quarta-feira, 22 de março de 2017

(Continuação 22) - Actualização em 27/11/2017



Praça D. Pedro antes da instalação do Banco de Portugal


O Hotel Francfort ficava na esquina das ruas D. Pedro e do Laranjal, por trás da Câmara Municipal.


Hotel Francfort, em frente – Ed. Alberto Ferreira-Batalha-Porto

Sobre o fim do Hotel Francfort  transcreve-se  a seguir um humorístico texto.

“Já não existe, como todos sabemos. Também não ficou a fazer falta aquele casarão inestético exteriormente, e que só se tornou célebre por durante muitos anos ser o hotel preferido pelos estrangeiros, pelas celebridades de todos os géneros e pelos endinheirados. Frequentar o Francfort dava tom e civilisava os que desejavam adquirir maneiras distintas.
Talvez o leitor desconheça que, antes de ser construído aquele prédio, a área por ele ocupada, uma nesga lateral do excesso do terreno, aonde foi aberta a rua do Bispo (depois D. Pedro e agora Elias Garcia), foi destinada pela Câmara, em 1849, para cemitério dos cães.
V. Ex.ª fica admirado por ter o Porto precedido várias cidades europeias e americanas na invenção de um local destinado à sepultura da população canina, o que talvez fosse motivado por haver aqui cães em abundância e não existir ainda fabrica de guano, ou congéneres, para onde se lhes removesse a carcaça, depois de mortos.
Esse destino findou em 1851, ano em que o negociante Luiz Domingos da Silva Araújo requereu à Câmara a venda do terreno, para ali edificar o prédio, há dois anos demolido. Está portanto devoluto o terreno do antigo cemitério dos cães, provisoriamente sentina pública, ao natural, enquanto não se integrar na Avenida, por onde estadeiam o seu luxo e elegância os janotas e as gentis descendentes dos novos-ricos.
Apenas se concluiu o edifício, logo se montou o hotel, em cujos baixos Paulo Podestá, falecido aí por 1869, instalou a sua livraria e tipografia Internacional, sendo aquela a mais bem organisada do Porto. Depois conheci ali a Cervejaria Schreck, e o café Chaves, que de anos a anos muda de poiso.
Pelo hotel passaram inúmeros forasteiros de nome, em especial gente de teatro, e muitas celebridades líricas, como a Ida Benza, a Isabella Schwichner, a gloriosa Ristori, a Darclée, a Elisa Hensler, que depois casou com o rei D. Fernando, a Chiaramonte, a Dealberti, etc., pois o Porto em tempos foi grande apreciador de bom teatro lírico, não se contentando com artista de segunda plano.
O penúltimo dos seus proprietários, François Babel, muito culto e de bastante iniciativa, quis torná-lo um hotel moderno, dotando-o até de balneário, mas a casa não se prestava a isso. Ainda assim, para o tornar conhecido fora do Porto, estabeleceu ali jantares de réclame, às quintas-feiras, bem servidos, e relativamente baratos, que lhe deram nome. A custo se ia tenteando, se não fosse o advento da república, que deslocou os políticos para o Grande Hotel do Porto, conservando-se-lhe apenas fiel, enquanto viajava, o Sr. Dr. António José de Almeida.
A morte do Conde de Alves Machado, que ali viveu durante cerca de 40 anos, produziu nele um imenso vácuo.
Babel faleceu, a casa ia em decadência. A freguesia foi-se retraindo e não primava pela generosidade; às vezes nem pontual era no pagamento das contas. Ainda nas vésperas do seu encerramento teve de penhorar as malas de uma conhecida actriz, que passava por trazer a carteira bem recheada. Já por vezes acontecera outro tanto com vários fregueses.
As obras da cidade vieram dar-lhe o golpe de morte: o prédio era necessário, a fim de melhor se desenhar o bacalhau, adoptado para modelo da sua planta.
Custou-lhe, porém, a deixar-se entregar ao município. Ainda lá havia hospedes e já o camartelo municipal lhe esmoucava os telhados e as cantarias. Parece que algo de saudoso lhe custava a desprender-se dali; talvez os vários suicidas, que nos seus leitos se despediam da vida, como o espírito dilacerado da noiva do filho de Urbino de Freitas, vinda do Alentejo ali amortalhar-se., para a colocarem, no jazigo da Lapa, ao lado da alma gémea da sua, que tanto sofrera, em tão curta idade!
O último cadáver que de lá saiu, foi o Dr. Teixeira de Sousa, o derradeiro chefe do Partido Regenerador e presidente do conselho, à queda da monarquia: não se suicidou, mas morreu torturado pelos caprichos do destino!"
António Lança In “O Tripeiro”, nº 109 (nº7 da 2ª série), 1 de Abril de 1919




Hotel Brazil na Praça da Liberdade em 1913

Como se pode ver no folheto anterior, o Hotel Brazil que foi “Antiga Casa Cascata”, estava situado no local onde hoje está situado o edifício ”A Nacional” na Avenida dos Aliados, pois, é possível ver na gravura representado, o fontanário que estava no começo da Rua da Fábrica (hoje Rua Dr. Artur de Magalhães Basto).

No local do edifício central da foto estava o Hotel Brazil



Rua de Sá da Bandeira (antiga Rua do Bonjardim) - Ed. Tipografia Renascença Portuguesa

Na foto acima, em frente, era o começo da Rua da Bonjardim junto aos Congregados e, pela direita, é a Rua de Santo António.
A partir de 1916 esse troço passou a fazer parte da Rua de Sá da Bandeira.
Na última metade do século XIX, no local que se vê na foto (pela esquerda), ficava uma estação de Char-à-Bancs que fazia ligação com a estação ferroviária das Devesas em V. N. de Gaia, términos da linha do Norte, desde 1864.
Um dos andares superiores dessa estação foi ocupado, em tempos, pelo Hotel Estrela do Norte (não confundir com um outro da Rua de Entreparedes), onde se costumavam hospedar os artistas estrangeiros que faziam parte das companhias a actuar no Baquet e no Príncipe Real.
Nesse local, chegou a estar estabelecido, também, o depósito da Fábrica da Marinha Grande.
À entrada da rua, à esquerda da foto, ficava o Hotel Real, de que Camilo Castelo Branco foi várias vezes hóspede.
Nesse troço da Rua Sá da Bandeira no nº 21, mais tarde, instalar-se-ia o Hotel Peninsular, que ainda hoje tem as suas portas abertas.

Hotel Peninsular na Rua de Sá da Bandeira nº 21


Pela zona da Praça da Batalha e suas imediações, foram-se instalando ao longo dos anos vários estabelecimentos hoteleiros.


Grande Hotel do Porto

Acima um folheto publicitário do Grande Hotel do Porto situado, tal como hoje, na Rua de Santa Catarina e que foi inaugurado em 1880.


O Hotel América Central esteve aqui.


O Hotel América Central ficava na esquina da Rua Rodrigues de Freitas e Entreparedes, desde 1895. Actualmente é a Pensão Aviz.


Publicidade ao América Central em 1923

Hotel Estrella do Norte na Rua Entreparedes


Folheto de publicidade ao Hotel Bragança

Outro folheto referente ao Hotel Bragança


Comparando os dois folhetos publicitários anteriores, parece que o Hotel Estrella do Norte e o Hotel Bragança ocuparam o mesmo edifício.
Parece que no tempo do Hotel Estrella do Norte, este só teria serventia pela Rua de Entreparedes.
De notar que o Hotel Bragança tinha entrada, também, pela Rua de Santo Ildefonso.
Teria havido pela mesma época um outro hotel denominado “Hotel Novo Bragança”.
Em 15 de Junho de 1918 abriria neste prédio o chamado “London Club”, com sala de jogos, sala de bilhar e sala de leitura.



Sala de Leitura do “London Club” - Ed. Illustração Catholica



Prédio onde esteve o Hotel Bragança, a meio da foto - Fonte: Google maps


A fachada da foto anterior, está virada para a Rua de Entreparedes e depois de albergar o “London Club”, foi também esquadra da Polícia de Segurança Pública.


Hotel Nacional em 1913

O Hotel Nacional na gravura acima ficava na Rua de Entreparedes logo encostado ao Hotel Continental (fazia esquina com a Praça da Batalha).

No 1º prédio à direita (ainda existente), ficava o Hotel Nacional - Fonte: Google maps


O Hotel Continental

Acima o Hotel Continental na esquina da Rua de Entreparedes e a Praça da Batalha.


Local onde esteve o Continental à entrada da Rua de Entreparedes - Fonte: Google maps


Hotel Sul-Americano


Publicidade ao Hotel Sul-Americano

O Hotel Sul-Americano, mais tarde, seria substituído no local pelo Hotel Império.

Grande Hotel do Império e Cafés, Chave d’Ouro, Leão d’Ouro e Tropical

Publicidade ao Hotel Universal


O Hotel Universal em 1907. Seria, depois, Messe dos Oficiais


Messe dos Oficiais (actualmente) - Ed. aportanobre.blogspot.pt


A Messe de Oficiais foi inaugurada em 15 de Setembro de 1926 tendo o edifício do Hotel Universal, contido na foto acima no quadrilátero a amarelo, sido ampliado para o efeito.
A Messe de Oficiais fica na esquina das ruas de Alexandre Herculano e Augusto Rosa, podendo apreciar-se, em foto abaixo, uma perspectiva de há dezenas de anos atrás, do correr de casas contíguo à área em que está aquele edifício, nesta última rua.
A Rua Augusto Rosa é uma homenagem à memória do genial actor Augusto Rosa, muito estimado no Porto, que se estreara em peça do seu pai em 31 de Janeiro de 1872 e que faleceu em 2 de Maio de 1918. 






Grande Hotel da Batalha em 1924

À esquerda do Grande Hotel da Batalha é a Rua de Cima de Vila.


Hospedaria Águia Douro em 1908

Acima à direita da foto, com o café no rés-do-chão, a Hospedaria Águia d’Ouro.
Como seria de esperar a partir do momento da chegada do comboio a Campanhã, os hotéis começaram também a instalar-se próximo da gare.

Sem comentários:

Enviar um comentário