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domingo, 6 de agosto de 2017

(Continuação 27)

19.20 Rua do Conde de Vizela e a distribuição do correio


A actual denominação de Rua Conde de Vizela fica a dever-se ao industrial Diogo José Cabral, proprietário de todo o quarteirão entre a Rua Conde de Vizela e a Rua Cândido dos Reis. Por decreto do rei D. Carlos do ano de 1900, aquele industrial foi agraciado com o título de primeiro Conde de Vizela e, daí, o nome actual, da antiga Viela do Correio.
Durante um período de 279 anos, a partir de 1520, foi o correio da cidade do Porto administrado pelos chamados Correios-Mores, ou mais, precisamente, Assistentes do Correio-Mor do Reino. Não se sabe exactamente quando foi nomeado o 1° correio assistente no Porto, embora haja quem refira que, no ano de 1552, já havia na cidade correio organizado.
Na maioria dos documentos dos séculos XV e XVI, é feita referência aos “almocreves” ou “recoveiros” e, ainda, aos “caminheiros” para o transporte de correspondência Real, Municipal ou de simples particulares. Com a nomeação dos Assistentes do Correio-Mor, estas velhas práticas do recurso aos almocreves e caminheiros foram sendo progressivamente abandonadas.




Recoveira com baús à cabeça, na confluência da Rua dos Clérigos com a Rua do Correio (visível na placa), em data anterior a 1927, a partir da qual, aquela rua passou a ser a Rua do Conde de Vizela



A nomeação daquelas personagens era uma atribuição do Correio-Mor que, para o efeito, negociava um contrato com o proponente, que se obrigava ao pagamento de uma renda anual, mas auferindo inteiramente dos rendimentos do correio que administrava.
Miguel Chamorro foi o 1º assistente que se conhece. A primeira residência que se conhece do Correio foi na Praça das Hortas na esquina com a Calçada dos Clérigos, onde existiam umas grossas árvores nas quais, c. 1608, se afixava uma lista dando conta aos interessados da correspondência em trânsito.
Daí, passou para o que é hoje a Rua do Dr. Magalhães Basto, contígua à delegação do Banco de Portugal.
Na segunda metade do século XVII, toda a área que compreendia a Rua do Almada e a Praça Guilherme Gomes Fernandes e na qual se incluíam as ruas Conde de Vizela, da Fábrica, de Santa Teresa, de Cândido dos Reis e Galeria de Paris, não passava de terreno ainda despido de construções, constituindo a quinta da Cancela da Velha.
No ano 1681, o padre Baltasar Guedes, que tinha fundado o Colégio de Nossa Senhora da Graça, trinta anos antes, no campo do Olival, fez uma exposição à Câmara para que lhe fosse facultada uma parcela de terreno abaixo do Calvário, para aí levantar algumas casas, que se destinariam, quando arrendadas, a um complemento do orçamento da instituição de caridade. O Calvário ou Calvário Velho é a actual Praça Guilherme Gomes Fernandes, já que o Calvário Novo ficava na actual Rua Dr. Barbosa de Castro. A Câmara cedeu, de facto, o terreno e os proveitos que daí advieram para a instituição, foram de monta. Certo dia, o padre foi procurado por João Soares Carvalho que pretendia um terreno para contruir uma habitação própria no lugar que seria hoje a esquina da Rua Conde de Vizela e a Rua das Carmelitas. Por volta de 1690, ficou a casa pronta. Seis anos depois, em 1696, Soares de Carvalho (1665-1712), nomeado correio-mor do Porto instalou o serviço dos correios na sua própria moradia, na confluência da actual Rua Conde de Vizela com o chamado Alto da Calçada que só pode ser a dos Clérigos, passando a via a ser conhecida desde aí por Viela do Correio-Mor e Rua do Correio-Mor e mais tarde por Rua do Correio, quando antes tinha sido Travessa das Indulgências e para alguns teria sido, também, Rua de Santo António.
No fim da Travessa das Indulgências, para quem nela en­trava pela actual Rua dos Clérigos, ficava a Rua da Picaria. 
Em 1797, o cargo de Correio-Mor do Reino é extinto e o Estado passa a ter o monopólio da exploração postal.
As funções inerentes àquele cargo passam, então, a ser exercidas pelo Administrador do Correio nomeado pelo Estado.





Em 1801, passaram os serviços para a residência onde habitava o administrador-geral do correio do Porto, José de Sousa Melo (Porto, 1745 - Braga, 1839) no Largo da Fábrica do Tabaco, na embocadura das actuais ruas da Fábrica e do Conde de Vizela, mais propriamente aquele espaço que fica onde se bi­furcam as ruas da Fábrica, Aviz, Conde de Vizela e Santa Teresa. Escusado será di­zer que, desde logo, o largo passou a ser Largo do Correio.
Aqui, os correios estiveram mais de trinta anos, embora José de Sousa Melo tenha solicitado, em 1818, a exoneração do cargo, exercido cumulativamente com a de encarregado da inspecção das obras do edifício da Academia de Marinha e Comércio, e da Administração do Real Colégio dos Órfãos.



“José de Sousa Mello, cavaleiro-fidalgo da casa Real, foi tesoureiro Geral do consulado da Alfândega do Porto, assim como vice-provedor e deputado da Companhia Geral d’Administração d’Agricultura dos vinhos do Alto Douro, e tinha a sua morada na Rua Nova do Almada: era seguramente homem abastado, pois logo que foi nomeado para Administrador do Correio fez construir para estes serviços uma casa à sua custa, com todas as proporções e arranjos próprios, e em sítio acomodado ao comércio, com que o público ficou satisfeito, e onde, a partir de 1803, ficou instalado o correio do Porto. Situava-se aos Clérigos, com frente para a rua denominada do Correio, actual Rua do Conde de Vizela”.
Cortesia de Luís Frazão; História Postal da Cidade do Porto na Era Pré-adesiva
 
 
José de Sousa Melo é conhecido, também, por ter sido o primeiro proprietário da Quinta das Águas Férreas, que seria ocupada, em 1810, pelo general Trant, encarregado do partido das armas do governo do Porto, tendo ele passado a habitar a casa do Pátio do Correio.  
Antes, em 1809, durante a invasão do exército francês, José de Mello, conotado como colaboracionista, veria a sua casa das Aguas Férreas assaltada, roubada e estragado o seu recheio, e só escapou com vida por ter fugido a tempo, para uma quinta que tinha na Régua.
Acabaria por voltar por ordem do Governo, de 20 de Maio de 1809, que funcionou como uma amnistia.
José de Sousa Melo haveria, também, entre 1821 e 1822, de desempenhar o cargo de Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, sucedendo a Francisco Cyrne Madureira.
Antes de ocupar as instalações do Largo do Correio, durante parte do século XVIII, os serviços de correio terão ocupado um edifício no Largo de Moinho de Vento (pertença na segunda metade do século XIX, a Armando Artur Ferreira de Seabra da Mota Silva e, na primeira metade, desse século, a António Barbosa de Albuquerque, sogro do primeiro, mas que não se chegaram a conhecer). 
Passando, depois, a Casa do Moinho de Vento pela posse de uma neta de António Albuquerque, que a resgatou duma penhora contraída por sua mãe, acaba nas mãos de uns sobrinhos do seu marido, por não terem descendência. 
Já no século XX, em 1922, era José Ribeiro da Silva Pena o proprietário.
Na planta desenhada pelo arquitecto, Joaquim da Costa Lima, em 1839, abaixo representada, pode observar-se, em destaque, a identificação de um largo correspondente, hoje, ao Largo do Moinho de Vento, como sendo o “Correio Velho”.







Palacete do Largo Moinho de Vento (parcialmente demolido em 2017) para instalação de um hotel




Em 1836, os serviços dos correios já ocupavam parte do ex-convento das Carmelitas.
Em 1852, já se tinha assistido ao lançamento do primeiro selo postal e, entretanto, a distribuição do correio evoluía da mala-posta para o comboio.
A partir de 1853, em vez de o destinatário pagar 40 réis por franquia de cada carta que recebesse, passou o remetente a pagar apenas 25 réis por cada carta que enviasse, assumindo a responsabilidade pelo pagamento da franquia.
 
 
 
1º selo, em 1853, com a efígie da Rainha D. Maria II


Em 13 de Julho de 1857, passa a ocupar o palacete da Baronesa da Regaleira na Rua S. Bento da Vitória.
A Administração Central dos Correios e os serviços transferiram-se, depois, em 18 de Fevereiro de 1881, para a Praça da Batalha para o palacete dos Guedes da Quinta da Aveleda, também conhecido por Palácio da Batalha ou Palácio da condessa de Pangim, mandado construir por José Anastácio Guedes da Silva. Seria um seu neto, Manuel Pedro Guedes da Silva da Fonseca, que mandou colocar na fachada do edifício um escudo esquartelado, que ainda hoje ostenta, dos Silvas, Guedes, Melos e Pereiras, assente numa tarja acompanhada de troféus e encimada por um coronel.
Apesar da mudança de instalações os serviços do correio ficaram com uma sucursal na Rua das Taipas, n.º 53.
Por sua vez, os serviços de telégrafo já se encontravam em instalações do palácio desde 1877, vindos da Casa Pia.

 
 







Palácio da Batalha, no início do século XX, quando já funcionava como sede dos Correios
 
 
 
Os serviços postais, a partir da segunda metade do século XX, na Praça do Município, junto da Câmara Municipal.




No terreno livre (c. 1955), em primeiro plano, foi construído o Palácio dos Correios



 
 
 
À direita, o Palácio dos Correios, hoje, um edifício de escritórios
 
 
 
Entretanto, para tratamento de encomendas, desde grande parte do século XX até à mudança de milénio, os CTT – Correios e Telecomunicações de Portugal, E. P. ocuparam, em complemento, um prédio na esquina da Rua de Saraiva Carvalho e o Largo 1º de Dezembro, hoje, ocupado pela Ordem dos Contabilistas Certificados.


 

Edifício dos Correios, Telégrafos e Telefones (CTT), em 1954



Em termos nacionais, em 1911, a empresa encarregue do tratamento do correio passa a ser dotada de autonomia administrativa e financeira e chamava-se Administração-Geral dos Correios, telégrafos e Telefones adoptando a sigla CTT.
Em 1969, os CTT são transformados em empresa pública com a denominação CTT – Correios e Telecomunicações de Portugal, E. P.
Em 1992, os CTT são transformados em sociedade anónima, com a denominação CTT - Correios de Portugal, S. A.. Ao mesmo tempo a área das telecomunicações é separada, formando uma empresa autónoma, a Telecom Portugal.



Tratamento, recolha e distribuição do correio
 
 
É durante o século XIX que se vai assistir a grandes transformações no tratamento do correio.
Por volta da década de 1820, seriam regulamentados e implantados uns receptáculos de forma rectangular, em ferro ou em madeira, para recolha, na via pública, de correspondência.
Nos primeiros dias de 1834, os portuenses assistem ao aparecimento dos primeiros carteiros de bolsa a tiracolo e a tocar uma estridente corneta.
Até então o correio chegava às Administrações do Correio e, de imediato, eram feitas umas listas nas quais constava o nome do destinatário antecedido de um número de ordem. Estas listas eram afixadas em locais previamente escolhidos para serem consultadas pelo público e para aqueles que constavam delas solicitavam aos empregados do correio a sua entrega. A confusão gerada, muitas vezes, nos actos de entrega, numa urbe populosa como o Porto, conduziria a que fosse buscado um novo método.
Começaram alguns utentes, a tentar ultrapassar a embaraçosa situação, por fazer acordos pontuais com os empregados dos correios, levando-os a reunir a sua correspondência e, para esse efeito, fazendo-se pagar por uma gratificação acordada previamente.
É assim, que vai surgir a figura do carteiro.
O plano para a Posta Diária do Porto, dividiu a cidade em 8 distritos poligonais, cujas dimensões variavam na proporção do volume de correspondência calculada para cada área.
Por distrito eram instaladas umas caixas para recolha das cartas.
Aliás, essas caixas já estavam no terreno há alguns anos.
 
 
 
“A Junta Provisória Encarregada de Manter a Legítima Autoridade de El Rei o Sr. D. Pedro IV mandou em junho de 1828 que o administrador do correio do Porto fizesse estabelecer «dous ou tres pontos nesta cidade, onde julgar mais proveitosos, caixas para receção de cartas, encarregando a sua guarda e vigilância a pessoas de probidade; isto para facilitar ao público comodidades para a remessa das correspondências particulares. Com a ressalva de que: para não retardar a regular partida dos correios para as diferentes partes do reino, tomará Vm. as medidas necessárias, em relação às distâncias em que estiverem colocadas as caixas, para mandar recolher a essa administração as que se acharem dentro delas».
Era uma modernidade!: três caixas de correio espalhadas pela cidade, dando descanso aos pés dos interessados, obstando-os de um longo caminho até à casa da administração! Se de facto a situação prevaleceu no tempo ou não é algo que desconheço, pois poucos meses depois o país "absolutismou" com D. Miguel usurpando o poder e os partidários de D. Pedro fugindo para Inglaterra].

 
 
Sobre as caixas para recolha de correio, referidas no texto acima, munidas de uma frincha para introdução das cartas e um cartaz que avisava do horário da recolha, Inicialmente, foram mal recebidas pela imprensa da época, que os criticaram por razões de ordem estética. Mas, cedo, se revelaram muito úteis, pela sua eficácia, demonstrada no dia-a-dia, tanto ao nível da segurança como da comodidade.
 
 
No texto seguinte se dá conta das determinações decididas, face ao tratamento do correio, em 1834, quando a administração do correio já ocupava o convento das carmelitas descalças.

 
«Somos authorizados a annunciar, que para utilidade pública dos Habitantes desta Cidade se achão deffinitivamente collocadas em differentes paragens,  - Caixas para recepção das Cartas – a fim de se evitar a demora em remessas á Administração do Correio, aonde até agora havia unicamente a Caixa geral.
Os sitios onde se achão as Caixas, são os seguintes:
- Na Porta Nobre, da parte de fóra.
- Na Esquina, entre a rua dos Inglezes, e a rua de S. João.
- Na Feira de S. Bento das Freiras.
- No Largo da Batalha, junto á Capella.
- Na Rua direita, defronte da travessa dos Capuchos.
- Na Esquina, entre a rua do Bomjardim, e a rua do Estevão.
- Na Rua d’Almada, ao cimo.
- Na Esquina entre a rua de Cedofeita, e a rua dos Bragas.
- Em Villa Nova, no Cabeçudo.
- E nas Costeiras.
Os moradores proximos destes sitios podem informar-se das horas a que da Administração do Correio se mandão tirar as Cartas, conforme está escripto em cada huma, para ficarem certos de que todas as Cartas deitadas antes das horas fixadas são expedidas na competente partida regular, - e que deitadas depois sómente são enviadas no turno seguinte.
A utilidade deste estabelecimento, que na Capital se acha em via há muitos annos, mas que a estupida crença dos Sectarios de D. Miguel julgou innovação perigosa para o Porto, quando em 1828 o Absolutismo reassumiu o sceptro de ferro, depois de alguns dias de uso, - he evidentemente proveitosa porque assim vimos a ter ramificada em diversos 11 pontos a recepção de todas as Cartas para o Correio, com a mesma regularidade, com que até agora se usava na que se acha á porta da Administração, no extincto Convento das Carmelitas.
Da mesma fórma, se tem tomado medidas para pouco e pouco se ir estabelecendo a Posta pequena, que he encarregada de entregar as Cartas em casa de que para isso der ordem, logo que cheguem os Correios, pagando sómente 5 reis em cada carta, a maior, do preço da Lei para o Correio Geral. As Pessoas que desejarem receber assim as suas Cartas, queirão avisar a Administração do Correio nesta Cidade; ou por Carta lançada em qualquer das Caixas, ou no mesmo local da Distribuição.
He preciso desarreigar varios prejuizos, e de certo he hum dos que temos mais inveterados, o uso de julgarmos por melhor o escreverem-se os nomes de quem tem Cartas a receber, em Listas públicas á porta do Correio, habilitando assim quem quizer a hir tirar as Cartas que lhe parecer, sem responsabilidade de quem as entrega, porque não he obrigado a conhecer todo o mundo nem a saber se esta ou aquella pessoa vai mandado pelo dono da Carta &c. Presentemente, não he possivel pôr em pratica com regular distribuição a entrega geral pelas diferentes casas, porque não tendo ainda voltado a suas habituaes residencias os moradores dos diversos Bairros, pela mudança forçada em rasão dos projecteis do inimigo, composição d’antigas habitações &c, em vez de se acreditar o novo arranjo, acharia nos tropêços desta confusão de moradias, hum estorvo terrivel. Mas pouco e pouco he necessario hir acostumando, até por que pouco e pouco se vai habitualmente regulando o exercicio dos Entregadores etc. Porque ao principio se acham embaraçados em qualquer forma, querer logo que se diga que a innovação he má, parece desairoso na bocca de quem confessa a todos os respeitos, que he preciso sahir da velha rotina de abusos. Queixe-se quem julgar irregularidades, e se depois as não vir remediadas, embora grite, que a opinião geral fará justiça, porque ás vezes he o frenezi do genio que falla, e não a justêza do raciocinio do Cidadão impaciente, e desarrazoado. Em as cousas tomando o habito antigo das moradas certas e regulares, há de fazer-se no Porto, o que se faz já em Lisboa, e nos Paizes civilisados, que a experiencia d’abusos teve a felicidade de corrigir por fortuna delles, primeiro que nos tocasse a nossa vez.
Vamos portanto pouco e pouco, que vamos melhor, e as Pessoas interessadas em que nos mostremos dignos de reformas, e não bisonhos e faltos de instrucção para as receber, principiem a dar o exemplo: estabeleça-se a Posta pequena para se nos entregar a correspondencia, mandando nossos nomes para isso ao Correio, pois que as Pessoas de menos raciocinio, vendo o exemplo desenvolvido pela prática, convencem-se e seguem a marcha dos outros.»”
 
 
A posta pequena, referida no texto acima, dizia respeito à entrega ao domicílio da correspondência, para quem o solicitasse mediante o pagamento de 5 réis.
Estavam instituídos os carteiros.
No mesmo texto, se indica as diversas localizações nele referidas: “Na Rua direita, defronte da travessa dos Capuchos”, Rua Direita não é mais que a actual Rua de Santo Ildefonso, e a Travessa dos Capuchos era, à data, a via junto do convento.
Por sua vez, o sítio do Cabeçudo ficava nas imediações da área hoje ocupada pela Rua Cândido dos Reis, em Vila nova de Gaia, situando-se o sítio de Costeiras em Avintes.
Na Rua de Cândido dos Reis, em V. N. de Gaia, na parede lateral de um prédio situado na esquina daquela rua com a travessa do mesmo nome, existiu uma fonte importante denominada Fonte do Cabeçudo, e sobre a qual se diz:
 
 
 "Foram construtores o Mestre pedreiro Domingos Gonçalves e Agostinho Rebelo. O ano de 1797 marca o momento em que a fonte foi reformada ou restaurada, pela Câmara no reinado de D. Maria I. Que ali construiu o frontespício de pedra com duas bicas tendo no topo a coroa real e o escudo também em pedra. Fonte implantada na parede lateral do prédio nº 117 da Rua Cândido dos Reis, onde ainda existe o frontispício de pedra que exibe os restos da fonte. Foi-lhe retirado o tanque e desviada a água. As duas bicas que serviam para abastecimento foram tapadas e a figura que dava nome à fonte desapareceu, bem como outros acessórios. No topo está gravada uma inscrição de onze linhas, onde se indica o ano de construção (1637)”.
In “arquivo.cm-gaia.pt”
 
 
Não seria fácil instituir a entrega do correio segundo as determinações de 1834.
A entrega domiciliária pressupunha o conhecimento dos destinatários e das suas respectivas moradas, dados desconhecidos da administração dos correios. Assim, durante alguns anos, vigoraram três métodos para a entrega: as Listas, a domiciliária e os Apartados.
Em 1854, no que à recolha de correio diz respeito, a cidade foi dividida em 20 distritos, existindo em cada um deles um carteiro e uma caixa receptora, de acordo com o quadro abaixo.

 
 





Sobre a recolha de correio, anunciava o “Jornal do Porto”, em 1872:
 
 
 

In “Jornal do Porto” de 21 de Junho de 1872, pág. 2
 
 
 
Em 1882, na sequência da necessidade de criar melhores condições de segurança às correspondências depositadas naqueles receptáculos postais, surgem os marcos de correio, mais robustos, cilíndricos, que subsistiram até aos dias de hoje.
 
 
 
Biblioteca Pública em S. Lázaro 
 
 
Na foto acima, de finais do século XIX, vê-se à esquerda um marco do correio, com abertura para o lado da via. 

terça-feira, 11 de julho de 2017

(Continuação 1) - Actualização em 15/04/2020


Conta uma lenda que, viajando D. Afonso Henriques em Novembro de 1153, na companhia da rainha D. Mafalda, de Coimbra para Guimarães, ao passar no sítio do Olival, então fora da cidade do Porto, local hoje com o topónimo de Praça de Lisboa, junto à torre dos Clérigos, a égua em que a rainha seguia, caiu subitamente num barranco. O monarca, naquele momento de aflição, invocou a protecção de S. Miguel-o-Anjo, de quem era devoto, e como a rainha nada tivesse sofrido, mandou erigir, naquele mesmo sítio, uma capela em honra do protector.
Esse sítio era conhecido, naquela época, pelo Lugar das Oliveiras.
Foi junto a esta ermida que no ano de 1661, uma virtuosa senhora portuense, D. Helena Pereira, natural da freguesia da Vitória, tendo ficado viúva, decide construir um recolhimento para "viúvas honestas" e "meninas órfãs" a que deu o nome de Recolhimento de S. Miguel-o-Anjo, ou Recolhimento da Rainha Santa Isabel do Anjo,  em memória da capela que ali existia.


“1672, marca o ano em que Dª Helena Pereira decide solicitar autorização para aqui levantar um Recolhimento. Esta Senhora, viúva, era possuidora de uma assinalável fortuna que seu marido, Gonçalo de Borges Pinto, proprietário de Mesão Frio e produtor de vinho, lhe havia legado na hora de sua morte, em 1661. 
Bem relacionada, Dª Helena Pereira consegue o apoio da Câmara do Porto, de dois Bispos da Cidade (D. Nicolau Monteiro e D. João de Sousa) e ainda da Rainha Maria Francisca de Sabóia, o que conduzirá à ordem para a utilização do local do Anjo e da sua ermida, para levantar um Recolhimento, “(…) para órfãs, donzelas nobres e pessoas de conhecida virtude e limpo sangue (…)” a que seria dado o nome, por sugestão da Rainha, Recolhimento de Santa Isabel. O Recolhimento localizava-se mesmo ao lado do conjunto que viria a ser dos Clérigos, mas a via que separava essas duas áreas era, no dizer da altura, uma viela imunda… 
Por esses tempos, o recurso da mulher abandonada, ou mesmo viúva, era casar segunda vez. Mas como para casar era preciso dote, fácil é de imaginar que a mulher, regra geral, acabava por cair numa situação de tal modo complexa que passava a dedicar-se a tarefas menos nobres, para poder sobreviver. 
Por isso, as Casas de Recolhimento femininas constituíam uma protecção, podendo ser ainda casas de Regeneração (para as pecadoras), tendo apoios vários, desde a Câmara às instâncias reais. 
A fundadora dava o exemplo, praticando uma vida austera e de desapego dos bens materiais. Praticou uma administração rigorosa e legou ao Recolhimento todos os seus bens e as suas imensas propriedades, o que permitiria uma vida relativamente desafogada à comunidade. 
A organização dependia do governo da Regente e enquanto Dª Helena Pereira foi viva, essa gestão foi completamente independente de factores estranhos ao Recolhimento. Foi com a sua morte que o Bispo do Porto passou a tomar parte activa no governo do Recolhimento. 
De resto há aqui um factor fascinante. A mulher, tida como um “elemento da casa”, foi, no caso dos Recolhimentos femininos, uma entidade com uma enorme capacidade de gestão. 
A azáfama “empresarial” chegava ao ponto de convidar as Recolhidas, muitas delas com muitas posses, a investir o dinheiro, nomeadamente em empréstimos e aquisições de propriedades. 
Digamos que era algo de demasiado terreno, mas fundamental para combater a falta de verbas com as despesas associadas aos gastos da Instituição. Portanto, Dª Isabel Pereira foi uma gestora de um imenso Património que incluía rendas, bens cedidos e os empréstimos realizados. Tudo “truques” que iriam permitir a continuidade da Instituição. 
De algum modo, para algumas mulheres, o trabalho realizado no Recolhimento foi uma fonte de conhecimento e de emancipação ao permitir-lhes aplicar princípios que, de um modo normal, eram dados exclusivamente ao homem. 
A Rainha Santa Isabel foi escolhida para Padroeira pela Rainha Maria Francisca de Sabóia, que por ela tinha grande culto. Nos Recolhimentos e Mosteiros, a figura do patrono representava o exemplo de modo de vida a seguir, que se estendia às roupas (de um modo geral escuras), o que era muito respeitado pelas Recolhidas, pois resguardavam a pessoa e acordavam-na para a responsabilidade da sua escolha. 
A Regra da Instituição era a da Ordem Terceira de S. Francisco, fundada no Porto em 1633. Uma Ordem Terceira era a possibilidade que o cidadão comum tinha de levar uma vida religiosa à qual, por razões várias, nunca se podia dedicar na integralidade. 
De resto, a ligação entre a fundadora Dª Helena Pereira e os Franciscanos era enorme, ao ponto de apenas estes estarem presentes nas suas exéquias fúnebres”. 
In site “marabo2012.wordpress.com”



Importa referir que a protectora do Recolhimento, Maria Francisca Isabel de Sabóia (nascida em Paris a 21 de Junho de 1646 e que morreria aos 38 anos na Palhavã, em Lisboa, a 27 de Dezembro de 1683) foi casada com Afonso VI de Portugal, desde 27 de Junho de 1666 e depois com o irmão daquele, Pedro II de Portugal, desde 27 de Março de 1668, após a anulação do primeiro casamento pelo papa.
Convindo a Luís XIV de França atrair Portugal ao seu país em luta com a Espanha, haveria de concordar com o casamento de Maria Francisca com D. Afonso.
De La Rochelle, onde se celebrou, por procuração, o casamento, partiria D. Maria Francisca, na nau Vendôme, até Lisboa.
Voltando ao Recolhimento da Rainha Santa Isabel do Anjo, esta instituição que começou por internar 10 orfãs filhas de boas famílias, acabaria algumas décadas depois, segundo Alberto Pimentel, por “ser convertido numa numerosa colmeia em que enxameavam mulheres de várias proveniências e idades…havia até senhoras casadas que iam hospedar-se no Anjo enquanto os maridos andavam ausentes”.
Acabou este recolhimento, por ser abandonado com a extinção das ordens religiosas em 1834 sendo que a sua demolição começou em 1837 e o terreno que ocupara foi aproveitado pela Câmara para a construção do mercado que tomou o nome da velhinha e lendária ermida - o Anjo.
Para quem subia o ca­minho, vindo da Viela do Correio, o Recolhimento de S. Miguel-o-Anjo ficava do lado esquerdo.
Devido à proximidade com essa instituição, o estreito caminho chamou-se, primeiro, Rua do Anjo; de­pois, Rua Nova do Anjo e, posteriormen­te, Rua Nova de Jesus do Anjo. Acabaria por tomar, mais tarde, o nome do Con­vento das Carmelitas e chamar-se Rua das Carmelitas. No lugar do reco­lhimento de S. Miguel-o-Anjo, construiu-se, em 1839, o Mercado do Anjo, entre­tanto também já desaparecido. 
Diga-se ainda, que a Rainha Mafalda, mulher de D. Afonso Henriques, que sofreu o acidente atrás referido, também quis agradecer ao divino o ter sobrevivido e mandou construir uma capela nas imediações desse local, que viria a ser conhecida por Capela de Nossa Senhora da Graça que, mais tarde, teria adstrito à igreja, que a veio substituir, o Colégio dos Meninos Orfãos, que ocupou o terreno onde hoje está a Reitoria da Universidade do Porto.
Citando o beneditino Novais, no “Porto de Outros Tempos”, Firmino Pereira diz que:
“…entre a ermida de S. Miguel e a Capela da Nossa Senhora da Graça, existiu por iniciativa da rainha D. Catarina, mulher de D. João III e avó de D. Sebastião, uma ermida dedicada a S. Sebastião que tinha anexado um pequeno Recolhimento de Órfãos de S. Sebastião, para ambos os sexos. Por morte da protectora e do rei D. Sebastião e por desleixo dos reis espanhóis que ocuparam o trono e ainda, por ter a alfândega deixado de pagar a verba a que estava obrigada, a ermida passou a degradar-se e seria demolida”.




Recolhimento do Anjo em desenho de Gouvêa Portuense




Imagem do Recolhimento do Anjo do Barão de Forrester



Um retrato do Recolhimento do Anjo é dado pelo escritor Alberto Pimentel no seu romance   “ O Lobo da Madragoa”, quando, numa narrativa ficcional, o poeta António Lobo de Carvalho, que lá dava aulas de poesia, visita Theresa, que aí tinha dado entrada vinda da aldeia de Villalva.
A importância deste templo advém, também, do facto de ter sido a Paroquial da Freguesia, aquando das obras da Igreja da Vitória no século XVII.
Tem também uma curiosidade associada que é a de ser a sede duma veneração ao Senhor Jesus das Bouças ou Senhor de Matosinhos.
Isso explica-se tendo em atenção que o Bom Jesus vinha até ao Porto, em ocasiões de grande desespero. Aconteceu em 1526, quando apavorantes calamidades atingiram a cidade, depois em 1596 e 1644, por causa de grandes cheias, ou em 1696 por causa de uma mortífera peste que encheu os hospitais e mergulhou a cidade num imenso pavor.
Um dia, a imagem teve que recolher à capela de S. Miguel o Anjo e a devoção popular arranjou forma de, na Capela, ser levantado um altar consagrado ao Senhor Bom Jesus de Bouças.
Em 1832, o Recolhimento foi transformado em Hospital e banco de sangue, sendo as últimas religiosas deslocadas para o Mosteiro de S. Bento da Ave-Maria.
Em 1834, já só existem os muros do Recolhimento, e na planta seguinte, daquele ano, da zona citadina em que estava inserido, já estava prevista a edificação de um mercado público.



Planta da zona dos Clérigos, em 1834



Imediações do Mercado do Anjo, em 1950







Uma das ruas adjacentes ao mercado do Anjo era a Rua das Carmelitas.
Até 1704, quando o bispo do Porto D. Frei José de Santa Maria de Saldanha fundou o convento das Carmelitas, a zona próxima era conhecida como Campo da Via Sacra ou Campo do Calvário Velho (hoje Praça Guilherme Gomes Fernandes).
Desses tempos resta a memória e dois topónimos: Rua das Carmelitas e Rua de Santa Teresa.
A planta redonda de George Balck (1813) mostra a rua já com a denominação actual, mas, em 1839, na planta de Costa Lima, surge como Rua do Anjo, registando-se também uma Travessa das Carmelitas que corresponde aproximadamente à actual Rua do Conde de Vizela.
Sabe-se, pela leitura de relatório camarário, que a Câmara do Porto solicitara, no ano de 1838, autorização à rainha (era a D. Maria II) para proceder ao seu alinhamento. Isto significa, naturalmente, que a artéria sofreu algumas alterações.
À época em foi solicitado o referido alinhamento, a rua, bastante mais estreita do que é actualmente, subia em curva por entre duas altas paredes, uma das quais delimitava a cerca do Convento de S. José e Santa Teresa de Carmelitas Descalças.
Na petição que a edilidade enviou à rainha refere-se, concretamente, que o alinhamento era para se feito nomeadamente "…defronte do correio". Há para isto uma explicação, pois, depois da extinção em 1834 das Ordens Religiosas, os edifícios dos antigos mosteiros, ou foram vendidos a particulares, em hasta pública, ou foram ocupados por serviços do Estado.
No Convento das Carmelitas que ficava acima da rua com esta designação e ocupava, praticamente, todo o quarteirão compreendido entra as actuais ruas das Carmelitas, Galeria de Paris, Santa Teresa e a Praça de Guilherme Gomes Fernandes, instalaram-se, após a saída das religiosas, várias repartições públicas, nomeadamente a estação central da Mala Posta que fazia a ligação entre Lisboa e o Porto; e a estação dos Correios e porque estes serviços eram os mais concorridos, foi pela sua designação que o edifício se tornou, também, mais conhecido.
Entre a inauguração das escadas de acesso à Igreja dos Clérigos e a inauguração do Mercado do Anjo mediaram cerca de 85 anos.




Rua das Carmelitas - Ed. Alberto Ferreira, Tipografia Peninsular



Entrada poente do mercado do Anjo



Sobre a origem de uma rua das imediações do local, aqui alvo do nosso interesse, conhecida por Rua de Cândido dos Reis, diga-se que é uma artéria que foi aberta em terrenos do antiquíssimo Largo do Ermitão onde, no século XVII, ainda ha­via uma pequena e modesta ermida ten­do ao lado a residência do zelador do tem­plo, o tal ermitão.
Aquele largo também teve o nome, de Largo do Correio.
Cândido dos Reis, conhecido como Almirante Reis foi um militar, conspirador e carbonário português. Organizador militar da revolta de 5 de Outubro de 1910, viria a suicidar-se durante o golpe, por pensá-lo falhado.
Nos fi­nais do século XIX aquela rua tinha o nome de Fer­ros Velhos por causa de uma espécie de feira da ladra que ali se realizava. Deram-lhe depois o nome de Rua da Rainha D. Amélia, a mulher do rei D. Carlos.
Aquela feira dos Ferros Velhos foi uma iniciativa da Câmara Municipal, que na tentativa de copiar uma feira da ladra existente em Lisboa, começou por levá-la para junto do Postigo do Sol com o nome de Feira da Ladra, e que se realizava todas as 3ªs Feiras e Sábados.
Sabe-se que, em 1876, a feira do Postigo do Sol foi mudada para o campo, que foi a cerca das freiras carmelitas. Em 18 de Abril de 1894 foi decidido extinguir a feira dos Ferros Velhos, o que na prática, só aconteceria em 1904.
A Feira da Ladra não tem nada a ver com ladras ou ladrões, mas sim com a língua árabe e a vivência conjunta, durante muitos anos, de cristãos e muçulmanos, principalmente em Lisboa e terras do sul.
Feira da Ladra quer realmente dizer Feira da Virgem (a Mãe de Jesus), pois "A Virgem" em árabe diz-se "al-aadraa".



O Largo do Correio ao centro da planta e a Rua do Correio



Casa na Rua da Rainha D. Amélia


O edifício antigo que podemos visualizar na foto acima situava-se na actual Rua Cândido dos Reis (Antigo Largo do Correio e antiga Rua da Rainha D. Amélia), na esquina com a Rua da Fábrica.



Perspectiva actual da foto anterior-Ed. Google Maps



Ferros Velhos, em foto tirada da Rua das Carmelitas



Na foto acima vê-se o muro da cerca do convento.



Mesma perspectiva do local anterior - Ed. Arnaldo Soares


No local da foto acima, é hoje, o cruzamento da Rua das Carmelitas com a Rua Cândido dos Reis e nela se pode ver, que à direita, está uma loja de venda de ferragens e calçado e, à esquerda roupas dependuradas, tal como ainda hoje vemos nas nossas feiras. De notar os frondosos plátanos que, com a sua sombra protegiam vendedores e compradores.
Os “Ferros Velhos” foram desde meados do século XIX um pitoresco mercado do Porto, tipo feira da ladra, onde se vendiam toda a espécie de artigos novos e usados.



Demolição em 1904 dos Ferros Velhos e do antigo convento das Carmelitas - Ed. revista “O Tripeiro”



Os barracões que aparecem na foto acima pertenciam à Cozinha Económica.



Largo do Correio e área limítrofe - Planta de Telles Ferreira de 1892



Em 1908, uma procissão passando na Rua das Carmelitas. A fachada do prédio à direita corresponde à assinalada na planta anterior a azul – Ed. Aurélio Paz dos Reis; CPF



Prédio situado à entrada do Largo do Correio e cuja fachada corresponde, na planta acima, ao segmento a vermelho





Armazéns da Capela, em 1910, na esquina das actuais ruas das Carmelitas e Cândido dos Reis – Postal da “Fábrica de coroas e flores artificiais” de António de Sousa Oliveira da Rua Rainha D. Amélia (Rua Cândido dos Reis)



Armazéns da Capela – Fonte: revista Illustração Portugueza de 31 de Julho de 1916




Nas fotos anteriores, já é possível observar os Armazéns Capella que tinham começado por se localizar, mais acima, na Praça Gomes Teixeira, junto do terreno ocupado pela capela do antigo convento e que, aí, viram o seu lugar ocupado em 1910, pelos Armazéns do Chiado.





Construção em 1920 do “Edifício do Conde de Vizela” - Ed. Foto Guedes



O estaleiro da foto acima estava instalado na esquina da actual Rua do Conde de Vizela, Rua Cândido dos Reis e Rua das Carmelitas.



Edifício do Conde de Vizela e à direita a Rua do Conde de Vizela



Em 22 de Dezembro de 1900, Diogo J. Cabral (1864-1913), industrial que tinha um grande bloco de casas entre o arruamento futuramente designado por Cândido dos Reis e a «viela que se chama do correio», recebeu nesta data o título de conde de Vizela, que acabará por dar nome a esta última rua.



Em frente está a Rua Cândido dos Reis - Ed. Google Maps




A Arca do Anjo, actualmente, no Jardim na Rua de Nova Sintra– Ed. Aquifolivm



A Arca do Anjo estava junto ao mercado, a poente, na rua adjacente ao edifício da Faculdade e, actualmente, encontra-se em Nova Sintra nos jardins dos SMAS.
Nela se misturavam os mananciais de Paranhos e de Salgueiros, quando antes se misturaram na Arca de Sá de Noronha, na Praça de Gomes Teixeira.


A Arca de Sá de Noronha junto às escadas – Fonte: Google maps


Rua das Carmelitas com Mercado do Anjo à direita



Bairro das Carmelitas em 1910 – Fonte: Guia do Porto Illustrado, Carlos de Magalhães