Mostrar mensagens com a etiqueta Grande hotel da Batalha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Grande hotel da Batalha. Mostrar todas as mensagens

sábado, 16 de novembro de 2024

25.259 Dois hotéis que são referência há mais de um século

 
Grande Hotel da Batalha
 

Grande Hotel da Batalha ocupou o prédio onde, antes, tinha estado o Hotel Maria, cujo proprietário, Manuel Bento Rodrigues, em Julho de 1913, solicitava à Câmara do Porto uma série de obras para o acesso ao piso térreo e, em Outubro desse mesmo ano, dava conta à mesma entidade de que pretendia construir uma “devanture” em ferro, naquele mesmo piso, que obteria a licença de obra nº 1252/1913,
 
 
 

Desenho de “devanture”, ornamentando o rés-do-chão, integrante de projecto referente à licença de obra nº 1252/1913
 
 
 
 
A “devanture”, atrás mencionada, pode ser apreciada na foto seguinte, quando foram homenageados durante uma visita à cidade do Porto, os aviadores Brito Paes, Sarmento Beires e Manoel Gouveia.
 
 
 
 

Grande Hotel da Batalha, em 1924
 
 
 
O Grande Hotel da Batalha tinha sucedido, então, ao Hotel Maria.
Nesse mesmo local, tinha estado, sucessivamente, o Hotel Estrela do Norte fundado em 1862 e transferido para a Rua de Entreparedes e o Hotel Batalha fundado em 27 de Outubro de 1864.

 
 
 

In jornal “O Commercio do Porto” de 27 de Outubro de 1864
 
 
 
O Hotel Batalha não vingou muito tempo, sendo substituído pelo Hotel Particular que, por sua vez, cederia o espaço ao Hotel Oriental que, em 1877, já lá estava instalado.


 
 

Publicidade ao Hotel Oriental, em 1877
 
 
 
Foi então a vez de por lá se instalar o Hotel Gibraltar, de Manoel António Fernandes e, finalmente, o Hotel Maria.
Em 1913, surgiria o Grande Hotel da Batalha, após uma grande intervenção para melhoria das suas instalações.

 
 
 


Interiores do Grande Hotel da Batalha, após a intervenção, em 1913
 



À esquerda, o Grande Hotel da Batalha, em 1915
 



Publicidade ao Grande Hotel da Batalha, em 1930

 
 
O Grande Hotel da Batalha seria remodelado com um projecto de 1937 do arquitecto José Porto (1883-1965), cujas obras foram dadas como concluídas, em 20 de Maio de 1940.


 
 

Publicidade ao Grande Hotel da Batalha, em 1941, após a remodelação do arquitecto José Porto
 
 
 
 
Em 7 de Dezembro de 1944, os irmãos António e José Abrantes Jorge, donos do Hotel Aliança, situado na Rua Sampaio Bruno, compram o Grande Hotel da Batalha à “Sociedade Exploradora do Grande Hotel da Batalha no Porto”.
António Abrantes Jorge viria a ser representante à Câmara Corporativa, representando a União dos Grémios da Indústria Hoteleira e Similares do Norte e, ainda, vereador na Câmara Municipal do Porto.
O Grande Hotel vai, então, ser sujeito a obras de vulto a cargo do arquitecto Alfredo Ângelo de Magalhães, que se estenderam por alguns anos permitindo, no entanto, o funcionamento do hotel.
O pedido de licenciamento respectivo é feito à Câmara Municipal do Porto, na qualidade de requerente, por “Silva Ferraz e Companhia, Limitada”, obtendo a licença nº 219/1945.

 
 
 

À esquerda, o Grande Hotel da Batalha, antes das obras iniciadas em 1945




Grande Hotel da Batalha, após remodelação profunda, com um projecto de 1945 do arquitecto Alfredo Ângelo de Magalhães


 
 

Interiores do Grande Hotel do Porto, após as obras de remodelação
 
 
 
 
 
 

Extrato de notícia publicada no jornal “Diário de Lisboa” de 6 de Novembro de 1955 – Cortesia da “Fundação Mário Soares”

 
 
 

Grande Hotel da Batalha, em 1955

 
 
 

A meio da foto, o “Grande Hotel da Batalha”, na década de 1960

 
 
 
À esquerda do Grande Hotel da Batalha é a Rua de Cima de Vila.
Próximo do fim do milénio, a cadeia Mercure adquire o “Grande Hotel da Batalha” e passa a ser, a partir de 2003, o hotel “Mercure Porto Batalha”, após grandes obras de remodelação.
O edifício passa a ter 6 andares, 149 quartos e 9 suites e, ainda, uma sala de conferências.
 
 
 
 

“Hotel Mercure Batalha”
 
 
 
 
Em 2008, o hotel “Mercure Porto Batalha” passa a designar-se hotel “Mercure Porto Centro”, mas, actualmente, já é o hotel “Mercure Porto Centro Santa Catarina”.





Hotel “Mercure Porto Centro Santa Catarina”
 


 
 
 
Grande Hotel do Porto
 

 
Grande parte dos terrenos, a poente da Rua de Santa Catrina, nomeadamente, onde mais tarde foi erguido o Grande Hotel do Porto era, na primeira metade do século XIX, quintas e terrenos lavradios pertencentes à grande empresária D. Antónia Adelaide Ferreira, a Ferreirinha do vinho do Porto.
Como se pode observar, abaixo, na planta de Baldwin & Cradock (Londres 1833), grande parte daquela área estava por urbanizar.

 
 
 

Rua Santa Catarina (a meio na vertical) em planta de Baldwin & Cradock (Londres 1833)
 
 
 
 
O quarteirão entre o que são hoje as ruas de Santa Catarina, Sá da Bandeira, Passos Manuel e Formosa pertencia a Francisco da Cunha Magalhães e a D. Antónia Ferreira.
Os terrenos onde foi levantado o Grande Hotel do Porto, pertenceram a D. Adelaide Ferreira, vulgo a “Ferreirinha” da Régua que tinha uma casa apalaçada nesse local.
Essas terras eram atravessadas por um ribeiro que vinha desde a Rua das Carvalheiras na Fontinha onde nascia e junto à Estação de S. Bento era um dos cursos de água que formavam o rio da Vila e alimentava uma fonte, já demolida, na esquina da Rua de Santa Catarina e da antiga Viela das Pombas (actual António Pedro) que por isso se chamava Fonte das Pombas.
Na frontaria essa fonte tinha gravada uma alusão à batalha efectivada na Ponte Ferreira durante o Cerco do Porto.
Na planta acima, é possível ver o percurso do ribeiro referido que nasce nas Carvalheiras e o traçado da Rua de Santa Catarina a meio, na vertical, partindo dos largos de Santo Ildefonso e da Batalha e ainda, notar, como é óbvio, que as ruas de Sá da Bandeira começada em 1877 e de Passos Manuel começada em 1874 e o Mercado do Bolhão (por cujo solo passa o referido ribeiro), ainda não tinham surgido. Para urbanizar a actual Rua do Ateneu Comercial do Porto foi necessário encanar o ribeiro.
O terreno onde ficava a Fonte das Pombas foi, a partir de 1904, disputadíssimo, tendo saído como vencedor, entre diversos pretendentes, o proprietário da vizinha Camisaria Confiança, que indemnizou um outro concorrente que, aí, já tinha começado a construir.
Um ano depois, acabou por vendê-lo a outro, de nome Avelino Correia, num negócio deveras escuro, que obrigou a Fazenda a processar o Cunha da camisaria e o Avelino, por simulação de negócio.
A água daquele ribeiro viria, mais tarde, a ser utilizada nos sanitários do Café Brasil (ainda existente) ao fundo da Rua da Madeira, junto da Estação de S. Bento.
O Grande Hotel do Porto, inaugurado em 27 de Março de 1880, é um dos hotéis de maior prestígio da cidade, e nasceu por vontade de Daniel Martins de Moura Guimarães, um rico comerciante de arte que foi para o Brasil com 17 anos e regressou ao Porto em 1867.
Aqui chegado e após viajar pela Europa, desafiou o arquitecto Silva Sardinha para traçar um hotel de referência na cidade.
Sendo Daniel Moura Guimarães um apaixonado pelas artes e pelas viagens, autor de um guia que o torna célebre, o “Guia do Amador de Bellas-Artes” (1871), no qual descreve a arte, o património e os aspetos mais relevantes dos locais que visita.
É, pois, com base nos conhecimentos adquiridos, e tendo como objetivo reproduzir, no Porto, o charme das capitais europeias, que decide construir um hotel semelhante aos que conhecera.
 
 
“O “Hotel do Porto”, talhado desde os alicerces para ser uma casa de hospedagem de primeira ordem, é propriedade do sr. Daniel Martins de Moura Guimarães e entra amanhã em exercício das suas funções de hospitalidade, inaugurando-se com o jantar ao bando que festeja a execução capital do menos perverso do Judas, o de palha.”
In jornal “O Primeiro de Janeiro”, de 26 de Março de 1880; Fonte: Guido de Monterey – Porto 2, pág.588
 
 
 
Como se observa na notícia acima, o hotel foi inaugurado em Sábado de aleluia e foi, por detrás da sua fachada vitoriana foi, ao longo dos tempos, testemunha de amores e espionagem, poiso de fugitivos e ilustres.
À data de inauguração, o hotel oferecia uma série de serviços que constituíam uma enorme novidade.
 
 
 
“O hotel oferecia 40 quartos, cinco suítes, (uma delas a suite real) e outros espaços: Sala de Leitura, Sala de Música, Sala de Jogos e Sala da Senhoras. Nas traseiras do Hotel, na Rua do Ateneu Comercial do Porto, situavam-se os balneários, abertos ao público com água quente e fria, algo muito raro à época. Daniel Moura Guimarães convidou o Dr. Ricardo Jorge e o Dr. Augusto Brandão para diretores de duches e Paulo Lauret para professor de ginástica, naquilo que seria à altura um antecessor dos modernos spa’s.
O Grande Hotel do Porto oferecia serviço de banquetes, bailes e festas que atraíam as figuras notáveis do Reino, da política, da arte e da sociedade”.
Fonte: “grandehotelporto.com”
 
 
 
Quando o imperador D. Pedro II e sua mulher, a imperatriz Teresa Cristina Maria, vieram exilados para a cidade do Porto, em 1889, aquando da implantação da República no Brasil, foi no Grande Hotel do Porto, na Rua de Santa Catarina, que se hospedaram e, num dos seus quartos, que a imperatriz morreu na manhã do dia 28 de Dezembro de 1889.
Em 9 de Dezembro de 1999, seria descerrada uma lápide, colocada na fachada do hotel, que passou a assinalar esta última visita do imperador e imperatriz do Brasil. Estiveram presentes na cerimónia, entre outras personalidades, D. Luís e D. Teresa de Orleães e Bragança, bisneta de D. Pedro II e D. Miguel de Bragança, Duque de Viseu e trineto do homenageado.



Placa homenageando a passagem do imperador do Brasil pelo Grande Hotel do Porto





Eça de Queirós era, também, hóspede frequente da unidade hoteleira, e o Duque de Windsor também aqui esteve, e tem sala com o seu nome.
 
 
 
 
 

Publicidade ao Grande Hotel do Porto, em 1898


 
 

À direita, o Grande Hotel do Porto e, à esquerda, a Camisaria Confiança, em 1899





Fachada do Grande Hotel do Porto engalanada para o Carnaval de 1905





Em 1912, à porta do Grande Hotel do Porto, uns passageiros entram numa caleche de aluguer – Ed. Alberto Marçal Brandão (1848-1919)
 




Fachada do Grande Hotel do Porto, em 1913, quando era seu único proprietário, desde há alguns anos, José de Oliveira Basto
 
 
 
A fachada do hotel da gravura anterior manter-se-ia até 1917 quando, José de Oliveira Basto, brasileiro de torna-viagem que, a partir do fim do século XIX, se torna co-proprietário do hotel e, depois, único proprietário, pois compra a parte adquirida aos herdeiros de Moura Guimarães, vai realizar obras de vulto no hotel.



 
Extrato de artigo da autoria de Simão de Laboreiro, sobre o Grande Hotel do Porto, In jornal “A Situação” (jornal Republicano da manhã), em 28 de Agosto de 1818


 
Na sequência das obras surge, na cobertura de edifício, um Terraço Panorâmico.
O Terraço era uma novidade na cidade do Porto e atraía muitas personalidades que aproveitavam para apreciar a vista que oferecia. 
 
 
 
 

Terraço do Grande Hotel do Porto
 
 
 
Após as obras mencionadas, transposta a entrada do hotel, apresentava-se um grande vestíbulo, de acesso à sala de leitura, à sala de visitas, à sala de estar e ao corredor, dotado de colunas.
Nos 23 anos que se seguiram às obras executadas sob a orientação de José d’Oliveira Basto, as instalações do hotel foram sucessivamente intervencionadas e melhoradas, sem necessidade de interromper o seu funcionamento.
Este foi, também, o hotel onde ficaram alojados Gago Coutinho e Sacadura Cabral, alguns meses após a sua travessia do Atlântico Sul e onde, foram alvo de uma manifestação de carinho popular, por parte da população, a 4 de Dezembro de 1922.
Antes, em Dezembro de 1917, aquando do golpe de estado de Sidónio Pais, nas instalações foi preso o primeiro-ministro Afonso Costa, aí hospedado.
O hotel será, entretanto, vendido, em 1919.
 
 
“O hotel é vendido a D. Ângelo Vasquez Enriquez e António Maria Lopes. Os novos donos continuam a ampliação e reforma do espaço: é criada uma nova cozinha, no vão que existia entre o hotel e a então Camisaria Confiança”.
Fonte: “grandehotelporto.com”




Grande Hotel do Porto na homenagem aos aviadores


 
Publicidade ao Grande Hotel do Porto, em 1934 

 
 

Cozinha do Grande Hotel do Porto
 
 
 

À direita, o Grande Hotel do Porto com os carros estacionados à sua porta
 
 
 
Chegados à década de 1940, é introduzido o Livro de honra e surge o Salão de Inverno.
 
 
“Um novo espaço nasce no Grande Hotel do Porto. O Salão de Inverno apresentava uma claraboia e um fogão de sala, que funcionava nos meses de inverno. A decoração foi da responsabilidade da Casa Nascimento. Hoje é aqui que encontramos a Sala Douro”.
Fonte: “grandehotelporto.com”
 


 

Bar, Sala de Fumo e Salão de inverno do Grande Hotel do Porto
 

 
 

Grande Hotel do Porto, na década de 1940
 
 
 
Entre 1940 e 1960, uma série de obras são realizadas e António Maria Lopes, nascido em Braga, torna-se o único proprietário da unidade hoteleira e, pelas décadas que se seguiram, a sua família teve sempre uma palavra decisiva na sua gestão.
António Maria Lopes, um grande industrial de moagem (Moagem Victória), foi, ainda, um dos fundadores da União das Associações de Hotelaria e Restauração do Norte e director da Associação Comercial do Porto, teve ainda oportunidade de fundar, em Lisboa, em 1937, o Victória Hotel, e ter sido proprietário do Atlântico do Monte Estoril.
Quanto às obras realizadas, para além da implantação de um segundo elevador, nas áreas comuns é criada uma boutique na antiga Sala de Leitura e o bar é remodelado.
Os quartos são equipados com novo mobiliário e passam a ser alcatifados.
Até aos nossos dias as obras de remodelação dos espaços são constantes, destacando-se as levadas acabo em 2002, e o hotel, presentemente, apresenta 95 quartos.



 
Hall de recepção, restaurante e fachada principal do Grande Hotel do Porto, actualmente
 
 
 

No Grande Hotel do Porto, Guilhermina Suggia conheceria Dr. Carteado Mena e acabariam por contrair matrimónio em 1927.
O ministro de Salazar, António Ferro era frequentador para “curar as feridas de Lisboa”, confessou em livro de memórias.
Por lá se alojavam, também, quando visitavam a cidade do Porto, os escritores Assis Pacheco, Luís de Sttau Monteiro, o poeta Teixeira de Pascoaes, pseudónimo de Joaquim Teixeira de Vasconcelos, o historiador José Hermano Saraiva e o músico António Vitorino d’Almeida, entre outras personalidades.
Outra figura pública, do mundo da música, Pedro Abrunhosa, diz estar ligado ao Grande Hotel do Porto por ser trineto do fundador, Daniel Moura Guimarães e neto de Álvaro Machado, que terá exercido as funções de director da unidade hoteleira, em meados do século XX.
Em 2021, a Câmara Municipal do Porto abriu o procedimento de classificação como Monumento de Interesse Municipal (MIP) do Grande Hotel do Porto, por considerar que o imóvel representa um “valor cultural de significado relevante”.

quarta-feira, 22 de março de 2017

(Continuação 22) - Actualização em 27/11/2017 e 29/11/2020

Pela zona da Praça da Batalha e suas imediações, foram-se instalando, ao longo dos anos, vários estabelecimentos hoteleiros.
Em 1883, o Grande Hotel Victória já estava pela Rua de S. Lázaro.

 
“Os senhores José Bernardo Gomes & Viana acabam de estabelecer um hotel excelente, com a denominação em epígrafe, na Rua de S. Lázaro, próximo ao jardim”.
In jornal “Primeiro de Janeiro” de 8 de Setembro de 1883
 
 
O Grande Hotel Victória abriria, em 23 de Maio de 1886, as suas novas instalações.

 
“Abriu ontem na sua nova instalação da Rua de Entreparedes, quase em frente à Batalha, o Grande Hotel Victória que, durante algum tempo, esteve em uma casa da Rua de S. Lázaro. A mesa redonda, muitíssimo bem servida, foi ontem inaugurada com um jantar de gala”.
In jornal “Primeiro de Janeiro” de 24 de Maio de 1886
 


 
O Hotel América Central esteve aqui
 
 
O Hotel América Central ficava na esquina da Rua Rodrigues de Freitas e Entreparedes, desde 1895. Actualmente é a Pensão Aviz.

 
 

Publicidade ao América Central, em 1923


 

Hotel Estrella do Norte, na Rua Entreparedes



O Hotel Estrela do Norte, acima referido, com começo de actividade na Rua de Cima de Vila, acabaria por se fixar na Rua de Entreparedes, depois de passar pelo Largo da Batalha.

 
“O Hotel Estrela do Norte, até ao último S. Miguel estabelecido à esquina da rua de Cima de Vila, mudou para o largo da Batalha.
Este hotel que, a uma existência de vinte anos, tem reunido melhorar progressivamente, realizou agora, com a mudança, um aperfeiçoamento muito notável.
Na casa, que este hotel deixou, foi estabelecer-se um criado dele. Tomou o título de «Estrela».”
In jornal “Diário Mercantil”, de 08 de Outubro de 1861 – 3ª Feira
 
Sobre o Hotel Estrela do Norte disse o jornal “Comércio do Porto” em 29 de Julho de 1864 – 6ª Feira:
 
“Este antigo Hotel mudou do largo da Batalha para a rua de Entreparedes, nº 51 a 63.”

 

Folheto de publicidade ao Hotel Bragança



 

Outro folheto referente ao Hotel Bragança
 
 
 
O Hotel Bragança, com imagem no folheto acima, tinha chegado da Rua do Bonjardim, nº 75, onde tinha sido inaugurado em Dezembro de 1864, de acordo com o jornal "O Commercio do Porto" de 23 de Dezembro desse ano. Aquela morada era um pouco acima do conhecido Hotel Aliança.
Comparando os dois folhetos publicitários anteriores, parece que o Hotel Estrella do Norte e o Hotel Bragança ocuparam o mesmo edifício.
Parece que no tempo do Hotel Estrella do Norte, este só teria serventia pela Rua de Entreparedes.
De notar que o Hotel Bragança tinha entrada, também, pela Rua de Santo Ildefonso.
Teria havido pela mesma época um outro hotel denominado “Hotel Novo Bragança”.
Em 15 de Junho de 1918 abriria neste prédio o chamado “London Club”, com sala de jogos, sala de bilhar e sala de leitura.
 
 
 

Sala de Leitura do “London Club” - Ed. Illustração Catholica
 
 
 

Prédio onde esteve o Hotel Bragança, a meio da foto – Fonte: Google maps

 
 
A fachada da foto anterior, está virada para a Rua de Entreparedes e depois de albergar o “London Club”, foi também esquadra da Polícia de Segurança Pública.

 
 

Hotel Nacional, em 1913


 
O Hotel Nacional na gravura acima ficava na Rua de Entreparedes logo encostado ao Hotel Continental (fazia esquina com a Praça da Batalha).



 
No 1º prédio à direita (ainda existente), ficava o Hotel Nacional – Fonte: Google maps
 
 

 

Hotel Continental


 
Acima o Hotel Continental na esquina da Rua de Entreparedes e a Praça da Batalha.

 
 

Local onde esteve o Continental na entrada da Rua de Entreparedes – Fonte: Google maps
 
 
 
 
 
 

Hotel Sul-Americano

 
 

Publicidade ao Hotel Sul-Americano


 
O Hotel Sul-Americano, mais tarde, seria substituído no local pelo Grande Hotel do Império.
 
 
 
 
 

Grande Hotel do Império e cafés, Chave d’Ouro e Leão d’Ouro

 
 
O edifício que se vê a montante do Grande Hotel do Império, haveria de ser demolido para expansão deste hotel.
Quando tal ocorreu, estava ocupado pela “Casa de Espanha” e pela “Escuela Española” e anteriormente tinha alojado o Grande Hotel Portuense.

 
 

No prédio do meio, o Grande Hotel Portuense, na Praça da Batalha


 
 

Grande Hotel Portuense – Cartão Comercial


 
O Grande Hotel Portuense em 1925, ainda solicitava licenças à Câmara do Porto para efectuar obras.
 
 
 
 

“Casa de Espanha”, na Praça da Batalha – Fonte: AHMP

 
 
O Hotel Universal, situado na Rua de Alexandre Herculano, foi inaugurado em 15 de Outubro de 1881, pela firma “Ramires & Vasques” e com a direcção técnica do hoteleiro Alfred Wissmann.
Mais tarde, este hotel passaria para a propriedade da “Companhia Portugueza de Turismo”, antiga “Sociedade Praia de Vila do Conde”.
 
 
 
 

Publicidade ao Hotel Universal
 
 
 
 

Hotel Universal, em 1907. Seria, depois, Messe dos Oficiais

 
 

Hotel Universal
 

 

Messe dos Oficiais (actualmente) - Ed. aportanobre.blogspot.pt
 
 

A partir de 15 de Setembro de 1926, as antigas instalações do Hotel Universal começaram a ser adaptadas para receber a Messe dos Oficiais.
Em 17 de Outubro de 1931, as obras levadas a cabo para o efeito estavam completamente concluídas e, nesse dia, foram inauguradas com pompa e circunstância. A decoração dos espaços foi da responsabilidade da Casa Venâncio Nascimento.
Para que a instalação se realizasse, foi necessário ampliar para poente e para nascente o antigo edifício do hotel Universal que, na foto acima, estaria dentro do rectângulo amarelo.
A Messe dos Oficiais ocupou, assim, a esquina das ruas de Alexandre Herculano e Augusto Rosa, podendo apreciar-se, na foto abaixo, uma perspectiva de há dezenas de anos atrás, do correr de casas contíguo à área em que está aquele edifício, nesta última rua.
A Rua Augusto Rosa é uma homenagem à memória do genial actor Augusto Rosa, muito estimado no Porto, que se estreara em peça do seu pai em 31 de Janeiro de 1872 e que, faleceu, em 2 de Maio de 1918.
 
 
 

À direita, o Teatro S. João e, em frente, a Messe dos Oficiais, em Fevereiro de 1982

 
 
 
 

Rua Augusto Rosa (em frente ao Teatro S. João), na década de 1940
 

No edificado da foto acima esteve, em tempos, o Hotel Nova Itália.



O mesmo local da foto anterior, actualmente (o prédio à esquerda é ocupado pela Junta de Freguesia) – Fonte: “anfitrioesdainvicta.blogspot.pt”
 
 
 
 
 

Grande Hotel da Batalha esteve na esquina da Praça da Batalha com a Rua de Cima de Vila, num prédio onde, antes, tinha estado o Hotel Maria, cujo proprietário, Manuel Bento Rodrigues, em Julho de 1913, solicitava à Câmara do Porto uma série de obras para o acesso ao piso térreo e, em Outubro desse mesmo ano, dava conta à mesma entidade, pela licença de obra nº 1252/1913, de que pretendia construir uma “devanture” em ferro, naquele mesmo piso.
Desde 1862, tinham estado alojados naquele local o Hotel Estrela do Norte, o Hotel Batalha, o Hotel Particular, o Hotel Oriental, o Hotel Gibraltar e, finalmente, o tal Hotel Maria.





Grande Hotel da Batalha, em 1924, exibindo a devanture levantada em 1913


 
Em 1937, o hotel é sujeito a obras com projecto do arquitecto José Porto (1863-1965) reabrindo, na plenitude, em 20 de Maio de 1940.
Em 1945, ocorrem obras de vulto de acordo com projecto do arquitecto Alfredo Ângelo Magalhães.
 
 
 

Grande Hotel da Batalha seria remodelado com um projecto de 1945 do arquitecto de Alfredo Ângelo Magalhães




Grande Hotel da Batalha, em 2009, como Hotel Mercure


 
Na foto anterior, a rua que segue, em frente, é a Rua de Cima de Vila. 
 
 
"Palace Pensão", próximo à Praça da Batalha, na Rua do Sol, esteve no início do século XX, alojada no antigo palacete do conde de Samodães, que viria a albergar, mais tarde, a Escola Comercial Oliveira Martins.
Sobre esta pensão, dizia o seu cartão comercial:

 
“Pensão para famílias. Serviço esmerado. Preços económicos. Refeições avulsas. Magníficos jardins com esplendidas vistas sobre o Douro.”
 
 
 

Palace Pensão
 
 
 

Hospedaria Águia Douro, em 1908
 
 
Acima à direita da foto, com o café no rés-do-chão, a Hospedaria Águia d’Ouro.
Como seria de esperar, a partir do momento da chegada do comboio a Campanhã, os hotéis começaram também a instalar-se próximo da gare.
 

 
 

Hotel Caminho-de-Ferro, em 1913


 
O Hotel Caminho-de-Ferro do prospecto anterior, ficava em frente da Estação de Campanhã, na Rua da Estação.


 

Actualmente, o Hotel Caminho-de-Ferro passou a residencial


 
Fronteiro à Estação de Campanhã esteve também o Hotel Pinto Bessa, mais tarde, substituído, no mesmo local, pelo Hotel Veneza.
 
 
 

Publicidade ao Hotel Veneza e ao Hotel Pinto Bessa, em Campanhã
 
 
 

Anúncio de abertura do Hotel Veneza, In jornal “A Voz Pública” de 24 de Dezembro de 1907
 
 
 
 

Estação de Campanhã, no fim do século XIX
 

 
Para a zona da Cordoaria e suas imediações encontramos também, algumas unidades hoteleiras de referência.
 
 
 
 

Pensão La Fontaine
 
 
 
 
Na Rua de Cedofeita, mesmo em frente ao começo da Rua da Torrinha, no prédio onde esteve em tempos a fonte de Cedofeita, alimentada pelos mananciais de Paranhos e Salgueiros, só poderia ter estado sedeada uma pensão com o nome de “Pensão La Fontaine”.
Como se vê no folheto, a Pensão La Fontaine tinha uma sucursal na Rua Mártires da Liberdade, nº 130.



Listas de Hotéis e Hospedarias, em 1899
 


 

Hotéis em 1908 – Fonte: revista “O Tripeiro”, 1 de Julho de 1908

 
 
 

Publicidade, em 1934, no Jornal “Ultramar”


 

Publicidade, em 1934, no Jornal “Ultramar”