sexta-feira, 3 de março de 2017

(Continuação 7)

“Em 29 de Janeiro de 1933 foi inaugurado o Café Guarany, no edifício projectado por Miguel Ângelo Soá, com um projecto de Rogério de Azevedo e um baixo-relevo de Henrique Moreira. A principal inovação era o sistema de ventilação e filtragem do ar. Nos anos 80 sofreu alterações que o desvirtuaram, ao ser criado um balcão corrido e eliminadas as mesas. Recentemente foi recuperado de acordo com o projecto inicial, tendo sido acrescentados painéis da pintora Graça Morais. Poderá considerar-se um exemplo de recuperação da imagem e da essência original”.
Fonte: pereira-da-silva.blogspot


“A música também desempenhou um papel de extremo relevo nos cafés do Porto, ao longo dos séculos XIX e XX. Os Cafés Suisso e Lisbonense foram, sem dúvida, os mais afamados. Nestes estabelecimentos existiam, todas as noites, concertos que iam desde as “composições ligeiras de Lecoq e de Suppé, até aos trechos classicos de Rossini e de Wagner”, passando pelas entusiásticas “valsas de Waldteufel”. Ao domingo, existiam as matinés no Café Lisbonense, que se realizavam pelas 14 horas da tarde, começando por tocar os principais artistas a solo, que interpretavam, em piano, os “transcendentes noturnos de Chopin e as belas sonatas de Beethoven”, em violino, “os arrebatadores trechos de Paganini e Sarasate” e em violoncelo, “os majestosos caprichos fantasias de Dunkler”. À noite era costume serem executados 10 números, onde figuravam seleções de óperas, sinfonias, zarzuelas, entre outros. Destacaram-se como principais executantes, os violinistas: Júlio Cagiani, Laureano Forssini, José Muner, Luigi Comuni, entre outros, os violoncelistas: Ferrucio Alberti, José Romagosa, Carlos Quilez, Mário Vergé, entre outros, os pianistas: Xisto Lopes, Pedro Blanco, Evélio Burull, Manuel Figueiredo, entre outros, e os contrabaixistas: Francisco Symaria, Manuel Jorge Paiva, entre outros.
Com a inauguração do Café Guarany, em 1933, atuou, em exibições diárias, à tarde e à noite, um quinteto, que alcançou grande notoriedade na cidade. Era este constituído por “Raúl de Lemos, Manuel Constante, José da Costa, José Oliveira e Fausto Caldeira”. A música foi, assim, a par com o jogo, um dos principais passatempos dos portuenses, no interior dos cafés, ao longo dos séculos XIX e XX.
Entre 1918 e 1939 destacam-se a abertura de, O Majestic, O Excelsior, O Imperial, O Palladium, O Monumental, O Avenida e O Guarany”.
Com a devida vénia a Nuno Fernando Ferreira Mendes

Na esquina do prédio instalou-se o Café Guarany


Café Guarany (Actual)




Esplanada do Café Guarany em 1941


O café Guarany em meados do século XX



No nº 48 da Rua de Sá da Bandeira, funcionou o Café Excelsior, inaugurado em 1 de Janeiro de 1920 e que encerraria a 1 de Dezembro de 1959. As suas instalações passariam posteriormente a ser ocupadas pela papelaria Sousa Ribeiro.
Actualmente é uma loja da multinacional de equipamentos de óptica, “Leica”.

Aqui funcionou o Café Excelsior


Interior do Café Excelsior – Fonte: Porto Desaparecido, p. 152

Interior do espaço como Papelaria Sousa Ribeiro – Ed. JPortojo


Depois da Segunda Guerra Mundial, e com o desenrolar da segunda metade do século XX, foi surgindo uma nova geração de cafés que já não patenteiam da “grandeza e o requinte decorativo” dos cafés da primeira metade do século, prevalecendo a austeridade.
Destacam-se no seio desta nova tipologia os cafés, ainda em serviço: Embaixador, Ceuta e Aviz.
Assim: o Café Embaixador seria fundado em 1959 e localizado no núcleo urbano de cafés da Praça e suas imediações, mais concretamente, na Rua de Sampaio Bruno, com salão de bilhares, funcionando actualmente como restaurante; o Café Ceuta, sito na Rua de Ceuta e aberto ao público a 18 de Julho de 1953; e o Café Aviz, fundado em 1956, na Rua de Avis.
Todos eles eram detentores de salão de bilhares e os dois últimos localizam-se no núcleo urbano de cafés do Carmo e suas imediações.

Café Embaixador (actual)


Café Ceuta (actual)



Café Aviz (actual) - Fonte: Google Maps

O café Aviz, mantem as portas abertas, próximo da Praça Filipa de Lencastre, na Rua de Avis.
O Café Rialto na Praça D. João I, mas já encerrado, destacava-se pelo seu requinte.
Inaugurado em 1944, tinha uma decoração exigente com murais de Abel Salazar, Guilherme Camarinha e Dórdio Gomes.
Após 28 anos de labor, acabou por encerrar as suas portas em Julho de 1972, para dar lugar a uma instituição bancária, que conservou o mural de Abel Salazar, mas destruiu os frescos de Dordio Gomes e Guilherme Camarinha (ou pelo menos estão bem escondidos), e um baixo-relevo de António Duarte.

Interior do Rialto

Café Rialto


Na segunda metade do século XX muitos outros cafés ficaram na memória de muitos, pelo que ofereceram a várias gerações, de que se destacam o Café Pereira, na Praça Marquês de Pombal, o Café Estrela Douro na Rua da Fábrica, o Café Garça-Real junto ao teatro Rivoli, o Café Bela-Cruz,  ao Castelo do Queijo, o Café Orfeu na Rua Júlio Dinis, o Café Tijuca na Rua Passos Manuel nº 208, o Café Java na Praça da Batalha e o Café Capitólio junto da praça General Humberto Delgado, ainda hoje existentes, e o Café Saba na Rua de Sá da Bandeira em frente à Confeitaria Cunha, na esquina com a Rua Guedes de Azevedo, o Café Mucaba, à saída do tabuleiro superior da ponte Luís I, já em V. N. de Gaia e aberto desde 15 de Fevereiro de 1962 e, ainda, o Café Rivoli, todos já desaparecidos.


Café Pereira, a sul da Praça do Marquês - Fonte: Google Maps



Café Estrela Douro - Fonte Google Maps

Café Garça-Real - Fonte: Google Maps


Café Bela-Cruz - Fonte: Google Maps


Café Orfeu - Fonte: Google Maps


Café Tijuca - Fonte: Google Maps



Café Java – Fonte: Google maps


Café Capitólio – Fonte: Google maps


Na esquina ficava o Café SABA - Fonte: Google Maps


Na esquina era o Café Mucaba - Fonte: Google Maps


Café Rivoli - Fonte: Google Maps


O café Rivoli ficava em frente ao teatro Rivoli, no piso térreo do prédio de esquina que se vê na foto anterior, e que hoje é o depósito da Fábrica da Marinha Grande.

2 comentários:

  1. O antigo Café Rialto - hoje agência bancária não destruiu os frescos do Dórdio nem o do Camarinha. Ainda lá existem. Não estão à vista de toda a gente. Mas isso é outro problema que não posso abordar aqui. Aqui há uns anos tive a possibilidade de os visitar assim como outras obras ainda existentes do Dórdio Gomes presentes na cidade.

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  2. Agradeço a informação e a sua disponibilidade e colaboração.
    Como pode observar, já corrigi o texto baseado na sua chamada de atenção.
    Cumprimentos.

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