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terça-feira, 17 de setembro de 2019

25.63 Delfim Ferreira, um empresário de sucesso


Hotel Infante de Sagres

O “Hotel Infante de Sagres” está instalado num edifício histórico, datado dos anos 50, mandado construir pelo comendador Delfim Ferreira, com projecto do arquitecto Rogério de Azevedo, podendo ser considerado, no Porto, como um exemplo da fase de transição para o modernismo.
O hotel foi inaugurado em 21 de Junho de 1951, na Praça D. Filipa de Lencastre e foi o primeiro hotel de luxo da cidade do Porto.
O local em que foi levantado tinha sido anteriormente a morada dos Souto e Freitas, que nas últimas décadas do século XVIII, aí tinham mandado construir a chamada “Casa da Fábrica”, nome que ganhou por ser vizinha duma importante fábrica de tabaco, da cidade, que haveria de dar também nome à rua – a Rua da Fábrica.
Mandada então construir, a “Casa da Fábrica”, por Luís António do Souto e Freitas, por sua morte, em 1770, ela passaria sucessivamente para a posse dos seus herdeiros e das famílias respectivas, que se constituíram a partir daquele patriarca, até meados do século XX.
Nessa ocasião, venderam o edifício ao capitalista Delfim Ferreira, que aí mandaria construir o “Hotel Infante de Sagres”.


Casa da Fábrica (perspectiva obtida a partir da Rua da Fábrica) – Ed. Foto Beleza


Até à esquina (em primeiro plano) da foto acima, viriam a estender-se, as traseiras do “Hotel Infante de Sagres”.



Traseiras do “Hotel Infante de Sagres”, em perspectiva semelhante à de foto anterior – Fonte: Google maps



O projecto deste hotel é de 1943 e a sua construção foi iniciada em 1945, parecendo que, inicialmente, teria sido pensado para aí instalar uma estalagem.
A decoração do hotel esteve a cargo de Artur Barbosa, e os ornatos e decorações dos tectos e paredes, da firma “Baganha & Irmão”.
Na noite de inauguração tocaram duas orquestras no “Salão Luís XVI”.
Tinha 67 quartos, entre eles, 37 tinham quarto de banho privativo e os restantes, bidé e lavatório.
Na cave, localizava-se a cozinha, pastelaria, casas das máquinas, vestiários do pessoal, despensas e rouparia.


Publicidade com indicação dos preços praticados, em 1951, no “Hotel Infante de Sagres”


Hotel Infante de Sagres, em 1953 – Fonte: Fundação Instituto Arquitecto José Marques da Silva


A decoração apontava para o estilo “Luís XV”, exceptuando o salão de baile e a suite de luxo do 1º andar, que eram ao estilo “Luís XVI”.
As esculturas eram de,


“Barata Feyo, as telas de Abel Moura e Artur da Fonseca, e vitrais de mestre Leone.
(…) A gerência do “Hotel infante de Sagres”, ficou entregue a Alexandre Soleiro, sócio da sociedade arrendatária e proprietária da “Ferreira & Filhos, Lda.”.
Após a morte de Delfim Ferreira, seu filho, o Dr. Alexandre Ferreira deu-lhe continuidade”.
Cortesia de José Leite (“restosdecoleccao.blogspot.com”)


Hall de entrada do “Hotel Infante de Sagres”


Hall da Recepção do “Hotel Infante de Sagres”


Sala de Jantar do “Hotel Infante de Sagres”


Salão de Baile do “Hotel Infante de Sagres”



Quarto do “Hotel Infante de Sagres”


Quarto-de-banho do “Hotel Infante de Sagres”


O Hotel Infante de Sagres contribuiu, em muito, para o reconhecimento da hotelaria Portuguesa, visto já ter hospedado várias personalidades reconhecidas internacionalmente, como o Dalai Lama, os Reis da Noruega, a Rainha Beatriz da Holanda, Bob Dylan, Catherine Deneuve, o Príncipe Eduardo de Inglaterra, John Malkovich e, mais recentemente, em 2010, os U2.
Era o preferido do Dr. Mário Soares.


Praça D. Filipa de Lencastre e “Hotel Infante de Sagres”


Na foto acima, o aspecto da praça, quando nos prédios fronteiros ao hotel, se localizavam os escritórios de várias empresas de camionagem.
Em Janeiro de 2008, o “Hotel Infante de Sagres”, foi comprado pelo grupo “Lágrimas - Hotels & Resorts”, do advogado José Miguel Júdice.
Em 2016, foi adquirido pela empresa “The Fladgate Partnership”.
“The Fladgate Partnership” é proprietária das casas de vinho do Porto Taylor's, Fonseca, Croft e Krohn e dos hotéis “The Yeatman” e  “The Vintage House”.
Entre Novembro de 2017 e Abril de 2018, o hotel esteve encerrado para obras. Após os trabalhos, ganhou uma piscina no terraço, mais 15 quartos e um Vogue Café. Foram investidos 7,5 milhões de euros e teve como autor do projecto o arquitecto portuense António Teixeira Lopes, de 85 anos, discípulo do mestre Rogério Azevedo, autor do projecto original.
Após as intervenções e remodelações a que foi sujeito, tendo mudado um pouco de visual (reabriria com 21 suítes e 64 quartos), viu o seu nome passar de “Hotel Infante de Sagres” a “Hotel Infante Sagres” e passado, ainda, a fazer parte da cadeia de hotéis “Small Luxary Hotels of the world”.
Em termos de classificação, o hotel trocou as suas cinco estrelas pela insígnia “Tradition & Luxury Hotel”.


Aspecto actual do Hall de entrada do “Hotel Infante Sagres”


Aspecto actual de um Quarto do “Hotel Infante Sagres”


Sala de Jantar, actualmente, do “Hotel Infante Sagres”


Em 2024, a unidade hoteleira já tinha sido adquirida pelo pelo grupo asiático GCP Hospitality, que o integrou na marca espanhola Hospes Hotels.

(Continua)



terça-feira, 3 de outubro de 2017

(Continuação 16) - Actualização em 22/10/2020

21.17 Palacete dos Souto e Freitas, Casa da Fábrica ou Palacete do visconde de Laborim - Rua da Fábrica


Tinha este palacete, há muito demolido, a designação de “Casa da Fábrica”, por estar situado na esquina da Rua da Fábrica e da Travessa da Rua da Fábrica, hoje, Rua de Avis.
Aquela rua deve, por sua vez, o seu nome, à mais antiga fábrica de tabaco que se conhece na cidade, a Real Fábrica do Tabaco e, sabe-se que, já tinha existência no século XVIII, pois, a ela, em 1789, se refere o padre Agostinho Rebelo da Costa.
Há, todavia, quem garanta, que já teria existência desde o início do século XVIII.
O Padre Agostinho Rebelo da Costa referiu sobre aquela unidade industrial, que ela originava um rendimento assinalável, em impostos, a Sua Majestade e que, tinha sofrido quer em quantidade quer em qualidade, um assinalável incremento, após a entrada para a sua administração do cidadão espanhol, Vicente Gregório Garcia.
A Rua da Fábrica (antiga Rua da Fábrica do Tabaco) fazia, em tempos, a ligação do Campo da Via Sacra ou Calvário Velho, depois, sucessivamente, Praça do Pão, Praça de Santa Teresa e Praça Guilherme Gomes Fernandes à Praça Nova, depois, Praça D. Pedro e Praça da Liberdade.
 
 

Representação do declive da Rua da Fábrica e dos alçados das fachadas dos prédios situados do lado Norte, em 1824, entre cota superior e a Travessa da Fábrica – Fonte: AHMP
 
 

Representação do declive da Rua da Fábrica e dos alçados das fachadas dos prédios situados do lado Norte, em 1824, entre a Travessa da Fábrica e a Rua Nova do Almada – Fonte: AHMP
 
 
Legenda:     
 
1. Casa do Vicente dos Canos, possivelmente, Vicente Gregório Garcia, administrador da Real Fábrica do Tabaco
2. Propriedade da Fábrica do Tabaco
3. Propriedade da Fábrica do Tabaco
4. Antiga propriedade da Fábrica do Tabaco e, desde 1823, propriedade de Manuel José Gomes do Vale que a remodelava para sua habitação
5. Embocadura da Travessa da Fábrica
6. Casa de João Luís da Silva Souto Freitas
7. Casa dos herdeiros Sampaio
8. Largura da Rua Nova do Almada


Em 1860, a imprensa da época dava conta de uma arrematação da propriedade que tinha sido afecta à Real Fábrica de Tabaco, donde se poderia inferir da sua localização e grandeza.
 
 


 

A área envolvida pelo quadrilátero, em destaque, seria o chão ocupado pela Real Fábrica de Tabaco




Fachada da Casa da Fábrica voltada para a Travessa da Fábrica, J. Villanova 1833



Na esquina das actuais Rua de Avis e Rua da Fábrica - Ed. Foto Beleza



O mesmo local, actualmente - Fonte: Google maps




Na foto acima, por comparação com a anterior, pode constatar-se que o prédio contíguo ao da esquina é o mesmo.
A Casa da Fábrica foi mandada construir, nas últimas décadas do século XVIII, por Luís António de Souto e Freitas, filho de humildes lavradores de Rebordões, onde nasceu em 1702, tendo ganho uma fortuna após ter emigrado para o Brasil. 
Tendo vivido no Terreiro da Alfândega, junto à capela de Nossa Senhora da Piedade, depois de chegado do outro lado do oceano, comprou em 1754 a um cónego da colegiada de Guimarães, José Bernardo Carvalho, umas casas que este possuía próximo da fábrica do tabaco, para no lugar delas construir um rico palacete.
Nesta morada, em 19 de Abril de 1770, morreria Luís Freitas, dono de uma fortuna considerável, tendo sido Cavaleiro da Ordem de Cristo, Capitão dos Privilegiados da Ribeira das Naus do Ouro, fidalgo de cota de Armas, etc.
O palacete da Rua da Fábrica, nos anos seguintes, foi sendo tomado por herança dentro da mesma família.
Durante os primeiros meses do Cerco do Porto (1832/1833), a Casa da Fábrica foi re­sidência de Mouzinho da Silveira, aliás Jo­sé Xavier Mouzinho da Silveira, o grande reformador do liberalismo. 
Sujeito o imóvel, a bombardeamentos importantes, sofreu danos de monta, durante o Cerco do Porto.
No tempo que antecedeu aquele cerco, durante o governo do rei usurpador, D. Miguel, havia na cidade um caceteiro de nome Pita Bezerra, que agredia com o grupo de energúmenos que o acompanhavam, todos aqueles que ele suspeitasse não serem da sua cor.
Após a vitória dos liberais, em 20 de Março de 1835, começou a ser julgado o tal Pita Bezerra, precisamente na Casa da Rua da Fábrica, que funcionaria como tribunal.
É facto histórico, que no fim de uma das audiências, quando a sinistra personagem era levada para a prisão pelos carcereiros, o povo tomou o Bezerra em suas mãos e matou-o à pancada, desmembrando o corpo que acabou por ser lançado ao Douro.
Da ocupação da Casa da Fábrica, por Mouzinho, nos dá conta o texto seguinte, publicado na revista "O Tripeiro Vª série, Ano VIII.




Em 1838, documentos e publicações da época, dão conta de que o palacete era a residência de José Joaquim Geraldo Sampaio (1781-1864). Esta personagem tinha sido membro da Junta do Porto, em 1828, extinta pelos miguelistas e viria a ter o seu nome ligado ao referido palacete, que após a vitória dos liberais funcionou, então, como tribunal.
José Joaquim Gerardo de Sampaio, que viria a atingir a presidência do Supremo Tribunal de Justiça, foi um dos condenados à morte, a 29 de Novembro de 1829, tendo, no entanto, escapado àquele destino.
Tinha nascido no Porto, a 24 de Setembro de 1781 e veio a falecer, já conde de Laborim, a 4 de Janeiro de 1864, em Lisboa.
Em 1835, a rainha D. Maria II atribui-lhe o título nobiliárquico de visconde de Laborim. 
Entretanto, Domingos Augusto da Silva Freitas de Menezes e Vasconcelos sucedeu, na Casa da Fábrica, ao seu pai João Luís da Silva Souto e Freitas, em 1846.
Domingos Augusto havia sido também herdeiro do seu tio paterno José Luís sendo, à data, um dos grandes proprietários da cidade e seria, também, um dos fundadores do Club Portuense, que teve, aliás, a sua primeira reunião, precisamente na sua residência, a Casa da Fábrica, onde os estatutos daquela agremiação veriam a luz do dia, antes de ocupar o palacete da Ferreirinha, na Praça da Trindade.
Uma das últimas proprietárias da Casa da Fábrica foi D. Mariana Augusta da Silva Freitas de Meneses Cirne e Sousa (1846-1903) que tinha casado com Pedro da Silva Fonseca de Cerveira Leite e Bourbon (1836-1886), senhor da Casa de Ramalde e da Casa das Taipas ou solar dos Leite Pereira.
Em 23 de Novembro de 1909, instala-se em parte das instalações da Casa da Fábrica, com o acesso pelo nº 10, da Travessa da Fábrica, um hotel com o mesmo nome de um outro, que tinha funcionado até 1880, na Rua do Triunfo, com o nome de Hotel do Louvre.
Alguns anos após o falecimento de D. Mariana, as filhas venderam a casa a Delfim Ferreira, o maior capitalista, à data, em Portugal, que a mandou demolir para no seu lugar construir um imponente imóvel do qual fazia parte o Hotel Infante de Sagres.


Casa da Fábrica, em 1932


As pedras da frontaria do palacete foram oferecidas à Câmara para serem erguidas noutro local, o que nunca chegou a ocorrer.
Um desses locais era em frente à cadeia da Relação na Cordoaria onde estivera durante anos um correr de prédios, entretanto demolidos.
Sem possibilidade de confirmação, diz-se hoje, que as pedras respectivas, estarão dispersas pelo parque do Monte Aventino.

 




terça-feira, 27 de junho de 2017

(Continuação 19) - Actualização em 25/03/2020



No início da década de 40 do século XX, começam as demolições do casario existente no local que viria a ser conhecido como Praça de D. Filipa de Lencastre.



Casa do tribunal da Picaria


Na foto acima, na actual Praça Filipa de Lencastre, esquina com a Rua da Picaria, está ainda a casa onde funcionou o tribunal em que Camilo foi julgado e absolvido, pela sua ligação com Ana Plácido, numa tarde, de tal tempestade que o povo dizia que “era Deus que não queria a sua condenação”.
Esta casa foi de pessoas que tinham parentesco com os viscondes de Balsemão, que viviam na Praça dos Ferradores, a actual Praça Carlos Alberto.
Era identificada, por isso, como “Casa de Maria Manuel Azevedo” ou “Casa dos Alvo Brandão”.
Hoje, o prédio está ligado à actividade da restauração.
No correr de casas baixas do século XVIII, contíguas ao antigo tribunal esteve também, em tempos, o Cabaret Primavera e na esquina com a Rua da Picaria o cabaret Trianon.
À rua que se desenvolve ainda hoje, à esquerda do edifício da foto acima e que sobe até ao Largo da Picaria, era, como hoje, a Rua da Picaria e o sítio onde se encontra aquele friso de moradias era a Travessa da Picaria que ia até à Rua do Almada.
Desembocando na Rua do Almada, vinda do Laranjal, vê-se na planta abaixo, a Rua dos Lavadouros que, antes, foi Rua de S. António dos Lavadouros.
Esta Rua de Santo António dos Lavadouros, depois, Rua dos Lavadouros, pode dizer-se que era o prolongamento da Travessa da Picaria até ao Laranjal.
Naquela Rua dos Lavadouros predominavam os vendedores de mobílias de pinho que, após a extinção da artéria, se passaram para a Rua da Picaria.
Muito perto da confluência da Rua dos Lavadouros com a Rua do Almada, existiu uma fonte concluída no ano de 1795 e que ficaria conhecida como 1ª Fonte da Rua do Almada.



Planta de George Balck de 1813, onde se vê a Rua dos Lavadouros (trajecto AB) na confluência (A) da Rua das Hortas com a Rua do Almada




Na planta acima, observa-se ainda que, a Rua da Picaria (M) corre paralela à Rua do Almada e que, esta, no seu troço inicial, partia da Rua das Hortas.
A Rua das Hortas corresponderia ao que hoje é o troço inicial da Rua do Almada, entre a Rua dos Clérigos e a Praça D. Filipa de Lencastre.



 Ao fundo da Rua da Picaria



Na foto acima obtida ao fundo da actual Rua da Picaria, observa-se a confluência da antiga Travessa da Picaria (segue pela esquerda) com a antiga Travessa da Fábrica (segue pela direita e mais à frente é, hoje, a Rua de Aviz). Ambas as travessas desapareceram e fazem actualmente parte da Praça de D. Filipa de Lencastre.
No entanto, as casas do lado esquerdo da Travessa da Picaria (na imagem) nunca chegaram a ser demolidas e constituem hoje, a frente Norte da praça, onde funcionou o tribunal que julgou Camilo.
Ao fundo da Travessa da Picaria, vê-se o prédio da garagem de "O Comércio do Porto", na Rua do Almada, que à data da foto já estava concluído.
Aliás, por consulta, mais abaixo, da planta de Telles Ferreira, pode constatar-se que o edifício da garagem de "O Comércio do Porto" e o próprio edifício do jornal “O Comércio do Porto”, na Avenida dos Aliados, ocuparam o chão por onde antes corria a Rua dos Lavadouros.
O conjunto de edifícios frontais foi totalmente demolido e agora, está aí, o miolo da praça.



Ao fundo da Rua da Picaria. Em frente a Travessa da Fábrica



Na foto acima, com exclusão do edifício dos telefones (do qual se vê um pouco, do lado direito da imagem), tudo o que é apresentado nesta foto, pelo lado esquerdo, foi demolido, assim como no lado direito, por onde foi traçada a actual Rua de Ceuta. Os espaços ocupados pelas antigas Travessa da Fábrica (em frente) e Travessa da Picaria  (invisível pela esquerda) fazem hoje parte da Praça Dona Filipa de Lencastre.



Planta da área ocupada hoje pela Praça D. Filipa de Lencastre, na planta de Telles Ferreira de 1892. Grosso modo, o edificado na área delimitada pelo polígono em destaque foi demolido para abertura da praça



Publicidade em 1934


Acima um folheto publicitário da Anglo Portuguese Telephone Cª Ltd antecessora dos TLP (Telefones de Lisboas e Porto) sita na Rua da Picaria.
Era num dos edifícios da Travessa da Picaria, que estavam instaladas a redacção, administração e oficinas do célebre jornal "Diário da Tarde" que era dirigido pelo insigne jornalista Eduardo de Sousa.
Por aqui e pela Rua dos Lavadouros, que ligava a Travessa da Picaria ao Laranjal, vendiam-se as caixas feitas de madeira de pinho muito utilizadas pelos emigrantes que iam para o Brasil para o transporte dos seus haveres. Não apenas as caixas, mas também a mo­bília de madeira de pinho era feita e ven­dida em oficinas e estabelecimentos dos La­vadouros e da Picaria.
Desapareceu há poucos anos o último estabelecimento deste género que funcionava num prédio da antiga Travessa da Picaria, já muito per­to da Rua do Almada.
Outra pequena indústria fixada nos Lavadouros era a das lousas, que compreendia: lava-louças para cozinhas; lousas para escolas (o quadro negro); reservatórios de água para uso doméstico; cabe­ceiras para sepulturas; e placas usadas na construção civil.



O antigo tribunal está lá no cimo, à esquerda da foto



No século XXI. Vista descendente da Rua do Almada no ponto onde acabava a Travessa da Picaria



Vista descendente da Rua do Almada, na década de 1930, no mesmo local da foto anterior. À direita era a Travessa da Picaria



Foto tirada da Rua Elísio de Melo. Os prédios frontais seriam demolidos para levantar a praça





Aspecto das demolições



A abertura da Praça D. Filipa de Lencastre



Nas fotos acima pode observar-se a abertura da praça. A Avenida dos Aliados, lá ao fundo, já estava traçada e com os novos edifícios.
A actual Rua de Avis era, à altura, Travessa da Rua da Fábrica. Na esquina dessa travessa com a Rua da Fábrica, ficava a Casa da Fábrica.



Casa da Fábrica, na esquina da Travessa da Fábrica com a Rua da Fábrica



Foto do fim da década de 40 do século XX



Na foto acima ainda não tinha sido aberta a Rua de Ceuta.
Ao cimo da Rua de Ceuta, ligando a Rua da Conceição com a Praça Guilherme Gomes Fernandes, está a Rua José Falcão que foi aberta há mais de 100 anos e que, começou por se chamar Rua de D. Carlos I.
A partir da implantação da República passou a ser a Rua José Falcão.
Esta personagem foi um republicano nascido em Miranda do Corvo, doutorado em Matemática, e conhecido ainda por ter sido pai do 1º governador civil do Porto, após a república.
Depois do malogrado golpe de 31 de Janeiro de 1891, para o qual muito contribuiu a sua obra “Cartilha do Povo”, José Falcão foi incumbido de reestruturar o Partido Republicano.
A rua foi aberta em terrenos da quinta da Conceição, à data nas mãos de Henrique Kendall, que os cedeu à edilidade.