quinta-feira, 27 de abril de 2017

(Continuação 9)



Fonte: portoarc.blogspot.pt

Sobre o quadro anterior importa acrescentar, complementarmente, que a linha 3 entre a Praça e Lordelo teve vários itinerários. No tempo da Companhia Carris de Ferro do Porto, esta linha de elétrico ligava a Praça da Liberdade ao Palácio. Desapareceu na década de 30, tendo regressado em Maio de 1945 para fazer a ligação entre a Praça da Liberdade e Lordelo. Em janeiro de 1959, já com o Serviço de Transportes Coletivos do Porto, esta linha foi suprimida e substituída pela linha de troleicarros nº 35. Em Novembro de 1960, para assegurar a ligação entre a Praça da Liberdade e Pereiró (via Palácio), o STCP criou esta nova "versão" da linha 3.
Por outro lado existiu uma outra linha não referenciada no quadro, que foi a linha 15E, entre a Praça e as Antas via Rua Formosa.



Estação de Recolha da Boavista ou Remise da Boavista

A Estação de Recolha da Boavista, igualmente conhecida como Remise da Boavista, foi uma das principais infra-estruturas de apoio ao sistema de transporte de carros eléctricos e americanos da cidade do Porto, em Portugal.
Apresentava-se como um edifício de grandes dimensões, construído junto à Rotunda da Boavista, no local onde se encontra agora a Casa da Música.
Desde a sua construção até aos últimos anos antes da sua demolição, foi o ponto central do sistema de transportes públicos sobre carris do Porto, situando-se junto da Estação Ferroviária da Boavista.
O primeiro edifício foi edificado em 1874 para servir de sede e oficina da Companhia Carris de Ferro do Porto, que abriu ao serviço, em 14 de Agosto, a linha desde a Praça de Carlos Alberto até à Foz (Cadouços), via Boavista e Fonte da Moura.
A 3 de Novembro do ano 1875, este edifício foi alvo de um incêndio.
Em 28 de Fevereiro de 1928, a estação então existente, é novamente atingida por um incêndio, que destruiu bastantes carros e avariou alguns mais.
A frota de carros Elétricos foi, então, até aos anos 50 do século XX renumerada diversas vezes, não existindo registos precisos sobre os seus números anteriores ou posteriores e aquele incêndio contribuiu para que a frota sofresse uma grande alteração.

“Ernst Kers refere que foram perdidos 23 eléctricos, 4 atrelados e 2 zorras, ficando também outros 6 muito danificados mas não perdidos.
Na sequência desta perda, a Companhia Carris de Ferro do Porto adquire nesse ano 10 dos famosos carros Belgas de 40 lugares, para poder dar uma resposta capaz à procura dos utentes do serviço de transportes. O relatório de contas refere também a construção de 20 carros e a renovação de outros 20, permitindo efectuar um muito maior número de carreiras (…) e uma muito apreciável diminuição de avarias.
Foi construído também um novo edifício para servir como remise e oficina, com um total de 20 linhas de entrada. As 20 portas eram uma característica marcante do edifício. A capacidade de recuperação da Companhia Carris de Ferro do Porto foi notória, conseguindo ter uma receita positiva no fim do ano de 1928”.
Fonte: Site do Museu do Carro Eléctrico



Nova Remise da Boavista

Inicialmente, também se localizavam aqui, nesta nova remise, as oficinas dos autocarros e troleicarros.
Em 1988, com a redução dos serviços de Eléctricos, a Remise da Boavista perdeu importância, passando a recolha a ser efectuada nas instalações de Massarelos; as oficinas foram, no entanto, mantidas na Boavista, e foram aqui albergados os Eléctricos e fora de serviço, tendo alguns sido aqui restaurados, para serem exibidos no Museu do Carro Eléctrico, em Massarelos. Ainda foi utilizada para guardar os Eléctricos de serviço entre Março a Julho de 1991, Junho a Novembro de 1998 e Fevereiro a Maio de 1999, devido a obras. Em Maio de 1998, foi aqui realizado um desfile de moda, no âmbito do festival Porto de Moda '98. Em Agosto de 1999, este edifício foi evacuado e demolido, para ser construído, no seu lugar, a Casa da Música.


Remise (primitiva) da Boavista c. 1900 



Remise em 1909 durante uma reunião de greve de funcionários





“Os primeiros carros eléctricos do Porto eram pequenos, com plataformas abertas e bancos longitudinais de madeira, onde se sentavam 18 passageiros frente a frente, eram carros do tipo – Risca ao meio – executados a partir de antigos carros americanos.
Para a adaptação a modelos maiores de 7 e 8 janelas, devidamente motorizados e adaptados, foram importados chassis dos USA (Casa Brill de Filadélfia) e da Alemanha, todo o material eléctrico da “Siemens”.
A tarefa de transformação dos veículos começou por ser feita na Central da Arrábida, sendo posteriormente a firma portuense “A Construtora”, com fábrica na zona de Francos, a fazer esse serviço.
Fonte: Manuel Castro Pereira In “Os Velhos Eléctricos do Porto”

Eléctrico nº 1 de 7 Janelas (resultante da transformação de um “Americano”)




Interior de um Eléctrico “Risca ao Meio” – Fonte: Francisco Oliveira

O eléctrico da foto abaixo deve ter sido um “americano” da frota da Companhia Carril Americano do Porto à Foz e Matosinhos (CCAPFM).


Eléctrico do STCP, convertido a partir de um “americano”



Carro Americano nº 8 (usado como atrelado)



“Pequena carruagem em madeira de tracção animal, adquirida no ano de 1873 à Companhia Inglesa “The Starbuck Car & Wagon Company, Ltd.”, de 12 lugares sentados e bancos laterais, pintada de verde e branco. É constituído por cinco janelas quadradas encimadas por um meio círculo envidraçado e decorado por arabescos. Esta série de carros, aquando do aparecimento da máquina foi utilizada como atrelados, assim como nos Carros Eléctricos. Tem um comprimento de 5,80 metros e 2 de largura”.
Fonte: Engº Fernando Pinheiro Martins



Carro Americano nº 8



Com Estribos Laterais (foi Americano)


Entre 1910 e 1928 circularam no Porto dois carros totalmente abertos, apenas protegidos por cortinas de pano riscado. Circulavam sobretudo no Verão, pois, destinavam-se a transportar turistas e as pessoas oriundas dos arredores da cidade que pretendiam ir para as praias.
Em 1928, um grande incêndio destruiu completamente um desses carros, tendo sido o outro reconvertido num carro fechado. Para comemorar o centenário do aparecimento do carro elétrico no Porto, em 1995, foi construída uma réplica de um desses carros abertos — o carro elétrico n.º 100 (numeração do STCP).
Com duas plataformas sem acesso ao interior, este carro dispõe de estribos a todo o comprimento, com possibilidade de recolha para posição vertical, através de rotação axial.

“O veículo da foto abaixo é uma réplica de um outro com as mesmas características, totalmente aberto, protegido por cortinas de pano riscado e não tem acesso ao interior pelas plataformas, dispondo de estribos a todo o comprimento. Das principais características destacam-se os 2 motores General Electric (GE) 270 de 55 HP e Combinadores General Electric (GE) B 54 E”.
Fonte: Engº Fernando Pinheiro Martins



Carro Eléctrico nº 100

Segundo o site “PortoDesaparecido”, o carro eléctrico nº 100 foi reconstruído a partir do nº 129 que se vê na foto abaixo em 1974 saindo da Rua da Boavista e entrando na Travessa do Figueiroa.


Em 1974 o nº 129, Eléctrico Brill 23, dos que vieram novos de Filadélfia 

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