sexta-feira, 10 de março de 2017

(Continuação 12)


“No São João e no Palácio, havia espectáculos de ópera italiana. Funcionavam regularmente os teatros Camões, de Santa Catarina, Baquet, Teatro-Circo e Trindade. Nas Carmelitas com o tenor Osório e a suripanta e as mágicas vistosas, as enchentes eram formidáveis. Bundavam as sociedades de amadores- A Filotimia, a Talia, a Terpsicore, a Almeida Garrett, a Primavera, a Juventude Portuense, a Minerva, a Filo-Euterpe, a Recreativa, o Club Distrativo, o Teatrinho do Camarão, outras sociedades análogas, algumas encafuadas em terceiros andares onde mal se ageitavam o scenario, as ingénuas e os galãs…”
Fonte - Firmino Pereira In “O Porto D’Outros Tempos”


OS FENIANOS


“O Clube Fenianos Portuenses nasceu a 25 de Março de 1904 (numa reunião dominada por ferrageiros da Rua do Almada, tendo como patrono Almeida Garrett) primeiramente na Praça da Batalha, passando depois, em 1935, para a sua localização actual. É uma associação cultural e recreativa sem fins lucrativos, com estatuto de utilidade pública.
A sua sede encontra-se na Rua Clube dos Fenianos, n.º 29, início da Avenida dos Aliados, ao lado da Câmara Municipal do Porto.
Desde o seu nascimento, sempre ficou conhecido pelo corso carnavalesco que oferecia à€ cidade do Porto, estendendo depois a sua fama, às acções de solidariedade e filantropia, ao acolher várias associações na sua sede social entre elas, a Sociedade Humanitária do Porto ou o Grémio Português de Fotografia.
À data e, segundo o último relatório de contas e actividades de 2013, o Clube Fenianos Portuenses apresentava 495 Associados.
O clube além do estatuto de utilidade pública, foi reconhecido como comendador da ordem militar de cristo pelos serviços prestados nos seus 111 anos de existência, e com a medalha de ouro da cidade, jၠque o seu lema é “Pelo Porto”.
Como jၠexposto em diversas publicações, a palavra fenianos estၠde facto relacionada com a célebre associação revolucionária irlandesa, formada em 1858, com a finalidade de se opor ao domínio da Inglaterra sobre a Irlanda. Ainda assim, não foi esta questão política que esteve na origem do nome do nosso clube, pelo menos de modo directo. Um conjunto de quatro dos fundadores por volta de 1903, cidadãos portuenses e futuros fenianos, procuraram obter os conhecimentos necessários para a organização de um corso carnavalesco com a exuberância do carioca e a beleza estética do de Veneza, tendo realizado uma viagem ao Brasil para esse efeito. A escolha do nome advém do facto de a maioria das colectividades ligadas à organização de desfiles de Carnaval ter no seu nome a designação “fenianos”.
A partir desta colaboração nasce cerca de um ano depois o Clube Carnavalesco Fenianos Portuenses, mais tarde Clube Fenianos Portuenses. O objectivo principal era devolver à cidade um carnaval à altura da sua sensibilidade artística. Como nota de curiosidade o soalho do nosso salão nobre  também traz consigo o “efeito brasil” jၠque todo ele é de pau-cetim de tom claro e macacaúba”.
In site dos Fenianos


Salão de Bilhares do Clube Fenianos em 1906 na Praça da Batalha – Cliché de R. Brito

Sala de jogos de vasa do Clube Fenianos em 1906 na Praça da Batalha – Cliché de R. Brito


“Os primeiros estatutos do clube são aprovados por alvará do Governo Civil do Porto a 17 de Junho de 1904.
Colectividade de grande prestígio realizou ao longo de anos e anos, eventos na cidade do Porto,
como Cortejos de Carnaval, Bodos aos pobres, festejos de Santo António, festas de Verão, além de ter contribuído com a sua influência social para a resolução de carências da cidade e da sua população, como a abolição das Portagens da Ponte D. Luís I, a regalia do descanso dominical, a inauguração rápida dos serviços de viação eléctrica para V. N. de Gaia, a criação de sociedades de Previdência Social, a criação do Teatro lírico ou Teatro modelo (hoje Teatro Nacional de S. João), o socorro a vitimas de catástrofes e o auxilio a combatentes, o alargamento do Estatuto do Porto de Leixões, de porto de abrigo a porto comercial.
Na construção da actual Sede Social foi lançado o 1º Cunhal em Agosto de 1920 com a presença do Dr. António José de Almeida, então Presidente da República, e que já em 1910 tinha inscrito no Livro de Honra do clube a seguinte frase: “ Este clube é o exemplo de que a união faz a força ”.
A partir daqui foram muitas as acções e actividades desenvolvidas, desde ginástica, iniciação musical, bilhar, filatelia, xadrez, ténis de mesa, conferências e debates sobre vários temas.
São inúmeras as homenagens, os galardões, as medalhas de mérito e os louvores recebidos de diversas entidades da vida portuense e nacional".
Fonte - portoarc.blogspot.pt; In: Associação das Colectividades do Concelho do Porto – 1929


Carnaval em 1906 - Ed. Alvão

Na foto acima o clube dos Fenianos, em desfile, na Rua Santa Catarina.
Antes de ocupar, em 1934, as suas actuais instalações (projeto de 1920 de Francisco Oliveira Ferreira), próximas da Câmara Municipal, o clube dos Fenianos Portuenses teve antes, a sua sede, na Praça da Batalha.
O edifício ao centro da foto acima ocupava o lugar na esquina da Rua Passos Manuel, onde mais tarde, seria implantado o Café Palladium.


Edifício do Clube Fenianos Portuenses e do Teatro Águia D’Ouro

Durante a instalação da Monarquia do Norte em 19 de Janeiro de 1919 na cidade do Porto, o interior da sede dos Fenianos foi completamente destruído.
As instalações actuais, bem ao lado da Câmara Municipal, são muito funcionais.
O edifício tem um salão para teatro e um salão nobre polivalente, que pode ser ocupado por exposições, para bailes, sessões solenes e também para teatro.
Possui ainda um anfiteatro para ilusionismo.
Tem no andar superior um outro salão apelidado de “salão de cimento”, que é o mais grandioso. O “Flamingo” é também um salão polivalente, onde se fazem bailes e outras atividades, que também é polivalente. Acresce a isto, o salão para o ténis de mesa, o “pub” com bilhar de snooker e um BAR.


Festa em 1931 no Clube dos Fenianos Portuenses – Fonte: coisasdoarco-da-velha.blogspot.pt

Sede actual do Clube Fenianos Portuenses – Fonte: restosdecoleccao.blogspot.pt


Sociedade Philarmonica Portuense


Foi localizada na Rua das Hortas e Rua da Fábrica e teve período de actividade entre 1840 e 1880.
A Sociedade Filarmónica Portuense ocupou em tempos, primeiro, um andar no prédio da Rua das Hortas onde esteve o Café das Hortas e, mais tarde, em 1855, o edifício construído de raiz para seu uso próprio e, no qual, em 1877 se instalaria na Rua da Fábrica, o Hotel Paris.
Entre os múltiplos clubes e sociedades que foram sendo criados ao longo de oitocentos, a Philarmonica Portuense depressa se destacou na cidade. Fundada por iniciativa do músico e compositor Francisco Eduardo da Costa, a Sociedade tinha uma escrupulosa e selectiva política de admissão de sócios. Após a morte do fundador, em 1855, passou a ser dirigida pelo maestro italiano Carlo Dubini, continuando a marcar a vida musical do Porto.
Em 1880 a Philarmonica Portuense fundiu-se com o Club Portuense (que ainda hoje se mantém em actividade) que guarda hoje, na sua sede na Rua de Cândido dos Reis, o riquíssimo espólio da Sociedade Philarmonica.

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