Mostrar mensagens com a etiqueta Café Majestic. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Café Majestic. Mostrar todas as mensagens

sábado, 26 de outubro de 2024

25.257 Um pequeno largo que desapareceu há pouco mais de 100 anos

 
Ed. Domingos Alvão (1872-1946)
 
 
 
Sobre as fotos acima, c. 1918, socorrendo-nos do testemunho de Guilherme Faria, exarado na revista “O Tripeiro”, nº 4, Agosto de 1954, a poucos metros da esquina da Rua de Santa Catarina e da Rua de Passos Manuel, formava-se um pequeno largo fruto do recuo de alguns prédios.
Um pouco mais ao longe, já no alinhamento da rua, nasceu o escritor Arnaldo Gama.
Naquele largo, os artistas de feira montavam os seus espectáculos de rua e, por vezes, no mesmo espaço, eram montados palcos e coretos onde tocavam algumas bandas. Aí, se encontravam as costureiras dos ateliers da zona e as operárias da Camisaria Confiança.

 
 

Guilherme Faria – Fonte: revista “O Tripeiro”, nº 4, Agosto de 1954
 
 
 
 
Na esquina, em primeiro plano, em tempos, houve um marco fontenário da Companhia das Águas.
Partindo dessa esquina, a casa com uma pedra de armas na fachada era a habitação e o consultório de dentista, do Dr. Alfredo Nazaret e, no rés-do-chão, existiu um armazém de gelo e águas de mesa, da Fábrica de Sulfureto da Serra do Pilar, situada junto à Ponte Maria Pia, a montante.
Esta fábrica, que esteve em actividade até à década de 1990,  quando foi começada a levantar a ponte ferroviária de S. João, pertenceu, a partir de 1948, à Companhia União Fabril (CUF).
No dia 15 de Agosto de 1916, um violento incêndio ocorrido na área da sua fábrica em V. N. de Gaia, reduziria a escombros um armazém de enxofre e carvão.
À data do sinistro, a fábrica era propriedade da firma Guimarães Pestana & Cia. Lda.



Com o n.º 2 se identifica a localização da Fábrica de Sulfureto e Gelo da Serra do Pilar e, com n.º 3, a Barreira de Quebrantões (alfândega fluvial para o controlo de mercadorias) - Planta editada; cortesia de Gonçalves Guimarães




Retomando o périplo pela Rua de Santa Catarina, seguia-se uma casa (onde antes, teria estado um café) de malas, que seria transferida para a Rua de Cedofeita – Artigos de Viagem de José Álvares. Mais tarde, foi transferida para a Rua Miguel Bombarda.
Depois, encontrava-se a Fotografia Alvão, que  Domingos Alvão aí instalou no dia 2 de Janeiro de 1902 na Rua de Santa Catarina n.º 120, entre o tal estabelecimento de Artigos de Viagem de José Alvares e a casa da Viúva Cunha, sócia de uma casa de câmbios na feira de S. Bento (Praça Almeida Garrett).
 
 
 

Fotografia Alvão, entre a casa de “Artigos de Viagem de José Alvares” e a casa da Viúva Cunha
 
 
 
 
Por fim, duas casas de andar da família Queirós, com os baixos da última, ocupados por uma fábrica de cartonagem.
A casa que fecha o largo estando já no alinhamento, à época, albergava a família Ventura e, no seu rés-do-chão, a casa de panos “Vilaça”.
Passado alguns anos, o prédio recebeu os sócios do Sport Clube do Porto (o que ainda perdura) e, nos baixos, a “Casa das Gabardines”.
Defronte deste último prédio, desde 1865 até 1939, aí existiu a Padaria Faria e, a partir desta data, uma sucursal da Papelaria Araújo & Sobrinho.
Aquela conhecida padaria foi alvo de obras de beneficiação importantes e, após as mesmas, reabriria em 4 de Abril de 1903.
Os fundadores desta padaria foram, Maria Ferreira, cuja família tinha uma loja de venda de cereais (um “farinheiro”) na Rua de Sá da Bandeira, na esquina com a actual Rua Dr. António Emílio de Magalhães, à data, a Travessa de Sá da Bandeira, e Joaquim Pedro de Faria.
A Padaria Faria estava no nº 103, onde nasceria, fruto do casamento do casal mencionado no parágrafo anterior, Alfredo Ferreira Faria, o fundador da revista “O Tripeiro”.
No início da década de 1920, já tinha sido executado o alinhamento dos prédios até então desalinhados, e o pequeno largo desapareceu.
Surgem novos inquilinos para as novas construções, mas a Foto Alvão mantem-se, tendo agora como vizinho, a partir de 1922, o Café Majestic.
Vai ser, em 15 de Agosto de 1921, que a firma Royal Café L.da situada na Rua de Santa Catarina, nº 114 apresentou à CMP um projecto no sentido de reformar a frente do seu estabelecimento.
A nova e elegante fachada do que virá a ser o Café Majestic foi aprovada em Setembro de 1921.
O estabelecimento de cafetaria estava destinado a ser denominado por Café Elite, mas acabaria a partir de 2 de Dezembro de 1922, dia da sua inauguração, por ser até hoje o Café Majestic.
 
 
 
 

A Foto Alvão, entre o Stand da Fiat (à esquerda) e o Café Majestic



No prédio onde se observa, na foto anterior, o Stand da Fiat está, hoje, uma loja “Bruxelas” e imediatamente, a montante (à esquerda), esteve o prédio que albergou a sede do Sport Clube do Porto e a Casa das Gabardines e que desde sempre esteve no alinhamento do edificado.
 
 
 
 

Bruxelas - Fonte: A Vida em Fotos


 
 

Casa das Gabardines, c. 1930


 
 

Alfaiate Pinheiro da Rocha no prédio da Foto Alvão
 


“No 2.º piso do edifício da Casa Alvão estava instalado o estabelecimento Pinheiro da Rocha, fundado em 1920, e que pertencia a Manuel Pinheiro da Rocha (1893-1973), um conhecido e procurado alfaiate, também ele um competente fotógrafo”.
Cortesia do Arquitecto Ricardo Figueiredo

 
 
 

Café Majestic e a sua esplanada, na Rua de Santa Catarina
 
 
 
 

Esquina das ruas de Passos Manuel e Santa Catarina, c, 1940 – Ed. José Mesquita




Escrutínio da publicidade observada na empena do prédio da foto seguinte
 
 
 

Cortesia do Arquitecto Ricardo Figueiredo
 
 
 
Legenda:
 
1. Café “A Brasileira”
2. Jardim Passos Manuel
3. Máquinas de Costura Singer
4. Vinho Verde Gatão (Sociedade dos Vinhos Borges fundada em 1884)
5. “O Senhor Roubado” (peça de teatro de Vitório Trindade Chagas Roquette (1875-1940)
6. Porto Ramos Pinto
7. Borotalco Ausonia
8. Cartaz parcialmente ilegível mostrando mulher segurando numa garrafa
9. PRECIOSA (água de mesa da Companhia de Pedras Salgadas)

 
 
 

Na década de 1970, o interior do Café “A Brasileira” inaugurado em 1903


 
 

Em 1912, a Esplanada do Jardim Passos Manuel inaugurado em 1908
 
 
 
 

“Edifício Singer” situado na esquina das ruas Formosa e Sá da Bandeira, nos primeiros anos do século XX, onde estava a delegação, no Porto, daquela conhecida marca norte-americana e o novo "Edifício Singer", actualmente





Vinho Verde Gatão
 
 
 

Cartaz da peça “O Senhor Roubado”


 
“A peça em 3 actos “O Senhor Roubado” estreou em 19 de Fevereiro de 1916 no “Theatro do Gymnasio” de Lisboa.pela Companhia Maria Mattos (1886-1952) / Francisco Mendonça de Carvalho (1882-1953) e com o popular actor José d’Almeida e Cardoso (1861-1917)”.
Cortesia do arquitecto Ricardo Figueiredo
 
 

Ramos Pinto, em V. N. de Gaia, c. 1910 e actualmente – Cortesia de Gaia à la Carte
 
 
 
 
 

Borotalco Ausonia


 
 

Preciosa – Água de Mesa
 
 
 
Prédio que substituiu, até aos dias de hoje, aquele outro alvo da atenção dispensada à publicidade inserta na sua empena



O prédio, que se destaca na foto acima, teve licença de obra n.º 406/1916 e foi solicitada na qualidade de proprietária, por Emília Leopoldina Pereira de Morais, casada, mas separada judicialmente, que irá falecer em 4 de Outubro de 1919.

sábado, 23 de abril de 2022

25.155 Travessia Aérea do Atlântico Sul e o Café Majestic

A cidade do Porto, naqueles tempos, tinha a sua baixa em reboliço.
Desde 1916, que se abria a Avenida dos Aliados e o troço inicial da Rua de Sá da Bandeira que levava aos Congregados.
A Câmara Municipal estava instalada no Paço Episcopal (alugado, entre 13/11/1915 e 24/6/1957, quando passou para a Avenida dos Aliados) e o bispo tinha as suas instalações no Palácio dos Terenas, ao Palácio de Cristal, desde 1919.
Entre 1914 e 1919, o bispado tinha estado na Quinta de Sacais, ao Bonfim.
 
 

Avenida dos Aliados, c. 1922


 

Entrada do Paço Episcopal, à Sé, a funcionar como Câmara Municipal. A estátua do Porto (conhecido também pelo povo, como o “Malhão”) esteve, por aqui, entre 1916 e 1935. Actualmente, está junto da delegação do Banco de Portugal, à Praça da Liberdade, depois de ter peregrinado por vários locais
 

 
 

Palacete dos Terenas, c. 1922, depois, Palacete da Mitra. A Rua de Júlio Dinis aberta, aquando da Exposição Colonial de 1934, desenvolver-se-ia pela esquerda da foto


 
 

Fachada lateral do Palacete dos Terena, com a sua torre anexa – a Torre de Vicente Pedrossem
 
 
 
A cidade do Porto iria, então, ser o palco, naquele dia 2 de Dezembro, de dois acontecimentos dignos de registo: a inauguração do seu café Majestic e a chegada dos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral, para que fossem alvo do reconhecimento dos portuenses pelo feito por eles protagonizado, uns meses antes.
O café que se inaugurava, naquele Sábado, tinha as suas origens a partir do momento em que alguns comerciantes do Porto se associaram na sociedade por quotas denominada “Café Elite, Lda.”, a 17 de Dezembro de 1921 e, nesse mesmo dia, assinavam um contrato de arrendamento, com início a 1 de Junho de 1922, do rés-do-chão do prédio sito na Rua de Santa Catarina nºs 110 ao 116, “destinado à montagem de um café, cervejaria”.
O estabelecimento abriria, apenas, em 2 de Dezembro de 1922.
Mantendo, desde a sua abertura, o seu nome, Majestic Café, a 4 de Dezembro de 1924, a sociedade “Café Elite Lda”, sua proprietária, seria substituída pela sociedade “Majestic Café, Lda”.
À inauguração do Majestic se referia o jornal “O Primeiro de Janeiro” nos seguintes termos:
 
 
“O nome condiz plenamente com a propriedade! É, de facto, um estabelecimento majestoso, esse que logo se inaugura aqui perto, na Rua de Santa Catarina.
Há conforto, elegância, arte. Nenhum outro o excede em harmonia de tons, em colorido, em luz. Casam-se admiravelmente os mármores e os cristais facetados. E o ouro dos ornamentos e o damasco das paredes e o branco marfim do tecto.
A começar na arquitectura, que é de artista de requintado gosto, tudo ali é belo, elegantíssimo.
Cá fora, à entrada, duas colunas dóricas, de mármore, bem lançadas. Por sobre as portas de cristal, duas figuras alegóricas, bronzeadas, seguram pelos extremos um festão em curva.
Ele é, de facto, o Café mais lindo do país, talvez da península.
O arquitecto foi o sr. José Pinto de Oliveira. Quanto às decorações, pertencem a outro artista muito distinto, o sr. José Baganha.
Ontem, os estimados societários do “Majestic” ofereceram aos seus amigos uma taça de champagne e um fino serviço de pastelaria, serviço primoroso da Confeitaria do Bolhão”.
In jornal “O Primeiro de Janeiro” de 2 Dezembro de 1922

 
 

Entrada do Café Majestic – In Illustração Portugueza, 10 Março 1923
 
 
 
Inaugurado o café, entretanto, os famosos aviadores, erigidos à categoria de heróis, continuavam sem chegar à cidade.
Acontece que, já cedo, algumas personalidades se tinham posto a caminho de Lisboa, para resolver uma contrariedade surgida de última hora.
O Diário de Lisboa dá-nos conta de que se passava, em texto que se transcreve.

 
 



Cortesia da Fundação Mário Soares, In “Diário de Lisboa” de 2 de Dezembro de 1922
 
 
 
Assim, desfeito o mal-entendido, acima narrado, embarcaram os aviadores, no rápido para o Porto, no Domingo, dia 3 de Dezembro de 1922, tendo chegado à estação ferroviária de Campanhã, onde foram recebidos pelas autoridades civis e pelo bispo do Porto, D. António Barbosa Leão.
Cerca de um mês antes, a 26 de Outubro, já o F. C. Porto tinha homenageado os aviadores quando, em Assembleia Geral, a mesma que aprovou o último emblema do clube, os proclamou como sócios honorários da instituição.


 


Chegada dos aviadores à estação ferroviária de Campanhã, em 3 de Dezembro de 1922; Cliché de Álvaro Martins – Fonte: “Illustração Portugueza” de 9 de Dezembro de 1922
 
 
Começava, então, o périplo pela cidade, cujos habitantes testemunhariam as homenagens e manifestações vibrantes de que foram alvo os aviadores.

 
 

Apoteose dos aviadores junto do Jardim de S. Lázaro, onde foram aclamados pelas crianças das escolas, em 3 de Dezembro de 1922; Cliché de Álvaro Martins - Fonte: “Illustração Portugueza” de 9 de Dezembro de 1922
 
 
 
 
O texto seguinte, do Diário de Lisboa, dá-nos uma ideia dos acontecimentos.




Cortesia da Fundação Mário Soares, In “Diário de Lisboa” de 4 de Dezembro de 1922
 
 
 
Os aviadores, durante a sua estadia, ficaram alojados no Grande Hotel do Porto, na Rua de Santa Catarina, onde foram os destinatários de uma manifestação popular, findo um desfile que percorreu as ruas da cidade e os obrigou, por momentos, a deslocarem-se á varanda da unidade hoteleira, para as saudações da praxe.
Na manhã, desse dia, na Estação de S. Bento, seria descerrada uma placa alusiva à visita à cidade dos aviadores.




Placa comemorativa da travessia aérea do Atlântico Sul, descerrada em homenagem aos aviadores, oferecida pelos ferroviários do Minho e Douro e que, ainda, podemos observar no átrio da Estação de S. Bento

 
 

Placa comemorativa da travessia do Atlântico Sul, hoje no pedestal da estátua do Infante D. Henrique – Fonte: Illustração Portugueza de 9 de Dezembro de 1922
 
 
 
 

A placa referida na foto anterior encontra-se, nos dias de hoje, no pedestal da estátua do Infante D. Henrique



Gago Coutinho não deixaria de fazer uma visita ao Café Majestic e sempre o visitava, quando estava de passagem pela cidade.




Manifestação popular de apoio aos aviadores, em 4 de Dezembro de 1922, junto ao Grande Hotel do Porto
 
 
Às homenagens na cidade do Porto, seguir-se-iam as de V. N. de Gaia, das quias o texto seguinte nos dá uma ideia.
 
 
“Os aviadores foram aguardados por uma multidão compacta e pelas pessoas mais gradas da Vila, entre as quais se destacava o Presidente do Município acompanhado pela vereação, sendo formado um luzido cortejo que os acompanhou até ao largo onde estava o monumento a inaugurar, largo esse que, em nome dos homenageados, tomou o nome de Largo dos Aviadores. O cortejo desfilou pela Avenida da República (então ainda com poucos prédios), Rua Álvares Cabral e pela rua hoje chamada Francisco Sá Carneiro. No acto da inauguração ouviram-se os acordes de uma banda de música, subiram foguetes ao ar e a multidão não se cansou de vitoriar os aviadores. Nas ruas do percurso, apinhadas de gente, as varandas e janelas dos prédios ostentavam vistosas decorações. Também ignoro se os aviadores chegaram a ser recebidos na Câmara, mas creio que não, pois a Câmara não tinha instalações dignas. Estava instalada (mal) num antigo prédio da Rua Cândido dos Reis, só depois sendo construído o actual edifício. Nessa memorável noite voltei a ver os aviadores de casa dos meus tios, Arminda e Miguel da Silva Leal, na Rua Álvares Cabral, casa já demolida e cuja fachada era coberta de heras. Ficava mesmo pegada à farmácia que ainda hoje existe. Ainda haverá quem se lembre?”
Cortesia de Carlos Gomes de Oliveira
 
 
 

Monumento em honra de Gago Coutinho e Sacadura Cabral no Largo dos Aviadores, em Gaia
 
 
 

Perspectiva actual da foto anterior, com monumento, à direita – Fonte: Google maps

 
 
O prédio, à esquerda, nas fotos anteriores, ainda existe.
O feito de que foram protagonistas Gago Coutinho e Sacadura Cabral e que os atirou para a ribalta, tinha começado em 30 de Março de 1922.
Num hidroavião, Gago Coutinho e Sacadura Cabral levantaram de Lisboa para a primeira travessia do Atlântico Sul.
 
 
“No Porto realizou-se uma subscrição pública, para a compra do aparelho, que rendeu a elevadíssima quantia de 400.000$00. Saídos em 30/3/1922 só chegaram ao Rio em 17/6/1922. Tiveram grandes problemas técnicos e o primeiro avião afundou-se numa amaragem. Tendo o navio Carvalho Araújo levado um segundo avião, os aviadores conseguiram concluir a viagem. A chegada dos aviadores ao Rio de Janeiro foi festejada, no Porto, com o ribombar da artilharia, com o repique dos sinos e ruidosos silvos das sirenes das fábricas e dos vapores surtos no Douro e pelo estalejar de milhares de foguetes”.
Cortesia de Rui Cunha



A travessia entre Lisboa e o Rio de Janeiro foi efectuada por várias etapas com as escalas respectivas.
Gago Coutinho era um cartógrafo e Sacadura Cabral um piloto experiente. Conheceram-se em África.
A viagem começaria a 30 de Março, a bordo do hidroavião monomotor Fairey F III-D MkII, baptizado de Lusitânia.
A 18 de Abril, apesar de algumas reparações da aeronave, ela é dada como incapaz.
A 11 de Maio, já estava no ar, a partir de Noronha, outra máquina enviada de Portugal, baptizada como Pátria, que acabaria por amarar, salvando-se os aviadores que foram recolhidos por um cargueiro inglês - o Paris City, que os devolveu a Noronha.
A 5 de Junho, seria enviado para conclusão da aventura, um novo Fairey F III-D, n.° 17, baptizado pela esposa do então Presidente do Brasil, Epitácio Pessoa, como Santa Cruz.
Depois de escalas em Salvador, Porto Seguro e Vitória, o hidro-avião chegaria ao Rio de Janeiro.
A façanha tinha sido de aplaudir, mas exauriu os cofres da nação.
 
 
 

Hidroavião Fairey F III-D, nº 17, "Santa Cruz" (Museu de Marinha de Lisboa)
 
 
 
O Comandante Sacadura Cabral acabaria por sofrer um acidente e desapareceu quando sobrevoava o Mar do Norte, pilotando um avião que tinha ido buscar a Amesterdão. O seu desaparecimento causou uma enorme mágoa e o seu corpo nunca viria a ser resgatado.
Já o Almirante Carlos Viegas Gago Coutinho, que era de pequena estatura física, foi mais feliz, pois viria a falecer já de avançada idade, tendo sido uma figura popular e muito querida.
Simpático, via-se com frequência nas ruas de Lisboa, sempre com a sua inseparável boina azul. Foi ele o inventor do “sextante”, que muito viria a facilitar a navegação aérea”.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

(Continuação 17) - Actualização em 01/12/2017, 06/09/2018 e 21/11/2020




Na “Toponímia Portuense” de Eugénio Andrea da Cunha Freitas pode ler-se:


“No ano de 1662, havia em Fradelos uma quinta que era senhorio directo o Dr. João Freire de Melo, com uma capela de invocação de Santa Catarina Martir. Essa quinta partia de banda de nascente “com o caminho que vai de Fradelos para a Porta de Cima de Vila”. Este caminho é o mais remoto antepassado que conhecemos da actual Rua de Santa Catarina… Já designada Rua Nova de Santa Catarina a encontramos mencionada em certo documento da Misericórdia em 1748. No Plano de Urbanização proposto por João de Almada e Melo em 1784, inclui-se o prolongamento da rua até à Aguardente (hoje Praça Marquês de Pombal). A este novo troço da artéria se chamou Rua Bela da Princesa… Também por urbanizar estavam todos os terrenos compreendidos entre Santo António, Santa Catarina, a viela da Neta e a das Pombas (onde está hoje o Grande Hotel do Porto). Eram quintas e terrenos pertencentes a D. Antónia Adelaide Ferreira, a “Ferreirinha”, e a Francisco da Cunha Guimarães, onde mais tarde se rasgaram as ruas de Sá da Bandeira e Passos Manuel.”



A Rua de Santa Catarina é um arruamento situado nas freguesias de Santo Ildefonso e Bonfim que, viria a substituir um caminho que do sítio de Fradelos rumava à Porta de Cima de Vila, já na segunda metade do século XVIII.
É a artéria mais comercial da baixa do Porto, estando grande parte dela hoje vedada ao trânsito automóvel, e reservada apenas a peões.
A rua foi buscar o seu nome inicialmente à capela existente em Fradelos do Dr. João Freire de Melo, de invocação de Santa Catarina Mártir e reforçou-o com o aparecimento da chamada Capela das Almas, também da invocação de Catarina de Alexandria ou Santa Catarina Mártir.
Foi rasgada através de uma quinta enorme conhecida como Quinta do Adro ou Casal do Adro. Uma das mais importantes parcelas da quinta era o Campo da Nogueira que confrontava a poente com a viela que ia para a Fonte da Neta.
A primeira iniciativa para a urbanização da Quinta do Adro surgiu em 1706 por intermédio do bispo D. Frei José de Santa Maria.
A abertura duma nova artéria, só se dá, no entanto, 65 anos depois pela mão do bispo D. Frei Rafael de Mendonça, e começou por se chamar Rua Nova de Santa Catarina.




Gravura com vista para a torre dos Clérigos a partir de Santa Catarina



Em finais do século XVIII também se falava por estas bandas, na Quinta do Pinheiro.
Era uma enorme propriedade rural que já existia com aquela designação em 1774. Tinha o seu começo junto à igreja de Santo Ildefonso e estendia-se a Nascente pelo sítio da actual Rua de Santa Catarina, até à antiga Travessa do Grande Hotel, hoje Rua de António Pedro e por Poente confrontava com o que é hoje a Rua de Sá da Bandeira.
Consta de uma antiga descrição que a Quinta do Pinheiro:


"era uma propriedade toda cercada de muro com terras de lavradio, hortas, árvores de fruta e de vinho, suas ramadas e uma fonte; parte de nascente com a Rua de Santa Catarina e de poente com o cano da água que vai para as religiosas de S. Bento (convento de S. Bento da Ave-Maria, onde agora está a estação ferroviária de S. Bento); e do norte com o caminho que vai para a Viela da Neta (actual Rua de Sá da Bandeira, junto ao Bolhão)”.



Antes da Rua Nova de Santa Catarina ter existência, o caminho que da Batalha partia para Norte, começou por se chamar Viela dos Matos e depois Viela do Adro e partia nesses tempos recuados da Batalha, e passava pela Viela das Pombas (Travessa do Grande Hotel ou mais recentemente Rua António Pedro).
Da Viela dos Matos, que corria quase paralela à actual Rua de Santa Catarina, fazia parte a actual Travessa das Almas que corre nas traseiras da capela com o mesmo nome e a actual Travessa de S. Marcos que fica um pouco acima daquele templo.
A Travessa das Almas foi, assim, em tempos Viela dos Matos e também se chamou Viela do Adro
Um curioso caminho de acentuado declive que liga a Travessa das Almas a Santa Catarina, antes da se chegar à Rua Firmeza, é a Travessa de São Marcos que em tempos era a Viela da Coelheira e que a partir de 1814 foi Travessa de S. Marçal.
A Travessa de S. Marçal julga-se que se estendia e, corria também, pela actual Rua de Alexandre Braga, e dela, hoje, resta apenas um pequeno troço, apelidado de Beco de S. Marçal.
Aquela Travessa de S. Marçal começaria assim, junto da Viela da Neta onde hoje entroncam a Rua de Sá da Bandeira e a Rua Formosa, seguia em curva, passava junto ao que é hoje o Beco de São Marçal e tomava a direcção da Viela das Laranjeiras, chamada actualmente Travessa de S. Marcos e, a partir da Travessa das Almas para cima, continuava pela Viela do Preto, que se estendia até às propriedades dos padres congregados no Monte dos Congregados.
Em 1846 existia ainda a denominada Viela do Ribeiro, que comunicava com a Rua de Santa Catarina pela Viela das Laranjeiras.




Planta de Joaquim da Costa Lima em 1839, junto ao mercado do Bolhão

Legenda:

1- Rua do Bonjardim
2- Rua Formosa
3- Rua de Santa Catarina
4- Viela das Pombas
5- Travessa da Rua Formosa
6- Viela da Neta
7- Viela dos Tintureiros
8- Viela da Coelheira
9- Rua Nova de S. Marçal ou Rua de Santo António do Bolhão
10- Actual Rua do Bolhão


Na planta acima com o nº 15, entre a Rua Fernandes Tomás e a Rua Formosa, ficava na Rua de Santa Catarina, a Fábrica do Sabão no local hoje ocupado pelo espaço comercial, Via Catarina.



Planta da zona do Bolhão de Baldwin & Cradock - 1833

Legenda:

1- Troço da Travessa de S. Marçal (Rua Alexandre Braga)
2- Viela da Coelheira
3- Viela da Neta
4- Fradelos
5- Praça Nova
6- Viela do Anjo da Guarda
7- Rua do Bispo

Obs: Como se pode ver na planta de 1833, a rua que passava nos terrenos a norte do que viria a ser o Mercado do Bolhão (a decisão da sua implantação é de 1837) era a Rua do Bolhão, pois, o topónimo Fernandes Tomás ainda não lhe tinha sido atribuído.


O Beco de São Marçal tem esta designação em virtude de um oratório ou nicho que aí existiu de invocação daquele santo, perto de uma abundante nascente. Por isso, também aí existiu a Travessa do Rio que, em 1850 foi vedada ao trânsito.
A Rua Fernandes Tomás no troço entre a Rua Santa Catarina e a Rua do Bonjardim chamava-se em 1801, Rua Nova de São Marçal, depois foi Rua Santo António do Bolhão e mais tarde Rua do Bolhão.




Cruzamento da Rua Fernandes Tomás com Santa Catarina. Ao fundo, a Igreja da Trindade



Mesmo cruzamento em 1927



Perspectiva actual de foto anterior



Rua de Santa Catarina junto à Praça da Batalha 





Vista actual e aproximada de foto anterior – Fonte Google maps



Por comparação das últimas fotos se conclui, que até ao actual edifício das Galerias Paladium, os prédios são os mesmos, dotados dos respectivos melhoramentos.




Próximo da linha do horizonte uma fiada de casas da Rua de Santa Catarina e os seus quintais c. 1865



Na foto acima obtida a partir da Torre dos Clérigos, é visível a igreja dos Congregados e uma nesga da Rua de Santo António.



Rua de Santa Catarina no carnaval de 1905, sensivelmente no mesmo local de penúltima foto



O local da foto anterior já com a ourivesaria Reis - Fonte: Google Maps



Na penúltima foto é interessante verificar que a fachada característica da Ourivesaria Reis ainda não existia.
É digno de destaque nesta rua as fachadas Arte Nova da Livraria Latina e da antiga Ourivesaria Reis & Filhos, localizadas à entrada da rua vindo da Praça da Batalha, à direita e à esquerda, respectivamente, nas fotos seguintes.



Ourivesaria Reis (já encerrou)



Livraria Latina e busto de Camões no ângulo das fachadas



Em 15 de Fevereiro de 1942 ocorre a inauguração da Livraria Latina, no cimo da Rua 31 de Janeiro. O busto de Luís de Camões na fachada, que chama a atenção dos turistas, foi encomendado por 700 escudos ao então jovem artista António Cruz, que mais tarde ganhou notoriedade como aguarelista do Porto, para conferir um toque de originalidade ao estabelecimento.
Sobre a livraria Latina, JPortojo diz-nos:


“Henrique Perdigão, avô, foi o fundador. Morreu durante uma viagem ao Brasil em 1944 sucedendo-lhe o filho Mário, o neto Henrique e hoje, presumo, faz parte do Grupo Português Leya.
A Latina foi a primeira empresa em Portugal a criar um concurso literário com o prémio de 3 mil escudos. Foi seu vencedor o Professor Hermano Saraiva tendo cabido uma das menções honrosas a Fernando Namora”.



Em 1911, à entrada da Rua de Santa Catarina (foto pintada)




Acima vê-se o mesmo local da foto anterior mas mais antiga ainda sem a Livraria Latina e o busto de Camões no cunhal do prédio, que só apareceram a partir de 1942.




A livraria Latina ainda não existia em frente à ourivesaria Reis



Perspectiva idêntica às das fotos anteriores, sendo o obelisco, que apenas seria retirado em 1920, visível


Na foto acima pode ver-se o início da Rua de Santa Catarina e, à direita, o antigo acesso à igreja.



A escadaria da foto anterior desapareceu para dar lugar a lojas



Mais à frente (lado nascente), no cruzamento das ruas de Santa Catarina e Passos Manuel, encontrava-se o estúdio de fotografia Alvão.




Foto Alvão em 1913



O famoso estúdio fotográfico Alvão situava-se na Rua de Santa Catarina, na esquina com Rua Passos Manuel (começada a abrir, pelos anos de 1874-77) e que, por isso, cortou parte da Viela da Neta e da Quinta de Lamelas.
Para lá daquele cruzamento, ainda durante parte da segunda década do século XX, a primeira trintena de metros mostrava um recuo da fachada dos prédios, relativamente ao eixo da via formando, nesse local, como que um pequeno largo.



A Foto Alvão e, à direita, o Café Majestic, com as fachadas dos prédios respectivos já situados no novo alinhamento



Na Rua de Santa Catarina, ainda podemos desfrutar (desde 1921) do Café Majestic, que começou por se chamar Elite, e é um dos principais pontos turísticos da rua.
Foi o local de reunião da fina-flor da intelectualidade portuense, nomeadamente de Leonardo Coimbra e seus discípulos.




Café Majestic 



Interior do café Majestic nos anos 20 – Fonte: “portoarc.blogspot.pt”



Ainda, no cruzamento da Rua de Santa Catarina com a Rua de Passos Manuel, mas do lado poente/sul, o prédio existente chegou a ser a morada das Galerias Palladium, um projecto de 1914 do arquitecto Marques da Silva, construído para que os Grandes Armazéns Nascimento, uma firma conceituada fabricante de mobiliário de qualidade, tivesse uma grande área de exposição e venda ao público.
Entretanto, os Grandes Armazéns Nascimento compraram, no início da década de 1920, uma fábrica de marcenaria a vapor “A Económica”, na Rua do Freixo e, em 1927, a loja na Rua de Santa Catarina era oficialmente inaugurada, embora António Nascimento já não tivesse assistido, pois já tinha falecido.
Decorridos sete anos, em 6 de Novembro de 1934, um pavoroso incêndio consumiu as instalações da fábrica de Campanhã e armazéns anexos.
A firma ressentiu-se e os herdeiros de António Nascimento viram-se na obrigação de vender, em 1939, o prédio da Rua de Santa Catarina, a um grupo de comerciantes e industriais do Porto, que fizeram a sua adaptação para o café Palladium, cujo interior foi de autoria do arquitecto Mário Abreu.
O Café Palladium abriria portas em 1940.
 
 
 
 

Entrada do Café Palladium e o seu típico porteiro
 
 
 
“Palladium”, um dos maiores Salões de Chá e Café da Península que, ontem, abriu as suas portas ao público.
O acto inaugural constitui para o Porto um acontecimento sensacional.
Nas novas instalações do “Palladium” houve a preocupação de adaptar em salão de chá, café e jogos o rés-do-chão e 1º andar do antigo edifício dos Grandes Armazéns Nascimento, sem alterar a sua estrutura, obra conseguida pelo arquitecto Mário Abreu.”
In jornal “O Comércio do Porto” de 5 de Novembro de 1940
 
 
 

Café Palladium em 1941


 
Na foto acima estão alguns frequentadores habituais do Palladium, sendo que, da esquerda para a direita, temos: João Alves, Sant’Ana Dionísio, Carlos Sanches, José Régio, Jorge de Sena, Alfredo Pereira Gomes, Adolfo Casais Monteiro e Alberto Serpa.

 
“O café Palladium, aberto em 4 de Novembro… cujas obras foram da autoria de Mário de Abreu. Tinha salão de jogos, salão de chá e um cabaret. Atraía uma clientela ligada às artes e às letras, como Jorge de Sena, José Régio, Adolfo Casais Monteiro, Sant’Ana Dionísio, Alfredo Pereira Gomes, Alberto Serpa, Nadir Afonso, Júlio Resende, Manuel Pereira da Silva, entre outros, e foi encerrado nos anos 70.
Fonte:  portoarc.blogspot 
 
 
 
Inaugurado, então, o café Palladium em 4 de Novembro de 1940, por António Ferro (1895-1956), director do Secretariado de Propaganda Nacional, uma figura de proa do Estado Novo, apresentava o salão de café no piso térreo e a sala de chá no piso sobre-elevado, enquanto, no 1º andar, ficava o salão de jogos e de bilhares e no 3º andar um "cabaret", com acesso aos andares através, também, de elevadores exclusivos.
 
 
 
Piso térreo do Café Palladium, sendo visível o salão de chá, no piso sobre-elevado
 
 
 
 
A partir de 1974, após o fecho do famoso Café Palladium, o prédio passou a albergar uma loja de pronto-a-vestir, as “Galerias Palladium” e a mostrar um interessante relógio com carrilhão, com figuras que se movimentam no exterior do edifício.
De três em três horas, saem do relógio e apresentam-se de frente para Santa Catarina, num patamar do 1º andar, quatro imagens representando figuras emblemáticas do Porto: S. João, o Infante D. Henrique, Almeida Garrett e Camilo Castelo Branco. Após um desfile de dois minutos, ao som do carrilhão, as figuras regressam ao relógio.
 
 
 

Relógio – Fonte: “restosdecoleccao.blogspot.pt”
 


Últimamente, o icónico edifício albergou as firmas C&A e, a partir do ano 2000, a Fnac que, não conseguindo renovar o contrato de arrendamento, entretanto, já encerrou.

 
 
 

 

Na foto acima, o elemento arquitectónico, em ferro e vidro para protecção das adversidades atmosféricas, denominado "marquise", à entrada do edifício que alojou o Café Palladium, resulta de um projecto de 1914 do arquitecto Marques da Silva.




Rua de Santa Catarina, no Natal de 1973



Na foto acima, à direita, vê-se o Café Palladium e, na esquina oposta, a “Casa Inglesa”, de confecções, que nos dias de hoje já não existe e, cujas instalações, foram ocupadas pelo joalheiro “Marcolino”.


Casa Inglesa


A poucos metros da “Casa Inglesa”, na Rua de Passos Manuel, quase em frente ao Coliseu, abriria em 12 de Dezembro de 1931 o “Restaurante Escondidinho”, que irá servir os seus clientes até aos nossos dias. 
Em 20 de Fevereiro de 1932, o Restaurante Escondidinho vai abrir as suas portas, exibindo o seu novo mobiliário fornecido pelos Grandes Armazéns Nascimento.
Em 1936, o restaurante seria o primeiro a receber duas estrelas Michelin.



“O industrial António Joaquim da Silva abriu "O Escondidinho" em 12 de Dezembro de 1931, na Rua de Passos Manuel. O projeto foi de autoria de Manuel Marques e Amoroso Lopes, discípulos do arquitecto Marques da Silva.
Modelada segundo o estilo das velhas casas solarengas do norte de Portugal, a sala de jantar, reproduz na sua traça, o aconchegado conforto das residências do século XVIII, a que não falta, sob os tectos apainelados, a pujança ornamental das antigas faianças portuguesas e os vistosos lambris cerâmicos.
Seguiu-se na gerência Joaquim Araújo e Amarílio Barbosa, tendo ambos conseguido dar continuidade ao mais apurado bom-gosto da ementa do restaurante até aos dias de hoje”.
Fonte: Wikipédia


(…) sob os tetos apainelados, a pujança ornamental das antigas faianças nacionais e os vistosos lambris cerâmicos, imitando a escola de Delft, cujos azulejos sobressaem pela extraordinária beleza.
O projecto de Amoroso Lopes, habilmente executado pelos Grandes Armazéns Nascimento, é de notável concepção artística, destacando-se a fachada na qual, como nos interiores, se revelam trabalhos valiosos da Fábrica Constância, dirigida então por Leopoldo Battistini.”
Fonte: “escondidinho.pt”


Restaurante Escondidinho