Mostrar mensagens com a etiqueta Colégio da Glória. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Colégio da Glória. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

25.68 Um jornal de referência e de causas


No Comércio do Porto (1854 - 2005), fundado por Manuel de Sousa Carqueja (1821 -1884) e pelo Dr. Henrique Carlos de Miranda (1832 – 1902), esteve  a trabalhar a partir de 1880, na sua redacção, o Jornalista e Professor Universitário Bento Carqueja (1860 – 1935).
Os fundadores acima mencionados haviam-se reunido, no início do ano de 1854, numa casa da Rua das Flores, pertencente a Manuel Vaz de Miranda.
Eram tempos, em que saíam para as bancas os jornais: Braz Tisana, Periódico dos Pobres, O Nacional, O Jornal do Povo, O Eco Popular, A Monarquia, O Diário Mercantil, O Porto e a Carta e o Portugal, todos eles com afinidades políticas.
Manuel Carqueja e Henrique de Miranda pretendiam editar um jornal, apenas de cariz comercial.
Assim, em 2 de Junho de 1854, era publicado o primeiro número, com a redacção do jornal e oficina, ambas muito modestas, alocadas na Rua de S. Francisco, nº 10. 
Essa zona da cidade, em grande parte, foi intervencionada e demolida para a abertura da Rua Nova da Alfândega, tendo a Rua de S. Francisco sobrevivido. 
A periodicidade era tri-semanal. Saía às 2ªs, 4ªs e 6ªs Feiras.



“O Commercio” na Rua de S. Francisco, nº 10 – Gravura, In publicação comemorativa do centenário, em 2 de Junho de 1954



Em Janeiro de 1855, já o jornal "O Commercio" era diário e, em 1856, adoptou a designação de "O Comércio do Porto".
Em Novembro de 1857, são inauguradas novas instalações na Rua de Ferraria de Baixo, em prédio da família de Manuel Carqueja.
Os anos que se seguiram ficarão para sempre ligados à história da cidade do Porto, e grande parte dela é passada a partir de 2 de Junho de 1929, depois de ocupar as instalações na Avenida dos Aliados, após a compra, dois anos antes, do terreno que ia até à Rua do Almada, sendo que, na esquina desta rua com a Rua Elísio de Melo, seria construída e concluída em 1932, a célebre garagem de “O Comércio do Porto”, mesmo encostada ao edifício do jornal.
O projecto dos dois edifícios que ficaram adossados, foram ambos, da autoria do arquitecto Rogério de Azevedo.



Edifício de “O Comércio do Porto” na Avenida dos Aliados



Garagem de “O Comércio do Porto” em 1940 (Praça D. Filipa de Lencastre) – Ed. AHMP



Voltando aos primeiros anos, em 1858, junta-se ao projecto inicial, após abandonar os estudos destinados à vida eclesiástica, Francisco Carqueja (1840-1908) irmão de Manuel.
No ano de 1861, de acordo com um comentário de António de Azevedo Castelo Branco (1842-1916), sobrinho de Camilo Castelo Branco, chegado de Coimbra em férias escolares, instalado na Hospedaria do Sol, num 3º andar, à Praça da Batalha, dizia:
 
“O Comercio do Porto, único periódico que havia na nossa pacata hospedaria, era distribuído de tarde para poder publicar a correspondência de Lisboa, que todos os dias de manhã chegava ao Porto na malaposta.”
 
Em 1861, Júlio César Machado visita o Porto e, nessa ocasião, foi convidado para estar presente num sarau musical, levado a cabo pelo “Commércio do Porto”, ao qual se refere no texto seguinte. 




Júlio César Machado, na sua obra literária “Scenas da Minha Terra”, escrita após uma visita efectuada ao Porto, em 1861


O jornalista Custódio José Viera, referido no texto anterior, foi uma personagem nascida no Peso da Régua em 1822 e que faleceu no Porto em 1879.


“Custódio José Vieira distinguiu-se como advogado e como deputado. Formou-se em Coimbra, em 1843. Frequentava o 3° ano de Direito quando rebentou a revolução de 1846, à qual aderiu convictamente. O General Sá Nogueira, então visconde de Sá da Bandeira, nomeou-o comissário civil de uma das três circunscrições em que, ao tempo, foi dividido o Algarve. Mais tarde, voltou à Universidade, formando-se bacharel em Direito.
Abriu banca de Advogado no Porto, onde depressa se notabilizou. Em 1848, estreou-se no jornalismo, no jornal republicano Eco Popular, propriedade do livreiro José Lourenço de Sousa. Seguiu-se uma fase da sua vida jornalística, como redactor do Nacional, onde se distinguiu como polemista e escritor político, nervoso e apaixonado.
Filiou-se no Partido Regenerador. Fundou e dirigiu o jornal O Portuense, do qual também foi proprietário. Em 1867, foi eleito deputado e nessas funções teve grande fama. Em 1871, foi proposto para reitor do liceu do Porto. Em 1876, viria a ser deputado por Lisboa”.
Fonte: “teoriadojornalismo.ufp.edu.pt”



Bento Carqueja, que é a personalidade que se pretende destacar, depois de ter ocupado diversas posições na empresa, acabou por subir, em 1908, após a morte do tio, ao lugar de co-proprietário do jornal, passando então a desenvolver uma nova e inovadora política redactorial e social.



Caricatura de Bento Carqueja no número do jornal “O Comércio do Porto” comemorativo do centenário



«Bento Carqueja nasceu no dia 6 de Novembro de 1860 na Rua Direita, Oliveira de Azeméis. Era o mais velho dos quatro filhos de Bento de Sousa Carqueja, comerciante e actor amador, e de Maria Amélia Soares de Pinho, descendente da aristocrata família Soares de Pinho.
O sobrenome Carqueja procede da alcunha do seu bisavô Manuel de Sousa Bento, de Valbom, que trabalhava como aprendiz numa loja de solas na Rua das Congostas, no Porto (desaparecida com a construção da Rua de Mouzinho da Silveira), e era assim chamado pelos colegas para o distinguirem de um caixeiro também chamado Manuel.
(…) Os primeiros estudos realizados em Oliveira de Azeméis foram prosseguidos no Porto, cidade para onde se mudou aos dez anos com o apoio do tio e padrinho, Manuel de Sousa Carqueja. Nessa época vivia na casa dos tios Francisco e Paulina, na Rua da Ferraria (atual Rua do Comércio do Porto, resultante da junção das ruas da Rosa e da Ferraria de Baixo ou Ferraria Nova), e frequentava o Colégio Nossa Senhora da Glória. Neste colégio fez amizade com Luís de Magalhães e tornou públicos os seus dotes de escritor e orador. Por isso ninguém estranhou que o seu primeiro discurso fosse publicado quando tinha apenas quinze anos de idade. Nem que o seu primeiro artigo fosse publicado quando tinha apenas dezasseis.
Em 1878, matriculou-se no Curso Superior de Agricultura na Academia Politécnica do Porto, que terminou passados quatro anos com excecional classificação de 5 accessits.
Em seguida, ensinou no colégio onde estudara, do qual se transferiu, em 1884, para a Escola Normal do Porto, onde lecionou as disciplinas de Agricultura e de Ciências Físico-Naturais e instalou o "Jardim Botânico" e os laboratórios de Fisiologia Vegetal e Química Agrícola.
(…) Em 1898 foi nomeado professor da Academia Politécnica do Porto, onde permaneceu até 1915. Neste ano, com a instituição da Faculdade Técnica, atual Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, foi convidado a aí lecionar as cadeiras de Economia Política, de Contabilidade e de Legislação das Obras Públicas. Mais tarde, ascendeu ao cargo de Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. A reforma chegou depois de 46 anos de ensino.
Por ser um benemérito, doou o seu salário de professor ao Instituto de Investigação Científica de Ciências Económico-Sociais.
Em paralelo com o ensino também se dedicou ao jornalismo no periódico portuense “O Comércio do Porto”.»
Fonte: “sigarra.up.pt”


O Colégio da Glória, frequentado por Bento Carqueja, era um estabelecimento de ensino, consagrado, situado na Rua de Cedofeita, nº 235 e em 1896, tinha como director António Domingues dos Santos que, nesse ano, haveria de se juntar com Manuel Francisco da Silva, na Escola Académica.
Vai ser pela mão de Bento Carqueja, que o jornal “O Comércio do Porto” vai ter um papel fundamental em diversas vertentes das áreas sociais.
Bento Carqueja com uma propensão inacta para se envolver nas questões de âmbito social, incrementou, a partir de 1889, a construção de bairros operários: o do Monte Pedral, em 1889, o de Lordelo do Ouro e o do Bonfim, em 1901.
De realçar, que os últimos anos do século XIX, foram de enormes dificuldades para os portuenses, em virtude dos surtos de tuberculose e da temível peste bubónica.
No campo da habitação, que se prendia também e muito, com questões de salubridade, o “Comércio do Porto” chamava a atenção, nas suas páginas, que aquelas habitações, naqueles bairros, não se destinavam a abrigar operários indigentes, mas, sim, para recolher os mais hábeis, mais assíduos e mais aplicados operários, como prémio dos seus méritos e, não, como auxílio às suas condições de existência, como os azulejos na fachada da «colónia» do Monte Pedral, proclamam: “Labor, honor”.


“O jornal O Comércio do Porto promoveu uma subscrição pública entre a comunidade portuguesa emigrante no Brasil com o objectivo de construir um certo número de bairros operários, chamados «colónias operárias». Ao todo, foram construídas 121 casas.
Em 1901, foi construída a primeira «colónia operária» na Foz do Douro. Pouco melhor do que uma «ilha», era uma pequena fila de oito habitações de um único piso.”
Cortesia de Manuel C. Teixeira (Faculdade de Arquitectura da U. T. Lisboa), In “As estratégias de habitação em Portugal, 1880-1940”



A “Colónia Operária da Foz do Douro”, na Rua António Pinheiro Caldas, na Foz do Douro, próximo do Largo da Fonte de Cima – Ed. Manuela Campos


À «colónia operária» na Foz do Douro, seguir-se iam as Colónia Operárias do Monte Pedral (começada a construir em 1899), com 26 habitações (14 numa 1ª fase e 12 numa 2ª fase), a de Lordelo do Ouro (em 1903), com 29 habitações em banda e do Bairro do Bonfim (1901), com 40 habitações, de 3 tipos arquitectónicos.



“A construção do primeiro bairro operário - denominado do Monte Pedral -, localizado na proximidade de grandes fábricas, como a Companhia Fabril de Salgueiros, decorreu em duas fases. Na primeira, resultante da iniciativa d' "O Comércio do Porto", foram construídas 14 casas, sendo o projecto da autoria do arquitecto Marques da Silva, tendo começado a construir-se ainda em 1899. O segundo grupo de casas, situado junto ao primeiro e num total de 12, foi já da iniciativa da Câmara Municipal, que utilizou para o efeito o produto de uma subscrição feita junto da comunidade portuguesa em terras brasileiras, no Pará. Contrariamente ao que muitas vezes é afirmado, o projecto deste segundo grupo não foi elaborado por Marques da Silva, mas sim pelo arquitecto Tomás Pereira Lopes, tendo sido o único que se apresentou no concurso público aberto para o efeito”.
Cortesia José Manuel Lopes Cordeiro (16 de Julho de 2000), In jornal “Público” 


O Bairro do Bonfim (Antas):

“Era composto por três tipos diferentes de habitações: um, idêntico ao de Lordelo (ou seja, habitações em banda); outro, igualmente semelhante ao de Lordelo, "mas modificado segundo as indicações dos médicos Miguel Bombarda e Daniel de Matos", que o visitaram ainda na fase de construção, aquando da realização no Porto de um Congresso sobre a Tuberculose. Estes dois tipos foram projectados pelo já referido Manuel Fortunato de Oliveira Mota, sendo o terceiro da autoria do engenheiro Joaquim Gaudêncio Rodrigues Pacheco.
De todas as habitações então construídas interessa-nos destacar as da primeira fase do Bairro do Monte Pedral e as do terceiro tipo do Bairro das Antas. Efectivamente, ambas as soluções adoptadas, quer por Marques da Silva, quer por Rodrigues Pacheco, eram constituídas por habitações reunidas em grupos de quatro "formando um único edifício no meio de uma parcela de terreno dividida em quatro partes iguais. A cada habitação correspondia um ângulo do edifício, com duas fachadas livres e um jardim independente. Cada uma destas habitações, de dois pisos, era composta por uma sala de estar, uma sala de jantar, cozinha, dois quartos, e um pequeno jardim". No bairro das Antas, "cada grupo de quatro casas, com as respectivas latrinas, ocupa uma área de 150,56 m2 [cada casa e respectiva latrina ocupa uma área de 37,64 m2] ou sejam os oito grupos 1204,48 m2, sendo o restante terreno de 984,56 m2 ocupado pelos pátios das casas, tanque, poço, casa destinada ao forno e ruas". A razão fundamental do destaque atrás evocado reside no facto de ambas as soluções arquitectónicas terem adoptado um novo tipo de casa, inspirado nas habitações construídas por Emile Müller para a Société Mulhousienne des Cités Ouvriéres.”
Cortesia José Manuel Lopes Cordeiro (16 de Julho de 2000), In jornal “Público” 


A Colónia Operária do Monte Pedral tinha por objectivo premiar operários que se distinguissem no desempenho das suas tarefas laborais, tendo o respectivo aglomerado habitacional, sido também conhecido, como Bairro Xavier da Mota.
Por ter sido uma personalidade importante para a cidade do Porto, não sendo, porém, muito conhecida, se dá conta, a seguir, de quem foi Xavier da Mota.


“João Xavier da Mota (Braga, 1850 -Brasil, 1895) era, simultaneamente, homem de negócios e escritor. Numa relação estreita com o Ateneu Comercial do Porto, ofertou bastantes livros e moedas de ouro, prata e níquel à biblioteca desta instituição. Em 2 de Março de 1895, um mês após a sua morte, foi convocada uma assembleia geral extraordinária onde se deliberou que a data do seu falecimento passaria a ser um dia de luto para o Ateneu. Deliberou-se, também, que uma das salas da instituição portuense passaria a ter o seu nome, sala, essa, onde ainda hoje se encontra um retrato de Xavier da Mota. Foi igualmente instituído um prémio anual homónimo no valor de 30 réis, entregue todos os anos ao jornal “0 Comércio do Porto”, sendo este responsável pela sua distribuição. 0 objectivo era distinguir "o estudo, o trabalho e a virtude", três predicados que caracterizavam a postura moral de Xavier da Mota. Destinava-se aos alunos mais distintos da escolas do Porto, dando-se notícia no jornal de vários alunos de tipografia terem sido premiados.
O galardão era entregue em sessões com a presença de figuras ilustres portuenses, as quais patrocinavam prémios complementares tornando, assim, a data num dia de festa. Segundo consta no livro comemorativo do centenário de "0 Comercio do Porto, 1854-1954", nas páginas 38/39 relata-se, com destaque, um crescendo, na importância e na participação, da festa anual de atribuição deste "Prémio 'Xavier da Mota' e festa do trabalho", tendo começado a celebrar-se na nave central do Palácio de Cristal, para chegar a ser comemorado no já desaparecido, Estádio do Lima, com a presença do então Presidente da República, general António Óscar de Fragoso Carmona.”
Cortesia de Eduardo Filipe Valente Cunha da Silva Aires (Dissertação de Doutoramento em Design de Comunicação, apresentada, em 7 julho de 2006, à Faculdade de Belas-Artes da U. P.)


Xavier da Mota


Artigo do jornal “O Comércio do Porto” sobre a atribuição dos prémios “Xavier da Mota” em 1951


Através do jornal “O Comércio do Porto”, Bento Carqueja ajudou também a instituir as creches, chamadas de “Creches do Comércio do Porto”, para as quais angariou fundos, recorrendo a métodos inovadores.
Num deles, usando, por exemplo, um biplano (comprado em França, por um industrial portuense, de seu nome, António da Silva Marinho) que evoluiria durante 1 semana nos céus do Porto, partindo de improvisado aeródromo perto do Castelo do Queijo, entre 7 e 15 de Setembro de 1912.
Aquele industrial foi membro da Associação Industrial Portuense e seu Presidente entre 1908 e 1910.



“Entre 1910 e 1933 foram criadas as chamadas creches de “O Comércio do Porto”.
É curioso saber que a primeira creche funcionou numa sala da redacção do Jornal, para se aplicar o dinheiro que tinha sobrado de uma subscrição pública, ocorrida aquando das cheias de 1909.
Depois, seguiram-se outras inaugurações: a 5 de Maio de 1910, teve lugar a abertura da creche que se situava na Rua da Reboleira, nº 41; a creche no Lordelo abriu a 15 de Agosto de 1915 e, mais tarde, passou a ser denominada de António da Silva Marinho; a creche do Bonfim foi inaugurada a 1 de Setembro de 1930 e designou-se, posteriormente, de Laura Dias de Sousa. Quanto à creche da Foz do Douro, foi aberta em 27 de Agosto de 1932, designada Elisa Carqueja, o nome da mulher de Bento Carqueja.
Estas creches destinavam-se a recolher e a alimentar, durante o dia, crianças carenciadas, até aos 3 anos e eram administradas por uma comissão, eleita trienalmente, pelos sócios beneficentes.
Relativamente à creche do Bonfim, na Rua Dr. Carlos Passos, junto à Avenida Fernão de Magalhães, será interessante sabermos mais alguma coisa sobre ela, uma vez que o edifício de outrora, abandonado e muitas vezes vandalizado, tem, nos dias de hoje, outra utilização: é a Casa d’ Artes do Bonfim.
O edifício é da autoria do arquitecto Rogério de Azevedo (1898-1983) e o projecto desta creche foi feito para um pequeno terreno, cedido pela Câmara Municipal do Porto, pretendendo o arquitecto incluir um espaço maior de jardim, para recreio das crianças, o que não veio a acontecer, por dificuldades surgidas posteriormente. O edifício em causa, agora recuperado, mantém vários elementos decorativos característicos da Art Deco, quer nos painéis exteriores que ostentam relevos com temas de carácter lúdico/infantil, ou temas florais de grande sobriedade ou, interiormente, os apontamentos, em ferro, nas janelas”.
Cortesia de Maximina Girão Ribeiro, In “etcetaljornal.pt”


Sobre o texto acima, importa precisar que a creche da Foz do Douro, também identificada como Creche-Filial n.º 3, seria extinta em 1935, e a creche do Bonfim, também designada como Creche-Filial n.º 2, foi edificada no gaveto da Avenida Fernão de Magalhães e Rua da Póvoa, em terreno cedido pela Câmara Municipal e solicitada, de facto, no ano de 1930, sendo inaugurada, porém, em 2 de Junho de 1932, tomando a designação de Creche D. Laura Nobre Dias Sousa (Porto, 1868-1924), constituindo uma homenagem de seu esposo, António Dias da Silva e Sousa que suportou todos os encargos da sua construção.
Laura Nobre, filha de um caixeiro e de uma cidadã brasileira, ainda tinha parentesco com o poeta António Nobre (1867-1900).
A sua educação seguiu os passos normais  de uma menina da burguesia portuense, aprendendo as matérias escolares habituais e, aos 17 anos, uma escola de canto dirigida pela professora Luiza Chiaramonte. Com jeito para as artes, foi buscar saberes aos ensinamentos do pintor e professor João Marques da Silva Oliveira (1853-1927). Passou a dominar a técnica do desenho e do pastel.
Em 1889, surge na lista de subscritores do "Álbum Phototípico", uma publicação de homenagem a Soares dos Reis (1847-1889) promovido pelo Centro Artístico Portuense, uma associação de ensino livre, cofundada e dirigida, desde 1880, pelo famoso escultor.
Participou em exposições no Ateneu Comercial, que possui no acervo obras suas e esteve várias vezes ao lado de outros artistas consagrados como Aurélia de Sousa, Alice Grilo, Josefa Greno, etc.
O seu dia era acompanhado, permanentemente, por uma acção de beneficência e filantropia. Encontra-se entre os sócios honorários das Creches de S. Vicente Paulo do Porto.
Não tendo descendentes, legou todos os seus bens ao marido, que tratou, após o seu falecimento, a 8 de Maio de 1924, de homenageá-la, num área que lhe era querida - as obras sociais de assistência.




Creche do Bonfim



Creche “O Comércio do Porto”, actualmente a Casa d’Artes do Bonfim




Para além das citadas creches, localizadas no Porto, uma outra seria fundada, em V. N. de Gaia, na Afurada.
Uma vertente de apoio social à qual Bento Carqueja deu, também, o seu contributo, mais uma vez estribado no jornal “O Comércio do Porto”, aconteceu a partir de 1914, com a organização e estabelecimento para os mais desprotegidos, das sopas económicas, tendo-se chegado a distribuir mais de 70 000 refeições.
Aliás, foram várias as entidades que se dignaram abraçar essa causa.
Por exemplo, a 12 de Agosto de 1914, a Junta de Paranhos criaria uma Cozinha Económica, tomando a iniciativa de, desta forma, atenuar a miséria operária, aumentada pela guerra.



Pobres à porta de uma casa, em 1916 – Ed. Photo Guedes



Na foto acima, constante do acervo do Arquivo Municipal do Porto, observa-se um grupo de pessoas que esperam, possivelmente, pela entrega de uma sopa – “A sopa dos Pobres”.
Desconhece-se qual a rua em que se passa esta cena. A foto não a menciona e, até hoje, que se saiba, alguém o fez.
Poderá tratar-se de uma rua que desapareceu completamente, como são os casos das ruas da Cancela Velha, do Laranjal, dos Lavadouros, Elias Garcia, etc.
Entre outras intervenções na vida pública, Bento Carqueja usou, pela primeira vez, correspondentes no estrangeiro; contratou colaboradores de renome nacional; criou um museu para promoção das artes; estimulou a homenagem aos grandes vultos da cultura nacional já desaparecidos; criou bibliotecas e instituiu "O Lavrador" (1903), folha mensal gratuita dedicada aos agricultores, patrocinada por José Cláudio Mesquita, que também se envolveu na fundação de escolas agrícolas móveis.
Na sua terra de origem, fundou a Fábrica de Papel do Caima (1905), ajudou a implementar o abastecimento de águas (1906), edificou um asilo, instalou a iluminação pública, o caminho-de-ferro do Vale do Vouga, a Associação de Bombeiros e a Santa Casa da Misericórdia, assim como criou a Escola de Artes Gráficas e Ofícios (1927) e recuperou a Igreja matriz, o Parque La Salette e os Annaes Municipaes.
Durante a sua existência e o período de governação do Estado Novo, “O Comércio do Porto” foi suspenso por duas vezes.
A primeira aconteceu de 11 de Junho a 20 do mesmo mês do ano de 1943, a propósito de uma foto publicada de Salazar e, nos dias 28 e 29 de Junho de 1963, na sequência de uma notícia sobre a Guiné.
Em 1954, cumprem-se as comemorações do centenário do jornal.
Assim, no dia 2 de Junho, após a celebração de uma missa na Trindade, presidida pelo bispo D. António e abrilhantada pelo Grupo Musical de Santa Cecília, à tarde, é descerrada uma lápide comemorativa na sede e, à noite, decorre um festival no Coliseu destinado aos assinantes.
No dia seguinte, é promovida uma sessão solene na associação de Jornalistas e Homens de Letras, durante a qual é evocada a vida de Bento Carqueja e a inauguração da nova sede em 2 de Junho de 1929.
Em 2 de Agosto de 1935, morre na sua casa de férias de verão, na Foz do Douro, na Rua do Molhe, Bento Carqueja que, habitualmente, na cidade, vivia na Rua da Alegria, n.º 953.
Aliás, o ano de 1935, foi de luto para o jornal, pois, no dia 26 de Janeiro, já tinha falecido António Caldeira, que entrara como tipógrafo, com 20 anos, para o jornal, em 1887, e esteve como Chefe de Redacção desde 1917, quando substituíra Cruzeiro Seixas.
A orientação do jornal, após a morte de Bento Carqueja, foi mantida pelo seu genro, Fortunato Seara Cardoso, entre 5 de Agosto de 1935 até 1973, que haveria de contar com o seu filho, Manuel Filipe, como director adjunto.
Em 2 de Agosto de 1937, começa a ser publicado no jornal uma tira desenhada tendo por protagonista a personagem Ferd’nand (Ferdinando) do desenhador dinamarquês Henning Dahl Mikkelsen (naturalizado norte-americano e falecido nos USA em 1982), que foi um tremendo sucesso, durante décadas. A célebre personagem foi desenhada por outros artistas e publicada em jornais de todo o mundo até 2004.

 


Tira de banda desenhada de Ferdinando

 

 

Voltando ao percurso do jornal, com a morte de Manuel Filipe o jornal foi vendido ao Grupo Quina, e era chegado o 25 de Abril de 1974, sendo o jornal intervencionado até 1989, quando a maioria das acções caem nas mãos da Gesgráfica, uma empresa espanhola. Sucederam-se, então, os directores: José Carqueja Seara Cardoso, Fernando Teixeira, Silva Tavares, Luís Margarido Correia, Orlando Romano, Joaquim Queirós, Alberto Carvalho, Fátima Dias e Rogério Gomes.
O jornal “O Comércio do Porto” viu a sua última edição ser impressa, em 30 de Julho de 2005.
Era o mais antigo jornal do continente português e a sua morte foi acompanhada da mais impávida indiferença por parte dos meios culturais, políticos e económicos.



“O Comércio do Porto” foi fundado em 2 de junho de 1854, saindo para as bancas com a designação de “O Commercio” e com periodicidade trissemanal: às segundas, quartas e sextas-feiras. Custava 40 réis. Foram seus fundadores Henrique Carlos Miranda e Manuel Souza Carqueja e sua linha editorial era clara: satisfazer a “necessidade sentida na praça do Porto dum jornal de commercio, agricultura e industria, onde se tratem as matérias económicas, históricas e instructivas”. Em 1855 passou a jornal diário e, no ano seguinte, adotou a designação de “O Comércio do Porto”. Após o 25 de abril de 1974 tornou-se um dos periódicos mais influentes em Portugal. As suas tiragens chegaram a atingir os 120 mil exemplares diários”.
Cortesia de Alexandre Parafita


O grupo espanhol Prensa Ibérica (cujo principal título é o jornal galego Faro de Vigo), passaria a ser o proprietário de “O Comércio do Porto”, do seu título e do seu espólio.
Por acordo entre as partes, o acervo do jornal passou a ser possível de consulta online, desde há alguns anos, encontrando-se sedeado, em V. N. de Gaia, no Arquivo Municipal Sophia de Mello Breyner.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

(Continuação 34) - Actualização em 19/07/2019 e 04/04/2021

Colégio de S. Torcato

Em 1877, o Colégio de S. Torcato encontrava-se na Rua Chã, nº 75, e tinha como director, um tal, M. J. S. Henriques.


Publicidade ao Colégio de S. Torcato, em 1877 – Fonte: “O Comércio do Porto” de 30 de Setembro


O prédio onde esteve o Colégio de S. Torcato já não existe (ficava pegado ao, ainda de pé, que era conhecido como a “Casa de Manuel Álvares de Castro” ou “Solar dos Castro” – Fonte: Google maps




Colégio de S. Lázaro e Colégio Lusitano


O Colégio de S. Lázaro teve a sua primeira morada no Passeio de S. Lázaro, nºs 41 e 42.


In jornal "O Comércio do Porto" de 30 de Setembro de 1873




Em Setembro de 1877, o Colégio de S. Lázaro havia de se transferir para um edifício onde, antes, já tinha estado o Liceu Central do Porto ou Liceu Portuense e, depois, o “Colégio Lusitano”, na Rua Formosa, nº 108 -116. Este último teve a sua origem no Colégio Francez/Escola Comercial, que naquela morada se instalou em 1869.



Publicidade ao Colégio Francez/Escola Comercial, no “Jornal do Porto”, em 30 de Setembro de 1869



Publicidade ao Colégio Lusitano, In "Jornal do Porto", em 8 de Setembro de 1871





Publicidade ao Colégio de S. Lázaro, em 1877 – Fonte: “O Comércio do Porto” de 30 de Setembro



Entretanto, o Colégio Lusitano, após ceder instalações ao Colégio de S. Lázaro, mudar-se-ia para o Passeio de S. Lázaro.



In jornal "O Comércio do Porto" de 29 de Setembro de 1877




Sobre o Colégio de S. Lázaro, instalado na Rua Formosa, é a notícia seguinte.




“Jornal do Porto”, XXXI Anno, N.º 10, de 11 de Janeiro de 1889, p.1



In "Jornal do Porto" de 29 de Setembro de 1889




Por aqui estaria, também, até aos nossos dias, a Tipografia “Imprensa Portuguesa”.



No edifício, ao centro, esteve o Colégio de S. Lázaro, na Rua Formosa – Ed. Graça Correia





Colégio Luso-Italiano
 
 
Na sequência de investigações tornadas públicas por Álvaro de Sousa Holstein (trineto da fundadora), este colégio esteve instalado na Rua do Bonjardim, nºs 503 a 513, tendo sido fundado por Rachel de Sousa Holstein, que dividia a direcção do estabelecimento com sua filha, Ana de Sousa Holstein Mendonça.
O colégio já tinha portas abertas em 1881 (Jornal "O Comércio do Porto, XXXVIII Ano, nº 231, Domingo 25 de Setembro de 1881, pág. 3) e, desde o seu início, teve a protecção da Rainha D. Maria Pia, de quem Rachel Holstein era conhecida, antes do seu casamento com D. Luís I.
Naquela morada, tinha sido concedido a Joaquim Pinto da Fonseca e outros, fundar uma fábrica de manipulação de cigarros, em 1865.


“(…) o colégio terá iniciado a actividade em 1879 e, entre 1879-1984, estava instalado no nº 506, da Rua do Bonjardim, entre 1885-1991, na Rua da Alegria, nº 171 e, entre 1892-1894, de novo na Rua do Bonjardim, nº 503-513, sendo estas informações colhidas no Almanak do Porto e seu districto, de A. G. Vieira Paiva.
A autorização de colocar as armas de Portugal e Itália na frontaria do colégio data de 1886 (Mordomia-Mor da Casa Real, Livro 20 [1873-1886], em 8.2.1886, folhas 310 e 310v”.
Cortesia de Álvaro de Sousa Holstein (trineto da fundadora do colégio Luso-Italiano)




 
 
Folheto promocional do Colégio Luso-Italiano
 
 
 
É de realçar que, para além do estabelecimento de ensino ser dirigido por mulheres e vocacionado para o ensino feminino, as disciplinas leccionadas, em muito, ultrapassavam a tradicional educação ministrada às mulheres, destacando-se a história, a literatura, a geografia, a física, a química, as línguas portuguesa, francesa, inglesa, alemã e italiana e, ainda, da existência de um ginásio, o que era raro naqueles tempos. 



                                        



Collégio de Nossa Senhora da Victória


Nos primeiros anos do século XX, deste colégio, sito na Rua de Cedofeita, nº 439, e que tinha por Director o Padre António Gomes da Silva, dizia-se:


“Neste Collégio installado no Palacete do Visconde de Barreiros, com amplos jardins destinados a recreio, professam-se os seguintes cursos: Instrucção Primária, Secundária(Curso dos Lyceus) e Commercial, sendo as Linguas Franceza, Ingleza e Allemã ensinadas por duas cathegorias de professores: Professores para traducção e das nacionalidades em que essas Linguas se fallam para a pronuncia e redacção”.




O palacete mais próximo, foi morada do Colégio de Nossa Senhora da Victória – Ed. JPortojo



Colégio de Nossa Senhora da Glória


Desconhecendo-se com exactidão o local de instalação deste colégio, o seu número de polícia, seria, possivelmente, o nº 235, sendo considerado, à data, um estabelecimento de referência, no qual estudavam os filhos das melhores famílias portuenses.
Em 1896, parece ter encerrado portas, pois o seu director, António Domingues dos Santos, junta-se ao projecto da Escola Académica.
Entre muitos outros, o tribuno Luís de Magalhães, filho do político José Estevão e o jornalista e professor Bento Carqueja, lá, estudaram.
De acordo com a notícia abaixo, o Dr. Pinto de Resende era o proprietário e antigo director do Colégio de Nossa Senhora da Glória.



In jornal “A Voz Pública”, 9 Agosto de 1900, p. 2






Aqui, terá estado o Colégio da Glória, na Rua de Cedofeita, nº 235 – Ed. Manuela Campos



Colégio Nossa Senhora das Neves


O Collégio Nossa Senhora das Neves tinha por morada a Rua de Cedofeita, nº 954 e tinha como Directora, Ermelinda Adelaide Fernandes das Neves.
Nesses anos de começo de século XX, a Rua de Cedofeita ia até à Ramada Alta. Nos nossos dias, é a Rua Barão de Forrester.


Com uma pinta azul está marcado o local do Colégio Nossa Senhora das Neves em 1892, na planta de Telles Ferreira


À direita o prédio onde esteve o Colégio Nossa Senhora das Neves, observando-se, lá no alto, a capela Nossa Senhora das Dores e Senhor do Calvário – Fonte: Google maps





Colégio de Nossa Senhora da Conceição (Lavadouros)


Este colégio, em 1871, estava na Rua do Laranjal, nº 68, com frente voltada para a Rua dos Lavadouros.
Era sua directora D. Ana Cândida da Fonseca Braga.



Publicidade ao Colégio de Nossa Senhora da Conceição, In Jornal do Porto”, em 22 de Setembro de 1871



Na primeira década do século XX, o colégio já estava localizado na Rua de Cedofeita, nº 171, e tinha como directora D. Laura Braga, filha da fundadora, que assumiu o cargo, em virtude do afastamento por doença da mãe. 



Aqui, esteve o Colégio de Nossa Senhora da Conceição, na Rua de Cedofeita – Ed. Manuela Campos



Colégio Nossa Senhora da Conceição (Bonjardim)

 

 

Um outro colégio com a denominação de Colégio Nossa Senhora da Conceição existiu, na Rua do Bonjardim, nº 120, tendo sido fundado por uma irmã da confraria de Nossa Senhora da Conceição, de Santo Ildefonso, que doaria dois prédios na Rua do Bonjardim e um outro na Rua de Sá da Bandeira, para que, com o respectivo rendimento dos imóveis, o colégio pudesse subsistir.
O abade de Santo Ildefonso, Domingos Moreira Freire, celebrante do casamento de Camilo Castelo Branco, tinha uma ligação muito próxima ao colégio.
É notícia que, no dia 11 de Outubro de 1898, o colégio inaugurava solenemente o retrato do seu grande protector, António Augusto Teixeira da Silva.
O estabelecimento de ensino mudou-se, depois, para perto da igreja de Cedofeita.
Cremos que teria passado a chamar-se Collégio Santa Thereza de Jesus.





Colégio Santa Thereza de Jesus


O Collégio Santa Thereza de Jesus, nos começos do século XX, situava-se na Rua de Cedofeita, nº 637, num prédio que já não existe, próximo da esquina da Rua de Cedofeita (hoje, Barão de Forrester) com a Rua da Boavista.


Localização do Colégio Santa Thereza de Jesus (seta colorida) e Travessa das Águas Férreas (1) – Fonte: Planta de Telles Ferreira de 1892





Colégio Von-Hafe


O Colégio Von-Hafe ocupava, na transição de séculos, um prédio na Rua de Cedofeita, n.º 376, onde esteve a Fonte de Cedofeita e, depois, a pensão “La Fontaine”.
Em 1855, o padre Martin Richter já tinha inaugurado a escola “Von Hafe Schule”. 
Em 1861, o colégio estava pela Rua de Cedofeita, nº 355.
Em 1871, já o Colégio Von-Hafe estava na Praça Coronel Pacheco, n. º 1, por onde, antes, em 1859, esteve o Colégio Francês de madame Podestá fundado em 1851, na Rua dos Fogueteiros.





Publicidade ao Colégio Von-Hafe, no jornal "O Commercio do Porto" em 30 de Setembro de 1861


In jornal "O Comércio do Porto" de 26 de Outubro de 1871

 

Na mesma data do anúncio acima, um outro elemento da mesma família Von Hafe anunciava, no mesmo jornal e no mesmo largo, o serviço de um liceu particular.

 

 


 




No prédio, à direita, esteve o Colégio Von-Hafe. A rua da qual se observa alguns metros, à esquerda, é a Rua dos Bragas – Fonte: Google maps




A Fonte de Cedofeita, c. 1900, e um cartaz de publicidade ao Colégio Von Hafe



O projecto do colégio Von Hafe, na Rua de Cedofeita, parece ter continuado para além do que aparenta ter sido uma cisão, pois, em 22 de Setembro de 1901, o jornal “O Comércio do Porto” noticiava.
 
 

 




Assim, em 18 de Novembro de 1901, é a escola “Deutsche Schule zu Porto” que se instala-se na Rua da Restauração, nº 410, e viria a tornar-se, o precursor do Colégio Alemão.
Um outro Colégio Alemão esteve pela Rua do Triunfo (antiga Rua dos Quartéis), de acordo com publicidade do jornal “O Comércio do Porto” de 29 de setembro de 1877, dirigido por um tal Paul Zarnack.


 





“Instituto Particular”


Este estabelecimento de ensino situado na Rua de Cedofeita, nº 364, pelos anos de transicção do século XIX para XX, tinha a direcção de Clorinda de Macedo.




Colégio Araújo Lima


Colégio Araújo Lima, na Rua da Constituição


Fundado no início do século XX, este colégio ficava na Rua da Constituição nº 352, no edifício onde esteve até 2014 o DIAP (Departamento de Investigação e Acção Penal). Era um estabelecimento para as elites.
Acabou funcionando em regime de internato e externato e em coeducação, para ambos os sexos.
Entre muitas personalidades que por lá estudaram, conta-se que o antigo treinador do F. C. Porto, José Maria Pedroto, frequentou o colégio após a morte do pai, que era um militar de carreira.
Um outro colégio existiu ligado à mesma família Lima, também na Rua da Constituição, já na esquina com a Rua Faria Guimarães, chamado de Colégio Lúcia Lima, nome da sua proprietária.


Local actual da foto anterior - Fonte: Google Maps


Sala de aulas do Colégio Araújo Lima - Ed.  "Postais Antigos do Porto (Facebook)”


“António Fernandes de Sá nasceu em Avintes, Vila Nova de Gaia, a 7 de Novembro de 1874. Na infância acompanhava o pai até à oficina de marmorista e fundidor de trabalhos em gesso na antiga Rua dos Lavadouros, no Porto, rua que veio a dar lugar à Avenida dos Aliados. Em 1888 inscreveu-se na Escola de Belas Artes do Porto onde frequentou os cursos de Arquitetura, Pintura, Escultura e Desenho Histórico e foi discípulo, entre outros, do mestre Marques de Oliveira, na disciplina de Desenho. Em 1895, com Tomás Alberto de Moura, Eduardo da Costa Alves Júnior e Abel de Vasconcelos Cardoso concorreu ao pensionato do Estado no estrangeiro, na classe de Escultura. Depois de classificado em primeiro lugar, Fernandes de Sá seguiu até Paris em 1896. Terminado o pensionato regressou a Portugal, em 1901. 
Casou com Lúcia de Araújo Lima, sua conterrânea, mulher culta e com vocação para o ensino, da qual teve três filhos: Manuel, António e Álvaro. No Porto, montou um atelier, na Rua Álvares Cabral. Em 1902 enviou trabalhos para a Exposição de Belas Artes de Lisboa, sendo, de novo, premiado. No ano seguinte foi eleito Académico de Mérito da Academia de Belas-Artes do Porto. Anos depois, em 1917, transferiu o seu atelier para a Rua da Constituição, localização mais próxima do Colégio Araújo Lima, propriedade da família da mulher. Nesta escola, participou na formação artística dos seus alunos e, após a morte da companheira, assumiu a direção do estabelecimento de ensino. A viuvez e a morte de Álvaro, o seu filho mais novo, isolaram-no do mundo. Morreu na sua casa do Largo de Magarão, em Vila Nova de Gaia, a 26 de Novembro de 1959”.
Fonte: gisaweb.cm-porto.pt



Colégio Moderno (Feminino)


Consta que, na Rua de Cedofeita, nº 767 (à data, ainda não se chamava Barão de Forrester), estava, nos primeiros anos do século XX, o “Collégio das Irmãs Hospitaleiras dos Pobres por Amor de Deus”.
O Colégio Moderno era o mais populoso e já estava instalado, nos anos 20 do século XX, naquela morada.
Funcionava em regime de internato e externato, e era laico, embora ministrando também uma educação religiosa.
O Colégio Moderno situava-se na Rua do Barão de Forrester perto da ponte ferroviária, na chamada Quinta dos Limoeiros.
Em 1932, era sua Directora, Rosária Dias Machado Dinis, que requereu neste ano à Câmara, autorização para proceder a obras para ampliar as instalações.
Mais tarde, na direcção do colégio, suceder-lhe-ia a sua irmã Joana Dinis.


Festa no Colégio Moderno em 1927 – Ed. André Moura (Rua da Boavista, Porto); Fonte: gisaweb.cm-porto.pt


Planta de Telles Ferreira de 1892, entre Rua da Boavista e a Ramada Alta

Legenda

1. Colégio Moderno, na Rua de Cedofeita, nº 767
2. Rua da Boavista
3. Rua de Cedofeita, depois, Barão de Forrester
4. Ramada Alta


Colégio Moderno


Outra perspectiva do Colégio Moderno


 

“ O recreio era um belo lugar cheio de limoeiros e japoneiras, muitos bancos de madeira e um belo parque infantil. Havia ainda um bonito lago de pedra com peixes vermelhos, plantas e repuxo, e uns canteiros maravilhosos com amores-perfeitos. As refeições eram feitas em mesas de 7 meninas e uma vigilante. Antes e depois da refeição fazíamos uma breve oração viradas para um quadro com a imagem do coração de Jesus. Ao fim da tarde rezava-se o terço. A adolescência foi uma fase difícil de passar interna no colégio. De um modo geral o ensino era muito bom, e íamos fazer os exames no Liceu feminino Carolina Michaelis, que ficava ao virar da esquina.”
Leonor Diniz, ex-aluna do Colégio Moderno






O colégio Nossa senhora da Estrela tinha entrada pela Rua de Santa Catarina nº 788 e pela Rua da Alegria nº 200.
Começou como um colégio feminino e funcionava em regime de internato, semi-internato e externato desde o século XIX.
Foi criado c. de 1840 como colégio de meninas no reinado de D. Maria II.
Funcionava num palacete amplo que pertencia à condessa de Azambuja com entrada pela Rua de Santa Catarina, bem perto já, da Rua Gonçalo Cristovão.
Maria da Assunção, filha de D. Antónia (Ferreirinha), nascida em 1842, torna-se Condessa de Azambuja ao casar em 1860 com Augusto Pedro de Mendonça Rolim de Moura Barreto, 3.º conde de Azambuja.
A partir de 1919, o colégio passou a contar com outro edifício com entrada pela Rua da Alegria.
Em 1928 seria convertido num colégio masculino e passaria a Colégio João de Deus, e em 1973 passou a Escola Preparatória Augusto Gil e, mais tarde, a Escola EB 2.3 Augusto Gil.


Fachada da escola - In espólio da EB 2.3 Augusto Gil



Fachada voltada para a Rua da Alegria – Fonte: Maria Manuela M. S. R. Veloso Gomes; In Mestrado em Engenharia Civil


Sala de aulas do Colégio de Nossa Senhora da Estrela, em 1915



Colégio Nossa Senhora da Estrela (entrada pela Rua de Santa Catarina) - Ed. monumentosdesaparecidos.blogspot


Aspecto actual da entrada pela Rua de Santa Catarina




O antigo Colégio Brotero, cuja fundação e início de actividade, se registou na Rua do Passeio Alegre nº 928, no ano de 1931, acabou no ano lectivo de 1951/52 por ser transferido para novas instalações na Rua de S. Francisco Xavier, na zona da Avenida Marechal Gomes da Costa.
Aqui se manteria o colégio Brotero até meados de 1974, quando encerrou definitivamente, sendo substituído no local, pela Escola Básica Francisco Torrinha.
As instalações primitivas do colégio, na Foz do Douro, teriam sido antes ocupadas pelo Casino da Foz, que ardeu em Julho de 1911. Após remodelação, o colégio Brotero ocuparia o rés-do-chão daquelas instalações com  a sala de estudo e nos andares superiores, com as salas de aulas do 3º ao 7º ano do Liceu.
Este colégio foi fundado pelo professor doutor Alexandre Alberto de Sousa Pinto (1880–1982), que viveu na Rua Alto de Vila, na Foz do Douro e faleceu aos 102 anos.


Vista da praia onde nasceu o Passeio Alegre – Fonte: Rui Cunha



Na gravura acima, obtida da praia do Cabedelo, é possível ver, bem à esquerda, a casa de duas torres do Maia. 



À direita, a icónica casa de duas torres do Maia, começada a levantar em 1855 e ainda, mais à direita, o prédio  de r/c e dois andares, onde esteve o Colégio Brotero – Calótipo, c. 1860, editado
 
 
 
Como se pode observar, nas duas fotos anteriores, o Jardim do Passeio Alegre ainda não existia.



In jornal "O Comércio do Porto" em 22 de Setembro de 1940




Na Rua do Passeio Alegre (1909), à esquerda, alguns metros para lá da Casa dos Maias (acastelada), com as suas ameias características esteve, a partir de 1931 até 1952, o Colégio Brotero






Colégio Brotero - Ed. “A Nossa Foz do Douro – facebook”


Na foto acima, vê-se a frontaria principal do prédio com entrada pela Rua S. Francisco Xavier.




O Colégio Luso-Francês, que outrora era designado por “Colégio do Ameal” e administrado pelas Franciscanas de Calais, destinado ao ensino primário e secundário, abriu a 7 de outubro de 1936, com 31 estudantes internas e 61 estudantes externas e está situado na Rua do Amial.
Um mês após a abertura, foi concedido alvará pelo Ministério da Instrução Pública para uma lotação de 100 estudantes (25 internos e 75 externos), desta vez, de ambos os sexos, número que viria a ser duplicado em julho de 1937.
De 1940 a 1953, foi autorizado a ministrar o ensino técnico e comercial. Em 1962, começou também a ser ministrado o ensino infantil, que em 1972, passa a coeducação. Em 1975 também os ensinos, primário, preparatório do ensino secundário e liceal (curso geral), passam a regime de coeducação.


Primitivas Instalações do Colégio Luso-Francês


Colégio Luso-Francês, em 1950



Colégio Lusitano (Feminino)


Colégio Lusitano e planta de localização


Este colégio ainda em meados do século XX ficava no gaveto das ruas Vieira Portuense e Domingos Sequeira.
Chegou a ser uma secção da Escola Carolina Michaelis.
Hoje, o edifício do colégio já não existe e, o local, passou a ser uma área habitacional.


Local onde esteve o Colégio Lusitano – Ed. Google maps



Colégio Nossa Senhora do Rosário


Este estabelecimento de ensino é propriedade, em Portugal, do Instituto das Religiosas do Sagrado Coração de Maria (congregação religiosa reconhecida como corporação missionária fundada em França em 1849).
É um estabelecimento do Ensino Particular e Cooperativo (EPC) a funcionar em regime de Autonomia Pedagógica para todos os níveis de ensino de acordo com os normativos sobre esta matéria e a autorização concedida pelo Ministério da Educação.


“As condicionantes políticas vividas em 1910 obrigaram à dispersão das religiosas, mas as condições adversas nunca foram obstáculo suficiente para impedir as religiosas do Sagrado Coração de Maria de desenvolver a sua missão. 
Durante alguns meses, no Asilo anexo ao Colégio de Miss Hennessey e depois em pequena casa alugada conservaram-se algumas religiosas, sendo este núcleo de irmãs que liga o antigo Colégio Inglês de Miss Hennessey ao actual Colégio de Nossa Senhora do Rosário, aberto em Outubro de 1926. Este ressurgimento do Colégio no Porto deve-se à Madre Maria da Eucaristia Lencastre que, durante esses anos difíceis sustentou o Instituto em Portugal. Uma dedicada aluna do antigo Colégio Inglês conseguiu que seu irmão alugasse para este efeito o palacete Boaventura de Sousa, na Avenida da Boavista, com excelentes instalações e a 8 de Setembro de 1926 foi celebrada a primeira Missa”. 
Fonte – site: colegiodorosario



Tem-se conhecimento de que, em 1854, um colégio fundado por Miss Brown e dirigido, então, por Miss Hennessey, estava na Rua da Torrinha, nº 126. Era o Colégio de Miss Hennessey.
Em 1861, passaria para a zona da Picaria e, em 1876, já tinha rumado para a Rua da Alegria.
Na última década e meia do século XIX, vindo da Rua da Alegria (onde ainda estava em 1877), o colégio passou a ter instalações no Largo do Mirante, nº 2, num edifício que tinha, anos antes, sido a residência da família Braga e onde estava a Congregação do Sagrado Coração de Maria.



Colégio de Miss Hennessey, Largo do Mirante, nº 2 (antiga residência dos Bragas) – Fonte: Planta de Telles Ferreira de 1892





Entretanto, o colégio conhecido por Colégio de Miss Hennessey ou Colégio das Inglesinhas e, depois, por Colégio Inglês do Sagrado Coração de Maria (frequentado pelas filhas das melhores famílias da cidade), com sede no Largo do Mirante, teria sido doado por aquela cidadã irlandesa à congregação, que já tinha recebido como reforço, em 1871, duas irmãs de Miss Hennessey.
Com a implantação da República as religiosas ausentam-se para Tui, na Galiza, e o colégio dissolve-se.
Porém, três freiras continuam contactando as ausentes e por pressão dos pais das alunas continuam ensinando em instalações provisórias primeiro na Rua de Cedofeita e, depois, na Rua dos Bragas.
Finalmente, a 15 de Outubro de 1926, instalam-se no palacete Boaventura, à Avenida da Boavista fundando o Colégio do Rosário.





Instalações do Colégio do Rosário entre 1926 e 1956 na Avenida da Boavista, no Palacete Boaventura de Sousa


Instalações actuais do colégio do Rosário na Avenida da Boavista




Um outro "Collégio Nossa Senhora do Rozário", no fim do ano de  1910 e estava localizado na Rua de Cedofeita, nº 245, tendo como directora, uma senhora, de seu nome, Marcellina da Costa.
Possivelmente, seria esta a morada do colégio dirigido pelas religiosas acima referidas e que tinham "sobrevivido" às consequências da implantação da República.



Colégio de Nossa Senhora do Rosário ou Colégio do Padre Francisco


Em 1866, um Colégio de Nossa Senhora do Rosário, esteve na Rua do Rosário. Era conhecido pelo Colégio do Padre Francisco.
Ao fim de quatro anos de funcionamento, o colégio muda de instalações continuando, no entanto, pela Rua do Rosário.




Publicidade ao Colégio de Nossa Senhora do Rosário, na Rua do Rosário, no "Jornal do Porto", em 30 de Setembro de 1870




O padre Francisco Henriques da Silva Pereira era um órfão de pai e mãe, natural da freguesia de Sabugosa do Concelho de Tondela, distrito de Viseu que, em 1866, rumou ao Porto e, em Outubro desse ano, abriu o Colégio Nossa Senhora do Rosário, na esquina da Rua do Rosário com a Rua do Príncipe (Rua Miguel Bombarda).
O padre Francisco, que era coadjuvado pelo padre Nicolau, admitia no seu colégio alunos externos e cerca de quinze alunos internos, tendo ganhado fama de ser uma pessoa de grande disciplina.
Entre as inúmeras personalidades de relevo da vida portuense que frequentaram o estabelecimento de ensino e que temiam o padre Francisco, ficou para a história o caso de Raul Caldevilla.
Tendo abandonado a gestão do estabelecimento de ensino, em 1892, passando a viver, na companhia de meia dúzia de alunos, na Rua dos Mártires da Liberdade, já muito próximo da Praça da República, o padre Francisco ficou conhecido, também, por ser o autor da obra “O Sistema métrico”, aprovado pela Junta Consultiva de Instrucção Pública em 12 de Maio de 1870 e, mais tarde, aprovado pelo Conselho Superior de Instrução Pública em 1886/87.



In “Jornal do Porto”, 6 de Fevereiro de 1872, p. 3






Colégio Liverpool (Feminino)


“O Colégio Liverpool é propriedade da Congregação das Religiosas Missionárias de S. Domingos.
Em julho de 1936, a Congregação, residente em Madrid e tipicamente missionária, pressentindo a perseguição religiosa que se avizinhava com a Guerra Civil Espanhola, decidiu transferir-se com o seu noviciado para Portugal, instalando-se no Porto, na Rua de Entre Quintas, numa quinta cedida pela Diocese, onde existia uma vivenda que hoje faz parte do património cultural da cidade.
Em 1937, o Colégio Liverpool, sedeado na Rua dos Bragas, n.º 270, era dirigido por uma família numerosa, cujas filhas se educaram na Inglaterra, dando origem ao nome do Colégio. Nesse ano, esta nobre família decidiu entregar o futuro do Colégio às religiosas de S. Domingos, com a anuência do Bispo de então, D. António Meireles.
O noviciado da comunidade Dominicana dedicou-se, de alma-e-coração, a esta missão de elevado valor social, dando-lhe impulso e mantendo o seu prestígio, sempre com o ideal de formar cristãos conscientes para bem desempenhar o seu papel na família, na sociedade e na Igreja.
No ano letivo de 1946-1947, o Colégio Liverpool mudou para as atuais instalações, na Rua da Torrinha, n.º 37 onde, à época, funcionava a Sociedade de Educação Lusitana.
Em julho de 1979, a Congregação das Religiosas Missionárias de S. Domingos adquiriu o edifício, dando assim continuidade à sua atividade docente. Com o decorrer dos anos, a Congregação sentiu a necessidade de atualizar as suas instalações. Por fases se foi levantando o edifício hoje existente”.
Fonte – Site: colegioliverpool.pt


Colégio Liverpool em 1937 na Rua dos Bragas


Colégio Liverpool em 1984 na Rua da Torrinha




Colégio Portuense de Ensino Mútuo
 

Este colégio, para meninas, funcionou durante alguns anos e desde 1834, no prédio da Rua de Cedofeita, 210, onde ainda hoje, no seu rés-do-chão, funciona a firma de mobiliário, centenária, “A Vilarinha, Lda.”
Era dirigido por Ana Miquelina de Jesus, falecida em 1851.