segunda-feira, 27 de março de 2017

(Continuação 2) - Actualização em 29/03/2018



Este teatro localizava-se próximo da actual Rua José Falcão e foi demolido para a abertura da Rua de Ceuta e levantamento da Praça D. Filipa de Lencastre, em meados do século XX.
Em 19 de Agosto de 1912 é apresentado o projeto de construção do cinematógrafo Apolo Terrasse.
Segundo o pouco que se sabe sobre o seu interior, apresentava uma varanda-galeria metálica apoiada em colunas, como se vê parcialmente, na foto abaixo.


Interior do Cine -Teatro Apollo Terrasse em 1917 - Fonte: Ilustração Portuguesa - hemerotecadigital.cm-lisboa


Na foto acima pode ver-se como seria o interior do Cine -Teatro, durante um jantar de homenagem ao escritor Xavier de Carvalho.
No exterior apresentava uma cobertura metálica dum vestíbulo ao ar livre, visível no desenho abaixo.


Desenho do Apollo Terrasse - Ed. “O Tripeiro”


Interior do Apollo Terrasse segundo o Arquitecto Luís Bourbon Aguiar Branco - Ed. “O Tripeiro”


Na oval a localização do Apollo Terrasse - Ed. “O Tripeiro”

Na foto aérea acima pode ver-se a localização do Apollo Terrasse em 1939 com a orientação da esquerda para a direita correspondente a Sul/Norte e com as Ruas do Almada, da Picaria e de José Falcão paralelas entre si, pode concluir-se que o cine-teatro ficaria transversalmente à que é hoje a Rua de Ceuta, a uma vintena de metros do seu topo.



Numa propriedade que herdou na Foz do Douro, decidiu João Leite da Gama abrir algumas ruas e edificar um teatro, que denominou de Vasco da Gama, com licença de obras de Dezembro de 1880.
Em 1887, este teatro funcionava instalado num grande edifício, com camarotes, plateia e geral. No século XX exibiu cinema mudo e, mais tarde, serviu de sede ao Ginásio Clube da Foz. Foi demolido por volta de 1945. Desapareceu o teatro, mas ficou o nome da rua- a Rua do Teatro.

“Um capitão de milícias da Maia, chamado Bernardo de Lemos Carneiro de Barbosa, comprou uma quinta na Foz do Douro onde se instalou. Morreu pouco depois sem descendência, deixando a quinta a umas primas que viviam em Celorico de Basto e que, por sua vez, doaram a quinta a um sobrinho, residente na ilha de S. Miguel, nos Açores, chamado João Leite da Gama, que veio viver para a sua nova propriedade na Foz. Decidiu João Leite da Gama abrir algumas ruas (recordemos que a Rua de Diu se chamava Rua do Gama) e edificar um teatro, que denominou de Vasco da Gama, em honra ao seu apelido, certamente. (ver lic. Obra 288/1880 de 29 de Dezembro de 1880).
Em 1887, este teatro funcionava instalado num grande edifício, com camarotes, plateia e geral. Foi a sede do Grémio Portugal. A gestão era partilhada entre João Leite da Gama e Benjamim Ferreira Campos (ver lic. Obras 981/1909, de 22 de Julho de 1909).
No século XX exibiu cinema mudo e mais tarde serviu de sede ao Ginásio Clube da Foz. Foi demolido por volta de 1945. Desapareceu o teatro, mas ficou o nome da rua.
Com a devida vénia a António Coutinho Coelho



Em 20 de Dezembro de 1896 à Rua do Bonjardim, é inaugurado o Salão Express e mais nada se sabe sobre esta sala.



Praticamente desconhece-se qualquer informação existente, e relativa a esta sala de cinema que, como o nome indica, ficava situada na Rua da Porta do Sol e, sabe-se apenas, que em 22 de Janeiro de 1888 ocorreu nas suas instalações uma explosão de gás durante um baile.
O topónimo deriva, do facto de ali ter existido uma das antigas portas que se espalhavam ao longo do perímetro da muralha, que circundava a cidade do Porto. 
O edifício onde se situava o cinema terá sido demolido.


Teatro Nacional de S. João e Real Teatro S. João

Inaugurado oficialmente no dia 13 de Maio de 1798, o Real Teatro de S. João foi o primeiro edifício portuense construído de raiz, exclusivamente destinado à apresentação de espectáculos, e que passou a ser uma referência na cidade.
Foi construído, por iniciativa do Corregedor Francisco de Almada e Mendonça e de um grupo de accionistas privados, a partir de um projeto do arquitecto e cenógrafo Vincenzo Mazzoneschi, que havia sido cenógrafo do Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa. A estrutura interior do Real Teatro era muito semelhante à desse teatro lisboeta, embora de dimensões mais reduzidas.
Em 19 de Janeiro de 1801 estreia, no Real Teatro de São João, assim apelidado em homenagem ao então Príncipe Regente, futuro D. João VI, a célebre cantora Luísa Todi, que entusiasmou o Porto de tal forma que fez carreira aqui e até nasceram aqui alguns dos seus filhos.

Real Teatro S. João em 1798


Episódios passados nele ficaram célebres, como o ocorrido com Camilo Castelo branco assíduo frequentador.

“Em 23 de janeiro de 1851, Camilo Castelo Branco agride, à mocada, no corredor do Teatro S. João, o jornalista Novais Vieira (o Novais dos óculos), por este ter publicado no jornal “A Pátria” um artigo em que lhe chamava Lombrigas (pseudónimo de Camilo, mas precedido de Anastácio das…) onde insinuava que o escritor tomara uma certa atitude porque “a falsa sóror já não pinga tanto” (referindo-se ao pseudónimo “sóror Dolores” da poetiza D. Maria Adelaide Brown) e porque “a verdadeira sóror só pinga alguns docitos”, referindo-se à freira D. Isabel Vaz Mourão, que no Convento de Ave-Maria protegia Bernardina Amélia, filha de Camilo e Patrícia Emília.”
Fonte: “PortoDesaparecido”


“Um incêndio na noite de 11 para 12 de Abril de 1908 destruiu por completo o edifício. A reconstrução foi levada a cabo pelo arquiteto José Marques da Silva. O novo edifício foi inaugurado a 7 de Março de 1920 graças ao grande capitalista Honório de Lima e outros, com a ópera “Aida”.
Em 1932, acompanhando a decadência da atividade teatral na cidade, passou a chamar-se S. João Cine, dedicando a maior parte da sua programação à exibição cinematográfica. Nos anos 50, as limitações da sala para adaptação aos novos sistemas de projeção para telas mais amplas, ditou um decréscimo na afluência de público, culminando no fim das exibições de filmes por volta de 1956. Regressaram as representações teatrais, mas não o público.
O edifício acabaria por entrar numa fase de progressiva degradação. Foi adquirido pelo estado em 8 de Outubro de 1992 e inaugurado cerca de um mês mais tarde, a 28 de Novembro, com a designação oficial de Teatro Nacional S. João. Entre 1993 e 1995, foi restaurado, remodelado e reequipado, segundo projeto do arquiteto João Carreira.
Atualmente, passa por um período de prosperidade com uma agenda bastante preenchida e uma boa afluência de público”.
Fonte: cinemaaoscopos.blogspot.pt

Combate ao incêndio



Teatro Nacional S. João – Fonte: cinemasparaiso.blogspot.pt

Interior do Teatro


Cine -Teatro de Sá da Bandeira; Teatro Circo e Teatro do Príncipe Real

O Cine - Teatro Sá da Bandeira é uma das mais importantes salas de espectáculo do País, tendo um papel determinante na história do teatro e do cinema em Portugal. Ele acolheu a primeira apresentação do animatógrafo na cidade do Porto, a 26 de Agosto de 1896, e a 12 de Novembro de 1896, foram apresentados por Aurélio da Paz dos Reis, os primeiros filmes realizados por um português.
No ano de 1846 José Toudon Ferrer Catalon, tomou a iniciativa de construir um modesto Circo de Cavalinhos para a sua companhia equestre, que se situaria entre a Rua de Santo António e a Viela da Neta. Acedia-se a este efémero barracão de madeira através da Rua de Santo António.
Esta primitiva casa de espectáculos, da qual não há qualquer registo de imagens, viria a ser remodelada poucos anos depois, em 1854, com o nome de Teatro Circo , referido a seguir, no anúncio do Jornal “O Comércio do Porto”.

“Hoje representa-se no theatro de Santo Antonio uma nova comedia magica, cujas decorações e machinismo foi dirigido pelo snr. Manoel de Couto Guimarães”.
Fonte: “O Comércio do Porto”, 1.02.1855, p. 2


Em 1858 o Teatro Circo seria demolido de forma a ser construído um outro circo, desta vez usando a pedra como material de construção em detrimento da madeira, segundo projecto do arquitecto da Câmara Municipal de Gaia, Pedro José de Oliveira e que seria o Novo Teatro Circo.
Com efeito, a construção do novo Teatro-Circo iniciou-se a 22 de Março de 1858, precisamente, três meses depois de uma intimação decorrente duma vistoria. Sobre a inauguração dizia “O Comércio do *Porto”:

“A inauguração do novo teatro, a 7 de Novembro de 1858, ficaria a cargo da companhia dos «irmãos Andressons» com um espectáculo «gymnastico e acrobatico», que provocou uma enchente «a mais não caber»
Fonte: “O Comércio do Porto”, 8.11.1858, p.2

O Teatro-Circo da Rua de Santo António era o predilecto das camadas mais populares, fosse pelos módicos preços praticados ou pela identidade programática de carácter essencialmente popular.


Jornal do Porto em 29/10/1859


“A identidade do Teatro-Circo começava a mudar e os renovados gostos dos seus habituées delineavam aquele que viria a ser o seu futuro. Compreende-se, deste facto, a rejeição dos espectáculos equestres que sempre estiveram na origem deste teatro. Por este exemplo, se percebe o dinamismo dos teatros na sua permanente adaptação à realidade do negócio, mas também como esse dinamismo está estreitamente associado à negociação que ocorre no seio da rede de teatros que (se) constitui (como) o Bairro teatral.
Após o êxito de Fausto, a direcção do Teatro-Circo decide suspender temporariamente os espectáculos de forma a proceder a algumas obras de remodelação, de forma a aumentar a lotação do teatro e torná-lo mais “vistoso”.
Com a devida vénia a Daniel Rodrigues Micaelo Rosa – Universidade de Lisboa, 2013


Sempre recorrendo ao Comércio do Porto, podia ler-se:

“Prosseguem com actividade as construcções dos novos theatros da Trindade e Circo (…). No theatro Circo vão tambem muito adiantados os trabalhos, os quaes correm sob a intelligente direcção do snr. Couto. Este theatro ficará mais amplo e em muito melhores condições que o antigo que alli existia. O panno de boca representara o edifício da nova alfandega, visto do lado de Gaya, e estão encarregados de o pintar os snrs. Lima e Sanhoane”.
Fonte: O Comércio do Porto, 17.10.1873, p. 2


Jornal do Porto em 12/03/1874


Mais tarde, em 1874, inaugurava-se no mesmo local a casa de espectáculos definitiva, apresentando a fisionomia que ainda hoje observamos. Teve como primeiro nome o de Teatro do Príncipe Real.
Foi um dos primeiros, se não o primeiro teatro do Porto, a usar iluminação eléctrica em vez da iluminação a gás.
Em Maio de 1899, quando ali se apresentou a Companhia de Teatro de D.Maria II de Lisboa, os cartazes anunciantes continham a indicação de que "Em todos os espectáculos desta companhia, a sala e o palco são iluminados por LUZ ELÉCTRICA…”.


Teatro de Príncipe Real – Fonte: “restosdecoleccao.blogspot.pt”


Teatro Sá da Bandeira delimitado a preto em planta


Durante a primeira década de existência do animatógrafo foi mantendo sessões com alguma regularidade, acabando por assumir em definitivo a função de teatro. Com a implantação da República, em 11 de Outubro de 1910, passou a chamar-se Teatro de Sá da Bandeira, nome que manteve até aos nossos dias.
Um dos seus mais notáveis empresários foi Afonso Taveiro que o adquire em 3 de Março de 1903. A partir de 1909 passa para as mãos de Arnaldo Moreira da rocha Brito que o manteria na sua posse até à sua morte em 1970.


Planta da sala do Teatro Sá da Bandeira

Cartaz publicitário com foto de Mirita Casimiro em 1946 – Fonte: “restosdecoleccao.blogspot.pt”


Teatro Sá da Bandeira década de 50 do século XX – Ed “cinemasdoporto.com”


O edifício do Teatro Sá da Bandeira integra ainda 3 lojas – Fonte: “restosdecoleccao.blogspot.pt”

Presentemente, a Câmara do Porto pretende comprar o edifício do teatro e, para isso, vai avançar com a classificação do Teatro de Sá da Bandeira como imóvel de Interesse Municipal.
Aquela posição da Câmara destina-se a que o teatro passe a ter um estatuto de protecção e, mesmo que venha a ser vendido a privados, a sala de espectáculos já não poderá, por exemplo, ser transformada num hotel. 
Tal intenção é também a da sociedade arrendatária do Teatro Sá da Bandeira que tem, porém, um conflito com as partes envolvidas no processo. Em causa está o facto de que tanto a sociedade arrendatária como a Câmara do Porto terem exercido o direito de preferência da compra do Teatro Sá da Bandeira. Aguardemos pelos próximos capítulos.


Auditório Nacional Carlos Alberto - Teatro Carlos Alberto

Inicialmente projectado como teatro, para a Rua das Oliveiras, este edifício foi construído nos antigos jardins do Palácio do visconde de Balsemão, onde mais tarde funcionou a Hospedaria do Peixe e onde o rei da Sardenha, Carlos Alberto, ficou alojado por algumas semanas em 1849, recebendo o seu nome como homenagem. 
Foi inaugurado a 14 de Outubro de 1897 no jardim do palácio, e edificado por iniciativa de Manuel da Silva Neves. Foi desde o início um espaço vocacionado para a apresentação de espectáculos de cariz popular: do “circo de cavalinhos” às operetas, do teatro ligeiro ao cinema.
No século XX, passou a dedicar a sua programação também ao cinema.
Foi alugado pela Secretaria de Estado da Cultura em finais da década de 70, e em 1980 adotou a designação de Auditório Nacional Carlos Alberto, tornando-se durante vários anos um importantíssimo pólo de divulgação de cinema.
Lá, realizaram-se as primeiras edições do festival de cinema Fantasporto.
Encerrou em 2000 mas, no ano seguinte foi adquirido pela Sociedade Porto 2001, por altura da Capital Europeia da Cultura, sendo reaberto a 15 de Setembro de 2003, após remodelação e modernização.
Actualmente é gerido pelo Teatro Nacional de S. João.

Foto da fachada principal do teatro Carlos Alberto

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