quarta-feira, 5 de abril de 2017

(Continuação 9) - Actualização em 05/02/2021



“Na cidade do Porto persiste em funcionamento e em plena actividade o clube desportivo mais antigo do país, o Oporto Cricket and Lawn Tennis Club, fundado em 1855, uma das mais antigas agremiações dedicada ao remo e natação, o Clube Fluvial Portuense (1876) e o clube de golf mais antigo de toda a Península Ibérica, o Oporto Golf Club (1890). 
Em 1893 funda-se o Football Club do Porto de Nicolau de Almeida. De realçar, ainda, o Boavista Footballers, criado em 1 de Agosto de 1903, o Sport Progresso em 15 de Agosto de 1908 e o Sport Porto e Salgueiros em 8 de Dezembro de 1911, bem como o Leixões Sport Clube em 28 de Novembro de 1907 e o Sporting Clube de Espinho em 11 de Novembro de 1914”. 
Com a devida vénia a António Coutinho Coelho

“A patinagem foi introduzida no Porto por um grupo de rapazes ingleses aí por 1876. Começou na nave central do Palácio de Cristal. O futebol foi introduzido pelo Oporto Cricket Club, há muitos anos”.
In “O Tripeiro”, Volume 3, 20/8/1910


Em “O Porto de 1900”, Arnaldo Leite escrevia :


“Os rapazes de hoje (1951) não podem fazer ideia do que eram os desportos de há 50 anos. Havia clubes aguerridos e façanhudos, grupos antagonistas, intransigentes e facciosos que se defrontavam todos os domingos, terminando muitas vezes os desafios no meio de enorme pancadaria, com berros, apitos, prisões e umas pranchadas da guarda para acalmar os ânimos febris e entusiastas. Nós pertencíamos ao “Sporting Vermelho Rompe e Rasga” e tínhamos como principal inimigo, o “Desportivo Azul Fia-te Nisso”. Da nossa parte havia muitos clubes simpatizantes, entre eles, “O Sempre Para a Frente”, o “Botabaixo” e o “Bacalhau a Patacos”, este último, um dos mais populares e o que contava o maior número de adeptos. O nosso adversário tinha, igualmente, vários clubes amigos que defendiam as mesmas cores, como o “Não-Te-Rales”, o “Come e Dorme”, o “Deixa Correr”, etc”.

“Arnaldo Leite diz-nos que em 1900 os colégios formavam os alunos em ginástica livre, aplicada nas argolas, barras e paralelas. Ensinavam ainda esgrima que era um desporto praticado só pela aristocracia.
Na natação havia as grandes “piscinas” do Rio Douro e do Atlântico. Mas eram muitos os jovens que atravessavam facilmente o Douro. O remo, a equitação e o ciclismo eram outros desportos muito praticados, sendo este último o mais popular”.
In “portoarc.blogspot”




13.4 Os primórdios do ciclismo


A modalidade de Ciclismo tinha expressão pela organização de duas grandes actividades desportivas: as “Corridas” e os “Passeios”.
As corridas realizavam-se com as artérias citadinas como palco.
Alguns clubes eram então fundados e, em 1880, o Clube Velocipedista Portuense, a primeira agremiação velocipédica do nosso país, realiza em 18 de Julho daquele ano, uma corrida contra cronómetro, entre a Alameda de Matosinhos e o Passeio Alegre da Foz (o vencedor foi Aurélio Vieira que fez o percurso em 13 minutos e 8 segundos).
Em Novembro, nova série de provas, agora na Rotunda da Boavista.
Sobre elas, O periódico humorístico de Sebastião Sanhudo, o famoso “O Sorvete”, dizia: 
 
 
“- Palavra que gostei… velocípedes a toda a brida, música de Caçadores, Senhoras entusiasmadas, convidados formalizados, muito povo a aplaudir os “cavaleiros”, muita chalaça aos mais ronceiros, muita animação, muita reinação e, sobretudo, muita satisfação. 
Tudo muito bom… gostei; para outra vez, fico freguês”. E, dizia ainda:
“- Agradou-me a função; falo com o coração na mão! Carlos Soares, Luis Vilares, Camilo de Almeida e Minchin, estes sim!
O Puls, o Sousa e o Tugman levaram sempre a vantagem… de correr atrás dos outros, como quem vai na bagagem…”. 
“- Senão fosse o garoto do Minchin, um inglesito azougado, desembaraçado, desempenado e que parecia desengonçado, a palma da victória, a grande glória tinha cabido toda aos portugueses”. 
Transcrição de Artur de Magalhães Basto, em O Tripeiro Série V, Ano V

 
 

Michin, em 1880, como campeão do Porto



Não tardam a aparecer novos clubes ligados à modalidade como o Club de Velocipedistas do Porto, depois o Clube Velocipedista do Porto e o Real Velo Clube do Porto.
As provas sucediam-se e apareciam as revistas da especialidade, de que se destacava “O Velocipedista”, cujo 1º número saiu, em Março de 1893, por iniciativa do Clube Velocipedista do Porto.
 
 
 
“Almeida Barros e Magalhães Campos, realisaram domingo passado, pelas 4 e meia da manhã, a corrida em bicycletas, desde o Club, Campo Pequeno, Villar, Campo Alegre, rua de António Cardoso, Bellos Ares e Boavista e vice-versa. A aposta entre os dois era de 10$000 réis e a condição era que: o primeiro que desmontasse em qualquer subida, perdia.
Magalhães de Campos, na subida de Villar, quasi ao cimo, teve de desmontar, seguindo sempre Almeida Barros, que foi sempre montado. Era vigia por parte do sr. Campos, Ernesto de Magalhães e por parte do sr. Almeida Barros, o sr. Dias, que acompanharam sempre os corredores.
Juiz de partida e chegada – Vidal Oudinot, o qual entregou a quantia de 10$000 réis ao vendedor”. 
O Velocipedista – 1893
 
 
Os Passeios eram também notícia.
 
 
“Carlos Minchin, A. Machado, Peixoto, partiram para Braga no sabbado, em bicycleta, regressando domingo à noite, perfeitamente bem dispostos. Foram assistir às festas que a academia de Braga alli realisara”.
O Velocipedista (1893)
 
 
 
E começavam a ser instalados velódromos.
O primeiro foi levantado em V. N. de Gaia, na serra do Pilar, seguindo-se o mais importante, em 1895), o Velódromo Maria Amélia, nas traseiras do Paço Real, no Porto – o Palácio dos Carrancas, hoje, o Museu Soares dos Reis.
Um outro velódromo foi propriedade do Clube de Caçadores do Porto, na Quinta de Salgueiros, ao Monte Cativo.


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