praça da Batalha – Cliché de R. Brito



Sala de jogos de vasa do Clube Fenianos, em 1906, na Praça da Batalha – Cliché de R. Brito



Os fundadores dos Fenianos tomaram essa importante decisão, em Março de 1904, em reunião realizada no Café Porto Club, na Praça da Liberdade, no local onde, mais tarde, se instalaria o Banco Nacional Ultramarino. O nome terá origem nos fenianos do Rio de Janeiro que lançaram o seu grito de revolta contra o decrépito Carnaval.
A primeira sede foi no 1º andar do Café Águia d´Ouro, à Batalha. O primeiro carnaval saiu em 1905, com direção artística de Bordalo Pinheiro e colaboração de Teixeira Lopes tendo os cortejos carnavalescos sido suspensos em 1909.
Foram fenianos da I República vultos como Afonso Costa, António José d´Almeida, Guerra Junqueiro, e muitos outros.
 
 
 

No prédio, ao centro, esteve o Café Porto-Club, que acabaria por ser adquirido pelo Banco Nacional Ultramarino para estender as suas instalações primitivas, à direita 





“Os primeiros estatutos do clube são aprovados por alvará do Governo Civil do Porto a 17 de Junho de 1904.
Colectividade de grande prestígio realizou ao longo de anos e anos, eventos na cidade do Porto,
como Cortejos de Carnaval, Bodos aos pobres, festejos de Santo António, festas de Verão, além de ter contribuído com a sua influência social para a resolução de carências da cidade e da sua população, como a abolição das Portagens da Ponte D. Luís I, a regalia do descanso dominical, a inauguração rápida dos serviços de viação eléctrica para V. N. de Gaia, a criação de sociedades de Previdência Social, a criação do Teatro lírico ou Teatro modelo (hoje Teatro Nacional de S. João), o socorro a vitimas de catástrofes e o auxilio a combatentes, o alargamento do Estatuto do Porto de Leixões, de porto de abrigo a porto comercial.
Na construção da actual Sede Social foi lançado o 1º Cunhal em Agosto de 1920 com a presença do Dr. António José de Almeida, então Presidente da República, e que já em 1910 tinha inscrito no Livro de Honra do clube a seguinte frase: “ Este clube é o exemplo de que a união faz a força ”.
A partir daqui foram muitas as acções e actividades desenvolvidas, desde ginástica, iniciação musical, bilhar, filatelia, xadrez, ténis de mesa, conferências e debates sobre vários temas.
São inúmeras as homenagens, os galardões, as medalhas de mérito e os louvores recebidos de diversas entidades da vida portuense e nacional".
Fonte - portoarc.blogspot.pt; In: Associação das Colectividades do Concelho do Porto – 1929




Carnaval em 1906 - Ed. Alvão



Na foto acima o clube dos Fenianos, em desfile, na Rua Santa Catarina.
Antes de ocupar, em 1934, as suas actuais instalações (projecto de 1920, de Francisco Oliveira Ferreira), próximas da Câmara Municipal, o clube dos Fenianos Portuenses teve antes, a sua sede, na Praça da Batalha.
O edifício ao centro da foto acima ocupava o lugar na esquina da Rua Passos Manuel, onde mais tarde, se instalaria o Café Palladium.




Edifício do Clube Fenianos Portuenses e do Teatro Águia D’Ouro



Durante o governo de ditadura do General Pimenta de Castro, em 1915, os Fenianos foram alvo de um atentado. Em 1918, em pleno governo de Sidónio Pais, sofreriam um outro.
Durante a instalação da Monarquia do Norte, em 23 e 31 de Janeiro de 1919, a sede dos Fenianos foi assaltada e acabaria completamente destruída.
Este acontecimento foi essencial para despoletar uma procura por encontrar outras instalações. Por isso, em 2 de Março de 1919, numa assembleia geral, seria dado o sinal de partida.
A chegada dar-se-ia cerca de década e meia depois.





Em 4 de Abril de 1934 (ano de ocupação das novas instalações), os Fenianos Portuenses promoveram uma homenagem ao seu presidente João da Cunha Guimarães, que vinha desempenhando esse cargo desde 1916. Foi orador especial na ocasião o conhecido Dr. António Paúl.
Durante o Estado Novo, deram-se nas suas instalações conferências com teor político e, não só, e seriam levadas a cabo interessantes exposições fotográficas em colaboração com o Grémio Português de Fotografia e o seu núcleo do Porto, do qual era membro o cineasta Manuel de Oliveira.
Assim, em 12 de Abril de 1947, nas instalações dos Fenianos, seria inaugurado o "X Salão Internacional de Fotografia", durante a qual foram apresentados 276 trabalhos de fotógrafos de 21 países.
As instalações actuais, bem ao lado da Câmara Municipal, são muito funcionais.
O edifício tem um salão para teatro e um salão nobre polivalente, que pode ser ocupado por exposições, para bailes, sessões solenes e também para teatro.
Possui ainda um anfiteatro para ilusionismo.
Tem no andar superior um outro salão apelidado de “salão de cimento”, que é o mais grandioso. O “Flamingo” é também um salão polivalente, onde se fazem bailes e outras atividades, que também é polivalente. Acresce a isto, o salão para o ténis de mesa, o “pub” com bilhar de snooker e um BAR.



Festa em 1931 no Clube dos Fenianos Portuenses – Fonte: coisasdoarco-da-velha.blogspot.pt



Clube dos Fenianos, em 1935 - Ed. Foto Beleza



"Pelo Porto"





Sede actual do Clube Fenianos Portuenses – Fonte: restosdecoleccao.blogspot.pt



Sociedade Philarmonica Portuense


Foi localizada na Rua das Hortas e Rua da Fábrica e teve período de actividade entre 1840 e 1880.
A Sociedade Filarmónica Portuense ocupou, em tempos, primeiro, um andar no prédio da Rua das Hortas onde esteve o Café das Hortas e, mais tarde, em 1855, o edifício construído de raiz para seu uso próprio e, no qual, em 1877, se instalaria, na Rua da Fábrica, o Hotel Paris.
Fundada em 13 de Março de 1840, por Francisco Eduardo da Costa, dia lembrado anualmente e comemorado com uma grande festa, para além dele, a instituição levava a efeito à segunda-feira reuniões ordinárias, num 2.º andar do tal prédio situado na esquina das ruas das Hortas e da Fábrica.



Programa de concerto de benefício, com Francisco Eduardo Costa ainda ao leme da Sociedade Filarmónica Portuense
 
 
 
Sobre as reuniões acontecidas no salão da Filarmónica, se refere Ramalho Ortigão no texto seguinte.
 
 
 





Entre os múltiplos clubes e sociedades que foram sendo criados ao longo de oitocentos, a Philarmonica Portuense depressa se destacou na cidade. Fundada por iniciativa do músico e compositor Francisco Eduardo da Costa, a Sociedade tinha uma escrupulosa e selectiva política de admissão de sócios. Após a morte do fundador, em 1855, passou a ser dirigida pelo maestro italiano Carlo Dubini, continuando a marcar a vida musical do Porto.
Em 1880, quando já ocupava instalações, na Rua do Laranjal, a Philarmonica Portuense fundiu-se com o Club Portuense (que ainda hoje se mantém em actividade) que guarda hoje, na sua sede, na Rua de Cândido dos Reis, o riquíssimo espólio da Sociedade Filarmónica.