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terça-feira, 13 de junho de 2017

(Continuação 5) - Actualização em 05/11/2019, 29/04 e 01/10/2020


Diz a tradição que, no século X, este local foi palco de uma sangrenta batalha entre os sarracenos de Almançor e os habitantes do Porto, que acabariam por sair derrotados, originando o arrasamento da cidade.
Dizem outros historiadores que o nome de "Batalha", dado à praça, evoca uma sangrenta ba­talha que por ali se terá travado no século X, entre as tropas cristãs do conde Herme­negildo e as hostes mouras de Abderramão III.
Uns topónimos antigos ligados ao local são os de Campo do Pombal e Terreiro de Nossa Senhora da Batalha (meados do século XVII).



“A mais antiga referência que se conhece ao Campo do Pombal data de 1590 e consta, de um documento, em que se diz que o tal "campo" era "… todo cercado sobre si (todo murado) entestando (confinando) da parte do sul com a estrada que vai entre as paredes (actual Rua de Entreparedes) para S. Lázaro; e da banda da cidade com o rio de Nossa Senhora da Batalha".
Aquilo que no documento aparece como sendo "o rio de Nossa Senhora da Batalha", não passava de um simples riacho cuja água, proveniente do manancial do então chamado "Campo de Mijavelhas" (actual Campo de 24 de Agosto), alimentava um pequeno chafariz que ficava da parte de fora da muralha.
Tendo em conta as limitações apresentadas para a localização do tal "Campo do Pombal", não é difícil concluir, tendo em conta a situação da actual Praça da Batalha, que essa propriedade ficava onde agora está o palacete que foi da família Guedes, da Quinta da Aveleda, em Penafiel, antiga sede da estação central dos CTT”.
Germano Silva – Fonte: “ruasdoporto.blogspot.pt”


No ângulo sudoeste da actual praça ficava situada a Porta de Cima de Vila da muralha fernandina, junto da qual, ficava a Capela de Nossa Senhora da Batalha, que aí estava c. 1600.
É provável que nos começos do século XV ainda não estivesse levantada aquela primitiva capela, junto à Porta da Batalha em Cima de Vila, mas aí, já existia, o culto à imagem daquela invocação, bem como, a uma outra imagem de Nossa Senhora dos Remédios, veneradas na torre junto a essa Porta. Essas imagens, segundo a tradição teriam juntamente com uma outra de Nossa Senhora da Vandoma e venerada na Porta de Vandoma, sido trazidas, de França, pelos Gascões.


Nossa Senhora de Vandoma



Porta da Batalha em gravura de Gouvea Portuense



A planta abaixo, apresenta a capela de Nossa senhora da Batalha alguns anos antes de ser demolida e transladada.



Planta de 1789 de Teodoro Maldonado em que está representada a Capela de Nossa Senhora da Batalha (G), à saída da Porta de Cima de Vila (P) – Fonte: AHMP




No século XVIII, a zona sofreu grandes transformações, sendo demolida a muralha e tendo uma capela sido levantada em 1799, um pouco mais adiante, que seria demolida em 1924. 





Capela Nossa Senhora da Batalha (demolida em 1924)



No século XIX, ainda se realizavam im­portantes feiras e mercados nos terrenos da Praça da Batalha.
Em 1834, há notícia de que no espaço compreendido entre o palacete dos Guedes (antiga estação dos correios) e a entrada da Rua de Santo Ilde­fonso, se fazia, diariamente, um mercado onde se vendiam, essencialmente, frutas, flores e legumes. 
Mais ou menos, junto à escadaria de acesso à entrada principal da igreja paro­quial era costume, por aquele ano, as pa­deiras de Campanhã montarem as suas bancas para a venda do pão que traziam ao Porto. A par com as padeiras, também ali se concentravam, com as suas canas­tras cobertas com uma rede de arame, as lavradeiras de S. Cosme e de Valbom para a venda de galinhas, pintos, patos e ou­tras aves. Era na Praça da Batalha que também se realizava a feira do carvão, da palha e da lenha. Uma feira muito importante para a época, se tivermos em conta que nela se comercializavam os principais produtos produtores de energia, a lenha, o carvão e a palha, a base alimentar dos animais que eram utilizados nos veículos de transpor­te de pessoas e de mercadorias. Esta fei­ra, em 1838, foi transferida para o Largo do Actor Dias, junto do pano da muralha fernandina. 
O grande surto urbanístico da Batalha começou, a bem dizer, em 1881, quando se deu início aos trabalhos de construção da ponte de Luís I, que culminou com a inauguração em 1886, do tabuleiro superior e com a conclusão em 1888, do seu tabuleiro inferior.
Em meados do séc. XIX, a praça era zona de hotéis. Havia o Águia d’Ouro, o Estanislau (à esquina com a Rua da Madeira), o Nova Itália diante do Teatro S. João e ainda, o Hotel Universal, o Hotel Sul-Americano, o Hotel Estrela, o Hotel Floresta das Camélias e alguns outros, na Rua de Entreparedes e imediações.


Praça da Batalha com Hotel Universal ao fundo à direita




À direita, com mastro de bandeira, o edifício onde se instalaria o cinema Águia Douro, entretanto, desactivado




Praça da Batalha c. 1915



De notar, na foto anterior, que a circulação e o estacionamento se fez pela esquerda, até 1928.




Teatro S. João


À esquerda da foto acima, vê-se o terreno de implantação de Messe dos Oficiais. Escondida no canto direito ainda se vê uma pequena parte da igreja da Nossa Senhora da Batalha.



Teatro S. João e Messe dos Oficiais, à esquerda



À direita, na foto acima, pode ver-se o edifício do Teatro Nacional de S. João, construído entre 1911 e 1920, no local onde existiu o primitivo de 1794, destruído num incêndio em 1908.
Ao fundo, o edifício da Messe dos Oficiais (inaugurada em 15 de Setembro de 1926), onde esteve o Hotel Universal, tendo as suas instalações sofrido, para o efeito, uma ampliação.
Pelo meio dos dois edifícios está a Rua Augusto Rosa, de hoje, por onde passava a muralha fernandina.




Foto actual da Praça da Batalha



Tabacaria Alberto Ferreira



Na gravura acima, na Praça da Batalha, na esquina da Rua Entreparedes com a Rua Alexandre Herculano o prédio onde coabitaram o Hotel Continental e, no rés-do-chão, à esquerda, a tabacaria Alberto Ferreira.



Lado poente da Praça da Batalha



Neste lado da praça se instalaram, ao longo dos anos, os cafés Comuna, Leão d’Ouro, Chave d’Ouro e Tropical: os hotéis, Grande Hotel Portuense, Hotel Sul-Americano, Grande Hotel do Império; a “Casa de Espanha” e a “Escuela Española”, a partir da década de 1920, sob o comando de Manuel Recarey, o dono do Restaurante Comercial. Em 5 de Novembro de 1932, a Casa de Espanha inaugurava, com um grandioso baile, a sua nova sede; o Restaurante Stanislau, da cozinheira Gertrudes e o Orfeão do Porto, etc.





À esquerda, parcialmente visível, o edificado a poente


De notar, na foto acima, que a igreja está desprovida de azulejos e o espaço fronteiro está arborizado. Um “Americano” desliza pela praça.



Praça da Batalha, na viragem para séc. XX



Lado poente da Praça da Batalha, em 1906


Na foto editada, o primeiro prédio à direita ainda existe, sendo aquele que é contíguo ao do antigo Café Chave d’Ouro e que, passado cerca de 15 anos sobre a data da foto albergava, no seu rés-do-chão, a camisaria Perdigão.

À esquerda da foto, observa-se uma pequeníssima nesga do prédio que faz esquina com a Rua da Madeira e que também subsiste.
O que se lhe segue, parcialmente visível (simétrico em relação ao eixo vertical do quiosque) é o que albergou o Grande Hotel Portuense, primeiro e, depois, a “Casa de Espanha”, tendo sido demolido, posteriormente, para ampliar o Grande Hotel do Império, que substituiria, no local, o Hotel Sul-Americano, que foi propriedade do brasileiro de torna-viagem, Álvaro de Azevedo.




Grande Hotel Portuense


Em 1925 e 1927, o proprietário do Grande Hotel Portuense, Augusto Guilherme Vasques, ainda solicitava à Câmara do Porto, naquela qualidade, obras para o prédio do hotel.




Instalações da Casa de Espanha e Escuela Espanhola, na Praça da Batalha, c. 1930 - Fonte: AHMP

 

O empresário Álvaro Azevedo, em Novembro de 1911, já proprietário do hotel, entrega pedido de licença na edilidade de modo a remodelar o Hotel Sul-Americano, que obteve a licença de obra nº 440/1912, tornando-o um dos melhores hotéis da cidade.

A decoração evocava vários motivos inspirados na América do Sul sendo, por isso, muito procurado por visitantes oriundos daquelas paragens.
O mobiliário foi elaborado pela casa portuense, “Correia d’Abreu”, sendo usado a nogueira e o freixo americano.
Durante as obras de beneficiação das instalações em causa, foi feito o aproveitamento do primeiro prédio (que se seguia ao que albergou o Hotel Portuense) que manteria o rés-do-chão, os três pisos e águas furtadas e absorveria, ainda, os prédios que lhe eram contíguos até, inclusive, àquele, um pouco esguio, que se encontra meio escondido pela estátua de D. Pedro V.
O conjunto edificado manteria, no entanto, a arquitectura do que tinha sido aproveitado.

 

 


Interior do Hotel Sul-Americano

 

 


Sala de Jantar do Hotel Sul-Americano

 

 


Publicidade ao Hotel Sul-Americano, em 1935

 

 

Na 2ª metade do ano de 1944, o Hotel Sul-Americano foi adquirido por Joaquim Ribeiro de Almeida, dando lugar ao “Grande Hotel do Império”.

 


Grande Hotel do Império antes da ampliação – Cortesia do arquitecto Ricardo Figueiredo

 

 


Praça da Batalha e sinaleiro a controlar o trânsito. O Grande Hotel do Império, ao fundo, ainda não foi ampliado

 

O hotel seria, pouco depois, ampliado.
Na execução do projecto subjacente, o prédio a meio da foto anterior, onde esteve alojado o Grande Hotel Portuense e, posteriormente, a “Casa de Espanha” e a "Escuela Espanhola", foi demolido para ser feita a respectiva ampliação, juntando-se, deste modo, às antigas instalações.
O resultado da intervenção foi o aparecimento de um hotel luxuoso e de referência da cidade, inaugurado em 14 de Julho de 1945, com a presença da esposa do Presidente da República, Fragoso Carmona, passando a pertencer à Empresa Nacional de Turismo, dirigida por Aníbal Contreras. 
A nova unidade hoteleira seria, inclusive, mencionado no filme “O Leão da Estrela”(1947).
Entretanto, a Casa de Espanha haveria de rumar a S. Lázaro, ocupando um 1.º andar, junto da garagem Galiza, onde as duas comunidades ibéricas se conheciam em animados bailes.
Hoje, no local, está o hotel “Quality Inn”.

 

Hotel “Quality Inn”

 







Este palacete, situado no lado oriental da praça, foi construído no início do século XIX, por iniciativa do fidalgo da Casa Real e cavalei­ro da Ordem de Cristo José Anastácio da Sil­va da Fonseca, que estava casado com D. Joana Meireles Guedes de Carvalho, senho­ra da casa da Aveleda, em Penafiel.
José Anastácio da Silva da Fonseca comprou a morada aí existente, em 1826, ao filho de António de Melo Correia, tendo-o este adquirido, em arrematação, no Juízo dos Orfãos da cidade do Porto, em 1799. 
Quan­do as tropas do Exército Libertador coman­dadas pelo rei D. Pedro IV entraram no Por­to, na manhã do dia 9 de Julho de 1832, o imóvel já pertencia a Manuel Guedes da Silva da Fonseca Meireles de Carvalho (1802-1870), casado com D. Maria Leonor Teresa da Câmara, que, três anos antes, acabava de ser agraciada (29 de Setembro de 1829) com o título de condessa de Pangim, como recompensa pelos altos serviços pres­tados por seu pai na Índia. A partir daí, o imóvel da Praça da Batalha também passou a ser conhecido pela designação de "palácio da condessa de Pangim". Abandonado pelos seus donos, que se retiraram para a sua quinta da Aveleda, em Penafiel, logo a seguir à chegada ao Porto de D. Pedro IV, o palácio foi ocupado pelos liberais, que nele instalaram várias repar­tições militares e civis. 
Foi aqui que Bernardo de Sá Nogueira, mais tarde Marquês de Sá da Bandeira, foi internado após ter sido gravemente ferido, acabando por ver ser-lhe amputado o braço direito ferido.
Em 1842, foi restituído aos antigos donos e, em 1861, quando a Câmara mandou terraplanar o largo, para nele colocar a estátua de D. Pedro V, o palácio ficou cerca de um metro mais alto que o pavimento da praça. 
À data, já era proprietário do palácio Manuel Guedes da Silva da Fonseca Meireles de Carvalho (1837-1899) casado com Maria Filomena de Figueiredo de Lacerda Castelo Branco (1843?-1862). 
A Câmara atribuiria ao proprietário 800 mil réis de indemnização, dinheiro usado para rebaixar o pavimento do palácio, o que é bem visível na configuração das janelas do andar térreo.
Em 25 de Fevereiro de 1863, o jornal «O Anunciador» dava conta da realização de um grande leilão de mobílias no «palácio da Praça da Batalha, 62 (…) rendeu esse leilão a quantia de 8.408$284 rs.»
Em 1873, quando o proprietário já tinha realizado um segundo matrimónio com Maria do Carmo Palha de Faria Lacerda (1838-1904), o palacete estava, em parte, arrendado para funcionamento da estação telegráfica e, em 1877, por lá se fixaram os restantes serviços daquela estação, que vinham funcionando na Casa Pia.
Em 1881, a Administração dos Correios instalou-se também no palacete, após o proprietário o ter vendido por 47000$000 réis.





Palacete dos Guedes da Aveleda, na Praça da Batalha, em 1833 – Gravura de J. Villanova




Pela gravura acima, pode observar-se que, para o nivelamento do terreno em frente do palacete, foi necessário fazer um desaterro.
Na década de 1860, o edifício já estava alugado ao Estado, conforme se pode ler no texto que se segue.



«A casa então já era pertença de Manuel Pedro Guedes da Silva da Fonseca Meireles de Carvalho, moço fidalgo da Casa Real com exercício no Paço, senhor da Casa da Aveleda (...), que o alugou ao Estado pela renda anual de 1.200$000 rs., e depois a vendeu, para instalação da estação dos Correios, Telégrafos e Telefones, que ainda lá se encontra, aguardando desde há muito tempo transferência para novo edifício, a construir no cimo da Avenida dos Aliados (...).
Há relativamente poucos anos, na administração geral dos Correios e Telégrafos não existia a escritura de compra, pelo que esse departamento do Estado chegou a suspeitar que o prédio não tivesse sido vendido, mas simplesmente alugado, e assim o comunicou à família Guedes. Ao cabo porém, de várias pesquisas (...), foi encontrado o respetivo documento na Torre do Tombo, não restando portanto nenhuma dúvida sobre a transação efetuada».
Cortesia de Nuno Cruz (Excerto de um artigo do Brigadeiro Nunes da Ponte, in O Tripeiro de Fevereiro de 1952)



Em 13 de Março de 1870, faleceu, repentinamente, Manuel Guedes da Silva da Fonseca, com 60 anos, casado com a Condessa de Pangim.




Palacete dos Guedes em 1900


Palacete dos Guedes da Aveleda em 1905 – Ed. Alberto Ferreira, Tipographia Peninsular; Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”



Palacete antes da última intervenção



Palacete dos Guedes, actualmente


O povo conhece-o por Palacete dos Guedes, da Quinta da Aveleda, em Penafiel.
Aqui, realizaram-se os mais sumptuosos bailes, no fim do séc. XIX.
Estação Central dos Correios, Telégrafos e Telefones, ao longo de grande parte do século XX, em 2009, o edifício foi vendido ao grupo hoteleiro Hotel Dona Inês e, hoje, é um hotel de 4 estrelas - NH Collection Porto Batalha.
A praça é, desde 1866, dominada pelo monumento a D. Pedro V, da autoria de Teixeira Lopes, pai.




Estátua de D. Pedro V


Na praça está também localizado o Teatro Nacional S. João e o Cinema Batalha.
A operação de reabilitação urbana realizada no âmbito do Porto 2001 envolveu a Praça da Batalha, o Largo Santo Ildefonso, a Rua 31 de Janeiro, Rua Augusto Rosa e Largo 1º de Dezembro, e foi coordenada pelo Arqº Adalberto Dias, tendo colaborado ainda os Arq. Fernando Távora, Alvaro Siza, Souto de Moura, Alcino Soutinho e J. Pedro Xavier.




Teatro S. João


O Teatro Nacional de S. João da cidade do Porto é uma magnífica obra de arquitetura do século XX. No entanto, o primeiro edifício, destruído por um incêndio, foi baptizado com o nome do mesmo santo e seria erguido nos finais do século XVIII. Ainda antes do antigo Teatro de S. João, o Porto teve outro importante palco de espetáculos que se situava numa das dependências do demolido Palácio dos Condes de Miranda, Marqueses de Arronches e Duques de Lafões - casa de espectáculos particular aberta em 1760. Na sua inauguração foi levada à cena uma ópera lírica para homenagear o casamento de D. Maria I com D. Pedro. Este teatro foi riscado por João Glama Stroberle, auxiliado pelos artistas José Régióli, Francisco José, João André Chiape, Veríssimo Nunes, Domingos Teixeira Barreto e José dos Santos Cartaxo.
Contudo, o Porto merecia um mais amplo e condigno espaço cultural. Com efeito, o Corregedor Francisco de Almada adquire parte do terreno da muralha fernandina, na zona da actual Praça da Batalha. As obras arrancam em 1796 e o Teatro de S. João é inaugurado no dia 13 de Maio de 1798 (data de aniversário do futuro rei D. João VI), apesar de as obras ainda não estarem totalmente concluídas, com a comédia "A Vivandeira", motivo este, por que, nos primeiros tempos, ainda lhe deram o nome de Teatro do Príncipe.
A autoria do projecto coube ao arquiteto Vicente Mazzoneschi, não sendo particularmente significativa a sua configuração arquitectónica.
A estrutura interior do original Real Teatro de S. João era semelhante à do Teatro de São Carlos, e a sua composição próxima dos teatros de tipo italiano que, na época, se tinham estabelecido como regra de sucesso.
Na passagem do dia 11 para o dia 12 de Abril de 1908, um violento incêndio reduziu o Teatro de S. João a escombros.


Teatro S. João - Gravura em O Tripeiro 5ª Série, Vol I, pág 119


 Real Teatro S. João antes do incêndio


Real Teatro S. João depois do incêndio - In portoarc.blogspot


Nas duas fotos anteriores está em primeiro plano um fontanário/ candeeiro.
No mesmo ano, o arquitecto Marques da Silva concebia o risco do novo teatro portuense, vindo este a ser concluído em 1918.
Foi inaugurado a 7 de Março de 1920 e, em 1992, foi adquirido pelo Estado português.
Entretanto, a 18 de Junho de 1932, a sala de espectáculos abriria, após obras importantes para adaptação a novas formas artísticas - o cinema. Foi, então, levado à cena, em estreia, o filme de Georg Wilhelm Pabst "Atlântida".
Na noite de 6 de Maio de 1936, quando na Europa se começava a viver a subida do poderio nazi, a cantora chilena com vida artística feita sobretudo na Alemanha, Rosita Serrano, exibe-se no Teatro S. João para delícia da burguesia portuense.
E espectáculos de todo o género foram acontecendo nesta sala portuense de eleição ao longo dos anos.
Hoje, o edifício totalmente reconstruído é um dos principais edifícios da cidade e local de realização dos principais espectáculos culturais.
Em 2012, o teatro foi reclassificado como monumento nacional. A reclassificação, aprovada em Conselho de Ministros, a 24 de Maio, foi publicada em Diário da República no dia 10 de Julho de 2012.
O actual edifício, de aspecto robusto mas sem estilo definido, é composto por uma imponente frontaria guarnecida por quatro colunas jónicas, entre as quais se abrem três janelas de arco pleno e outras tantas portas.
Internamente, a decoração da sala de espectáculos e principais salões ficou a cargo dos pintores Acácio Lino e José de Brito e dos escultores Henrique Moreira, Diogo de Macedo e Sousa Caldas, sendo estes dois últimos responsáveis pelas quatro figuras alegóricas colocadas no friso do entablamento e que representam a Bondade, a Dor, o Ódio e o Amor.




Praça da Batalha (junto ao Teatro S. João), em 1934. Partida em direcção à ponte Luís I, de uma etapa da V “Volta a Portugal” em bicicleta - In Ilustração Portugueza, de Setembro





Cinema Batalha


O Cinema Batalha é uma sala de espectáculos localizada na Praça da Batalha.
Na foto abaixo, no edifício parcialmente visível, à esquerda da mesma, esteve sedeada a firma "A Construtora", de Campos & Morais, armazém de ferragens e materiais de construção e, desde 1908, a sala de projecção de cinema Salão High Life.



“A Constructora”, de Campos & Morais



Em 1913, neste mesmo sítio, tomará o nome definitivo de Cinema Batalha, tendo sido sujeito o edifício, ao longo dos anos, a várias alterações que acabaram por modificar muito o seu aspecto inicial.




Antigo Cinema Batalha



Em 1947, o novo cinema Batalha foi inaugurado com projecto do arquitecto Artur Andrade.
Foi inaugurado, em 3 de Junho de 1947, sendo constituído por dois auditórios, um com capacidade para 950 lugares sentados (plateia 346, tribuna 222, balcão 382) e o outro, para 135 pessoas. Tinha ainda dois bares e um restaurante com esplanada.
Actualmente, o edifício é propriedade da família Neves Real.
Depois de seis anos, fechado, voltou a abrir ao público, em Maio de 2006, por arrendamento à empresa "Comércio Vivo", uma parceria da Câmara do Porto e da Associação de Comerciantes. 
A "Comércio Vivo" foi criada para gerir os cinco milhões de euros disponibilizados pelo grupo Amorim para compensar os comerciantes pela inclusão de um shopping no Plano de Pormenor das Antas.
Em 31 de Dezembro de 2010, o Gabinete Comércio Vivo entregou as chaves aos proprietários, no último dia do contrato de gestão.
A precisar de uma intervenção, o espaço ficou fechado por vários anos. 
Abriria, no final do ano de 2022, após sofrer obras de vulto, em consequência de um arrendamento do edifício pela parte da autarquia portuense, por 25 anos.



Terreno onde seria levantado o novo Batalha

Cinema Batalha




Igreja de Santo Ildefonso

A Igreja de Santo Ildefonso está localizada na Praça da Batalha, freguesia de Santo Ildefonso.
A igreja foi reconstruída a partir de 1730, por se encontrar em ruínas a primeira igreja, e ficou concluída em 1739, sendo dedicada a Santo Ildefonso de Toledo.
A fachada é composta por duas torres sineiras com dentilhões nas cornijas, rematadas em cada face por esferas e frontões de fantasia. Por cima do entablamento ergue-se o nicho do padroeiro. Guarnecem as paredes azulejos de Jorge Colaço (1932), com cenas da vida de Santo Ildefonso e alegorias da Eucaristia.
A nave é de tipo poligonal em estilo proto-barroco, com tecto em madeira e estuques ornamentais repetidos nas paredes. Os altares laterais são obras neo-clássicas e os colaterais são de talha rococó. O retábulo em talha barroca é rococó da segunda metade do século XVIII.

Igreja de St. Ildefonso

Estátua de D. Pedro V

A meio da praça está a estátua de D. Pedro V com farda de Tenente- General. Foi construída numa única e gigantesca base de granito e o trajeto desde a pedreira de Águas Santas até ao seu destino, de apenas 2km, demorou 14 dias.

Estátua de D. Pedro V – Ed. “portojofotos.blogspot.pt”

“D. Pedro V era filho da Rainha D. Maria II e nasceu em Lisboa no ano de 1837. Subiu ao trono em 1853 e faleceu em 1861, após um curto reinado. 
Fundou em 1859, o Curso Superior de Letras e em 1860, a Escola Normal. Distinguiu-se pela sua cultura e, apesar do reduzido período em que reinou, mostrou ser um governante desejoso de promover o progresso e o bem-estar das populações. 
Monumento com estátua de bronze, da autoria de J. J. Teixeira Lopes (pai) inaugurada em 1866, colocada na Praça da Batalha, mandado construir pela Câmara Municipal sendo lançada a primeira pedra em 11 de julho de 1862. O seu majestoso pedestal em forma octogonal, possui relevos em quatro faces, estando a principal orientada a poente e contendo os emblemas da religião, a face do lado oeste os emblemas da indústria, na face sul tem os emblemas da agricultura e do lado este tem os emblemas das artes. Todos estes lados são legendados. Nos oitavados assentam quatro almofadas, e sobre estas figuram as armas de Portugal, do Porto e de Saxe-Coburgo-Gotha. 
Fonte: portoxxi.com


A primeira pedra da estátua de D. Pedro V na Praça da Batalha foi colocada pelo General Visconde de Rivas, tendo sido enterrado com ela, um cofre com moedas cunhadas no tempo de D. Pedro V, o auto de inauguração em pergaminho e uma lâmina de prata com inscrições latinas.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

(Continuação 7) - Actualização em 18/12/2017

Casa do Despacho da Sé


Fica encostada à cabeceira da Capela do Santíssimo e à Capela- mor da Catedral.
Trata-se de uma obra seiscentista, uma singela construção com 3 janelas rectangulares gradeadas.



Por trás do chafariz de S. Miguel-o-Anjo, a Casa do Despacho




Corpo da Guarda - Largo 1º de Dezembro 



Do Terreiro da Sé em direcção ao Largo 1º de Dezembro vemos, em frente da fachada lateral da Sé, a estátua contemporânea do mítico Vímara Peres e, à nossa direita, na Calçada de Vandoma, uma das mais belas fontes do Porto, o chafariz de S. Miguel-o-Anjo. Cruzando a Avenida da Ponte, como é conhecida (na realidade são duas as avenidas: a de D. Afonso Henriques e a de Vímara Peres), passamos por uma zona, o Corpo da Guarda, que foi demolida quando se procedeu à abertura desta artéria.
O edifício mais importante era o Palácio do Corpo da Guarda, cuja construção datava do século XVI e era propriedade dos Condes de Miranda do Corvo. Nos inícios do século XVIII (1717) sofreu obras profundas devido ao seu estado de ruína. Entre 1757 e 1786 foi residência de João de Almada e Melo, sendo também conhecido por Palácio do Governo. Em 1797 foi vendido pelo proprietário, o Duque de Lafões.
Já perto do Largo 1º de Dezembro vemos, à esquerda, o Palácio dos Condes de Azevedo, comprado ao Estado em 1887, onde foram instalados diversos serviços públicos e que é hoje um condomínio habitacional.



Mosteiro de Santa Clara



Há cerca de 600 anos, em 1427, no sítio dos Carvalhos do Monte, foi inaugurado este mosteiro feminino.
Hoje, esse local é no Largo 1º de Dezembro.
Foi ocupado, então, por religiosas, franciscanas clarissas, transferidas de um pequeno mosteiro existente no Lugar do Torrão, concelho de Benviver (depois, Marco de Canaveses), na foz do rio Tâmega e na sua margem esquerda.
A admissão de noviças era exigente. As candidatas tinham que ter mais de doze anos, ser virtuosas, solteiras ou viúvas.
Chegado o acto da profissão de fé, a admissão resultava de uma votação secreta entre todas as religiosas com expressão de vontade através de favas brancas e pretas.
A reclusão era total, mas, em pleno século XVII, havia queixas de que as religiosas “conversavam às janelas” e que a madre abadessa teria que intervir.
Durante a sua existência, o complexo monacal foi alvo de várias intervenções, transformações e reparações.
Em 1809, o mosteiro foi assaltado e saqueado pelos invasores franceses.
Nas lutas do Cerco do Porto (1832-1833), muitas das monjas fugiram, tendo permanecido, apenas, um pequeno número. Os bombardeamentos à cidade, provenientes do lado miguelista, também não pouparam o mosteiro, que sofreu graves danos.
 
 
 

Mosteiro de Santa Clara – Gravura de Joaquim Villanova, em 1833

 
 
A igreja do conjunto monástico é uma exibição grandiosa de talha dourada. A sua entrada a exemplo dos mosteiros femininos era lateral.

 
 



Interior da igreja de Santa Clara – Fonte: monumentos.gov.pt
 
 
 
 

Em frente, o portal do mosteiro de Santa Clara e, à direita, o portal da igreja




Capela de Santo António do Penedo 



A Capela de Santo António do Penedo erguia-se no Campo de Santa Clara, tendo sido demolida em 1886/87. Ignora-se a data exacta da sua construção, levantando-se a hipótese do 1º quartel do século XVII. Em 1671/72, recebeu um coro e uma galilé, executados pelo mestre pedreiro Manuel do Couto, segundo a traça do Padre Pantaleão da Rocha de Magalhães, mestre-capela da Sé do Porto e arquitecto amador que investigações recentes ligam a algumas das obras mais importantes realizadas no Porto na segunda metade do século XVII.




Rua Augusto Rosa

Real Casa Pia de Correcção/ Aquartelamento das Partidas Avulsas/ Edifício do ex-Governo Civil

Este edifício foi mandado construir pelo corregedor Francisco de Almada e Mendonça, corria o ano de 1790, e foi designado por Real Casa Pia de Correcção e de Educação e Aquartelamento das Partidas Avulsas.
Segundo Sousa Reis,
“…tinha como objectivos primordiais de "prover sobre os damnos da falta de educação no povo, corrigir os delictos e corrupção dos costumes e para aliviar a cidade dos aboletamentos tão gravozos a hua grande parte dos moradores...".
Destes objectivos, veio a cumprir apenas os dois últimos, dado que nunca a Casa Pia do Porto acolheu menores a quem pudesse recuperar como membros válidos da sociedade. Em contrapartida, outras competências foram-lhe sendo acrescidas, nomeadamente na área de administração de obras públicas. 
Destinado inicialmente para Quartel das Partidas Avulsas, o edifício teve diversas funções, mas a Casa Pia nunca chegou, porém, a ser criada na prática. Para além disso, serviu de residência a Francisco de Almada e Mendonça, que aí faleceu em 19 de Agosto de 1804.
Edifício dos finais do século XVIII (1790/92) construído entre a Porta do Sol e o Largo da Batalha, após a demolição de parte da muralha fernandina, o projecto é da autoria de Reinaldo Oudinot e a obra esteve a cargo de Teodoro de Sousa Maldonado e Francisco de Paiva, tendo também participado o arquitecto e ensamblador José Francisco de Paiva.


Casa Pia em desenho de Joaquim Villanova em 1833



Para inspecionar superiormente a construção da Real Casa Pia de Correcção e de Educação e Aquartelamento das Partidas Avulsas, foi indicado (por nomeação régia) o Corregedor e Provedor da Comarca do Porto Francisco de Almada e Mendonça (filho de João de Almada e Melo).
Em 4/10/1794, tinha saído uma provisão que lançava um imposto de 1 real por cada quartilho de vinho consumido na cidade e seu termo, o qual era recebido pela Companhia Geral de Agricultura das Vinhas do Alto Douro, para “rendimento e para as despesas da sua conservação e existência … o qual se arrecadará e administrará da forma que foi regulado… por Francisco de Almada e Mendonça”.
Este imposto rendeu, até 1821, cerca de 6.000$000 por ano e esteve na base de vários empreendimentos realizados e administrados por aquela entidade.
Destinado inicialmente para Quartel das Partidas Avulsas, o edifício teve diversas funções, desde prisão dos Calcetas (prisão de recrutas e criminosos militares, que procediam ao calcetamento das ruas), secretarias e repartições pertencentes à guarnição do Porto e local onde residiam oficiais solteiros da Guarda Real da Polícia e Quartel-General da Região Norte (instalado na zona norte do edifício), até fábrica de lonas e Casa Pia (esta última nunca tendo funcionado).
Para além disso, serviu a Francisco de Almada e Mendonça que inclusivamente se instalou no edifício da Real Casa Pia, transformando-a assim no centro nevrálgico da administração da comarca, fazendo dele a sua residência e tendo aí falecido em 19 de Agosto de 1804.
A Câmara do Porto foi aqui instalada desde 30/6/1806, vinda do Convento dos Agostinhos Descalços (Grilos), até 1819 quando se mudou para a Praça Nova.
Anos mais tarde, seria convertido em sede da Repartição da Fazenda, Pagadoria Militar, Quartel-general, Estação Telegráfica Elétrica e Governo Civil.
Em 18 de Dezembro de 1847, deflagrou um incêndio que praticamente destruiu o edifício, obrigando a grandes e sucessivas obras de remodelação que lhe conferiram o aspecto actual. 
Estas obras, que incluíram uma ampliação do edifício para sul, obrigaram à destruição de uma parte da Muralha Fernandina e da Porta do Sol, em 1875.
Por esta altura, as instalações de uma unidade de cavalaria que por aqui estava aquartelada foi demolida.
Pela cidade, naquela década, o quartel de Santo Ovídio albergava a infantaria 18; o quartel da Torre da Marca, infantaria 10; o quartel de S. Bento da Vitória, caçadores 9; o quartel de S. Braz e o do Carmo, a Guarda Municipal.






Casa Pia após obras de ampliação



Na foto acima pode-se comparar e ver o acrescento (em primeiro plano) que foi feito ao edifício depois de 1875.
No edifício destaca-se o corpo central da fachada, onde se recorta um sóbrio frontão.
Actualmente, é conhecido pelo edifício do ex-Governo Civil tendo, em 2016, sido concluídas obras importantes de remodelação que o tornaram num centro comercial.
Entretanto, o Governo Civil tinha já rumado, alguns anos antes, ao palacete dos Pestanas, na Praça da República.
 
 

Perspectiva obtida do Quartel- General a partir da Praça da Batalha 




O frontão por cima da entrada principal actualmente



À esquerda a Casa Pia



Pela foto acima e confrontando-a com a vista aérea abaixo, se observa de que ainda não tinha sido rasgada a Rua do General Sousa Dias junto à capela, à direita.



Largo 1º de Dezembro – Fonte: Google maps




Muralha Fernandina 


A cerca nova foi iniciada no tempo de D. Afonso IV (1336), sendo erguida até ao reinado de D. Fernando (1376), daí o ser conhecida, por muralha fernandina. A sua construção deve-se ao desenvolvimento da cidade que tornava a antiga cerca desadaptada às suas funções defensivas. O seu aspecto era imponente quer pela extensão, quer pela altura (3000 passos x 30 pés), sendo reforçada ao longo do perímetro por cubelos e torres quadradas.
A muralha, da qual ainda se pode apreciar um troço significativo junto a Santa Clara, iniciava o seu circuito nos Carvalhos do Monte. Aí se abria um postigo, o de Santo António do Penedo (com o nome da ermida da mesma invocação) que daria lugar, no tempo de João de Almada e Melo (1774) à Porta do Sol. Seguia em direcção a Cima da Vila (Porta de Cima da Vila), descendo até à Porta de Carros, em frente da igreja dos Congregados. Daí, seguia alinhada pelo actual edifício das Cardosas até ao Largo dos Lóios (Postigo dos Lóios, depois Porta do Almada), subia a Calçada da Natividade até à Porta do Olival, e das Virtudes (Postigo das Virtudes) passava pelas Escadas do Caminho Novo até à Porta Nova ou Porta Nobre, junto ao Rio. A partir desta porta, a muralha seguia a margem do Rio Douro desde o Largo do Terreiro à Praça da Ribeira e desta até à Lada, subindo os Guindais em direcção a Santa Clara. Neste trecho da muralha, para além da Porta da Ribeira, uma das mais importantes da cidade (infelizmente demolida em 1821) existiam diversos postigos: Postigo dos Banhos, Postigo do Pereira ou da Lingueta, Postigo do Carvão, Postigo do Peixe, Postigo do Pelourinho, Postigo da Forca, Postigo da Madeira ou da Lada, e Postigo da Areia ou dos Tanoeiros.
Enquanto João de Almada e Melo esteve à frente da Junta das Obras Públicas (1757/86), a muralha no seu conjunto não sofreu demolições, sendo feitas unicamente intervenções pontuais: o Postigo de Santo Elói e o Postigo de Santo António do Penedo dariam lugar respectivamente à Porta do Almada e à Porta do Sol enquanto, as Portas da Ribeira e das Virtudes foram melhoradas, de forma significativa.
Porém, a partir de 1787, deu-se início à demolição. Assim, foi derrubada a muralha desde a Porta de Carros até à Porta do Olival e, em seguida, até à Porta das Virtudes; da mesma forma, foi destruída toda a cerca desde a Porta do Sol até à Porta de Cima de Vila. O século XIX iria dar continuidade ao apeamento da estrutura defensiva da cidade, alterando o seu perfil.
A porta de Carros foi desmantelada em 1888. 




Rua de São Luís e Rua do Sol


Esta rua tem o seu início à entrada da Rua do Sol, para quem chega a esta artéria pela Rua de Augusto Rosa e, ladeando pela direita a Capela dos Alfaiates, depois de descrever uma espécie de semi­círculo, acaba, também na Rua do Sol, um pouco antes do local onde fi­cava o portão da Escola Comercial Oliveira Martins.
Aquela capela situada em frente à Sé seria demolida em 1940 e levantada no novo local em 1953.
A Rua de São Luís não aparece identificada na planta de Balck, mas em 1840 já tem esse nome.
Foi rasgada em terrenos que antigamente faziam parte de uma enorme propriedade chamada Quinta dos Matadouros ou da Boavista e que, ainda antes, tinham a curio­sa designação de Vale de Asnos. 
Crê-se que anteriormente seria aquele arruamento que no registo paroquial de 1779 era identificado por Viela do Pé dos Matadouros, a que mais tarde foi dado o topónimo de Viela do Cónego Sampaio, em 1801 e de Viela do Fontana, junto à Nova Rua dos Sol em 1804.
Aquele cónego Sampaio que faleceu em 1819, tinha antes arrematado parte da Quinta da Boavista aos herdeiros do cónego Domingos Ribeiro Nunes.
Outro dos adquirentes da referida quinta foi Gaudêncio Fontana que já a possuía e nela vivia com a sua mulher desde 1786.
Em 1814 falecia António Gaudêncio Fontana e já a viela era a Travessa do Fontana.
Estas propriedades acabaram mais tarde nas mãos de Luís Pereira de Melo Sotomaior, senhor de Barbeita e alcaide-mor de Caminha, casado com D. Maria de Bourbon e Nápoles, morgada da Prebenda, em Viseu.
Este casal edificou ou reedificou uma casa que denominou de São Luís, junto da Rua do Sol, cujo nome derivava talvez, de algum oratório ou capela levantado junto dela, dando-lhe como orago o nome do proprietário.
Era muito comum, nos séculos XVIII e XIX, os proprietários de alguns prédios construírem junto das suas mora­dias oratórios ou capelas onde colocavam o santo da sua veneração que era, por re­gra, o que tinha o nome do dono da casa. 
A casa haveria de ser vendida pelo neto daquele proprietário inicial, Luís Pereira de Melo e Nápoles.
Entretanto, nos assentos paroquiais de Santo Ildefonso a Rua do Sol foi em 1773, Viela das Tripas, em 1786, Rua da Boavista dos Matadouros, em 1799 Rua Nova do Sol.



“O nome da Rua do Sol teve origem na porta do Sol que existia na muralha fer­nandina, no sítio onde agora está o monu­mento que evoca a figura de D. António Barroso que foi bispo do Porto. Anterior­mente, havia ali apenas um pequeno pos­tigo chamado de Santo António do Pene­do por ficar muito perto de uma capela desta invocação. Do Penedo por ter sido construída sobre uma rocha. 
Em 1768, João de Almada e Melo, o gran­de renovador urbanista do Porto, mandou demolir o postigo e no seu lugar construiu uma porta que na sua parte superior e na fachada voltada a nascente tinha esculpi­do um sol que deu o nome à porta e à ar­téria que ficava mesmo defronte. 
Temos assim que a antiquíssima Viela das Tripas deu origem à Rua Nova da Boa­vista ou, simplesmente, Rua da Boavista, à qual sucedeu a Rua dos Matadouros e, posteriormente, a Rua Nova do Sol "de­fronte da Casa Pia" e que é agora, simples­mente, a Rua do Sol, à entrada da qual está a capela de Nossa Senhora de Agosto, vul­garmente conhecida por Capela dos Al­faiates”.
Fonte: Germano Silva



No meio da foto observa-se o gaveto das ruas do Sol (à esquerda) e Rua de São Luís (à direita) antes da edificação da Capela dos Alfaiates – Fonte: JN




Na foto acima em 1º plano é possível observar um fontanário.





Recolhimento da Porta do Sol- Capela dos Alfaiates


Recolhimento da Porta do Sol - Recolhimento de Nossa Senhora das Dores e de S. José das Meninas Desamparadas



O Recolhimento de Nossa Senhora das Dores e de S. José das Meninas Desamparadas, foi fundado por D. Francisca de Paula da Conceição Grelho de Sousa, mulher do Corregedor e Chanceler da Relação e Casa do Porto, Dr. José Teixeira de Sousa, sendo destinado a albergar as órfãs do desastre da Ponte das Barcas, ocorrido em 1809.
Depois de ter passado por várias instalações improvisadas na cidade, acabou por ocupar a partir de 1825, um prédio conhecido por Casa da Estopa, situado junto à Porta do Sol, tendo, por isso, a instituição, ficado a ser conhecida também, por Recolhimento da Porta do Sol.
D. João VI tinha colocado o recolhimento sob sua protecção, tendo feito uma doação de 12 000 reis em 23 de Junho de 1821. Nesse mesmo ano, a 10 de Junho, por vontade régia a administração passou a ser feita por uma comissão nomeada pelo rei e que seria presidida pelo bispo da diocese do Porto.
Quatro anos depois (30 de Maio de 1825), o monarca faz nova doação: um edifício de boas proporções a -Casa da Estopa - destinado a residência perpétua do recolhimento e posteriormente remodelado e acrescentado.
A capela, iniciada em 1835, foi concluída em 1851 e, por fim, os dormitórios foram construídos em 1883.
O nome Recolhimento da Porta do Sol deriva da sua situação em frente da Porta do Sol mandada erguer por João de Almada e Melo (em substituição do Postigo do mesmo nome) e que seria demolida em 1876.
Em meados do século XX, a instituição foi notícia devido ao excelente e reconhecido desempenho de um seu grupo coral - o Coro das Pequenas Cantoras do Postigo do Sol.
Todavia, em 27 de Fevereiro de 1952, era anunciado o desenlace entre a Direcção do Recolhimento e o maestro Virgílio Pereira, que regia o grupo coral.



Coro de câmara das Pequenas Cantoras do Postigo do Sol




O Recolhimento da Porta do Sol haveria de fechar portas no início da década de 1990 e as suas instalações, depois de serem objecto de obras, foram ocupadas por um estabelecimento de ensino privado, fundado em 1994, a Universidade Moderna, que daria lugar no mesmo local, em 2005, a um outro estabelecimento com o mesmo cariz, a Universidade Lusófona que, ainda hoje (2026), por lá se encontra.




Capela de Nossa Senhora de Agosto ou dos Alfaiates 


A Capela de Nossa Senhora de Agosto ou dos Alfaiates ficava até 1940, em frente da porta principal da Sé, data em que foi demolida, juntamente com uma série de construções. Em 1953, foi reconstruída no local onde hoje se encontra, fronteira ao Governo Civil, tendo-se respeitado, ao que parece, a traça original.


Capela dos Alfaiates no seu local actual




Em 1554, iniciou-se a construção de uma nova capela frente à fachada principal da Sé do Porto, em edifício cedido à Confraria pelo bispo D. Rodrigo Pinheiro. Onze anos depois, só as paredes tinham sido levantadas e, com o empenho do prelado, o mestre-pedreiro Manuel Luís contratou com a Irmandade a conclusão do templo que ocorreria em 1565.
Desde do início do século XVI, que os membros da Confraria de Nossa Senhora de Agosto e São Bom Homem, prestavam culto a uma imagem de Nossa Senhora de Agosto, no 1º andar de um prédio situado perto da catedral, cujo piso térreo servia de celeiro do cabido.
O patrono da confraria, São Bom Homem, era festejado em 13 de Novembro.
Por outro lado, as costureiras e modistas também acabaram por se ligar à confraria e, por isso, a capela exibe uma imagem da sua padroeira, Santa Catarina de Alexandria, a santa que deu nome à Rua de Santa Catarina.
Ocorrendo a festa de Santa Catarina em 25 de Novembro, já em pleno século XX, esse dia era escolhido pelas costureiras para os seus casamentos. Então, em procissão, o casal de noivos e convidados dirigiam-se da capela dos alfaiates, onde tinha ocorrido o enlace, a um nicho aberto na fachada de um prédio situado no gaveto da Rua de Santa Catarina e Rua de Passos Manuel, onde a menina das alianças, subindo a uma escada, depositava naquele nicho, que tinha uma imagem de Santa Catarina, o ramo da noiva.



À saída da Capela dos Alfaiates em dia de casamento de alfaiate com costureira


 



Um casal de noivos saindo da Capela dos Alfaiates, após cerimónia de casamento, em 1960

 
 
Os casamentos ocorridos nos tempos respeitantes à foto anterior, em que o Estado Novo dirigia o destino dos portugueses, tinham o patrocínio do Grémio Regional dos Profissionais de Alfaiataria e Costura do Norte.
 
 
 

Imagem de Santa Catarina, numa platibanda da Ourivesaria Perfecta (aberta desde 1920), na esquina das ruas de Santa Catarina e Passos Manuel



Menina das alianças, em cima de uma escada, oferecendo o ramo da noiva a Santa Catarina


 
 
A Capela dos Alfaiates foi considerada monumento nacional em 1927.
A sua importância decorria de a sua arquitectura ser, no norte do País, um dos primeiros exemplos da corrente maneirista/renascentista que então despontava.
Ao retábulo maneirista associam-se dois nomes, no campo da pintura, do Porto da época: Diogo Teixeira e Francisco Correia. Os oito painéis (Anunciação, Adoração dos Pastores, Adoração dos Reis Magos, Nossa Senhora da Assunção, Menino entre os Doutores, Visitação, Coroação da Virgem e Fuga para o Egipto), enquadrados numa belíssima estrutura de talha dourada, foram restaurados nos anos 50 pelo pintor Abel Moura.
Destaque-se a magnífica imagem de Nossa Senhora de Agosto (em pedra), peça escultórica policromada, onde podemos apreciar uma interessante ligação da estrutura medieval com acrescentos posteriores. Quando a capela foi demolida, a imagem ficou depositada no Gabinete de História da Cidade. Uma vez reconstruído o edifício, regressou ao retábulo, onde se encontra.




Teatro de S. João - Praça da Batalha

Teatro de S. João 

Fazendo uma leitura rápida pelos locais da cidade onde, até à criação do Teatro de S. João, tinham lugar as representações teatrais, sabemos que numa primeira fase se realizavam ao ar livre, nos largos e nas ruas e, mais tarde, nos Celeiros da Cordoaria.
Destinados à armazenagem de cereais, os celeiros passam a ser utilizados para funções teatrais entre 1750 e 1760 e, a partir de 1760, com a criação do Teatro do Corpo da Guarda são aproveitados para outros fins. No Teatro dos Celeiros da Cordoaria, durante a década de 50 do século XVIII funcionou a companhia do polaco Félix Kinsky, a qual desempenhou um papel importante na vida cultural da cidade.
Em 1760, João Glama Ströberle seria incumbido de adaptar, para as funções de teatro, as cocheiras que os Duques de Lafões tinham em frente ao seu palácio no Corpo da Guarda; daí a designação de Teatro do Corpo da Guarda dada ao teatro que aí funcionou até ao aparecimento do Teatro de S. João.
O Teatro de S. João ou Real Teatro do Príncipe ficou a dever-se ao empenho do Corregedor e Provedor da Comarca Francisco de Almada e Mendonça (filho de João de Almada e Melo).
Iniciado em 1796 e inaugurado em 1798, apresentava uma grande simplicidade exterior, não correspondendo, de forma alguma, ao projecto que para tal fim elaborara o italiano Vincenzo Mazzoneschi que, desde 1795, trabalhava em Lisboa no Teatro de S. Carlos. Interiormente, porém, o aspecto era magnífico segundo descrições da época, tendo colaborado na sua decoração Mazzoneschi, que pintou o tecto (área que seria pintada mais quatro vezes, antes do incêndio, por: Joaquim Rafael, Paulo Pizzi, Lima, e Manini, este último em 1888) e Domingos António de Sequeira, que pintou o pano da boca de cena (substituído cinco vezes, sendo seus autores: J. Rodrigues, Palucci, Luís Morel, Lambertini, Rocha e Correia, e Procópio).
Em 11 de Abril de 1908 o teatro foi devastado por um violento incêndio, sendo reconstruído em 1911, segundo o projecto do arquitecto Marques da Silva. Sob o ponto de vista arquitectónico é um edifício de interesse, tendo nele colaborado alguns dos nomes mais reputados do início do século XX. Na decoração do seu exterior participaram os escultores Diogo de Macedo, Sousa Caldas (autores das quatro figuras alegóricas da Bondade, Dor, Ódio e Amor) e Joaquim Gonçalves da Silva (autor das máscaras laterais).




Praça da Batalha 


Segundo a tradição, o nome deriva do combate violento aí havido entre cristãos e muçulmanos. De traçado irregular, tem no centro a estátua de D. Pedro V, destacando-se nas imediações, como edifícios de maior interesse, a Igreja de Santo Ildefonso, o Cinema Batalha, o edifício do que foi o Teatro Águia Douro, agora um hotel e o palacete onde funcionou a estação central dos Correios.
A estátua de D. Pedro V foi feita por uma equipa de pedreiros do Porto, sob orientação do escultor Teixeira Lopes (pai). A fim de se angariarem os fundos necessários para a sua realização, fizeram-se subscrições quer em Portugal, quer no Brasil, efectuando-se também festivais e outras actividades lúdicas no Jardim de S. Lázaro.
A Câmara aprovou em 1862 a planta da autoria de Joaquim José Pirralho, sendo colocada a primeira pedra pelo General Visconde de Rilvas, em representação de D. Luís e de D. Fernando. A obra de cantaria foi da responsabilidade de António Almeida Costa e a fundição da estátua orientada pelo ourives Luís José Nunes. Foi colocada no local em 27 de Janeiro de 1866 e inaugurada em 3 de Fevereiro desse mesmo ano, em presença do rei D. Luís I. Em 28 de Maio de 1868, a Câmara tomou posse do monumento.




Igreja de Santo Ildefonso 


A ermida medieval de Santo Alifon ficava próxima da Porta da Batalha, tendo sido demolida para, em seu lugar, se construir uma igreja. Achando-se esta igreja muito arruinada, em 1727, os actos litúrgicos passaram a ser celebrados na Capela de Nossa Senhora da Batalha que, por sua vez, também estava em mau estado. A actual igreja, cuja autoria é desconhecida, foi construída entre 1730 e 1737, e tem uma fachada que segue os padrões tradicionais da arquitectura portuguesa da primeira metade do século XVIII, fugindo ao espírito barroco introduzido no Porto durante as obras de transformação da Sé. A planta em forma de octógono alongado, pelo contrário, é profundamente inovadora. No seu interior destaca-se o retábulo-mor (1745) desenhado por Nicolau Nasoni e executado pelo mestre entalhador Miguel Francisco da Silva.
O acesso à igreja fazia-se por uma bela escadaria, hoje desvirtuada, encimada por um obelisco que rematava a Rua de Santo António, tal como a Torre dos Clérigos coroava a rua do mesmo nome.
Exteriormente, todo o templo é revestido de azulejos versando cenas da vida de Santo Ildefonso (1932), da autoria de Jorge Colaço, o mesmo autor dos azulejos da Estação de S. Bento.




Rua de Cima de Vila 


Esta foi uma das zonas mais importantes da cidade durante a Idade Média, datando desse período as primeiras referências toponímicas (testamento do bispo D. Pedro Salvadores, 1247); a partir desta data é mencionada em diversos documentos como Cima de Vila, indicando o local mais elevado do núcleo urbano (Rua de Cima de Vila, 1364; Rua de Cima de Vila junto à Porta, 1438; Rua da Porta de Cima de Vila, 1498; Rua Velha em Cima de Vila, 1599).
A muralha fernandina que, como vimos, passava pelo antigo Governo Civil e Teatro de S. João, descendo pela antiga calçada de Santa Teresa (hoje Rua da Madeira), em direcção à Porta de Carros, tinha aí uma das suas portas principais: a Porta de Cima de Vila, onde se achava uma imagem de Nossa Senhora da Batalha colocada num nicho. Mais tarde, para albergar esta imagem, foi erguida uma capela por volta do ano 1600, que se pode imaginar situar-se em frente à actual entrada da Rua de Cima de Vila que, com o andar dos tempos, se arruinou, sendo substituída por outra em 1799.
Esta última (capela de Nossa Senhora da Batalha) foi levantada a partir de 1876, por vontade do corregedor D. Francisco Almada e demolida em 1924, devido às transformações urbanas operadas na zona.
A primitiva capela estava encostada à torre da Porta de Cima de Vila e dizia-se, tapava a entrada do arco de comunicação para aquela rua. Era, a capela, propriedade da Câmara e durante alguns anos foi a paroquial de Santo Ildefonso e nela teve a sede a confraria dos Sirgueiros, organizada segundo os “ Mesteres da Casa dos Vinte e Quatro”.
A esta confraria viria a juntar-se a de Sant’Ana dos Botoeiros que se formara junto ao Arco de Sant’Ana.
Em 1736 ali se realizou uma reunião que originou a Ordem Terceira do Carmo e em 1755 a ordem da Trindade aí se acolheu quando se separou por desavenças com os Monges do mosteiro de São Domingos.
A Cima de Vila associam-se: a antiga forca, transferida para outro local nos finais do séc. XIV (1394); e o Hospital das Entrevadas (Hospital do Santo Espírito) e Hospital dos Entrevados (1639-1891), este último fundado na Albergaria de Cima de Vila, que tinha como padroeira Nossa Senhora do Amparo.
Ainda nesta zona foi construída, nos finais do século XV (1494), uma casa nobre por João Rodrigues de Sá e Meneses, Alcaide-mor do Porto, que mais tarde ficaria conhecido pelo nome de Paço da Marquesa, já que os herdeiros do fundador vieram a ser Marqueses de Fontes, título que D. João V substituiria pelo de Marqueses de Abrantes. Os chamados Paços (ou Paço) da Marquesa ainda existem, se bem que adulterados.




Igreja da Ordem do Terço 


É um edifício de proporções modestas, sobressaindo unicamente no exterior um óculo ovalado com uma decoração exuberante em forma de resplendor, ladeado por dois janelões. A sua construção teve início em 1759, após o Pe. Geraldo Pereira ter comprado umas casas em Cima de Vila, em 1754. Em 1762 é criada a Irmandade de Nossa Senhora do Terço e Caridade.
Antigamente, no local, havia um pequeno nicho com uma Santa, conhecida como Nossa Senhora do Terço sendo costume aí parar uma procissão, para ser rezado um terço, vinda do Largo 1º de Dezembro do convento de Santa clara e que, metendo pela Viela da Cadeia subia a Rua de Cima de Vila até ao referido nicho.
No interior da actual igreja, destaca-se o excelente retábulo-mor da autoria do entalhador José Teixeira Guimarães, segundo o risco atribuído a seu filho, o Pe. Joaquim Teixeira Guimarães. Nele podem admirar-se as imagens de S. João Evangelista e de Nossa Senhora da Consolação, que pertenceram ao Convento dos Lóios.
Neste sítio ficava a Travessa dos Entrevados que corresponde à actual Travessa de Cima de Vila e que tinha aquela denominação, como já vimos, em virtude de aí perto existir o Hospital de Nossa Senhora do Amparo ou dos Entrevados de Cima de Vila, cuja 1ª pedra foi lançada em 25 de Setembro de 1639.
Este hospital funcionou aí até 1891, ano em que foi transferido para um edifício atrás da Sé, onde estava instalada a oficina de S. José. Daqui saiu para uma dependência do denominado Estabelecimento Humanitário do Barão de Nova Sintra, donde se transferiu para os chamados Hospitais Menores, vulgarmente chamados de Asilo de São Lázaro, na Rua das Fontainhas.
A Travessa da Caridade actual Travessa do Cativo, por seu lado devia o seu nome ao Hospital do Terço e Caridade implantado nessa zona.
Refira-se ainda que o Hospital do Terço, que fica anexo à igreja, foi iniciado em 1781. O imóvel sofreu transformações diversas que se prolongaram até 1816 e que lhe conferiram o actual aspecto. Em 1891, foi inaugurado nas suas instalações o Asilo Profissional do Terço, posteriormente transferido para a Praça do Marquês de Pombal, depois de deambular por diversos locais.



Igreja da Ordem do Terço e Caridade - Ed. Joaquim Villanova, em 1833



Ordem do Terço e Caridade e igreja, na Rua de Cima de Vila, c. 1900