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sábado, 23 de maio de 2026

25.305 O Teatro Rivoli e a ligação ao Banco Borges & Irmão (BBI)

 
Foi uma sociedade entre dois irmãos que originou o Banco Borges & Irmão.
Em 1884, António Nunes Borges (1858-1939) e Francisco António Borges (1861-1939), dois irmãos, oriundos do Lugar de Espadanal, freguesia de Ázere, concelho de Tábua, distrito de Coimbra, associam-se desenvolvendo um negócio, que já conheciam, de câmbios de moeda, que vinham exercendo por contra de outrem.
A citada associação sob firma de Casa António Nunes Borges & Irmão irá ter o seu início, na cidade do Porto, em 27 de Fevereiro de 1884.
A partir de 1891, a Sociedade passa a ser designada por Borges & Irmão.
António Nunes Borges, com 14 anos, partiu para Lisboa, passando a trabalhar como marçano na casa bancária Moura Borges, cujos proprietários eram seus familiares.
Daí, sai para se empregar, em Lisboa, na casa de câmbios António Inácio da Fonseca, na Rua do Arsenal, n.ºs 56-64 e, em 1878, devido às suas qualidades profissionais, é escolhido para gerente da filial da empresa que, entretanto, abria no Porto, à Feira de S. Bento (Praça Almeida Garrett), n.ºs 35-35.
Por sua vez, Francisco Borges tinha estado, também, a trabalhar na casa de câmbios, em Lisboa, de António Inácio da Fonseca, mas, em 1882, foi chamado pelo irmão para trabalhar na filial do Porto.
Então, em 1884, decidem montar um negócio próprio.

 
 

Publicidade à casa de Câmbios e lotarias de António Inácio da Fonseca, em 21 de Agosto 1886 – In almanake “Pontos nos ii”
 
 
 
A casa de câmbios e lotarias Borges & Irmão vai sediar-se num pequeno estabelecimento de duas portas, na Rua do Bonjardim, torneando para a Rua de Sá da Bandeira e com uma filial na Rua das Flores.
Não tardou que a casa Borges & Irmão enveredasse por outros sectores de actividade económica.
Assim, passou a exercer o negócio de revenda de tabaco, do qual tinham o exclusivo para quatro distritos do norte do país.
Numa perspectiva de diversificação do negócio, os dois irmãos decidiram dedicar-se à comercialização de vinho Verde e vinho do Porto.
Em 1885, Artur Lello, com conhecimento do sector vinícola, passa a gerir o departamento da comercialização de vinhos de Borges & Irmão.
Em 1905, já a Casa Borges & Irmão exportava numerosas marcas de vinhos finos do Porto, em barris e em caixas, de colares, Clarete Douro e de vinhos verdes para todos os portos do Brasil, o principal mercado, África e Europa.
Aquele departamento será o embrião da Sociedade dos Vinhos Borges, formalmente constituída em 1918, com Artur Lello já como um dos accionistas e principal gestor. 
A Artur Lello, depois do seu falecimento, em 1928, sucederá o seu filho Carlos Alberto Guimarães Lello, casado com Maria Cecília Calém de Guimarães Lello, falecida em 6 de Novembro de 1937.

 
 

Banco Borges & Irmão, na Rua do Bonjardim, após evolução a partir das primeiras instalações da Casa Bancária Borges & Irmão
 
 
 
 

Borges & Irmão, como Casa de Câmbios e Lotarias
 
 
 
 

Publicidade à firma “Borges & Irmão”, In jornal “A Voz Pública” em 31 de Março de 1907
 

 
A casa de câmbios dos irmãos Borges, na esquina das ruas do Bonjardim e de Sá da Bandeira, em 1910, torna-se numa casa bancária, com sede no Porto e agência em Lisboa.
Em 1912, é aberta uma filial no Rio de Janeiro.
Para além da actividade bancária, os irmãos continuam a manter um negócio de vinhos que, em 1918, se autonomiza com fundação da “Sociedade dos Vinhos Borges”.
Assim, em 3 de Setembro de 1918, por escritura desta data, nas notas do Dr. Ponce de Leão, constituiu-se a “Sociedade dos Vinhos Borges & Irmão, Lda.”, nova empresa, com sede na Rua do Bonjardim, 73-77, sendo fundadores António Nunes Borges, Francisco Borges e Alberto Guimarães Lelo, com o capital de 120 contos.
Em 1919, o pacto social da casa bancária é alterado com a entrada para a sociedade de Manuel Pires Fernandes e José Nunes Fonseca.
Em 1926, a casa bancária muda a sua sede para a Rua de Sá da Bandeira e, fruto da expansão dos negócios, em 1937, passa a “Banco Borges & Irmão (BBI).

 
 

Sede da fundação do Banco Borges & Irmão

 
 

Sede do Banco Borges & Irmão, a partir de 1937, na esquina das ruas de Sá da Bandeira e Santo António
 
 

 

Publicidade ao Banco Borges & Irmão em 1970
 
 
 
 
 
O BBI chegou a possuir, na região demarcada do Douro, as propriedades da Soalheira, Junco, Muro Ferradosa, Casa Nova, Hortos e Silho, na região de Coimbra as quintas do Choupal e Mizarela e, finalmente, no Algarve, a quinta do Barranco Longo, todas entregadas à Sociedade dos Vinhos Borges e Irmão, com sede em V.N. Gaia.
Tinha, também, a propriedade do Teatro Rivoli, cujo monumental edifício estava adossado à residência da família Borges, hoje, o local ocupado pela Caixa Geral Depósitos.
Aliás, havia uma passagem da residência da família Borges, para um camarote boca de cena.
 
 
 

À direita, o prédio onde vivia D. Maria Borges
 
 
 
 
 
Durante alguns anos, era no Rivoli que se fazia a festa de Natal para os filhos dos funcionários do Banco, com entrega de brindes, espectáculo e jantar.
Esta sala de espectáculos sucedeu, no mesmo local, ao Teatro Nacional, inaugurado, em 1913, e demolido para abertura da Avenida dos Aliados.
Tinha a sua entrada principal pela Rua Elias Garcia (desaparecida), nº 98, e uma modesta entrada pela Rua do Bonjardim, nº 153.
Em 1923, seria objecto de obras e quando, em 1926, o Teatro Nacional montou o ecrã, as revistas de cinema já lhe chamavam Rivoli.
No final da década de 1920, o Teatro Nacional foi adquirido por Manuel Pires Fernandes (1860-1944) que, desde 1919, era já acionista da sociedade Borges & Irmão, um empresário originário de Mirandela que decidiu demoli-lo para o substituir por um outro, na sequência de intervenções urbanísticas na zona.
O Rivoli foi, então, construído entre 1928 e 1932, pelo risco do arquitecto Júlio José de Brito, dotado de 1800 lugares.
A inauguração seria em 20 de Janeiro de 1932, com a presença em palco da Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, vinda expressamente de Lisboa, tendo apresentado a comédia “Peraltas e Sécias” de Marcelino Mesquita.
No ano da inauguração, a sala de espectáculos foi dotada de equipamento de projecção para cinema sonoro.
Na primeira metade da década de 1940, seriam executadas obras de modo a tornar as instalações mais confortáveis para os espectadores e o próprio edifício receberia intervenções para o seu embelezamento.
Tudo isto seria executado sob a orientação da filha de Manuel Pires Fernandes, Maria Borges, uma reconhecida melómana e moradora num prédio contíguo ao teatro, casada desde o início do século XX com o banqueiro Francisco António Borges do Banco Borges & Irmão.
Maria Assunção Fernandes Borges foi casada com Francisco António Borges (1861-1939), administrador do Banco Borges & Irmão, de cujo enlace houve uma filha, de seu nome, Maria Emília Fernandes Borges (1914-2000), condessa da Covilhã, e um filho, de seu nome, Francisco Manuel Fernandes Borges (1916-1959), de profissão engenheiro e que foi administrador do Banco Borges & Irmão.
Maria Emília Fernandes Borges ostentou aquele título nobiliárquico pelo seu casamento com o 3º conde da Covilhã, Júlio Anahory de Quental Calheiros (1900-1970), de cujo enlace houve a filha, Maria Manuela de Quental Calheiros.
O 3º conde da Covilhã chegou a este casamento, no estado de viúvo, vindo de um primeiro casamento, sem geração, com Vera de Sousa e Cruz, que faleceu muito nova, filha do Banqueiro Sousa e Cruz e de sua mulher, sendo reconhecido pelo povo anónimo como o fundador da fábrica de pneus MABOR.
Ficou também ligado ao desporto automóvel como entusiasta e apoiante de Casimiro Oliveira e Vasco Sameiro, dois pilotos de veículos de fórmula 1, por si importados e caracterizados pela sua cor amarela.
De seu nome completo Maria da Assunção Vaz Fernandes Borges sucederia, em 1944, na gestão do Teatro Rivoli, após o falecimento do seu pai.
Em 21 de Junho de 1946, é publicada escritura, no Diário da República III ª Série, que formaliza a constituição de uma sociedade para gestão do Rivoli, na qual Maria Borges é accionista maioritária.
Em 30 de Agosto de 1950, já D. Maria Fernandes Borges receberia, no Teatro Rivoli, das mãos do presidente Lucínio Presa, a Medalha de Ouro de Mérito Artístico pelo seu esforço, sem o qual não seria possível a constituição em 1947, da Orquestra Sinfónica do Porto, continuadora da Orquestra Sinfónica do Conservatório de Música do Porto.
Lucínio Gonçalves Presa foi o Presidente da Câmara Municipal do Porto que destruiu o Palácio de Cristal para em seu lugar construir um pavilhão de Hóquei em Patins, decisão da qual muitos portuenses nunca lhe perdoaram a ousadia.
D. Maria Borges, em 1951, após 12 anos sobre o falecimento do seu marido, haveria de decidir construir na moderna Avenida de Montevideu, em plena beira-mar, um palacete icónico com projecto do reputado arquitecto Viana de Lima que, nos anos de 2024 e 2025, foi sujeito a remodelações de vulto.
 
 
 

Actualmente (2024), a vivenda em trabalhos de remodelação que foi mandada erguer por Maria Fernandes Borges – Fonte: Google maps
 
 
 
 
Quando, nos anos 70, apareceram as dificuldades na gestão do Rivoli, o Banco Borges & Irmão (o proprietário de há muitos anos), pensou na sua demolição para a construção da sede daquela instituição bancária, mas acabaria por vendê-lo, tendo a sala de espectáculos passado sucessivamente pelas mãos da sociedade de construção William Graham e pelas do Banco Português do Atlântico.
Seria Maria Borges, filha do empresário e proprietário do antigo Teatro Nacional e, depois do Teatro Rivoli, Manuel Pires Fernandes e casada com o banqueiro Francisco António Borges do Banco Borges & Irmão, a opor-se à destruição do Rivoli e a quem os portuenses devem essa benesse.
Maria Fernandes Borges que, diziam, tinha um camarote boca de cena que comunicava com a sua casa, que ficava adossada ao Rivoli, falece em 1 de Fevereiro de 1976 e, em sinal de luto, no dia seguinte, o Rivoli, em sinal de luto, fechava as suas portas.
 
 
  

Proposta que não teria execução prática para ocupar o chão do Teatro Rivoli, c. 1970
 
 
 
 
 
O Teatro Rivoli passou definitivamente para a alçada e propriedade da Câmara Municipal do Porto em 1989, ano em que a autarquia comprou o edifício ao Banco Português do Atlântico para o salvar do estado de degradação.
Posteriormente, após obras profundas de remodelação, a sala de espectáculos reabriu como grande palco cultural em Outubro de 1997.
Entretanto, quanto ao Banco Borges & Irmão, nas décadas de 1970 e 1980, apesar da nacionalização da banca, a actividade do Banco Borges & Irmão continua a alargar-se.
Enquanto entidade autónoma, o BBI deixa de existir em 1998, quando se dá a sua fusão com o Banco Fonsecas & Burnay e o Banco de Fomento Exterior, dando origem a uma nova instituição: o BPI - Banco Português de Investimentos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

25.292 A urbanização da antiga Rua do Castelo do Queijo (Avenida de Montevideu)

 
Em 15 de Fevereiro de 1865, o empreiteiro Manuel José da Silva arrematou, no 3º Bairro Fiscal, pelo preço de 3 590$000 réis, a empreitada para a construção do 2º lanço (Carreiros - Castelo do Queijo) da estrada marginal Foz - Leça da Palmeira.
Aquele lanço de via que, hoje é, desde 1926, a Avenida de Montevideu, foi, noutros tempos, a Estrada da Marginal ou Rua do Castelo do Queijo, tendo sido começada a ser urbanizada, ainda antes do fim do século XIX.
A Avenida de Montevideu desenvolve-se desde o seu entroncamento com a Rua do Molhe até ao largo onde se encontra o Forte de São Francisco Xavier (Castelo do Queijo).



Início da Rua do Castelo do Queijo, a sul, na Rua do Molhe - Planta de Telles Ferreira de 1892




À data da publicação da planta acima, as construções que se veem tinham licença de construção passada pelo município de Bouças, pois, só a partir de Novembro de 1895, devido à abertura da Estrada da Circunvalação, a área passou a fazer parte do Porto.
Na foto abaixo, a Rua do Molhe, à direita, faz a separação das avenidas Brasil e de Montevideu. 

 
 
 
 

O carro eléctrico, vindo do Castelo do Queijo, pela Avenida de Montevideu (onde se situam uns magníficos palacetes), vai entrar na Avenida Brasil

 
 
Naquele mesmo local esteve, nos primeiros anos do século XX, a “Casa Gianola”.
 
 
 

Casa Gianola – Confeitaria, Salão de Chá e Restaurante, em chalet na esquina da Rua do Molhe e Avenida de Montevideu, pegado à capela de Nossa Senhora de Lurdes – Cortesia de Foto-Porto
 
 
 
Todo o complexo habitacional da Avenida de Montevideu está instalado no lado nascente da avenida e, no lado poente, hoje, apenas está uma construção – a antiga Estação de Zoologia Marinha (Aquário Augusto Nobre).
No início do século XX, um outro prédio se encontrava no areal, como se pode observar na foto seguinte e que teria sido demolido para arranjo do local.

 
 

Rua do Castelo do Queijo, ainda com casa sobre a praia, em 1903 - In revista "Brasil-Portugal”, nº 96, de 16 de Janeiro de 1903

 
 
Em 1920, foi começado a executar um projecto para prolongamento da Avenida Brasil.
Por isso, foi necessário fazer diversas expropriações em terrenos confinantes com o areal a norte do Molhe de Carreiros.
Eram terrenos de cultivo, mas a expropriação situada mais a norte incidiu sobre uma casa de rés-do-chão, andar e águas furtadas, aquela que a foto acima revela.
A detentora da posse do imóvel era Clementina Pinto Leite (1840-1921), a condessa de Penha Longa, que falecida no decorrer do processo de expropriação, originou que João Pinto Leite (1873-1941), 3.º visconde dos Olivais, passasse a ser o procurador dos proprietários.
Clementina Libânia Pinto Leite foi casada com Sebastião Pinto Leite, o conde da Penha Longa (1815-1894) e, já viúva, em 1896, vai solicitar, com a identidade de condessa da Penha Longa, autorização para construir uma casa, na Rua do Castelo do Queijo, que obterá a licença n.º 415/1896.
 

Vista aérea da Avenida de Montevideu, c. 1935

 
 
Assim, desde há algumas décadas, caminhando pela Avenida de Montevideu, no sentido do Castelo do Queijo, partindo da “Esplanada 28 de Maio” (Esplanada do Molhe), encontrávamos alguns palacetes de algumas famílias abastadas.
Alguns deles tinham a particularidade de ter acesso, também, pela Rua de Gondarém.
 
 
 
Palacete Andresen
 
 


Palacete Andresen, depois, da família Moreira
 
 
Este palacete, projecto do engenheiro António Silva, foi das primeiras construções a fazerem parte da Estrada do Castelo do Queijo, tendo sido mandado erguer por Alberto Henrique Andresen.
Teve licença de obra n.º: 228/1897.
Pertenceu, depois, até aos nossos dias, à família Moreira, sendo que, em 1924, já era seu proprietário Joaquim Alves Moreira.
Em 2017, o palacete foi vendido ao mesmo operador hoteleiro que lançou o Hotel Teatro, na baixa da cidade, à Rua de Sá da Bandeira.
 
 
 
Casa do Barão de Fermil
 
 
Esta moradia, na Avenida de Montevideu, n.º 66, na primeira década do século XX, era propriedade do negociante de vinhos de nacionalidade inglesa, Albert Mathias Feuerheerd (1870 - 1933), com escritórios na Rua do Rei Ramiro, em V. N. de Gaia.
Para a moradia, Albert Mathias Feuerheerd ainda solicitava, em 1919, à Câmara do Porto, uma autorização para nela executar obras que receberá a licença de obra n.º: 114/1919.
A residência, em questão, passará depois para as mãos do Barão de Fermil e, após ele aí ter falecido, será morada da sua filha, Delminda Sampaio Machado, casada com Dr. Francisco da Cunha Freitas Mourão de Sotomaior.
 
 
 

Casa do Barão de Fermil

 
 
Na casa da foto, anterior, viveu e aí faleceu Manuel Guilherme Alves Machado (Celorico de Basto, Veade, 25.10.1873; Porto, Nevogilde, 05.06.1943), 1º Barão de Fermil, casado, em 1900, com Maria Augusta Sampaio de Brito que, desde 1898, era proprietária do chamado Palacete dos Barroso Pereira, à Praça de Santa Teresa (actual Praça Guilherme Gomes Fernandes).
Em 1956, a sua filha Delminda Sampaio Machado e o seu genro, o Dr. Francisco da Cunha Freitas Mourão de Sotomaior, haveriam de receber a propriedade da Praça Guilherme Gomes Fernandes por doacção.

 
 

Casa do Barão de Fermil, actualmente – Ed. Graça Correia
 
 
 
 
Casa de Alfredo Carneiro Soares ou da “Viscondessa” de Carreiros
 
 
Esta moradia, na Avenida de Montevideu n.º 156, teve licença de obra n.º: 212/1901 e como primeiro proprietário Alfredo Carneiro Soares, que nela faleceu em 1918, tendo sido  casado com Maria Margarida Peixoto Guimarães e Silva Carneiro Soares.
O projecto inicial da moradia remontará a data anterior a 1897, pois, neste ano, é solicitado à Câmara do Porto, licença para levantamento de um portão em muro exterior.
A moradia terá passado, mais tarde, para a família Jervell.

 
 

Casa de Alfredo Carneiro Soares, depois, da família Jervell

 
 

Casa de Alfredo Carneiro Soares, actualmente – Ed. Graça Correia
 
 
 
 
Casa da Família Cálen
 
 
O prédio teria sido mandado construir, na década de 1940, por José Joaquim de Oliveira Cálem.
Em 1943, este proprietário solicita à Câmara do Porto uma licença para construir nessa morada um anexo, que terá como projectista o conhecido arquitecto Manoel da Silva Passos Júnior…o do cinema Júlio Deniz.
Localizada na Avenida de Montevideu, n.º 166, no final do século XX, a propriedade era de Maria Alice Cálen.




Casa da família Cálen

 
 

Casa da família Cálen, actualmente – Ed. Graça Correia
 
 
 
 
Vivenda Maria Borges
 
 


Actualmente (2024), a vivenda em trabalhos de remodelação que foi mandada erguer por Maria Fernandes Borges – Fonte: Google maps
 
 
 
 
A moradia que, originalmente, em 1951, foi projecto do arquitecto Viana de Lima, foi mandada construir por Maria Assunção Fernandes Borges, filha de Manuel Pires Fernandes, oriundo de Mirandela e proprietário, a partir do início da década de 1920, do Teatro Nacional que, mais tarde, se converteu no Rivoli.
Maria Assunção Fernandes Borges foi gestora do Teatro Rivoli, mecenas e, à data do pedido de licenciamento (licença n.º 267/1951) da moradia, era já viúva de Francisco António Borges.



In jornal "Diário de Lisboa" de 28 de Novembro de 1939



A moradia em causa localizava-se na esquina da Avenida de Montevideu e da Rua de Pero da Covilhã.
No ano anterior, para a mesma cliente, o arquitecto Viana de Lima tinha também executado um projecto para um Jazigo-Capela para ser instalado no Cemitério Oriental da cidade, também conhecido como Prado do Repouso.
Maria Assunção Fernandes Borges foi casada com Francisco António Borges (1861-Porto, 27 Novembro de1939), administrador do Banco Borges & Irmão, de cujo enlace houve uma filha, de seu nome, Maria Emília Fernandes Borges (1914-2000), condessa da Covilhã, e um filho, de seu nome, Francisco Manuel Fernandes Borges (1916-1959), de profissão engenheiro e que foi administrador do Banco Borges & Irmão.
Maria Emília Fernandes Borges ostentou aquele título nobiliárquico pelo seu casamento com o 3º conde da Covilhã, Júlio Anahory de Quental Calheiros (1900-1970), de cujo enlace houve a filha, Maria Manuela de Quental Calheiros.
O 3º conde da Covilhã chegou a este casamento, no estado de viúvo, vindo de um primeiro casamento, sem geração, com Vera de Sousa e Cruz, que faleceu muito nova, filha do Banqueiro Sousa e Cruz e de sua mulher, sendo reconhecido pelo povo anónimo como o fundador da fábrica de pneus MABOR.
Ficou também ligado ao desporto automóvel como entusiasta e apoiante de Casimiro Oliveira e Vasco Sameiro, dois pilotos de veículos de fórmula 1, por si importados e caracterizados pela sua cor amarela.
 
 
 
Moradia de José Prata de Lima
 
 
Na esquina, a norte da Rua Pero da Covilhã e Avenida de Montevideu, situa-se a moradia que foi de José Prata de Lima e tem projecto do arquitecto José Luís Porto e licença de obra n.º: 118/1937.
 
 
 

Moradia José Prata de Lima – Fonte: Google maps
 
 
 
A foto anterior é da moradia emblemática da Avenida de Montevideu, existente no nº 644 (esquina com a Rua Pêro da Covilhã), é um projecto do arquitecto José Porto (1883-1965), autor de imensas obras espalhadas por várias cidades, inclusivamente pelas ex-colónias e, para sempre, ligado à Casa Manoel de Oliveira na Rua da Vilarinha. 
Actualmente, a casa foi intervencionada pelo atelier de arquitectura, Barbosa & Guimarães - Arquitectos, fundado em 1994, pelos arquitectos portuenses José António Vidal Afonso Barbosa e Pedro Luís Martins Lino Lopes Guimarães. 
 
 
 
Palacete do Rosas
 
 
Este palacete foi mandado construir por José Rosas Júnior (1885-1958), um negociante conhecido do sector da ourivesaria, possivelmente, na segunda década do século XX, com projecto do arquitecto Miguel Ventura Terra (1866-1919).
Este arquitecto nasceu em Seixas, Caminha, tendo frequentado, entre 1881 e 1886, a Academia Portuense de Belas Artes do Porto.
Foi bolseiro em Paris e quando retorna a Portugal, em 1896, fixou-se em Lisboa, onde começa por ganhar o concurso para remodelar o edifício das Cortes (actual Assembleia da República).
Em 1929, o palacete de José Rosas é dotado de um Jardim de Inverno, sob a autoria do arquitecto Leandro de Morais, com licença camarária n.º 239/1929.
Em 1945, pela licença de obra n.º: 166/1945, são executadas obras importantes no palacete, com projecto do arquitecto António Júlio Teixeira Lopes (1903-1971).

 
 
 

Palacete do “Rosas”, depois o Restaurante D. Manoel, projecto inicial de Ventura Terra



Casa de Augusto Pereira Nobre
 
 
Esta morada localiza-se na Avenida de Montevideu, n.º 414, no gaveto formado com a Rua do Funchal, tendo sido encomendada, em 1898, por Augusto Pereira Nobre (1865-1946), 3.º reitor da Universidade do Porto, ao engenheiro Francisco José Esteves (1862-1944), que ficou vulgarmente conhecido como o projectista do edifício da Livraria Lello, na Rua das Carmelitas.
As duas icónicas obras, antes referenciadas, caracterizavam-se, entre outros pormenores, pela aplicação generalizada do cimento armado.
 
 

Moradia de Augusto Pereira Nobre - Fonte Google maps