Mostrar mensagens com a etiqueta Capela de Nossa Senhora da Batalha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Capela de Nossa Senhora da Batalha. Mostrar todas as mensagens

sábado, 11 de julho de 2026

25.310 Real Teatro S. João

 
O Teatro Nacional de S. João da cidade do Porto é uma magnífica obra de arquitectura do século XX.
No entanto, um primeiro edifício baptizado como Real Teatro S. João, erguido nos finais do século XVIII, acabaria destruído por um incêndio.
Ainda antes do antigo Real Teatro de S. João, o Porto teve outro importante palco de espectáculos que se situava numa das dependências do demolido Palácio dos Condes de Miranda, Marqueses de Arronches e Duques de Lafões - casa de espectáculos particular aberta em 1760.
Na sua inauguração, foi levada à cena uma ópera lírica para homenagear o casamento de D. Maria I com D. Pedro. Este teatro foi riscado por João Glama Stroberle, auxiliado pelos artistas José Régióli, Francisco José, João André Chiape, Veríssimo Nunes, Domingos Teixeira Barreto e José dos Santos Cartaxo.
Francisco Almada, que sucedeu a seu pai no governo da cidade, haveria de dar continuidade, também, à arte cénica, no Porto, incrementando a construção, bem perto dali, do Real Teatro S. João, com um projecto aprovado pelo governo, e um capital reunido entre comerciantes e capitalistas da cidade, até Abril de 1796.
Um capital (31.000$000 reis) subscrito em 313 acções permitiu avançar com o empreendimento.
Para o efeito, o Corregedor Francisco de Almada adquire parte do terreno da muralha fernandina, na zona da actual Praça da Batalha.
Entretanto, as obras arrancam em 1796 e, em 13 de Maio de 1798, dia do aniversário do Príncipe D. João, foi inaugurado o novo teatro da autoria do arquitecto Vicente Mazzoneschi, o “Real Teatro S. João”, chamando-se, inicialmente, Theatro do Príncipe em honra do futuro D. João VI, apesar de as obras ainda não estarem totalmente concluídas, com a comédia "A Vivandeira".
Para que fosse possível a sua construção, foi destruído um grande pano da Muralha Fernandina, cuja pedra serviu para fazer as suas paredes e também as da Casa Pia.
O escudo real, que esteve na sua frontaria, encontra-se nos terrenos do Museu Nacional Soares dos Reis.
Até 1809, a sala de espectáculos apresentou peças ligeiras e variadas, acontecendo a primeira temporada de teatro musicado em 1809, com uma zarzuela. A primeira ópera só lá foi apresentada na temporada 1814/1815.
Durante o cerco do Porto, foi bastante danificado pela artilharia miguelista pelo que teve de sofrer grandes obras entre 1835 e 1838.


 
 

Real Teatro S. João em 1905 (postal) – Ed. Tabacaria Arnaldo Soares

 
 

Interior do Real Teatro S. João, antes do incêndio – Foto Guedes
 
 
 
A planta do teatro era em forma de ferradura com o tecto, redondo, pintado por Joaquim Rafael, com uma nova pintura de Paulo Pizzi, em 1856.
Tinha quatro níveis de camarotes e, no segundo, possuía uma sala para concertos.
O pano de palco foi pintado por Sequeira, sendo substituído em 1825, por um do espanhol João Rodrigues, ao qual sucedeu um outro de Palucci.
A iluminação, até 1838, foi de velas de sebo e, mais tarde, de azeite.
Na noite de 11 para o dia 12 de Abril de 1908, um violento incêndio reduziu o Real Teatro S. João a escombros.


 

Real Teatro S. João, após o incêndio


 
 

Real Teatro S. João - Gravura, em O Tripeiro 5ª Série, Vol I, pág 119



 

 
Real Teatro S. João, antes do incêndio


 

 
 
 
Na foto anterior está, em primeiro plano, um fontanário/ candeeiro.
Em 1910, o arquitecto Marques da Silva concebia o risco do novo teatro portuense, vindo este a ser concluído em 1918.
A estrutura interior do original Real Teatro de S. João era semelhante à do Teatro de São Carlos, e a sua composição próxima dos teatros de tipo italiano que, na época, se tinham estabelecido como regra de sucesso.
O novo Teatro S. João foi inaugurado a 7 de Março de 1920 e, em 1992, foi adquirido pelo Estado português.
Entretanto, a 18 de Junho de 1932, a sala de espectáculos abriria, após obras importantes para adaptação a novas formas artísticas - o cinema. Foi, então, levado à cena, em estreia, o filme de Georg Wilhelm Pabst "Atlântida".
Na noite de 6 de Maio de 1936, quando na Europa se começava a viver a subida do poderio nazi, a cantora chilena com vida artística feita sobretudo na Alemanha, Rosita Serrano, exibe-se no Teatro S. João para delícia da burguesia portuense.
E espectáculos de todo o género foram acontecendo nesta sala portuense de eleição ao longo dos anos.
Em 2012, o teatro foi reclassificado como monumento nacional. A reclassificação, aprovada em Conselho de Ministros, a 24 de Maio, foi publicada em Diário da República no dia 10 de Julho de 2012.
O actual edifício, de aspecto robusto mas sem estilo definido, é composto por uma imponente frontaria guarnecida por quatro colunas jónicas, entre as quais se abrem três janelas de arco pleno e outras tantas portas.
Internamente, a decoração da sala de espectáculos e principais salões ficou a cargo dos pintores Acácio Lino e José de Brito e dos escultores Henrique Moreira, Diogo de Macedo e Sousa Caldas, sendo estes dois últimos responsáveis pelas quatro figuras alegóricas colocadas no friso do entablamento e que representam a Bondade, a Dor, o Ódio e o Amor.
Hoje, o edifício totalmente reconstruído é um dos principais edifícios da cidade e local de realização dos principais espectáculos culturais.
 
 
 
A reconversão do antigo Real Teatro para o novo Teatro S. João
 
 
Em 1909, a cidade começa a empreender a tarefa de reerguer um novo teatro.
Assim, em 3 de Junho de 1909, são registados no 4º Cartório Notarial do Porto os estatutos da Sociedade do Teatro de S. João. São outorgantes, decidindo formar uma sociedade anónima de responsabilidade limitada, com sede no Porto, sem sucursais, e com a denominação de Sociedade do Teatro de S. João:
 
 
“ (…) o Dr. Adolfo da Cunha Pimentel, à época Governador Civil do Porto, casado, residente na Rua do Príncipe, Bento de Sousa Carqueja, casado, lente da Academia Politécnica do Porto e jornalista, residente na Rua da Alegria, Arnaldo de Sousa Moreda, casado, proprietário, residente na Rua de S. Jerónimo, Pedro Mariani Pinto, casado, proprietário, residente na Rua do Barão do Corvo (Gaia), António Joaquim Machado Pereira, casado, proprietário, residente na Rua de S. Roque da Lameira, Alberto Nunes de Figueiredo, casado, proprietário, residente na Rua do Crasto, este outorgante por si e na qualidade de procurador do Dr. Ricardo Pinto da Costa Bartól, conde de Lumbrales, solteiro, maior, capitalista, residente na Rua da Picaria, António Pedro Augusto da Costa, casado, negociante, residente na Rua de Fernandes Tomás, João Baptista de Lima Júnior, casado, negociante e proprietário, residente na Rua do Monte Crasto, Dr. Álvaro de Vasconcelos, casado, advogado, residente na Avenida da Boavista, António da Silva Marinho, viúvo, industrial e proprietário, residente na Rua da Piedade, Eduardo Honório de Lima, casado, industrial e proprietário, residente na Rua de Cedofeita, João Gomes do Espírito Santo, casado, oficial do exército e residente na Rua do Sol, Manuel Reis, solteiro, negociante, residente na Rua da Alegria, José de Oliveira Basto, casado, negociante, residente na Rua de Santa Catarina, Ezequiel Ribeiro Vieira de Castro, casado, negociante e proprietário, residente em Ermesinde (Valongo), António da Silva Cunha, casado, negociante, residente na Rua de Santa Catarina.”
Cortesia de Maria José de Sousa Ferraria (2000)

 
Após alguns re-arranjos na repartição do capital accionista e após alguns aumentos de capital, o novo teatro é inaugurado em 22 de Janeiro de 1920.
Assim, em 22 de Janeiro de 2020, aconteceu o primeiro centenário daquele que, agora, é denominado Teatro Nacional de S. João.
 
 
 
 

Construção do novo Teatro S. João

 
 

Novo Teatro S. João, c. 1920 (postal) – Ed. Tabacaria Africana

 
 
Quatro anos após a inauguração do novo Teatro S. João, a capela de Nossa Senhora da Batalha, que lhe era fronteira, foi mandada demolir.
Essa capela foi construída (c. 1799) para substituir uma outra, bem próxima, que dataria de 1686, e que tinha passado a albergar uma imagem da santa, que estava numa edícula, localizada na Porta de Cima de Vila da muralha fernandina.

 
 

Capela de Nossa Senhora da Batalha, à direita e, atrás, o Real Teatro S. João
 
 
 
 

Capela de Nossa Senhora da Batalha, c. 1900 – Ed. Aurélio da Paz dos Reis

domingo, 3 de dezembro de 2023

25.215 Praça da Batalha e algumas das suas requalificações

 
Em pleno século XIV, grande parte das construções da cidade já se encontravam do lado de fora da muralha primitiva, que se limitava a proteger o morro da Sé.
Foi a vulnerabilidade do burgo a eventuais ataques, nomeadamente, à sua zona ribeirinha, que levou à construção de uma nova muralha no século XIV, bastante mais extensa do que a anterior.
Começada no reinado de D. Afonso IV, a muralha só seria concluída em 1376, já no reinado de D. Fernando (1345-1383), razão pela qual a cerca defensiva ficou conhecida como Muralha Fernandina.
No século XVI, a área da cidade junto da Porta de Cima de Vila era referida como o Campo do Pombal e, mais tarde, por Terreiro de Nossa Senhora da Batalha.
Da porta de Cima de Vila saía um caminho para o Bonfim, Valongo e Penafiel que passava pelo adro da ermida de Santo Ildefonso (mais tarde, igreja da mesma invocação) e, um outro, que pelo Arrabalde (S. Lázaro) rumava a Campanhã.
Na realidade, cerca de 1600, já existiria, do lado de fora das muralhas, junto da porta de Cima de Vila, uma capela.
Antes, como era habitual, no interior da muralha fernandina, já se prestava o culto à imagem daquela invocação (exibida numa edícula) e, ainda, à Senhora dos Remédios.
No século XVIII, a área sofreu grandes transformações, na sequência da decisão de demolir a muralha, tendo sido deliberado, em 1792, transferir a referida capela para um local mais próximo do Real Teatro S. João, para um sítio de "umas casas velhas e caídas que foram de João Pereira Falcão e terreno a elas contíguo".
A nova capela foi erguida em 1799 e acabaria por ser demolida, em 1924, durante uma outra intervenção urbanística.


 
 

Capela de Nossa Senhora da Batalha, no seu local derradeiro, c. 1900

 
 

Capela de Nossa Senhora da Batalha, observando-se, ainda, o Real Teatro S. João, c. 1900

 
 
Seria nos finais do século XVIII, quando foi edificado o "Palácio da condessa de Pangim" chamado, mais tarde, palacete dos Guedes da Quinta da Aveleda e erigida a nova capela de Nossa Senhora da Batalha, que a praça foi alvo de melhoramentos importantes.
Acresce que, em 1796, já tinham arrancado as obras para construção do Real Teatro de S. João, que vai ser inaugurado no dia 13 de Maio de 1798 (data de aniversário do futuro rei D. João VI).
Para que fosse possível levantar o teatro, foi necessário derrubar um troço da muralha fernandina e, ainda, expropriar cinco prédios que por lá existiam.
Em 1793, seria, então, derrubada, também, a porta de Cima de Vila.
O texto que se segue dá uma ideia de como eram vividas as visitas pelos portuenses ao Real Teatro S. João.
 
 
“Não era sem certos cuidados que algumas famílias se dispunham a ir ao teatro. A mãe dá ordem à criada que faça a ceia; o pai diz ao galego que ponha duas velas de cêbo no lampião de folha. Apenas o jantar terminou e o último palito fez a limpeza dentária, vai a família dormir a sesta, porque tem de perder a noite. À hora própria lá segue a família para o teatro, porque é bom ir cedo e sem fadiga. O chefe de família leva duas pistolas no bolso para o que der e vier; atrás, a criada com o merendeiro, os frangos assados, a vitela, as azeitonas, a pingoleta etc. Chegam as damas ao camarote, estendem as mantilhas de lapim para fora da borda e colocam-nas cuidadosamente nuns arcaicos lanceiros de pau que havia nos camarotes; ao fundo a criada senta-se junto ao cesto da ceia. Os espectadores começam a encher o teatro e o Aniceto vem distribuir pelas estantes da orquestra os diversos papéis da partitura; trabalho que faz pacificamente, excepto se algum frequentador das varandas lhe grita de lá; - Oh Clemente, quebraste a infusa! – porque então o homem perde a cabeça, troca os papeis e dá por paus e pedras.
Os janotas cumprem a sua elegante missão de conquistadores; as damas choram ou sorriem, como as situações da peça o exigem; à hora própria, aproveitam-se os intervalos para a ceia e tudo corre no melhor dos mundos, se os artistas não desafinam e se as tormentas teatrais não provocam as pateadas.
Que velhos costumes e clássicos hábitos da velha sociedade que dormia a sesta e ia cear ao teatro!” 
In revista “O Tripeiro”, Volume V
 
 
 

Teatro S. João - Gravura em revista “O Tripeiro”, 5ª Série, Vol I, pág 119

 
 

Desenho do interior do primitivo Teatro S. João


 
 

Planta da Praça da Batalha, em 1854
 
 
 
 
Legenda:
 
B – igreja de Santo Ildefonso;
C – Palacete da condessa de Pangim;
D – Capela de Nossa Senhora da Batalha;
E – Real Teatro de São João;
1 – Rua de Santa Catarina;
2 – Rua de Santo António (actual 31 de Janeiro);
3 – Rua de 23 de Julho (actual Rua Santo Ildefonso);
4 – Calçada da Teresa (actual Rua da Madeira);
5 – Rua de Cima de Vila;
6 – Travessa de Cima de Vila;
7 – Travessa do Cativo;
8 – Rua de Augusto Rosa;
9 – Rua de Entreparedes
 
 
 
Entretanto, no ano de 1860, um edital do Governo Civil determinou que a Praça da Batalha passasse a englobar o denominado Largo de Santo Ildefonso (fronteiro à igreja).
A Praça da Batalha passa a contemplar dois espaços.
Um deles, o antigo Largo de Santo Ildefonso, tem a forma trapezoidal orientado no sentido Nordeste – Sudoeste e é dominado pela igreja de Santo Ildefonso.
O outro, orientado no sentido Noroeste – Sudeste, é longilíneo e limitado a Norte pelo antigo Palácio da condessa de Pangim e o Cinema Batalha e, a Sul, pelo Teatro Nacional de S. João, com a estátua de D. Pedro V dominando o espaço, com implantação descentrada.
Na década de 1860, a Praça da Batalha é alvo de uma nova intervenção importante como resultado da instalação no local de uma estátua em memória de D. Pedro V.
Assim, o monumento da autoria de Teixeira Lopes, pai (1837-1918), cuja primeira pedra foi lançada em 11 de Julho de 1862, pelo general visconde de Rivas, seria inaugurado em 1866.
Para isso, o local teve que ser alvo de um desaterro, que implicou que o Palácio da condessa de Pangim ficasse com o seu piso térreo a uma cota mais elevada. A solução foi atribuir uma indemnização aos proprietários para um rebaixamento interior daquele piso.
 
 
 
 

Imagem, mais remota, que existe do Palácio da condessa de Pangim – Gravura de Joaquim Villanova de 1833


 
 

Nesta foto, em comparação com a gravura anterior, é possível adivinhar o desaterro a que a área foi sujeita, pela altura das janelas do 1º piso

 
 
 
Um pouco antes, em 1853, já o pavimento que, até aí, era de pedra miúda e com passeios muito irregulares, seria inteiramente substituído por macadame.
Foram, então, delimitadas as vias de circulação e criada uma plataforma central em calçada portuguesa, demarcada com árvores, definindo um espaço de estar.
Em conclusão: no centro da praça, foi colocado, o monumento de homenagem ao rei D. Pedro V (1837-1861).
Em meados do séc. XIX, a praça já era zona de hotéis, restaurantes e cafés e, assim, continuaria, até à chegada do novo século.
O grande surto urbanístico da Batalha começou, em 1881, quando se deu início aos trabalhos de construção da ponte de Luís I, que culminou com a inauguração, em 1886, do tabuleiro superior e com a conclusão, em 1888, do seu tabuleiro inferior.
Em sequência, para permitir o acesso da Praça da Batalha às Fontainhas, em 1887, foi aberta a Rua Nova da Batalha, actualmente designada por Rua de Alexandre Herculano.


 
 

Praça da Batalha, em 1898

 
 
Na madrugada de 11 para 12 de Abril de 1908, um violento incêndio reduziria o Real Teatro de São João a um montão de escombros calcinados. Poucos anos depois, iniciou-se a construção de um novo edifício, a cargo do arquitecto José Marques da Silva (1869-1947). A obra foi uma oportunidade para o realinhamento dos prédios das imediações, com o objectivo de aumentar o espaço que antecedia o teatro.
Em 1913, sucedendo à sala de projecção do cinema Salão High Life, vinda da Cordoaria, e onde esteve sedeada, antes, "A Construtora", de Campos & Morais, armazém de ferragens e materiais de construção, surgiria o novo edifício do Cinema Batalha que iria dar origem, em 1943, a um outro, que ainda hoje existe.
A 7 de Março de 1920, era inaugurado o novo Teatro S. João.
Em 1924, foram demolidos diversos edifícios, incluindo a capela que albergava a imagem de Nossa Senhora da Batalha, que passou para a Casa do Cabido da Sé do Porto, onde ainda se encontra.


 
 

Praça da Batalha, c. 1923

 
 
 Na década de 1950, atendendo a um aumento do trânsito auto, foi derrubada uma parte das árvores existentes, e a placa central passou a ser uma simples passagem de transportes públicos, ficando as vias periféricas para o trânsito auto.


 
 

Praça da Batalha, em 1950 – Bilhete postal


 
 

Praça da Batalha, em 1962
 
 
 
A situação descrita vigorou até 1982, quando aconteceram obras de certa monta, na sequência de um novo projecto camarário.

 
 
 

Praça da Batalha, em obras de requalificação, em 1982
 
 
 
A Praça da Batalha é, então, dotada de um pavimento tipo “calçada portuguesa”.

 
 

Praça da Batalha, c. 1985 – Bilhete postal
 
 
 
A última intervenção na praça vai ocorrer aquando da realização do evento “Porto - capital europeia da cultura, em 2001”.
O projecto para este local da cidade, é da autoria dos arquitectos Adalberto Dias (n.1953), Fernando Távora (1923-2005) e Bernardo Távora (n.1958).
Do que foi proposto, seria reintroduzida uma plataforma central e um novo alinhamento de novas árvores.
O átrio do Teatro Nacional de S. João seria prolongado para o exterior, a exemplo do que acontecia no século XIX.


 



Teatro Nacional de S. João e o seu acesso principal, actualmente
 
 
 
 
A estátua de D. Pedro V sofreria um reposicionamento, passando a situar-se no enfiamento da entrada do antigo Palácio da condessa de Pangim, agora, um hotel.


 

Praça da Batalha, em Maio de 2000 – Cortesia de Paula Catrica
 
 
Uma fonte circular passou a estabelecer a articulação com o espaço fronteiro à igreja de Santo Ildefonso.


 

Praça da Batalha, após intervenção em 2001, observando-se a estátua no seu novo poiso e a nova fonte circular – Cortesia de Paula Catrica
 
 
 
No que à área adjacente à igreja diz respeito, ficaram por recolocar as escadas entre a igreja de Santo Ildefonso e a Rua de 31 de Janeiro e, ainda, o obelisco que lá esteve até há cerca de 100 anos e, entretanto, foi recolhido no terreno interior, que foi antigo cemitério.



 
 

Igreja de Santo Ildefonso ostentando o seu obelisco e com escadaria comunicando com a Rua de Santo António – Gravura de Joaquim Villanova em 1833
 
 
 
 

Igreja de Santo Ildefonso, c. 1910, com a escadaria de ligação à Rua de Santo António, encimada com o icónico obelisco – Ed. Alvão
 
 
 
Nesta última requalificação na praça seria introduzido o serviço de carros eléctricos, num canal central e, na periferia, uma via para veículos automóveis.

 
 

Praça da Batalha, actualmente

terça-feira, 13 de junho de 2017

(Continuação 5) - Actualização em 05/11/2019, 29/04 e 01/10/2020


Diz a tradição que, no século X, este local foi palco de uma sangrenta batalha entre os sarracenos de Almançor e os habitantes do Porto, que acabariam por sair derrotados, originando o arrasamento da cidade.
Dizem outros historiadores que o nome de "Batalha", dado à praça, evoca uma sangrenta ba­talha que por ali se terá travado no século X, entre as tropas cristãs do conde Herme­negildo e as hostes mouras de Abderramão III.
Uns topónimos antigos ligados ao local são os de Campo do Pombal e Terreiro de Nossa Senhora da Batalha (meados do século XVII).



“A mais antiga referência que se conhece ao Campo do Pombal data de 1590 e consta, de um documento, em que se diz que o tal "campo" era "… todo cercado sobre si (todo murado) entestando (confinando) da parte do sul com a estrada que vai entre as paredes (actual Rua de Entreparedes) para S. Lázaro; e da banda da cidade com o rio de Nossa Senhora da Batalha".
Aquilo que no documento aparece como sendo "o rio de Nossa Senhora da Batalha", não passava de um simples riacho cuja água, proveniente do manancial do então chamado "Campo de Mijavelhas" (actual Campo de 24 de Agosto), alimentava um pequeno chafariz que ficava da parte de fora da muralha.
Tendo em conta as limitações apresentadas para a localização do tal "Campo do Pombal", não é difícil concluir, tendo em conta a situação da actual Praça da Batalha, que essa propriedade ficava onde agora está o palacete que foi da família Guedes, da Quinta da Aveleda, em Penafiel, antiga sede da estação central dos CTT”.
Germano Silva – Fonte: “ruasdoporto.blogspot.pt”


No ângulo sudoeste da actual praça ficava situada a Porta de Cima de Vila da muralha fernandina, junto da qual, ficava a Capela de Nossa Senhora da Batalha, que aí estava c. 1600.
É provável que nos começos do século XV ainda não estivesse levantada aquela primitiva capela, junto à Porta da Batalha em Cima de Vila, mas aí, já existia, o culto à imagem daquela invocação, bem como, a uma outra imagem de Nossa Senhora dos Remédios, veneradas na torre junto a essa Porta. Essas imagens, segundo a tradição teriam juntamente com uma outra de Nossa Senhora da Vandoma e venerada na Porta de Vandoma, sido trazidas, de França, pelos Gascões.


Nossa Senhora de Vandoma



Porta da Batalha em gravura de Gouvea Portuense



A planta abaixo, apresenta a capela de Nossa senhora da Batalha alguns anos antes de ser demolida e transladada.



Planta de 1789 de Teodoro Maldonado em que está representada a Capela de Nossa Senhora da Batalha (G), à saída da Porta de Cima de Vila (P) – Fonte: AHMP




No século XVIII, a zona sofreu grandes transformações, sendo demolida a muralha e tendo uma capela sido levantada em 1799, um pouco mais adiante, que seria demolida em 1924. 





Capela Nossa Senhora da Batalha (demolida em 1924)



No século XIX, ainda se realizavam im­portantes feiras e mercados nos terrenos da Praça da Batalha.
Em 1834, há notícia de que no espaço compreendido entre o palacete dos Guedes (antiga estação dos correios) e a entrada da Rua de Santo Ilde­fonso, se fazia, diariamente, um mercado onde se vendiam, essencialmente, frutas, flores e legumes. 
Mais ou menos, junto à escadaria de acesso à entrada principal da igreja paro­quial era costume, por aquele ano, as pa­deiras de Campanhã montarem as suas bancas para a venda do pão que traziam ao Porto. A par com as padeiras, também ali se concentravam, com as suas canas­tras cobertas com uma rede de arame, as lavradeiras de S. Cosme e de Valbom para a venda de galinhas, pintos, patos e ou­tras aves. Era na Praça da Batalha que também se realizava a feira do carvão, da palha e da lenha. Uma feira muito importante para a época, se tivermos em conta que nela se comercializavam os principais produtos produtores de energia, a lenha, o carvão e a palha, a base alimentar dos animais que eram utilizados nos veículos de transpor­te de pessoas e de mercadorias. Esta fei­ra, em 1838, foi transferida para o Largo do Actor Dias, junto do pano da muralha fernandina. 
O grande surto urbanístico da Batalha começou, a bem dizer, em 1881, quando se deu início aos trabalhos de construção da ponte de Luís I, que culminou com a inauguração em 1886, do tabuleiro superior e com a conclusão em 1888, do seu tabuleiro inferior.
Em meados do séc. XIX, a praça era zona de hotéis. Havia o Águia d’Ouro, o Estanislau (à esquina com a Rua da Madeira), o Nova Itália diante do Teatro S. João e ainda, o Hotel Universal, o Hotel Sul-Americano, o Hotel Estrela, o Hotel Floresta das Camélias e alguns outros, na Rua de Entreparedes e imediações.


Praça da Batalha com Hotel Universal ao fundo à direita




À direita, com mastro de bandeira, o edifício onde se instalaria o cinema Águia Douro, entretanto, desactivado




Praça da Batalha c. 1915



De notar, na foto anterior, que a circulação e o estacionamento se fez pela esquerda, até 1928.




Teatro S. João


À esquerda da foto acima, vê-se o terreno de implantação de Messe dos Oficiais. Escondida no canto direito ainda se vê uma pequena parte da igreja da Nossa Senhora da Batalha.



Teatro S. João e Messe dos Oficiais, à esquerda



À direita, na foto acima, pode ver-se o edifício do Teatro Nacional de S. João, construído entre 1911 e 1920, no local onde existiu o primitivo de 1794, destruído num incêndio em 1908.
Ao fundo, o edifício da Messe dos Oficiais (inaugurada em 15 de Setembro de 1926), onde esteve o Hotel Universal, tendo as suas instalações sofrido, para o efeito, uma ampliação.
Pelo meio dos dois edifícios está a Rua Augusto Rosa, de hoje, por onde passava a muralha fernandina.




Foto actual da Praça da Batalha



Tabacaria Alberto Ferreira



Na gravura acima, na Praça da Batalha, na esquina da Rua Entreparedes com a Rua Alexandre Herculano o prédio onde coabitaram o Hotel Continental e, no rés-do-chão, à esquerda, a tabacaria Alberto Ferreira.



Lado poente da Praça da Batalha



Neste lado da praça se instalaram, ao longo dos anos, os cafés Comuna, Leão d’Ouro, Chave d’Ouro e Tropical: os hotéis, Grande Hotel Portuense, Hotel Sul-Americano, Grande Hotel do Império; a “Casa de Espanha” e a “Escuela Española”, a partir da década de 1920, sob o comando de Manuel Recarey, o dono do Restaurante Comercial. Em 5 de Novembro de 1932, a Casa de Espanha inaugurava, com um grandioso baile, a sua nova sede; o Restaurante Stanislau, da cozinheira Gertrudes e o Orfeão do Porto, etc.





À esquerda, parcialmente visível, o edificado a poente


De notar, na foto acima, que a igreja está desprovida de azulejos e o espaço fronteiro está arborizado. Um “Americano” desliza pela praça.



Praça da Batalha, na viragem para séc. XX



Lado poente da Praça da Batalha, em 1906


Na foto editada, o primeiro prédio à direita ainda existe, sendo aquele que é contíguo ao do antigo Café Chave d’Ouro e que, passado cerca de 15 anos sobre a data da foto albergava, no seu rés-do-chão, a camisaria Perdigão.

À esquerda da foto, observa-se uma pequeníssima nesga do prédio que faz esquina com a Rua da Madeira e que também subsiste.
O que se lhe segue, parcialmente visível (simétrico em relação ao eixo vertical do quiosque) é o que albergou o Grande Hotel Portuense, primeiro e, depois, a “Casa de Espanha”, tendo sido demolido, posteriormente, para ampliar o Grande Hotel do Império, que substituiria, no local, o Hotel Sul-Americano, que foi propriedade do brasileiro de torna-viagem, Álvaro de Azevedo.




Grande Hotel Portuense


Em 1925 e 1927, o proprietário do Grande Hotel Portuense, Augusto Guilherme Vasques, ainda solicitava à Câmara do Porto, naquela qualidade, obras para o prédio do hotel.




Instalações da Casa de Espanha e Escuela Espanhola, na Praça da Batalha, c. 1930 - Fonte: AHMP

 

O empresário Álvaro Azevedo, em Novembro de 1911, já proprietário do hotel, entrega pedido de licença na edilidade de modo a remodelar o Hotel Sul-Americano, que obteve a licença de obra nº 440/1912, tornando-o um dos melhores hotéis da cidade.

A decoração evocava vários motivos inspirados na América do Sul sendo, por isso, muito procurado por visitantes oriundos daquelas paragens.
O mobiliário foi elaborado pela casa portuense, “Correia d’Abreu”, sendo usado a nogueira e o freixo americano.
Durante as obras de beneficiação das instalações em causa, foi feito o aproveitamento do primeiro prédio (que se seguia ao que albergou o Hotel Portuense) que manteria o rés-do-chão, os três pisos e águas furtadas e absorveria, ainda, os prédios que lhe eram contíguos até, inclusive, àquele, um pouco esguio, que se encontra meio escondido pela estátua de D. Pedro V.
O conjunto edificado manteria, no entanto, a arquitectura do que tinha sido aproveitado.

 

 


Interior do Hotel Sul-Americano

 

 


Sala de Jantar do Hotel Sul-Americano

 

 


Publicidade ao Hotel Sul-Americano, em 1935

 

 

Na 2ª metade do ano de 1944, o Hotel Sul-Americano foi adquirido por Joaquim Ribeiro de Almeida, dando lugar ao “Grande Hotel do Império”.

 


Grande Hotel do Império antes da ampliação – Cortesia do arquitecto Ricardo Figueiredo

 

 


Praça da Batalha e sinaleiro a controlar o trânsito. O Grande Hotel do Império, ao fundo, ainda não foi ampliado

 

O hotel seria, pouco depois, ampliado.
Na execução do projecto subjacente, o prédio a meio da foto anterior, onde esteve alojado o Grande Hotel Portuense e, posteriormente, a “Casa de Espanha” e a "Escuela Espanhola", foi demolido para ser feita a respectiva ampliação, juntando-se, deste modo, às antigas instalações.
O resultado da intervenção foi o aparecimento de um hotel luxuoso e de referência da cidade, inaugurado em 14 de Julho de 1945, com a presença da esposa do Presidente da República, Fragoso Carmona, passando a pertencer à Empresa Nacional de Turismo, dirigida por Aníbal Contreras. 
A nova unidade hoteleira seria, inclusive, mencionado no filme “O Leão da Estrela”(1947).
Entretanto, a Casa de Espanha haveria de rumar a S. Lázaro, ocupando um 1.º andar, junto da garagem Galiza, onde as duas comunidades ibéricas se conheciam em animados bailes.
Hoje, no local, está o hotel “Quality Inn”.

 

Hotel “Quality Inn”

 







Este palacete, situado no lado oriental da praça, foi construído no início do século XIX, por iniciativa do fidalgo da Casa Real e cavalei­ro da Ordem de Cristo José Anastácio da Sil­va da Fonseca, que estava casado com D. Joana Meireles Guedes de Carvalho, senho­ra da casa da Aveleda, em Penafiel.
José Anastácio da Silva da Fonseca comprou a morada aí existente, em 1826, ao filho de António de Melo Correia, tendo-o este adquirido, em arrematação, no Juízo dos Orfãos da cidade do Porto, em 1799. 
Quan­do as tropas do Exército Libertador coman­dadas pelo rei D. Pedro IV entraram no Por­to, na manhã do dia 9 de Julho de 1832, o imóvel já pertencia a Manuel Guedes da Silva da Fonseca Meireles de Carvalho (1802-1870), casado com D. Maria Leonor Teresa da Câmara, que, três anos antes, acabava de ser agraciada (29 de Setembro de 1829) com o título de condessa de Pangim, como recompensa pelos altos serviços pres­tados por seu pai na Índia. A partir daí, o imóvel da Praça da Batalha também passou a ser conhecido pela designação de "palácio da condessa de Pangim". Abandonado pelos seus donos, que se retiraram para a sua quinta da Aveleda, em Penafiel, logo a seguir à chegada ao Porto de D. Pedro IV, o palácio foi ocupado pelos liberais, que nele instalaram várias repar­tições militares e civis. 
Foi aqui que Bernardo de Sá Nogueira, mais tarde Marquês de Sá da Bandeira, foi internado após ter sido gravemente ferido, acabando por ver ser-lhe amputado o braço direito ferido.
Em 1842, foi restituído aos antigos donos e, em 1861, quando a Câmara mandou terraplanar o largo, para nele colocar a estátua de D. Pedro V, o palácio ficou cerca de um metro mais alto que o pavimento da praça. 
À data, já era proprietário do palácio Manuel Guedes da Silva da Fonseca Meireles de Carvalho (1837-1899) casado com Maria Filomena de Figueiredo de Lacerda Castelo Branco (1843?-1862). 
A Câmara atribuiria ao proprietário 800 mil réis de indemnização, dinheiro usado para rebaixar o pavimento do palácio, o que é bem visível na configuração das janelas do andar térreo.
Em 25 de Fevereiro de 1863, o jornal «O Anunciador» dava conta da realização de um grande leilão de mobílias no «palácio da Praça da Batalha, 62 (…) rendeu esse leilão a quantia de 8.408$284 rs.»
Em 1873, quando o proprietário já tinha realizado um segundo matrimónio com Maria do Carmo Palha de Faria Lacerda (1838-1904), o palacete estava, em parte, arrendado para funcionamento da estação telegráfica e, em 1877, por lá se fixaram os restantes serviços daquela estação, que vinham funcionando na Casa Pia.
Em 1881, a Administração dos Correios instalou-se também no palacete, após o proprietário o ter vendido por 47000$000 réis.





Palacete dos Guedes da Aveleda, na Praça da Batalha, em 1833 – Gravura de J. Villanova




Pela gravura acima, pode observar-se que, para o nivelamento do terreno em frente do palacete, foi necessário fazer um desaterro.
Na década de 1860, o edifício já estava alugado ao Estado, conforme se pode ler no texto que se segue.



«A casa então já era pertença de Manuel Pedro Guedes da Silva da Fonseca Meireles de Carvalho, moço fidalgo da Casa Real com exercício no Paço, senhor da Casa da Aveleda (...), que o alugou ao Estado pela renda anual de 1.200$000 rs., e depois a vendeu, para instalação da estação dos Correios, Telégrafos e Telefones, que ainda lá se encontra, aguardando desde há muito tempo transferência para novo edifício, a construir no cimo da Avenida dos Aliados (...).
Há relativamente poucos anos, na administração geral dos Correios e Telégrafos não existia a escritura de compra, pelo que esse departamento do Estado chegou a suspeitar que o prédio não tivesse sido vendido, mas simplesmente alugado, e assim o comunicou à família Guedes. Ao cabo porém, de várias pesquisas (...), foi encontrado o respetivo documento na Torre do Tombo, não restando portanto nenhuma dúvida sobre a transação efetuada».
Cortesia de Nuno Cruz (Excerto de um artigo do Brigadeiro Nunes da Ponte, in O Tripeiro de Fevereiro de 1952)



Em 13 de Março de 1870, faleceu, repentinamente, Manuel Guedes da Silva da Fonseca, com 60 anos, casado com a Condessa de Pangim.




Palacete dos Guedes em 1900


Palacete dos Guedes da Aveleda em 1905 – Ed. Alberto Ferreira, Tipographia Peninsular; Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”



Palacete antes da última intervenção



Palacete dos Guedes, actualmente


O povo conhece-o por Palacete dos Guedes, da Quinta da Aveleda, em Penafiel.
Aqui, realizaram-se os mais sumptuosos bailes, no fim do séc. XIX.
Estação Central dos Correios, Telégrafos e Telefones, ao longo de grande parte do século XX, em 2009, o edifício foi vendido ao grupo hoteleiro Hotel Dona Inês e, hoje, é um hotel de 4 estrelas - NH Collection Porto Batalha.
A praça é, desde 1866, dominada pelo monumento a D. Pedro V, da autoria de Teixeira Lopes, pai.




Estátua de D. Pedro V


Na praça está também localizado o Teatro Nacional S. João e o Cinema Batalha.
A operação de reabilitação urbana realizada no âmbito do Porto 2001 envolveu a Praça da Batalha, o Largo Santo Ildefonso, a Rua 31 de Janeiro, Rua Augusto Rosa e Largo 1º de Dezembro, e foi coordenada pelo Arqº Adalberto Dias, tendo colaborado ainda os Arq. Fernando Távora, Alvaro Siza, Souto de Moura, Alcino Soutinho e J. Pedro Xavier.




Teatro S. João


O Teatro Nacional de S. João da cidade do Porto é uma magnífica obra de arquitetura do século XX. No entanto, o primeiro edifício, destruído por um incêndio, foi baptizado com o nome do mesmo santo e seria erguido nos finais do século XVIII. Ainda antes do antigo Teatro de S. João, o Porto teve outro importante palco de espetáculos que se situava numa das dependências do demolido Palácio dos Condes de Miranda, Marqueses de Arronches e Duques de Lafões - casa de espectáculos particular aberta em 1760. Na sua inauguração foi levada à cena uma ópera lírica para homenagear o casamento de D. Maria I com D. Pedro. Este teatro foi riscado por João Glama Stroberle, auxiliado pelos artistas José Régióli, Francisco José, João André Chiape, Veríssimo Nunes, Domingos Teixeira Barreto e José dos Santos Cartaxo.
Contudo, o Porto merecia um mais amplo e condigno espaço cultural. Com efeito, o Corregedor Francisco de Almada adquire parte do terreno da muralha fernandina, na zona da actual Praça da Batalha. As obras arrancam em 1796 e o Teatro de S. João é inaugurado no dia 13 de Maio de 1798 (data de aniversário do futuro rei D. João VI), apesar de as obras ainda não estarem totalmente concluídas, com a comédia "A Vivandeira", motivo este, por que, nos primeiros tempos, ainda lhe deram o nome de Teatro do Príncipe.
A autoria do projecto coube ao arquiteto Vicente Mazzoneschi, não sendo particularmente significativa a sua configuração arquitectónica.
A estrutura interior do original Real Teatro de S. João era semelhante à do Teatro de São Carlos, e a sua composição próxima dos teatros de tipo italiano que, na época, se tinham estabelecido como regra de sucesso.
Na passagem do dia 11 para o dia 12 de Abril de 1908, um violento incêndio reduziu o Teatro de S. João a escombros.


Teatro S. João - Gravura em O Tripeiro 5ª Série, Vol I, pág 119


 Real Teatro S. João antes do incêndio


Real Teatro S. João depois do incêndio - In portoarc.blogspot


Nas duas fotos anteriores está em primeiro plano um fontanário/ candeeiro.
No mesmo ano, o arquitecto Marques da Silva concebia o risco do novo teatro portuense, vindo este a ser concluído em 1918.
Foi inaugurado a 7 de Março de 1920 e, em 1992, foi adquirido pelo Estado português.
Entretanto, a 18 de Junho de 1932, a sala de espectáculos abriria, após obras importantes para adaptação a novas formas artísticas - o cinema. Foi, então, levado à cena, em estreia, o filme de Georg Wilhelm Pabst "Atlântida".
Na noite de 6 de Maio de 1936, quando na Europa se começava a viver a subida do poderio nazi, a cantora chilena com vida artística feita sobretudo na Alemanha, Rosita Serrano, exibe-se no Teatro S. João para delícia da burguesia portuense.
E espectáculos de todo o género foram acontecendo nesta sala portuense de eleição ao longo dos anos.
Hoje, o edifício totalmente reconstruído é um dos principais edifícios da cidade e local de realização dos principais espectáculos culturais.
Em 2012, o teatro foi reclassificado como monumento nacional. A reclassificação, aprovada em Conselho de Ministros, a 24 de Maio, foi publicada em Diário da República no dia 10 de Julho de 2012.
O actual edifício, de aspecto robusto mas sem estilo definido, é composto por uma imponente frontaria guarnecida por quatro colunas jónicas, entre as quais se abrem três janelas de arco pleno e outras tantas portas.
Internamente, a decoração da sala de espectáculos e principais salões ficou a cargo dos pintores Acácio Lino e José de Brito e dos escultores Henrique Moreira, Diogo de Macedo e Sousa Caldas, sendo estes dois últimos responsáveis pelas quatro figuras alegóricas colocadas no friso do entablamento e que representam a Bondade, a Dor, o Ódio e o Amor.




Praça da Batalha (junto ao Teatro S. João), em 1934. Partida em direcção à ponte Luís I, de uma etapa da V “Volta a Portugal” em bicicleta - In Ilustração Portugueza, de Setembro





Cinema Batalha


O Cinema Batalha é uma sala de espectáculos localizada na Praça da Batalha.
Na foto abaixo, no edifício parcialmente visível, à esquerda da mesma, esteve sedeada a firma "A Construtora", de Campos & Morais, armazém de ferragens e materiais de construção e, desde 1908, a sala de projecção de cinema Salão High Life.



“A Constructora”, de Campos & Morais



Em 1913, neste mesmo sítio, tomará o nome definitivo de Cinema Batalha, tendo sido sujeito o edifício, ao longo dos anos, a várias alterações que acabaram por modificar muito o seu aspecto inicial.




Antigo Cinema Batalha



Em 1947, o novo cinema Batalha foi inaugurado com projecto do arquitecto Artur Andrade.
Foi inaugurado, em 3 de Junho de 1947, sendo constituído por dois auditórios, um com capacidade para 950 lugares sentados (plateia 346, tribuna 222, balcão 382) e o outro, para 135 pessoas. Tinha ainda dois bares e um restaurante com esplanada.
Actualmente, o edifício é propriedade da família Neves Real.
Depois de seis anos, fechado, voltou a abrir ao público, em Maio de 2006, por arrendamento à empresa "Comércio Vivo", uma parceria da Câmara do Porto e da Associação de Comerciantes. 
A "Comércio Vivo" foi criada para gerir os cinco milhões de euros disponibilizados pelo grupo Amorim para compensar os comerciantes pela inclusão de um shopping no Plano de Pormenor das Antas.
Em 31 de Dezembro de 2010, o Gabinete Comércio Vivo entregou as chaves aos proprietários, no último dia do contrato de gestão.
A precisar de uma intervenção, o espaço ficou fechado por vários anos. 
Abriria, no final do ano de 2022, após sofrer obras de vulto, em consequência de um arrendamento do edifício pela parte da autarquia portuense, por 25 anos.



Terreno onde seria levantado o novo Batalha

Cinema Batalha




Igreja de Santo Ildefonso

A Igreja de Santo Ildefonso está localizada na Praça da Batalha, freguesia de Santo Ildefonso.
A igreja foi reconstruída a partir de 1730, por se encontrar em ruínas a primeira igreja, e ficou concluída em 1739, sendo dedicada a Santo Ildefonso de Toledo.
A fachada é composta por duas torres sineiras com dentilhões nas cornijas, rematadas em cada face por esferas e frontões de fantasia. Por cima do entablamento ergue-se o nicho do padroeiro. Guarnecem as paredes azulejos de Jorge Colaço (1932), com cenas da vida de Santo Ildefonso e alegorias da Eucaristia.
A nave é de tipo poligonal em estilo proto-barroco, com tecto em madeira e estuques ornamentais repetidos nas paredes. Os altares laterais são obras neo-clássicas e os colaterais são de talha rococó. O retábulo em talha barroca é rococó da segunda metade do século XVIII.

Igreja de St. Ildefonso

Estátua de D. Pedro V

A meio da praça está a estátua de D. Pedro V com farda de Tenente- General. Foi construída numa única e gigantesca base de granito e o trajeto desde a pedreira de Águas Santas até ao seu destino, de apenas 2km, demorou 14 dias.

Estátua de D. Pedro V – Ed. “portojofotos.blogspot.pt”

“D. Pedro V era filho da Rainha D. Maria II e nasceu em Lisboa no ano de 1837. Subiu ao trono em 1853 e faleceu em 1861, após um curto reinado. 
Fundou em 1859, o Curso Superior de Letras e em 1860, a Escola Normal. Distinguiu-se pela sua cultura e, apesar do reduzido período em que reinou, mostrou ser um governante desejoso de promover o progresso e o bem-estar das populações. 
Monumento com estátua de bronze, da autoria de J. J. Teixeira Lopes (pai) inaugurada em 1866, colocada na Praça da Batalha, mandado construir pela Câmara Municipal sendo lançada a primeira pedra em 11 de julho de 1862. O seu majestoso pedestal em forma octogonal, possui relevos em quatro faces, estando a principal orientada a poente e contendo os emblemas da religião, a face do lado oeste os emblemas da indústria, na face sul tem os emblemas da agricultura e do lado este tem os emblemas das artes. Todos estes lados são legendados. Nos oitavados assentam quatro almofadas, e sobre estas figuram as armas de Portugal, do Porto e de Saxe-Coburgo-Gotha. 
Fonte: portoxxi.com


A primeira pedra da estátua de D. Pedro V na Praça da Batalha foi colocada pelo General Visconde de Rivas, tendo sido enterrado com ela, um cofre com moedas cunhadas no tempo de D. Pedro V, o auto de inauguração em pergaminho e uma lâmina de prata com inscrições latinas.